A primeira proposta de programa de actividades organizadas pelo IOC já está disponível no site do FSM, em inglês. Em breve, será publicada a versão em português (clique aqui)
Como nos fóruns passados, a metodologia para o FSM na Índia prevê a realização de um grupo de actividades sob a responsabilidade da organização e outro grupo de actividades auto-gestionadas, isto é, propostas pelas diversas organizações participantes do evento. A diferença é que as actividades auto-organizadas agora incluem também conferências, painéis e testemunhos.
Em 2004, o FSM contará com os seguintes tipos de actividades:
Conferências e reuniões públicas: entre 8,000 e 20,000 participantes, têm carácter mais mobilizador e educativo, com duração de duas horas. A organização do FSM será responsável pela realização de oito actividades desse tipo, 04 no período da manhã (um por dia, com 3 horas de duração), 04 no período da tarde e 04 à noite (um por dia, uma hora e meia de duração). As conferências da tarde serão auto-gestionadas, isto é, propostas e organizadas pelos diversos actores que participam do FSM.
Painéis: consideradas o reflexo do FSM como um fórum da sociedade civil, estas actividades mostram explicitamente as grandes questões, propostas e estratégias, assim como os actores portadores dessas propostas e toda a diversidade de situações e perspectivas em sua acção pela mudança da globalização neoliberal. A organização do FSM será responsável pela realização de 04 painéis (todos para 4,000 pessoas). Outros 13 painéis serão auto-gestionados.
Testemunhos: actividades que buscam valorizar o património político-cultural do campo das organizações que participam do FSM, por meio de trajectórias de vida e acção em prol da liberdade e da dignidade humanas. A organização do FSM será responsável pela proposição de cerca de 02 a 04 testemunhos por dia. Testemunhos também poderão ser propostos como actividades auto-organizadas.
Seminários, oficinas, encontros, reuniões, actividades culturais e outros tipos de actividades: no período da tarde, cerca de 175 actividades deste tipo estarão acontecendo no local do evento (cerca de 700 no total durante o WSF). Outros espaços também estarão disponíveis também no Acampamento da Juventude (neste caso, ao preencher a ficha de proposição de eventos, a organização deverá indicar na ficha d de proposição de eventos que tem a intenção de realizar a actividade no Acampamento).
Mais informações sobre a proposição de actividades, escrever para: office.programme@wsfindia.org
Terça-feira, Dezembro 30, 2003
Tudo sobre o FSM 2004 e a Índia
Veja aqui as principais novidades sobre o Fórum Social Mundial 2004:
- Informações sobre vistos
- Inscrições
- Pagamentos de inscrições
- Quem organiza
- O porquê de Mumbai
(Consulte aqui o endereço do evento e opções de hospedagem).
- Documento produzido pelo Comité Organizador Indiano, apresentado durante a reunião do Conselho Internacional (em inglês).
- Mobilização internacional (kits para a mobilização e campanha de Media)
- Formato das actividades
- Programação FSM 2004
- Actividades culturais: festivais de filmes e artes visuais
- Credenciamento de jornalistas
- Voluntários
- Acampamento da Juventude
- Stands no FSM 2004
- Doações solidárias para o FSM 2004
- Grupos de viagem para a Índia
- Dúvidas mais frequentes
- Informações úteis (passaporte, vacinas)
- Fórum Parlamentar Mundial
- Informações sobre vistos
- Inscrições
- Pagamentos de inscrições
- Quem organiza
- O porquê de Mumbai
(Consulte aqui o endereço do evento e opções de hospedagem).
- Documento produzido pelo Comité Organizador Indiano, apresentado durante a reunião do Conselho Internacional (em inglês).
- Mobilização internacional (kits para a mobilização e campanha de Media)
- Formato das actividades
- Programação FSM 2004
- Actividades culturais: festivais de filmes e artes visuais
- Credenciamento de jornalistas
- Voluntários
- Acampamento da Juventude
- Stands no FSM 2004
- Doações solidárias para o FSM 2004
- Grupos de viagem para a Índia
- Dúvidas mais frequentes
- Informações úteis (passaporte, vacinas)
- Fórum Parlamentar Mundial
Sábado, Dezembro 27, 2003
A pobreza na Europa II
Fiquei a dever uma resposta ao Carapau e à Causa Liberal relativa a este post (isto no Natal é mais bolos); o que quiz realçar no relatório foi a sua importância para além do índice relativo de pobreza. Mas se quiserem, também estou de acordo que o índice é insuficiente, já que mede apenas a desigualdade e não a pobreza absoluta. Mas curiosamente nem um nem outro comentam o resto do post....
É que no caso de Portugal, o limiar de pobreza obtido deve ficar muito aquém da realidade, já que classifica como pobres as famílias que vivem com menos de 50 contos por mês... Pelo que no nosso caso o índice peca por defeito, e devem ser bem mais de 20% os pobres em Portugal. Mas lá que deveria haver um outro índice, que medisse a pobreza absoluta, não podia eu estar mais de acordo com os caríssimos colegas....
Claro que o ideal é que haja pouca desigualdade (custa-me engolir que os executivos americanos ganhem 400 vezes mais que os seus empregados; este número desce para 11 no caso dos países nórdicos, o que apesar de me continuar a fazer comichões, já acho mais razoável) e que o poder de compra médio seja suficiente para que as populações tenham qualidade de vida (o que definitivamente não é o que acontece em Portugal). É exactamente o que acontece nos países nórdicos, que por coincidência, são os países com maior qualidade de vida do mundo....
PS - Caro Libertário, mesmo que aqui há uns tempos não fizesse ideia do que é que é o PPC (antes quase que o poderia confundir com o Partido Comunista Chinês), a malta informa-se e apreende facilmente o conceito. Que falta de confiança nos alternativos....
É que no caso de Portugal, o limiar de pobreza obtido deve ficar muito aquém da realidade, já que classifica como pobres as famílias que vivem com menos de 50 contos por mês... Pelo que no nosso caso o índice peca por defeito, e devem ser bem mais de 20% os pobres em Portugal. Mas lá que deveria haver um outro índice, que medisse a pobreza absoluta, não podia eu estar mais de acordo com os caríssimos colegas....
Claro que o ideal é que haja pouca desigualdade (custa-me engolir que os executivos americanos ganhem 400 vezes mais que os seus empregados; este número desce para 11 no caso dos países nórdicos, o que apesar de me continuar a fazer comichões, já acho mais razoável) e que o poder de compra médio seja suficiente para que as populações tenham qualidade de vida (o que definitivamente não é o que acontece em Portugal). É exactamente o que acontece nos países nórdicos, que por coincidência, são os países com maior qualidade de vida do mundo....
PS - Caro Libertário, mesmo que aqui há uns tempos não fizesse ideia do que é que é o PPC (antes quase que o poderia confundir com o Partido Comunista Chinês), a malta informa-se e apreende facilmente o conceito. Que falta de confiança nos alternativos....
A RTP2 a que chegámos...
Depois dos filmes repetidos e de programas repetidos, chegou agora a versão da RTP2 de séries repetidas até à exaustão, 2, 3, 4 ou mesmo 5 vezes!! Para a esmagadora minoria de nós que não tem cabo, a ilha de programação que era a RTP2 passou a ser de uma previsibilidade assustadora. Um exemplo: Planeta azul; eu até me interesso pelas temáticas abordadas pelo Planeta azul. Mas à 5ª vez (sim, 5 vezinhas apenas) que repetem o mesmo episódio no espaço de 6 meses, o encanto inicial passou a uma fúria dificilmente controlada. Já não posso ouvir falar da radiactividade das Beiras ou da poluição das escombreiras.
Todas as séries que agora passam na RTP 2 são repetidas (Começar de Novo já vai na sua 3ª edição), algumas pela 3ª e 4ª vez, no último ano. Das quatro uma:
1 - Estão distraídos demais a preparar a Dois e têm a RTP 2 conduzida por um piloto automático acéfalo.
2 - Estão a tentar cansar-nos à força de repetir as mesmas séries, na esperança que comecemos a gramar a fast-food da TVI e da SIC (teoria da cabala).
3 - Querem-nos educar à força, repetindo até à exaustão os programas que julgam que nos elevarão as almas.
4 - Querem poupar uns cobres...
Bem, vou ver que episódio do Planeta azul nos calha hoje: se o dos Monumentos, se o da Arrábida....
Todas as séries que agora passam na RTP 2 são repetidas (Começar de Novo já vai na sua 3ª edição), algumas pela 3ª e 4ª vez, no último ano. Das quatro uma:
1 - Estão distraídos demais a preparar a Dois e têm a RTP 2 conduzida por um piloto automático acéfalo.
2 - Estão a tentar cansar-nos à força de repetir as mesmas séries, na esperança que comecemos a gramar a fast-food da TVI e da SIC (teoria da cabala).
3 - Querem-nos educar à força, repetindo até à exaustão os programas que julgam que nos elevarão as almas.
4 - Querem poupar uns cobres...
Bem, vou ver que episódio do Planeta azul nos calha hoje: se o dos Monumentos, se o da Arrábida....
Algo está mal no reino...
Quando um pequeno partido fundamentalista (que para mal dos nossos pecados está no governo) determina a acção de todo o Governo num assunto de urgente resolução como é a descriminação do Aborto, podemos afirmar que há algo de podre neste governo...
Quando a única voz discordante com a atitude tomada pelo Presidente da Republica relativamente ao indulto é a da Juventude popular do Porto...
Quanto a própria Juventude do Partido do governo vem a público afirmar que os sociais democratas não devem estar reféns do PP...
Então, podemos afirmar que algo está podre na coligação de direita; já nos bastava uma social democracia ultra-liberal com uma obcessão compulsiva por um défice que serve de pau para toda a obra, menos para o progresso social; é que o que estamos a gramar agora é um governo de direita, ultra-conservador (os neo-cons é mais nos states), controlado por um pequeno partido fundamentalista com saudades do 24 de Abril...
Quando a única voz discordante com a atitude tomada pelo Presidente da Republica relativamente ao indulto é a da Juventude popular do Porto...
Quanto a própria Juventude do Partido do governo vem a público afirmar que os sociais democratas não devem estar reféns do PP...
Então, podemos afirmar que algo está podre na coligação de direita; já nos bastava uma social democracia ultra-liberal com uma obcessão compulsiva por um défice que serve de pau para toda a obra, menos para o progresso social; é que o que estamos a gramar agora é um governo de direita, ultra-conservador (os neo-cons é mais nos states), controlado por um pequeno partido fundamentalista com saudades do 24 de Abril...
Sexta-feira, Dezembro 26, 2003
O novo Código de Insolvência
A Sobreiro 19 promoveu, no dia 23 de Dezembro, uma concentração às 11h45m nas imediações do gabinete do 1º ministro, onde divulgou o seguinte comunicado:
===============================================
O novo Código da Insolvência de Pessoas Singulares e Colectivas aprovado pelo Governo é mais um ataque aos trabalhadores e às vitimas do desemprego e das falências em Portugal!
===================================================
Ano após ano, o número de falências das empresas tem vindo a aumentar, verificando-se diariamente o encerramento de mais empresas, com elevados custos sociais para milhares de trabalhadores e suas famílias.
Os créditos em dívida para com os trabalhadores crescem. Nalguns concelhos, as falências provocam situações alarmantes e de grande repercussão social, quando uma elevada percentagem da mão-de-obra local estava localizada em determinada empresa (muitas das quais tendo recebido inúmeros incentivos monetários e fiscais do Estado e da autarquia), para depois se verificar que depois de tudo sugarem, fecham a empresa para abrirem quase de imediato uma empresa ao lado com outro nome.
É necessário fazer face e pôr cobro a esta situação de impunidade, que tantos dramas sociais tem causado.
Em Fevereiro deste ano, a Sobreiro 19 entregou ao senhor Presidente da Assembleia da República uma petição com 6322 assinaturas, solicitando que a Lei que regula o Fundo de Garantia Salarial se aplique, pagando atempadamente aos trabalhadores vitimas de falências, e ainda que a actual Lei das Falências fosse alterada de modo a garantir a defesa dos direitos dos e das trabalhadoras, nomeadamente para que a actuação dos Tribunais seja mais célere e criminalizando os responsáveis pelas falências fraudulentas.
O novo Código de Insolvência de Pessoas Singulares e Colectivas que o Governo propôs em Maio e que acabou por ser aprovado já em Dezembro, no entender do Governo, vem de encontro às pretensões dos trabalhadores, e em sua defesa.
No entanto, uma leitura atenta desta lei depressa nos leva a concluir o contrário: a nova Lei do Governo deixa os trabalhadores menos protegidos, com ainda menos hipóteses de algum dia verem as indemnizações a que têm direito serem pagas, e por outro lado, agiliza e acelera o processo de encerramento das empresas por falência, em detrimento da via de tentativa de recuperação das empresas em situação económica difícil.
Esta lei começa por considerar apenas um processo de insolvência da empresa, em vez de considerar separadamente os processos de falência ou recuperação da empresa. Por outro lado, o número de recursos às decisões do Tribunal pelas partes envolvidas também diminui, o que faz com que haja maior celeridade na resolução do processo. Mas os poderes do Tribunal e do Juiz são diminuídos, em favor dos poderes da Assembleia de Credores ou da Comissão de Credores por esta eleita. Até a nomeação do Liquidatário Judicial, até aqui feita pelo Juiz, pode ser revogada por decisão da Assembleia de Credores, que pode até indicar alguém que não faça parte da lista de Liquidatários existentes.
É verdade que os trabalhadores têm direito a fazer parte da Assembleia de Credores, mas... com peso proporcional aos créditos a que têm direito, e em igual proporcionalidade com os restantes credores (Estado, instituições de crédito, fornecedores,...). As decisões (incluindo a nomeação do liquidatário judicial) são tomadas por maioria de 2/3 dos credores, desde que detenham 51% dos créditos.
Conclusão: nem o Tribunal nem os trabalhadores terão a última palavra a dizer sobre o desfecho do processo, que será ditado pelos restantes credores.
Relativamente à graduação dos créditos, existe também um enorme retrocesso relativamente à anterior Lei: desde 1998 que as dívidas aos trabalhadores (salários em atraso, subsídios e indemnizações) são considerados privilegiados, isto é, são os trabalhadores os primeiros a receber. Na Lei agora aprovada, passam a ser considerados também como créditos privilegiados as dívidas ao Estado contraídas nos 6 meses anteriores à entrada do Processo de Insolvência. Esta situação era a que estava contemplada na Lei antes de 1998, verificando-se que na maioria dos casos não havia dinheiro para pagar aos trabalhadores, depois de pagas as dívidas ao Estado. A acrescentar a isto, passam a ser considerados também créditos privilegiados 1/4 dos créditos devidos ao requerente do Processo, ou seja, mais uma fatia retirada aos créditos dos trabalhadores.
Esta Lei fará com que os processos sejam resolvidos mais rapidamente, mas aponta para o caminho do encerramento das empresas, em desfavor da sua recuperação. Porquê? Porque é à Assembleia de Credores que cabe a decisão. Ora, do conjunto dos credores, apenas aos trabalhadores interessa a manutenção da empresa, em defesa dos seus postos de trabalho, pois aos restantes credores o que interessa é que as suas dívidas sejam pagas o mais depressa possível. É evidente para todos que um processo de falência conduz mais rapidamente à realização de dinheiro (através da venda da massa falida), do que um processo de recuperação da empresa.
Finalmente, a actual Lei, depois de definir criteriosamente os tipos de créditos e a sua prioritização, ou seja, depois de deixar mais ou menos claro que os trabalhadores são credores privilegiados (embora passem a fazer-lhes companhia o Estado e 1/4 dos créditos do requerente do processo, conforme já explicado acima), introduz um capítulo totalmente inovador, a que chama o Plano da Insolvência, que dá o dito por não dito em tudo o que está para trás na Lei.
Com efeito, este Plano de Insolvência pode decidir o plano de pagamento aos credores, após a venda da massa falida, e depois de aprovado prevalece em relação à graduação dos créditos prevista e definida na Lei. E quem aprova o Plano de Insolvência? A Assembleia de Credores, nos moldes já explicados neste texto!
Por tudo o que atrás se disse, a Sobreiro 19 considera que esta nova Lei é mais um ataque aos direitos dos trabalhadores, e da sua camada mais desprotegida, o cada vez maior exército de desempregados.
Não baixaremos os braços, e continuaremos a lutar em defesa dos direitos mais elementares dos trabalhadores.
Pelo direito ao trabalho!
Pela dignidade das pessoas!
Pela cidadania plena!
===============================================
O novo Código da Insolvência de Pessoas Singulares e Colectivas aprovado pelo Governo é mais um ataque aos trabalhadores e às vitimas do desemprego e das falências em Portugal!
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Ano após ano, o número de falências das empresas tem vindo a aumentar, verificando-se diariamente o encerramento de mais empresas, com elevados custos sociais para milhares de trabalhadores e suas famílias.
Os créditos em dívida para com os trabalhadores crescem. Nalguns concelhos, as falências provocam situações alarmantes e de grande repercussão social, quando uma elevada percentagem da mão-de-obra local estava localizada em determinada empresa (muitas das quais tendo recebido inúmeros incentivos monetários e fiscais do Estado e da autarquia), para depois se verificar que depois de tudo sugarem, fecham a empresa para abrirem quase de imediato uma empresa ao lado com outro nome.
É necessário fazer face e pôr cobro a esta situação de impunidade, que tantos dramas sociais tem causado.
Em Fevereiro deste ano, a Sobreiro 19 entregou ao senhor Presidente da Assembleia da República uma petição com 6322 assinaturas, solicitando que a Lei que regula o Fundo de Garantia Salarial se aplique, pagando atempadamente aos trabalhadores vitimas de falências, e ainda que a actual Lei das Falências fosse alterada de modo a garantir a defesa dos direitos dos e das trabalhadoras, nomeadamente para que a actuação dos Tribunais seja mais célere e criminalizando os responsáveis pelas falências fraudulentas.
O novo Código de Insolvência de Pessoas Singulares e Colectivas que o Governo propôs em Maio e que acabou por ser aprovado já em Dezembro, no entender do Governo, vem de encontro às pretensões dos trabalhadores, e em sua defesa.
No entanto, uma leitura atenta desta lei depressa nos leva a concluir o contrário: a nova Lei do Governo deixa os trabalhadores menos protegidos, com ainda menos hipóteses de algum dia verem as indemnizações a que têm direito serem pagas, e por outro lado, agiliza e acelera o processo de encerramento das empresas por falência, em detrimento da via de tentativa de recuperação das empresas em situação económica difícil.
Esta lei começa por considerar apenas um processo de insolvência da empresa, em vez de considerar separadamente os processos de falência ou recuperação da empresa. Por outro lado, o número de recursos às decisões do Tribunal pelas partes envolvidas também diminui, o que faz com que haja maior celeridade na resolução do processo. Mas os poderes do Tribunal e do Juiz são diminuídos, em favor dos poderes da Assembleia de Credores ou da Comissão de Credores por esta eleita. Até a nomeação do Liquidatário Judicial, até aqui feita pelo Juiz, pode ser revogada por decisão da Assembleia de Credores, que pode até indicar alguém que não faça parte da lista de Liquidatários existentes.
É verdade que os trabalhadores têm direito a fazer parte da Assembleia de Credores, mas... com peso proporcional aos créditos a que têm direito, e em igual proporcionalidade com os restantes credores (Estado, instituições de crédito, fornecedores,...). As decisões (incluindo a nomeação do liquidatário judicial) são tomadas por maioria de 2/3 dos credores, desde que detenham 51% dos créditos.
Conclusão: nem o Tribunal nem os trabalhadores terão a última palavra a dizer sobre o desfecho do processo, que será ditado pelos restantes credores.
Relativamente à graduação dos créditos, existe também um enorme retrocesso relativamente à anterior Lei: desde 1998 que as dívidas aos trabalhadores (salários em atraso, subsídios e indemnizações) são considerados privilegiados, isto é, são os trabalhadores os primeiros a receber. Na Lei agora aprovada, passam a ser considerados também como créditos privilegiados as dívidas ao Estado contraídas nos 6 meses anteriores à entrada do Processo de Insolvência. Esta situação era a que estava contemplada na Lei antes de 1998, verificando-se que na maioria dos casos não havia dinheiro para pagar aos trabalhadores, depois de pagas as dívidas ao Estado. A acrescentar a isto, passam a ser considerados também créditos privilegiados 1/4 dos créditos devidos ao requerente do Processo, ou seja, mais uma fatia retirada aos créditos dos trabalhadores.
Esta Lei fará com que os processos sejam resolvidos mais rapidamente, mas aponta para o caminho do encerramento das empresas, em desfavor da sua recuperação. Porquê? Porque é à Assembleia de Credores que cabe a decisão. Ora, do conjunto dos credores, apenas aos trabalhadores interessa a manutenção da empresa, em defesa dos seus postos de trabalho, pois aos restantes credores o que interessa é que as suas dívidas sejam pagas o mais depressa possível. É evidente para todos que um processo de falência conduz mais rapidamente à realização de dinheiro (através da venda da massa falida), do que um processo de recuperação da empresa.
Finalmente, a actual Lei, depois de definir criteriosamente os tipos de créditos e a sua prioritização, ou seja, depois de deixar mais ou menos claro que os trabalhadores são credores privilegiados (embora passem a fazer-lhes companhia o Estado e 1/4 dos créditos do requerente do processo, conforme já explicado acima), introduz um capítulo totalmente inovador, a que chama o Plano da Insolvência, que dá o dito por não dito em tudo o que está para trás na Lei.
Com efeito, este Plano de Insolvência pode decidir o plano de pagamento aos credores, após a venda da massa falida, e depois de aprovado prevalece em relação à graduação dos créditos prevista e definida na Lei. E quem aprova o Plano de Insolvência? A Assembleia de Credores, nos moldes já explicados neste texto!
Por tudo o que atrás se disse, a Sobreiro 19 considera que esta nova Lei é mais um ataque aos direitos dos trabalhadores, e da sua camada mais desprotegida, o cada vez maior exército de desempregados.
Não baixaremos os braços, e continuaremos a lutar em defesa dos direitos mais elementares dos trabalhadores.
Pelo direito ao trabalho!
Pela dignidade das pessoas!
Pela cidadania plena!
Quinta-feira, Dezembro 25, 2003
Iniciativas Fórum: 1º semestre 2004
Fórum Social Pan-Amazônico
Continuam os preparativos para o Fórum Social Pan-Amazônico. O evento está previsto para os dias 4 a 8 de fevereiro de 2004, em Ciudad Guayana, Venezuela.
Mais informações: www.fspanamazonico.com.br ou fspanamazonico@cinbesa.com.br
Fórum Social Mediterrâneo
O primeiro Fórum Social Mediterrâneo está programado para acontecer em Barcelona, na Espanha, em março de 2004.
Mais informações: activitats@ciemen.org.
Fóruns Sociais pelo Mundo
2004
JANEIRO
Forum por uma outra Mali
Local: Mali; Bamako;
Data:4 e 5 de janeiro de 2004
Contato: Aminata Traoré
E-mail: djenneart@afribone.net.ml
Fórum Social do Paquistão
Local: Lahore, Paquistão
Data: 12 e 13 de janeiro de 2004
Contato: irfan@sappk.org
Forum Social Guiné
Local: Guiné, Conakry
Data: janeiro de 2004
Contato: Bakary Fofana; cecidegn@yahoo.fr
ABRIL
Fórum Social Temático de Economia Social e Solidária – Outra economia é possível
Data: abril de 2004
Local: Buenos Aires, Argentina
Site: www.forosocialargentino.org
Mais informações: forosocialbuenosaires@argentina.com
Fórum Social Peru
Data: abril de 2004
Local: Tambogrande (Piura)
Contato: comunidades@terra.com.pe
MAIO
IV Fórum de Autoridades Locais
Data: 7 e 8 de maio de 2004
Local: Barcelona, Espanha
Mais informações: www.bcn.es/fal
JUNHO
Fórum Social da Triple Fronteira
Data: 25 a 27 de junho de 2004
Local: Porto Iguazu, Misiones, Argentina
Mais informações: miguels1@arnet.com.ar
Forum Social do Congo
Local: Congo
Data: junho de 2004
Contato: Ephraim Balemba Gubandja
E-mail: ebalem@hotmail.com
JULHO
Fórum Social Boston
Local: Boston, Estados Unidos
Data: 23 a 25 de julho de 2004
Site: http://www.bostonsocialforum.org
E-mail: Info@BostonSocialForum.org
Fórum Mundial de Educação
Data: 28 a 31 de julho de 2004
Local: Porto Alegre, Rio Grande do Sul
Site: www.forummundialdeeducacao.com.br/
E-mail: organizacao@forummundialdeeducacao.com.br
COM DATAS POR DEFINIR
Forum Social Somália
Local: Somália, Mogadiscio
Data: a definir
Contato: Abdulkadir Khalif Yusuf
E-mail: socda@globalsom.com
Forum Social da África Central
Local: Yaoundé, Afrique centrale
Data:a a definir
Contato: Georgine Kengne
E-mail: gkengne@hotmail.com
Forum Social Etiópia
Local: Etiópia, Addis Abeba
Data: a definir
Contato: Azeb Girmai
E-mail: enda-eth@telecom.net.et
Forum Social Corne de l’Afrique
Local: Kenia, Nairobi
Data: a definir
Contato: Prof. Edward Oyugi
E-mail: sodnet@sodnet.or.ke
NOTA – retirado do Boletim do FSM, edição de 23 Dezembro de 2003.
Continuam os preparativos para o Fórum Social Pan-Amazônico. O evento está previsto para os dias 4 a 8 de fevereiro de 2004, em Ciudad Guayana, Venezuela.
Mais informações: www.fspanamazonico.com.br ou fspanamazonico@cinbesa.com.br
Fórum Social Mediterrâneo
O primeiro Fórum Social Mediterrâneo está programado para acontecer em Barcelona, na Espanha, em março de 2004.
Mais informações: activitats@ciemen.org.
Fóruns Sociais pelo Mundo
2004
JANEIRO
Forum por uma outra Mali
Local: Mali; Bamako;
Data:4 e 5 de janeiro de 2004
Contato: Aminata Traoré
E-mail: djenneart@afribone.net.ml
Fórum Social do Paquistão
Local: Lahore, Paquistão
Data: 12 e 13 de janeiro de 2004
Contato: irfan@sappk.org
Forum Social Guiné
Local: Guiné, Conakry
Data: janeiro de 2004
Contato: Bakary Fofana; cecidegn@yahoo.fr
ABRIL
Fórum Social Temático de Economia Social e Solidária – Outra economia é possível
Data: abril de 2004
Local: Buenos Aires, Argentina
Site: www.forosocialargentino.org
Mais informações: forosocialbuenosaires@argentina.com
Fórum Social Peru
Data: abril de 2004
Local: Tambogrande (Piura)
Contato: comunidades@terra.com.pe
MAIO
IV Fórum de Autoridades Locais
Data: 7 e 8 de maio de 2004
Local: Barcelona, Espanha
Mais informações: www.bcn.es/fal
JUNHO
Fórum Social da Triple Fronteira
Data: 25 a 27 de junho de 2004
Local: Porto Iguazu, Misiones, Argentina
Mais informações: miguels1@arnet.com.ar
Forum Social do Congo
Local: Congo
Data: junho de 2004
Contato: Ephraim Balemba Gubandja
E-mail: ebalem@hotmail.com
JULHO
Fórum Social Boston
Local: Boston, Estados Unidos
Data: 23 a 25 de julho de 2004
Site: http://www.bostonsocialforum.org
E-mail: Info@BostonSocialForum.org
Fórum Mundial de Educação
Data: 28 a 31 de julho de 2004
Local: Porto Alegre, Rio Grande do Sul
Site: www.forummundialdeeducacao.com.br/
E-mail: organizacao@forummundialdeeducacao.com.br
COM DATAS POR DEFINIR
Forum Social Somália
Local: Somália, Mogadiscio
Data: a definir
Contato: Abdulkadir Khalif Yusuf
E-mail: socda@globalsom.com
Forum Social da África Central
Local: Yaoundé, Afrique centrale
Data:a a definir
Contato: Georgine Kengne
E-mail: gkengne@hotmail.com
Forum Social Etiópia
Local: Etiópia, Addis Abeba
Data: a definir
Contato: Azeb Girmai
E-mail: enda-eth@telecom.net.et
Forum Social Corne de l’Afrique
Local: Kenia, Nairobi
Data: a definir
Contato: Prof. Edward Oyugi
E-mail: sodnet@sodnet.or.ke
NOTA – retirado do Boletim do FSM, edição de 23 Dezembro de 2003.
Terça-feira, Dezembro 23, 2003
As tradições de Natal...
Uma das coisas de que eu mais gosto do Natal é a oportunidade que me dá de mergulhar as mãos na terra e na caruma para arrancar ao pinhal grandes pedaços de musgo; e depois idealizar a arquitetura de um presépio colossal, respigando uns lixos para a armação do musgo; por fim, equilibrar tudo numa construção que desafia as leis da física: o musgo dispõe-se em verticalidades inesperadas, chegando mesmo a ficar de patas para o ar no teto da gruta...
O cheiro húmido do musgo e da terra molhada espalha-se por toda a sala, e para mim, é esse o cheiro que o Natal tem....
O cheiro húmido do musgo e da terra molhada espalha-se por toda a sala, e para mim, é esse o cheiro que o Natal tem....
Recados de (e ao) Pai Natal
Atendendo à quadra natalícia, esta crónica esteve para não ir para ao ar, para descanso meu e dos ouvintes. Mas dois factos, ocorridos na semana passada, mudaram o curso desta história. Primeiro foi a entrevista exclusiva à Rádio Pax do Pai Natal, o verdadeiro, o puro, da Lapónia, que esteve uma hora em “Prisão Preventiva”. Como o homem se meteu comigo, fiquei com vontade de o ver, não sei se para agradecer a prenda, se para pedir explicações - aquela do casal de ucranianos parece simpática mas pode trazer água no bico: nestas coisas convém especificar a idade e eu, cá por mim, ainda permaneço fiel à velha máxima de que “três é uma multidão”…
E não é que encontrei mesmo o Pai Natal a deambular pelas ruas de Beja, a horas impróprias, na quinta-feira passada? Desculpou-se do seu estado lastimável dizendo que andara às compras na zona Vidigueira e, devido ao excesso de velocidade das renas, estivera três horas escondido dentro da talha numa adega de Vila de Frades. Cá para mim ele esteve foi a treinar para a ‘night’ de quinta-feira, esquecendo-se que os estudantes tinham ido de férias de… Natal. Pois é, meu velho, a idade não perdoa e, devido ás dietas de alumínio, o Alzheimer já chegou à Lapónia. Como não gosto de aproveitar as fraquezas de ninguém e ele jurou pela saúde das renas que a piada dos ucranianos era “sem intenção”, fizemos as pazes e fomos beber ‘o último’ copo.
Então é que ele passou das marcas, confessando que não estava em Beja só pelo simpático convite da Rádio Pax, nem tampouco para ver as iluminações de Natal. “Tás bêbedo ou foste dar uma volta às aldeias ?” - perguntei eu. E foi aí que surgiu a confissão: o Pai Natal veio a Beja em campanha política. “Pronto, já percebi tudo…” Como detesto a concorrência desleal, deixei-o da mão, à porta do melhor hotel da cidade, com um bilhete a dizer: “ressaca”. E pensei cá com os meus botões: “anda um gajo com 33 anos de militância – a idade de Cristo – é só porrada e mal viver…”. E chega aqui este magano, que esteve a ano inteiro a dormir no seu ‘igloo’, leva o pessoal todo com meia dúzia de promessas e prendas de hipermercado, que são só embrulho e rótulo. Com papas e bolos…. Alguém duvida que se houvesse um referendo a 25 de Dezembro, nem que fosse sobre a adesão de Portugal à Lapónia, o Pai Natal ganhava com maioria absoluta?
Pois é, meus amigos, desculpem lá mas hoje têm de me ouvir… Já é tempo de aprender com estas modernices que vêm do estrangeiro, de modo que resolvi enviar também algumas prendas via rádio que, ainda por cima, saem de borla. E chega de brincadeira, que o assunto é sério.
A primeira prenda para 2004 vai para a mulheres portuguesas e de todo o mundo: que deixem de estar sujeitas à devassa da suas vidas e à humilhação no banco dos réus, por não terem alternativa ao aborto clandestino e devido aos preconceitos de quem quer impor as suas concepções morais ou religiosas pela força da lei de César; e aos que invocam em vão o nome de Cristo, fica o desafio: “quem nunca pecou que atire a primeira pedra” às Marias Madalenas julgadas em Aveiro.
A segunda prenda vai para os 20% de portugueses em situação de pobreza e exclusão social – mais um lugar no pódio europeu, onde só somos ultrapassados pela Irlanda, campeão das desigualdades e tão apontada como exemplo por PSD e CDS; esta prenda é extensiva aos desempregados, vítimas de falências e imigrantes que vêem recusados os direitos de cidadania, entregues às máfias e patrões sem escrúpulos. A todos desejo que se vejam livres o mais rapidamente possível de Durão, Portas, Bagão Félix e Manuela Ferreira Leite…
Aos trabalhadores da Somincor desejo um bom ano, sem privatização da mina e com aumentos salariais dignos. E, como não se fiam na virgem, fizeram muito bem em dar uma ajuda a Santa Bárbara com a greve já marcada para o próximo dia 30 de Dezembro, data do terceiro aniversário da greve vitoriosa que acabou com a laboração contínua.
Ao povo iraquiano desejo um ano de luta pela reconquista da paz, da soberania e do controle das riquezas naturais, com o fim da ocupação imperial e eleições verdadeiramente livres. Aos ‘nossos rapazes’ da GNR no Iraque, desejo um bom e rápido regresso a casa, enquanto é tempo; não vão em cantigas dos 500 contos de salário-extra e ofereçam um borrego de plástico a Durão, Portas & Cia. – se querem voluntários, vão eles e levem o resto do governo. Por último, a Saddam Hussein, um conselho para 2004: deixa de olhar para a fotografia de George Bush que te puseram na cela, senão ficas igual a ele e, pior do que isso, podes dar em chalado. É bom que tenhas a memória bem fresca sobre as ligações à CIA de Allen Dulles, desde 1961, e das visitas à embaixada dos EUA no Cairo.
Para si, bom Natal e melhor 2004, amigo ouvinte!
Alberto Matos - Crónica semanal na Rádio Pax – Beja - 23/12/2003
E não é que encontrei mesmo o Pai Natal a deambular pelas ruas de Beja, a horas impróprias, na quinta-feira passada? Desculpou-se do seu estado lastimável dizendo que andara às compras na zona Vidigueira e, devido ao excesso de velocidade das renas, estivera três horas escondido dentro da talha numa adega de Vila de Frades. Cá para mim ele esteve foi a treinar para a ‘night’ de quinta-feira, esquecendo-se que os estudantes tinham ido de férias de… Natal. Pois é, meu velho, a idade não perdoa e, devido ás dietas de alumínio, o Alzheimer já chegou à Lapónia. Como não gosto de aproveitar as fraquezas de ninguém e ele jurou pela saúde das renas que a piada dos ucranianos era “sem intenção”, fizemos as pazes e fomos beber ‘o último’ copo.
Então é que ele passou das marcas, confessando que não estava em Beja só pelo simpático convite da Rádio Pax, nem tampouco para ver as iluminações de Natal. “Tás bêbedo ou foste dar uma volta às aldeias ?” - perguntei eu. E foi aí que surgiu a confissão: o Pai Natal veio a Beja em campanha política. “Pronto, já percebi tudo…” Como detesto a concorrência desleal, deixei-o da mão, à porta do melhor hotel da cidade, com um bilhete a dizer: “ressaca”. E pensei cá com os meus botões: “anda um gajo com 33 anos de militância – a idade de Cristo – é só porrada e mal viver…”. E chega aqui este magano, que esteve a ano inteiro a dormir no seu ‘igloo’, leva o pessoal todo com meia dúzia de promessas e prendas de hipermercado, que são só embrulho e rótulo. Com papas e bolos…. Alguém duvida que se houvesse um referendo a 25 de Dezembro, nem que fosse sobre a adesão de Portugal à Lapónia, o Pai Natal ganhava com maioria absoluta?
Pois é, meus amigos, desculpem lá mas hoje têm de me ouvir… Já é tempo de aprender com estas modernices que vêm do estrangeiro, de modo que resolvi enviar também algumas prendas via rádio que, ainda por cima, saem de borla. E chega de brincadeira, que o assunto é sério.
A primeira prenda para 2004 vai para a mulheres portuguesas e de todo o mundo: que deixem de estar sujeitas à devassa da suas vidas e à humilhação no banco dos réus, por não terem alternativa ao aborto clandestino e devido aos preconceitos de quem quer impor as suas concepções morais ou religiosas pela força da lei de César; e aos que invocam em vão o nome de Cristo, fica o desafio: “quem nunca pecou que atire a primeira pedra” às Marias Madalenas julgadas em Aveiro.
A segunda prenda vai para os 20% de portugueses em situação de pobreza e exclusão social – mais um lugar no pódio europeu, onde só somos ultrapassados pela Irlanda, campeão das desigualdades e tão apontada como exemplo por PSD e CDS; esta prenda é extensiva aos desempregados, vítimas de falências e imigrantes que vêem recusados os direitos de cidadania, entregues às máfias e patrões sem escrúpulos. A todos desejo que se vejam livres o mais rapidamente possível de Durão, Portas, Bagão Félix e Manuela Ferreira Leite…
Aos trabalhadores da Somincor desejo um bom ano, sem privatização da mina e com aumentos salariais dignos. E, como não se fiam na virgem, fizeram muito bem em dar uma ajuda a Santa Bárbara com a greve já marcada para o próximo dia 30 de Dezembro, data do terceiro aniversário da greve vitoriosa que acabou com a laboração contínua.
Ao povo iraquiano desejo um ano de luta pela reconquista da paz, da soberania e do controle das riquezas naturais, com o fim da ocupação imperial e eleições verdadeiramente livres. Aos ‘nossos rapazes’ da GNR no Iraque, desejo um bom e rápido regresso a casa, enquanto é tempo; não vão em cantigas dos 500 contos de salário-extra e ofereçam um borrego de plástico a Durão, Portas & Cia. – se querem voluntários, vão eles e levem o resto do governo. Por último, a Saddam Hussein, um conselho para 2004: deixa de olhar para a fotografia de George Bush que te puseram na cela, senão ficas igual a ele e, pior do que isso, podes dar em chalado. É bom que tenhas a memória bem fresca sobre as ligações à CIA de Allen Dulles, desde 1961, e das visitas à embaixada dos EUA no Cairo.
Para si, bom Natal e melhor 2004, amigo ouvinte!
Alberto Matos - Crónica semanal na Rádio Pax – Beja - 23/12/2003
Porque é Natal...
Fica aqui uma mensagem de natal cheia de esperança, roubadíssima do Manifesto Pessimista:
"Nunca desistas de um Sonho.
Se não houver numa pastelaria, vai a outra..."
"Nunca desistas de um Sonho.
Se não houver numa pastelaria, vai a outra..."
Segunda-feira, Dezembro 22, 2003
A pobreza na Europa
O nosso carapau em vez de desatar a mandar postas de pescada devia era ler os calhamaços produzidos pela comissão; eles estão aqui, e são dois lindos relatórios feitos pela comissão Europeia, intitulados Relatório Conjunto sobre a Inclusão Social – Parte I: a União Europeia, incluindo a Síntese e Relatório Conjunto sobre a Inclusão Social – Parte II: Estados-Membros. Assim, podemos ver o porquê destes índices, não nos limitando à notícia do Publico.
1 - O Índice é questionável (são considerados pobres os que auferem menos de 60% do salário médio nacional), mas a verdade é que tem sentido fazer um índice relativo, já que o custo de vida nos diferentes países impossibilita fazer um índice absoluto: de certeza que o carapau sabe que alugar uma casa em Londres, pagar o metro ou comer (na mesma cidade) é muito mais caro que em Portugal.
2 - Mas a própria comissão reconhece que o índice é apenas isso, um índice, com as suas fraquezas, havendo uma grande discrepância entre Portugal (2 870 euros anuais) e o Luxemburgo (12 060 euros anuais); mas isso só piora a situação em Portugal, já que o valor de 21% dos Portugueses abaixo daquele limiar de pobreza (feitas as contas, a família viverá com menos de 239 euros por mês...) estará claramente subestimado. Já no Luxemburgo, os pobres devem ser praticamente inexistentes (neste ponto a razão vai inteirinha para o Carapau).
3 – Mas o relatório refere ainda que Uma em cada seis pessoas na UE (17%) enfrentou desvantagens múltiplas em dois ou até em todos dos seguintes domínios - situação financeira, provisão de necessidades básicas e habitação. A situação de pobreza destas pessoas é particularmente preocupante. Ou seja, o índice ajudou a descrever e quantificar uma situação que se sabe existir; ninguém andou a inventar pobres na Europa só para chatear os Liberais; o relatório insiste na existência da pobreza, tenta inventaria as suas possíveis causas e propõe soluções.
4 – O relatório refere ainda que para além da questão monetária (o famigerado índice), a pobreza em Portugal (por exemplo) tem ainda muitas outras dimensões:
No entanto, o rendimento monetário é apenas um dos aspectos da pobreza.
Para se ter uma ideia aproximada da dimensão desse fenómeno, há que ter um conta outros factores igualmente pertinentes como o acesso ao emprego, os cuidados de saúde e o grau de satisfação de necessidades básicas. Em matéria de protecção social, Portugal é o país da União que gasta menos em percentagem do PIB (23,4% em 1998, contra uma média comunitária de 27,5%). Neste contexto, há que prestar atenção especial ao número de pessoas em situação de pobreza persistente, à proporção elevada de trabalhadores pobres (em relação com os baixos rendimentos salariais e a precariedade dos empregos), à percentagem igualmente considerável de pensionistas em situação de pobreza (evidenciando uma das falhas do sistema de segurança social), ao baixo nível de qualificações da mão-de-obra e ao abandono escolar precoce, bem como à problemática da pobreza em meio rural e em certos bairros urbanos. Sendo a taxa de risco de pobreza das mulheres superior à dos homens (25% contra 22%), também elas devem ser objecto de destaque particular.
5 – O índice serve ainda para diagnosticar a importância das políticas sociais na Europa; se as pensões de velhice não tivessem sido contabilizadas como parte do rendimento, a percentagem de excluídos económicos saltaria para 41%.
6 – Eles bem tentam escondê-los [aos pobres], mas que los hay, hay.
PS - Eu gostava era de ver o Bagão a viver com menos de 240 euros por mês; e já agora, gostava de o ver no fim do mês sem guito nenhum porque se atrasaram a pagar o subsídio de desemprego, de preferência no mês de Natal.... Talvez então ele percebesse que o que para ele são questões menores, minudências, para os outros (os que se lixam) são questões enormes, colossais, mais importantes que o défice público ou o crescimento da economia ou mesmo o aumento das exportações....
1 - O Índice é questionável (são considerados pobres os que auferem menos de 60% do salário médio nacional), mas a verdade é que tem sentido fazer um índice relativo, já que o custo de vida nos diferentes países impossibilita fazer um índice absoluto: de certeza que o carapau sabe que alugar uma casa em Londres, pagar o metro ou comer (na mesma cidade) é muito mais caro que em Portugal.
2 - Mas a própria comissão reconhece que o índice é apenas isso, um índice, com as suas fraquezas, havendo uma grande discrepância entre Portugal (2 870 euros anuais) e o Luxemburgo (12 060 euros anuais); mas isso só piora a situação em Portugal, já que o valor de 21% dos Portugueses abaixo daquele limiar de pobreza (feitas as contas, a família viverá com menos de 239 euros por mês...) estará claramente subestimado. Já no Luxemburgo, os pobres devem ser praticamente inexistentes (neste ponto a razão vai inteirinha para o Carapau).
3 – Mas o relatório refere ainda que Uma em cada seis pessoas na UE (17%) enfrentou desvantagens múltiplas em dois ou até em todos dos seguintes domínios - situação financeira, provisão de necessidades básicas e habitação. A situação de pobreza destas pessoas é particularmente preocupante. Ou seja, o índice ajudou a descrever e quantificar uma situação que se sabe existir; ninguém andou a inventar pobres na Europa só para chatear os Liberais; o relatório insiste na existência da pobreza, tenta inventaria as suas possíveis causas e propõe soluções.
4 – O relatório refere ainda que para além da questão monetária (o famigerado índice), a pobreza em Portugal (por exemplo) tem ainda muitas outras dimensões:
No entanto, o rendimento monetário é apenas um dos aspectos da pobreza.
Para se ter uma ideia aproximada da dimensão desse fenómeno, há que ter um conta outros factores igualmente pertinentes como o acesso ao emprego, os cuidados de saúde e o grau de satisfação de necessidades básicas. Em matéria de protecção social, Portugal é o país da União que gasta menos em percentagem do PIB (23,4% em 1998, contra uma média comunitária de 27,5%). Neste contexto, há que prestar atenção especial ao número de pessoas em situação de pobreza persistente, à proporção elevada de trabalhadores pobres (em relação com os baixos rendimentos salariais e a precariedade dos empregos), à percentagem igualmente considerável de pensionistas em situação de pobreza (evidenciando uma das falhas do sistema de segurança social), ao baixo nível de qualificações da mão-de-obra e ao abandono escolar precoce, bem como à problemática da pobreza em meio rural e em certos bairros urbanos. Sendo a taxa de risco de pobreza das mulheres superior à dos homens (25% contra 22%), também elas devem ser objecto de destaque particular.
5 – O índice serve ainda para diagnosticar a importância das políticas sociais na Europa; se as pensões de velhice não tivessem sido contabilizadas como parte do rendimento, a percentagem de excluídos económicos saltaria para 41%.
6 – Eles bem tentam escondê-los [aos pobres], mas que los hay, hay.
PS - Eu gostava era de ver o Bagão a viver com menos de 240 euros por mês; e já agora, gostava de o ver no fim do mês sem guito nenhum porque se atrasaram a pagar o subsídio de desemprego, de preferência no mês de Natal.... Talvez então ele percebesse que o que para ele são questões menores, minudências, para os outros (os que se lixam) são questões enormes, colossais, mais importantes que o défice público ou o crescimento da economia ou mesmo o aumento das exportações....
Fernando e os Pés-descalços
A afirmação de Fernando Seabra, no DN de Sábado, suscita-me duas terríveis dúvidas existenciais e uma hipótese alternativa. Ele afirma que "É preciso termos cautela no Euro 2004. Virão cá muitos visitantes ilustres mas também virão muitos pés-descalços."
1ª dúvida - Com o graveto que é preciso investir para adquirir cada um dos preciosos bilhetes para o Euro 2004, como é que os "pés-descaço" vão fazer? chegam a Portugal sorrateiramente (de preferência de forma ilegal), desatam à naifada a torto e a direito, sacam uns cobres e compram um bilhete? é isso?
2 ª dúvida - Mas mesmo que sejamos invadidos de pés-descalços, porque é que temos de ter cautela? estará a insinuar que os outros por essa Europa fora estão ainda mais descalços que nós? desengane-se, Fernando: olhe que não, Fernando, olhe que não...
Uma hipótese alternativa - Fernando Seabra, habituados às lides do futebol e ao convívio com personagens ilustres, já sabe o que a casa gasta; à sua experiência duramente adquirida juntam-se as prisões a abarrotar de personagens ilustres. Somando um e outro, Fernando avisa-nos com antecedência para o perigo que constituem os visitantes ilustres para Portugal, que lá por virem de outros países de certeza que são tão ou mais beras que os ilustres nacionais. Teremos cautela, Fernando, teremos muita cautela...
1ª dúvida - Com o graveto que é preciso investir para adquirir cada um dos preciosos bilhetes para o Euro 2004, como é que os "pés-descaço" vão fazer? chegam a Portugal sorrateiramente (de preferência de forma ilegal), desatam à naifada a torto e a direito, sacam uns cobres e compram um bilhete? é isso?
2 ª dúvida - Mas mesmo que sejamos invadidos de pés-descalços, porque é que temos de ter cautela? estará a insinuar que os outros por essa Europa fora estão ainda mais descalços que nós? desengane-se, Fernando: olhe que não, Fernando, olhe que não...
Uma hipótese alternativa - Fernando Seabra, habituados às lides do futebol e ao convívio com personagens ilustres, já sabe o que a casa gasta; à sua experiência duramente adquirida juntam-se as prisões a abarrotar de personagens ilustres. Somando um e outro, Fernando avisa-nos com antecedência para o perigo que constituem os visitantes ilustres para Portugal, que lá por virem de outros países de certeza que são tão ou mais beras que os ilustres nacionais. Teremos cautela, Fernando, teremos muita cautela...
Movimento
Ouvi de dizer que os desempregados formaram um movimento...
A ser verdade, mandamos abaixo este governo e os próximos 20 que se lhe pareçam. Massa crítica não nos falta. Desespero também não. Por isso, enquanto os sindicatos defendem o aumento do salário mínimo, o MSE (Movimento dos Sem Emprego) vai pôr o país a ferro e fogo: se nós não temos emprego, então há que acabar com os empregos dos outros.... Já vão ver o que é radicalismo.
PS - a malta começa a ficar avariada com a proximidade do abismo; estou a chegar aquela fase em que por dinheiro, estou disposto a quase tudo... falta-me é o guito para investir nos apetrechos básicos do meliante moderno, se não, fosga-se, iam ver se não era capaz!!!
A ser verdade, mandamos abaixo este governo e os próximos 20 que se lhe pareçam. Massa crítica não nos falta. Desespero também não. Por isso, enquanto os sindicatos defendem o aumento do salário mínimo, o MSE (Movimento dos Sem Emprego) vai pôr o país a ferro e fogo: se nós não temos emprego, então há que acabar com os empregos dos outros.... Já vão ver o que é radicalismo.
PS - a malta começa a ficar avariada com a proximidade do abismo; estou a chegar aquela fase em que por dinheiro, estou disposto a quase tudo... falta-me é o guito para investir nos apetrechos básicos do meliante moderno, se não, fosga-se, iam ver se não era capaz!!!
Nova Lei das falências
O novo Código da Insolvência de Pessoas Singulares e Colectivas aprovado pelo Governo é mais um ataque aos trabalhadores e às vitimas do desemprego e das falências em Portugal!
Ano após ano, o número de falências das empresas tem vindo a aumentar, verificando-se diariamente o encerramento de mais empresas, com elevados custos sociais para milhares de trabalhadores e suas famílias.
Os créditos em dívida para com os trabalhadores crescem. Nalguns concelhos, as falências provocam situações alarmantes e de grande repercussão social, quando uma elevada percentagem da mão-de-obra local estava localizada em determinada empresa (muitas das quais tendo recebido inúmeros incentivos monetários e fiscais do Estado e da autarquia), para depois se verificar que depois de tudo sugarem, fecham a empresa para abrirem quase de imediato uma empresa ao lado com outro nome.
É necessário fazer face e pôr cobro a esta situação de impunidade, que tantos dramas sociais tem causado.
Em Fevereiro deste ano, a Sobreiro 19 entregou ao senhor Presidente da Assembleia da República uma petição com 6322 assinaturas, solicitando que a Lei que regula o Fundo de Garantia Salarial se aplique, pagando atempadamente aos trabalhadores vitimas de falências, e ainda que a actual Lei das Falências fosse alterada de modo a garantir a defesa dos direitos dos e das trabalhadoras, nomeadamente para que a actuação dos Tribunais seja mais célere e criminalizando os responsáveis pelas falências fraudulentas.
O novo Código de Insolvência de Pessoas Singulares e Colectivas que o Governo propôs em Maio e que acabou por ser aprovado já em Dezembro, no entender do Governo, vem de encontro às pretensões dos trabalhadores, e em sua defesa.
No entanto, uma leitura atenta desta lei depressa nos leva a concluir o contrário: a nova Lei do Governo deixa os trabalhadores menos protegidos, com ainda menos hipóteses de algum dia verem as indemnizações a que têm direito serem pagas, e por outro lado, agiliza e acelera o processo de encerramento das empresas por falência, em detrimento da via de tentativa de recuperação das empresas em situação económica difícil.
Esta lei começa por considerar apenas um processo de insolvência da empresa, em vez de considerar separadamente os processos de falência ou recuperação da empresa. Por outro lado, o número de recursos às decisões do Tribunal pelas partes envolvidas também diminui, o que faz com que haja maior celeridade na resolução do processo. Mas os poderes do Tribunal e do Juiz são diminuídos, em favor dos poderes da Assembleia de Credores ou da Comissão de Credores por esta eleita. Até a nomeação do Liquidatário Judicial, até aqui feita pelo Juiz, pode ser revogada por decisão da Assembleia de Credores, que pode até indicar alguém que não faça parte da lista de Liquidatários existentes.
É verdade que os trabalhadores têm direito a fazer parte da Assembleia de Credores, mas... com peso proporcional aos créditos a que têm direito, e em igual proporcionalidade com os restantes credores (Estado, instituições de crédito, fornecedores,...). As decisões (incluindo a nomeação do liquidatário judicial) são tomadas por maioria de 2/3 dos credores, desde que detenham 51% dos créditos.
Conclusão: nem o Tribunal nem os trabalhadores terão a última palavra a dizer
sobre o desfecho do processo, que será ditado pelos restantes credores.
Relativamente à graduação dos créditos, existe também um enorme retrocesso relativamente à anterior Lei: desde 1998 que as dívidas aos trabalhadores (salários em atraso, subsídios e indemnizações) são considerados privilegiados, isto é, são os trabalhadores os primeiros a receber. Na Lei agora aprovada, passam a ser considerados também como créditos privilegiados as dívidas ao Estado contraídas nos 6 meses anteriores à entrada do Processo de Insolvência. Esta situação era a que estava contemplada na Lei antes de 1998, verificando-se que na maioria dos casos não havia dinheiro para pagar aos trabalhadores, depois de pagas as dívidas ao Estado. A acrescentar a isto, passam a ser considerados também créditos privilegiados 1/4 dos créditos devidos ao requerente do Processo, ou seja, mais uma fatia retirada aos créditos dos trabalhadores.
Esta Lei fará com que os processos sejam resolvidos mais rapidamente, mas aponta para o caminho do encerramento das empresas, em desfavor da sua recuperação. Porquê? Porque é à Assembleia de Credores que cabe a decisão. Ora, do conjunto dos credores, apenas aos trabalhadores interessa a manutenção da empresa, em defesa dos seus postos de trabalho, pois aos restantes credores o que interessa é que as suas dívidas sejam pagas o mais depressa possível. É evidente para todos que um processo de falência conduz mais rapidamente à realização de dinheiro (através da venda da massa falida), do que um processo de recuperação da empresa.
Finalmente, a actual Lei, depois de definir criteriosamente os tipos de créditos e a sua prioritização, ou seja, depois de deixar mais ou menos claro que os trabalhadores são credores privilegiados (embora passem a fazer-lhes companhia o Estado e 1/4 dos créditos do requerente do processo, conforme já explicado acima), introduz um capítulo totalmente inovador, a que chama o Plano da Insolvência, que dá o dito por não dito em tudo o que está para trás na Lei.
Com efeito, este Plano de Insolvência pode decidir o plano de pagamento aos credores, após a venda da massa falida, e depois de aprovado prevalece em relação à graduação dos créditos prevista e definida na Lei. E quem aprova o Plano de Insolvência? A Assembleia de Credores, nos moldes já explicados neste texto!
Por tudo o que atrás se disse, a Sobreiro 19 considera que esta nova Lei é mais um ataque aos direitos dos trabalhadores, e da sua camada mais desprotegida, o cada vez maior exército de desempregados.
Não baixaremos os braços, e continuaremos a lutar em defesa dos direitos mais elementares dos trabalhadores.
Pelo direito ao trabalho!
Pela dignidade das pessoas!
Pela cidadania plena!
A Direcção da Sobreiro19 - Associação de Solidariedade com as Vítimas das Falências, 22 Dezembro 2003.
Ano após ano, o número de falências das empresas tem vindo a aumentar, verificando-se diariamente o encerramento de mais empresas, com elevados custos sociais para milhares de trabalhadores e suas famílias.
Os créditos em dívida para com os trabalhadores crescem. Nalguns concelhos, as falências provocam situações alarmantes e de grande repercussão social, quando uma elevada percentagem da mão-de-obra local estava localizada em determinada empresa (muitas das quais tendo recebido inúmeros incentivos monetários e fiscais do Estado e da autarquia), para depois se verificar que depois de tudo sugarem, fecham a empresa para abrirem quase de imediato uma empresa ao lado com outro nome.
É necessário fazer face e pôr cobro a esta situação de impunidade, que tantos dramas sociais tem causado.
Em Fevereiro deste ano, a Sobreiro 19 entregou ao senhor Presidente da Assembleia da República uma petição com 6322 assinaturas, solicitando que a Lei que regula o Fundo de Garantia Salarial se aplique, pagando atempadamente aos trabalhadores vitimas de falências, e ainda que a actual Lei das Falências fosse alterada de modo a garantir a defesa dos direitos dos e das trabalhadoras, nomeadamente para que a actuação dos Tribunais seja mais célere e criminalizando os responsáveis pelas falências fraudulentas.
O novo Código de Insolvência de Pessoas Singulares e Colectivas que o Governo propôs em Maio e que acabou por ser aprovado já em Dezembro, no entender do Governo, vem de encontro às pretensões dos trabalhadores, e em sua defesa.
No entanto, uma leitura atenta desta lei depressa nos leva a concluir o contrário: a nova Lei do Governo deixa os trabalhadores menos protegidos, com ainda menos hipóteses de algum dia verem as indemnizações a que têm direito serem pagas, e por outro lado, agiliza e acelera o processo de encerramento das empresas por falência, em detrimento da via de tentativa de recuperação das empresas em situação económica difícil.
Esta lei começa por considerar apenas um processo de insolvência da empresa, em vez de considerar separadamente os processos de falência ou recuperação da empresa. Por outro lado, o número de recursos às decisões do Tribunal pelas partes envolvidas também diminui, o que faz com que haja maior celeridade na resolução do processo. Mas os poderes do Tribunal e do Juiz são diminuídos, em favor dos poderes da Assembleia de Credores ou da Comissão de Credores por esta eleita. Até a nomeação do Liquidatário Judicial, até aqui feita pelo Juiz, pode ser revogada por decisão da Assembleia de Credores, que pode até indicar alguém que não faça parte da lista de Liquidatários existentes.
É verdade que os trabalhadores têm direito a fazer parte da Assembleia de Credores, mas... com peso proporcional aos créditos a que têm direito, e em igual proporcionalidade com os restantes credores (Estado, instituições de crédito, fornecedores,...). As decisões (incluindo a nomeação do liquidatário judicial) são tomadas por maioria de 2/3 dos credores, desde que detenham 51% dos créditos.
Conclusão: nem o Tribunal nem os trabalhadores terão a última palavra a dizer
sobre o desfecho do processo, que será ditado pelos restantes credores.
Relativamente à graduação dos créditos, existe também um enorme retrocesso relativamente à anterior Lei: desde 1998 que as dívidas aos trabalhadores (salários em atraso, subsídios e indemnizações) são considerados privilegiados, isto é, são os trabalhadores os primeiros a receber. Na Lei agora aprovada, passam a ser considerados também como créditos privilegiados as dívidas ao Estado contraídas nos 6 meses anteriores à entrada do Processo de Insolvência. Esta situação era a que estava contemplada na Lei antes de 1998, verificando-se que na maioria dos casos não havia dinheiro para pagar aos trabalhadores, depois de pagas as dívidas ao Estado. A acrescentar a isto, passam a ser considerados também créditos privilegiados 1/4 dos créditos devidos ao requerente do Processo, ou seja, mais uma fatia retirada aos créditos dos trabalhadores.
Esta Lei fará com que os processos sejam resolvidos mais rapidamente, mas aponta para o caminho do encerramento das empresas, em desfavor da sua recuperação. Porquê? Porque é à Assembleia de Credores que cabe a decisão. Ora, do conjunto dos credores, apenas aos trabalhadores interessa a manutenção da empresa, em defesa dos seus postos de trabalho, pois aos restantes credores o que interessa é que as suas dívidas sejam pagas o mais depressa possível. É evidente para todos que um processo de falência conduz mais rapidamente à realização de dinheiro (através da venda da massa falida), do que um processo de recuperação da empresa.
Finalmente, a actual Lei, depois de definir criteriosamente os tipos de créditos e a sua prioritização, ou seja, depois de deixar mais ou menos claro que os trabalhadores são credores privilegiados (embora passem a fazer-lhes companhia o Estado e 1/4 dos créditos do requerente do processo, conforme já explicado acima), introduz um capítulo totalmente inovador, a que chama o Plano da Insolvência, que dá o dito por não dito em tudo o que está para trás na Lei.
Com efeito, este Plano de Insolvência pode decidir o plano de pagamento aos credores, após a venda da massa falida, e depois de aprovado prevalece em relação à graduação dos créditos prevista e definida na Lei. E quem aprova o Plano de Insolvência? A Assembleia de Credores, nos moldes já explicados neste texto!
Por tudo o que atrás se disse, a Sobreiro 19 considera que esta nova Lei é mais um ataque aos direitos dos trabalhadores, e da sua camada mais desprotegida, o cada vez maior exército de desempregados.
Não baixaremos os braços, e continuaremos a lutar em defesa dos direitos mais elementares dos trabalhadores.
Pelo direito ao trabalho!
Pela dignidade das pessoas!
Pela cidadania plena!
A Direcção da Sobreiro19 - Associação de Solidariedade com as Vítimas das Falências, 22 Dezembro 2003.
Educação
Ouvi hoje no noticiário das 8h na Antena 1 (não consegui confirmar) que, segundo dados do INE, as famílias portuguesas gastam 3x (três vezes!) mais em comunicações (Tv cabo, telemóveis, internet...) que em Educação (o que já inclui livros, discos...).
mpf
mpf
CIDADANIA GLOBAL
Sociedade Civil e Direitos Humanos
Boletim da Latitude zero. Dezembro, 20 2003
Acesso ao Ensino
Na Etiópia, 31% de uma população de 62 milhões de pessoas sobrevive com menos de um dólar por dia, uma situação que se reflete no acesso das crianças à rede educativa. Para combater o absentismo, a organização Ajuda em Acção criou o ACESS, um sistema que permite a escolarização em aldeias que não dispõem de centro escolar, através da construção de pequenas escolas, com materiais básicos e de baixo custo. Um programa já aplicado em 72 aldeias e que pretende escolarizar 22 mil crianças em três anos.
Remédios Mortais
A Organização Mundial de Saúde estima que 25% dos medicamentos dos países do Sul são falsos, podendo por isso causar a morte. A este respeito, a OMS colocou em marcha uma campanha contra o tráfico de medicamentos, centrada essencialmente nos países do Sudeste Asiático, onde a situação toma proporções mais alarmantes. Após a campanha em Myanmar, China, Laos, Camboja , Vietname e Tailândia, a sensibilização e o alerta chegará ao continente africano.
Amordaçar a Net
Nos últimos 2 anos, 10 pessoas foram presas e condenadas a penas longas no Vietname, sob a acusação de utilizarem a internet para a divulgação de artigos anti-governamentais, ou seja, pela denúncia de violações de direitos humanos e liberdades fundamentais por parte das autoridades vietnamitas.
Site do Mês
www.understandingprejudice.org
Desde 2002 que este recurso educativo online procura contribuir para a eliminação das várias manifestações do preconceito. É uma base de dados com documentação variada sobre o tema, de acesso gratuito. Além de investigadores universitários, várias organizações cedem informação para enriquecer este site, de vocação essencialmente pedagógica. Em nome da diversidade.
Boletim da Latitude zero. Dezembro, 20 2003
Acesso ao Ensino
Na Etiópia, 31% de uma população de 62 milhões de pessoas sobrevive com menos de um dólar por dia, uma situação que se reflete no acesso das crianças à rede educativa. Para combater o absentismo, a organização Ajuda em Acção criou o ACESS, um sistema que permite a escolarização em aldeias que não dispõem de centro escolar, através da construção de pequenas escolas, com materiais básicos e de baixo custo. Um programa já aplicado em 72 aldeias e que pretende escolarizar 22 mil crianças em três anos.
Remédios Mortais
A Organização Mundial de Saúde estima que 25% dos medicamentos dos países do Sul são falsos, podendo por isso causar a morte. A este respeito, a OMS colocou em marcha uma campanha contra o tráfico de medicamentos, centrada essencialmente nos países do Sudeste Asiático, onde a situação toma proporções mais alarmantes. Após a campanha em Myanmar, China, Laos, Camboja , Vietname e Tailândia, a sensibilização e o alerta chegará ao continente africano.
Amordaçar a Net
Nos últimos 2 anos, 10 pessoas foram presas e condenadas a penas longas no Vietname, sob a acusação de utilizarem a internet para a divulgação de artigos anti-governamentais, ou seja, pela denúncia de violações de direitos humanos e liberdades fundamentais por parte das autoridades vietnamitas.
Site do Mês
www.understandingprejudice.org
Desde 2002 que este recurso educativo online procura contribuir para a eliminação das várias manifestações do preconceito. É uma base de dados com documentação variada sobre o tema, de acesso gratuito. Além de investigadores universitários, várias organizações cedem informação para enriquecer este site, de vocação essencialmente pedagógica. Em nome da diversidade.
Domingo, Dezembro 21, 2003
ECOSFERA
Ambiente
Boletim da Latitude zero. Dezembro, 20 2003
O Crepúsculo do Petróleo
Dois livros recém-editados nos EUA mostram que a era do petróleo chegou ao fim, com a produção mundial condenada a decrescer. Perante esta inevitabilidade, várias soluções são sugeridas: desenvolver energias alternativas e/ou tomar conta das reservas que ainda existem, mesmo que para tal seja necessário invadir o Iraque...
Emagrecimento Global
Uma nova geração de dietas ricas em proteínas e pobres em hidratos de carbono pode agravar a pressão sobre os recursos naturais do planeta. Caso estes regimes se imponham, mais dez por cento da já depauperada área florestal desaparecerá e os terrenos agrícolas serão mais erodidos, exigindo um reforço de fertilizantes e pesticidas.
Triste Aniversário
Há 19 anos, cinco mil habitantes de Bhopal, na Índia, morreram devido a uma explosão numa fábrica de pesticidas. Apesar desta tragédia, a indústria química mundial continua a dar poucos sinais de ter aprendido a lição. O exemplo da Union Carbide, a companhia norte-americana proprietária da fábrica de Bophal – que poucas compensações atribuiu às vítimas – não tem ajudado. Mesmo nos EUA, muitas destas fábricas continuam a colocar em risco milhões de vidas.
Latitude zero
Boletim da Latitude zero. Dezembro, 20 2003
O Crepúsculo do Petróleo
Dois livros recém-editados nos EUA mostram que a era do petróleo chegou ao fim, com a produção mundial condenada a decrescer. Perante esta inevitabilidade, várias soluções são sugeridas: desenvolver energias alternativas e/ou tomar conta das reservas que ainda existem, mesmo que para tal seja necessário invadir o Iraque...
Emagrecimento Global
Uma nova geração de dietas ricas em proteínas e pobres em hidratos de carbono pode agravar a pressão sobre os recursos naturais do planeta. Caso estes regimes se imponham, mais dez por cento da já depauperada área florestal desaparecerá e os terrenos agrícolas serão mais erodidos, exigindo um reforço de fertilizantes e pesticidas.
Triste Aniversário
Há 19 anos, cinco mil habitantes de Bhopal, na Índia, morreram devido a uma explosão numa fábrica de pesticidas. Apesar desta tragédia, a indústria química mundial continua a dar poucos sinais de ter aprendido a lição. O exemplo da Union Carbide, a companhia norte-americana proprietária da fábrica de Bophal – que poucas compensações atribuiu às vítimas – não tem ajudado. Mesmo nos EUA, muitas destas fábricas continuam a colocar em risco milhões de vidas.
Latitude zero
SUL > NORTE
Consumo, Comércio e Desenvolvimento
Boletim da Latitude zero. Dezembro, 20 2003
O Triunfo dos Pobres
42 milhões de pessoas saíram da pobreza graças ao microcrédito. Iniciado no Bangladesh, este sistema de pequenos empréstimos a pessoas desfavorecidas tem-se revelado um êxito mundial, mesmo nos países mais ricos. Até 2005, decorre uma campanha internacional para levar esta ferramenta até junto de 100 milhões de famílias. Em Portugal, o microcrédito é concedido através da Associação Nacional de Direito ao Crédito (andc@mail.telepac.pt).
Israel Cede no Comércio
Israel obriga-se a indicar se os produtos que exporta para a União Europeia procedem do seu território ou das zona ocupadas ilegalmente na Palestina. Esta cedência, que implica taxas aduaneiras maiores para os produtos dos territórios ocupados, representa também uma vitória política da UE. Percebe-se: a UE é o principal parceiro comercial do estado israelita.
Pequenos julgam Gigante
Após 10 anos de espera, os camponeses e indígenas equatorianos conseguiram sentar no banco dos réus a petrolífera norte-americana Chevron Texaco. Durante 28 anos, alegam, aquela empresa multinacional fez numerosas descargas e emissões nocivas para o meio ambiente. Daqui resultaram a destruição dos recursos naturais e a consequente degradação da economia local.
Latitude zero.
Boletim da Latitude zero. Dezembro, 20 2003
O Triunfo dos Pobres
42 milhões de pessoas saíram da pobreza graças ao microcrédito. Iniciado no Bangladesh, este sistema de pequenos empréstimos a pessoas desfavorecidas tem-se revelado um êxito mundial, mesmo nos países mais ricos. Até 2005, decorre uma campanha internacional para levar esta ferramenta até junto de 100 milhões de famílias. Em Portugal, o microcrédito é concedido através da Associação Nacional de Direito ao Crédito (andc@mail.telepac.pt).
Israel Cede no Comércio
Israel obriga-se a indicar se os produtos que exporta para a União Europeia procedem do seu território ou das zona ocupadas ilegalmente na Palestina. Esta cedência, que implica taxas aduaneiras maiores para os produtos dos territórios ocupados, representa também uma vitória política da UE. Percebe-se: a UE é o principal parceiro comercial do estado israelita.
Pequenos julgam Gigante
Após 10 anos de espera, os camponeses e indígenas equatorianos conseguiram sentar no banco dos réus a petrolífera norte-americana Chevron Texaco. Durante 28 anos, alegam, aquela empresa multinacional fez numerosas descargas e emissões nocivas para o meio ambiente. Daqui resultaram a destruição dos recursos naturais e a consequente degradação da economia local.
Latitude zero.
Sexta-feira, Dezembro 19, 2003
O Ambientalista optimista
O Comprometido espectador fala do Livro de Bjorn Lomborg, que apesar de desconhecer (o livro) já vi vários documentários onde o dito senhor opinava.
Ao contrário do espectador, eu não percebo nada de economia (como já aqui afirmei), mas percebo umas coisas de estatística e ecologia. E se naqueles assuntos mais mediáticos, como o buraco de ozono ou o aquecimento global podem existir dúvidas (sim porque nas ecologias é mais probabilidades, nunca certezas), há uma quantidade de temáticas em que as evidências são irrefutáveis.
A grande questão hoje em dia é a da sustentabilidade do planeta; e esta, com o nosso comportamento, muitas vezes movido pela cobiça cega e pela sede desenfreada de lucro deixa muito a desejar nesse domínio. Em pouco mais de um século (0,0000000217 do tempo de vida da Terra!!) conseguimos "delapidar" mais de 50% dos recursos do planeta, de uma forma muitas vezes irreversível (como os minérios, o petróleo) e outras vezes com uma reversibilidade que a acontecer, será muito dolorosa. Estou a falar da destruição das florestas, da destruição e impermeabilização dos solos, da contaminação das águas doces e da poluição do mar e do ar e de todos os recantos do Planeta. E isto não tem nada de alarmista; é a triste realidade dos factos.
Mesmo nas economias, como tão bem nos lembra a nossa ministra das finanças, não podemos gastar mais do que aquilo que temos; esse tipo de veleidade conduzir-nos-á inexoravelmente para o abismo.
Na natureza é exactamente a mesma coisa, não podemos destruir a um maior ritmo do que a velocidade de regeneração natural dos ecossistemas. A continuar nesta perigosa delapidação do planeta, caminhamos inevitavelmente para o abismo. O mais certo é que a voracidade da lógica neo-liberal leve o Planeta à bancarrota, transformando-o num enorme deserto; e eu não gosto muito dos desertos (os alternativos sem plantas mirram, como já aqui afirmei)...
A tão propalada sustentabilidade é isso mesmo: assegurarmo-nos de que estamos a destruir ao mesmo ritmo que a natureza (com ou sem a nossa ajuda) está a construir. E só esse tipo de comportamento é que assegurará um futuro planeta para os nossos filhos, para os filhos dos nossos filhos, por séculos e séculos, de preferência por milhares e milhões de anos. Ou acha, caro espectador, que se continuarmos assim a coisa é sustentável?
Mesmo havendo um certo tipo de ambientalismo alarmista, a sustentabilidade do planeta não é mariquice nenhuma de uma meia dúzia de alucinados; estamos a falar de viabilizar o futuro, de assegurar a sobrevivência da espécie humana. A sustentabilidade é um investimento, mas um investimento seguro que as gerações vindouras agradecerão...
PS - No entanto concordo que o livro deveria ser traduzido para Português...
Ao contrário do espectador, eu não percebo nada de economia (como já aqui afirmei), mas percebo umas coisas de estatística e ecologia. E se naqueles assuntos mais mediáticos, como o buraco de ozono ou o aquecimento global podem existir dúvidas (sim porque nas ecologias é mais probabilidades, nunca certezas), há uma quantidade de temáticas em que as evidências são irrefutáveis.
A grande questão hoje em dia é a da sustentabilidade do planeta; e esta, com o nosso comportamento, muitas vezes movido pela cobiça cega e pela sede desenfreada de lucro deixa muito a desejar nesse domínio. Em pouco mais de um século (0,0000000217 do tempo de vida da Terra!!) conseguimos "delapidar" mais de 50% dos recursos do planeta, de uma forma muitas vezes irreversível (como os minérios, o petróleo) e outras vezes com uma reversibilidade que a acontecer, será muito dolorosa. Estou a falar da destruição das florestas, da destruição e impermeabilização dos solos, da contaminação das águas doces e da poluição do mar e do ar e de todos os recantos do Planeta. E isto não tem nada de alarmista; é a triste realidade dos factos.
Mesmo nas economias, como tão bem nos lembra a nossa ministra das finanças, não podemos gastar mais do que aquilo que temos; esse tipo de veleidade conduzir-nos-á inexoravelmente para o abismo.
Na natureza é exactamente a mesma coisa, não podemos destruir a um maior ritmo do que a velocidade de regeneração natural dos ecossistemas. A continuar nesta perigosa delapidação do planeta, caminhamos inevitavelmente para o abismo. O mais certo é que a voracidade da lógica neo-liberal leve o Planeta à bancarrota, transformando-o num enorme deserto; e eu não gosto muito dos desertos (os alternativos sem plantas mirram, como já aqui afirmei)...
A tão propalada sustentabilidade é isso mesmo: assegurarmo-nos de que estamos a destruir ao mesmo ritmo que a natureza (com ou sem a nossa ajuda) está a construir. E só esse tipo de comportamento é que assegurará um futuro planeta para os nossos filhos, para os filhos dos nossos filhos, por séculos e séculos, de preferência por milhares e milhões de anos. Ou acha, caro espectador, que se continuarmos assim a coisa é sustentável?
Mesmo havendo um certo tipo de ambientalismo alarmista, a sustentabilidade do planeta não é mariquice nenhuma de uma meia dúzia de alucinados; estamos a falar de viabilizar o futuro, de assegurar a sobrevivência da espécie humana. A sustentabilidade é um investimento, mas um investimento seguro que as gerações vindouras agradecerão...
PS - No entanto concordo que o livro deveria ser traduzido para Português...
A alterglobalização IV
Por FRANÇOIS HOUTART
Os Fóruns Sociais estão colocados perante uma série de questões internas e externas. No plano interno, reúnem sindicatos operários com orientações diferentes e muitos outros movimentos sociais, sendo cada um deles portador de culturas de luta específicas. Neles convergem também organizações não governamentais (ONG), muitas das quais dotadas de significativos meios financeiros e de pessoal, correndo-se o risco de que dominem os debates. Não estão ausentes das escolhas das intervenções e das conferências estratégias individuais ou institucionais.
Além disso, e é este o segundo elemento, os meios de comunicação social tendem a “folclorizar” os acontecimentos e realçam sobretudo determinados aspectos insólitos ou, durante as manifestações contra os grandes poderes de decisão, os actos de violência cometidos por uma minoria ou decorrentes de provocações policiais. Ouve-se então dizer que esta violência esconde um outro debate entre “moderados”, pragmaticamente desejosos de consolidar o movimento e para ele ganhar o maior número de participantes de modo a dotá-lo de uma “massa crítica”, e, por outro lado, aqueles que, exasperados com a capacidade de “absorção” da sua contestação revelada por um sistema que, ao mesmo tempo, prossegue a sua obra destruidora, se mostram partidários de enveredar por uma prova de força.
Não deixa de ser verdade que, para lá das contradições, está a ser dado um grande passo: o do recriar da utopia, isto é, está a ser perspectivado um projecto que, mesmo que não exista hoje, pode realizar-se amanhã. Que sociedade queremos? Que educação, que tipo de saúde, que transportes, que comunicação, que agricultura? O horizonte do mercado total, com o seu cortejo de consequências sociais, deixou de ser o único fim à vista Esta esperança deverá traduzir-se em objectivos alternativos a curto e médio prazo, abrangendo todos os domínios – económico, político, social, cultural –, tanto numa dimensão macro como micro. A este nível, a simbiose entre movimentos sociais e intelectuais empenhados torna-se evidentemente primordial.
Além disso, a realização do próximo Fórum Social Europeu em Mumbai internacionalizará o movimento e levá-lo-á a abandonar a predominância latino-americana e europeia das primeiras sessões. Por fim, permanece a questão da tradução política à escala mundial, continental ou local das alternativas, não por intermédio de um partido único detentor de toda a verdade, mas por via da convergência de actores políticos, sob formas a inventar, sejam elas permanentes ou conjunturais.
Não sendo um Woodstock social nem uma V Internacional, os Fóruns Sociais transformaram-se, de facto, nas assembleias multiplicadoras de uma sociedade em movimento.
Resumido do artigo Forças e fraquezas do movimento por uma outra globalização do Le Monde diplomatique - edição portuguesa, Novembro de 2003.
Os Fóruns Sociais estão colocados perante uma série de questões internas e externas. No plano interno, reúnem sindicatos operários com orientações diferentes e muitos outros movimentos sociais, sendo cada um deles portador de culturas de luta específicas. Neles convergem também organizações não governamentais (ONG), muitas das quais dotadas de significativos meios financeiros e de pessoal, correndo-se o risco de que dominem os debates. Não estão ausentes das escolhas das intervenções e das conferências estratégias individuais ou institucionais.
Além disso, e é este o segundo elemento, os meios de comunicação social tendem a “folclorizar” os acontecimentos e realçam sobretudo determinados aspectos insólitos ou, durante as manifestações contra os grandes poderes de decisão, os actos de violência cometidos por uma minoria ou decorrentes de provocações policiais. Ouve-se então dizer que esta violência esconde um outro debate entre “moderados”, pragmaticamente desejosos de consolidar o movimento e para ele ganhar o maior número de participantes de modo a dotá-lo de uma “massa crítica”, e, por outro lado, aqueles que, exasperados com a capacidade de “absorção” da sua contestação revelada por um sistema que, ao mesmo tempo, prossegue a sua obra destruidora, se mostram partidários de enveredar por uma prova de força.
Não deixa de ser verdade que, para lá das contradições, está a ser dado um grande passo: o do recriar da utopia, isto é, está a ser perspectivado um projecto que, mesmo que não exista hoje, pode realizar-se amanhã. Que sociedade queremos? Que educação, que tipo de saúde, que transportes, que comunicação, que agricultura? O horizonte do mercado total, com o seu cortejo de consequências sociais, deixou de ser o único fim à vista Esta esperança deverá traduzir-se em objectivos alternativos a curto e médio prazo, abrangendo todos os domínios – económico, político, social, cultural –, tanto numa dimensão macro como micro. A este nível, a simbiose entre movimentos sociais e intelectuais empenhados torna-se evidentemente primordial.
Além disso, a realização do próximo Fórum Social Europeu em Mumbai internacionalizará o movimento e levá-lo-á a abandonar a predominância latino-americana e europeia das primeiras sessões. Por fim, permanece a questão da tradução política à escala mundial, continental ou local das alternativas, não por intermédio de um partido único detentor de toda a verdade, mas por via da convergência de actores políticos, sob formas a inventar, sejam elas permanentes ou conjunturais.
Não sendo um Woodstock social nem uma V Internacional, os Fóruns Sociais transformaram-se, de facto, nas assembleias multiplicadoras de uma sociedade em movimento.
Resumido do artigo Forças e fraquezas do movimento por uma outra globalização do Le Monde diplomatique - edição portuguesa, Novembro de 2003.
A alterglobalização III
Por FRANÇOIS HOUTART
É um facto que os objectivos gerais definidos pela Carta de Princípios dos Fóruns constituem a linha directriz dos encontros, mas existem grandes diferenças ao nível da crítica do sistema dominante e da formulação de novas opções. Com efeito, uma coisa é exprimir a reacção das vítimas e outra é conduzir uma acção verdadeiramente anti-sistémica. Quanto às soluções propostas, oscilam entre “humanizar” a marcha capitalista e “substitui-la” por uma outra lógica. Tudo isto tem lugar sob a forma de um movimento que conseguiu criar uma consciência colectiva, um facto cultural novo à escala mundial, operando a passagem do “não existem alternativas” de Margaret Thatcher para “um outro mundo é possível”.
Uma palavra de ordem não é, porém, suficiente para mudar o universo. A acção continua a ser essencial e a eficácia política indispensável. Disto resultaram os contactos com o mundo político, prudentes porque orientados pelo receio de se ser instrumentalizado, mas considerados necessários para que se consiga que as alternativas tenham uma tradução concreta. A questão das relações entre os fóruns e os partidos políticos está contudo bem longe de ser resolvida, indo conhecer talvez novos desenvolvimentos no Fórum Social Mundial de Mumbai (antiga Bombaím, Índia) de Janeiro de 2004.
Os Fóruns Sociais estão colocados perante uma série de questões internas e externas. No plano interno, reúnem sindicatos operários com orientações diferentes e muitos outros movimentos sociais, sendo cada um deles portador de culturas de luta específicas. Neles convergem também organizações não governamentais (ONG), muitas das quais dotadas de significativos meios financeiros e de pessoal, correndo-se o risco de que dominem os debates. Não estão ausentes das escolhas das intervenções e das conferências estratégias individuais ou institucionais.
Resumido do artigo Forças e fraquezas do movimento por uma outra globalização do Le Monde diplomatique - edição portuguesa, Novembro de 2003.
É um facto que os objectivos gerais definidos pela Carta de Princípios dos Fóruns constituem a linha directriz dos encontros, mas existem grandes diferenças ao nível da crítica do sistema dominante e da formulação de novas opções. Com efeito, uma coisa é exprimir a reacção das vítimas e outra é conduzir uma acção verdadeiramente anti-sistémica. Quanto às soluções propostas, oscilam entre “humanizar” a marcha capitalista e “substitui-la” por uma outra lógica. Tudo isto tem lugar sob a forma de um movimento que conseguiu criar uma consciência colectiva, um facto cultural novo à escala mundial, operando a passagem do “não existem alternativas” de Margaret Thatcher para “um outro mundo é possível”.
Uma palavra de ordem não é, porém, suficiente para mudar o universo. A acção continua a ser essencial e a eficácia política indispensável. Disto resultaram os contactos com o mundo político, prudentes porque orientados pelo receio de se ser instrumentalizado, mas considerados necessários para que se consiga que as alternativas tenham uma tradução concreta. A questão das relações entre os fóruns e os partidos políticos está contudo bem longe de ser resolvida, indo conhecer talvez novos desenvolvimentos no Fórum Social Mundial de Mumbai (antiga Bombaím, Índia) de Janeiro de 2004.
Os Fóruns Sociais estão colocados perante uma série de questões internas e externas. No plano interno, reúnem sindicatos operários com orientações diferentes e muitos outros movimentos sociais, sendo cada um deles portador de culturas de luta específicas. Neles convergem também organizações não governamentais (ONG), muitas das quais dotadas de significativos meios financeiros e de pessoal, correndo-se o risco de que dominem os debates. Não estão ausentes das escolhas das intervenções e das conferências estratégias individuais ou institucionais.
Resumido do artigo Forças e fraquezas do movimento por uma outra globalização do Le Monde diplomatique - edição portuguesa, Novembro de 2003.
A alterglobalização II
Por FRANÇOIS HOUTART
Durante a década de 1990 surgiram várias iniciativas: o People’s Power 21, congregação de movimentos asiáticos, a Conferência contra o Neoliberalismo organizada pelos zapatistas em Chiapas, o Outro Davos (1), etc. Aos poucos, para lá da própria oposição às políticas dominantes, nasceu a ideia de criar um contrapoder – Seattle (1999), Génova (2001), Cancun (2003) –, um lugar de encontro de todas as resistências, surgindo o Fórum Social Mundial (FSM) de Porto Alegre como contraponto que desafiava o Fórum Económico Mundial de Davos.
Não era nada evidente que fosse possível fazer convergir elementos de resistência tão heterogéneos. É certo que a base de tal reunião está claramente expressa na Carta de Princípios do FSM, mas a grande diversidade geográfica, sectorial e cultural dos que lutam contra o neoliberalismo e procuram outras vias é, simultaneamente, a força e a fraqueza destes.
Desde 1999, têm-se reunido dezenas de milhares de pessoas em torno de dois tipos diferentes de iniciativas: o protesto contra os projectos das grandes instâncias mundiais de decisão – Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional (FMI), OMC, União Europeia – e a iniciativa, mais institucional, dos Fóruns mundiais, continentais, nacionais e locais. Estas reuniões tornaram-se um facto político central. Ao longo dos tempos, a contestação dos organismos da globalização iria prosseguir naturalmente, com base num modelo que se tornara usual, o das manifestações e reuniões paralelas ao acontecimento. Como contraponto, podemos interrogar-nos sobre a natureza, os objectivos, o funcionamento e o futuro dos Fóruns Sociais.
A criação de um discurso político alternativo não está isenta de contradições nem de tensões.
Alguns falaram de um “movimento dos movimentos”. A expressão “Fóruns-espaços” parece mais adequada para classificar estes pontos de encontro, estas incubadoras de ideias (2). Não há neste espaço lugar para declarações finais, votos por maioria ou consignas – devido à heterogeneidade dos participantes, tudo isto poderia levar à paralisia ou ao desmembramento. Também não há presidentes ou comités de direcção, mas apenas um secretariado encarregue da organização e um conselho internacional para o Fórum Social Mundial. Um tal papel catalisador tem evidentemente as suas compensações. Os participantes podem fazer sugestões como aconteceu, por exemplo em Porto Alegre em 2003, com a ideia de se demonstrar a oposição à guerra que estava a ser preparada contra o Iraque (3), mas é difícil, nestas condições, definir objectivos políticos. Qual seria, aliás, a eficácia de o fazer?
1 - François Houtart e François Polet, L’Autre Davos, Paris, L’Harmattan, 1999.
2 - Francisco Whitaker, “Notas para o debate sobre o Fórum Mundial”, FSM, 2002.
3 - A 15 de Fevereiro estas manifestações reuniram, em todo o mundo, mais de 15 milhões de pessoas.
Resumido do artigo Forças e fraquezas do movimento por uma outra globalização do Le Monde diplomatique - edição portuguesa, Novembro de 2003.
Durante a década de 1990 surgiram várias iniciativas: o People’s Power 21, congregação de movimentos asiáticos, a Conferência contra o Neoliberalismo organizada pelos zapatistas em Chiapas, o Outro Davos (1), etc. Aos poucos, para lá da própria oposição às políticas dominantes, nasceu a ideia de criar um contrapoder – Seattle (1999), Génova (2001), Cancun (2003) –, um lugar de encontro de todas as resistências, surgindo o Fórum Social Mundial (FSM) de Porto Alegre como contraponto que desafiava o Fórum Económico Mundial de Davos.
Não era nada evidente que fosse possível fazer convergir elementos de resistência tão heterogéneos. É certo que a base de tal reunião está claramente expressa na Carta de Princípios do FSM, mas a grande diversidade geográfica, sectorial e cultural dos que lutam contra o neoliberalismo e procuram outras vias é, simultaneamente, a força e a fraqueza destes.
Desde 1999, têm-se reunido dezenas de milhares de pessoas em torno de dois tipos diferentes de iniciativas: o protesto contra os projectos das grandes instâncias mundiais de decisão – Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional (FMI), OMC, União Europeia – e a iniciativa, mais institucional, dos Fóruns mundiais, continentais, nacionais e locais. Estas reuniões tornaram-se um facto político central. Ao longo dos tempos, a contestação dos organismos da globalização iria prosseguir naturalmente, com base num modelo que se tornara usual, o das manifestações e reuniões paralelas ao acontecimento. Como contraponto, podemos interrogar-nos sobre a natureza, os objectivos, o funcionamento e o futuro dos Fóruns Sociais.
A criação de um discurso político alternativo não está isenta de contradições nem de tensões.
Alguns falaram de um “movimento dos movimentos”. A expressão “Fóruns-espaços” parece mais adequada para classificar estes pontos de encontro, estas incubadoras de ideias (2). Não há neste espaço lugar para declarações finais, votos por maioria ou consignas – devido à heterogeneidade dos participantes, tudo isto poderia levar à paralisia ou ao desmembramento. Também não há presidentes ou comités de direcção, mas apenas um secretariado encarregue da organização e um conselho internacional para o Fórum Social Mundial. Um tal papel catalisador tem evidentemente as suas compensações. Os participantes podem fazer sugestões como aconteceu, por exemplo em Porto Alegre em 2003, com a ideia de se demonstrar a oposição à guerra que estava a ser preparada contra o Iraque (3), mas é difícil, nestas condições, definir objectivos políticos. Qual seria, aliás, a eficácia de o fazer?
1 - François Houtart e François Polet, L’Autre Davos, Paris, L’Harmattan, 1999.
2 - Francisco Whitaker, “Notas para o debate sobre o Fórum Mundial”, FSM, 2002.
3 - A 15 de Fevereiro estas manifestações reuniram, em todo o mundo, mais de 15 milhões de pessoas.
Resumido do artigo Forças e fraquezas do movimento por uma outra globalização do Le Monde diplomatique - edição portuguesa, Novembro de 2003.
A alterglobalização I
Resumido do artigo Forças e fraquezas do movimento por uma outra globalização do Le Monde diplomatique - edição portuguesa, Novembro de 2003.
Por FRANÇOIS HOUTART
As grandes mobilizações (Seattle, Génova, Évian) contra os decisores do planeta, os Fóruns Sociais (como Porto Alegre), congregam forças muito diversas e não isentas de contradições. Apesar disso, elas congregam resistências às políticas neoliberais e elaboram propostas. O Fórum Social Europeu teve como perspectiva a construção de uma outra Europa que não a da finança.
Estes trinta anos de ofensivas contra o trabalho e contra o Estado para acelerar a acumulação do capital (seguindo os preceitos do Consenso de Washington), estes dez anos de neoliberalismo triunfante após a queda do Muro de Berlim criaram novas condições para as lutas sociais . No entanto, face à concentração das decisões económicas, estas lutas mantiveram-se num primeiro tempo tanto mais concentradas quanto o fracasso do “socialismo real”, as fraquezas da esquerda existente, o “verticalismo” do funcionamento dos partidos, a extinção dos partidos comunistas e os compromissos da social-democracia reduziram a credibilidade dos actores tradicionais da contestação.
Por FRANÇOIS HOUTART
As grandes mobilizações (Seattle, Génova, Évian) contra os decisores do planeta, os Fóruns Sociais (como Porto Alegre), congregam forças muito diversas e não isentas de contradições. Apesar disso, elas congregam resistências às políticas neoliberais e elaboram propostas. O Fórum Social Europeu teve como perspectiva a construção de uma outra Europa que não a da finança.
Estes trinta anos de ofensivas contra o trabalho e contra o Estado para acelerar a acumulação do capital (seguindo os preceitos do Consenso de Washington), estes dez anos de neoliberalismo triunfante após a queda do Muro de Berlim criaram novas condições para as lutas sociais . No entanto, face à concentração das decisões económicas, estas lutas mantiveram-se num primeiro tempo tanto mais concentradas quanto o fracasso do “socialismo real”, as fraquezas da esquerda existente, o “verticalismo” do funcionamento dos partidos, a extinção dos partidos comunistas e os compromissos da social-democracia reduziram a credibilidade dos actores tradicionais da contestação.
O fundamentalismo Económico
No outro dia, a propósito do captura de Saddam, um economista afirmava que a coisa agora já estava bem, já que a bolsa tinha subido, e rematava "porque a economia nunca se engana", em voz triunfalista. Ou seja, mesmo que nunca se descubram armas manhosas (se forem de plástico não contam), mesmo que nenhuma das razões invocadas pelos EUA para invadir o Iraque sejam provadas como certas, o importante é que a bolsa continue sempre a subur; se assim fôr, é o mercado que arquiteta as realidades, e se tiver ima resposta positiva, então todas as dúvidas desaparecem, porque a "Economia nunca se engana".
Eu já sabia que a Economia e os mercados são o novo paradigma do mundo em que vivemos, mas daí a acalentar uma fé dogmática absolutista na sacro-santa economia vai uma certa distância. Eu sei que não devia negar à partida uma ciência que desconheço, mas das putras ciências eu sei que a regra de ouro é o indeterminismo e a humildade. Só os modelos caducos de sociedade é que têm visões científicas dogmáticas. Será o senhor economista que ouvi um arauto do príncipio do fim da "supra-suma Economia"??
PS - Agora entendo porque é que o homem dos Tabus afirmava que "nunca se enganava e raramente tinha dúvidas": Cavaco era um acólito fervoroso desta nova doutrina fundamentalista.
Eu já sabia que a Economia e os mercados são o novo paradigma do mundo em que vivemos, mas daí a acalentar uma fé dogmática absolutista na sacro-santa economia vai uma certa distância. Eu sei que não devia negar à partida uma ciência que desconheço, mas das putras ciências eu sei que a regra de ouro é o indeterminismo e a humildade. Só os modelos caducos de sociedade é que têm visões científicas dogmáticas. Será o senhor economista que ouvi um arauto do príncipio do fim da "supra-suma Economia"??
PS - Agora entendo porque é que o homem dos Tabus afirmava que "nunca se enganava e raramente tinha dúvidas": Cavaco era um acólito fervoroso desta nova doutrina fundamentalista.
Quinta-feira, Dezembro 18, 2003
Um grão de areia na engrenagem
Chegou mais um grão de areia à blogolândia; bem vindos, milhares de grões e de grãs!! muitos ainda fazemos uma tempestade (de areia), ou umas dunas, ou um deserto (não, um deserto não: faltam demasiadas plantas; toda a gente sabe que os alternativos sem plantas mirram), ou pelo menos uma ampulheta mágica, que faça mudar os tempos. Deixo-me de devaneios e deixo-vos com o texto introdutório:
Um Grão de areia na engrenagem. Mas também campo para semear e fazer crescer novas ideias. O Grão de areia mais não visa ser que um entre muitos outros contributos, um recurso para o trabalho da ATTAC. Como veículo de informação e debate. Um elemento importante na interacção teoria-prática. Porque, para agir, é preciso – e muito! – pensar.
Ainda que sob uma forma diferente de outros Grão de areia de outras ATTAC’s de diferentes partes do mundo, também aqui se pretende divulgar e/ou produzir textos, informações, eventuais experiências, que nos ajudem a pensar o mundo que é o nosso e a nossa acção nele.
Para isso contamos com ideias. Contributos. Com as mãos que quiserem colaborar nesta tarefa.
Um Grão de areia na engrenagem. Mas também campo para semear e fazer crescer novas ideias. O Grão de areia mais não visa ser que um entre muitos outros contributos, um recurso para o trabalho da ATTAC. Como veículo de informação e debate. Um elemento importante na interacção teoria-prática. Porque, para agir, é preciso – e muito! – pensar.
Ainda que sob uma forma diferente de outros Grão de areia de outras ATTAC’s de diferentes partes do mundo, também aqui se pretende divulgar e/ou produzir textos, informações, eventuais experiências, que nos ajudem a pensar o mundo que é o nosso e a nossa acção nele.
Para isso contamos com ideias. Contributos. Com as mãos que quiserem colaborar nesta tarefa.
As cheias no Amazonas
Não sei porquê, mas peixes que comem frutos das árvores é uma coisa brutalmente poética; quase que me dá vontade de chorar....
A Natureza é realmente assombrosa: num ecossistema em que a restante bicheza é avessa às águas abundantes, os peixes tratam de fazer a dispersão das sementes (trabalho normalmente executado pela passarada, macacada e demais habitantes do estratos superiores das florestas), claro está, recebendo o seu quinhão de alimento em troca. Os peixes reúnem-se (às mão cheias) debaixo da copa das árvores que têm frutos maduros e esperam.. É no mínimo curioso ver peixes debaixo de uma árvore, numa ânsia mal contida à espera que as sementes caiam...
Será que se o mar secasse os Pássaros se encarregariam da dispersão das algas e dos corais?
Fica aqui uma pequena descrição ecológica das cheias na Amazónia:
A época das cheias é a altura do ano em que a água chega a 12 metros de altura, abarcando florestas e clareiras, unindo braços de rio numa única massa de água. O aumento do nível das águas torna as copas das árvores acessíveis de barco. Muitas espécies de árvores dependem da cheia cíclica para dispersar as suas sementes, através dos animais ou simplesmente através da deriva das sementes nas águas da cheia. É um tempo de abundância para a maioria dos herbívoros que podem alimentar-se das frutas e das sementes que caem das árvores. A Amazónia é o habitat da esmagadora maioria dos peixes dependentes de frutos e sementes.
O nosso amigo, o Tambaqui (Colossoma macroponum)
Um dos peixes comedores de sementes mais famosos é o Tambaqui, um peixe grande que esmaga as sementes caídas na água com as suas mandíbulas poderosas. O Tambaqui espera debaixo das árvores que estão a deixar cair sementes, congregando-se preferencialmente debaixo da sua árvore favorita: a seringa barriguda (Hevea spruceana), que está espalhada por toda a floresta de cheias. O homem tira partido da ecologia do tambaqui e de outros peixes com os mesmo hábitos alimentares, emitando o barulho de uma semente a cair (com uma semente agarrada a um fio). Quando o infeliz peixe é atraído, o pescador lança o seu arpão. No folclore do amazonas, diz-se que o Jaguar caça estes peixes comedores de sementes imitando as sementes que caem na água com a sua cauda.
A dentuça do bicho, especializada para esmagar sementes.
A época das cheias é um tempo difícil para os predadores. O aumento brutal da área inundada aumenta exponencialmente os refúgios possíveis para as presas, tornando a sua captura muito mais árdua. Por isso, muitos predadores vivem das reservas acumuladas durante a época seca. Uma estratégia mais eficaz é a da bicheza omnívora, que na época das chuvas muda a sua dieta e passa a consumir frutos e sementes.
Rãzinha (Physalaemus nanus) - clique na imagem para ouvir o seu apelo sexual.
A história do Tambaqui é uma extraordinária história de co-evolução deste peixe com as árvores e arbustos da Amazónia: a ictiocoria (dispersão de sementes por peixes) pode ter tido um importante papel na evolução das plantas com semente.
PS - acho que fui apanhado pelo tradicional espírito de natal; a programação normal retoma dentro de momentos... a rãzinha não tem nada a ver, mas também gosta de água (desova em espuma nas poças que se formam após chuvas fortes) e ouvir o bicho tem piada.
A Natureza é realmente assombrosa: num ecossistema em que a restante bicheza é avessa às águas abundantes, os peixes tratam de fazer a dispersão das sementes (trabalho normalmente executado pela passarada, macacada e demais habitantes do estratos superiores das florestas), claro está, recebendo o seu quinhão de alimento em troca. Os peixes reúnem-se (às mão cheias) debaixo da copa das árvores que têm frutos maduros e esperam.. É no mínimo curioso ver peixes debaixo de uma árvore, numa ânsia mal contida à espera que as sementes caiam...
Será que se o mar secasse os Pássaros se encarregariam da dispersão das algas e dos corais?
Fica aqui uma pequena descrição ecológica das cheias na Amazónia:
A época das cheias é a altura do ano em que a água chega a 12 metros de altura, abarcando florestas e clareiras, unindo braços de rio numa única massa de água. O aumento do nível das águas torna as copas das árvores acessíveis de barco. Muitas espécies de árvores dependem da cheia cíclica para dispersar as suas sementes, através dos animais ou simplesmente através da deriva das sementes nas águas da cheia. É um tempo de abundância para a maioria dos herbívoros que podem alimentar-se das frutas e das sementes que caem das árvores. A Amazónia é o habitat da esmagadora maioria dos peixes dependentes de frutos e sementes.
O nosso amigo, o Tambaqui (Colossoma macroponum)
Um dos peixes comedores de sementes mais famosos é o Tambaqui, um peixe grande que esmaga as sementes caídas na água com as suas mandíbulas poderosas. O Tambaqui espera debaixo das árvores que estão a deixar cair sementes, congregando-se preferencialmente debaixo da sua árvore favorita: a seringa barriguda (Hevea spruceana), que está espalhada por toda a floresta de cheias. O homem tira partido da ecologia do tambaqui e de outros peixes com os mesmo hábitos alimentares, emitando o barulho de uma semente a cair (com uma semente agarrada a um fio). Quando o infeliz peixe é atraído, o pescador lança o seu arpão. No folclore do amazonas, diz-se que o Jaguar caça estes peixes comedores de sementes imitando as sementes que caem na água com a sua cauda.
A dentuça do bicho, especializada para esmagar sementes.
A época das cheias é um tempo difícil para os predadores. O aumento brutal da área inundada aumenta exponencialmente os refúgios possíveis para as presas, tornando a sua captura muito mais árdua. Por isso, muitos predadores vivem das reservas acumuladas durante a época seca. Uma estratégia mais eficaz é a da bicheza omnívora, que na época das chuvas muda a sua dieta e passa a consumir frutos e sementes.
Rãzinha (Physalaemus nanus) - clique na imagem para ouvir o seu apelo sexual.
A história do Tambaqui é uma extraordinária história de co-evolução deste peixe com as árvores e arbustos da Amazónia: a ictiocoria (dispersão de sementes por peixes) pode ter tido um importante papel na evolução das plantas com semente.
PS - acho que fui apanhado pelo tradicional espírito de natal; a programação normal retoma dentro de momentos... a rãzinha não tem nada a ver, mas também gosta de água (desova em espuma nas poças que se formam após chuvas fortes) e ouvir o bicho tem piada.
Carta ao menino Jesus
Querido menino Jesus, eu gostava muito (mesmo muito) que me deixasses um empregozito no sapatinho...
É que em Dezembro acaba-se-me o subsídio, e a malta tem que sobreviver. Uns bailaricos à desgarrada ajudam a viver, mas não chegam....
Por isso, não te distraias; é que as tradicionais meias e livros até dão jeito, mas não devem chegar prós gastos. Podes mesmo deixar-te dessas miudezas, se deixares um empregozito aqui ao necessitado. Fala com o Bagão, com a Ferreira, ou com quem tiver de ser, para ver se chegam a um entendimento. Se necessário fôr, fala com o teu Pai, que dizem que o cota tem conhecimentos ao mais alto nível. Não será tão influente como o Lynce, mas também não corre o risco do Durão lhe pôr uns patins só por favoreceres aqui o "Je".
Dispenso também o lugarzinho no Céu, já que por agora as necessidades são mais terra-a-terra, no comer, no vestir e no dormir; umas asitas até davam jeito, poupava na gasolina. Mas depois era uma chatice porque as asas têm tendência a atravancar-se nas portas e estão sempre a depenar-se, esparramando penas por tudo o que é canto (e depois é o cabo dos trabalhos para chegar lá com o aspirador), já para não falar das alergias que tanta pluma pode causar!! se forem daquelas de tirar e pôr, então sim, podes também deixar no sapatinho.
Já me esquecia! não te esqueças do contratozito com direito ao 13º e ao 14º mês, que por estes dias tinham dado um jeitão do camandro; é que eu também gostava de participar no tradicional consumismo desenfreado da quadra natalícia, mas de momento, népias, nem sequer uma nesgazinha de consumismo; o gravetame é pouco, e o melhor é poupar o carcanhol pró Inverno duro que se aproxima....
Desta tua criatura (é mais da criatura Dele...),
Paulo
É que em Dezembro acaba-se-me o subsídio, e a malta tem que sobreviver. Uns bailaricos à desgarrada ajudam a viver, mas não chegam....
Por isso, não te distraias; é que as tradicionais meias e livros até dão jeito, mas não devem chegar prós gastos. Podes mesmo deixar-te dessas miudezas, se deixares um empregozito aqui ao necessitado. Fala com o Bagão, com a Ferreira, ou com quem tiver de ser, para ver se chegam a um entendimento. Se necessário fôr, fala com o teu Pai, que dizem que o cota tem conhecimentos ao mais alto nível. Não será tão influente como o Lynce, mas também não corre o risco do Durão lhe pôr uns patins só por favoreceres aqui o "Je".
Dispenso também o lugarzinho no Céu, já que por agora as necessidades são mais terra-a-terra, no comer, no vestir e no dormir; umas asitas até davam jeito, poupava na gasolina. Mas depois era uma chatice porque as asas têm tendência a atravancar-se nas portas e estão sempre a depenar-se, esparramando penas por tudo o que é canto (e depois é o cabo dos trabalhos para chegar lá com o aspirador), já para não falar das alergias que tanta pluma pode causar!! se forem daquelas de tirar e pôr, então sim, podes também deixar no sapatinho.
Já me esquecia! não te esqueças do contratozito com direito ao 13º e ao 14º mês, que por estes dias tinham dado um jeitão do camandro; é que eu também gostava de participar no tradicional consumismo desenfreado da quadra natalícia, mas de momento, népias, nem sequer uma nesgazinha de consumismo; o gravetame é pouco, e o melhor é poupar o carcanhol pró Inverno duro que se aproxima....
Desta tua criatura (é mais da criatura Dele...),
Paulo
Diversidades
Na Europa, há mais ou menos 300 espécies de peixes de água doce. No Amazonas, há mais de 2000. Na Europa há 2 espécies de rododendros; nos Himalaias há 900 espécies diferentes (!). Urzes, há umas 50 (na Europa), enquanto que na Africa do Sul (em volta da cidade do cabo) há mais de 500 espécies distintas. A medida de diversidade mais simples de aplicar é a riqueza específica, ou seja, contar o número de espécies que existe em determinado local. Por isso, nos casos acima descritos podemos falar de uma maior diversidade de peixes no Amazonas que na Europa, ou uma maior riqueza de Rododendros nos Himalaias, já para não falar das Urzes do Cabo.
Mas nem todas as espécies são iguais; ele há espécies raras, que aparecem muito de vez em quando, ele há espécies frequentes, que estão por todo o lado e ele há espécies dominantes, como os pinheiros nos pinhais e o carrasco nos matagais. E depois há as raríssimas, existentes apenas num determinado ponto do planeta, por vezes numa área não superior a um campo de futebol. Como introduzir esta informação nas medidas de diversidade? na verdade, não é fácil; por isso, foram inventados dezenas, centenas de índices que tentam quantificar ao mesmo tempo a riqueza específica e as proporções relativas das espécies; na sua maioria assumem que para o mesmo número de espécies, a configuração que corresponde a uma frequência equivalente entre todas as espécies corresponde ao máximo de diversidade possível. Traduzindo por miúdos, a maior diversidade corresponde a uma situação de igualdade absoluta entre todas as espécies; na prática, este paradigma nunca é totalmente atingido, e na natureza, há sempre espécies raras e espécies muito frequentes.
Rododendro
Mas o importante é que a diversidade ou a importância dela acaba sempre por se reflectir na ética e na estética das sociedades. Dificilmente alguém ficará indiferente à miríade de cores dos vales dos Himalaias, cada um com os seus rododendros únicos. Mais de 2000 peixes diferente faz dos rios do Amazonas um Ecossistema prodigioso, já para não falar dos recursos económicos que proporciona; tudo o que imaginarmos que um peixe possa fazer, de certeza que no Amazonas encontraremos uma espécie que adoptou esse modo de vida (um dos mais deliciosos alimenta-se dos frutos que caem na água, já que na época das chuvas o enorme rio abraça milhões de árvores com as suas águas imensas, transformando a floresta numa espécie de jardins suspensos sobre a água). 600 espécies de urzes contagiam de cor e cheiros as paisagens do Cabo.
Tambaqui Colossoma macroponum: Durante as cheias, os peixes invadem o interior da floresta e fazem o papel de dispersores de sementes.
Não sei qual o índice mais adequado para medir diversidades; mas a diversidade não é só um número: são cheiros, cores, sabores, emoções, saberes, sons, e tudo o que faz do mundo um planeta simpático para se viver. A diminuição da diversidade, a extinção de cada espécie, cada planta, cada animal, faz do mundo um lugar mais pobre, com menos cheiros, menos emoções, menos cor, menos tudo, conduzindo lentamente mas inexoravelmente a terra para um abismo sem emoções, a preto e branco, sem vida....
Um outro mundo é possível!!!!
Mas nem todas as espécies são iguais; ele há espécies raras, que aparecem muito de vez em quando, ele há espécies frequentes, que estão por todo o lado e ele há espécies dominantes, como os pinheiros nos pinhais e o carrasco nos matagais. E depois há as raríssimas, existentes apenas num determinado ponto do planeta, por vezes numa área não superior a um campo de futebol. Como introduzir esta informação nas medidas de diversidade? na verdade, não é fácil; por isso, foram inventados dezenas, centenas de índices que tentam quantificar ao mesmo tempo a riqueza específica e as proporções relativas das espécies; na sua maioria assumem que para o mesmo número de espécies, a configuração que corresponde a uma frequência equivalente entre todas as espécies corresponde ao máximo de diversidade possível. Traduzindo por miúdos, a maior diversidade corresponde a uma situação de igualdade absoluta entre todas as espécies; na prática, este paradigma nunca é totalmente atingido, e na natureza, há sempre espécies raras e espécies muito frequentes.
Rododendro
Mas o importante é que a diversidade ou a importância dela acaba sempre por se reflectir na ética e na estética das sociedades. Dificilmente alguém ficará indiferente à miríade de cores dos vales dos Himalaias, cada um com os seus rododendros únicos. Mais de 2000 peixes diferente faz dos rios do Amazonas um Ecossistema prodigioso, já para não falar dos recursos económicos que proporciona; tudo o que imaginarmos que um peixe possa fazer, de certeza que no Amazonas encontraremos uma espécie que adoptou esse modo de vida (um dos mais deliciosos alimenta-se dos frutos que caem na água, já que na época das chuvas o enorme rio abraça milhões de árvores com as suas águas imensas, transformando a floresta numa espécie de jardins suspensos sobre a água). 600 espécies de urzes contagiam de cor e cheiros as paisagens do Cabo.
Tambaqui Colossoma macroponum: Durante as cheias, os peixes invadem o interior da floresta e fazem o papel de dispersores de sementes.
Não sei qual o índice mais adequado para medir diversidades; mas a diversidade não é só um número: são cheiros, cores, sabores, emoções, saberes, sons, e tudo o que faz do mundo um planeta simpático para se viver. A diminuição da diversidade, a extinção de cada espécie, cada planta, cada animal, faz do mundo um lugar mais pobre, com menos cheiros, menos emoções, menos cor, menos tudo, conduzindo lentamente mas inexoravelmente a terra para um abismo sem emoções, a preto e branco, sem vida....
Um outro mundo é possível!!!!
Quarta-feira, Dezembro 17, 2003
Libertação imediata de Ahmed Rachid Chrii
Uma carta exigindo a libertação imediata de Ahmed Rachid Chrii, militante da ATTAC-Marrocos, foi enviada à embaixada marroquina em Lisboa. Foi assinada por 21 deputados de todos os partidos, inclusive uma vice-presidente do parlamento.
Luís Fazenda (BE)
Francisco Louçã (BE)
Leonor Beleza (PSD, vice-presidente do Parlamento)
Clara Carneiro (PSD)
Assunção Esteves (PSD, presidente da Comissão de Direitos)
Cristina Granado (PS)
Luís Fagundes Duarte (PS)
Manuela de Melo (PS)
António Filipe (PCP)
Bruno Dias (PCP)
Isabel de Castro (PEV)
Heloisa Apolónia (PEV)
Maria Santos (PS)
João Teixeira Lopes (BE)
Ana Benavente (PS)
Adriana Aguiar Branco (PSD)
Teresa Morais (PSD)
+ 4 deputados (assinaturas ilegíveis)
Mohamed Rachid Chrii é secretário-geral do sindicato dos trabalhadores e quadros da administração local (CDT), membro da secção local de Safi da Associação Marroquina dos Direitos Humanos e da ATTAC-Marrocos, além de activista cívico do bairro de Saniat. Desde há seis meses, Mohamed Rachid Chrii está preso. Foi condenado a 18 meses de prisão sob falsas acusações, depois de barbaramente torturado pela polícia.
Os factos :
21 de Abril de 2003. No âmbito de uma operação anti-droga no bairro popular de Saniat, agentes policiais interpelam um indivíduo algemam-no e torturam-no. Mohamed Rachid Chrii e um outro membro da AMDH intervêm no sentido de persuadir os agentes a parar a violência. Face à indignação dos habitantes do bairro, teve lugar a intervenção da polícia anti-motim. Numerosos jovens foram presos nesta ocasião.
22 de Abril. De manhã, Mohamed Rachid Chrii é preso nas imediações do seu local de trabalho por cinco agentes que, vendando-lhe os olhos, o conduzem a uma casa não identificada onde agentes da Royale Gendarmerie (RG) e da Direction de la Surveillance du Territoire (DST) o interrogam e torturam, interpelando-o sobre a sua intervenção militante. Em seguida, é conduzido à esquadra de polícia onde é despido, espancado por cerca de vinte agentes por todo o corpo, em particular nos órgãos genitais. É-lhe introduzido um bastão no ânus, entre outros suplícios da mesma natureza. Torturado com recurso a electricidade, sofre múltiplas lesões e queimaduras, além de traumatismo craniano. Teve um dos tímpanos perfurados (o que foi reconhecido por um dos médicos que o assistiu, que não ousou, porém, mencioná-lo no seu relatório).
23 de Abril. É transportado, em estado de coma e por ordem do procurador, para o Hospital Mohamed V em Safi. Ao sair do estado de coma, foi de novo preso.
25 de Abril. Mohamed Rachid Chrii é presente a tribunal, acusado de venda de haxixe, de protecção de traficantes e incitamento à rebelião. O tribunal recusa todos os pedidos da defesa e nomeadamente a liberdade provisória, uma perícia médica e a hospitalização do acusado. O acesso ao tribunal foi impedido, mesmo aos seus familiares mais próximos.
30 de Abril. M.R.Chrii é de novo conduzido ao tribunal. Está em estado crítico. O juíz foi substituído mas o acesso continua interdito. Chrii é defendido por numerosos advogados, vindos de diferentes regiões do país, entre os quais o antigo presidente a Associação Marroquina dos Direitos Humanos, o bastonário Abderrahmane Benamrou, de Rabat. O tribunal aceita finalmente uma contra-peritagem médica mas recusa a libertação provisória e a hospitalização de Chrii.
9 de Maio. Nova comparência de Rachid Chrii no tribunal. É defendido por numerosos advogados. Estes denunciam as falsificações do procès verbal da polícia judiciária e a ausência de prova material. Vários testemunhos de acusados contrariam claramente qualquer implicação de Chrii e reconhecem a intimidação por agentes da polícia judiciária e pelo procurador (que lhes haviam proposto a escolha entre uma pesada condenação e, pelo contrário, uma redução de pena e uma certa soma de dinheiro, em troca de um testemunho envolvendo Rachid Chrii). Finalmente, cerca da meia-noite, o tribunal decide adiar a sentença para 13 de Maio.
13 de Maio. A sentença é lida de manhã à l’insu de toda a gente. Rachid é condenado a dezoito meses de prisão efectiva e quatro mil dirhams de multa. O tribunal não mantem as acusações respeitantes a tráfico de droga, mas manteve cinco outras: i) ofensa a funcionários públicos (os agentes policiais) no exercício das suas funções, com recurso a violência; ii) ajuda tentada à evasão de um criminoso perseguido; iii) porte de arma em condições que poderiam afectar pessoas e a segurança pública; iv) cumplicidade na ofensa a funcionários públicos no exercício das suas funções, com recurso a violência; v) rebelião. Mohamed Rachid Chrii é condenado a 18 meses de prisão.
Desde a prisão de Mohamed Rachid Chrii, há cerca de seis meses, têm-se sucedido manifestações de protesto da sociedade civil e de numerosas organizações sociais e políticas comprometidas com a defesa dos direitos humanos e democráticos.
NOTA: colocado na lista ATTAC por Jorge Costa
Luís Fazenda (BE)
Francisco Louçã (BE)
Leonor Beleza (PSD, vice-presidente do Parlamento)
Clara Carneiro (PSD)
Assunção Esteves (PSD, presidente da Comissão de Direitos)
Cristina Granado (PS)
Luís Fagundes Duarte (PS)
Manuela de Melo (PS)
António Filipe (PCP)
Bruno Dias (PCP)
Isabel de Castro (PEV)
Heloisa Apolónia (PEV)
Maria Santos (PS)
João Teixeira Lopes (BE)
Ana Benavente (PS)
Adriana Aguiar Branco (PSD)
Teresa Morais (PSD)
+ 4 deputados (assinaturas ilegíveis)
Mohamed Rachid Chrii é secretário-geral do sindicato dos trabalhadores e quadros da administração local (CDT), membro da secção local de Safi da Associação Marroquina dos Direitos Humanos e da ATTAC-Marrocos, além de activista cívico do bairro de Saniat. Desde há seis meses, Mohamed Rachid Chrii está preso. Foi condenado a 18 meses de prisão sob falsas acusações, depois de barbaramente torturado pela polícia.
Os factos :
21 de Abril de 2003. No âmbito de uma operação anti-droga no bairro popular de Saniat, agentes policiais interpelam um indivíduo algemam-no e torturam-no. Mohamed Rachid Chrii e um outro membro da AMDH intervêm no sentido de persuadir os agentes a parar a violência. Face à indignação dos habitantes do bairro, teve lugar a intervenção da polícia anti-motim. Numerosos jovens foram presos nesta ocasião.
22 de Abril. De manhã, Mohamed Rachid Chrii é preso nas imediações do seu local de trabalho por cinco agentes que, vendando-lhe os olhos, o conduzem a uma casa não identificada onde agentes da Royale Gendarmerie (RG) e da Direction de la Surveillance du Territoire (DST) o interrogam e torturam, interpelando-o sobre a sua intervenção militante. Em seguida, é conduzido à esquadra de polícia onde é despido, espancado por cerca de vinte agentes por todo o corpo, em particular nos órgãos genitais. É-lhe introduzido um bastão no ânus, entre outros suplícios da mesma natureza. Torturado com recurso a electricidade, sofre múltiplas lesões e queimaduras, além de traumatismo craniano. Teve um dos tímpanos perfurados (o que foi reconhecido por um dos médicos que o assistiu, que não ousou, porém, mencioná-lo no seu relatório).
23 de Abril. É transportado, em estado de coma e por ordem do procurador, para o Hospital Mohamed V em Safi. Ao sair do estado de coma, foi de novo preso.
25 de Abril. Mohamed Rachid Chrii é presente a tribunal, acusado de venda de haxixe, de protecção de traficantes e incitamento à rebelião. O tribunal recusa todos os pedidos da defesa e nomeadamente a liberdade provisória, uma perícia médica e a hospitalização do acusado. O acesso ao tribunal foi impedido, mesmo aos seus familiares mais próximos.
30 de Abril. M.R.Chrii é de novo conduzido ao tribunal. Está em estado crítico. O juíz foi substituído mas o acesso continua interdito. Chrii é defendido por numerosos advogados, vindos de diferentes regiões do país, entre os quais o antigo presidente a Associação Marroquina dos Direitos Humanos, o bastonário Abderrahmane Benamrou, de Rabat. O tribunal aceita finalmente uma contra-peritagem médica mas recusa a libertação provisória e a hospitalização de Chrii.
9 de Maio. Nova comparência de Rachid Chrii no tribunal. É defendido por numerosos advogados. Estes denunciam as falsificações do procès verbal da polícia judiciária e a ausência de prova material. Vários testemunhos de acusados contrariam claramente qualquer implicação de Chrii e reconhecem a intimidação por agentes da polícia judiciária e pelo procurador (que lhes haviam proposto a escolha entre uma pesada condenação e, pelo contrário, uma redução de pena e uma certa soma de dinheiro, em troca de um testemunho envolvendo Rachid Chrii). Finalmente, cerca da meia-noite, o tribunal decide adiar a sentença para 13 de Maio.
13 de Maio. A sentença é lida de manhã à l’insu de toda a gente. Rachid é condenado a dezoito meses de prisão efectiva e quatro mil dirhams de multa. O tribunal não mantem as acusações respeitantes a tráfico de droga, mas manteve cinco outras: i) ofensa a funcionários públicos (os agentes policiais) no exercício das suas funções, com recurso a violência; ii) ajuda tentada à evasão de um criminoso perseguido; iii) porte de arma em condições que poderiam afectar pessoas e a segurança pública; iv) cumplicidade na ofensa a funcionários públicos no exercício das suas funções, com recurso a violência; v) rebelião. Mohamed Rachid Chrii é condenado a 18 meses de prisão.
Desde a prisão de Mohamed Rachid Chrii, há cerca de seis meses, têm-se sucedido manifestações de protesto da sociedade civil e de numerosas organizações sociais e políticas comprometidas com a defesa dos direitos humanos e democráticos.
NOTA: colocado na lista ATTAC por Jorge Costa
Oxfam e a OMC
A Oxfam culpa os países ricos pelos atrasos nas negociações da OMC
15 December 2003
A Oxfam criticou a Europa os Estados Unidos por causarem a estagnação das negociações da OMC (Organização Mundial de Comércio). Perez Castillo, o presidente da OMC anunciou há dois dias numa reunião em Genebra que não seria possível relançar as negociações antes de Fevereiro de 2004, dadas as desavenças existentes relativas ao algodão, à agricultura e aos chamados temas de Singapura.
“O anúncio de hoje apesar de não ser surpreendente, é um enorme desapontamento para milhões de pobres em todo o mundo que poderiam beneficiar de uma reforma do comércio mundial.” Disse Michael Bailey, da Oxfam. “Desde o colapso das negociações em Cancun, os países em desenvolvimento demonstraram a sua vontade em voltar à mesa das negociações. É a teimosia dos países ricos que impede a retoma do diálogo.(...)”. Castillo (OMC) deixou entretanto algumas pistas para a retoma das negociações:
1 – Algodão: o presidente da OMC disse que “as negociações multilaterais necessitam de tempo”, mas para os 10 milhões de agricultores africanos dependentes do algodão, cujas vidas estão a ser destruídas pelos subsídios dos EUA, o tempo está a esgotar-se rapidamente.
2 – Agricultura: Castillo (OMC) pediu aos membros da OMC para “eliminar todas as formas de apoios à exportação” (que causa o “dumping” das exportações), afirmando que este é um tema chave para o sucesso das negociações. Pediu que fosse fixada uma data para fasear o fim destes subsídios. Com ¾ dos pobres do mundo a depender da agricultura, essa reforma levada a cabo pela Europa e pelos Estados Unidos é essencial para a redução da pobreza mundial.
3 – Temas de Singapura: dia 15, 44 países em vias de desenvolvimento, representando mais de metade da população mundial reiterou a sua oposição à negociação dos temas de Singapura. A insistência da Europa nos temas de Singapura levou ao falhanço de Cancun e está a ter o mesmo efeito em Genebra.
Michael Bailey: “É absurdo que uma mão cheia de produtores e a agro-industria nos países ricos possa ter as negociações da OMC como refém. A Europa e os Estados Unidos têm que ver um pouco mais longe que os seus interesses comerciais a curto prazo e reconhecer que o crescimento nos países em desenvolvimento é essencial para as prosperidade e segurança de todo o mundo”
Traduzido da página do comércio justo
15 December 2003
A Oxfam criticou a Europa os Estados Unidos por causarem a estagnação das negociações da OMC (Organização Mundial de Comércio). Perez Castillo, o presidente da OMC anunciou há dois dias numa reunião em Genebra que não seria possível relançar as negociações antes de Fevereiro de 2004, dadas as desavenças existentes relativas ao algodão, à agricultura e aos chamados temas de Singapura.
“O anúncio de hoje apesar de não ser surpreendente, é um enorme desapontamento para milhões de pobres em todo o mundo que poderiam beneficiar de uma reforma do comércio mundial.” Disse Michael Bailey, da Oxfam. “Desde o colapso das negociações em Cancun, os países em desenvolvimento demonstraram a sua vontade em voltar à mesa das negociações. É a teimosia dos países ricos que impede a retoma do diálogo.(...)”. Castillo (OMC) deixou entretanto algumas pistas para a retoma das negociações:
1 – Algodão: o presidente da OMC disse que “as negociações multilaterais necessitam de tempo”, mas para os 10 milhões de agricultores africanos dependentes do algodão, cujas vidas estão a ser destruídas pelos subsídios dos EUA, o tempo está a esgotar-se rapidamente.
2 – Agricultura: Castillo (OMC) pediu aos membros da OMC para “eliminar todas as formas de apoios à exportação” (que causa o “dumping” das exportações), afirmando que este é um tema chave para o sucesso das negociações. Pediu que fosse fixada uma data para fasear o fim destes subsídios. Com ¾ dos pobres do mundo a depender da agricultura, essa reforma levada a cabo pela Europa e pelos Estados Unidos é essencial para a redução da pobreza mundial.
3 – Temas de Singapura: dia 15, 44 países em vias de desenvolvimento, representando mais de metade da população mundial reiterou a sua oposição à negociação dos temas de Singapura. A insistência da Europa nos temas de Singapura levou ao falhanço de Cancun e está a ter o mesmo efeito em Genebra.
Michael Bailey: “É absurdo que uma mão cheia de produtores e a agro-industria nos países ricos possa ter as negociações da OMC como refém. A Europa e os Estados Unidos têm que ver um pouco mais longe que os seus interesses comerciais a curto prazo e reconhecer que o crescimento nos países em desenvolvimento é essencial para as prosperidade e segurança de todo o mundo”
Traduzido da página do comércio justo
O fundamentalismo chiraquiano
Chirac resolveu acabar com qualquer manifestação exterior religiosa ou política; cruzes, véus, T-shirts do Che são alguns exemplos adiantados pela jornalista da Antena1. Para ser realmente coerente, deverá se interdito qualquer tipo de alusão a qualquer partido político, como autocolantes partidários, T-shirts partidárias, pins, eliminar todas as rosas como manifesto símbolo do socialismo, mesmo as naturais, foices e martelos então, nem uma pontinha de fora, cobrir convenientemente os sinais religiosos exteriores como os campanários das Igrejas, os píncaros das mesquitas (com o provocador quarto de lua), as cruzes dos pelourinhos, mosteiros, hospitais, seminários; mesmo as catedrais em forma de cruz, passarão a ter uns acrescentos para ficarem rectangulares. A cruz vermelha e o crescente vermelho passarão a ser inocentes círculos redondos, de preferência de outra cor, lá mais para o cinzento...
Eu iria um pouco mais longe, e por isso proponho a eliminação de todos os sinais exteriores de filiação clubista, como as T-shirts com o número 7 a dizer “Figo” e 10 a dizer “Deco”; dragões, leões, águias, galgos e outros animais emblemáticos, deverão ser rapidamente extintos (nos casos de ainda existirem entre nós), para não acalentarem paixões futebolísticas.
Por solidariedade com Chirac, visivelmente incompreendido pelos seus congéneres, vou já para casa queimar as minhas T-shirts com o busto do Durão (meia dúzia) e do Santana Lopes (dúzia e meia, com cores garridas).
Eu iria um pouco mais longe, e por isso proponho a eliminação de todos os sinais exteriores de filiação clubista, como as T-shirts com o número 7 a dizer “Figo” e 10 a dizer “Deco”; dragões, leões, águias, galgos e outros animais emblemáticos, deverão ser rapidamente extintos (nos casos de ainda existirem entre nós), para não acalentarem paixões futebolísticas.
Por solidariedade com Chirac, visivelmente incompreendido pelos seus congéneres, vou já para casa queimar as minhas T-shirts com o busto do Durão (meia dúzia) e do Santana Lopes (dúzia e meia, com cores garridas).
A Importância de uma Boa Ética Empresarial
Para um diletante, abordar um assunto desta natureza é tarefa arriscada. Todavia, sendo inegável o impacto negativo e as consequências nefastas que uma gestão pouco responsável das empresas pode trazer para as sociedades onde estão inseridas, vale a pena fazer um esforço. Limitar-me-ei a dar relevo a certos aspectos que não têm tido a merecida e devida cobertura mediática no nosso País, mas que, na minha óptica, estão também na base do nosso atraso. Aos mais abalizados o trabalho ingrato de completar e desenvolver o esboço.
A gestão de uma empresa implica responsabilidades económicas, sociais, éticas, ambientais e até mesmo culturais, normalmente reguladas por lei. Nada mais natural que o lucro seja o objectivo principal de qualquer empresa. O que me parece ser altamente condenável é a apetência reinante do lucro rápido e fácil. (Desnecessário será dizer que existem excepções. Não esqueçamos, porém, que são as excepções que fazem as regras...) Uma boa ética empresarial imporia o reinvestimento imediato de uma alta percentagem dos lucros no desenvolvimento técnico, no ambiente de trabalho e nos recursos humanos da empresa. (Nesta área, o Estado devia ter uma função reguladora, concedendo isenção tributária aos lucros reinvestidos, mas sujeitando os não reinvestidos a pesados impostos.) Não é difícil antever os benefícios sociais e as vantagens para o desenvolvimento económico do país que adviriam destas ou de outras medidas semelhantes.
Mas para além destes aspectos, urge ventilar outros, tão ou ainda mais importantes. Um deles, raramente debatido, é a responsabilidade do patrão no que concerne à saúde física e mental dos seus empregados. Neste campo, resta ainda muito por fazer. A sociedade moderna, o mundo dos negócios em particular, exige do Homem prestações cada vez mais especializadas, mais eficazes e mais céleres. O trabalhador é forçado a desenvolver novas aptidões, a adaptar-se rapidamente a novas condições de trabalho, a enfrentar e superar incertezas no emprego, a ocupar-se, a envolver-se e a adquirir conhecimentos em serviços de informação e técnicas de comunicação. O espírito competitivo é omnipresente, a pressão constante. Porém, o avanço técnico não se faz em harmonia com a constituição física e mental do ser humano nem se compadece com o envelhecimento da população activa. Uma vez reconhecido este facto e tendo em conta o gigantesco peso orçamental da Saúde, devia estar no interesse de todo o Governo consciente procurar tomar providências para minimizar e mitigar os efeitos negativos deste avanço inevitável e irreversível. Compete, pois, aos Governos implementar medidas preventivas e agir junto dos outros patrões para que estes assumam a responsabilidade que lhes cabe, e lhes deveria até ser imposta. O Governo não é apenas o supremo poder político. É também a maior entidade patronal. Que nos dirijamos primeiro ao Governo exigindo o bom exemplo, está na ordem natural das coisas e não espanta certamente ninguém...
Um outro aspecto, que parece ser “vaca sagrada”, é o ordenado dos directores, subdirectores e outros chefes. Num país em contenção, com um nível de vida claramente inferior à maior parte dos países da UE actual, como se explicam e como podem ser moralmente defensáveis ordenados entre vinte mil e cinquenta mil euros mensais? (Dizem que até há quem ganhe mais.) Para não falar nos bónus e outras vantagens económicas, que incentivam a caça ao lucro rápido e fácil, em detrimento do desenvolvimento sustentável e do investimento a longo prazo. Onde está a moral e a responsabilidade social dos empresários? É óbvio que, existindo uma boa ética empresarial, este descalabro não teria lugar. A hora chegou de debater publicamente a qualidade moral dos empresários, de chamar à ordem os dirigentes sindicais e de consciencializar o cidadão.
Feliz Natal!
Asdrúbal Vieira
12/17/03
A gestão de uma empresa implica responsabilidades económicas, sociais, éticas, ambientais e até mesmo culturais, normalmente reguladas por lei. Nada mais natural que o lucro seja o objectivo principal de qualquer empresa. O que me parece ser altamente condenável é a apetência reinante do lucro rápido e fácil. (Desnecessário será dizer que existem excepções. Não esqueçamos, porém, que são as excepções que fazem as regras...) Uma boa ética empresarial imporia o reinvestimento imediato de uma alta percentagem dos lucros no desenvolvimento técnico, no ambiente de trabalho e nos recursos humanos da empresa. (Nesta área, o Estado devia ter uma função reguladora, concedendo isenção tributária aos lucros reinvestidos, mas sujeitando os não reinvestidos a pesados impostos.) Não é difícil antever os benefícios sociais e as vantagens para o desenvolvimento económico do país que adviriam destas ou de outras medidas semelhantes.
Mas para além destes aspectos, urge ventilar outros, tão ou ainda mais importantes. Um deles, raramente debatido, é a responsabilidade do patrão no que concerne à saúde física e mental dos seus empregados. Neste campo, resta ainda muito por fazer. A sociedade moderna, o mundo dos negócios em particular, exige do Homem prestações cada vez mais especializadas, mais eficazes e mais céleres. O trabalhador é forçado a desenvolver novas aptidões, a adaptar-se rapidamente a novas condições de trabalho, a enfrentar e superar incertezas no emprego, a ocupar-se, a envolver-se e a adquirir conhecimentos em serviços de informação e técnicas de comunicação. O espírito competitivo é omnipresente, a pressão constante. Porém, o avanço técnico não se faz em harmonia com a constituição física e mental do ser humano nem se compadece com o envelhecimento da população activa. Uma vez reconhecido este facto e tendo em conta o gigantesco peso orçamental da Saúde, devia estar no interesse de todo o Governo consciente procurar tomar providências para minimizar e mitigar os efeitos negativos deste avanço inevitável e irreversível. Compete, pois, aos Governos implementar medidas preventivas e agir junto dos outros patrões para que estes assumam a responsabilidade que lhes cabe, e lhes deveria até ser imposta. O Governo não é apenas o supremo poder político. É também a maior entidade patronal. Que nos dirijamos primeiro ao Governo exigindo o bom exemplo, está na ordem natural das coisas e não espanta certamente ninguém...
Um outro aspecto, que parece ser “vaca sagrada”, é o ordenado dos directores, subdirectores e outros chefes. Num país em contenção, com um nível de vida claramente inferior à maior parte dos países da UE actual, como se explicam e como podem ser moralmente defensáveis ordenados entre vinte mil e cinquenta mil euros mensais? (Dizem que até há quem ganhe mais.) Para não falar nos bónus e outras vantagens económicas, que incentivam a caça ao lucro rápido e fácil, em detrimento do desenvolvimento sustentável e do investimento a longo prazo. Onde está a moral e a responsabilidade social dos empresários? É óbvio que, existindo uma boa ética empresarial, este descalabro não teria lugar. A hora chegou de debater publicamente a qualidade moral dos empresários, de chamar à ordem os dirigentes sindicais e de consciencializar o cidadão.
Feliz Natal!
Asdrúbal Vieira
12/17/03
Ser ou não ser ditador
Ontem no Publico, Paulo Portas comparou Saddam a dois terríveis ditadores: Stalin e Hitler. Convenientemente, esqueceu-se do General Pinochet, do Genaralíssimo Franco e do nosso Oliveirinha. Está bem que as suas vítimas não se contaram aos milhões, mas lá que foram ditadores, lá isso foram. Ser ditador é um atributo qualitativo, não quantitativo: ou se é, ou não se é.
Terça-feira, Dezembro 16, 2003
Mudança de comentários
Fartinho até à medula de ter problemas todos os dias com o enetation, mudei para o Halloscan, inspirado pelos bons resutados do Goblindegook. Os comentários já feitos ficaram no enetation, pelo que não estão realmente perdidos.... estão mais ausentes. Mas se alguém quiser recuperar um comentário, basta dizer que é sempre possível ir buscá-lo ao baú do enetation. Digam de vossa justiça....
O pragmatismo das coisas
Sobre o aborto
Já aqui escrevi sobre os argumentos dos "pró vida" pelo que não vale pena voltar a falar nisso.
O principal problema da lei que criminaliza o aborto é que na prática só piora as coisas.
Só no Hospital de Vila Franca, mais de 12 mulheres (!) chegam às urgências diariamente porque abortaram ilegalmente . As consequências desta realidade são terríveis:
1 - Quando induzem o aborto, não o fazem correctamente e não são assistidas pelo que muitas vezes a coisa complica-se e têm de ir de urgência para o hospital.
2 - Estas mulheres são sujeitas a uma intervenção de urgência (sem anestesia) em muito piores condições do que aquelas que teriam num aborto assistido desde o início.
3 - Os médicos obstretas são canalizados para estas urgências, pelo que o serviço de partos dos hospitais baixa de qualidade.
4 - O estado gasta muito mais dinheiro, já que o número de urgências tendo como causa complicações de abortos provocados é astronómico.
Resumindo, continuam a fazer-se abortos, mas em condições muito piores, os hospitais baixam a qualidade dos seus serviços e o Estado gasta mais dinheiro. Afinal, o que é que ganhamos com esta lei?
PS - No essencial estou de acordo com o Pedro Caeiro do Mar Salgado; o outro post foi só para lembrar um facto completamente esquecido...
Já aqui escrevi sobre os argumentos dos "pró vida" pelo que não vale pena voltar a falar nisso.
O principal problema da lei que criminaliza o aborto é que na prática só piora as coisas.
Só no Hospital de Vila Franca, mais de 12 mulheres (!) chegam às urgências diariamente porque abortaram ilegalmente . As consequências desta realidade são terríveis:
1 - Quando induzem o aborto, não o fazem correctamente e não são assistidas pelo que muitas vezes a coisa complica-se e têm de ir de urgência para o hospital.
2 - Estas mulheres são sujeitas a uma intervenção de urgência (sem anestesia) em muito piores condições do que aquelas que teriam num aborto assistido desde o início.
3 - Os médicos obstretas são canalizados para estas urgências, pelo que o serviço de partos dos hospitais baixa de qualidade.
4 - O estado gasta muito mais dinheiro, já que o número de urgências tendo como causa complicações de abortos provocados é astronómico.
Resumindo, continuam a fazer-se abortos, mas em condições muito piores, os hospitais baixam a qualidade dos seus serviços e o Estado gasta mais dinheiro. Afinal, o que é que ganhamos com esta lei?
PS - No essencial estou de acordo com o Pedro Caeiro do Mar Salgado; o outro post foi só para lembrar um facto completamente esquecido...
Aborto - o crime está na lei
Recomeçou hoje, em Aveiro, o julgamento de sete mulheres acusadas da prática de aborto, mais os respectivos maridos ou companheiros. Longe vão os tempos do sorriso seráfico de Bagão Félix, em nome dos movimentos do NÃO, garantindo que nenhuma mulher se sentaria no banco dos réus por ter praticado um aborto, a lei era apenas um condicionante moral… Está à vista, em Aveiro como na Maia - onde, apesar de não terem sido condenadas, mais de uma dezena de mulheres viram a sua vida devassada e foram acusadas pelo supremo crime de terem recorrido ao aborto clandestino, em último recurso – já que uma lei retrógrada as impediu de recorrer a uma instituição pública de saúde e não tinham dinheiro para ‘ir às compras’ a Londres… nem sequer a Vigo ou Badajoz.
Em desespero de causa, perante todas as sondagens que davam vitória clara ao SIM, os chamados movimentos ‘pró-vida’ prometeram apoiar todas as mulheres vítimas de gravidez indesejada e, num assomo de ousadia, defenderam campanhas de planeamento familiar que prevenissem esse tipo de acidentes – como se fosse possível tapara o sol com uma peneira… O resultado é conhecido: 70% dos eleitores ficaram em casa ou preferiram a praia, fruto da chantagem moral e religiosa ou da confiança nas sondagens. Passados cinco anos, Bagão Félix é ministro do Trabalho e da Segurança Social mas as jovens e menos jovens que contraem gravidez indesejada, seja fruto de violação ou de outras causas, continuam entregues a si mesmas, na mais angustiante das solidões.
A actual lei fecha-lhes praticamente todas as portas: basta dizer que na Maternidade Alfredo da Costa, o principal estabelecimento de saúde materna do país, se fizeram apenas 72 IVG em 2001 - uma diminuição face às 107 efectuadas em 1999 - em grande parte relacionados com malformações do feto, o que exclui à partida a esmagadora maioria dos milhares de abortos praticados anualmente em Portugal. E a lei amarra-se a si própria, pela ausência de alternativas à “objecção de consciência” de médicos e outros profissionais – nalguns casos, apenas um expediente interesseiro para quem tem interesses no negócio chorudo do aborto clandestino; na mira do lucro fácil, derretem-se todos os pruridos e dores de consciência…
Hoje, os impropriamente chamados movimentos ‘pró-vida’ deixaram cair a máscara humanista. José Pedro Ramos Ascensão, presidente da associação ‘Mais Família’ declarou sem corar que “a primeira grande agressão à sexualidade humana e o início da sua fragmentação é a contracepção”. Um congresso que decorreu na Universidade Católica condenou aquilo a que chama “uma situação de sexo sem amor, amor sem filhos, filhos sem sexo, com todas as terríveis consequências ao nível da estruturação básica destas mesmas sociedades: filhos sem pais, pais divorciados, a multiplicação de uniões precárias, instáveis e não-duradouras, entre outras”.
Não pode haver manifesto mais claro de fundamentalismo religioso e de chantagem moral que nada fica a deve aos “ayattollahs” – sem esquecer que nos próprios EUA, Bush e os grupos fanáticos protestantes conduzem uma campanha com o objectivo de criminalizar o aborto, em Estados onde a sua prática é legal há décadas. Em contraste com estas atitudes, em Portugal começam a surgir no seio da igreja católica vozes desalinhadas com a intolerância do Vaticano – é o caso das recentes declarações dos Bispos do Porto e de Lamego contra a penalização das mulheres.
O problema, porém, persiste com a actual lei. E não se pode pedir aos tribunais, juízes e delegados do ministério público que finjam que a lei não existe ou que absolvam as rés e os réus como um padre absolve o pecador na confissão… Desde logo porque essas mulheres e esses homens não cometeram qualquer crime: o crime está nesta lei retrógrada que, mais uma vez, envergonha Portugal na Europa. É que hoje até os defensores desta lei se mostram envergonhados e não deixa de ser curioso ouvir os porta-vozes do PSD e CDS-PP declarar que nunca defenderam a condenação das mulheres. Mas o cúmulo é a proposta do PSD: o aborto passaria de crime a contra-ordenação, punível com multa – será uma nova forma de combater o défice?
Perante tanta hipocrisia sacrista e já que não pude ir a Aveiro, só encontro uma forma de manifestar a minha solidariedade e revolta: dar ainda mais força à recolha das 75 mil assinaturas da petição para um novo referendo, que ponha fim à vergonha do aborto clandestino em Portugal.
Alberto Matos - Crónica semanal na Rádio Pax – Beja - 16/12/2003
Em desespero de causa, perante todas as sondagens que davam vitória clara ao SIM, os chamados movimentos ‘pró-vida’ prometeram apoiar todas as mulheres vítimas de gravidez indesejada e, num assomo de ousadia, defenderam campanhas de planeamento familiar que prevenissem esse tipo de acidentes – como se fosse possível tapara o sol com uma peneira… O resultado é conhecido: 70% dos eleitores ficaram em casa ou preferiram a praia, fruto da chantagem moral e religiosa ou da confiança nas sondagens. Passados cinco anos, Bagão Félix é ministro do Trabalho e da Segurança Social mas as jovens e menos jovens que contraem gravidez indesejada, seja fruto de violação ou de outras causas, continuam entregues a si mesmas, na mais angustiante das solidões.
A actual lei fecha-lhes praticamente todas as portas: basta dizer que na Maternidade Alfredo da Costa, o principal estabelecimento de saúde materna do país, se fizeram apenas 72 IVG em 2001 - uma diminuição face às 107 efectuadas em 1999 - em grande parte relacionados com malformações do feto, o que exclui à partida a esmagadora maioria dos milhares de abortos praticados anualmente em Portugal. E a lei amarra-se a si própria, pela ausência de alternativas à “objecção de consciência” de médicos e outros profissionais – nalguns casos, apenas um expediente interesseiro para quem tem interesses no negócio chorudo do aborto clandestino; na mira do lucro fácil, derretem-se todos os pruridos e dores de consciência…
Hoje, os impropriamente chamados movimentos ‘pró-vida’ deixaram cair a máscara humanista. José Pedro Ramos Ascensão, presidente da associação ‘Mais Família’ declarou sem corar que “a primeira grande agressão à sexualidade humana e o início da sua fragmentação é a contracepção”. Um congresso que decorreu na Universidade Católica condenou aquilo a que chama “uma situação de sexo sem amor, amor sem filhos, filhos sem sexo, com todas as terríveis consequências ao nível da estruturação básica destas mesmas sociedades: filhos sem pais, pais divorciados, a multiplicação de uniões precárias, instáveis e não-duradouras, entre outras”.
Não pode haver manifesto mais claro de fundamentalismo religioso e de chantagem moral que nada fica a deve aos “ayattollahs” – sem esquecer que nos próprios EUA, Bush e os grupos fanáticos protestantes conduzem uma campanha com o objectivo de criminalizar o aborto, em Estados onde a sua prática é legal há décadas. Em contraste com estas atitudes, em Portugal começam a surgir no seio da igreja católica vozes desalinhadas com a intolerância do Vaticano – é o caso das recentes declarações dos Bispos do Porto e de Lamego contra a penalização das mulheres.
O problema, porém, persiste com a actual lei. E não se pode pedir aos tribunais, juízes e delegados do ministério público que finjam que a lei não existe ou que absolvam as rés e os réus como um padre absolve o pecador na confissão… Desde logo porque essas mulheres e esses homens não cometeram qualquer crime: o crime está nesta lei retrógrada que, mais uma vez, envergonha Portugal na Europa. É que hoje até os defensores desta lei se mostram envergonhados e não deixa de ser curioso ouvir os porta-vozes do PSD e CDS-PP declarar que nunca defenderam a condenação das mulheres. Mas o cúmulo é a proposta do PSD: o aborto passaria de crime a contra-ordenação, punível com multa – será uma nova forma de combater o défice?
Perante tanta hipocrisia sacrista e já que não pude ir a Aveiro, só encontro uma forma de manifestar a minha solidariedade e revolta: dar ainda mais força à recolha das 75 mil assinaturas da petição para um novo referendo, que ponha fim à vergonha do aborto clandestino em Portugal.
Alberto Matos - Crónica semanal na Rádio Pax – Beja - 16/12/2003
A contrapartida Portuguesa
Através de Fontes fidedignas, soubemos que uma das contrapartidas à indispensável ajuda Portuguesa nesta guerra é o fabrico pela administração Bush (secção de efeitos especiais) de um bacalhau com couves em plástico; Durão planifica uma visita surpresa aos militares Portugueses no Iraque, e já se sabe da dificuldade em encontrar bacalhau graúdo decente por aquelas paragens. Com este novo acessório, os assessores de imagem do nosso primeiro estão contentíssimos, convencidos de que Durão fará um figurão, com o seu bacalhau com couves debaixo do braço, a surpreender o contingente Português no dia da consoada.
Apesar de já estar em fase terminal, a SEEDANA (secção de efeitos especiais da administração Norte Americana) está com algumas dificuldades, já que este prato aparentemente simples tem o hábito de chegar fumegante à mesa, pelo que a SEEDANA está a trabalhar afincadamente para miniaturar as tradicionais máquinas de fumo e incorporá-las no dito simulacro de bacalhau. Sabe-se ainda de divergências crescentes entre a Administração Bush e o Governo de Durão, já que a primeira insiste que o brilho do azeite seja incorporado no modelo, para encher mais a vista, enquanto que os seus congéneres Portugueses insistem que o azeite só se adiciona no último momento, já no prato, não tendo sentido nenhum que este esteja presente na travessa...
Paulo Portas já afirmou que quer contratar para seus assessores pessoais alguns membros da SEEDANA, para produzirem versões perfumadas e higiénicas daqueles peixes mal-cheirosos que por vezes tem que gramar nas feiras. Existe também a possibilidade de fabricar peixeiras de plástico e mesmo bébés de plástico. Na próxima campanha pelas feiras de Portugal, o Paulinho pode gravar tudo confortavelmente num estúdio, com um resultado incrivelmente real e sem os incómodos, cheiros, vozes estridentes e desconforto da dura realidade do Povo Português.
Apesar de já estar em fase terminal, a SEEDANA (secção de efeitos especiais da administração Norte Americana) está com algumas dificuldades, já que este prato aparentemente simples tem o hábito de chegar fumegante à mesa, pelo que a SEEDANA está a trabalhar afincadamente para miniaturar as tradicionais máquinas de fumo e incorporá-las no dito simulacro de bacalhau. Sabe-se ainda de divergências crescentes entre a Administração Bush e o Governo de Durão, já que a primeira insiste que o brilho do azeite seja incorporado no modelo, para encher mais a vista, enquanto que os seus congéneres Portugueses insistem que o azeite só se adiciona no último momento, já no prato, não tendo sentido nenhum que este esteja presente na travessa...
Paulo Portas já afirmou que quer contratar para seus assessores pessoais alguns membros da SEEDANA, para produzirem versões perfumadas e higiénicas daqueles peixes mal-cheirosos que por vezes tem que gramar nas feiras. Existe também a possibilidade de fabricar peixeiras de plástico e mesmo bébés de plástico. Na próxima campanha pelas feiras de Portugal, o Paulinho pode gravar tudo confortavelmente num estúdio, com um resultado incrivelmente real e sem os incómodos, cheiros, vozes estridentes e desconforto da dura realidade do Povo Português.
Segunda-feira, Dezembro 15, 2003
Mais do mesmo
Outros blogs, a propósito da captura de Saddam:
O Anti blog tem esta tirada deliciosa:
E por último, "we got him!" é uma frase infeliz em vários aspectos. A tradução contextualizada para português seria "Apanhámos o gajo!", mas na realidade apanharam outro "gajo", porque o "gajo" que queriam apanhar realmente, o "gajo" que aparece em todos os pesadelos desta administração, o "gajo" que os "lixou" com F grande, esse não o apanharam.
Deviam mostrar alguma humildade, deveriam ter dito "Ainda não apanhámos o gajo, mas ao Saddam já o agarrámos", ou "Hoje apanhámos o Saddam, quem sabe se amanhã não apanhamos o gajo" ou ainda "gajo, se estás a ouvir isto, hoje foi o Saddam a seguir és tu!".
O João Seabra diz:
E não é que o Saddam se preparava para fazer o ataque final ?!?
Estava a deixar crescer a barba, para no dia 24 de Dezembro vestido de Pai Natal, nos deixar no sapatinho o que restava das armas de ilusão massiva.
E o Projecto remata, referindo o principal problema da captura:
Pois é. Prenderam o homem. Não se fala noutra coisa. Mas a verdadeira questão parece que está a escapar. Para os mais atentos disse-se que Saddam foi encontrado num buraco a cinco metros de profundidade, escuro e sombrio. Ora é óbvio que estamos perante uma falta de condições gritante na habitação do Iraque. A ordem dos arquitectos já se pronunciou? O buraco tinha ventilação? Luz natural? Um bom isolamento térmico? Era esteticamente agradével?
Isto sim, meus amigos, é violência. Se nem um ex-ditador-sanguinário tem direito ao seu abrigo legal e normalizado, então o que poderemos esperar? Queremos ou não um Iraque moderno e dinâmico? E aqui sim tocamos no ponto fulcral: quem desenhou aquele buraco? Decerto não foi um arquitecto. Só pode ter sido um engenheiro sem a formação adequada.
Lá está, mais uma irrefutável prova de que qualquer semelhança entre o que se passa nos blogs e os Media tradicionais é pura coincidência....
O Anti blog tem esta tirada deliciosa:
E por último, "we got him!" é uma frase infeliz em vários aspectos. A tradução contextualizada para português seria "Apanhámos o gajo!", mas na realidade apanharam outro "gajo", porque o "gajo" que queriam apanhar realmente, o "gajo" que aparece em todos os pesadelos desta administração, o "gajo" que os "lixou" com F grande, esse não o apanharam.
Deviam mostrar alguma humildade, deveriam ter dito "Ainda não apanhámos o gajo, mas ao Saddam já o agarrámos", ou "Hoje apanhámos o Saddam, quem sabe se amanhã não apanhamos o gajo" ou ainda "gajo, se estás a ouvir isto, hoje foi o Saddam a seguir és tu!".
O João Seabra diz:
E não é que o Saddam se preparava para fazer o ataque final ?!?
Estava a deixar crescer a barba, para no dia 24 de Dezembro vestido de Pai Natal, nos deixar no sapatinho o que restava das armas de ilusão massiva.
E o Projecto remata, referindo o principal problema da captura:
Pois é. Prenderam o homem. Não se fala noutra coisa. Mas a verdadeira questão parece que está a escapar. Para os mais atentos disse-se que Saddam foi encontrado num buraco a cinco metros de profundidade, escuro e sombrio. Ora é óbvio que estamos perante uma falta de condições gritante na habitação do Iraque. A ordem dos arquitectos já se pronunciou? O buraco tinha ventilação? Luz natural? Um bom isolamento térmico? Era esteticamente agradével?
Isto sim, meus amigos, é violência. Se nem um ex-ditador-sanguinário tem direito ao seu abrigo legal e normalizado, então o que poderemos esperar? Queremos ou não um Iraque moderno e dinâmico? E aqui sim tocamos no ponto fulcral: quem desenhou aquele buraco? Decerto não foi um arquitecto. Só pode ter sido um engenheiro sem a formação adequada.
Lá está, mais uma irrefutável prova de que qualquer semelhança entre o que se passa nos blogs e os Media tradicionais é pura coincidência....
Esquecimentos II
O Anti blog, a propósito do camarada Pai Natal e do Natal, ajuda a lembrar umas verdades:
Quando eu era miúdo púnhamos armadilhas para coelhos na pedra da lareira para apanhar o pai-natal quando este viesse a descer pela chaminé. Queríamos dar cabo do canastro ao velhote porque, na nossa óptica, o gajo andava armado em Menino Jesus.
Quantos ignoram o facto de que este patifório de barbas brancas foi inventado pela ... Coca-Cola em 1931 para vender mais refrigerantes durante os meses frios de Inverno???
A completar este quadro já de si desastroso junta-se o facto do São Nicolau ser muito provavelmente o resultado de uma alucinação de um Shaman, depois de beber urina de rena (que por sua vez tinham ingerido quantidades astronómicas de Amanita muscaria, com propriedades alucinogénicas potentíssimas), num cerimonial de celebração da unidade dos Lapões com os animais que adoram e veneram (as mesmas renas).
Dada a potência da droga em questão (há relatos de pessoas que estiveram mais de 4 dias fora de combate a alucinar furiosamente), o feiticeiro lapão veria facilmente renas a voar, velhinhos de barbas brancas a acelerar em voos razantes e mesmo uma rena chamada rudolfo a brilhar do nariz. A indumentária catita foi depois inventada pela dita Coca-cola; acho que o Shaman Lapão não tinhas estudos suficientes para alucinar uma campanha publicitária de tal envergadura...
Quando eu era miúdo púnhamos armadilhas para coelhos na pedra da lareira para apanhar o pai-natal quando este viesse a descer pela chaminé. Queríamos dar cabo do canastro ao velhote porque, na nossa óptica, o gajo andava armado em Menino Jesus.
Quantos ignoram o facto de que este patifório de barbas brancas foi inventado pela ... Coca-Cola em 1931 para vender mais refrigerantes durante os meses frios de Inverno???
A completar este quadro já de si desastroso junta-se o facto do São Nicolau ser muito provavelmente o resultado de uma alucinação de um Shaman, depois de beber urina de rena (que por sua vez tinham ingerido quantidades astronómicas de Amanita muscaria, com propriedades alucinogénicas potentíssimas), num cerimonial de celebração da unidade dos Lapões com os animais que adoram e veneram (as mesmas renas).
Dada a potência da droga em questão (há relatos de pessoas que estiveram mais de 4 dias fora de combate a alucinar furiosamente), o feiticeiro lapão veria facilmente renas a voar, velhinhos de barbas brancas a acelerar em voos razantes e mesmo uma rena chamada rudolfo a brilhar do nariz. A indumentária catita foi depois inventada pela dita Coca-cola; acho que o Shaman Lapão não tinhas estudos suficientes para alucinar uma campanha publicitária de tal envergadura...
Esquecimentos...
Enquanto era amavelmente escovado e penteado pelos artistas americanos, Saddam fez uma lista dos trabalhos feitos para os seus ex-aliados na administração Carter, Reagan e Bush (pai), trabalhos pelos quais requereu o pagamento dos salários em atraso:
1979: Chega ao poder, com o olhar aprovador do seu novo amigo Americano; na guerra fria transferiu a sua lealdade do lado Russo para o lado Americano.
1980: Invade o Irão (nessa altura era o país com o título incontestado de “eixo do mal”), com o encorajamento e as armas dos Estados Unidos.
1982: Reagan retira o regime de Saddam da lista americana daqueles que financiavam o terrorismo.
1983: Saddam recebe Donald Rumsfeld em Bagdad. Concorda com uma “relação séria e duradoura” com as empresas americanas.
1984: O departamento Americano do Comércio autoriza a exportação de aflotoxinas utilizadas no fabrico de armas biológicas pelo Iraque.
1988: Gazeamento dos Curdos em Halabia, Iraque.
1987-88: Barcos de guerra Americanos destroem plataformas petrolíferas Iranianas no Golfo Pérsico e quebram o bloqueio naval Iraniano ao Iraque, permitindo ao Iraque ficar em vantagem frente ao seu vizinho.
Hoje em Bagdad, o substituto de Saddam, Paul Bremer, aparentou ter conhecimento do trabalho do seu predecessor para os Estados Unidos quando disse aos Iraquianos:
Durante décadas, vocês sofreram às mãos deste homem cruel. Durante décadas, Saddam Hussein dividi-os e ameaçou atacar os vossos vizinhos.
É que durante décadas, todos esses horrores, ameaças e mortandades foram financiadas pelos EUA. Tantos anos na folha de pagamentos dos EUA, tanto trabalho bem feito, e nem uma palavrinha de agradecimento, nada, nem sequer uma t-shirt com uma graçola escrita, népias...
Adaptado criativamente daqui
1979: Chega ao poder, com o olhar aprovador do seu novo amigo Americano; na guerra fria transferiu a sua lealdade do lado Russo para o lado Americano.
1980: Invade o Irão (nessa altura era o país com o título incontestado de “eixo do mal”), com o encorajamento e as armas dos Estados Unidos.
1982: Reagan retira o regime de Saddam da lista americana daqueles que financiavam o terrorismo.
1983: Saddam recebe Donald Rumsfeld em Bagdad. Concorda com uma “relação séria e duradoura” com as empresas americanas.
1984: O departamento Americano do Comércio autoriza a exportação de aflotoxinas utilizadas no fabrico de armas biológicas pelo Iraque.
1988: Gazeamento dos Curdos em Halabia, Iraque.
1987-88: Barcos de guerra Americanos destroem plataformas petrolíferas Iranianas no Golfo Pérsico e quebram o bloqueio naval Iraniano ao Iraque, permitindo ao Iraque ficar em vantagem frente ao seu vizinho.
Hoje em Bagdad, o substituto de Saddam, Paul Bremer, aparentou ter conhecimento do trabalho do seu predecessor para os Estados Unidos quando disse aos Iraquianos:
Durante décadas, vocês sofreram às mãos deste homem cruel. Durante décadas, Saddam Hussein dividi-os e ameaçou atacar os vossos vizinhos.
É que durante décadas, todos esses horrores, ameaças e mortandades foram financiadas pelos EUA. Tantos anos na folha de pagamentos dos EUA, tanto trabalho bem feito, e nem uma palavrinha de agradecimento, nada, nem sequer uma t-shirt com uma graçola escrita, népias...
Adaptado criativamente daqui
Saddam II
É claro que me alegro com a captura de Saddam; apesar de José Lamego afirmar que a euforia das ruas contrastar com a moderação da administração Americana, a verdade foi ligeiramente diferente. A comunicação sumária de Paul Bremer foi ligeiramente eufórica, com um misto de gritos de júbilo e lágrimas (de euforia?) a explodir depois do "Já o apanhamos". Fez-me lembrar o José Mourinho quando conquistou a taça UEFA......
Blair invocou as 400 000 vítimas de Saddam (nas sua maioria mortas quando Saddam ainda era apoiado pelos EUA e pela Inglaterra)....
Aznar falou de um regime que enganou sistematicamente as Nações Unidas (que apesar de ser verdade no passado, no caso do pretexto desta guerra, até ver, o homem não mentiu e não tinha armas nenhumas maléficas).
Berlusconi foi mais longe, e afirmou que Saddam é a arma de destruição maciça. Portanto, estamos já todos muito mais descansados, a coisa justificou-se, capturamos o homem, podemos ir todos às nossa vidinhas.
Ângelo correia manifesta a sua alegria de ver um ditador ser levado à justiça: que seja um exemplo para todos os ditadores deste mundo (não podia estar mais de acordo; aproveitem o embalo e julguem também o Pinochet: de certeza que é mais fácil encontrá-lo - o homem tem horror a buracos escuros e húmidos).
Apesar das demagogias, manipulações e branqueamento da história, a captura de Saddam é uma notícia excelente . O Homem merece ser julgado e condenado pelos crimes e atrocidades que cometeu. O ideal seria que apanhassem também o Bin Laden. É que o Bush precisa de inimigos como de pão para a boca: o desaparecimento dos seus inimigos deixaria de dar pretextos à administração Bush de andar pelo mundo aos tiros, como se estivessem ainda no velho Oeste.
O terrorismo e o belicismo Americano são as duas faces da mesma moeda; detesto em partes iguais um e outro. As duas bestas alimentam-se uma à outra, e no frenesim deste festim alarve, vitimam milhares de inocentes, arrasam países, destroem esperanças, desencadeiam ódios, vinganças e atropelos constantes aos direitos humanos. Eu continuo a acreditar que um outro mundo é possível!
Blair invocou as 400 000 vítimas de Saddam (nas sua maioria mortas quando Saddam ainda era apoiado pelos EUA e pela Inglaterra)....
Aznar falou de um regime que enganou sistematicamente as Nações Unidas (que apesar de ser verdade no passado, no caso do pretexto desta guerra, até ver, o homem não mentiu e não tinha armas nenhumas maléficas).
Berlusconi foi mais longe, e afirmou que Saddam é a arma de destruição maciça. Portanto, estamos já todos muito mais descansados, a coisa justificou-se, capturamos o homem, podemos ir todos às nossa vidinhas.
Ângelo correia manifesta a sua alegria de ver um ditador ser levado à justiça: que seja um exemplo para todos os ditadores deste mundo (não podia estar mais de acordo; aproveitem o embalo e julguem também o Pinochet: de certeza que é mais fácil encontrá-lo - o homem tem horror a buracos escuros e húmidos).
Apesar das demagogias, manipulações e branqueamento da história, a captura de Saddam é uma notícia excelente . O Homem merece ser julgado e condenado pelos crimes e atrocidades que cometeu. O ideal seria que apanhassem também o Bin Laden. É que o Bush precisa de inimigos como de pão para a boca: o desaparecimento dos seus inimigos deixaria de dar pretextos à administração Bush de andar pelo mundo aos tiros, como se estivessem ainda no velho Oeste.
O terrorismo e o belicismo Americano são as duas faces da mesma moeda; detesto em partes iguais um e outro. As duas bestas alimentam-se uma à outra, e no frenesim deste festim alarve, vitimam milhares de inocentes, arrasam países, destroem esperanças, desencadeiam ódios, vinganças e atropelos constantes aos direitos humanos. Eu continuo a acreditar que um outro mundo é possível!
Saddam I
Deixo-vos com este post do Classe Média, para depois também eu sair do buraco:
Só foi pena que no momento da sua captura, para além da mala com dinheiro, o Saddam não tivesse com ele uma outra mala com umas armas de destruição maciça. Ainda não é desta que nos livramos das malhas desta discussão que já está claramente para além do prazo de validade...
A captura do Saddam poderá ter um valor simbólico, mas infelizmente não creio que ele estivesse a comandar uma qualquer guerrilha ou "célula" terrorista, enfiado num buraco em Tikrit. Aguardemos.
PS: Eu gostava de escapar ao tema, mas não quero que pensem que também eu vivo num buraco.
O Silva
Este sentimento de que somos levados pela vaga mediática e quase que obrigados a opinar sobre algo neste momento já massacrado por milhares de comentários , milhões de opiniões, onde quase tudo já foi dito, irrita-me. Mas lá chegaremos.... Estou só a inventariar os sinónimos de "sanguinário" e "tirano" para não me repetir nos atributos de Saddam.
Só foi pena que no momento da sua captura, para além da mala com dinheiro, o Saddam não tivesse com ele uma outra mala com umas armas de destruição maciça. Ainda não é desta que nos livramos das malhas desta discussão que já está claramente para além do prazo de validade...
A captura do Saddam poderá ter um valor simbólico, mas infelizmente não creio que ele estivesse a comandar uma qualquer guerrilha ou "célula" terrorista, enfiado num buraco em Tikrit. Aguardemos.
PS: Eu gostava de escapar ao tema, mas não quero que pensem que também eu vivo num buraco.
O Silva
Este sentimento de que somos levados pela vaga mediática e quase que obrigados a opinar sobre algo neste momento já massacrado por milhares de comentários , milhões de opiniões, onde quase tudo já foi dito, irrita-me. Mas lá chegaremos.... Estou só a inventariar os sinónimos de "sanguinário" e "tirano" para não me repetir nos atributos de Saddam.
Sexta-feira, Dezembro 12, 2003
O Lagostim-de-patas-brancas
Maia, MJ e Pereira, F. 2003. A vida pasmada do lagostim do Angueira. Ed. Câmara Municipal de Vimioso, Bragança
Este é um livro muito interessante. Penso que tem um título infeliz, eu teria preferido um outro, preterido pelos autores: Crónica de uma Extinção Anunciada. Porque é disso que se trata: um relato eco-etnológico sobre o desaparecimento do Lagostim-de-patas-brancas.
Ameaçada em toda a Europa, e em Portugal confinada ao Nordeste Transmontano, os últimos exemplares desta espécie de lagostim foram observados na bacia do Sabor em finais da década de 90 (anteontem, portanto...). Este livro relata as aventuras da pesca, da gastronomia, do contrabando e da importância económica e sociocultural do lagostim para as gentes do Planalto Mirandês. Apesar desta importância, estas gentes pactuaram com a anunciada extinção do lagostim, segundo os autores devida essencialmente ao excesso de pesca e à degradação dos habitats ribeirinhos. O livro enumera uma longa lista de chamadas de atenção para o decréscimo populacional de lagostins, uma longa lista de regulamentos e proibições que tentaram refrear a pesca.
Já para o final, os autores citam uma notícia saída na edição de Julho de 1985 do “Mensageiro de Bragança”, na qual se conta como o assunto da protecção legal do lagostim chegou ao Parlamento, e se lamenta como escasseavam os exemplares da espécie. E a esta notícia se segue o momento para mim mais relevante do livro. Passo a citar: “Nenhuma das propostas anteriores foi atendida. Nesse ano pescaram-se os últimos lagostins do [rio] Angueira. Embora nesta altura tivesse havido tomada de consciência por parte dos pescadores, nenhum alterou a sua atitude e comportamento (...). Isto é, não temos nenhum testemunho de que alguém tenha, voluntária e conscientemente, diminuído a frequência de pesca, ou evitado pescar, por exemplo, as fêmeas ovadas ou lagostins de menor tamanho. O que vinha à rede era peixe, ou melhor, lagostim. Se era pequeno demais para cozer ou grelhar, comia-se em arroz ou paella...”(p.70).
A história do lagostim é real e actual: não estamos a conseguir gerir os nossos recursos naturais, mesmo quando estes representam recursos económicos especialmente relevantes. Como é possível ser-se tão burro?
Termino com uma nota positiva para a Câmara de Vimioso, que financiou esta publicação. Bom, pelo menos fica a ganância registada; que sirva de aviso a outras câmaras que poderiam ter papeis muito mais activos neste campo da conservação dos recursos locais.
mpf
Este é um livro muito interessante. Penso que tem um título infeliz, eu teria preferido um outro, preterido pelos autores: Crónica de uma Extinção Anunciada. Porque é disso que se trata: um relato eco-etnológico sobre o desaparecimento do Lagostim-de-patas-brancas.
Ameaçada em toda a Europa, e em Portugal confinada ao Nordeste Transmontano, os últimos exemplares desta espécie de lagostim foram observados na bacia do Sabor em finais da década de 90 (anteontem, portanto...). Este livro relata as aventuras da pesca, da gastronomia, do contrabando e da importância económica e sociocultural do lagostim para as gentes do Planalto Mirandês. Apesar desta importância, estas gentes pactuaram com a anunciada extinção do lagostim, segundo os autores devida essencialmente ao excesso de pesca e à degradação dos habitats ribeirinhos. O livro enumera uma longa lista de chamadas de atenção para o decréscimo populacional de lagostins, uma longa lista de regulamentos e proibições que tentaram refrear a pesca.
Já para o final, os autores citam uma notícia saída na edição de Julho de 1985 do “Mensageiro de Bragança”, na qual se conta como o assunto da protecção legal do lagostim chegou ao Parlamento, e se lamenta como escasseavam os exemplares da espécie. E a esta notícia se segue o momento para mim mais relevante do livro. Passo a citar: “Nenhuma das propostas anteriores foi atendida. Nesse ano pescaram-se os últimos lagostins do [rio] Angueira. Embora nesta altura tivesse havido tomada de consciência por parte dos pescadores, nenhum alterou a sua atitude e comportamento (...). Isto é, não temos nenhum testemunho de que alguém tenha, voluntária e conscientemente, diminuído a frequência de pesca, ou evitado pescar, por exemplo, as fêmeas ovadas ou lagostins de menor tamanho. O que vinha à rede era peixe, ou melhor, lagostim. Se era pequeno demais para cozer ou grelhar, comia-se em arroz ou paella...”(p.70).
A história do lagostim é real e actual: não estamos a conseguir gerir os nossos recursos naturais, mesmo quando estes representam recursos económicos especialmente relevantes. Como é possível ser-se tão burro?
Termino com uma nota positiva para a Câmara de Vimioso, que financiou esta publicação. Bom, pelo menos fica a ganância registada; que sirva de aviso a outras câmaras que poderiam ter papeis muito mais activos neste campo da conservação dos recursos locais.
Este livro pode ser encomendado
e está a ser divulgado acoli
mpf
A Variância do outro
O Esmaga serracenos voltou à carga; eu explico: o que acho mal é dizer que a informação é inútil e chamar variância a uma coisa que não tem nada a ver com isso (isto é a minha costela estatística a vir ao de cima). O tipo de aproximação deste estudo é o mesmo tipo de metodologia utilizado para a previsão da evolução das bolsas de valores dos mercados mundiais (aqui estou a tentar sensibilizar o esmaga...), para realizar bons PDM (planos directores municipais) ou para os diferentes planos de ordenamento a implementar, como os PROF (planos regionais de ordenamento florestal) ou a rede de conservação da nartureza europeia (optimizando a conservação das espécies e dos habitats). São métodos heurísticos de apoio à decisão. Apenas isso: pomos as variáveis, fazemos correr os modelos e depois sabemos quais os diferentes resultados dos múltiplos cenários modulados. Em última análise, estes modelos ajudam os decisores (ou no caso da bolsa de valores, os investidores) a tomar decisões com um conhecimento mais aprofundado do problema, pelo que terão uma hipótese melhor de tomar a boa decisão. Estou de acordo que não são factos (como dizem os jornais), mas defendo a utilidade dessa informação para a boa tomada de decisões.
Confiar nos mercados é uma demonstração de fé inabalável em algo de contornos bastante imcomprensíveis! dou-lhe os parabéns por acreditar que os mercados possam acabar com a pobreza e a fome no mundo, e ao mesmo tempo controlar o crescimento da população mundial!
Eu já estou como o Mario Soares: "Nós não queremos acabar com os ricos; queremos é acabar com os pobres" [no mundo]. Traduzindo para a linguagem altermundialista, não queremos acabar com os mercados; queremos é que esses mercados estejam ao serviço do homem e não ao serviço de uns poucos para explorar outros, muitos....
PS - eu devia era deixar-me disto e começar a ser consultor da bolsa de valores, fazendo valer as minhas mais valias estatísticas...
Confiar nos mercados é uma demonstração de fé inabalável em algo de contornos bastante imcomprensíveis! dou-lhe os parabéns por acreditar que os mercados possam acabar com a pobreza e a fome no mundo, e ao mesmo tempo controlar o crescimento da população mundial!
Eu já estou como o Mario Soares: "Nós não queremos acabar com os ricos; queremos é acabar com os pobres" [no mundo]. Traduzindo para a linguagem altermundialista, não queremos acabar com os mercados; queremos é que esses mercados estejam ao serviço do homem e não ao serviço de uns poucos para explorar outros, muitos....
PS - eu devia era deixar-me disto e começar a ser consultor da bolsa de valores, fazendo valer as minhas mais valias estatísticas...
Partido Europeu de esquerda
Segundo noticiou o Expresso de sábado passado, o BE irá participar na formação de um novo partido Europeu que congregará vários partidos de esquerda de toda a Europa, como a Izquierda Unida, o Partido Comunista Francês ou os renovadores comunistas italianos. Até aqui, nada de mais normal.
O que me preocupa é um pequeno parágrafo no fim do artigo:
Os partidos Europeus (pelo menos para já) não dispõem de capacidade eleitoral, mas têm grande vantagem de dar expressão política e institucional Europeia às dinâmicas sociais que estão a emergir no âmbito da luta contra a globalização capitalista.
(..) o novo partido de esquerda pretende potenciar à escala Europeia as posições nacionais de forças que se têm empenhado no movimento dos fóruns sociais, na luta antiglobalização, e defendem uma Europa mais preocupada com os desfavorecidos.
Preocupa-me, já que nas entrelinhas se pode ler que este novo partido Europeu é o braço político dos Fóruns sociais. E isso vai completamente contra o espírito dos Fóruns sociais. É que a distância entre a organização subjacente aos Fóruns sociais, que é sobretudo um espaço de expressão e discussão comum, sem hierarquias, sem programa político, sem dirigismos, é completamente incompatível com as estruturas partidárias. Pela parte que me toca, desejo as maiores felicidades para o novo partido Europeu, mas por favor, não misturem alhos com bugalhos.
Mais: por definição, os partidos não podem participar nos Fóruns sociais, pelo que dizer forças que se têm empenhado no movimento dos fóruns sociais é completamente idiota. Se continuarem com este discurso, mais uma vez se perceberá que o empenho dos partidos nos fóruns não foi generoso nem gratuito, mas apenas com a intenção de agora capitalizar esse investimento. Não terá sido também por coincidência que a segunda edição do FSP apenas se realize em 2005, porque este ano, as forças políticas estão demasiado empenhadas com as eleições Europeias....
Já sabia que iria haver uma tentativa de aproveitamento político do capital humano que representam os Fóruns sociais. Mas não tão descaradamente! Os caminhos dos movimentos sociais e dos partidos políticos devem seguir paralelos, eventualmente enriquecerem-se mutuamente com uma franca troca de ideias e de propostas, mas nunca misturando as coisas no mesmo saco. Ao fazer isso, condenarão o movimento altermundialista ao fracasso.
Já agora, tenham a coragem de defender em sede Europeia o fim do proteccionismo agrícola Europeu, uma das principais reivindicações do movimento altermundialista.
Já agora, gostava de saber a opinião do Barnabé e do BdE sobre este assunto...
O que me preocupa é um pequeno parágrafo no fim do artigo:
Os partidos Europeus (pelo menos para já) não dispõem de capacidade eleitoral, mas têm grande vantagem de dar expressão política e institucional Europeia às dinâmicas sociais que estão a emergir no âmbito da luta contra a globalização capitalista.
(..) o novo partido de esquerda pretende potenciar à escala Europeia as posições nacionais de forças que se têm empenhado no movimento dos fóruns sociais, na luta antiglobalização, e defendem uma Europa mais preocupada com os desfavorecidos.
Preocupa-me, já que nas entrelinhas se pode ler que este novo partido Europeu é o braço político dos Fóruns sociais. E isso vai completamente contra o espírito dos Fóruns sociais. É que a distância entre a organização subjacente aos Fóruns sociais, que é sobretudo um espaço de expressão e discussão comum, sem hierarquias, sem programa político, sem dirigismos, é completamente incompatível com as estruturas partidárias. Pela parte que me toca, desejo as maiores felicidades para o novo partido Europeu, mas por favor, não misturem alhos com bugalhos.
Mais: por definição, os partidos não podem participar nos Fóruns sociais, pelo que dizer forças que se têm empenhado no movimento dos fóruns sociais é completamente idiota. Se continuarem com este discurso, mais uma vez se perceberá que o empenho dos partidos nos fóruns não foi generoso nem gratuito, mas apenas com a intenção de agora capitalizar esse investimento. Não terá sido também por coincidência que a segunda edição do FSP apenas se realize em 2005, porque este ano, as forças políticas estão demasiado empenhadas com as eleições Europeias....
Já sabia que iria haver uma tentativa de aproveitamento político do capital humano que representam os Fóruns sociais. Mas não tão descaradamente! Os caminhos dos movimentos sociais e dos partidos políticos devem seguir paralelos, eventualmente enriquecerem-se mutuamente com uma franca troca de ideias e de propostas, mas nunca misturando as coisas no mesmo saco. Ao fazer isso, condenarão o movimento altermundialista ao fracasso.
Já agora, tenham a coragem de defender em sede Europeia o fim do proteccionismo agrícola Europeu, uma das principais reivindicações do movimento altermundialista.
Já agora, gostava de saber a opinião do Barnabé e do BdE sobre este assunto...
Argentina: 13.000 desaparecidos
Aumenta para 13.000 o número de pessoas desaparecidas na ditadura
Adital/Encuentro Popular/IPS
O Governo argentino notificou ao Alto Comissionado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Bertrand Ramcharan, forncendo as novas estatísticas de desaparecidos durante o período da ditadura (1976-1983), que se aproximam de 13.000, pelos menos mais 4.000 do que o número conhecido até ao momento. A informação foi divulgada pelo subsecretário de Direitos Humanos, Rodolgo Mattarollo.
Segundo Mararollo, este novo cálculo integra as estatísticas e os depoimentos da Comisión Nacional de Sobre la Desaparición de Personas (Conadep), comissão investigadora criada no fim da ditadura. Também agrega informação de ONGs e dos Julgamentos pela Verdade que estão sendo realizados no país, acrescentando dados obtidos pela Secretaria de Direitos Humanos.
Em comemoração da jornada universal dos Direitos Humanos, Ramcharan presidiu um encontro internacional em Genebra com personalidades de todo o mundo, convidadas para se pronunciarem sobre a impunidade dos responsáveis pelos "desapareciemntos".
"Sob o mandato do presidente Néstor Kirchner, nossa secretaria aprofundou as investigações, principalmente no interior do país, e estamos recebendo novas denúncias de desaparecimentos vindas de conhecidos e familiares de vítimas da ditadura. Para isso, estamos percorrendo as cidades e organizando uma base de dados", falou o secretário.
Até o momento, a Conadep tinha contabilizados 8.234 desaparecimentos, ao que se acrescenta agora outras ocorrências constituídos e verificados pela Secretaria de Direitos Humanos, aumentando os casos para 12.986. A tarefa foi possível devido à importante contribuição dos depoimentos de 1.600 sobreviventes dos campos de concentração.
Com o novo índice, o país vai-se aproximando das estimativas antecipadas pelas ONGs de direitos humanos da Argentina que insistem em que houve 30.000 desaparecimentos no período da ditadura.
20 anos de democracia
Enquanto se revela o novo índice de desaparecidos durante a ditadura, a Argentina completou, nesta quarta-feira, 20 anos de vigência da democracia continuada. No país, segundo informa o IPS, a grande maioria dos cidadãos comemora, mas o aniversário encontra o sistema enfermo de vários males e com uma longa lista de tarefas pendentes.
"Estou orgulhosa de viver num país onde a democracia completa 20 anos. E parece-me que já não existe o risco dos militares voltarem. Mas também não estou satisfeita com o que temos. Ainda precisamos amadurecer muito", disse ao IPS a professora Nélida Colombo.
A referência a duas décadas ininterruptas de democracia tem sentido num país que passou boa parte do século XX sob a o pressão de ditaduras militares. Nestes 20 anos, a democracia resistiu a todo tipo de ameaças políticas, mas houve também terríveis sacudidas económicas e sociais: duas ondas de hiper-inflação, polémicas privatizações, um endividamento externo e o desemprego e a pobreza crescendo em proporções sem precedentes.
Em poucos anos, a pobreza passou a atingir de 30 a mais de 50% da população. O desemprego, que se mantinha em redor dos 6% no início do governo de Alfonsín, está agora em 16,4%. A dívida externa de 50.000 bilhões de dólares triplicou.
Adital/Encuentro Popular/IPS
O Governo argentino notificou ao Alto Comissionado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Bertrand Ramcharan, forncendo as novas estatísticas de desaparecidos durante o período da ditadura (1976-1983), que se aproximam de 13.000, pelos menos mais 4.000 do que o número conhecido até ao momento. A informação foi divulgada pelo subsecretário de Direitos Humanos, Rodolgo Mattarollo.
Segundo Mararollo, este novo cálculo integra as estatísticas e os depoimentos da Comisión Nacional de Sobre la Desaparición de Personas (Conadep), comissão investigadora criada no fim da ditadura. Também agrega informação de ONGs e dos Julgamentos pela Verdade que estão sendo realizados no país, acrescentando dados obtidos pela Secretaria de Direitos Humanos.
Em comemoração da jornada universal dos Direitos Humanos, Ramcharan presidiu um encontro internacional em Genebra com personalidades de todo o mundo, convidadas para se pronunciarem sobre a impunidade dos responsáveis pelos "desapareciemntos".
"Sob o mandato do presidente Néstor Kirchner, nossa secretaria aprofundou as investigações, principalmente no interior do país, e estamos recebendo novas denúncias de desaparecimentos vindas de conhecidos e familiares de vítimas da ditadura. Para isso, estamos percorrendo as cidades e organizando uma base de dados", falou o secretário.
Até o momento, a Conadep tinha contabilizados 8.234 desaparecimentos, ao que se acrescenta agora outras ocorrências constituídos e verificados pela Secretaria de Direitos Humanos, aumentando os casos para 12.986. A tarefa foi possível devido à importante contribuição dos depoimentos de 1.600 sobreviventes dos campos de concentração.
Com o novo índice, o país vai-se aproximando das estimativas antecipadas pelas ONGs de direitos humanos da Argentina que insistem em que houve 30.000 desaparecimentos no período da ditadura.
20 anos de democracia
Enquanto se revela o novo índice de desaparecidos durante a ditadura, a Argentina completou, nesta quarta-feira, 20 anos de vigência da democracia continuada. No país, segundo informa o IPS, a grande maioria dos cidadãos comemora, mas o aniversário encontra o sistema enfermo de vários males e com uma longa lista de tarefas pendentes.
"Estou orgulhosa de viver num país onde a democracia completa 20 anos. E parece-me que já não existe o risco dos militares voltarem. Mas também não estou satisfeita com o que temos. Ainda precisamos amadurecer muito", disse ao IPS a professora Nélida Colombo.
A referência a duas décadas ininterruptas de democracia tem sentido num país que passou boa parte do século XX sob a o pressão de ditaduras militares. Nestes 20 anos, a democracia resistiu a todo tipo de ameaças políticas, mas houve também terríveis sacudidas económicas e sociais: duas ondas de hiper-inflação, polémicas privatizações, um endividamento externo e o desemprego e a pobreza crescendo em proporções sem precedentes.
Em poucos anos, a pobreza passou a atingir de 30 a mais de 50% da população. O desemprego, que se mantinha em redor dos 6% no início do governo de Alfonsín, está agora em 16,4%. A dívida externa de 50.000 bilhões de dólares triplicou.
Quinta-feira, Dezembro 11, 2003
População mundial em 2003
O esmaga serracenos acha que os estudos da evolução da população mundial feitos pela ONU são inúteis e irrelevantes:
A margem de variação, a trezentos anos, é de mais de 30 mil milhões. Ou seja, a população mundial em 2300 poderá ser metade ou o sêxtuplo da actual. A pergunta permanece e torna-se mais premente: para que serve isto?
A questão é que o estudo não é sobre margem de variação ou variância; o estudo propõe três cenários que têm em conta a crescente longevidade do ser humano e a fertilidade; e o cenário catastrófico é que se nos continuarmos a reproduzir como coelhos (ou como virus - versão matrix), estamos quilhados.
Convenientemente, omitiu a informação da legenda dos cenários graficados:
Low - Cenário em que há baixa fertilidade, havendo uma diminuição da população;
Medium - Cenário com fertilidade média, com uma estabilização da população no ano 2100 aproximadamente nos 9 biliões.
High - Cenário de alta fertilidade, com um aumento paulatino da população chegando quase ais 40 biliões.
Qual a utilidade desta informação?
Se a fertilidade se mantiver nas duas crianças por casal, mesmo com a longevidade a aumentar, a população mundial estabilizará nos 9 biliões. Por isso, do ponto de vista da planificação e da desejável sustentabilidade do planeta, seria bom que atinjissemos esse objectivo.
De certeza que até o Esmaga está de acordo que se não tivermos objectivos e metas a atingir, se não estudarmos o problema a fundo, nunca saberemos solucioná-lo. E se chegarmos aos 40 biliões ou aos 400 biliões de alminhas, convenhamos que a coisa será ligeiramente insustentável...
A margem de variação, a trezentos anos, é de mais de 30 mil milhões. Ou seja, a população mundial em 2300 poderá ser metade ou o sêxtuplo da actual. A pergunta permanece e torna-se mais premente: para que serve isto?
A questão é que o estudo não é sobre margem de variação ou variância; o estudo propõe três cenários que têm em conta a crescente longevidade do ser humano e a fertilidade; e o cenário catastrófico é que se nos continuarmos a reproduzir como coelhos (ou como virus - versão matrix), estamos quilhados.
Convenientemente, omitiu a informação da legenda dos cenários graficados:
Low - Cenário em que há baixa fertilidade, havendo uma diminuição da população;
Medium - Cenário com fertilidade média, com uma estabilização da população no ano 2100 aproximadamente nos 9 biliões.
High - Cenário de alta fertilidade, com um aumento paulatino da população chegando quase ais 40 biliões.
Qual a utilidade desta informação?
Se a fertilidade se mantiver nas duas crianças por casal, mesmo com a longevidade a aumentar, a população mundial estabilizará nos 9 biliões. Por isso, do ponto de vista da planificação e da desejável sustentabilidade do planeta, seria bom que atinjissemos esse objectivo.
De certeza que até o Esmaga está de acordo que se não tivermos objectivos e metas a atingir, se não estudarmos o problema a fundo, nunca saberemos solucioná-lo. E se chegarmos aos 40 biliões ou aos 400 biliões de alminhas, convenhamos que a coisa será ligeiramente insustentável...
G-20
Reunião Ministerial do G-20 começa Hoje em Brasília
Começa hoje, 11 de Dezembro, em Brasília, o encontro dos representantes do chamado G-20 – grupo de países que foi determinante nas decisões da última reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), realizada no México. Eles estarão reunidos com o objetivo de encontrar uma maior coordenação dos países em desenvolvimento com interesse especial na agricultura – um dos pontos principais do encontro ocorrido em Cancun.
O G-20 foi formado em agosto desse ano, um pouco antes da V Reunião Ministerial da OMC, entre os dias 10 e 14 de setembro. Os países se reuniram para fazer com que os Estados Unidos a União Europeia cumprissem os acordos determinados na Declaração Ministerial de Doha que, entre os pontos principais, enfatizava a questão agrária e estabelecimento dos subsídios.
A reunião de Brasília permitirá ao Grupo avaliar o estado atual das negociações na OMC, em especial no que se refere à agricultura, e estreitar a coordenação entre seus membros para as etapas subsequentes das negociações.
Além do Brasil, está confirmada a participação dos seguintes países: África do Sul, Argentina, Bolívia, Chile, China, Cuba, Egito, Filipinas, Índia, Indonésia, México, Nigéria, Paquistão, Paraguai, Tanzânia, Venezuela e Zimbábue. Fazem parte do bloco os países Costa Rica e Guatemala, que ainda não confirmaram a sua presença. O Equador, que ainda não aderiu oficialmente ao G-20, deverá enviar um observador à reunião.
Como convidados especiais, deverão participar de segmento da reunião em Brasília o Comissário da UE responsável por Comércio, Pascal Lamy, e o Diretor-Geral da OMC, Supachai Panitchpakdi. Foram convidados para um almoço de trabalho, agendado para o final da reunião, o chanceler da Guiana, Clement Rohee, e o ministro delegado do Comércio Exterior da França, François Loos, que estarão de visita ao Brasil.
A reunião do grupo foi decisiva na última conferência da OMC, em Cancún. Os 21 países não aceitaram nenhuma das propostas feitas pelos blocos estadunidense e europeu. Um deles, El Salvador, saiu do bloco logo após a reunião. Os subsídios à agrícultura [protecionismo] foram os principais motivos que levaram à formação do grupo.
Copy past daqui
Começa hoje, 11 de Dezembro, em Brasília, o encontro dos representantes do chamado G-20 – grupo de países que foi determinante nas decisões da última reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), realizada no México. Eles estarão reunidos com o objetivo de encontrar uma maior coordenação dos países em desenvolvimento com interesse especial na agricultura – um dos pontos principais do encontro ocorrido em Cancun.
O G-20 foi formado em agosto desse ano, um pouco antes da V Reunião Ministerial da OMC, entre os dias 10 e 14 de setembro. Os países se reuniram para fazer com que os Estados Unidos a União Europeia cumprissem os acordos determinados na Declaração Ministerial de Doha que, entre os pontos principais, enfatizava a questão agrária e estabelecimento dos subsídios.
A reunião de Brasília permitirá ao Grupo avaliar o estado atual das negociações na OMC, em especial no que se refere à agricultura, e estreitar a coordenação entre seus membros para as etapas subsequentes das negociações.
Além do Brasil, está confirmada a participação dos seguintes países: África do Sul, Argentina, Bolívia, Chile, China, Cuba, Egito, Filipinas, Índia, Indonésia, México, Nigéria, Paquistão, Paraguai, Tanzânia, Venezuela e Zimbábue. Fazem parte do bloco os países Costa Rica e Guatemala, que ainda não confirmaram a sua presença. O Equador, que ainda não aderiu oficialmente ao G-20, deverá enviar um observador à reunião.
Como convidados especiais, deverão participar de segmento da reunião em Brasília o Comissário da UE responsável por Comércio, Pascal Lamy, e o Diretor-Geral da OMC, Supachai Panitchpakdi. Foram convidados para um almoço de trabalho, agendado para o final da reunião, o chanceler da Guiana, Clement Rohee, e o ministro delegado do Comércio Exterior da França, François Loos, que estarão de visita ao Brasil.
A reunião do grupo foi decisiva na última conferência da OMC, em Cancún. Os 21 países não aceitaram nenhuma das propostas feitas pelos blocos estadunidense e europeu. Um deles, El Salvador, saiu do bloco logo após a reunião. Os subsídios à agrícultura [protecionismo] foram os principais motivos que levaram à formação do grupo.
Copy past daqui
Embarcações tradicionais
Temos o maior prazer de o/a convidar a assistir à inauguração desta Exposição no dia 13 de Dezembro, Sábado, pelas 17 horas.
A Direcção da UPS - Universidade Popular de Setúbal, em colaboração com o Museu de Arqueologia do Distrito de Setúbal, apresentará uma exposição fotográfica subordinada à temática das Embarcações Tradicionais do Tejo e do Sado, apresentando um conjunto de 37 imagens de excepcional qualidade artística e documental, da autoria de Manuel Gardete, médico e residente em Setúbal. A exposição estará patente de 13 de Dezembro de 2003 a 30 de Janeiro de 2004, no Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal, na Av. Luísa Todí, em Setúbal.
É objectivo desta iniciativa despertar o interesse das populações, em particular dos mais jovens, para o importante património cultural e etnográfico que estas embarcações representam para a identidade colectiva das populações ribeirinhas dos rios Sado e Tejo, na íntima relação entre as suas Cidades e os respectivos Rios, não só como territórios de riqueza e trabalho, mas também, numa óptica mais contemporânea, como espaços emergentes de cultura, lazer e recreio. É numa perspectiva de desenvolvimento e preservação da cultura local que, pela valorização e projecção deste património, procuraremos levar a exposição a outras paragens, nomeadamente a concelhos ribeirinhos do Tejo e do Sado, em colaboração com as autarquias locais e os respectivos serviços culturais.
Regina Marques
A Direcção da UPS - Universidade Popular de Setúbal, em colaboração com o Museu de Arqueologia do Distrito de Setúbal, apresentará uma exposição fotográfica subordinada à temática das Embarcações Tradicionais do Tejo e do Sado, apresentando um conjunto de 37 imagens de excepcional qualidade artística e documental, da autoria de Manuel Gardete, médico e residente em Setúbal. A exposição estará patente de 13 de Dezembro de 2003 a 30 de Janeiro de 2004, no Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal, na Av. Luísa Todí, em Setúbal.
É objectivo desta iniciativa despertar o interesse das populações, em particular dos mais jovens, para o importante património cultural e etnográfico que estas embarcações representam para a identidade colectiva das populações ribeirinhas dos rios Sado e Tejo, na íntima relação entre as suas Cidades e os respectivos Rios, não só como territórios de riqueza e trabalho, mas também, numa óptica mais contemporânea, como espaços emergentes de cultura, lazer e recreio. É numa perspectiva de desenvolvimento e preservação da cultura local que, pela valorização e projecção deste património, procuraremos levar a exposição a outras paragens, nomeadamente a concelhos ribeirinhos do Tejo e do Sado, em colaboração com as autarquias locais e os respectivos serviços culturais.
Regina Marques
Quarta-feira, Dezembro 10, 2003
Reafirmar os compromissos de Viena
Declaração da Human Rights Watch no dia mundial dos direitos humanos
(New York, 10 de Dezembro de 2003)
Neste dia em que se celebram os direitos humanos, deveriamos refletir sobre um outro aniversário muito importante, praticamente esquecido.
Há 10 anos atrás, em Junho de 1993, a comunidade internacional reuniu-se para afirmar o seu empenho em fazer valer os valores universais, numa conferencia mundial sobre direitos humanos em Viena. Ultrapassando velhas disputas, 170 estados declararam que “a natureza universal destes direitos e liberdades é inquestionável.... Todos os direitos humanos são universais, indivisíveis, interdependentes e interrelacionados.”
Esses foram dias de grande optimismo e confiança no futuro para o movimento dos direitos humanos. A guerra fria acabou no meio de uma onda de mudanças democráticas que acabou com a falta de democracia de numerosos estados autoritários. Muitos prisioneiros políticos (alguns com dezenas de anos de clausura) finalmente viram a luz do dia e alguns chegaram mesmo a presidentes!
O alto comissário das Nações Unidas para os direitos humanos prometeu protagonismo e visibilidade para os direitos humanos neste novo mundo. Os activistas dos direitos humanos por todo o mundo trouxeram a lume numeroso problemas que se deveriam resolver e as suas vozes eram cada vez mais ouvidas nos corredores do poder.
Nos anos seguintes, foram dados grandes passos em favor da causa dos direitos humanos. Uma nova convenção sobre os direitos da criança foi aceite praticamente em todo o mundo. A conferência de Pequim deu especial atenção aos direitos das Mulheres. A maré mudou internacionalmente contra os desaparecimentos forçadas, a tortura e a pena de morte. As minas terrestres foram banidas e novos esforços acabaram com as crianças soldado e as piores formas de trabalho infantil.
O sistema internacional de direitos humanos, construído laboriosamente ao longo de décadas pelos próprios governos, está hoje em dia ferido de morte. A comissão dos direitos humanos, o maior fórum mundial de direitos humanos, foi controlada abusivamente por governos que tentam escapar à avaliação e julgamento internacional, colocando-se acima da lei. Os mecanismos especializados montados para monitorizar em todo o mundo o estado dos direitos humanos estão sob pressão e sofrem constantes ataques político. O lugar de alto comissário para os direitos humanos continua vago depois da trágica morte de Sérgio Vieira de Melo. O concelho de segurança está a falhar no compromisso assumido de proteger as populações civis durante e após os conflitos armados. E os Estados Unidos continuam a sua vendetta ideológica contra o Tribunal Penal Internacional
Por isso este dia dos direitos humanos deveria ser um tempo de reflexão, maior dedicação e renovação.
Reflexão na fragilidade dos progressos conseguidos e nos novos desafios com que o nosso movimento se depara.
Maior dedicação à causa dos direitos humanos e na defesa das importantes vitórias já conquistadas.
Renovação da maquinaria internacional que pode combater eficazmente as infracções dos direitos humanos e assegurar que o compromisso assumido há 10 anos por 170 nações se torne uma realidade.
Artigo traduzido da página do Human rights watch; a HRW tem link permante na coluna da esquerda do BSP.
(New York, 10 de Dezembro de 2003)
Neste dia em que se celebram os direitos humanos, deveriamos refletir sobre um outro aniversário muito importante, praticamente esquecido.
Há 10 anos atrás, em Junho de 1993, a comunidade internacional reuniu-se para afirmar o seu empenho em fazer valer os valores universais, numa conferencia mundial sobre direitos humanos em Viena. Ultrapassando velhas disputas, 170 estados declararam que “a natureza universal destes direitos e liberdades é inquestionável.... Todos os direitos humanos são universais, indivisíveis, interdependentes e interrelacionados.”
Esses foram dias de grande optimismo e confiança no futuro para o movimento dos direitos humanos. A guerra fria acabou no meio de uma onda de mudanças democráticas que acabou com a falta de democracia de numerosos estados autoritários. Muitos prisioneiros políticos (alguns com dezenas de anos de clausura) finalmente viram a luz do dia e alguns chegaram mesmo a presidentes!
O alto comissário das Nações Unidas para os direitos humanos prometeu protagonismo e visibilidade para os direitos humanos neste novo mundo. Os activistas dos direitos humanos por todo o mundo trouxeram a lume numeroso problemas que se deveriam resolver e as suas vozes eram cada vez mais ouvidas nos corredores do poder.
Nos anos seguintes, foram dados grandes passos em favor da causa dos direitos humanos. Uma nova convenção sobre os direitos da criança foi aceite praticamente em todo o mundo. A conferência de Pequim deu especial atenção aos direitos das Mulheres. A maré mudou internacionalmente contra os desaparecimentos forçadas, a tortura e a pena de morte. As minas terrestres foram banidas e novos esforços acabaram com as crianças soldado e as piores formas de trabalho infantil.
O sistema internacional de direitos humanos, construído laboriosamente ao longo de décadas pelos próprios governos, está hoje em dia ferido de morte. A comissão dos direitos humanos, o maior fórum mundial de direitos humanos, foi controlada abusivamente por governos que tentam escapar à avaliação e julgamento internacional, colocando-se acima da lei. Os mecanismos especializados montados para monitorizar em todo o mundo o estado dos direitos humanos estão sob pressão e sofrem constantes ataques político. O lugar de alto comissário para os direitos humanos continua vago depois da trágica morte de Sérgio Vieira de Melo. O concelho de segurança está a falhar no compromisso assumido de proteger as populações civis durante e após os conflitos armados. E os Estados Unidos continuam a sua vendetta ideológica contra o Tribunal Penal Internacional
Por isso este dia dos direitos humanos deveria ser um tempo de reflexão, maior dedicação e renovação.
Reflexão na fragilidade dos progressos conseguidos e nos novos desafios com que o nosso movimento se depara.
Maior dedicação à causa dos direitos humanos e na defesa das importantes vitórias já conquistadas.
Renovação da maquinaria internacional que pode combater eficazmente as infracções dos direitos humanos e assegurar que o compromisso assumido há 10 anos por 170 nações se torne uma realidade.
Artigo traduzido da página do Human rights watch; a HRW tem link permante na coluna da esquerda do BSP.
Prémio Nobel da paz
Ebadi recebeu hoje o prémio Nobel da paz, sendo a primeira mulher muçulmana a conseguir tal feito. Activista dos direitos humanos no Irão, mais precisamente defendendo os direitos das mulheres e das crianças no Irão.
A advogada iraniana Shirin Ebadi acusou, esta quarta-feira, no seu discurso oficial após receber o Prémio Nobel da Paz de 2003, os Estados Unidos de violarem o direito internacional, utilizando como pretexto os ataques terroristas do 11 de Setembro. Embora sem nunca mencionar o nome do país de George W. Bush, Ebadi desferiu igualmente fortes críticas à detenção de centenas de prisioneiros na base norte-americana de Guantanamo, em Cuba, «sem a protecção prevista pela Declaração Universal dos Direitos Humanos e pelos textos das Nações Unidas sobre os direitos civis e políticos».
Ebadi questionou ainda porque é que algumas resoluções das Nações Unidas são apoiadas pelo Ocidente enquanto que outras são ignoradas, numa alusão clara a Israel.
Traduzido parcialmente daqui.
A advogada iraniana Shirin Ebadi acusou, esta quarta-feira, no seu discurso oficial após receber o Prémio Nobel da Paz de 2003, os Estados Unidos de violarem o direito internacional, utilizando como pretexto os ataques terroristas do 11 de Setembro. Embora sem nunca mencionar o nome do país de George W. Bush, Ebadi desferiu igualmente fortes críticas à detenção de centenas de prisioneiros na base norte-americana de Guantanamo, em Cuba, «sem a protecção prevista pela Declaração Universal dos Direitos Humanos e pelos textos das Nações Unidas sobre os direitos civis e políticos».
Ebadi questionou ainda porque é que algumas resoluções das Nações Unidas são apoiadas pelo Ocidente enquanto que outras são ignoradas, numa alusão clara a Israel.
Traduzido parcialmente daqui.
10 000 a 10 de Dezembro
Fosga-se, chegamos às 10 000!!!
Dia 10 Dezembro, dia Mundial dos direitos humanos, às 19:01 em ponto chegámos às 10 000 visitas.
Se fosse um bocadinho mais místico, via nisto um sinal do apocalipse ou pelo menos uma influência maléfica....
Agora a conversa do costume: continuem a visitar-nos, que nós continuaremos a escrever, etc. etc. etc. e esperamos ainda andar por aqui quando chegarmos às 40 000 (estava para pôr 60 000, mas depois achei que me estava a esticar uma beca).
Ficam aqui outros 10 000, para festejar este instante mágico em que faço parte dos 10 000:
10000 desenhos para colorir
10 000 pósteres
10 000 receitas de cozinha
10 000 dicas para o computador
e ainda 10 000 de uma coisa qualquer que está em russo e não percebo
E não percam o próximo post, que nós também não!
PS - havia também uma página com 10 000 fotografias de conteúdos duvidosos....
Dia 10 Dezembro, dia Mundial dos direitos humanos, às 19:01 em ponto chegámos às 10 000 visitas.
Se fosse um bocadinho mais místico, via nisto um sinal do apocalipse ou pelo menos uma influência maléfica....
Agora a conversa do costume: continuem a visitar-nos, que nós continuaremos a escrever, etc. etc. etc. e esperamos ainda andar por aqui quando chegarmos às 40 000 (estava para pôr 60 000, mas depois achei que me estava a esticar uma beca).
Ficam aqui outros 10 000, para festejar este instante mágico em que faço parte dos 10 000:
10000 desenhos para colorir
10 000 pósteres
10 000 receitas de cozinha
10 000 dicas para o computador
e ainda 10 000 de uma coisa qualquer que está em russo e não percebo
E não percam o próximo post, que nós também não!
PS - havia também uma página com 10 000 fotografias de conteúdos duvidosos....
Nota botânica XVII
Torga e Giesta
A propósito de um post de ontem , fica aqui um pequenino texto a explicar umas coisas sobre a Torga e a Giesta.
Torga - Calluna vulgaris

A Torga tem uma história natural (Life history) muito interessante para contar: o seu principal polonizador é um insecto minúsculo, cuja fêmea se mantém a maior parte da vida numa única flor. É o macho, que anda incessantemente de flor em flor, na sua procura obsessiva por fêmeas receptivas, que poliniza a flor. O Universo da fêmea resume-se a uma flor; esta história não é para tirar ilações machistas: o fundamental é que esta estratégia tem sucesso, e estes insectos já por cá andam há alguns milhões de anos (coisa de que nós ainda não nos podemos gabar).
Giesta Cytisus sp
A Giesta é uma planta da família das leguminosas. A sua flor, fechada, desprende um odor irresistível para abelhas e demais insectos, com promessas de néctares divinos nos seus interiores profundos. O curioso é que a flor tem um dispositivo muito engenhoso para assegurar que a polinização aconteça. Quando um insecto pousa numa flor fechada, que ainda não foi polinizada (imagem em baixo), a flor tem um sistema de alavancas desencadeada pelo peso do insecto, que faz com que as duas pétalas sobre as quais o insecto pousou se abram, projectando os estames (parte masculina da flor) contra o abdómen do insecto, ficando este carregado de pólen.
Flor de Giesta fechada
Simultâneamente, a parte femenina da flor, o carpelo, que está localizado entre os estames, é projectado contra o abdómen do insecto; o resultado pode ser a polinização da flor, no caso do insecto ter visitado anteriormente uma outra flor, ou encher os pelos abdominais do insecto com pólen, se esta for a sua primeira visita. Na prática, mais de 80% das flores de um arbusto produzem legumes (daís as Leguminosas), pelo que o sistema de alavancas é extremamente eficaz.
Nesta segunda imagem, vemos uma flor de giesta já visitada pelo insecto, completamente desgrenhada e com as pétalas à banda. Os estames, antes escondidos, são agora visíveis, já secos e gastos, mas com a alegria de ter cumprido a sua missão.
Flor de Giesta aberta
PS - da próxima vez que virem uma flor de giesta, experimentem pôr um dedo em cima das "asas", que são as pétalas que resguardam os orgãos sexuais da flor, escondidos na "quilha" (pétala mais inferior da flor). Activem a alavanca, para presenciarem este pequeno milagre....
A propósito de um post de ontem , fica aqui um pequenino texto a explicar umas coisas sobre a Torga e a Giesta.
Torga - Calluna vulgaris

A Torga tem uma história natural (Life history) muito interessante para contar: o seu principal polonizador é um insecto minúsculo, cuja fêmea se mantém a maior parte da vida numa única flor. É o macho, que anda incessantemente de flor em flor, na sua procura obsessiva por fêmeas receptivas, que poliniza a flor. O Universo da fêmea resume-se a uma flor; esta história não é para tirar ilações machistas: o fundamental é que esta estratégia tem sucesso, e estes insectos já por cá andam há alguns milhões de anos (coisa de que nós ainda não nos podemos gabar).
Giesta Cytisus sp
A Giesta é uma planta da família das leguminosas. A sua flor, fechada, desprende um odor irresistível para abelhas e demais insectos, com promessas de néctares divinos nos seus interiores profundos. O curioso é que a flor tem um dispositivo muito engenhoso para assegurar que a polinização aconteça. Quando um insecto pousa numa flor fechada, que ainda não foi polinizada (imagem em baixo), a flor tem um sistema de alavancas desencadeada pelo peso do insecto, que faz com que as duas pétalas sobre as quais o insecto pousou se abram, projectando os estames (parte masculina da flor) contra o abdómen do insecto, ficando este carregado de pólen.
Flor de Giesta fechada
Simultâneamente, a parte femenina da flor, o carpelo, que está localizado entre os estames, é projectado contra o abdómen do insecto; o resultado pode ser a polinização da flor, no caso do insecto ter visitado anteriormente uma outra flor, ou encher os pelos abdominais do insecto com pólen, se esta for a sua primeira visita. Na prática, mais de 80% das flores de um arbusto produzem legumes (daís as Leguminosas), pelo que o sistema de alavancas é extremamente eficaz.
Nesta segunda imagem, vemos uma flor de giesta já visitada pelo insecto, completamente desgrenhada e com as pétalas à banda. Os estames, antes escondidos, são agora visíveis, já secos e gastos, mas com a alegria de ter cumprido a sua missão.
Flor de Giesta aberta
PS - da próxima vez que virem uma flor de giesta, experimentem pôr um dedo em cima das "asas", que são as pétalas que resguardam os orgãos sexuais da flor, escondidos na "quilha" (pétala mais inferior da flor). Activem a alavanca, para presenciarem este pequeno milagre....
Ainda a França
Disseram-me que os deputados em França resolveram aumentar-se 70%.
Razão invocada: com este estímulo acrescido, mais dificilmente cederão à tentação da corrupção.
Moral da história: no meu próximo emprego, vou ver se me torno completamente podre de corrupto, e depois peço um aumento de 60% (é que eu não sou ganancioso)......
Razão invocada: com este estímulo acrescido, mais dificilmente cederão à tentação da corrupção.
Moral da história: no meu próximo emprego, vou ver se me torno completamente podre de corrupto, e depois peço um aumento de 60% (é que eu não sou ganancioso)......
Mais lenço
Em França andam muito abespinhados com alunas de diversas escolas secundárias que insistem em aparecer na escola com um lenço a tapar-lhes os cabelos. Em França chamam a isso "véu islâmico". Na verdade não é nada de islâmico, é apenas um lenço de cabeça, parecido com aqueles que as camponesas portuguesas tradicionais usavam. Mas em França acham que usar um lenço a tapar os cabelos é islâmico. Usar outras formas de vestuário, por exemplo minissaia, ou aquelas camisolas muito curtas que as miúdas agora usam e que deixam o umbigo à mostra, isso é normal. Mas para os franceses usar um lenço a tapar os cabelos e umas vestes largas sobre o resto do corpo, está mal nas miúdas. Não estará mal, claro, se elas usarem umas calças tão fininhas que a gente por detrás possa ver qual o modelo de slip que está por baixo. Isso não está mal. Só o lenço sobre os cabelos. Porque as calças finas, as minissaias e as camisolas curtas são trajes normais, não islâmicos, não ofensivos, não provocantes, mas o lenço nos cabelos é islâmico, claramente provocante e ofensivo.
Vai daí, como o Estado francês (uma coisa muitíssimo importante em França, o Estado) é laico, e como as escolas estatais são portanto laicas também, vai de depreender que os alunos das escolas estatais também têm que ser laicos, e, como já está demonstrado que usar um lenço a tapar os cabelos não é laico, querem fazer uma lei especial que proíbe os lenços. E, já agora, para maior laicidade, proíbe todos os outros símbolos "religiosos" que os alunos queiram usar (sendo que, naturalmente, caberá ao sacrossanto Estado francês definir o que é religioso e o que deixa de ser). Assim, um aluno deixa de poder usar uma cruz gamada na mochila, outro não pode usar um marcador de livros com a fotografia do imperador do Japão, e, presume-se, qualquer estudante de uma universidade estatal francesa poderá ser obrigado a rapar a barba, se ao Estado francês lhe apetecer decretar que a barba é um símbolo judaico.
Até onde chegará a loucura persecutória estatal? Até onde chegará a falta de razão, o disparate?
Luís Lavoura
Vai daí, como o Estado francês (uma coisa muitíssimo importante em França, o Estado) é laico, e como as escolas estatais são portanto laicas também, vai de depreender que os alunos das escolas estatais também têm que ser laicos, e, como já está demonstrado que usar um lenço a tapar os cabelos não é laico, querem fazer uma lei especial que proíbe os lenços. E, já agora, para maior laicidade, proíbe todos os outros símbolos "religiosos" que os alunos queiram usar (sendo que, naturalmente, caberá ao sacrossanto Estado francês definir o que é religioso e o que deixa de ser). Assim, um aluno deixa de poder usar uma cruz gamada na mochila, outro não pode usar um marcador de livros com a fotografia do imperador do Japão, e, presume-se, qualquer estudante de uma universidade estatal francesa poderá ser obrigado a rapar a barba, se ao Estado francês lhe apetecer decretar que a barba é um símbolo judaico.
Até onde chegará a loucura persecutória estatal? Até onde chegará a falta de razão, o disparate?
Luís Lavoura
Terça-feira, Dezembro 09, 2003
Neve
Devemos ser o único país, que praticamente não tendo neve, esta ocupa grande parte dos telejornais, rivalizando em protogonismo com o processo da Casa Pia...
Se ainda fosse uma acontecimento anómalo, tipo "um metro de neve caiu ontem em Lisboa", ou "a BRISA teve que proceder á interrupção da A1 e da Ponte Vasco da Gama em consequência de um valente nevão", mas não: a notícia que marca o telejornal é a neve que cai todos os anos na Serra da Estrela (mais ou menos entre meados de Outono e princípios de Inverno); é que temos o azar de ter umas serras minorcas, que não chegam aos 2000 metros, com uma neve que não dá para nada (e as pistas de Ski essas, o melhor nem falar delas)! ao menos se tivessemos uns Himaliaias ou uns Andes, ou pelo menos uns Alpes ou uns Pirinéus, quando ouvissemos estas notícias, partiamos o mealheiro, agarravamos nos esquis cuidadosamente arrumados do ano anterior, e partiamos á aventura! duas semanas a fazer esqui de fundo entre o Fundão e a Serra da Malcata; para uma coisa dessa é que valia a pena falar de neve. Não para me juntar a milhares de pessoas que lançam bolas de neve e escorregam em sacos de pá¡stico num espaço exíguo que mais faz lembrar a estação de Metro da Rotunda em hora de ponta....
Despertam-nos os sentidos e depois, népias....
É que frio por frio, prefiro o frio dos flocos de neve às gotas de chuva terrivelmente molhadas....
Não é lá muito alternativo, mas um homem tem que dizer o que lhe vai na alma...
Mesmo assim, falei de esqui de fundo, não de esqui alpino que dá cabo da natureza e das plantinhas....
Sinto uma admiração enorme (e caro está, inveja) por aqueles mancebos e moçoilas que andam horas a fio a esquiar, intervalando o exercício com uns tiros que têm de acertar nuns alvos munúsculos, voltar a esquiar, entre árvores e paisagens e horizontes de perder a respiração....
Se ainda fosse uma acontecimento anómalo, tipo "um metro de neve caiu ontem em Lisboa", ou "a BRISA teve que proceder á interrupção da A1 e da Ponte Vasco da Gama em consequência de um valente nevão", mas não: a notícia que marca o telejornal é a neve que cai todos os anos na Serra da Estrela (mais ou menos entre meados de Outono e princípios de Inverno); é que temos o azar de ter umas serras minorcas, que não chegam aos 2000 metros, com uma neve que não dá para nada (e as pistas de Ski essas, o melhor nem falar delas)! ao menos se tivessemos uns Himaliaias ou uns Andes, ou pelo menos uns Alpes ou uns Pirinéus, quando ouvissemos estas notícias, partiamos o mealheiro, agarravamos nos esquis cuidadosamente arrumados do ano anterior, e partiamos á aventura! duas semanas a fazer esqui de fundo entre o Fundão e a Serra da Malcata; para uma coisa dessa é que valia a pena falar de neve. Não para me juntar a milhares de pessoas que lançam bolas de neve e escorregam em sacos de pá¡stico num espaço exíguo que mais faz lembrar a estação de Metro da Rotunda em hora de ponta....
Despertam-nos os sentidos e depois, népias....
É que frio por frio, prefiro o frio dos flocos de neve às gotas de chuva terrivelmente molhadas....
Não é lá muito alternativo, mas um homem tem que dizer o que lhe vai na alma...
Mesmo assim, falei de esqui de fundo, não de esqui alpino que dá cabo da natureza e das plantinhas....
Sinto uma admiração enorme (e caro está, inveja) por aqueles mancebos e moçoilas que andam horas a fio a esquiar, intervalando o exercício com uns tiros que têm de acertar nuns alvos munúsculos, voltar a esquiar, entre árvores e paisagens e horizontes de perder a respiração....
Inverno na Beira...
Post roubado d'O sedentário, agradável surpresa desta Blogolândia sem limites, cujo autor trata as plantas por tu. Fiquem com as suas palavras, que confortam e aquecem a alma neste Inverno frio e chuvoso.
Vi o Inverno pela primeira vez. Aqui e ali, travestiu-se de azul. Mas não logrou enganar-me, tal a ira dos elementos. O Inverno - o Inverno verdadeiro - abraçou-me, gelado. No termómetro, o mercúrio ensaiava a greve a partir dos três graus. Foi o Inverno. Pela primeira vez.
Entretanto voltei. Fico é sempre com a sensação de que jamais regressei na íntegra, o que dificulta a readaptação. Deixei mais um pedaço do âmago algures no Açor, entre castanheiros vetustos e o tilintar dos chocalhos das cabras, que tragavam a giesta indiferentes às pingas geladas.
E o vento? Aqui, na cidade que dos frios conhece somente o da alma, não há vento - vento verdadeiro; vento do Inverno. O vento tratou-me das bochechas à moda beirã. De bofetada em bofetada, lá consegui assomar-me à porta de uma casa reconfortante, aquecida à força da torga no braseiro.
Depois veio o porco delicioso, a batata suculenta e o vinho "morangueiro", que sorvemos como se água fosse.
O sábado decorreu assim, embalado pelo silvo do vento agreste e a chuva oblíqua. A minha pequena tia, porém, transportou à cabeça um saco de batatas que me vergaria o lombo daí a pouco. Envergonhado, solicitei a fisioterapia às mãos maternas.
Vi o Inverno pela primeira vez. Aqui e ali, travestiu-se de azul. Mas não logrou enganar-me, tal a ira dos elementos. O Inverno - o Inverno verdadeiro - abraçou-me, gelado. No termómetro, o mercúrio ensaiava a greve a partir dos três graus. Foi o Inverno. Pela primeira vez.
Entretanto voltei. Fico é sempre com a sensação de que jamais regressei na íntegra, o que dificulta a readaptação. Deixei mais um pedaço do âmago algures no Açor, entre castanheiros vetustos e o tilintar dos chocalhos das cabras, que tragavam a giesta indiferentes às pingas geladas.
E o vento? Aqui, na cidade que dos frios conhece somente o da alma, não há vento - vento verdadeiro; vento do Inverno. O vento tratou-me das bochechas à moda beirã. De bofetada em bofetada, lá consegui assomar-me à porta de uma casa reconfortante, aquecida à força da torga no braseiro.
Depois veio o porco delicioso, a batata suculenta e o vinho "morangueiro", que sorvemos como se água fosse.
O sábado decorreu assim, embalado pelo silvo do vento agreste e a chuva oblíqua. A minha pequena tia, porém, transportou à cabeça um saco de batatas que me vergaria o lombo daí a pouco. Envergonhado, solicitei a fisioterapia às mãos maternas.
Baralho de cartas alternativo
Não deixem de ir aqui ver o baralho de cartas daqueles que realmente lucram com a guerra do Iraque
Companhias relacionadas com a energia e comércio:
Veja o resto das espadas...
Os falcões da Administração Americana:
Veja o resto das copas...
Contratos relacionados com os militares e com a defesa:
Veja o resto dos paus.
Alta finaça, malta do guito...
Veja o resto dos ouros...
Companhias relacionadas com a energia e comércio:
Veja o resto das espadas...
Os falcões da Administração Americana:
Veja o resto das copas...
Contratos relacionados com os militares e com a defesa:
Veja o resto dos paus.
Alta finaça, malta do guito...
Veja o resto dos ouros...
O combate à SIDA
O novo director geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Jon-Wook Lee, gostaria de utilizar o programa brasileiro de fármacos genéricos para o SIDA gratuitos, como modelo para ajudar os países pobres a tratar e prevenir a doença, disse o presidente do programa de SIDA do Brasil, na terça-feira. “A ideia é usar a experiência do Brasil na concepção deste programa, particularmente na integração da prevenção, tratamento e direitos humanos”, afirmou Paulo Teixeira.
O programa, o qual é aplaudido por manter a doença em cheque, tem-se tornado um modelo para os países em desenvolvimento com a oferta universal de tratamento anti-retrovírico gratuitamente e a quebra de patentes de fármacos quando os fabricantes se recusam a reduzir os preços.
Esta quebra de patentes foi possibilitada pelo movimento alternativo global, que ao pressionar a OMC permitiu o acesso aos medicamentos genéricos a todos os países em vias de desenvolvimento (ao fim de longas e duras negociações): ao contrário de muitas vozes que advogam o contrário, o altermundialismo tem propostas concretas e resultados que começam a estar à vista de todos.
Os responsáveis da OMS estimam que nos países pobres existam seis milhões de pessoas que necessitam de tratamento com retrovirais para combater a SIDA. No Brasil, desde que foi autorizado o fabrico de genéricos e se procedeu à sua distribuição pelos doentes, o número de novos infectados diminuiu drasticamente, passando de 1,2 milhões na década de 90 para cerca de metade.
O Brasil já avançou com outros países do Mercosul, estabelecendo o compromisso de trabalhar em conjunto para estabelecer medidas para um melhor controlo das doenças sexualmente transmissíveis.
Até o momento, na América Latina, prevalecem os preços de medicamentos impostos pelas grandes multinacionais farmacêuticas com sede nos Estados Unidos e Europa, que passando a ser genéricos reduziriam o seu custo em cerca de 600 a 700%!
Depois da primeira derrota (onde a OMC autoriza países "desenvolvidos" a vender medicamentos genéricos a países pobres que não têm a capacidade de os produzir), os poderosos Laboratórios farmacêuticos vêem agora a OMS a dar luz branca ao tratamento da SIDA com medicamentos genéricos.
Definitivamente, um outro mundo é possível! Os alicerces desse novo mundo partem de um princípio muito simples: a vida humana é prioritária; os lucros (neste caso das multinacionais farmacêuticas) são secundários.
Segunda-feira, Dezembro 08, 2003
O espírito de natal
Ainda faltam umas semanitas para o natal e um novo recorde foi batido: ouvi pelo menos umas 20 vezes o George Michael a cantar o "Last Christmas"; a novidade é que as grandes superfícies aderiram ao espírito natalício e passam a dita música vezes sem conta... O rapaz até é um bom rapaz (até estava contra a guerra e fez um vídeo castiço com uns bonecos parecidíssimos com o Bush e o Blair), mas o seu passado é uma desgraça e esta música o expoente da piroseira.
É que entretanto começo a recear mais esta época do ano não tanto pelo consumismo desenfreado (este ano com a crise deve ser um bocadinho menos desenfreado) ou pelas luzinhas irritantes com motivos natalícios (com uma despesa astronómica lá para os lados do Terreiro do Paço)* - mas pelas músicas foleiras repetidas ano após ano, nas rádios, nas ruas (é uma das piores agressões, porque é mais difícil de fugir), nas grandes superfícies, na televisão, massacre esse só comparável aos filmes muita beras alusivos ao tema natalício e ao seu celebrado espírito que temos que gramar todos os anos.
PS – Apesar de tudo, eu até gosto do Natal...
* Em Évora as luzinhas sublinham o desenho dos arcos assimétricos na Praça do Giraldo, o que pelo menos não é tão fatela como os desenhos das renas ou das bolas das árvores de natal que decoram os arcos das ruas...
É que entretanto começo a recear mais esta época do ano não tanto pelo consumismo desenfreado (este ano com a crise deve ser um bocadinho menos desenfreado) ou pelas luzinhas irritantes com motivos natalícios (com uma despesa astronómica lá para os lados do Terreiro do Paço)* - mas pelas músicas foleiras repetidas ano após ano, nas rádios, nas ruas (é uma das piores agressões, porque é mais difícil de fugir), nas grandes superfícies, na televisão, massacre esse só comparável aos filmes muita beras alusivos ao tema natalício e ao seu celebrado espírito que temos que gramar todos os anos.
PS – Apesar de tudo, eu até gosto do Natal...
* Em Évora as luzinhas sublinham o desenho dos arcos assimétricos na Praça do Giraldo, o que pelo menos não é tão fatela como os desenhos das renas ou das bolas das árvores de natal que decoram os arcos das ruas...
Lenço
A jornalista da SIC enviada ao Iraque, Cândida Pinto (honra lhe seja feita por andar a passear por aquelas terras e a mandar-nos reportagens sobre elas; é preciso coragem), tomou finalmente juízo, ganhou finalmente respeito. Depois de alguns dias em que aparecia na televisão, em direto das ruas iraquianas, de cabelos ao vento, ontem apareceu com um véu que lhe cobria adequadamente os cabelos.
Faz muito bem. Respeito pelos costumes locais é coisa que fica muito bem a qualquer um. Certamente que causa horror e repugnância aos iraquianos verem as ocidentais invadir o país deles com trajes que vão claramente contra as leis da simplicidade islâmicos.
Oxalá (inch'Allah) todos os ocidentais soubessem ganhar respeito pelo povo no meio do qual se encontram, e pelo menos adoptar trajes que não dessem nas vistas.
--
Luís Lavoura
Faz muito bem. Respeito pelos costumes locais é coisa que fica muito bem a qualquer um. Certamente que causa horror e repugnância aos iraquianos verem as ocidentais invadir o país deles com trajes que vão claramente contra as leis da simplicidade islâmicos.
Oxalá (inch'Allah) todos os ocidentais soubessem ganhar respeito pelo povo no meio do qual se encontram, e pelo menos adoptar trajes que não dessem nas vistas.
--
Luís Lavoura
Casamento homosexual II
EUROPEUS APOIAM O CASAMENTO HOMOSSEXUAL
Por Rex Wockner
Uma nova sondagem da EOS Gallup Europe revela que 57% dos residentes nas 15 nações que constituem a União Europeia apoiam o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Actualmente, só a Holanda e a Bélgica permitem aos casais homossexuais o acesso ao casamento civil. Seis outros estados da UE têm legislação sobre uniões de facto que conferem alguns, muitos ou todos os direitos decorrentes do casamento, aos casais de pessoas do mesmo sexo que registem as suas uniões.
O apoio foi muito mais baixo nas 13 nações que se preparam para aderir à UE. Apenas 23 por cento das pessoas nesses países, muitos dos quais eram anteriormente comunistas, se pronunciaram favoravelmente a que os casais homossexuais sejam autorizados a casar.
Os entrevistadores colocaram igualmente algumas perguntas sobre a adopção. Quarenta e dois por cento dos residentes na UE e 17% dos residentes nos países candidatos à adesão apoiaram a adopção por casais homossexuais.
A sondagem revela que os níveis mais elevados de apoio aos homossexuais se encontram entre as mulheres, os jovens, as pessoas com educação superior, os ateístas, militantes de esquerda e os residentes de países que já reconhecem alguns ou todos os direitos decorrentes do casamento aos casais de pessoas do mesmo sexo.
A Dinamarca expressou o mais elevado apoio ao casamento homossexual (82%), seguida pela Holanda (80%), Luxemburgo (71%), Suécia (70%), Espanha (68%), Bélgica (67%), Noruega (66%), Suíça (65%), Alemanha (65%), França (58%), Finlândia (56%), República Checa (50%), Áustria (48%), Reino Unido (47%), Itália (47%), irlanda (46%), Portugal (43%), Eslovénia (40%), Hungria (37%), Estónia (35%), Eslováquia (30%), Lituânia (26%), Malta (23%), Bulgária (20%), Letónia (19%), Polónia (19%), Roménia (17%), Grécia (16%), Turquia (16%) e Chipre (9%).
Quanto à pergunta relativa à adopção, a Holanda aparece em primeiro lugar (64%), seguida pela Alemanha (57%), Espanha (57%), Dinamarca (54%), Luxemburgo (49%), Bélgica (47%), Suíça (47%), Suácia (42%), França (39%), Noruega (37%), Reino Unido (35%), República Checa (35%), Irlanda (34%), Hungria (34%), Áustria (33%), Finlândia (30%), Eslovénia (30%), Estónia (27%), Itália (25%), Portugal (25%), Eslováquia (17%), Turquia (16%), Bulgária (14%), Lituânia (13%), Letónia (11%), Grécia (11%), Roménia (11%), Malta (10%), Polónia (10%) e Chipre (6%).
A Noruega e a Suíça, embora situadas na Europa, não fazem parte da União Europeia.
Copiado daqui.
Por Rex Wockner
Uma nova sondagem da EOS Gallup Europe revela que 57% dos residentes nas 15 nações que constituem a União Europeia apoiam o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Actualmente, só a Holanda e a Bélgica permitem aos casais homossexuais o acesso ao casamento civil. Seis outros estados da UE têm legislação sobre uniões de facto que conferem alguns, muitos ou todos os direitos decorrentes do casamento, aos casais de pessoas do mesmo sexo que registem as suas uniões.
O apoio foi muito mais baixo nas 13 nações que se preparam para aderir à UE. Apenas 23 por cento das pessoas nesses países, muitos dos quais eram anteriormente comunistas, se pronunciaram favoravelmente a que os casais homossexuais sejam autorizados a casar.
Os entrevistadores colocaram igualmente algumas perguntas sobre a adopção. Quarenta e dois por cento dos residentes na UE e 17% dos residentes nos países candidatos à adesão apoiaram a adopção por casais homossexuais.
A sondagem revela que os níveis mais elevados de apoio aos homossexuais se encontram entre as mulheres, os jovens, as pessoas com educação superior, os ateístas, militantes de esquerda e os residentes de países que já reconhecem alguns ou todos os direitos decorrentes do casamento aos casais de pessoas do mesmo sexo.
A Dinamarca expressou o mais elevado apoio ao casamento homossexual (82%), seguida pela Holanda (80%), Luxemburgo (71%), Suécia (70%), Espanha (68%), Bélgica (67%), Noruega (66%), Suíça (65%), Alemanha (65%), França (58%), Finlândia (56%), República Checa (50%), Áustria (48%), Reino Unido (47%), Itália (47%), irlanda (46%), Portugal (43%), Eslovénia (40%), Hungria (37%), Estónia (35%), Eslováquia (30%), Lituânia (26%), Malta (23%), Bulgária (20%), Letónia (19%), Polónia (19%), Roménia (17%), Grécia (16%), Turquia (16%) e Chipre (9%).
Quanto à pergunta relativa à adopção, a Holanda aparece em primeiro lugar (64%), seguida pela Alemanha (57%), Espanha (57%), Dinamarca (54%), Luxemburgo (49%), Bélgica (47%), Suíça (47%), Suácia (42%), França (39%), Noruega (37%), Reino Unido (35%), República Checa (35%), Irlanda (34%), Hungria (34%), Áustria (33%), Finlândia (30%), Eslovénia (30%), Estónia (27%), Itália (25%), Portugal (25%), Eslováquia (17%), Turquia (16%), Bulgária (14%), Lituânia (13%), Letónia (11%), Grécia (11%), Roménia (11%), Malta (10%), Polónia (10%) e Chipre (6%).
A Noruega e a Suíça, embora situadas na Europa, não fazem parte da União Europeia.
Copiado daqui.
Casamento homosexual I
PARLAMENTO EUROPEU DEFENDE O CASAMENTO E A ADOPÇÃO POR PESSOAS DO MESMO SEXO E CONDENA A INTROMISSÃO DO VATICANO NA POLÍTICA
Comunicado de imprensa da ILGA-Europa, 5 de Setembro de 2003 O Parlamento Europeu, pela primeira vez na sua história, apoiou expressamente o casamento homossexual e o direito dos homossexuais a adoptarem. No seu relatório sobre Os Direitos Fundamentais na União Europeia em 2002, os eurodeputados solicitam aos Estados-Membros «a abolição de qualquer forma de discriminação - legal ou de facto - de que ainda são vítimas os homossexuais, nomeadamente em matéria de direito ao casamento e à adopção de crianças». Para além disso, o relatório menciona explicitamente as actuais limitações à liberdade de circulação e recomenda aos Estados-Membros que adoptem as medidas necessárias ao reconhecimento dessa liberdade a todas as formas de «família».
O relatório provocou uma acesa controvérsia, uma vez que muitos eurodeputados conservadores puseram em causa a inclusão da discriminação fundada na orientação sexual num relatório sobre os direitos humanos na UE.
No final, a votação foi uma vitória para os direitos humanos: 221 votos a favor, 195 contra e 23 abstenções.
No mesmo dia o Parlamento Europeu aprovou outra resolução, desta feita centrada sobre a situação dos direitos humanos no mundo. Numa resposta directa à arenga do Vaticano contra as «uniões imorais» entre pessoas do mesmo sexo, o Parlamento Europeu expressou a sua discordância perante esta ingerência da Igreja Católica na política.
«Trata-se de um enorme sucesso simbólico constatar que os direitos dos homossexuais estão tão firmemente ancorados na política de direitos humanos da UE», afirmou o co-presidente da ILGA -Europa, Kurt Krickler. «E mais: ao condenar a Igreja por se tentar imiscuir em questões políticas e impedir que gays e lésbicas alcancem a plena igualdade, o Parlamento transmite uma mensagem importante. Do que nós precisamos agora é que essas palavras sejam seguidas por acções concretas».
Copiado daqui.
Comunicado de imprensa da ILGA-Europa, 5 de Setembro de 2003 O Parlamento Europeu, pela primeira vez na sua história, apoiou expressamente o casamento homossexual e o direito dos homossexuais a adoptarem. No seu relatório sobre Os Direitos Fundamentais na União Europeia em 2002, os eurodeputados solicitam aos Estados-Membros «a abolição de qualquer forma de discriminação - legal ou de facto - de que ainda são vítimas os homossexuais, nomeadamente em matéria de direito ao casamento e à adopção de crianças». Para além disso, o relatório menciona explicitamente as actuais limitações à liberdade de circulação e recomenda aos Estados-Membros que adoptem as medidas necessárias ao reconhecimento dessa liberdade a todas as formas de «família».
O relatório provocou uma acesa controvérsia, uma vez que muitos eurodeputados conservadores puseram em causa a inclusão da discriminação fundada na orientação sexual num relatório sobre os direitos humanos na UE.
No final, a votação foi uma vitória para os direitos humanos: 221 votos a favor, 195 contra e 23 abstenções.
No mesmo dia o Parlamento Europeu aprovou outra resolução, desta feita centrada sobre a situação dos direitos humanos no mundo. Numa resposta directa à arenga do Vaticano contra as «uniões imorais» entre pessoas do mesmo sexo, o Parlamento Europeu expressou a sua discordância perante esta ingerência da Igreja Católica na política.
«Trata-se de um enorme sucesso simbólico constatar que os direitos dos homossexuais estão tão firmemente ancorados na política de direitos humanos da UE», afirmou o co-presidente da ILGA -Europa, Kurt Krickler. «E mais: ao condenar a Igreja por se tentar imiscuir em questões políticas e impedir que gays e lésbicas alcancem a plena igualdade, o Parlamento transmite uma mensagem importante. Do que nós precisamos agora é que essas palavras sejam seguidas por acções concretas».
Copiado daqui.
Domingo, Dezembro 07, 2003
O Professor e a lontra
Durante o seu sermão semanal, o Professor Martelo foi perturbado por um ataque furioso de riso do Jornalista da TVI. Apanhado num momento crítico onde constatava o momento difícil que atravessa o país e elevava o PSD a um pedestal celestial (enquanto que Ferro Rodrigues foi lançado à profundeza dos infernos sem apelo nem agravo pelo desalmado Professor), o Professor desviou o olhar do in(feliz) jornalista, driblou as câmaras e varreu sistematicamente o estúdio com o seu olhar fugidio, mas não se aguentou, e apesar da seriedade da situação em que estamos mergulhados, o Professor escancarou-se a rir vezes sem conta. No meio disto tudo, ficamos sem saber os resultados da sondagem de que o Professor falou eloquentemente durante dez minutos.
Se tivesse sido o camarada Pacheco (que segundo o Inimigo Público, tem o sentido de humor de uma lontra), de certeza que se tinha aguentado sereno e impávido, na sua habitual compostura*, e teria debitado as percentagens todinhas das sondagens sem ligar nenhuma ao jornalista que se desfazia em gargalhadas mesmo em frente do seu nariz....
* segundo o Inimigo Publico, um dos problemas maiores de Pacheco Pereira é a sua absoluta inabilidade televisiva [quando não está a botar discurso]: nos lábios, nos olhos e nas bochechas paira um fastio enciclopédico indesmentível face aos jornalistas e demais canalha....
PS - não quis aqui denegrir a boa imagem de que as lontras gozam nem difamar a honra do seu bom nome.....
Se tivesse sido o camarada Pacheco (que segundo o Inimigo Público, tem o sentido de humor de uma lontra), de certeza que se tinha aguentado sereno e impávido, na sua habitual compostura*, e teria debitado as percentagens todinhas das sondagens sem ligar nenhuma ao jornalista que se desfazia em gargalhadas mesmo em frente do seu nariz....
* segundo o Inimigo Publico, um dos problemas maiores de Pacheco Pereira é a sua absoluta inabilidade televisiva [quando não está a botar discurso]: nos lábios, nos olhos e nas bochechas paira um fastio enciclopédico indesmentível face aos jornalistas e demais canalha....
PS - não quis aqui denegrir a boa imagem de que as lontras gozam nem difamar a honra do seu bom nome.....
Catástrofes longínquas
Imagem "roubada" das Ruminações Digitais.
Sob a aparente tranquilidade de um planeta distante, o drama desencadeou-se com fúria e estrépito; os mundos tremem e ameaçam colapsar.....
Para saber do que se trata, têm que ir aqui....
Alca ligth questionada
6.dezembro/2003 - Caracas, Venezuela - Marcelo Larrea* para Adital
Na V Assembléia da Confederação Parlamentar das Américas, a presidente do organismo continental, a deputada venezuelana, Jhannett Madriz, afirmou: "Deve-se entender que pertencem ao passado as ilusões referidas a que só o jogo das forças do mercado bastam por si mesmas para combater a pobreza e brindar possibilidades de viver como seres humanos".
"A dimensão social resulta, em conseqüência, indispensável na hora de impulsionar um processo autêntico de integração, como o que requerem os países deste continente e é, portanto, um desafio de primeira ordem medir cuidadosamente as vantagens e desvantagens das iniciativas de integração continental neste campo. Por tal motivo, precaver os efeitos sobre as pessoas em geral, e as menos protegidas e de menor recursos em particular, tendo o devido cuidado de discernir as legítimas reivindicações sociais, são os actuais desafios da dimensão social do Processo de Integração Latino-americana", disse.
Uma vitória de Wall Street?
Madriz questionou a posição do Chanceler brasileiro, Celso Amorim, que tratou como um êxito a aprovação na cúpula dos Ministros de Comércio realizada em Miami, de "uma arquitectura da Alca permissiva que não imponha um formato único aos países", que abriu as portas à negociação da Bolívia, Peru, Equador e Colômbia de tratados bilaterais de livre comércio com os Estados Unidos, que podem afectar seriamente os avanços na integração comercial logrados pela Comunidade Andina e as perspectivas de uma aliança estratégica com o Mercosul.
"De que se trata?, - perguntou - De um triunfo de todos ou, melhor, da vitória da diplomacia de Wall Street? Por acaso não se está mudando uma negociação multilateral, onde teoricamente pudéssemos ter mais força, por negociações bilaterais nas quais cada país por si só se vê frente à potência económica mais poderosa do mundo? Insistimos, será uma vitória semelhante lucro?".
"Agora bem, - respondeu - vejamos isto desde uma perspectiva integral, que foi que em essência se lucrou? Estritamente, pode dizer-se que o `êxito´ consistiu em que os governos latino-americanos devem negociar, um por um, frente aos Estados Unidos direitos e obrigações comuns sobre acesso aos mercados, agricultura, serviços, propriedade intelectual, subsídios, normas sobre competência comercial, medidas antidumping (dumping: venda por preço abaixo do custo para afastar concorrentes) e compras ao sector público. Ou seja, o que para muitos eram os pontos mais controversos do modelo `duro´. Paradoxalmente, sim houve um vencedor! Mudou-se a unidade potencial de um continente pela estratégia mais ou menos hábil dos 34 governos nacionais actuando separadamente. Por isso, para quem promove a integração como uma tábua de salvação comum frente a nossa falta de desenvolvimento, sobretudo para os países andinos que dispõem do modelo de integração de maior institucionalização depois do europeu, o que tem havido é uma brutal derrota, um imperdoável fracasso que, ao consolidar-se, nos cobrará a história".
A deputada fez uma reflexão sobre o que tem sucedido com este tipo de política e sublinhou que o caso mais dramático de tais estratégias é o das negociações e renegociações da Dívida Externa, mediante as quais, nossos países têm sido condenados, a castigar suas respectivas economias encerrando suas potencialidades de crescimento, o que "tem significado um sacrifício descomunal dos aparatos produtivos nacionais e uma violenta diminuição das condições de vida de milhões de seres humanos na região".
"Não é difícil imaginar, afirmou Jhannett Madriz, o destino que terão estas negociações bilaterais no âmbito comercial. Portanto, torna-se imperativo superar o esquema `bilateralista´ e adotar fórmulas de negociação em blocos regionais".
A presidente da Confederação Parlamentar das Américas denunciou que "a Alca seja `dura´ ou seja light, ameaça propiciar uma concentração de poder econômico maior em poucas mãos e em poucas empresas, favorecendo a formação de monopólios e oligopólios, que terminariam por impor sua hegemonia aos governos, especialmente nos países mais fracos do continente americano. É preciso que nossos Parlamentos tenham em conta este aspecto e fomentem a sensibilidade e a reflexão necessárias nos governos, nas elites dirigentes e no seio dos próprios povos".
* Marcelo Larrea é correspondente da Adital e diretor da revista "el Sucre" do Equador
Na V Assembléia da Confederação Parlamentar das Américas, a presidente do organismo continental, a deputada venezuelana, Jhannett Madriz, afirmou: "Deve-se entender que pertencem ao passado as ilusões referidas a que só o jogo das forças do mercado bastam por si mesmas para combater a pobreza e brindar possibilidades de viver como seres humanos".
"A dimensão social resulta, em conseqüência, indispensável na hora de impulsionar um processo autêntico de integração, como o que requerem os países deste continente e é, portanto, um desafio de primeira ordem medir cuidadosamente as vantagens e desvantagens das iniciativas de integração continental neste campo. Por tal motivo, precaver os efeitos sobre as pessoas em geral, e as menos protegidas e de menor recursos em particular, tendo o devido cuidado de discernir as legítimas reivindicações sociais, são os actuais desafios da dimensão social do Processo de Integração Latino-americana", disse.
Uma vitória de Wall Street?
Madriz questionou a posição do Chanceler brasileiro, Celso Amorim, que tratou como um êxito a aprovação na cúpula dos Ministros de Comércio realizada em Miami, de "uma arquitectura da Alca permissiva que não imponha um formato único aos países", que abriu as portas à negociação da Bolívia, Peru, Equador e Colômbia de tratados bilaterais de livre comércio com os Estados Unidos, que podem afectar seriamente os avanços na integração comercial logrados pela Comunidade Andina e as perspectivas de uma aliança estratégica com o Mercosul.
"De que se trata?, - perguntou - De um triunfo de todos ou, melhor, da vitória da diplomacia de Wall Street? Por acaso não se está mudando uma negociação multilateral, onde teoricamente pudéssemos ter mais força, por negociações bilaterais nas quais cada país por si só se vê frente à potência económica mais poderosa do mundo? Insistimos, será uma vitória semelhante lucro?".
"Agora bem, - respondeu - vejamos isto desde uma perspectiva integral, que foi que em essência se lucrou? Estritamente, pode dizer-se que o `êxito´ consistiu em que os governos latino-americanos devem negociar, um por um, frente aos Estados Unidos direitos e obrigações comuns sobre acesso aos mercados, agricultura, serviços, propriedade intelectual, subsídios, normas sobre competência comercial, medidas antidumping (dumping: venda por preço abaixo do custo para afastar concorrentes) e compras ao sector público. Ou seja, o que para muitos eram os pontos mais controversos do modelo `duro´. Paradoxalmente, sim houve um vencedor! Mudou-se a unidade potencial de um continente pela estratégia mais ou menos hábil dos 34 governos nacionais actuando separadamente. Por isso, para quem promove a integração como uma tábua de salvação comum frente a nossa falta de desenvolvimento, sobretudo para os países andinos que dispõem do modelo de integração de maior institucionalização depois do europeu, o que tem havido é uma brutal derrota, um imperdoável fracasso que, ao consolidar-se, nos cobrará a história".
A deputada fez uma reflexão sobre o que tem sucedido com este tipo de política e sublinhou que o caso mais dramático de tais estratégias é o das negociações e renegociações da Dívida Externa, mediante as quais, nossos países têm sido condenados, a castigar suas respectivas economias encerrando suas potencialidades de crescimento, o que "tem significado um sacrifício descomunal dos aparatos produtivos nacionais e uma violenta diminuição das condições de vida de milhões de seres humanos na região".
"Não é difícil imaginar, afirmou Jhannett Madriz, o destino que terão estas negociações bilaterais no âmbito comercial. Portanto, torna-se imperativo superar o esquema `bilateralista´ e adotar fórmulas de negociação em blocos regionais".
A presidente da Confederação Parlamentar das Américas denunciou que "a Alca seja `dura´ ou seja light, ameaça propiciar uma concentração de poder econômico maior em poucas mãos e em poucas empresas, favorecendo a formação de monopólios e oligopólios, que terminariam por impor sua hegemonia aos governos, especialmente nos países mais fracos do continente americano. É preciso que nossos Parlamentos tenham em conta este aspecto e fomentem a sensibilidade e a reflexão necessárias nos governos, nas elites dirigentes e no seio dos próprios povos".
* Marcelo Larrea é correspondente da Adital e diretor da revista "el Sucre" do Equador
Sexta-feira, Dezembro 05, 2003
Ainda o défice
O companheiro secreto alerta-nos para uma triste realidade: nem todos os gastos do estado são despesas; ele há gastos que são investimento. O estado, na sua fossanguisse de despedir às cegas para poupar uns tostões vai perder agora uns milhões. Pois é:
O Estado português corre o risco de não conseguir recuperar dívidas ao fisco no valor de 1.600.000.000 euros (mais de 10% do PIB nacional) por prescrição das mesmas - as Finanças têm em lista de espera 3.000.000 de processos de execução fiscal que prescrevem no próximo trimestre. Segundo esclareceu um responsável, a lista de espera deve-se à insuficiência de meios técnicos e humanos.
Ex.ma obsessão de sua Ex.a a Ministra das Finanças, a lição é a seguinte: nem todas as despesas são um custo - algumas são um investimento, ou seja, mais do que se pagam a si próprias. Segundo esclareceu o tal responsável, coisas tão simples como mais fiscais e mais computadores teriam permitido não perder os milhões enunciados.
O Estado português corre o risco de não conseguir recuperar dívidas ao fisco no valor de 1.600.000.000 euros (mais de 10% do PIB nacional) por prescrição das mesmas - as Finanças têm em lista de espera 3.000.000 de processos de execução fiscal que prescrevem no próximo trimestre. Segundo esclareceu um responsável, a lista de espera deve-se à insuficiência de meios técnicos e humanos.
Ex.ma obsessão de sua Ex.a a Ministra das Finanças, a lição é a seguinte: nem todas as despesas são um custo - algumas são um investimento, ou seja, mais do que se pagam a si próprias. Segundo esclareceu o tal responsável, coisas tão simples como mais fiscais e mais computadores teriam permitido não perder os milhões enunciados.
O caso do perú falso
Segundo o Quinto elemento, o Perú que Bush levou para o Iraque era falso (era tudo uma montagem). Independentemente de ser falso ou não, o homem mais poderoso do mundo visitar um país estrangeiro, às escondidas, em segredo, com um perú debaixo do braço é no mínimo estranho. Será que as próximas visitas oficiais de Bush irão seguir este Modus operandi? [já o estou a imaginar com um Perú debaixo do Braço a chegar à base das Lages, e só depois telefonar a Durão para dizer que estava em visita ao nosso País] ou será que Bush já considera o Iraque como mais um estado Americano?
Tirado do Quinto Elemento
Tirado do Quinto Elemento
O amor patriótico ao défice
O Janela para o Rio concorda com o Miguel (o Paulo aconcelha a sua leitura), que mais ou menos está de acordo com o José: a Ferreira Leite está no bom caminho e não há alternativa às suas políticas.
Noutros países com políticas semelhantes à nossa , o desemprego continua a subir, como acontece na vizinha Espanha.
Mesmo nos EUA, enquanto que Bush diz que “as coisas parecem bastante boas” (relativamente à Economia do Michigan), constatamos que na prática, “é difícil falar de uma grande retoma económica nos EUA quando no nosso quintal não há o mais pequeno sinal disso” (Bill Ballenger, analista político; o Michigan perdeu 180 000 empregos desde 2001 e tem actualmente 7,6% de desemprego – a maior taxa do País).
Na Bolívia, para compensar o perdão fiscal feito às multinacionais petrolíferas (que deviam mais de 100 milhões de dólares ao fisco), o governo fez uma drástica redução no investimento público e o congelamento dos salários..... (já vi isto num sítio qualquer...)
Entretanto, na Alemanha, onde o défice passou para segundo plano e as pessoas para primeiro, o desemprego continua a descer....
Haverá aqui um padrão, ou apenas uma sucessão incrível de coincidências???
PS - Eu gostava era de ver o Miguel, o José, o Bagão, o Zé Manel, a Ferreirinha e outros no desemprego, para ver como mudavam rapidamente a sua forma de sentir o problema, que toca irremediavelmente sempre aos outros. Gostava de vê-los a sentir no pêlo a angustia de não ter emprego, o contar dos tostões a toda a hora, o poupar para ver se dá para pagar a renda, etc. Depois, Miguel já poderíamos falar de amor patriótico... é que os sacrifícios de que falas não és tu que os fazes; sou eu mais meio milhão de Portugueses!
Noutros países com políticas semelhantes à nossa , o desemprego continua a subir, como acontece na vizinha Espanha.
Mesmo nos EUA, enquanto que Bush diz que “as coisas parecem bastante boas” (relativamente à Economia do Michigan), constatamos que na prática, “é difícil falar de uma grande retoma económica nos EUA quando no nosso quintal não há o mais pequeno sinal disso” (Bill Ballenger, analista político; o Michigan perdeu 180 000 empregos desde 2001 e tem actualmente 7,6% de desemprego – a maior taxa do País).
Na Bolívia, para compensar o perdão fiscal feito às multinacionais petrolíferas (que deviam mais de 100 milhões de dólares ao fisco), o governo fez uma drástica redução no investimento público e o congelamento dos salários..... (já vi isto num sítio qualquer...)
Entretanto, na Alemanha, onde o défice passou para segundo plano e as pessoas para primeiro, o desemprego continua a descer....
Haverá aqui um padrão, ou apenas uma sucessão incrível de coincidências???
PS - Eu gostava era de ver o Miguel, o José, o Bagão, o Zé Manel, a Ferreirinha e outros no desemprego, para ver como mudavam rapidamente a sua forma de sentir o problema, que toca irremediavelmente sempre aos outros. Gostava de vê-los a sentir no pêlo a angustia de não ter emprego, o contar dos tostões a toda a hora, o poupar para ver se dá para pagar a renda, etc. Depois, Miguel já poderíamos falar de amor patriótico... é que os sacrifícios de que falas não és tu que os fazes; sou eu mais meio milhão de Portugueses!
Mais de 300 ONGs repudiam o acordo nuclear com Austrália
4.dezembro - Ecologia global
Um acordo de cooperação nuclear entre a Argentina e a Austrália está a orginar uma forte reacção de centenas de organizações não governamentais, redes colectivas e milhares de cidadãos.
Esse tipo de importação estrangeira implica - entre outras coisas - a passagem de cargas radioativas letais por águas territoriais, rotas e populações argentinas densamente povoadas, submetendo o país a perigos que se estenderão por mais de 100.000 anos, além de aumentar a sua exposição ao terrorismo internacional, dizem as organizações em campanha contra o acordo nuclear.
O acordo com a Austrália deve ser ratificado pelo Congresso, pois já tem meia sanção do Senado e só falta a aprovação da Câmara dos Deputados. Se o texto for aprovado, os resíduos entrariam na Argentina por duas vias, uma delas seria o porto de Buenos Aires e a outra o Porto de Baía Branca.
"Nós vizinhos não aceitamos este acordo porque o lixo nuclear que vem de outras nações e a devolução do mesmo, já tratado, implicaria a passagem de barcos com cargas radioactivas letais por águas territoriais argentinas", manifestou Claudio Caruso, do movimento Cidadãos Auto-convocados em Defesa da Constituição. No entanto, a empresa estatal Investigações Aplicadas (Invap), do estado de Rio Negro, na região da Patagônia e construtora do reactor que foi vendido à Austrália, qualificou a campanha como de "má fé" e "falta de respeito". A empresa sustenta que só o facto de chamar os materiais de "resíduos nucleares" era um gesto prejorativo e precipitado.
Artigo completo aqui
Um acordo de cooperação nuclear entre a Argentina e a Austrália está a orginar uma forte reacção de centenas de organizações não governamentais, redes colectivas e milhares de cidadãos.
Esse tipo de importação estrangeira implica - entre outras coisas - a passagem de cargas radioativas letais por águas territoriais, rotas e populações argentinas densamente povoadas, submetendo o país a perigos que se estenderão por mais de 100.000 anos, além de aumentar a sua exposição ao terrorismo internacional, dizem as organizações em campanha contra o acordo nuclear.
O acordo com a Austrália deve ser ratificado pelo Congresso, pois já tem meia sanção do Senado e só falta a aprovação da Câmara dos Deputados. Se o texto for aprovado, os resíduos entrariam na Argentina por duas vias, uma delas seria o porto de Buenos Aires e a outra o Porto de Baía Branca.
"Nós vizinhos não aceitamos este acordo porque o lixo nuclear que vem de outras nações e a devolução do mesmo, já tratado, implicaria a passagem de barcos com cargas radioactivas letais por águas territoriais argentinas", manifestou Claudio Caruso, do movimento Cidadãos Auto-convocados em Defesa da Constituição. No entanto, a empresa estatal Investigações Aplicadas (Invap), do estado de Rio Negro, na região da Patagônia e construtora do reactor que foi vendido à Austrália, qualificou a campanha como de "má fé" e "falta de respeito". A empresa sustenta que só o facto de chamar os materiais de "resíduos nucleares" era um gesto prejorativo e precipitado.
Artigo completo aqui
Boas vindas
Hello_world é um novo Blog alternativo, com muitos números e dados que fazem pensar; fica aqui um exemplo:
Multinacionais vs Pobreza
Algumas das conclusões de um estudo efectuado pelo "The Institute for Policy Studies" em 2000:
•Das 100 maiores economias do mundo, 51 são multinacionais e 49 são países.
•As vendas das multinacionais pertencentes ao Top 200 da revista Fortune são 18 vezes superiores à soma dos rendimentos anuais de 1 200 000 pessoas (24 % da população mundial) que vivem em extrema pobreza.
•Apesar de as vendas das multinacionais pertencentes ao Top 200 serem equivalentes a 27.5% da actividade económica mundial, estas apenas empregam 0.78 % da mão-de-obra mundial.
Para ver relatório completo aqui
Um outro mundo é possível...
Multinacionais vs Pobreza
Algumas das conclusões de um estudo efectuado pelo "The Institute for Policy Studies" em 2000:
•Das 100 maiores economias do mundo, 51 são multinacionais e 49 são países.
•As vendas das multinacionais pertencentes ao Top 200 da revista Fortune são 18 vezes superiores à soma dos rendimentos anuais de 1 200 000 pessoas (24 % da população mundial) que vivem em extrema pobreza.
•Apesar de as vendas das multinacionais pertencentes ao Top 200 serem equivalentes a 27.5% da actividade económica mundial, estas apenas empregam 0.78 % da mão-de-obra mundial.
Para ver relatório completo aqui
Um outro mundo é possível...
Quinta-feira, Dezembro 04, 2003
O clima "aquece" nos EUA
Novas provas demonstram que não restam dúvidas da relação existente entre as emissões industriais de gases (que provocam efeito de estufa) e o aquecimento global. Este fenómeno acelerou nos últimos 50 anos e ameaça continuar pelos próximos séculos. Quem o afirma são dois dos mais proeminentes cientistas Americanos; os resultados obtidos por Thomas Karl e Kevin Trenberth serão publicados na próxima sexta feira na prestigiada revista Science.
Os dois especialistas afirmaram que “poderá ser o maior desafio da humanidade” e avisaram que “o problema nunca será resolvido sem um aumento da cooperação internacional e a tomada de medidas concretas” [numa alusão ao protocolo de Quioto, a que os EUA não aderiram, embora sejam responsáveis por mais de 1/3 das emissões mundiais].
Estes cientistas estão em desacordo com a opinião de alguns cientistas, segundo a qual as oscilações térmicas são fenómenos normais e naturais: “As modernas mudanças climáticas são dominadas pela acção humana, que é actualmente suficientemente grande para que a sua influência ultrapasse os limites naturais da variação térmica.”
“Não temos dúvidas de que a composição da atmosfera mudou por causa das actividades humanas, e que hoje em dias os gases do efeito de estufa são os a maior influência humana no clima global”
Segundo os seus cálculos, há uma probabilidade de 90% de no fim deste século a temperatura tenha subido entre 3,1 e 8,9 graus Fahrenheit por causa das actividades humanas.
Entre as consequências apontadas desta mudança climática, está o extremar das condições climatéricas, com mais períodos de seca extrema e outros de cheias abundantes.
Prevêem ainda mais incêndios, mudanças abruptas da vegetação, e a fusão das calotes glaciares, provocando inundações em todas as zonas costeiras do mundo.
James Mahoney da administração Bush, disse que "eles são extremamente competentes e haverá muitos cientistas a concordar com as suas afirmações; mas haverá muitos outros a discordar. A minha visão é de certo modo mais aberta e despreconceituosa, já que na verdade não entendemos tão bem estas questões como gostaríamos."
David Perlman, 4 de Dezembro de 2003.
Traduzido daqui
PS - Esta história lembra-me uma outra de um tal Galileu que dizia que a terra era redonda......
Os dois especialistas afirmaram que “poderá ser o maior desafio da humanidade” e avisaram que “o problema nunca será resolvido sem um aumento da cooperação internacional e a tomada de medidas concretas” [numa alusão ao protocolo de Quioto, a que os EUA não aderiram, embora sejam responsáveis por mais de 1/3 das emissões mundiais].
Estes cientistas estão em desacordo com a opinião de alguns cientistas, segundo a qual as oscilações térmicas são fenómenos normais e naturais: “As modernas mudanças climáticas são dominadas pela acção humana, que é actualmente suficientemente grande para que a sua influência ultrapasse os limites naturais da variação térmica.”
“Não temos dúvidas de que a composição da atmosfera mudou por causa das actividades humanas, e que hoje em dias os gases do efeito de estufa são os a maior influência humana no clima global”
Segundo os seus cálculos, há uma probabilidade de 90% de no fim deste século a temperatura tenha subido entre 3,1 e 8,9 graus Fahrenheit por causa das actividades humanas.
Entre as consequências apontadas desta mudança climática, está o extremar das condições climatéricas, com mais períodos de seca extrema e outros de cheias abundantes.
Prevêem ainda mais incêndios, mudanças abruptas da vegetação, e a fusão das calotes glaciares, provocando inundações em todas as zonas costeiras do mundo.
James Mahoney da administração Bush, disse que "eles são extremamente competentes e haverá muitos cientistas a concordar com as suas afirmações; mas haverá muitos outros a discordar. A minha visão é de certo modo mais aberta e despreconceituosa, já que na verdade não entendemos tão bem estas questões como gostaríamos."
David Perlman, 4 de Dezembro de 2003.
Traduzido daqui
PS - Esta história lembra-me uma outra de um tal Galileu que dizia que a terra era redonda......
EUA de aço
Acabei de ouvir a justificação do Governo Americano para o proteccionismo exercido relativamente ao aço; basicamente, precisaram de 20 meses para voltar a ter a fileira do aço competitiva. Isto é livre concorrência a la carte: quando os países poderosos são competitivos, exigem que todos os outros países abram as fronteiras; quando não são competitivos, ele é subsídios à produção, taxas à importação e ainda mais subsídios à exportação.
O único objectivo é manter o dinheiro sempre a fluir no mesmo sentido: dos países pobres para os países ricos. Finalmente, na última reunião da OMC, os países em desenvolvimento questionaram as políticas proteccionistas dos países ricos, nomeadamente as políticas agrícolas da Europa e dos Estados Unidos.
Claramente, nas trocas comerciais globais, somos todos iguais, mas ele há uns mais iguais que outros...
O único objectivo é manter o dinheiro sempre a fluir no mesmo sentido: dos países pobres para os países ricos. Finalmente, na última reunião da OMC, os países em desenvolvimento questionaram as políticas proteccionistas dos países ricos, nomeadamente as políticas agrícolas da Europa e dos Estados Unidos.
Claramente, nas trocas comerciais globais, somos todos iguais, mas ele há uns mais iguais que outros...
Ser ou não ser
O mar salgado argumenta bem: considera que a lei do aborto não tem sentido a partir do momento em que há milhares de mulheres que infringem essa lei, pondo em perigo as suas vidas devido às más condições em que realizam os abortos ilegais (agradeço ao Cruzes a chamada de atenção). O Barnabé indigna-se justamente perante a criminalização recente de 7 mulheres.
Mas se é evidente que a criminalização do aborto é uma idiotice sem limites, o único argumento que resta aos “pró-vida” é a questão de ser ou não ser vida, aos quantos meses, aos quantos dias... O Mar salgado e o Caso arrumado, assumem esta posição, defendendo que já há vida, ou alma, ou o que lhe quisermos chamar, a partir da concepção:
1) a vida intra-uterina não é um nada; é, nas palavras do saudoso Orlando de Carvalho, uma spes vitae, que, justamente enquanto esperança ou potência de vida, merece consideração comunitária e, por isso, protecção jurídica , diz o Mar Salgado; Tenho para mim que o feto, desde um momento que ainda ninguém conseguiu definir qual pelo que há de presumir-se que desde a concepção, é uma Vida, diz o Caso arrumado.
Contribuindo para reflexão de todos, queria discutir não a vida ou não vida do embrião (o argumento mais propalado aquando das discussões públicas sobre o aborto), mas o reflexo deste argumento na sociedade. É que se é verdade, e se todos aqueles que defendem este argumento o fizeram em consciência, então há uma enorme contradição entre o que se disse e a realidade empiricamente percepcionada.
É que existem milhares de abortos naturais todos os anos; socialmente, será que um embrião de 1, 2, 3 ou mesmo 4 meses é considerado como uma pessoa? Se sim, onde estão nos cemitérios esses milhares de corpos diminutos que todos os anos morrem de morte natural? Onde estão os filhos minúsculos dos milhares de partidários do não ao aborto que morreram prematuramente?
Na realidade, os abortos naturais são completamente ocultados, pelo menos quando são embriões de poucos meses; mesmo no seio da Igreja, estas mortes prematuras não são consideradas dignas de ritos fúnebres. Pelo contrário: os preconceitos levam a que estes abortos não sejam assumidos publicamente, e os pequenos embriões que serviram hipocritamente de argumento para desviar as atenções dos verdadeiros problemas do aborto ilegal acabam abandonados num canto qualquer.
Por isso, cá fica a questão: como é que consideram que o embrião é vida e depois não o tratam condignamente? Há aqui uma ligeira contradição, só justificável pela necessidade de argumentar e de ter razão. Mas como se pode ver, os actos estão muito longe das palavras; a razão, essa, perdeu-se nos meandros dos argumentos invocados para justificar o injustificável. E por debaixo de convicções muito católicas estão escondidas uma mão cheia de mentiras e comportamentos hipócritas, a bem da moral e do decoro das mulheres, sem respeito nenhum pelas suas vidas...
PS - Talvez esteja enganado, mas nunca tive conhecimento de um funeral de um embrião de 2 ou 3 meses...
PS2 - A Bloguítica e o comprometido espectador também andam nestas lides...
Mas se é evidente que a criminalização do aborto é uma idiotice sem limites, o único argumento que resta aos “pró-vida” é a questão de ser ou não ser vida, aos quantos meses, aos quantos dias... O Mar salgado e o Caso arrumado, assumem esta posição, defendendo que já há vida, ou alma, ou o que lhe quisermos chamar, a partir da concepção:
1) a vida intra-uterina não é um nada; é, nas palavras do saudoso Orlando de Carvalho, uma spes vitae, que, justamente enquanto esperança ou potência de vida, merece consideração comunitária e, por isso, protecção jurídica , diz o Mar Salgado; Tenho para mim que o feto, desde um momento que ainda ninguém conseguiu definir qual pelo que há de presumir-se que desde a concepção, é uma Vida, diz o Caso arrumado.
Contribuindo para reflexão de todos, queria discutir não a vida ou não vida do embrião (o argumento mais propalado aquando das discussões públicas sobre o aborto), mas o reflexo deste argumento na sociedade. É que se é verdade, e se todos aqueles que defendem este argumento o fizeram em consciência, então há uma enorme contradição entre o que se disse e a realidade empiricamente percepcionada.
É que existem milhares de abortos naturais todos os anos; socialmente, será que um embrião de 1, 2, 3 ou mesmo 4 meses é considerado como uma pessoa? Se sim, onde estão nos cemitérios esses milhares de corpos diminutos que todos os anos morrem de morte natural? Onde estão os filhos minúsculos dos milhares de partidários do não ao aborto que morreram prematuramente?
Na realidade, os abortos naturais são completamente ocultados, pelo menos quando são embriões de poucos meses; mesmo no seio da Igreja, estas mortes prematuras não são consideradas dignas de ritos fúnebres. Pelo contrário: os preconceitos levam a que estes abortos não sejam assumidos publicamente, e os pequenos embriões que serviram hipocritamente de argumento para desviar as atenções dos verdadeiros problemas do aborto ilegal acabam abandonados num canto qualquer.
Por isso, cá fica a questão: como é que consideram que o embrião é vida e depois não o tratam condignamente? Há aqui uma ligeira contradição, só justificável pela necessidade de argumentar e de ter razão. Mas como se pode ver, os actos estão muito longe das palavras; a razão, essa, perdeu-se nos meandros dos argumentos invocados para justificar o injustificável. E por debaixo de convicções muito católicas estão escondidas uma mão cheia de mentiras e comportamentos hipócritas, a bem da moral e do decoro das mulheres, sem respeito nenhum pelas suas vidas...
PS - Talvez esteja enganado, mas nunca tive conhecimento de um funeral de um embrião de 2 ou 3 meses...
PS2 - A Bloguítica e o comprometido espectador também andam nestas lides...
Quarta-feira, Dezembro 03, 2003
Moral e Ética
Confunde-se, assiduamente, Moral com Ética. E a verdade é que nem sempre é fácil saber, ou mesmo vislumbrar onde "a terra acaba e o mar começa". A meu ver, a moral compreende as acções práticas do Homem e baseia-se em valores de comportamento, por vezes pouco claros e precisos, enquanto a ética abrange a reflexão teórica sobre os princípios onde estão assentes esses valores. Enunciemos alguns preceitos fundamentais, hoje reduzidos a meros "clichés" e até certo ponto ridicularizados, mas que, pensando bem, deviam reger os nossos actos: "fazer o bem e evitar o mal" (S. Tomás de Aquino); "não faças aos outros o que não queres que te façam" (Confúcio); "a maior felicidade para o maior número possível" (John Stuart Mill); os "Dez Mandamentos", etc.
Tomados a sério, estes preceitos conduzem-nos, inevitavelmente, a uma série de problemas interessantes, embora de difícil solução. Por outro lado, não é certo que uma ou outra "rabecada" de filosofia moral tenha o efeito - desejado mas talvez utópico - de transformar o Homem num ser melhor e mais responsável. Mas pode, todavia, ter o mérito de despertar nele o desejo e a vontade de reflectir, tornando-o, por conseguinte, mais consciente e mais crítico. O que já não seria nada pouco!
Atingimos um ponto da nossa Civilização onde tudo acontece a uma velocidade vertiginosa, onde todos querem "ir da segunda à quarta, sem passar pela terceira" (Albert Camus) e onde o Homem não tem nem pode ter tempo para parar e reflectir. Todos os dias, e a todas as horas, somos bombardeados com notícias de actos indignos, sangrentos, bestiais, atrozes e hediondos, cometidos por indivíduos que não são nenhuns monstros, mas sim seres humanos com eu e tu, leitor. Será que a intensidade e a quantidade de semelhantes notícias nos torna insensíveis? (O fenómeno nada teria de estranho. Todos nós sabemos o que acontece, quando se castiga, durante um longo espaço de tempo, severa e repetidamente, uma parte qualquer do nosso corpo...) Há sessenta e poucos anos que nos flagelam os sentidos com descrições de crimes abomináveis, sem que, por isso, se note no Homem, na hora actual, qualquer desejo de "penitência". De facto, já nos trouxeram, pela mão, da Alemanha Nazista até Istambul, passando pelo Vietname, pelo Camboja, pelo Ruanda, pela Bósnia, por Jenine, pelo World Trade Center, pelo Afeganistão e pelo Iraque. Aonde nos levarão em seguida?
E que dizer da avareza e da cobiça, da caça ao lucro rápido e fácil, do tráfico da droga, do branqueamento de dinheiro, das "fugas" à justiça por intermédio de atestados médicos, dos crimes de pedofilia praticados por sacerdotes da nossa Santa Igreja Católica nos EUA, do escândalo Casa Pia, do politicamente correcto, da passividade criminosa da ONU?
Nos últimos anos, em certas sociedades da Europa, a Moral e a Ética alcançaram o estatuto, nobre e invejável, de conceito comercial. Vendem-se cursos de Moral e Ética! E há quem os compre. Infelizmente, não são princípios puramente altruístas que impelem os maiores e mais ávidos clientes a procurar esses cursos. É, portanto, legítimo presumir que os fins são pouco edificantes. Hoje, na era da globalização, o existencialismo de Sartre está ultrapassado, porque não funciona na prática e a ideia do "bom Estado" de Kant, embora realizável, deixou de ser realista. A existência do cidadão está submetida à ordem moral ditada pela economia de mercado, cuja essência é o frio cálculo, que está a ganhar cada vez mais terreno, ameaçando mesmo "ir da carícia branda ao afago inteiro", sob o olhar impávido e sereno dos democraticamente eleitos.
Não existem receitas mágicas para a cura de todos estes males, alguns deles tão velhos como a existência do Homem sobre a Terra. Que isso não nos leve a depor as armas e cruzar os braços! Porque ainda há, em cada um de nós, uns restos de decência. E enquanto houver decência há esperança. O problema é que a decência, embora não seja sôfrega, exige alimento... Tentemos pois criar uma sociedade dentro da qual cada indivíduo se sinta útil e capaz de discernir o que é importante e o que é fútil na vida, enfim, onde seja fácil se reconhecer e se comportar como Ser suficientemente decente.
Asdrúbal Vieira
12/03/03
Tomados a sério, estes preceitos conduzem-nos, inevitavelmente, a uma série de problemas interessantes, embora de difícil solução. Por outro lado, não é certo que uma ou outra "rabecada" de filosofia moral tenha o efeito - desejado mas talvez utópico - de transformar o Homem num ser melhor e mais responsável. Mas pode, todavia, ter o mérito de despertar nele o desejo e a vontade de reflectir, tornando-o, por conseguinte, mais consciente e mais crítico. O que já não seria nada pouco!
Atingimos um ponto da nossa Civilização onde tudo acontece a uma velocidade vertiginosa, onde todos querem "ir da segunda à quarta, sem passar pela terceira" (Albert Camus) e onde o Homem não tem nem pode ter tempo para parar e reflectir. Todos os dias, e a todas as horas, somos bombardeados com notícias de actos indignos, sangrentos, bestiais, atrozes e hediondos, cometidos por indivíduos que não são nenhuns monstros, mas sim seres humanos com eu e tu, leitor. Será que a intensidade e a quantidade de semelhantes notícias nos torna insensíveis? (O fenómeno nada teria de estranho. Todos nós sabemos o que acontece, quando se castiga, durante um longo espaço de tempo, severa e repetidamente, uma parte qualquer do nosso corpo...) Há sessenta e poucos anos que nos flagelam os sentidos com descrições de crimes abomináveis, sem que, por isso, se note no Homem, na hora actual, qualquer desejo de "penitência". De facto, já nos trouxeram, pela mão, da Alemanha Nazista até Istambul, passando pelo Vietname, pelo Camboja, pelo Ruanda, pela Bósnia, por Jenine, pelo World Trade Center, pelo Afeganistão e pelo Iraque. Aonde nos levarão em seguida?
E que dizer da avareza e da cobiça, da caça ao lucro rápido e fácil, do tráfico da droga, do branqueamento de dinheiro, das "fugas" à justiça por intermédio de atestados médicos, dos crimes de pedofilia praticados por sacerdotes da nossa Santa Igreja Católica nos EUA, do escândalo Casa Pia, do politicamente correcto, da passividade criminosa da ONU?
Nos últimos anos, em certas sociedades da Europa, a Moral e a Ética alcançaram o estatuto, nobre e invejável, de conceito comercial. Vendem-se cursos de Moral e Ética! E há quem os compre. Infelizmente, não são princípios puramente altruístas que impelem os maiores e mais ávidos clientes a procurar esses cursos. É, portanto, legítimo presumir que os fins são pouco edificantes. Hoje, na era da globalização, o existencialismo de Sartre está ultrapassado, porque não funciona na prática e a ideia do "bom Estado" de Kant, embora realizável, deixou de ser realista. A existência do cidadão está submetida à ordem moral ditada pela economia de mercado, cuja essência é o frio cálculo, que está a ganhar cada vez mais terreno, ameaçando mesmo "ir da carícia branda ao afago inteiro", sob o olhar impávido e sereno dos democraticamente eleitos.
Não existem receitas mágicas para a cura de todos estes males, alguns deles tão velhos como a existência do Homem sobre a Terra. Que isso não nos leve a depor as armas e cruzar os braços! Porque ainda há, em cada um de nós, uns restos de decência. E enquanto houver decência há esperança. O problema é que a decência, embora não seja sôfrega, exige alimento... Tentemos pois criar uma sociedade dentro da qual cada indivíduo se sinta útil e capaz de discernir o que é importante e o que é fútil na vida, enfim, onde seja fácil se reconhecer e se comportar como Ser suficientemente decente.
Asdrúbal Vieira
12/03/03
Nota botânica XVI
A mística do Sabugueiro
O sabugueiro é uma das árvores com mais potencial mágico na cultura Europeia. Segundo a tradição cristã, foi considerado historicamente como emblema da dor e da morte. As razões para isto estão nos “factos” históricos. Foi esta a árvore onde Judas se enforcou e parece que a cruz de Cristo era feita de Sabugueiro. A partir daqui, são muitas as culturas que passaram a considerar o Sabugueiro maldito e aconselharam a todos que se afastassem desta árvore.
Por exemplo, entre os ciganos há a crença de não utilizar sabugueiro nas suas fogueiras; na tradição teutónica, o Sabugueiro estava relacionado com a ninfa da floresta de Hyldemoer, que habitava nos seus ramos e não deixava que o cortassem sob a pena de perseguir os infractores e encantá-los irremediavelmente. Dizem que entrava nas casas daqueles que tivessem berços feitos de Sabugueiro e que aborrecia e maltratava os bebés até que mudassem de berço. Nesta mesma cultura, os coveiros mediam os mortos para construir os caixões com varas de Sabugueiro.
Mas nem todas as crenças em redor do Sabugueiro são negativas, mantendo no entanto o seu carácter mágico. Os sérvios casam-se levando um raminho de Sabugueiro como sinal de que a união assim celebrada será duradoura. Entre os Anglo-saxões, existia a crença de apanhar as suas folhas no último dia de Abril e pendurá-las nas portas, para evitar que as bruxas entrassem. Em Tirol, coloca-se sobre a sepultura uma cruz feita de ramos de Sabugueiro; se estes florirem, a alma do morto descansará feliz.....
Sambucus nigra
PS - Soube hoje que o meu futuro emprego está dependente do Ministério das Finanças. Vou já apanhar umas folhitas de sabugueiro e pendurar na porta, não vá entrar-me pela casa a dentro uma certa bruxa....
O sabugueiro é uma das árvores com mais potencial mágico na cultura Europeia. Segundo a tradição cristã, foi considerado historicamente como emblema da dor e da morte. As razões para isto estão nos “factos” históricos. Foi esta a árvore onde Judas se enforcou e parece que a cruz de Cristo era feita de Sabugueiro. A partir daqui, são muitas as culturas que passaram a considerar o Sabugueiro maldito e aconselharam a todos que se afastassem desta árvore.
Por exemplo, entre os ciganos há a crença de não utilizar sabugueiro nas suas fogueiras; na tradição teutónica, o Sabugueiro estava relacionado com a ninfa da floresta de Hyldemoer, que habitava nos seus ramos e não deixava que o cortassem sob a pena de perseguir os infractores e encantá-los irremediavelmente. Dizem que entrava nas casas daqueles que tivessem berços feitos de Sabugueiro e que aborrecia e maltratava os bebés até que mudassem de berço. Nesta mesma cultura, os coveiros mediam os mortos para construir os caixões com varas de Sabugueiro.
Mas nem todas as crenças em redor do Sabugueiro são negativas, mantendo no entanto o seu carácter mágico. Os sérvios casam-se levando um raminho de Sabugueiro como sinal de que a união assim celebrada será duradoura. Entre os Anglo-saxões, existia a crença de apanhar as suas folhas no último dia de Abril e pendurá-las nas portas, para evitar que as bruxas entrassem. Em Tirol, coloca-se sobre a sepultura uma cruz feita de ramos de Sabugueiro; se estes florirem, a alma do morto descansará feliz.....
Sambucus nigra
PS - Soube hoje que o meu futuro emprego está dependente do Ministério das Finanças. Vou já apanhar umas folhitas de sabugueiro e pendurar na porta, não vá entrar-me pela casa a dentro uma certa bruxa....
Fitoterapia contra as anginas
Neste caso a filosofia da coisa é gargarejar para que os princípios activos das plantinhas entrem em contacto com a garganta doente. Por isso, não sejam poupados nos gargarejos....
Para as anginas temos várias plantas excelentes:
Aloé - Aloe vera - Garagarejar com o suco da planta diluido em água.
Agrimónia - Agrimonia eupatoria - Fazer uma cocção com uma mão cheia de folhas secas num litro de água adocicada com mel. Gargarejar com fartura. Fazer uma infusão com 40 grs de planta seca por litro de água. Beber 2 chávenas por dia.
Malva - gargajerar uma decocção de flores e folhas secas; eficaz contra a dor de garganta.
Malva silvestris
Sabugueiro - Gargarejar com a infusão de 20 grs de flores secas num litro de água. A infusão é deliciosa, pelo que se pode beber em quantidade, sem fazer sacrifício nenhum....As flores de sabugueiro devem ser colhidas de madrugada e deixar secar num local seco e sem sol directo.
Sambucus nigra
Amieiro - Alnus glutinosa - Gargarejar com a decocção de casca de Amieiro (60 grs por litro, deixar ferver durante um quarto de hora).
Para as anginas temos várias plantas excelentes:
Aloé - Aloe vera - Garagarejar com o suco da planta diluido em água.
Agrimónia - Agrimonia eupatoria - Fazer uma cocção com uma mão cheia de folhas secas num litro de água adocicada com mel. Gargarejar com fartura. Fazer uma infusão com 40 grs de planta seca por litro de água. Beber 2 chávenas por dia.
Malva - gargajerar uma decocção de flores e folhas secas; eficaz contra a dor de garganta.
Malva silvestris
Sabugueiro - Gargarejar com a infusão de 20 grs de flores secas num litro de água. A infusão é deliciosa, pelo que se pode beber em quantidade, sem fazer sacrifício nenhum....As flores de sabugueiro devem ser colhidas de madrugada e deixar secar num local seco e sem sol directo.
Sambucus nigra
Amieiro - Alnus glutinosa - Gargarejar com a decocção de casca de Amieiro (60 grs por litro, deixar ferver durante um quarto de hora).
Certeza estatística
Em estatística, quando temos dois resultados semelhantes obtidos por processos completamente independentes, estamos na presença de um padrão muito robusto, muito próxima da realidade.
Depois de 2/3 dos Europeus afirmarem que a guerra contra o Iraque não foi justificada, com 67% dos Portugueses a ter esta opinião (dos quais 43% achavam que não era de todo justificada e 25% a inclinar-se mais para que não houvesse uma justificação válida para a guerra - ver aqui o relatório completo), uma sondagem divulgada ontem na RTP veio confirmar o mesmo resultado, aumentando mesmo a percentagem de pessoas que estão contra a ocupação do Iraque.
Numa sondagem encomendada pela RTP e o Público, 79% dos Portugueses acham que as consequências da ocupação do Iraque pela "coligação" foram más (22%) ou muito más (57%). Apenas 22% acham que as consequências da ocupação foram boas (14%) ou muito boas (8%).
Portanto, no espaço de 1 mês e meio, os Portugueses contra a guerra passaram de 67% a 79%. Neste caso concreto a representatividade e legitimidade do Governo para se aliar aos EUA é nula. Ter mandado para lá homens, ainda veio agravar mais o sentimento de repúdio por uma acção militar estúpida, cada vez menos compreendida, e cada vez menos tolerada pela maior parte das nações do Mundo.
Até quando é que as nossas "democracias" vão fazer orelhas moucas à voz dos cidadãos? é que se for uma vez, pode-se ainda dizer que as sondagens são manhosas; mas duas e três e quatro vezes deixa de haver dúvidas: a probabilidade das sondagens não reflectirem um sentimento real de repúdio por uma guerra estúpida é de 0,00000625 (cada uma das sondagens tem um intervalo de confiança de 95%); ou seja, é quase uma certeza que a esmagadora maioria da população Portuguesa está contra a guerra: 99,999375% de certeza!
PS - à semelhança da sondagem Europeia, esta sondagem foi reduzida à sua mínima expressão no Público de hoje (aparece numa coluna minuscula na versão em papel - página 11; não aparece na versão online) será uma coincidência? à semelhança das sondagens, quando as coincidências são muitas deixam de ser coincidências e passam a ser manipulação e encobrimento de informação... Shame on you, Mr Fernandes (Zé Manel), shame on you.....
Depois de 2/3 dos Europeus afirmarem que a guerra contra o Iraque não foi justificada, com 67% dos Portugueses a ter esta opinião (dos quais 43% achavam que não era de todo justificada e 25% a inclinar-se mais para que não houvesse uma justificação válida para a guerra - ver aqui o relatório completo), uma sondagem divulgada ontem na RTP veio confirmar o mesmo resultado, aumentando mesmo a percentagem de pessoas que estão contra a ocupação do Iraque.
Numa sondagem encomendada pela RTP e o Público, 79% dos Portugueses acham que as consequências da ocupação do Iraque pela "coligação" foram más (22%) ou muito más (57%). Apenas 22% acham que as consequências da ocupação foram boas (14%) ou muito boas (8%).
Portanto, no espaço de 1 mês e meio, os Portugueses contra a guerra passaram de 67% a 79%. Neste caso concreto a representatividade e legitimidade do Governo para se aliar aos EUA é nula. Ter mandado para lá homens, ainda veio agravar mais o sentimento de repúdio por uma acção militar estúpida, cada vez menos compreendida, e cada vez menos tolerada pela maior parte das nações do Mundo.
Até quando é que as nossas "democracias" vão fazer orelhas moucas à voz dos cidadãos? é que se for uma vez, pode-se ainda dizer que as sondagens são manhosas; mas duas e três e quatro vezes deixa de haver dúvidas: a probabilidade das sondagens não reflectirem um sentimento real de repúdio por uma guerra estúpida é de 0,00000625 (cada uma das sondagens tem um intervalo de confiança de 95%); ou seja, é quase uma certeza que a esmagadora maioria da população Portuguesa está contra a guerra: 99,999375% de certeza!
PS - à semelhança da sondagem Europeia, esta sondagem foi reduzida à sua mínima expressão no Público de hoje (aparece numa coluna minuscula na versão em papel - página 11; não aparece na versão online) será uma coincidência? à semelhança das sondagens, quando as coincidências são muitas deixam de ser coincidências e passam a ser manipulação e encobrimento de informação... Shame on you, Mr Fernandes (Zé Manel), shame on you.....
Terça-feira, Dezembro 02, 2003
Padrões Europeus
Segundo esta notícia, existe um único ponto em que nos aproximamos vertiginosamente dos padrões Europeus. Não, não se trata do crescimento económico, da saúde ou da educação; estamos finalmente a atingir a média Europeia do desemprego. E depois de termos batido o recorde da broa (comestível) maior do mundo, amealhamos um novo recorde: o crescimento mais vertiginoso do Desemprego entre os países da Europa nos últimos 2 anos. É por estas e por outras que estamos a sair da crise: batemos recordes uns atrás dos outros...
Constituição ou cartilha neoliberal
Com atraso em relação a outros países, o debate da chamada Constituição Europeia vem-se desenvolvendo em Portugal, em torno da realização (ou não) de um referendo e da respectiva data. A questão do referendo é sem dúvida importante, até porque seria a primeira oportunidade para os portugueses se pronunciarem directamente sobre a construção europeia, desde a adesão, em 1985, passando pelos tratados de Maastricht (1992), Amesterdão e Nice. Ao contrário doutros povos que debateram, votaram e até rejeitaram alguns tratados, obrigando à sua modificação – estou-me a lembrar da Dinamarca e da Irlanda – o povo português foi remetido para um estatuto de menoridade cívica, algures entre o ‘bom aluno’ e o ‘Chico-esperto’, conforme a tónica dos diversos governos.
Os resultados estão à vista: arrebatámos à Grécia o último lugar do comboio europeu e, mais recentemente, a obsessão do défice e a terapia de choque de Manuela Ferreira Leite, tornaram Portugal um caso de estudo, pela negativa. O que terá isto a ver com a Constituição Europeia, é a pergunta que já adivinho em muitos ouvintes. Directamente, a política dos governos não depende da existência ou ausência duma Constituição. Mas quando as políticas e os políticos neoliberais ocuparam a chamada Convenção, presidida pelo antigo presidente francês, Giscard d’Estaing, que preparou o actual projecto de Constituição europeia, há todas as razões para estarmos preocupados com o agravamento da ortodoxia monetarista que está na origem da actual crise.
É necessário um debate público e aberto, descodificando o linguajar ‘europês’ dos burocratas de Bruxelas, para permitir uma opção consciente de todos os cidadãos e cidadãs. Em Portugal não é isso que está a acontecer nos debates entre ‘especialistas’ nem é o que pretendem os partidos que têm monopolizado a construção europeia. Já se percebeu, aliás, que nenhum quer verdadeiramente o referendo: o governo PSD-PP, ao impor a data de 13 de Junho, sabe que tal é impossível porque a Constituição portuguesa proíbe a realização de referendos em dia de eleições, neste caso europeias; e afirmar que esta data traria maior participação chega a ser anedótico: a média da abstenção nas eleições para o PE tem andado acima dos 60% e não se prevê que baixe em 2004, com o Europeu de futebol a começar em 12 de Junho – o dia de reflexão. A menos que, num golpe de mágica, Durão & Portas mandem instalar urnas de voto à entrada dos estádios e nos acessos às praias…
Mas o pior é que, a 14 de Maio, a Conferência Inter-Governamental (CIG) aprovará o texto final da dita Constituição Europeia. A partir desta data nenhumas alterações são possíveis e portanto qualquer referendo – como o proposto pelo PS para final de 2004 – significa ‘pegar ou largar’, uma espécie de plebiscito que nada tem de democrático e mais parece uma chantagem. A única posição coerente, defendida por constitucionalistas como Jorge Miranda, Vital Moreira e personalidades insuspeitas como João Salgueiro, seria um referendo anterior a 14 de Maio, no qual os portugueses se pronunciem sobre questões vitais como a subordinação ou não da C.R.P. à Constituição europeia; a criação do cargo de Presidente do Conselho Europeu; e o aumento de atribuições e poderes da UE no domínio da defesa. A decisão dos portugueses e dos restantes povos ainda poderia condicionar a CIG de 14 de Maio. Mas está quase a esgotar-se o prazo de uma revisão constitucional que viabilize a realização de um referendo e parece claro que, mais uma vez, PSD, PP e PS se combinaram numa espécie de ‘jogo do empata’ do qual não sairá referendo nenhum.
Não entrando hoje no debate em concreto do projecto de Constituição – que contém limitações inaceitáveis ao direito à greve e ao seu âmbito, por exemplo – ressalta, desde logo, a sua génese pouco democrática: uma ‘Convenção’ com cerca de 200 personalidades escolhidas pelos governos e presidida por Giscard d’Estaing, com voto de qualidade. Desde a Constituição dos EUA, aprovada na Convenção de Filadélfia, passando pela Revolução Francesa, que uma Constituição democrática só pode sair duma assembleia constituinte livremente eleita, como aconteceu também em Portugal após o 25 de Abril. É verdade que houve caricaturas, como as Cartas Constitucionais impostas pela realeza e pela aristocracia; mas, seguir esse exemplo, seria recuar mais de 200 anos. É, no entanto, o que nos propõe, no século XXI, esta nova aristocracia financeira: não uma Constituição, mas uma cartilha neoliberal ditada pelos governos. A esta fraude é preciso dizer não e apresentar alternativas, como procuram neste momento as esquerdas europeias. Voltaremos este tema, brevemente.
Alberto Matos - Crónica semanal na Rádio Pax
Os resultados estão à vista: arrebatámos à Grécia o último lugar do comboio europeu e, mais recentemente, a obsessão do défice e a terapia de choque de Manuela Ferreira Leite, tornaram Portugal um caso de estudo, pela negativa. O que terá isto a ver com a Constituição Europeia, é a pergunta que já adivinho em muitos ouvintes. Directamente, a política dos governos não depende da existência ou ausência duma Constituição. Mas quando as políticas e os políticos neoliberais ocuparam a chamada Convenção, presidida pelo antigo presidente francês, Giscard d’Estaing, que preparou o actual projecto de Constituição europeia, há todas as razões para estarmos preocupados com o agravamento da ortodoxia monetarista que está na origem da actual crise.
É necessário um debate público e aberto, descodificando o linguajar ‘europês’ dos burocratas de Bruxelas, para permitir uma opção consciente de todos os cidadãos e cidadãs. Em Portugal não é isso que está a acontecer nos debates entre ‘especialistas’ nem é o que pretendem os partidos que têm monopolizado a construção europeia. Já se percebeu, aliás, que nenhum quer verdadeiramente o referendo: o governo PSD-PP, ao impor a data de 13 de Junho, sabe que tal é impossível porque a Constituição portuguesa proíbe a realização de referendos em dia de eleições, neste caso europeias; e afirmar que esta data traria maior participação chega a ser anedótico: a média da abstenção nas eleições para o PE tem andado acima dos 60% e não se prevê que baixe em 2004, com o Europeu de futebol a começar em 12 de Junho – o dia de reflexão. A menos que, num golpe de mágica, Durão & Portas mandem instalar urnas de voto à entrada dos estádios e nos acessos às praias…
Mas o pior é que, a 14 de Maio, a Conferência Inter-Governamental (CIG) aprovará o texto final da dita Constituição Europeia. A partir desta data nenhumas alterações são possíveis e portanto qualquer referendo – como o proposto pelo PS para final de 2004 – significa ‘pegar ou largar’, uma espécie de plebiscito que nada tem de democrático e mais parece uma chantagem. A única posição coerente, defendida por constitucionalistas como Jorge Miranda, Vital Moreira e personalidades insuspeitas como João Salgueiro, seria um referendo anterior a 14 de Maio, no qual os portugueses se pronunciem sobre questões vitais como a subordinação ou não da C.R.P. à Constituição europeia; a criação do cargo de Presidente do Conselho Europeu; e o aumento de atribuições e poderes da UE no domínio da defesa. A decisão dos portugueses e dos restantes povos ainda poderia condicionar a CIG de 14 de Maio. Mas está quase a esgotar-se o prazo de uma revisão constitucional que viabilize a realização de um referendo e parece claro que, mais uma vez, PSD, PP e PS se combinaram numa espécie de ‘jogo do empata’ do qual não sairá referendo nenhum.
Não entrando hoje no debate em concreto do projecto de Constituição – que contém limitações inaceitáveis ao direito à greve e ao seu âmbito, por exemplo – ressalta, desde logo, a sua génese pouco democrática: uma ‘Convenção’ com cerca de 200 personalidades escolhidas pelos governos e presidida por Giscard d’Estaing, com voto de qualidade. Desde a Constituição dos EUA, aprovada na Convenção de Filadélfia, passando pela Revolução Francesa, que uma Constituição democrática só pode sair duma assembleia constituinte livremente eleita, como aconteceu também em Portugal após o 25 de Abril. É verdade que houve caricaturas, como as Cartas Constitucionais impostas pela realeza e pela aristocracia; mas, seguir esse exemplo, seria recuar mais de 200 anos. É, no entanto, o que nos propõe, no século XXI, esta nova aristocracia financeira: não uma Constituição, mas uma cartilha neoliberal ditada pelos governos. A esta fraude é preciso dizer não e apresentar alternativas, como procuram neste momento as esquerdas europeias. Voltaremos este tema, brevemente.
Alberto Matos - Crónica semanal na Rádio Pax
Fitoterapia contra a gripe
Neste Outono gelado, com a gripe a atacar sem dó nem piedade, fica aqui uma lista de receitas contra a gripe, utilizando plantinhas, flores, folhas e óleos essenciais. Power to the plants!!
Alho (Allium sativum)– comer cru nas saladas. Não terás grande sucesso no amor e nas conquistas, mas a gripe também não convida lá muito à socialização.
Lúcia lima– decocção durante 25 minutos de 100 grs de folhas secas por litro de água. 2 chávenas por dia. O melhor é plantar a Lúcia lima (também chamada Erva Luísa) perto de casa, no quintal ou na varanda. É daquelas plantas medicinais que são boas para muita coisa, com a vantagem de serem cheirosas e saborosas.
Verbena officinalis
Borragem – Infusão de uma colher de folhas secas por chávena; 3 chávenas por dia. A apanhar no campo, convém que não seja à beira da estrada (onde se dão excelentemente).
Borrago officinalis
Eucalipto (Eucaliptus globulus) – Cocção de 20 gr de folhas secas por litro de água. 2 chávenas por dia adocicadas com uma beca de mel. Esta é a utilização interessante do Eucalipto; a pasta de papel foi um acidente de percurso.....
Loureiro (Laurus nobilis) – 4 gotas de óleo essencial, três vezes ao dia. Convém comprar o óleo; se experimentarem espremer as folhas de Loureiro, não obterão óleo (muito menos óleio essencial). O azeite do refogado, mesmo que feito com abundância de folhas de Louro também não serve....
Alecrim – Infusão de folhas e flores secas. 3 chávenas por dia. O alecrim é daquelas plantas fantásticas, floridas a maior parte do ano, que têm múltiplos usos, medicinais e culinários. É bom ter sempre um alecrim perto de ti, sempre à mão.
Rosmarinus officinalis
Nota metodológica - o Alho, o Eucalipto e o Loureiro toda a gente conhece; por isso, não ilustrei com fotografias lindas...
PS - Isto de ser alternativo tem que ser uma coisa concreta, palpável, não pode ser só blá blá....
Alho (Allium sativum)– comer cru nas saladas. Não terás grande sucesso no amor e nas conquistas, mas a gripe também não convida lá muito à socialização.
Lúcia lima– decocção durante 25 minutos de 100 grs de folhas secas por litro de água. 2 chávenas por dia. O melhor é plantar a Lúcia lima (também chamada Erva Luísa) perto de casa, no quintal ou na varanda. É daquelas plantas medicinais que são boas para muita coisa, com a vantagem de serem cheirosas e saborosas.
Verbena officinalis
Borragem – Infusão de uma colher de folhas secas por chávena; 3 chávenas por dia. A apanhar no campo, convém que não seja à beira da estrada (onde se dão excelentemente).
Borrago officinalis
Eucalipto (Eucaliptus globulus) – Cocção de 20 gr de folhas secas por litro de água. 2 chávenas por dia adocicadas com uma beca de mel. Esta é a utilização interessante do Eucalipto; a pasta de papel foi um acidente de percurso.....
Loureiro (Laurus nobilis) – 4 gotas de óleo essencial, três vezes ao dia. Convém comprar o óleo; se experimentarem espremer as folhas de Loureiro, não obterão óleo (muito menos óleio essencial). O azeite do refogado, mesmo que feito com abundância de folhas de Louro também não serve....
Alecrim – Infusão de folhas e flores secas. 3 chávenas por dia. O alecrim é daquelas plantas fantásticas, floridas a maior parte do ano, que têm múltiplos usos, medicinais e culinários. É bom ter sempre um alecrim perto de ti, sempre à mão.
Rosmarinus officinalis
Nota metodológica - o Alho, o Eucalipto e o Loureiro toda a gente conhece; por isso, não ilustrei com fotografias lindas...
PS - Isto de ser alternativo tem que ser uma coisa concreta, palpável, não pode ser só blá blá....
Segunda-feira, Dezembro 01, 2003
OE 2004 - posição da ATTAC
É o crescimento tolerado do desemprego que surge como a variável decisiva para percebermos a actual situação e os efeitos que o governo espera alcançar com sua política pró-cíclica. De facto, o aumento do desemprego, aliado ao congelamento dos salários da função pública justificado pela necessidade de conter a despesa corrente, contribui poderosamente para que os salários reais cresçam abaixo do incremento previsto da produtividade, fazendo com que a recuperação da rentabilidade das empresas se faça à custa da compressão dos custos salariais e através do aumento esperado da sua competitividade externa. Não é pois de estranhar que o governo deposite todas as esperanças numa recuperação económica tirada pelas exportações, pois sabe que as opções por si seguidas minam o crescimento do mercado interno. A lógica de uma política económica obcecada pelo défice encontra-se aqui. No fundo, trata-se de fazer com que o ajustamento recessivo se faça por via da contracção dos custos salariais, destinada a manter-se nos próximos anos. A manutenção de uma taxa de desemprego elevada instrumental para alcançar tal propósito.
Basta olhar para o crescimento das receitas fiscais para se concluir que não há o mínimo de ambição a este respeito: em 2004 o Estado espera encaixar mais 3,5% em impostos, exactamente o mesmo valor que o crescimento nominal da economia. Ou seja, não haverá quaisquer ganhos de eficiência fiscal resultantes de um aumento da base tributária. Não há prova mais eloquente do que esta: os impostos aumentam pelo simples efeito indutor do crescimento económico, numa altura em que estão por cobrar 13 mil milhões de euros em dívidas.
Mas este OE comete uma segunda perversidade, ao agravar a carga fiscal precisamente sobre os cumpridores, os trabalhadores dependentes. Os escalões do IRS são actualizados a 2%, tendo por base um referencial de inflação considerado irrealista, fazendo-se a actualização dos escalões de forma indiferenciada, o que encerra em si mais uma desigualdade. Aplicar a mesma taxa de actualização a todos os escalões de rendimento corresponde, na prática, a um desagravamento dos rendimentos mais elevados, uma vez que o decréscimo do salário real daqui resultante é maior nos salários mais baixos. Adicionalmente não são actualizados à inflação média esperada os tectos máximos dos benefícios fiscais a deduzir, o que, na prática, significa um aumento da carga fiscal.
Lisboa, 27 de Novembro de 2003,
Grupo de Economia e Finanças da ATTAC
Texto completo na página da ATTAC.
Basta olhar para o crescimento das receitas fiscais para se concluir que não há o mínimo de ambição a este respeito: em 2004 o Estado espera encaixar mais 3,5% em impostos, exactamente o mesmo valor que o crescimento nominal da economia. Ou seja, não haverá quaisquer ganhos de eficiência fiscal resultantes de um aumento da base tributária. Não há prova mais eloquente do que esta: os impostos aumentam pelo simples efeito indutor do crescimento económico, numa altura em que estão por cobrar 13 mil milhões de euros em dívidas.
Mas este OE comete uma segunda perversidade, ao agravar a carga fiscal precisamente sobre os cumpridores, os trabalhadores dependentes. Os escalões do IRS são actualizados a 2%, tendo por base um referencial de inflação considerado irrealista, fazendo-se a actualização dos escalões de forma indiferenciada, o que encerra em si mais uma desigualdade. Aplicar a mesma taxa de actualização a todos os escalões de rendimento corresponde, na prática, a um desagravamento dos rendimentos mais elevados, uma vez que o decréscimo do salário real daqui resultante é maior nos salários mais baixos. Adicionalmente não são actualizados à inflação média esperada os tectos máximos dos benefícios fiscais a deduzir, o que, na prática, significa um aumento da carga fiscal.
Lisboa, 27 de Novembro de 2003,
Grupo de Economia e Finanças da ATTAC
Texto completo na página da ATTAC.
SEMANA DOS DIREITOS HUMANOS - COIMBRA II
Programação:
9 Dez 2003, 14h30: Conferência de imprensa no Café Santa Cruz, Coimbra
9 Dez 2003, 21h30: Tertúlia «Sexismo e Homofobia», Ateneu de Coimbra
10 Dez 2003, 18h30: Lançamento da revista Art.º @ (Artigo Feminino), no À
Capella, Coimbra
13 Dez 2003, 10h-18h: Formação «Aqueles direitos: educando para os direitos humanos das mulheres e das minorias sexuais», Centro de Estudos Sociais, Coimbra
18 Dez 2003, 21h30: Debate «A cidade e os direitos humanos», Casa Municipal da Cultura, Coimbra
9 Dez 2003, 14h30: Conferência de imprensa no Café Santa Cruz, Coimbra
9 Dez 2003, 21h30: Tertúlia «Sexismo e Homofobia», Ateneu de Coimbra
10 Dez 2003, 18h30: Lançamento da revista Art.º @ (Artigo Feminino), no À
Capella, Coimbra
13 Dez 2003, 10h-18h: Formação «Aqueles direitos: educando para os direitos humanos das mulheres e das minorias sexuais», Centro de Estudos Sociais, Coimbra
18 Dez 2003, 21h30: Debate «A cidade e os direitos humanos», Casa Municipal da Cultura, Coimbra
SEMANA DOS DIREITOS HUMANOS - COIMBRA I
A primeira Assembleia dos Movimentos Sociais realizada em Portugal, a 10 de Junho de 2003, na cidade Lisboa, salientou como data comemorativa e de intervenção social o Dia Internacional dos Direitos Humanos, que se comemora no próximo dia 10 de Dezembro.
A partir desse objectivo, as associações Acção Jovem para a Paz, Humana Global, não te prives – Grupo de Defesa dos Direitos Sexuais e o Núcleo de Estudantes de Sociologia da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, organizam entre 9 e 18 de Dezembro de 2003 um conjunto de actividades com o objectivo de relembrar esta data e de promover junto das populações uma maior consciência da
importância da defesa dos Direitos Humanos.
Como afirma a declaração da Assembleia dos Movimentos Sociais “a defesa, a reivindicação e o exercício dos direitos comprometem os Movimentos Sociais. Esse compromisso recusa a ideologia neoconservadora que procura transformar os direitos universais em práticas de cariz assistencialista. Os direitos não são uma benesse; eles são resultado de lutas perseverantes e condição de e da
humanidade”.
É portanto a partir da necessidade de promover uma discussão pública informada, e formada sobre os direitos humanos, bem como sobre as questões actuais que se colocam na agenda dos direitos humanos, que estas organizações prepararam as actividades que seguidamente apresentamos e nas quais esperamos que deseje participar.
A partir desse objectivo, as associações Acção Jovem para a Paz, Humana Global, não te prives – Grupo de Defesa dos Direitos Sexuais e o Núcleo de Estudantes de Sociologia da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, organizam entre 9 e 18 de Dezembro de 2003 um conjunto de actividades com o objectivo de relembrar esta data e de promover junto das populações uma maior consciência da
importância da defesa dos Direitos Humanos.
Como afirma a declaração da Assembleia dos Movimentos Sociais “a defesa, a reivindicação e o exercício dos direitos comprometem os Movimentos Sociais. Esse compromisso recusa a ideologia neoconservadora que procura transformar os direitos universais em práticas de cariz assistencialista. Os direitos não são uma benesse; eles são resultado de lutas perseverantes e condição de e da
humanidade”.
É portanto a partir da necessidade de promover uma discussão pública informada, e formada sobre os direitos humanos, bem como sobre as questões actuais que se colocam na agenda dos direitos humanos, que estas organizações prepararam as actividades que seguidamente apresentamos e nas quais esperamos que deseje participar.
Dia sem compras com todos nas compras!
Dia Sem Compras! Dia 29 de Novembro. Começou em 93 nos Estados Unidos com a Adbusters (caça-anúncios, contra publicidade..), e agora “apareceu” em Portugal!
Comprar menos viver mais! O grande objectivo era que as pessoas reflectissem sobre os seus hábitos de consumo, e suas consequências ambientais e sociais. Não porque as pessoas não pensem ou não saibam pensar, mas porque vivemos deprimidos, com medo, e sem tempo para o fazê-lo. Aliás, nós não vivemos, andamos a correr! E compramos compramos compramos, como se saciássemos assim algo que nos faz falta. Consumimos o necessário e o desnecessário. Compramos um produto sem pensar no que está por trás. É um consumo rápido. Eficaz! Olha-se, gosta-se, tem-se dinheiro, compra-se! Ninguém fala da exploração infantil, do trabalho precário, da poluição do ar e da água, da exploração animal.. Ninguém nos diz a nós consumidores, que a Terra tá a morrer, que estamos a esgotar todos os recursos naturais.. E que esses recursos naturais estão nos países chamados de 3º mundo, embora quem lucre com eles, e quem os consuma esteja nos países ditos desenvolvidos.
Todos os dias somos atingidos com anúncios que nos aliciam para compra deste ou daquele produto... Mas ninguém nos “alerta” para consumirmos menos, com mais responsabilidade.
Hoje pretendíamos alertar, os outros, e nós mesmos também, mesmo que inconscientemente.
Aqui segue um resumo de como decorreram as acções no Porto, na minha perspectiva:
Chegamos ao Terra Viva (Assoc. de ecologia social) por volta das 11h30, local onde nos reunimos com o pessoal do Gaia e pessoal do Terra Viva, tivemos para lá a cortar os panfletos e a prepararmo-nos. Pegamos nas tralhas, e lá fomos nós, por volta das 12.30, pela rua fora, de faixa de 6 metros (?) onde se lia "Consuma menos, viva mais" e munidos de instrumentos musicais (tambor, apitos, flauta..e voz!). Íamos distribuindo os panfletos, e íamos parando algumas vezes de forma a que as pessoas pudessem ler melhor a faixa. Uma das personagens ia com um fatinho beije e com ar de grande capitalista, ia simulando conversas ao telemóvel, ia tendo uns ataques estranhos contra as montras das lojas, ia incentivando as pessoas a consumir "comprem comprem! vamos todos gastar dinheiro", ironicamente claro está.
Por fim, chegamos ao local "escolhido" para a realização da performance por volta das 13h. Aí juntou-se a nós um rapaz que tocava flauta transversal, e outro rapaz que ajudou a distribuir panfletos (que já tinham conhecimento da acção). Mesmo ali em frente ao Via Catarina (o centro comercial da Rua de Sta. Catarina, que é uma rua cheia de lojas lojinhas e super lojas) preparamo-nos para a tal performance, duas pessoas ficaram a segurar na faixa, começou a música (o barulho.. ! ) e: alguém anda ás voltas com o Mundo nas mãos: "Quem quer o Mundo quem quer o Mundo", até que o apresentador dá inicio ao leilão. Entretanto aparece o capitalista sem escrúpulos e compra o Mundo. O Mc donald's também está a leilão, as coconetes (um cartão em forma de mulher casada e com filhos (?) e um cartão em forma de mulher boazona, com um Mc dollar's na mão) andaram por ali a passear, as "funções" do mcdonalds são apresentadas em tom irónico: "destruição de florestas, exploração dos trabalhadores..bla bla bla", até que alguém sai de entre o público (?) e compra o Mcdonalds. Depois segue uma parte em que começa a música outra vez e nós todos aos saltos "consome consome consome consome" até que soa um apito, e alguém com uma TV na cabeça (cartão com plástico roxo!) diz em forma de manifesto o que está no panfleto do consumo e ambiente. De seguida começa outra vez a parte da música e do consome consome, depois outro apito, e outra pessoa com a televisão a dizer em forma de programa de TV o conteúdo do panfleto do consumo irresponsável. De novo as palavras em voz alta consome consome, soa um apito, e um cartão a dizer "pensa" é levantado, e todos ao mesmo tempo gritamos "Pensa!".
E a performance terminou!!
Seguimos para dentro do shopping com a faixa exposta, e os seguranças começaram logo a contactarem todos uns com os outros, vieram ter connosco e expulsaram-nos de lá. Dissemos que íamos embora, mas queriam que fechássemos 1º a faixa. Quase que havia porrada! Excusadamente, na minha opinião.
Fomos então rua fora, sempre com a faixa, tocando os instrumentos, distribuindo panfletos, e tentando chamar a atenção das pessoas. Páramos em frente ao Mc donalds, um rapaz vestiu o fato de trabalho dos empregados da Mcdonalds (era dum rapaz do Terra Viva), bonézito e tal, e com o cartão da coconete com cartão Mcdollares, teve em frente ao Mcdonalds, juntamente com mais duas personagens que segurava dois cartazes "buy nothing day" e distribuição de panfletos, tendo como pano de fundo, a grande faixa.
Voltamos por volta das 15h (?) para a sede do Terra Viva, onde reunimos, e falamos sobre a acção, como correu e o que podemos melhorar. Acabamos por falar de acções futuras em conjunto.
Eu pessoalmente senti-me um pouco desmotivada hoje, pois acho que as coisas poderiam ter corrido muito melhor.
Mas, como alguém disse hoje na reunião, o importante é que se fez. Fez-se alguma coisa! Não ficamos em casa, quietos e parados. Dois de nós, mesmo doentes tiveram o tempo quase todo connosco. As pessoas esforçaram-se para dar o seu melhor: uns fartaram-se de berrar, um tocou tambor até mais não, outros revelaram-nos os seus dotes teatrais.. Apanhamos chuva e tivemos frio! Mas fomos! Mas tivemos lá! Mas fizemos alguma coisa! Algumas pessoas certamente reflectiram sobre o que leram na faixa, algumas pessoas se calhar foram ver a página na Net.. E isso é bom!
Para a próxima, em vez de 10 pessoas que possam ter "recebido" a mensagem que queríamos, recebem 50. É para isso que servem os erros! Para a próxima melhoramos! E temos que melhorar! Trabalhamos para fazer melhor! Para a próxima, já sabemos como trabalhar!
E vamos já começar. Está marcada uma reunião para o próximo sábado no Terra Viva ás 15h para falarmos de acções futuras, agora nesta época de natal, onde o consumo atinge o seu auge. Na reunião várias ideias surgiram: fazermos uma "campanha" contra os brinquedos em pvc. Há também o Buy Nothing Christhmas! Falou-se de outro tema que talvez não tenhamos abordado nos panfletos que é o auto-consumo, não percebi muito bem a ideia, mas penso que é uma espécie de “Do It Yourself”, fazermos nós próprios o que precisamos de consumir, em conjunto, em comunidades. Corporativas de consumo, também foi algo abordado.
Em Lisboa o pessoal do Gaia também organizou uma actividade.
Três personagens devidamente vestidas para o caso - fatos, camisas, e gravatas – foram para o Fórum Almada, mais precisamente para o Jumbo, colar papeizinhos com frases apelativas ao não consumo, ao lado dos produtos expostos: Preciso mesmo de isto? Quantos iguais a este tenho lá em casa?
E como isto de andar a ser activista dentro de shoppings, jumbos ou continentes tem muito que se lhe diga, não foram presos, mas foram “apanhados”. Dois eles passado 15 minutos, e ainda por cima ficaram sem o resto dos papeis. Outro passado uma hora e tal (vai-se lá saber porquê! Experiência será?). Mas ainda conseguiram colar uns flyres nos Wc’s! Era o que se arranjava, mas talvez seja o sítio ideal...
Será que ocorreram mais acções por aí!?
Por cá, e concluindo, há sobretudo no ar, vontade de continuarmos com isto para a frente. Hoje foi o arranque, o despertar!!!
Diana, uma activista no Porto!
Artigo completo na página do Gaia.
Comprar menos viver mais! O grande objectivo era que as pessoas reflectissem sobre os seus hábitos de consumo, e suas consequências ambientais e sociais. Não porque as pessoas não pensem ou não saibam pensar, mas porque vivemos deprimidos, com medo, e sem tempo para o fazê-lo. Aliás, nós não vivemos, andamos a correr! E compramos compramos compramos, como se saciássemos assim algo que nos faz falta. Consumimos o necessário e o desnecessário. Compramos um produto sem pensar no que está por trás. É um consumo rápido. Eficaz! Olha-se, gosta-se, tem-se dinheiro, compra-se! Ninguém fala da exploração infantil, do trabalho precário, da poluição do ar e da água, da exploração animal.. Ninguém nos diz a nós consumidores, que a Terra tá a morrer, que estamos a esgotar todos os recursos naturais.. E que esses recursos naturais estão nos países chamados de 3º mundo, embora quem lucre com eles, e quem os consuma esteja nos países ditos desenvolvidos.
Todos os dias somos atingidos com anúncios que nos aliciam para compra deste ou daquele produto... Mas ninguém nos “alerta” para consumirmos menos, com mais responsabilidade.
Hoje pretendíamos alertar, os outros, e nós mesmos também, mesmo que inconscientemente.
Aqui segue um resumo de como decorreram as acções no Porto, na minha perspectiva:
Chegamos ao Terra Viva (Assoc. de ecologia social) por volta das 11h30, local onde nos reunimos com o pessoal do Gaia e pessoal do Terra Viva, tivemos para lá a cortar os panfletos e a prepararmo-nos. Pegamos nas tralhas, e lá fomos nós, por volta das 12.30, pela rua fora, de faixa de 6 metros (?) onde se lia "Consuma menos, viva mais" e munidos de instrumentos musicais (tambor, apitos, flauta..e voz!). Íamos distribuindo os panfletos, e íamos parando algumas vezes de forma a que as pessoas pudessem ler melhor a faixa. Uma das personagens ia com um fatinho beije e com ar de grande capitalista, ia simulando conversas ao telemóvel, ia tendo uns ataques estranhos contra as montras das lojas, ia incentivando as pessoas a consumir "comprem comprem! vamos todos gastar dinheiro", ironicamente claro está.
Por fim, chegamos ao local "escolhido" para a realização da performance por volta das 13h. Aí juntou-se a nós um rapaz que tocava flauta transversal, e outro rapaz que ajudou a distribuir panfletos (que já tinham conhecimento da acção). Mesmo ali em frente ao Via Catarina (o centro comercial da Rua de Sta. Catarina, que é uma rua cheia de lojas lojinhas e super lojas) preparamo-nos para a tal performance, duas pessoas ficaram a segurar na faixa, começou a música (o barulho.. ! ) e: alguém anda ás voltas com o Mundo nas mãos: "Quem quer o Mundo quem quer o Mundo", até que o apresentador dá inicio ao leilão. Entretanto aparece o capitalista sem escrúpulos e compra o Mundo. O Mc donald's também está a leilão, as coconetes (um cartão em forma de mulher casada e com filhos (?) e um cartão em forma de mulher boazona, com um Mc dollar's na mão) andaram por ali a passear, as "funções" do mcdonalds são apresentadas em tom irónico: "destruição de florestas, exploração dos trabalhadores..bla bla bla", até que alguém sai de entre o público (?) e compra o Mcdonalds. Depois segue uma parte em que começa a música outra vez e nós todos aos saltos "consome consome consome consome" até que soa um apito, e alguém com uma TV na cabeça (cartão com plástico roxo!) diz em forma de manifesto o que está no panfleto do consumo e ambiente. De seguida começa outra vez a parte da música e do consome consome, depois outro apito, e outra pessoa com a televisão a dizer em forma de programa de TV o conteúdo do panfleto do consumo irresponsável. De novo as palavras em voz alta consome consome, soa um apito, e um cartão a dizer "pensa" é levantado, e todos ao mesmo tempo gritamos "Pensa!".
E a performance terminou!!
Seguimos para dentro do shopping com a faixa exposta, e os seguranças começaram logo a contactarem todos uns com os outros, vieram ter connosco e expulsaram-nos de lá. Dissemos que íamos embora, mas queriam que fechássemos 1º a faixa. Quase que havia porrada! Excusadamente, na minha opinião.
Fomos então rua fora, sempre com a faixa, tocando os instrumentos, distribuindo panfletos, e tentando chamar a atenção das pessoas. Páramos em frente ao Mc donalds, um rapaz vestiu o fato de trabalho dos empregados da Mcdonalds (era dum rapaz do Terra Viva), bonézito e tal, e com o cartão da coconete com cartão Mcdollares, teve em frente ao Mcdonalds, juntamente com mais duas personagens que segurava dois cartazes "buy nothing day" e distribuição de panfletos, tendo como pano de fundo, a grande faixa.
Voltamos por volta das 15h (?) para a sede do Terra Viva, onde reunimos, e falamos sobre a acção, como correu e o que podemos melhorar. Acabamos por falar de acções futuras em conjunto.
Eu pessoalmente senti-me um pouco desmotivada hoje, pois acho que as coisas poderiam ter corrido muito melhor.
Mas, como alguém disse hoje na reunião, o importante é que se fez. Fez-se alguma coisa! Não ficamos em casa, quietos e parados. Dois de nós, mesmo doentes tiveram o tempo quase todo connosco. As pessoas esforçaram-se para dar o seu melhor: uns fartaram-se de berrar, um tocou tambor até mais não, outros revelaram-nos os seus dotes teatrais.. Apanhamos chuva e tivemos frio! Mas fomos! Mas tivemos lá! Mas fizemos alguma coisa! Algumas pessoas certamente reflectiram sobre o que leram na faixa, algumas pessoas se calhar foram ver a página na Net.. E isso é bom!
Para a próxima, em vez de 10 pessoas que possam ter "recebido" a mensagem que queríamos, recebem 50. É para isso que servem os erros! Para a próxima melhoramos! E temos que melhorar! Trabalhamos para fazer melhor! Para a próxima, já sabemos como trabalhar!
E vamos já começar. Está marcada uma reunião para o próximo sábado no Terra Viva ás 15h para falarmos de acções futuras, agora nesta época de natal, onde o consumo atinge o seu auge. Na reunião várias ideias surgiram: fazermos uma "campanha" contra os brinquedos em pvc. Há também o Buy Nothing Christhmas! Falou-se de outro tema que talvez não tenhamos abordado nos panfletos que é o auto-consumo, não percebi muito bem a ideia, mas penso que é uma espécie de “Do It Yourself”, fazermos nós próprios o que precisamos de consumir, em conjunto, em comunidades. Corporativas de consumo, também foi algo abordado.
Em Lisboa o pessoal do Gaia também organizou uma actividade.
Três personagens devidamente vestidas para o caso - fatos, camisas, e gravatas – foram para o Fórum Almada, mais precisamente para o Jumbo, colar papeizinhos com frases apelativas ao não consumo, ao lado dos produtos expostos: Preciso mesmo de isto? Quantos iguais a este tenho lá em casa?
E como isto de andar a ser activista dentro de shoppings, jumbos ou continentes tem muito que se lhe diga, não foram presos, mas foram “apanhados”. Dois eles passado 15 minutos, e ainda por cima ficaram sem o resto dos papeis. Outro passado uma hora e tal (vai-se lá saber porquê! Experiência será?). Mas ainda conseguiram colar uns flyres nos Wc’s! Era o que se arranjava, mas talvez seja o sítio ideal...
Será que ocorreram mais acções por aí!?
Por cá, e concluindo, há sobretudo no ar, vontade de continuarmos com isto para a frente. Hoje foi o arranque, o despertar!!!
Diana, uma activista no Porto!
Artigo completo na página do Gaia.
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