quinta-feira, setembro 18, 2003

Editorial do “Le Monde”
A prova "non superada" de Cancun
LE MONDE | 16.09.2003 |

A quinta cimeira da OMC falhou na tentativa de encontrar consenso entre todos os países membros relativamente a dois grandes eixos. O primeiro engloba os denominados “temas de Singapura” que interessam essencialmente aos países ricos (investimento estrangeiro, transparência dos mercados públicos, serviços públicos e facilitação das trocas comerciais) foram bloqueados pelos PMA (países menos avançados) e os mais mobilizados (Índia e Malásia).
Relativamente ao 2º eixo, a agricultura, os países ricos opuseram-se à determinação dos G21 conduzidos pela China, a Índia, o Brasil e a África do Sul, que exigiam à UE, aos EUA e ao Japão que pusessem termo aos imensos subsídios à agricultura (mais de mil milhões de euros por dia), que distorcem o mercado penalizando fortemente os agricultores do sul. A Europa parecia inclinada a fazer um esforço de compromisso propondo isolar os subsídios que inequivocamente prejudicam os países pobres. Mas acabou por recusar fixar uma data para a supressão dos ditos subsídios. A UE ficou desde esse momento refém da intransigência [justificada] dos países do Sul.
Nesta contrariedade, podemos encontrar uma razão para estarmos contentes: a capacidade cada vez maior dos países do sul de se organizarem para defender os seus interesses. A sua intervenção resoluta, que levou ao colapso da cimeira demonstra, paradoxalmente, que a OMC, longe de estar unilateralmente ao serviço do Norte e do Liberalismo, pode-se transformar num lugar de negociações a sério [e não apenas ao serviço dos poderosos], com a finalidade de regular o comércio mundial.

Artigo completo aqui
Traduzido e adaptado por PP

PS – Curiosamente, o resultado desta cimeira teve muito pouco impacto mundial, nem merecendo um editorialzinho depois do fim da conferência na imprensa nacional; porque será?
Hegemonia e contra-hegemonia
Emir Sader (2003-09-16) - América Latina en Movimiento


"Um tigre de papel" – a caracterização de Mao-Tse-Tung parece aplicar-se, mais do que aos EUA de quatro décadas atrás – quando dividia a hegemonia mundial com a URSS -, com a potência unipolar de hoje. A lista de suas debilidades parece interminável - e os críticos, de esquerda, como Wallerstein, Samir Amin, Arrighi, entre outros, mas também os conservadores, como Todd, não se cansam de apontar, praticamente com razão em todos os casos.

A economia – ponto mais forte da ascensão norte-americana a primeira potência mundial – se revela claramente mais frágil do que foi essa economia no ciclo longo expansivo anterior, começado ainda nos anos 40 e concluído na década de 70. De grande exportador de capitais passou a maior importador de capitais, para recompor seus déficits comercial e público. Seu equilíbrio econômico e sua capacidade de reprodução de capital depende dos capitais investidos em suas bolsas – em particular daqueles provenientes da Ásia – e das importações provenientes do Japão e da China. Sua moeda se mostra vulnerável, passível de ser afetada por uma extensão crescente das áreas do euro no mundo – inclusive entre os países da Opep, apesar da derrubada do regime de Sadam Hussein.

De economia industrial passou a economia primordialmente de serviços. Sua economia entrou numa recessão profunda e prolongada, depois do ciclo expansivo dos anos 90, pela bolha especulativa que finalmente explodiu, depois da "exuberância irracional" em que tinha se assentado. O consumo familiar, motor dessa expansão, está bloqueado por um bom tempo, inviabilizando uma recuperação minimamente sólida. Além disso, a desregulação económica comandada pelos EUA nas duas últimas décadas e meia levou à hegemonia do capital financeiro, na sua modalidade especulativa, na economia mundial, o que gera instabilidade, até mesmo dentro dos EUA, com fuga de capitais e ameaça de saída generalizada, conforme as taxas de juros seguem baixas, o dólar se desvaloriza e a economia não apresenta sinais de uma retomada firme.

Socialmente, é de longe o país mais desigual entre todos os países do centro do capitalismo, tendo estendido a jornada de trabalho até ocupar o lugar de país com mais longa jornada em todo o mundo. Os EUA podem ser considerados um grande caldeirão social, que pode gerar extensas formas de explosão social e de perda de legitimidade do Estado norte-americano.

Politicamente, o rumo adoptado pelo governo Bush levou os Estados Unidos a armadilhas que, primeiro, o isolaram no plano internacional, apesar de ter unificado o país internamente. E agora o fazem pagar o preço do tipo de problema gerado internamente tanto no Afeganistão quanto no Iraque, levando de volta os problemas para dentro dos EUA, com a quantidade de mortos e a incapacidade do país de reconstruir o Iraque sozinho, tendo que pedir ajuda a países que ofendeu e menosprezou no momento da guerra.

Tudo isso leva a acumular-se uma grande quantidade de elementos de fragilidade na capacidade hegemónica dos EUA. Anuncia-se, em base a isso, o fim da hegemonia norte- americana no mundo. Esquece-se, quem faz isso, que a hegemonia é uma relação, ela se exerce sobre os outros e, portanto, sua força ou sua fraqueza depende sempre da força e da fraqueza dos outros sobre os quais se exerce a hegemonia.

Nesse sentido, os EUA são, isoladamente, mais débeis do que foram há algumas décadas. No entanto, a comparação, do ponto de vista da capacidade hegemónica, não é entre os EUA em dois momentos diferentes, mas entre o EUA e as outras forças mundiais.

A primeira diferença é que no período histórico da bipolaridade mundial é que agora quem ocupava o segundo lugar – líder do campo oposto -, a URSS, desapareceu. Além disso, no seu próprio campo, os EUA viram o Japão completar mais de uma década de recessão e a Europa manter um nível muito baixo de crescimento. Assim, sua posição é muito mais favorável do que a que tinha no período anterior à queda do muro de Berlim. O seu principal adversário, aquele que funcionava como líder do bloco que se opunha ao bloco capitalista, desapareceu, junto com todo o que era o "campo socialista" na Europa ocidental. Só isso já representa uma mudança estrutural altamente favorável aos EUA.

Em segundo lugar, quando a estrutura de poder mundial era bipolar, o enfraquecimento de um dos blocos representava automaticamente o fortalecimento do outro, no que se chama "jogo se soma zero". Tropeços dos EUA representavam o fortalecimento da URSS ou pelo menos dos "não alinhados", um campo em geral dominado pelo antimperialismo norte-americano. Agora a estrutura de poder mundial é unipolar, com disputa para ver quem polariza com os EUA – o fundamentalismo islâmico ou o Fórum Social Mundial de Porto Alegre? Os outros países - sejam europeus ou asiáticos, sejam a aliança França-Alemanha ou a China – não capitalizam o debilitamento norte-americano, salvo conjunturalmente, como no caso da guerra do Iraque para aquela aliança. Mas não se pode dizer que sejam pólos de uma alternativa hegemônica ao predomínio dos EUA.

Com isso, os EUA tratam de propor ao mundo sua forma de vida como praticamente a única – contraposta ao tipo de vida do fundamentalismo islâmico. Daí o interesse de Washington de consolidar a polarização entre Bush/Bin Laden ou Bush/Sadam Hussein.

Assim, a maior força da hegemonia norte-americana vem da debilidade das forças contra-hegemônicas. O "New York Times" escreveu, no momento das imensas mobilizações em vários países contra a guerra, que o outro super-poder mundial seria "a opinião pública". O exagero verbal não impede que efetivamente, polarizado pelo Fórum Social Mundial de Porto Alegre, efetivamente existe uma acumulação de forças para a construção de uma hegemonia alternativa. Desde o grito dos zapatistas, em 1994, passando pelas manisfestações contra a OMC, em Seattle, em 1999, até chegar aos Fóruns Sociais Mundiais, foi se constituindo um corpo de propostas, aglutinando a forças as mais diversas e pluralistas, que começa a aparecer como o núcleo de ideias e de forças contra-hegemónicas. Será o desenvolvimento desta que servirá para medir a força e o tempo de sobrevivência da hegemonia norte-americana.

Os Ricos Querem Esfolar os Pobres em Cancún.
Por George Monbiot 10/09/2003 às 16:37
Na reunião de Cancún os ricos querem esfolar ainda mais os pobres e detonar a OMC. Leia outros artigos de George Monbiot na página do Círculo Bolivariano de São Paulo
Le Monde, C'est Nous

George Monbiot para o The Guardian

Na cúpula do comércio mundial da semana que vem, o mundo rico vai assegurar que o mundo pobre continue assim. Essa é a primeira de uma série de três artigos sobre o comércio. Publicado no The Guardian de 2 de setembro de 2003.

O mundo está começando a se parecer com a França, poucos anos antes da Revolução. Não há estatísticas sobre a riqueza confiáveis daquela época, mas é improvável que as disparidades fossem maiores do que são hoje. Os 5% mais ricos da população mundial hoje ganham 114 vezes mais do que os 5% mais pobres (1). As 500 pessoas mais ricas do mundo hoje possuem 1,54 trilhão de dólares - mais que o PIB inteiro da África, ou a renda anual combinada da metade mais pobre da humanidade (2).
Hoje, como então, o desespero dos pobres se contrapõe ao consumo obsceno dos ricos. Hoje, como então, os sábios empregados pelos aristocratas globais - nas universidades, os thinktanks, os jornais e revistas - se esforçam para provar que nós possuímos o melhor dos sistemas possíveis no melhor dos mundos possíveis. Na fortaleza do Campo Delta na baía de Guantánamo nós temos a nossa Bastilha, na qual homens são presos sem acusação ou julgamento.
Como na corte de Versalhes, a riqueza e o esplendor do novo-antigo regime estará à mostra, não longe das favelas fétidas nas quais a fome impera, na cúpula do comércio mundial em Cancún no México. Entre banquetes e recepções regadas a champanhe, homens como o comissário de comércio europeu Pascal Lamy e o representante do comércio dos EUA Robert Zoellick irão deixar de lado as necessidades da maioria faminta com sua costumeira arrogância. Lá nós iremos testemunhar a mesma corrupção, tanto de propósito como de execução, a mesma confusão do bem privado com o bem público: le monde, c'est nous (o mundo, somos nós). Como Charles Dickens escreveu da classe dirigente daqueles tempos de antanho: "a lepra da irrealidade desfigurava toda criatura humana na assistência" (3).
A irrealidade começa no México com a declaração de intenções da Organização Mundial do Comércio. Irá assegurar, diz seu diretor-geral, que "questões sobre desenvolvimento estejam no centro" das negociações (4). As novas negociações, em outras palavras, são concebidas para ajudar a população das nações pobres a escapar da pobreza. Em quase todos os aspectos estão destinadas a fazer o oposto. Toda demanda por uma maior expropriação da renda dos pobres está sendo perseguida com uma persistência implacável.
Tome por exemplo a questão das "tarifas", ou taxas sobre o comércio. Um novo relatório da Oxfam, publicado hoje, mostra que quanto mais pobre é uma nação, maiores as taxas que precisa pagar para poder exportar seus bens (5). Os Estados Unidos impõem tarifas entre zero e um por cento nas principais importações do Reino Unido, França, Japão e Alemanha, mas taxas de 14 ou 15% por cento nos produtos de Bangladesh, Camboja e Nepal. O governo britânico faz o mesmo: Sri Lanka e o Uruguai devem pagar oito vezes mais para vender seus bens por aqui do que os Estados Unidos.
Isso acontece por duas razões. A primeira é que as nações mais pobres não podem reagir. A segunda é que, sem taxas, os pobres iriam sobrepujar os ricos. As tarifas mais altas são impostas sobre bens como têxteis e produtos farmacêuticos, nos quais as nações mais pobres possuem uma vantagem comercial.
As actuais negociações comerciais foram iniciadas com a promessa de que as tarifas seriam reduzidas ou eliminadas, "particularmente em produtos de interesse para a exportação por países em desenvolvimento" (6). O prazo final para redigir um documento consensual para o encontro de Cancún era 31 de Maio. Devido a que as nações ricas bloquearam qualquer tentativa de consenso sobre o documento, nada foi apresentado. Ao invés disso, na semana passada a União Europeia, os EUA e o Canadá apresentaram um novo texto. Propõe que os países mais pobres devam fazer o máximo para cortar suas taxas de importação. A Bolívia e o Quénia devem reduzir suas tarifas em 80%, a União Europeia em 28% e os EUA em apenas 24% (7). Parece ser um insulto calculado, concebido para impedir que qualquer acordo sobre essa questão seja fechado.
Tampouco qualquer progresso foi feito em subsídios agrícolas. Em 1994, os países ricos concordaram que eles deveriam ser abolidos, se os países pobres prometessem abrir seus mercados para às multinacionais do ocidente. As nações pobres mantiveram sua promessa, os países ricos não a cumpriram. Supõe-se que a nova rodada de negociações leve à eliminação de todas as formas de subsídios para a exportação", (8), e um documento nesse sentido deveria ter sido apresentado até 31 de Março. Novamente, a promessa foi quebrada, e novamente foi dito aos pobres que somente se eles permitissem às multinacionais do mundo rico um acesso ainda maior às suas economias, os subsídios agrícolas terão um fim.
Mas as nações poderosas, ao mesmo tempo em que se recusam a atender os pedidos dos pobres, impõem suas próprias exigências com diplomacia brutal. Eles agora insistem que a "rodada de desenvolvimento" seja usada para forçar nações a conceder às corporações estrangeiras os mesmos direitos que às domésticas; a abrir seus serviços públicos ao sector privado e convidar companhias estrangeiras a participar de licitações para geri-los. O que isso significa, já que quase todas as grandes companhias multinacionais estão baseadas no mundo rico, é uma tomada pelo mundo desenvolvido da economia do mundo pobre.
Lamy, Zoellick e os governos (como o nosso) que eles representam devem saber que esses pedidos são impossíveis de satisfazer pelos países mais pobres. Eles devem saber que a combinação de suas promessas desfeitas e suas condições ultrajantes podem forçar os países mais pobres a sair das negociações comerciais em Cancún, como fizeram em Seattle em 1999. Eles devem saber que isso vai significar o fim da Organização Mundial do Comércio. E agora esse parece ser seu objectivo. Ainda que subvertida e corrompida, continua a ser um organismo multilateral nos quais as nações pobres podem fazer pressão colectiva e, na teoria, vencer os ricos nas votações. Isso nunca acontece, porque as nações ricas contornaram suas estruturas de decisão. Mas o perigo permanece, assim a União Europeia e os EUA parecem desejar destruí-la, e substituir acordos comerciais mundiais por tratados bilaterais ainda mais coercivos. A estreita via que os manifestantes têm que seguir é expor as injustiças dos acordos propostos sem endossar a agenda subjacente do mundo desenvolvido ao pedir que "a OMC tem que se ir".
Mas no final, como na França, deve haver uma revolução. É possível que ocorra somente quando houver uma crise de sobrevivência globalizada: uma escassez mundial de grãos, por exemplo (como a carência que seguiu a má colheita de 1788) ou - isso actualmente tem maior possibilidade e é mais iminente - uma escassez de combustível fóssil. Em artigos anteriores eu sugeri alguns dos meios (como uma ameaça de calote colectivo da dívida) (9) pelos quais essa revolução pode se dar. Até que o novo-antigo regime seja derrubado, e Lamy, Zoellick e os de sua laia estejam (metaforicamente) pendurados em postes, os ricos, como os aristocratas da França, irão conceber meios cada vez mais inventivos de despojar os pobres.
Esse é a primeira parte da série de três artigos de George Monbiot sobre o comércio. Na próxima semana: qual a melhor maneira de apoiar as demandas do mundo subdesenvolvido?
Referências:

1. Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas, Relatório de Desenvolvimento Humano 2003, Editora da Universidade de Oxford, Oxford.
2. John Cavanagh e Sarah Anderson, 2002. Os Bilionários do Mundo Sofrem um golpe, mas Ainda Ascendem. Instituto de Estudos de Políticas.
3. Charles Dickens, 1859. Um Conto de Duas Cidades (da edição de clássicos Wordsworth, 1993).

4. Supachai Panitchpakdi, 25 de novembro de 2002. A Agenda de Desenvolvimento de Doha: Desafios à Frente. Discurso para o Parlamento Europeu, Bruxelas.
5. Oxfam, 2 de setembro de 2003. Memorando 53: Correndo para dentro da Areia: por que o fracasso nas negociações comerciais de Cancún ameaça os povos mais pobres do mundo. Oxfam, Oxford.
6. Organização Mundial do Comércio, novembro de 2001. A Declaração Ministerial de Doha, parágrafo 16: acesso ao mercado para produtos não-agrícolas.
7. Oxfam, agosto de 2003. Novos padrões em duplos padrões: as propostas da UE-EUA-Canadá para acesso ao mercado não-agrícola na OMC. Oxfam, Oxford.
8. Organização Mundial do Comércio, novembro de 2001. A Declaração Ministerial de Doha, parágrafo 13: Agricultura.

9. Essa idéia é explicada em George Monbiot, 2003. A Era do Consentimento: um manifesto para uma nova ordem mundial, Flamingo, Londres.
Tradução do Círculo Bolivariano de São Paulo
Fonte: Monbiot.com

quarta-feira, setembro 17, 2003

Cancún - Subcomandante Marcos: A Globalização, máquina que come sangue

Por EZLN (Tradução Diego) 10/09/2003 às 17:27
Palavras do Subcomandante Insurgente Marcos para a mobilização contra o neoliberalismo em Cancún, México.
Exército Zapatista de Libertação Nacional

México, Setembro de 2003




Irmãos e Irmãs do México e do mundo que se encontram em Cancún nesta mobilização contra o neoliberalismo:

Recebam as saudações dos homens, mulheres, crianças e anciões do Exército Zapatista de Libertação Nacional.
É uma honra para nós que, em meio às suas reuniões, acordos e mobilizações, tenham um espaço para escutar nossa palavra.
O movimento mundial contra a globalização da morte e a destruição tem hoje em Cancún uma de suas expressões mais brilhantes.
Perto de onde se realiza esta mobilização, um punhado de servos do dinheiro negociam as formas e os tempos para continuar com o jocoso crime da globalização.
A diferença entre eles e todos nós, não está nas bolsas de uns e outros. Ainda que as bolsas deles transbordam moedas e as nossas de esperanças.
Não, a diferença não está na carteira, senão no coração.
Vocês e nós temos no coração um amanhã por vir, quer dizer, por construir.
Eles só têm um passado que querem repetir eternamente.
Nós temos a vida, eles a morte.
Nós lutamos pela humanidade, eles pelo neoliberalismo.
Nós queremos a liberdade, eles querem fazer de nós escravos.

Não é a primeira vez, nem será a última, que os que se pensam donos do planeta têm que se esconderem detrás de seus altos muros e de suas patéticas forças de segurança, para fazerem seus planos.
Como numa guerra, o alto mando deste Exército Transnacional que se propõe conquistar o mundo da única forma que é possível conquistá-lo, ou seja, destruindo-o, se reúne sobre um sistema de segurança tão grande quanto o seu medo.
Porque se antes os poderosos se reuniam de costas para o mundo para maquinar suas futuras guerras e expropriações, hoje têm que fazê-lo, não só frente a todos, senão agora contra milhares em Cancún e de milhões em toda a Terra.
Porque disso se trata tudo isso.

De uma guerra.
De uma guerra contra a humanidade.
A globalização dos que estão em cima não é mais que uma máquina mundial que se alimenta com sangue e defeca dólares.
E na complicada balança que traduz mortes em dinheiro, há um grupo de seres humanos que cota em muito baixo preço a carnificina global.
Somos os indígenas, os jovens, as mulheres, as crianças, os anciões, os homossexuais, as lésbicas, os migrantes, os diferentes.
Ou seja, a imensa maioria da humanidade.

A guerra Mundial do poderoso quer converter o planeta Terra num clube exclusivo onde está reservado o direito de admissão.
A zona luxuosa e exclusiva em que se reúnem agora representa seu projecto de globo terrestre: um complexo de hotéis, restaurantes e zonas recreativas de luxo, resguardado por exércitos e policias.
Para o poderoso todos nós temos a opção de estar dentro desta zona exclusiva somente como subservientes, ou ficar fora do mundo, ou seja, da vida.
Mas não temos porque obedecer e eleger entre viver como subservientes ou morrer.
Poder construir um caminho novo.
Onde viver seja viver com dignidade.
Onde viver seja viver com liberdade.
Construir esta alternativa é possível e é necessário.
Essa alternativa é necessária porque dela depende o futuro da humanidade.
Esse futuro está em jogo em todos os cantos de cada um dos cinco continentes.
E essa alternativa é possível porque há em todo o mundo os que sabem bem que "Liberdade" é um verbo que, ou se conjuga no plural, ou não deixa de ser uma pobre limitação para o cinismo.

Irmãos e Irmãs:

No mundo inteiro há em disputa dois projectos de globalização.
O que está acima, que globaliza o conformismo, o cinismo, a estupidez, a guerra, a destruição, a morte, o esquecimento.
E o que está abaixo que globaliza a rebeldia, a esperança, a criatividade, a inteligência, a imaginação, a vida, a memória, a construção de um mundo onde caibam todos os mundos. Um mundo com...

Democracia!

Liberdade!

Justiça!

Desde as Montanhas do Sudeste Mexicano, pelo Comité Clandestino Revolucionário Indígena - Comando Geral do Exército Zapatista de Libertação Nacional.

Subcomandante Insurgente Marcos
México, Continente Americano, Planeta Terra

Setembro de 2003

(artigo vindo daqui)

Nota botânica XI - Zimbro


Juniperus communis ssp nana

Arbusto perene da família das Cupressáceas, cuja forma anã presente na Estrela e no Gerês não ultrapassa 1m de altura (ao contrário da sua congénere que chega aos 7 m. Muitos ramos de cor castanha avermelhada. Folhas bicudas, com um elegante traço branco na parte de traz (acho eu) a separar os dois lados da folha. Fruto em forma de gálbulo azul escuro quando maduro (quando verde, está verde). Cresce nas zonas altas da Serra da Estrela e do Gerês.

A utilização mais interessante é a colheita de bagas para fazer a aguardente de zimbro, que ganha um tom amarelado. Lembro-me do meu Pai, ao descobrir que a aguardente amarela da Serra da Estrela ganhava a sua cor das bagas do zimbro, ter passado a respeitar muito mais aquele arbusto espinhoso. Claro que beber uma bela duma aguardente junto aos ditos arbustos, normalmente presentes em paisagens de tirar o fôlego ao mais empedernido urbano depressivo (vales glaciares, trutas a saltar, rochas de 300 metros de altura, escarpas sombrias, carvalhos empoleirados, pássaros por todo lado, flores silvestres, etc.), numa bela manhã primaveril gelada, é uma experiência mística que aconselho a todos os que queiram mudar o mundo. É que apesar de o pensamento main stream e todo o conhecimento científico dizer que o álcool não aquece, a sensação de calor (talvez apenas presente nas minhas sinapses nervosas) provocada pela ingestão da dita aguardente, com uma temperatura ambiente de 0º C, é extremamente reconfortante. Pronto, é apenas uma ilusão, mas não deixa de ser uma ilusão agradável quando estamos a tiritar de frio, no meio de rochas e de mato, a pensar que as mãos e o nariz vão cair a qualquer momento.


'tão a ver em como tenho razão?

Utilização subversiva – Quando decidirmos passar à clandestinidade, que o façamos na Serra da Estrela ou no Gerês, por razões óbvias..... Já sei que o BE e o PCP vão ser do contra (tem que ser em Lisboa ou em Almada, já sei), mas espero convencer uns quantos com estes argumentos de peso. Tudo pela descentralização!

PP
Nota musical

Desculpem lá, mas é a primeira vez que me elogiam no Público. Como raras vezes posso enaltecer o ego, cá vai um extracto do artigo de ontem de Fernando Magalhães:

"Nada tradicionais, os Chocalhos subiram depois ao estrado para continuar o baile. Misturaram valsas e mazurkas, reggae e rock, batucadas e andamentos medievais, um tema dos Milladoiro e toques dos Gryphon. Têm um ágil percussionista (ao que parece, antigo elemento dos Ciganos de Oiro) e um "virtuose" flautista (flauta transversal e de bisel) e executante de instrumentos de sopro medievais que irá dar que falar. O CD de estreia dos Chocalhos, que têm tudo para triunfar menos o nome, sairá em breve. "

Sou eu, o "virtuose" das flautas e instrumentos mediavais (por acaso é mais renascentistas) que irá dar que falar; como estou a ver que isto da investigação não dá para viver, esta é a minha deixa para me dedicar definitivamente à música...
Obrigado Fernado Magalhães por me abrires a pestana. Fizeste despertar o virtuoso que havia em mim. Debaixo da película de amador da coisa tradicional, estava um "virtuose" escondido, à espera de ser descoberto. Aquela boca do nome é que não percebi... Enfim, a malta chama-se "Uxu Kalhus" que é muito à frente, simbolizando a fusão estética entre o tradicional e a modernidade, as tais mazurcas e as influências jazisticas e o rock; claro que se reduzem a coisa a "Os chocalhos", passa a ser um nome banalíssimo..... A verdade é que este nome foi-nos dado por uma monitora de danças Portuguesas e fomos demasiado preguiçosos para mudar a coisa. Pronto, o Fernando tem razão: somos um grupo cheio de potencial, muita falta de trabalho e um nome foleiro. Mas tudo isso irá mudar (espero)......

PP

PS - não percam o próximo CD, que nós também não.....
DEPOIS DA CIMEIRA

Cancun: O descarrilamento da conferência da OMC
Irene León (15-9-2003) - América Latina em Movimento

Sem se ter avançado em nenhum ponto, terminou a conferência da OMC em Cancun...

A conferência, que deveria ter como corolário a obtenção de acordos relativos à agricultura, não logrou obter consenso, essencialmente pela divisão existente entre países ricos (especialmente os EUA e a UE) e pobres – muitos deles aglutinados no G21; estes últimos optaram por uma postura firme defensiva, logrando resistir e acordar posições, apesar das enormes pressões e mesmo ameaças que foram exercidas contra eles. Desde o início, EUA e UE tentaram adiar o tema da agricultura, nomeadamente a questão dos subsídios, e quiseram abordar apenas os temas de Singapura. O G21 insistiu na agenda do desenvolvimento proposta previamente em Doha.

Mais tarde, os países ricos tentaram utilizar a agricultura como moeda de troca para a introdução dos novos temas. O chefe das negociações dos Estados Unidos, Robert Zoellick, com uma atitude arrogante, disputou possíveis concessões na agricultura em troca do acesso aos mercados.
A confusão não se limitou à temática das negociações, mas passou às regras do jogo, cuja indefinição fez com que um grupo de mais de 60 países pedisse a sua transparência.
Durante as negociações chegou a ser do domínio público a manipulação, chantagem e ameaças aos países do sul, que foram literalmente encostados à parede em reuniões privadas. Finalmente, o feitiço virou-se contra o feiticeiro e quem terminou contra a parede foram as grandes potências, que recusando a sua derrota, transferiram a responsabilidade do fracasso para os países pobres.
Depois de horas intermináveis à volta de um rascunho de declaração, onde mais de 60 países insistiram em retirar o temas dos investimentos, a declaração nunca chegou a ver o texto aprovado.

A dignidade do Sul

Pela primeira vez nas reuniões da OMC, surge a voz do Sul com tal força e firmeza, que foram o Uganda e o Quénia que encabeçaram o abandono do plenário final, precipitando o seu término.
A importância do sucedido é ainda maior, já que é instaura um precedente histórico: o aparecimento do G21, liderado pela China, a Índia e o Brasil, não só foram cruciais para o descarrilamento da conferência como a sua própria criação evidenciou a clivagem de interesses entre o Sul e o Norte, e que por isso, a necessidade de fortalecer a agenda política do Sul, o que por si é já um avanço na instauração de práticas mais democráticas dentro da OMC e fora dela.
Por isso, os EUA tentaram fracturar esta iniciativa, com a proposta de mudar o estatuto do Brasil, da Índia e da China, que passariam de “sub-desenvolvidos” a “países exportadores”, o que seria considerado como uma espécie de promoção (tipo passarem da 2ª divisão para a divisão de honra).
De qualquer forma, pela primeira vez houve uma resistência organizada que refreou a prepotência do império e isso já pode ser considerado como uma vitória sem precedentes.

Os povos é que têm razão, pá

Os movimentos sociais, por um lado, consertaram uma volumosa agenda de actividades que combinaram reflexões e desenvolvimento de propostas alternativas, em todos os temas relacionados com a OMC, e mobilizações populares para tornar visível a ilegitimidade da OMC, já que de momento apenas defende os interesses dos países mais ricos e das multinacionais.
Por isso, o fracasso da Conferência foi assumido como um triunfo da razão. Depois de uma semana agita por centenas de Fóruns temáticos e mobilizações diárias encabeçados pela “Via Campesina” que se estenderam por todas as ruas, o triunfo foi amplamente festejado.
Adicionalmente, os movimentos tiveram a sua própria vitória, já que apesar da repressão e do cenário de guerra montado em redor da conferência, os movimentos conseguiram fazer passar os seus pontos de vista, nomeadamente a vontade de manter à margem da OMC a Agricultura e a Alimentação; chegaram mesmo a derrubar os muros de protecção no dia 10 e 13.
Nas palavras de Juan Tineym (Via Campesina), o derrube dos muros e o fracasso das negociações “comprovam a força da solidariedade e da vontade de mudança dos movimentos”. Tuney disse ainda que o derrube do muro no dia 13 simbolizou a ruptura “do muro da fome e da miséria e anuncia que poderemos construir um mundo sem exploração, juntos e juntas”.

Artigo traduzido e adaptado por PP daqui.

Tudo sobre esta cimeira aqui (espanhol).
ANTES DA CIMEIRA
Xosé Ramil / Canal Solidario (03/09/2003)

Cimeira da OMC em Cancun: incumprimentos e contradições.

A Organização Mundial do Comércio que é caracterizada pelo seu apoio incondicional ao mercado livre debate-se com as suas próprias incoerência como é o caso do proteccionismo agrícola defendido pelos mais ricos, EUA e UE.
A quinta conferência da Organização Mundial do Comércio (OMC), está a caminho de ser um coro de lamentos; depois das enormes expectativas geradas em Doha, muito pouco se consegui até agora: o livre mercado não parece compatível com as políticas agrícolas dos países mais ricos; houve um ligeiro avanço relativamente aos medicamentos genéricos, que no entanto não convence nem a OMS nem as ONG.
A principal tarefa será fazer um balanço dos acordos de Doha que deu lugar ao "Programa de Doha para o Desenvolvimento".
Este programa aborda, entre outros, temas que incidem directamente nos problemas de discriminação dos países mais pobres no acesso ao mercado agrícola, o dumping baseado nas ajudas dos Governos a sectores económicos que destabilizam os preços no mercado internacional, as patentes da propriedade intelectual que afectam os medicamentos ou a privatização de serviços básicos.
O mercado agrícola ocupará uma parte importante da cimeira de Cancun, já que é aí que se verificam a maior parte dos incumprimentos. Se a OMC decidir impedir as práticas de dumping feitas essencialmente na UE e nos EUA, os países mais pobres poderiam triplicar o seu comércio agrícola!
Segundo o Instituto Internacional de Investigação de Alimentação (IFPRI), o proteccionismo agrário exercido pelos países mais ricos provocam prejuízos acima dos 40 000 milhões de dólares por ano aos países mais pobres. A UE é responsável por metade destes prejuízos.

Propostas para mudar as regras do comércio mundial.

A pressão cada vez maior exercida pelos movimentos sociais e ONG nas Cimeiras da OMC têm como propósito a reconhecer o comércio como um dos pilares do desenvolvimento sustentável, em oposição à visão mercantilista do comércio, onde tudo tem o seu preço. A Oxfam internacional reuniu mais de 3 milhões de assinaturas que entregará na cimeira de Cancun como medida de pressão e para pedir uma alteração radical das políticas internacionais que estão literalmente a arruinar os agricultores do sul.

A coordenadora das ONG para o desenvolvimento em Espanha elaborou um documento em que solicita à OMC a adopção de dez medidas relacionadas com os temas a discutir em Cancun:
1) Reconhecimento da soberania alimentar de cada país, para proteger o seu sector agrário e piscícola, nomeadamente no que toca às explorações familiares.
2) Eliminação do dunping, para que o preço do produto nunca esteja abaixo do custo de produção.
3) Plano para garantir um preço justo das matérias primas e dos produtos agro-pecuários.
4) Direito de cada governo regular a presença de empresas estrangeiras, em benefício do desenvolvimento sustentável.
5) Garantir que o acordo sobre serviços não promoverá a privatização de serviços públicos essenciais.
6) Os acordos sobre propriedade intelectual garantirão o direito dos Estados de proteger a saúde pública e de promover o acesso aos medicamentos para todos.
7) Os acordos internacionais sobre a propriedade intelectual devem opor-se às patentes sobre a vida, relativa a genes, células ou tecidos humanos, plantas, animais, microorganismos ou qualquer outra forma de vida (como por exemplo os cogumelos).
8) As normas comerciais devem proteger os direitos fundamentais dos trabalhadores e trabalhadoras.
9) Direito de não importar nem produzir transgénicos.
10) Ter considerações sociais, de género e ambientais previamente à aplicação de qualquer acordo da OMC.

Traduzido por PP daqui.

terça-feira, setembro 16, 2003

«A OCRE promoveu ‘atelier’ sobre “colheita da água da chuva"

A OCRE – Associação para a Valorização do Ambiente, Cultura, Património e Lazer, realizou no dia 5 de Julho em Castelo de Vide, no Centro de Interpretação do Parque Natural de São Mamede um Encontro sobre a problemática da “Colheita de Água da Chuva” (rain water harvesting) e de energia solar/fotovoltaica.
Segundo Tiago Malato, presidente da OCRE, a associação aproveitou assim a passagem por Portugal de Bunker Roy (Tilónia – Índia) e esta “oportunidade única de partilhar perspectivas e conhecimentos com um reputado especialista no aproveitamento dos recursos naturais e empreendedorismo social”.
Os objectivos da iniciativa, para além de conhecer o exemplo de Barefoot College na pessoa do seu mentor Bunker Roy, eram precisamente os de iniciar acção ligada à colheita da água da chuva (...) e de discutir técnicas de base e custos inerentes a sistemas de colheita de água pluvial e autonomia energética (ex. cisternas enterradas, painéis fotovoltaicos). A OCRE pretende ainda promover uma rede de interesse entre indivíduos e instituições maximizando experiências e discutir casos práticos e locais para experimentação em sede de projecto. (...).
“Pretende-se construir uma rede não formal para o estudo, apoio, lançamento e acompanhamento de projectos, demonstração e multiplicação de experiências na área da colheita da água da chuva” – (...) – adiantou Tiago Malato.
A metodologia de trabalho foi a de um ‘atelier’ informal de conhecimentos, variado em experiências e contextos, aproveitando a experiência dos presentes e o exemplo do Barefoot College.
»

Extraído da edição de Agosto de 2003 do Notícias de Castelo de Vide.

A OCRE pode ser contactada para o Apartado 80, 7320 Castelo de Vide ou então através de Tiago Malato (934 292 935), Olivier Pourbaix (936 666 639) e Rui Pulido Valente (245 331 403).

Não se esqueçam....

se clicar, terá uma surpresa

Vale a pena ver esta animação...
(inglês)

vale a pena ver..

PP


As Andanças, vistas por Jorge Pinto




Mais fotografias aqui
PETIÇÃO POR NOVO REFERENDO PARA A DESPENALIZAÇÃO DO ABORTO

São 75 mil as assinaturas necessárias para requerer um novo referendo que leve à despenalização do aborto. A petição necessária será lançada brevemente por um movimento que reúne, entre outros, grupos católicos progressistas e movimentos sociais. A questão a colocar será: "Quer ou não que o aborto continue a ser considerado um crime?"

A Opus Gay solidariza-se com este movimento e coloca-se claramente do lado dos que defendem a despenalização. Eis as nossas razões:

Parentalidades e aborto - uma questão de cuidado e de escolha responsável

As ciências sociais e humanas demonstraram já que são os conceitos sociais de masculinidade e de feminilidade que permitem ler os sinais anatómico-fisiológicos que interpretamos como sinais de que estamos perante um macho ou uma fêmea da espécie humana; ou seja, o conceito social de género antecede o de sexo, revelando toda a ideologia que pode estar contida na biologia, ao contrário do que sempre se pensou.

Os géneros socialmente criados pela nossa civilização são dominantemente heterogéneros, ou seja, são definidos na reciprocidade (assimétrica) duma relação heterossexual entre eles. Traduzindo, um homem só o chega a ser verdadeiramente quando pratica a heterossexualidade, de preferência sob a forma de penetração sexual duma mulher (masculinidade que é conquistada independentemente do prazer da mulher, note-se); uma mulher só o chega a ser verdadeiramente quando aprende as estratégias de sedução/resistência face a um homem. Ser homem é ter actividade sexual com uma mulher; ser mulher é gerir a sua atractividade sexual face a um homem, sem necessariamente ter de praticar, note-se. Daí os diferentes padrões corporais, emocionais e cognitivos que se esperam dum homem "realmente" masculino e duma mulher "realmente" feminina. Está assim criada uma "correspondência natural" sexo/género/orientação sexual/funções sociais.

Hoje sabemos que existem homens femininos heterosexuais, homens masculinos gays, mulheres masculinas heterosexuais, etc. No entanto, apesar de se caminhar para a possível troca de padrões em algumas circunstâncias, não caminhamos ainda para uma sociedade igualitária, sem género (onde seja indiferente, no que a direitos e deveres diz respeito, ser identificado como macho ou fêmea).

A necessidade de manter uma diferença de género, de separar claramente o masculino do feminino, é, sempre foi, não uma mera necessidade de diferenciar mas sim uma vontade de hierarquizar, de manter a assimetria, mantendo simultaneamente uma falsa noção de oposição/complementaridade (que visa somente impedir a troca de lugares). Obviamente que não se trata das mulheres quererem ser como os homens ou dos homens quererem ser como as mulheres. Trata-se de ambos, e outros que virão, poderem ser algo totalmente diferente e com muito mais potencialidades.

Na nossa sociedade, também os direitos/deveres sexuais e reprodutivos de homens e mulheres nunca foram os mesmos. Duma forma demasiado fácil e determinista sempre se quis ler o facto biológico de serem as mulheres a engravidar para, sem mais interrogações, lhes atribuir especiais funções de cuidado face aos filhos, funções essas a que chamamos maternidade. Estas funções seriam exclusivamente femininas e seriam o oposto/complemento das funções de cuidado apelidadas de paternidade.

Também aqui as coisas se baralham quando vemos homens a assumir funções tradicionalmente de maternidade e mulheres a assumir funções tradicionalmente de paternidade, e independentemente de serem homo ou heterosexuais. Estas realidades são sinal de que também estas funções parentais, maternidade e paternidade, devem deixar de ser vistas como opostas/complementares e tornar-se múltiplas potencialidades de funções de cuidado e de escolha responsável. Independentemente de nos estarmos a referir a homo ou heteroparentalidade.

O Estado, patriarcal e machista, ao não permitir uma maternidade responsavelmente escolhida, tenta simplesmente unir apressada e deterministicamente três aspectos na vida duma mulher: gerar, parir, criar. E tem ainda a hipocrisia de o fazer quando se sabe que hoje em dia as mulheres tendem a pagar cada vez mais sozinhas o preço de criar um filho, mesmo que tenham um companheiro.

Assim, são as mulheres (e não os homens) que são impedidas de ter as mesmas performances de carreira do que os homens quando há que cuidar dos filhos. E são as mulheres (e não os homens) que, além de ganharem menos em empregos onde não podem concorrer oferecendo o mesmo tempo disponível que os homens, são também as mulheres, que vêem acrescentadas ainda mais horas de trabalho doméstico não pago ao seu dia-a-dia, ao terem de cuidar de um filho. E são ainda as mulheres (e não os homens) que deixam de ter tempo para a vida pública e política. E são também as mulheres (e não os homens) que mais dificuldade têm em refazer uma vida conjugal quando têm filhos.

Só uma parentalidade escolhida e responsável permitirá um dia que homens e mulheres possam viver, na mesma proporção, trabalho e família, vida privada e vida pública. Nem os homens têm de continuar a cair na armadilha de trabalhar duas e três vezes mais horas do que antigamente para manterem o privilégio de serem os provedores de recursos financeiros à família, nem as mulheres a cair na fatalidade de arcar com todo o peso do trabalho doméstico não remunerado. Todas as estruturas sociais, empresas inclusive, devem pagar os custos da reprodução da espécie, não única e individualmente cada mulher.

Por todas estas razões, e também porque não têm que ser reféns das capacidades reprodutivas do seu corpo, é às mulheres, a cada mulher, que deve ser dada a possibilidade da escolha: quero ou não ser mãe, duma forma responsável e ponderada?


Anabela Rocha, Vice-Presidente da Opus Gay
Viriato Era Pastor, Não Era Lenhador
Por HENRIQUE PEREIRA DOS SANTOS
Segunda-feira, 15 de Setembro de 2003

Não me parece que esta seja a melhor altura para discutir o problema dos fogos: demasiada emoção, demasiado ruído tornam quase impossível uma discussão serena. Mas tanta informação e tanto comentário tornam impossível não reparar como um dos dados centrais do problema parece estar a ser posto de lado, como tem sido nos últimos cem anos de discussão da política florestal: é que dos pouco mais de oito por cento de área florestada nos fins do século XIX passámos para os 38 por cento actuais.

Grande parte deste crescimento foi possível pela política de expansão florestal iniciada nos fins do século XIX e fortemente impulsionada pelo Estado Novo. Este impulso foi muitas vezes compatível com as necessidades das populações (como na defesa contra o avanço das dunas ou nas zonas de economia do milho em que a produção de gado foi naturalmente perdendo importância para a produção de cereais), mas foi frequentemente apoiado pela natureza autoritária do Estado Novo nas zonas de serra de economia pastoril.
Mesmo onde os baldios foram "loteados" em sortes que hoje explicam parte da estrutura minifundiária dos nossos povoamentos florestais, estas bouças estavam integradas numa economia de subsistência em que os matos desempenhavam um papel fundamental na produção de milho porque possibilitavam a manutenção da fertilidade das terras, com base em pesadas estrumações anuais.

Se, como Jorge Paiva sublinhou já neste jornal, o abandono desta estrumação (substituída por adubações químicas ou por estrumações provenientes da produção intensiva de animais, aves, porcos, vacas, ou da compostagem do lixo urbano) e o abandono da utilização da lenha na cozinha e para aquecimento contribuem grandemente para a acumulação de combustíveis nas matas, também a diminuição brutal da pastorícia tem uma importância fundamental. Acresce que o esforço de florestação do país se fez em grande medida contra os malefícios do sobrepastoreio, sobretudo de cabras, evidente
em grande parte do país, com solos despidos e grandes áreas quase sem vegetação em consequência de uma encabeçamento excessivo e uma utilização desregrada das queimadas.

Mas todos estes factores estão fortemente diminuídos quando não extintos em grande parte do território. Em consequência assiste-se a uma exuberante recuperação da vegetação autóctone. Esta recuperação dá origem ao combustível que, em condições extremas, arde da forma como se viu este ano.

Não vale a pena dizer que são os portugueses que não sabem gerir o seu património, ou que temos uma política de prevenção deficiente. Basta reparar nos problemas que os americanos, os australianos, os espanhóis, os franceses
e os italianos também têm tido para perceber que podendo haver decisões erradas estritamente portuguesas, há muitas razões gerais que não podem ser escamoteadas.

A ser assim, o melhor que temos a fazer é deixarmos de acreditar em soluções milagrosas: estamos perante um problema novo, com razões económicas e sociais profundas e que não pode ser resolvido apenas no quadro de qualquer
política florestal, por mais eficaz e bem definida que seja.

As políticas de supressão completa do fogo têm vindo a ser abandonadas, seja porque há sempre um momento em que o fogo foge do controlo e os combustíveis acumulados dão origem a tragédias de dimensão não imaginada, seja porque sãovambientalmente desastrosas. Basta pensar que as soluções de remoção do combustível que mais têm sido faladas implicam sempre a retirada da matéria orgânica do sistema, seja pelo seu corte e remoção, seja pela sua queima, o
que significa que a longo prazo estamos a atrasar o processo de recuperação dos solos que em grande parte justificou a política florestal que o país adoptou nos últimos cem anos.

Aparentemente o único processo economicamente viável que simultaneamente reduz a combustibilidade da vegetação e, ao mesmo tempo, retém o essencial da matéria orgânica no sistema, contribuindo para o fundo de fertilidade do
nosso território, é a produção animal, o que, de forma extensiva, só pode ser feito através da pastorícia.

O que me levou a escrever este artigo não é a convicção de que a pastorícia é a solução para o problema, nem a ignorância dos enormes problemas com que se depara a utilização prática do pastoreio racional na prevenção de incêndios, mas a minha estupefacção pela forma como esta parte da solução tem sido sistematicamente descartada sem justificação.

Durante anos o fogo foi entendido como um inimigo da floresta sem qualquer possibilidade de recuperação. Actualmente há dezenas de investigadores e técnicos a defender a utilização do fogo controlado na política de prevenção e na gestão das matas e habitats. Para isso foi preciso que investigadores americanos reintroduzissem cientificamente em Portugal essa técnica milenar de gestão da paisagem (e muito tem Portugal a agradecer a Moreira da Silva a ausência de vistas curtas que lhe permitiu falar positivamente do fogo quando isso era ainda um anátema). Espero que não seja preciso tanto para
que alguém com capacidade de decisão admita sequer avaliar em que medida pode ser utilizado o mais eficaz processo de transformação de matéria combustível em matéria orgânica não combustível, com a vantagem adicional de
produzir uns cabritos pelo meio.

Veneno ou remédio? A diferença é só uma questão de dose.

Arquitecto paisagista

Artigo copiado daqui
Oradores no FSE

Desculpem desiludir muitos membros do FSP, mas acho muito mais interessante discutir a OMC do que decidir quem é que vai falar no FSE. Pelos vistos esse é o tipo de coisa que deixa a maioria dos participantes no FSP com as hormonas políticas aos saltos...... e depois vêm dizer-nos que os partidos não têm nada a ver com isto.... Enfim, tristezas nacionais num FSP com imensos problemas de crescimento. A continuar assim, o próximo plenário será uma cimeira BE - PCP e acabará como a OMC em Cancun: sem acordo nem consenso. Para quem quiser saber mais da telenovela do FSP, inscreva-se aqui.

PP, uma vez mais, desiludido....
Fracasso na cimeira da OMC em Cancun

A cimeira da OMC fracassou devido à posição de força assumida pelos países mais pobres. Apesar dos esforços dos EUA e da UE para separar os países do G21 (grupo de países encabeçados pela Índia, China e Brasil), estes preferiram um fracasso a um mau acordo.

A sensação deixada em Cancun para os EUA e a UE é a de um adiamento, que pode demorar-se no máximo até 31 de Dezembro de 2004, data limite para acordar definitivamente os princípios estabelecidos na Cimeira de Doha de 2001.

Para os países mais pobres, principalmente para o G21 integrado pelos países Africanos e encabeçados pela Ìndia, China e Brasil, a nova postura baseia-se na premissa de que “é melhor um fracasso que um mau acordo”.

Entre as ONG presentes em Cancun, houve avaliações de todo o tipo, ainda que a maioria tivesse alinhado com os G21. A presidente da ONG Intermon Oxfam, Mary Robinson, assegurou que a União Europeia e os Estados Unidos recorrem à técnica de dividir os países pobres nas negociações da OMC para evitar a liberalização do mercado agrícola. “Os países ricos estão ainda muito longe dos compromissos assumidos em Doha, onde o desenvolvimento (dos países pobres) deveria estar no centro das negociações. Culpar os países em desenvolvimento de ser mais enérgicos nas suas exigências não nos leva a lado nenhum”, afirmou Robinson.

A reunião fracassou dado não haver consenso relativamente aos temas de Singapura: Investimento, Competição, Transparência nas compras governamentais e facilitação do comércio. Os países do G21, nomeadamente os Africanos, temem que este novo regime de investimentos beneficie as grandes empresas multinacionais, em detrimento das suas próprias Industrias.

Artigo completo aqui

Traduzido por PP
Ciscajo de los Fondones

CANTÁBRIA – 30 de Outubro a 3 de Novembro


Vamos arranjar espaço para a sidra nova

Festa com sidreiros e músicos. Coroação do deus Brena com sacerdotes, milagres e danças pagãs. Junte-se ao grupo de viajantes éticos e solidários da Mó de Vida.

Faça já a sua inscrição!

Um ciscajo é uma festa privada da Confraria da Sidra, em que os associados e seus amigos levam a comida (que é para todos em comum) e a Confraria oferece a bebida (sidra, obviamente). Todos os confrades que têm instrumentos musicais levam-nos, e há música e baile. São festas que começam ao meio-dia e terminam quando se acaba a comida, a bebida, a dança e tudo o mais (geralmente, pela noite dentro). É um dia inteiro de convívio entre os membros da Confraria, quando se aproveita para estreitar laços de amizade, provar as sidras elaboradas pelos diferentes membros da Associação e, sobretudo, para nos divertirmos como uma grande família. As crianças também passam um dia especial, bebem pijarras, que originariamente era sidra com água, porém agora é sumo de maçã com gasosa.

Normalmente realizam-se três ciscajos por ano. O primeiro, em Abril, é o Ciscajo da Sidra Nova. Nesta festa abrem-se as garrafas de sidra recém arrolhadas e provam-se todas, premiando-se a melhor.

O segundo é o Ciscajo de San Juan Culín, que celebra o solstício de verão, festa da fecundidade e fertilidade, fazendo-se coincidir com o sábado anterior ou posterior ao dia de São João (24 de Junho).

O terceiro e último, que é este a que vos convidamos, é o Ciscajo de los Fondones. Celebra-se sempre depois da mayada (processo que consiste em triturar e pisar a maçã, para retirar o suco que logo fermentará convertendo-se em sidra), e por isso realiza-se no inicio de Novembro, pois a maçã se maya em Outubro, depois do dia de Pilar (12 de Outubro), que é quando a temperatura ambiente já baixou o suficiente para fazer a sidra (se fizer calor, o suco apodrece). Não tem data fixa, porque depende de que se tenta terminado de confeccionar a sidra. De qualquer maneira, nesta festa bebem-se as últimas garrafas do ano (los fondos o fondones) para haver espaço para a sidra que se está a fabricar. Porém, este ano tem um significado especial, porque vai-se “coroar” o deus Brena, que foi eleito como o deus dos sidreiros e sidrófilos da Cantábria, prevendo-se assim que, além do habitual, será uma divertida festa a que não faltarão os “sacerdotes”, “milagres” e danças pagãs… Tudo isto está a ser preparado para o dia 1 de Novembro.


Caso necessite de mais informações, não hesite em contactar-nos.

A equipe da Mó

MÓ DE VIDA Coop.
Calçadinha da Horta, 19
2800-564 Pragal, Almada
Telef. 212720641
modevida@sapo.pt
http://planeta.clix.pt/modevida

sexta-feira, setembro 12, 2003

Somos pobres? Temos direito a subsídios para poder competir lá fora?

O mundo é um só. Estamos na Europa como estamos no mundo, que partilhamos com cerca de seis mil milhões de pessoas. Destas, metade vive com menos de 2 Euro por dia, quase mil milhões e meio vivem com menos de 1 Euro por dia (duas bicazitas...). Setenta por cento destes últimos são mulheres... Ora nós só somos pobres ou ricos por comparação com alguém.

Todos os anos se elaboram listas com as pessoas mais ricas do mundo, deixando-nos de fora como se não fizessemos parte deste mundo. Mas a verdade é que todos nós temos o nosso lugarzinho nessa lista, uns mais acima, outros mais abaixo. Pois é chegada a nossa hora: podem ler neste site qual a vossa posição relativa aos nossos seis mil milhões de irmãos! Reparem que se ganharem o salário mínimo nacional (cerca de 350 Euro), já estão entre os 15% mais ricos do mundo... Fantástico, não é? Digam lá que não se sentem melhor agora...

mpf
Globalizar a luta contra a barbárie imperialista
por Miguel Urbano Rodrigues


Comunicação apresentada em Santiago do Chile,
no seminário «Allende Vive»,
em 10 de Setembro de 2003




No Fórum Social Mundial e nos Fóruns Sociais Europeus, algumas personalidades transmitiram a ideia de um suposto antagonismo entre movimentos sociais e partidos políticos.

Essas manobras representam um serviço prestado ao imperialismo.

A complementaridade do papel que os movimentos sociais e as organizações partidárias revolucionárias desempenham nas grandes lutas actuais no âmbito da crise de civilização que a humanidade vive é cada vez mais necessária. O debate sobre o tema da relação movimentos-partidos perde todo o significado quando resvala para o terreno da pequena política.

Sendo ficcional a antinomia movimentos-partidos, a nossa reflexão deve ser orientada para os objectivos e o tipo de intervenção das forças empenhadas no combate à globalização neoliberal. Gerada pelo capitalismo , a globalização – como reconhecem Kissinger e Thomas Friedman – não poderia sobreviver hoje sem o «punho invisível» (o poder militar) que a sustenta. O imperialismo, fase ultima do capitalismo, garante agora a continuidade do sistema que o criou.

Partidos e movimentos não são enteléquias, forças abstractas e uniformes. Para se avaliar a sua participação na história, o que importa é saber o que pretendem e como actuam.

Uma linha divisória cada vez más nítida é a que separa os movimentos e partidos que encaram a transformação da historia sob uma perspectiva revolucionária e os partidos e movimentos que adoptam uma posição muito diferente .

Clivagens hoje existentes entre forças sociais que rejeitam o projecto desumanizante da globalização neoliberal encontram a sua expressão prática em comportamentos que ao longo dos séculos, em crises de grande complexidade, traduziram concepções divergentes sobre a evolução da humanidade.

Nem todos os que condenam a globalização neoliberal identificam no desaparecimento do capitalismo uma necessidade histórica.

Ver o artigo completo aqui

quinta-feira, setembro 11, 2003

O Interior

Repescando o post anterior, o “Notícias da Covilhã” também de 5 de Setembro discrimina as baixas generalizadas de alunos em escolaridade obrigatória no distrito de Castelo Branco. Salvaguardando raríssimas excepções (a Covilhã ganhou alunos), nalguns locais o decréscimo é assustador: Vila Velha de Ródão perdeu quase 70% dos alunos! E para explicar este decréscimo não chega a baixa de natalidade. O desemprego dos pais, por exemplo, traduz-se em óbvias migrações. E para explicar este desemprego não chega alegar 11s de Setembro ou crises internacionais. Muito deste desemprego resulta (da ausência) de estratégias internas de distribuição de riqueza e de oportunidades de desenvolvimento. No mesmo jornal se discute a Linha da Beira Baixa, uma linha de caminho-de-ferro com 112 anos que neste momento só funciona até Castelo Branco. Continuam a discutir-se TGVs ou decréscimos de 10 minutos na viagem de comboio entre Lisboa e o Porto, e os 40 km que separam a Covilhã da Guarda demor(av)am mais de uma hora a ser percorridos por comboio. Considerando a população (sobretudo estudantil) que transita diariamente entre estas duas cidades, e que mais do que justificaria a existência de comboios inter-urbanos, as únicas novidades anunciadas pela REFER para o Interior são uma melhoria da linha entre Lisboa e Castelo Branco, e a interrupção da linha a partir daí...

mpf


quarta-feira, setembro 10, 2003

Mais 488 desempregados em Castelo Branco

«Desde Julho do ano passado, ficaram desempregadas mais 488 pessoas só no concelho de Castelo Branco. No total são 1.857 pessoas desempregadas, o que contrasta com o número de inscritos em Julho de 2002, que totalizava 1.379. As mulheres são o grupo mais desfavorecido, registando-se 1.144 mulheres desempregadas, contra 713 homens, e a maioria das mulheres tem idades compreendidas entre os 25 e os 44 anos (603), mas também as mais jovens (com menos de 25 anos) enfrentam o desemprego, estando inscritas no referido mês 200 jovens.
De acordo com os dados estatísticos do Instituto do Emprego e Formação Profissional, desde Julho do ano passado, no universo dos 1.857 desempregados que se inscreveram no Centro de emprego de Castelo Branco até Julho de 2003, 474 são desempregados de longa duração, pois estão inscritos há mais de 12 meses e são também os que já trabalharam e procuram novo emprego os mais afectados, com 1.645 pessoas.
O desemprego afecta ainda os que procuram o primeiro emprego (212 inscritos). Tendo em conta as habilitações, contam-se no centro de emprego 622 jovens que terminaram o 12º ano mas que não seguiram o ensino superior, e que constitui a maior fatia de desempregados no que respeita às habilitações. No concelho de Castelo Branco, são também em elevado número (2.219 os jovens que concluíram um curso médio ou superior e que se inscreveram no Centro de Emprego.
O desemprego não é menor nos concelhos do Fundão e Covilhã, tendo o centro de emprego registado a 31 de Julho deste ano 1.119 desempregados no Fundão e 2.969 na Covilhã. Em ambos os concelhos, a grande maioria são desempregados de longa duração, estando inscritos há mais de um ano na Covilhã 1.113 e no Fundão 467 pessoas.
»

Nota: extraído da edição de 5 de Setembro do Jornal do Fundão.
Encontros de Verão do BE

No próximo fim-de-semana, os primeiros "Encontros de Verão" do Bloco de
Esquerda. Em Lisboa, na Escola Superior de Belas Artes (no Chiado). A
entrada são 10 euros, mas não creio que sejam muito rigorosos a cobrar...
A participação não é restrita a aderentes do BE (espero!). Na sexta-feira
às 21:30, Catherine Samary (do Le Monde Diplomatique) fala sobre "O
admirável mundo novo: neoliberalismo e exploração". No sábado à tarde,
oficinas sobre guerra (Fernando Rosas), escola (José Alberto Correia),
e sindicalismo (Gigi Malabarba). No domingo de manhã, oficinas sobre
jovens (João Teixeira Lopes), género (Ana Gabriela Macedo), constituição
europeia (José Manuel Pureza), e países de leste (Catherine Samary).
Entre outras coisas. Creio que valerá a pena passar por lá, mesmo
para quem não seja do BE...

-- Luís Lavoura
FEIRA DA ECONOMIA SOLID�RIA

13 set 2003 com o outono � porta armaremos as tendas dentro das portas
da M� de Vida
que fica na Cal�adinha da Horta 19, Pragal - antigo bar da cooperativa
Pragalense [Almada]

Como todos sabemos, algumas op��es assumidas por segmentos econ�mica e politicamente dominantes incidem sobre a vida do conjunto das sociedades.
Consideramos que num processo de domina��o e explora��o consolidado seja poss�vel e imprescind�vel haver pessoas que actuem em redes de solidariedade. De facto, se as pr�ticas de produ��o, comercializa��o e financiamento solid�rias j� existentes no mundo forem conectadas sob os princ�pios de uma rede de colabora��o solid�ria, ent�o � poss�vel engendrar uma alternativa ao capitalismo actual...

A Colabora��o Solid�ria � Compreendendo, Transformando e Conectando o que j� existe e
Economia Solid�ria: um novo paradigma, Euclides Andr� Mance



Um espa�o todos os 2�s s�bados de cada m�s * 10h00 Abertura do espa�o da feira *10h30 Passeio de Bicicleta pela zona do Cristo Rei e N�cleo antigo de Almada Velha, com possibilidade de visitas ao Cristo Rei e Museu da Cidade (N�cleo Medieval e Moderno) *13h00 Piquenique/conv�vio das organiza��es participantes e amigos * 15h00
Apresenta��o do v�deo Fortalecimento das voca��es das comunidades do Vale da Ribeira - document�rio sobre a experi�ncia de fortalecimento das voca��es das diferentes comunidades locais com base nos valores da coopera��o e solidariedade realizada na regi�o do Vale da Ribeira (Brasil). As diversas comunidades da regi�o interagem, promovendo o trabalho conjunto e a participa��o nas decis�es que afectam a regi�o. Esta, e outras experi�ncias, projectaram o Brasil como um pa�s que acolhe uma das maiores redes mundiais de economia solid�ria * 15h30 Tert�lia O que � a Economia Solid�ria? com o professor do ISEG/UTL e editor da Revista Utopia - Jos� Maria Carvalho
Ferreira * 18h00 P� de dan�a - oficina de dan�as europeias com a monitora D�lia Louren�o (est�o abertas as Inscri��es para as oficinas de dan�as europeias a realizar na M� de Vida Coop. todas as 4as feiras das 18h30 �s 20h00, com in�cio a 17 de Setembro .) *
19h00 Encerramento

� semelhan�a das anteriores, nesta 3� EDI��O participar�o v�rias organiza��es do 3� sector com o objectivo comum de construir uma rede de trabalho e interven��o conjunta das entidades sem fins lucrativos que praticam a economia social e solid�ria, considerando as suas diferentes �reas de actua��o, possibilidades e experi�ncias. Na FEIRA ser�o divulgados projectos ligados ao com�rcio justo e solid�rio, agricultura biol�gica, artesanato, anima��o s�cio-cultural, defesa do ambiente, espect�culos, oficinas, turismo �tico, trabalhos com minorias �tnicas e 3� idade, m�sica e dan�a tradicionais, desenvolvimento local e outros.


INFORMA��ES M� de Vida Cooperativa
Cal�adinha da Horta, 19, 2800-467 Pragal/Almada *
modevida@clix.pt / *914 035 720
Cancun aproxima-se

Apesar da grande animação e animosidade no FSP estar relacionada com a escolha dos oradores para o FSE (déja vue?), os 146 países reunidos em Cacun depertam muito mais o meu interesse; hoje de manhã (na TSF), o discurso que ouvi inquieta-me, entristece-me e revolta-me: "A Europa já fez todas as cedências que podia no seio da OMC; a Europa já deu tudo o que tinha a dar...." Será que estamos a falar da mesma Europa que desrespeita escandalosamente as leis do mercado ao subsidiar os seus produtos menos competitivos? será a mesma que dá 2 euros por dia a cada vaca? será também a mesma Europa que subsidia a exportação, deixando de rastos a economia Africana (baseada essencialmente na Agicultura)?
Enquanto não virmos o mundo como uma ilha, onde todos têm direito às mais elementares regalias - alimentação, saúde, bem-estar, trabalho, habitação - arriscamo-nos a cometer os mesmos erros subtis que os nosso amigos da Ilha da Páscoa. A carta das Nações Unidas deveria ser a carta de princípios da OMC; já seria um bom começo.
E pensar que uma das poucas coisas que preocupa a delegação Portuguesa é o Vinho do Porto ter âmbito regional (que por acaso até acho bem, mas...) ...
Já estou a ver os cabeçalhos do New York Times e do Guardian amanhã, em letras garrafais:
"Vinho do Porto origina início de conflito armado entre Portugal e África do Sul" ou
"Durão Barroso pede ajuda a Bush para libertar o Chile por causa do Vinho do Porto" ou
"Vinho do Porto mata a fome a milhões de crianças na África sub-sariana" ou ainda
"Foi encontrada cura contra a SIDA no princípio activo do Vinho do Porto; África do Sul pede autorização à OMC para fazer genéricos de Vinho do Porto".

Assim o nosso Vinho do Porto teria o destaque que merece, e as preocupações nacionais seriam legítimas, não ridículas....

PP

terça-feira, setembro 09, 2003

CONFERÊNCIA “Movimentos Anti-Globalização: O Islamismo depois do 11 de Setembro”

Prof. Farhad Khosrokhavar
(Investigador do CADIS – École des Hautes Études en Sciences Sociales)

16 de Setembro de 2003
18 horas
ISCTE, Auditório 6 (Ala Autónoma)


Apoios: ISCTE, ICS – UL, Embaixada de França
Contactos: Prof. Marinús Pires de Lima – ICS – Tel: 21 780 47 00
Andanças 2003 - opinião de um participante
(as opiniões negativas queimo-as mal as recebo....)



A capacidade de fazer do Andanças uma realidade comove-me, a Pé de Xumbo merece todas as palavras de congratulação que consigamos encontrar pois é verdadeiramente complicado conseguir concretizar o projecto - Andanças. Não são dois ou três dias de folia é, isso sim, uma semana de divertimento, descanso, alegria,comunhão de sensações, conhecimento e também de afirmação da existência de alternativas à cultura massiva e comercial que nos servem todos os dias em forma de pronto a comer. Acredito que nos dias de hoje é bastante complicado marcar passo de uma forma alternativa e independente quando vemos outros eventos do género ( a comparação é inevitavel) a recorrerem a patrocinios que mais não são que a venda do evento em si mesmo.
Se existe momento em que me senti como fazendo parte de uma sociedade que vale muito a pena existir foi durante o Andanças, a razão é muito simples. Durante a última semana de Agosto esqueci-me dos problemas do Mundo não por ter surgido em mim um fenómeno espontâneo de desresponsabilização mas somente porque nenhuma da agruras da vida faz sentido naquele espaço. Talvez os "senhores da guerra" do nosso tempo devessem passar uns dias pelo andanças.
A intercepção e interecção de culturas funcionou na perfeição durante todo o festival e não falo da existência de músicas e danças de diversas proveniências, falo,isso sim, da diversidade cultural e social dos "andantes" que fizeram do festival um momento de paz e comunhão social. Diferença e diversidade simbolizam sempre riqueza, é triste que as pessoas façam das diferenças motivos de conflito.
Em suma sobressaem deste Festival ideias, valores e vontades que devem ser um exemplo para o Mundo. Das danças não falei porque só quem esteve é que sabe como vale a pena libertarmo-nos naqueles estrados no meio de uma multidão ansiosa por alegria e divertimento.
Saudações e até à última semana de Agosto de 2004
_________________
Ega
Até onde é que iremos?

Vale a pena deixar aqui o texto que o Cruzes Canhoto foi desencantar não sei onde. Mais uma pista para reflexão..... Se virem alguns paralelismos com as sociedades modernas não são pura coincidência....

Por exemplo, os habitantes da ilha da Páscoa, um povo polinésio, instalaram-se numa ilha que era originalmente florestada, cujos bosques incluíam a maior palmeira do mundo. Os nativos foram gradualmente cortando a floresta para obter madeira para as canoas, para o lume, para transportar estátuas e erguê-las, para esculpir e para proteger o solo da erosão. Com o tempo, acabaram por cortar todas as florestas até ao ponto em que todas as espécies de árvores estavam extintas, o que significava que já não podiam fazer canoas e erigir estátuas e já não havia árvores para proteger os solos da erosão, pelo que a sua sociedade descambou numa epidemia de canibalismo que matou 90% da população. A questão que intrigava mais os meus alunos da universidade era algo que nunca me tinha ocorrido: como demónios podia uma sociedade tomar uma decisão tão nitidamente desastrosa como cortar todas as árvores de que dependiam? Por exemplo, os meus alunos interrogavam-se o que diriam estas pessoas enquanto cortavam a última palmeira? Será que diriam “pensem nos nossos empregos como lenhadores e não nestas árvores”, ou “respeitem o meu direito à propriedade privada”? Certamente que teriam consciência dos efeitos que teria destruir a sua própria floresta, afinal não era um erro subtil. (…)

Destruir o nosso próprio planeta, porque transformámos tudo em mercadorias, não é nada subtil como erro, mas ainda havemos de conseguir...
Haverá sempre valores mais importantes que a "economia de mercado" ou a "propriedade privada". E são esses valores que devemos passar de geração em geração, para que ainda haja um mundo Amanhã. A ver se não terminamos como os nosso "primos" da Ilha da Páscoa: sem floresta, sem esperanças, a comerem-se mutuamente por não haver mais nada onde meter o dente....

PP


Geopolítica da Fome
Jacques BERTHELOT
7 de Maio de 2003

Persistência da fome no mundo e carência democrática

A existência de fome no mundo é paradoxal, já que existem enormes excedentes agrícolas (tanto nos produtos “temperados” como nos “tropicais”). Segundo a FAO, 840 milhões de pessoas estão num estado de subnutrição crónica.
Em relação ao total de população de cada Continente, a africa Sub-sariana é claramente à frente, com 34%, seguida da Ásia do Sul (24%), América central (19%) e China (9%). Apesar do número de pessoas com fome ter diminuído nos países em desenvolvimento para a metade entre 1969-71 (37%) e hoje (18%), este número não diminui mas aumentou na África em mais de 90% !
O objectivo da cimeira mundial da alimentação (1996, confirmada em 2002) de reduzir para metade este número até 2015 nunca será atingido, já que o decréscimo das pessoas com fome deveria ser de 20 milhões por ano, sendo actualmente de 2 milhões por ano.
A fome não resulta (como muitos querem fazer crer) de uma falta de recursos naturais (terras, água) ou financeiras, mesmo com a má repartição actual da riqueza; a produção agrícola também não é a origem da fome, já que aumentou mais que a população humana nos anos 90 (2% para 1,5%).
¾ das pessoas com fome vivem no mundo rural, sendo essencialmente agricultores: a fome resulta de uma insuficiência democrática, da não participação dos agricultores nos objectivos e nas políticas agrícolas a nível local, nacional, macro-regional e mundial.

Liberalização das políticas agrícolas e desmantelamento das protecções à importação.

Depois da globalização neo-liberal encetada nos anos 80, em crescente aceleração depois de 1995 com os diferentes acordos da OMC, nomeadamente o que se refere à agricultura, a persistência da fome ou mesmo os eu aumento em África são explicadas essencialmente pelo desmantelamento das protecções à importação.
Por exemplo no México, depois do estreitamento comercial com os EUA, desapareceram 1,8 milhões de agricultores, já que o milho americano (cujos subsídios implicam que um agricultor Americano receba 30 vezes mais que um agricultor Mexicano) é exportado a 90 $ a tonelada quando o seu custo de produção é de 134 $ a tonelada! Os mexicanos foram assim duplamente penalizados: individualmente, receberam muito menos pelo seu produto e mesmo assim, o milho produzido deixou de ser “competitivo” no mercado. O México passou assim de produtor a importador, essencialmente por causa de mecanismos proteccionistas que de “mercado livre” ou “livre” têm muito pouco.....

A UE (União Europeia) faz exactamente o mesmo com os países Africanos. São assim postos em “livre concorrência” agricultores Europeus que recebem 54000 euros de ajudas directas e Agricultores Africanos que não recebem nada; qual é que é vantagem destes últimos na livre concorrência? até onde é que a hipocrisia dos países mais ricos pode chegar?
Esta liberalização das políticas agrícolas, nomeadamente a redução das limitações à importação é muito recente. Dada a especificidade dos mercados agrícolas e a sua muti-funcionalidade, afectando o ambiente, as paisagens, o emprego, o ordenamento do território, a qualidade dos produtos, a seguranças alimentar, o bem-estar animal, todos os países desde o tempo dos Faraós têm políticas específicas para regular a oferta agrícola. Porque é que então houve um abandono destas políticas, sujeitando os produtos agrícolas aos mercados mundiais, como se fossem mercadorias ordinárias?

(continua quando tiver mais tempo para traduzir, resumir e adaptar)

PP
7º FESTIVAL DE CINEMA GAY E LÉSBICO DE LISBOA


O Festival de Cinema vive este ano um ano de particular balanço, sendo a primeira vez que a CML não apoia financeiramente o Festival, apenas oferece a sala do Fórum Lisboa e a divulgação local, em mupis. A Opus Gay critica veementemente esta falta de apoio financeiro. Compreendemos que a CML queira ver diversificadas as fontes de apoio utilizadas pelo Festival mas consideramos que a retirada de apoio deveria ser progressiva, atempadamente conhecida, e nunca total. Um Festival desta natureza merecerá sempre de apoios, pela mais valia cultural e turística que traz para a cidade, e estes devem caber, pelo menos em 50%, à CML. Assim, é com certeza, com redobrado esforço que assistimos ao manter dos dias de exibição, 12 a 27 de Setembro (se bem que com um nº e horário de filmes mais reduzido e bastantes vídeos, assim como exibições no Pequeno Auditório do Fórum, que comporta apenas 35 pessoas), acrescidos ainda dos ciclos FNAC e das apresentações na Cinemateca.

Outros apoios institucionais faltam aparentemente ao Festival este ano, como os dos nstitutos de Línguas (Goethe, British Council, Franco-Portugais, Cervantes), que não realizam qualquer exibição nas suas salas. Nada é referido quanto aos apoios habituais do ICAM.

Com todas estas dificuldades, o Festival necessita este ano de público, não para justificar a sua existência (essa já a conquistou), mas para o tornar financeiramente viável. Este objectivo revela-se difícil uma vez que, de acordo com os números da organização, o Festival manteve-se dentro dos 10 mil espectadores nos primeiros 5 anos, tendo o último ano, o sexto, decrescido para cerca de 7500, o pior ano. No entanto, alguma re-centração
agora operada em torno de filmes mais especificamente lgbt poderá trazer mais espectadores. Os bilhetes são a 2 euros para sócios de associações lgbt, no Fórum.

Não existe também qualquer notícia sobre a candidatura a outras formas de financiamento, que não a CML, nomeadamente Fundações estrangeiras e nomeadamente ainda o Programa Media da União Europeia, para o qual vimos alertando há anos este Festival tem perfil de candidatura.

Celso Júnior, que se tem revelado um excelente Director Artístico deste Festival, nunca formou uma equipa que permitisse ter igualmente um excelente Director de Produção e Marketing. A falta de orientação de mercado do Festival leva também a que, no seu 7º ano, se mantenha um Festival principalmente antológico, quando teve hipóteses de ser um dos maiores festivais de cinema lgbt de actualidade, ou mesmo de competição, do mundo.
Para tal faltou-lhe agressividade comercial.

Celso Júnior continua a concentrar em si praticamente todas as funções coordenadoras do Festival, apesar de ter sido criada uma "Associação Cultural Festival de Cinema Gay e Lésbico de Lisboa", de que continua desconhecida a Direcção, e que se dedica exclusivamente a este evento. A criacção desta associação tirou este evento à Associação ILGA Portugal, com fins que continuam sem se vislumbrar. Celso Júnior soma este ano, ao papel de Director, Programador, Produtor, Coordenador da Comunicação e Relações Externas, Coordenador de Logística, Autor do Cartaz, o papel de co-realizador duma curta! A ver com expectativa...
O Director do Festival está há muito convidado para ir ao programa independente, lgbt, "Vidas Alternativas" na Voxx,falar sobre o evento. Esperamos uma intervenção na proxima quarta feira,pelas 21 horas .


RELATÓRIO DO PARLAMENTO EUROPEU SOBRE DIREITOS HUMANOS NA UE DEFENDE DE
NOVO DIREITOS LGBT


O relatório de 2002 do Parlamento Europeu sobre os Direitos Humanos na UE defendeu de novo muitos dos direitos lgbt, nomeadamente o direito a um idade igual de consentimento sexual, aspecto discriminatório ainda existente em Portugal. Mas o que constituiu novidade foi o apoio ao casamento e adopção por homossexuais, direitos que o Parlamento deseja ver reconhecidos por todos os Estados Membro.
Numa altura em que a Igreja Católica tenta dinamizar grupos de influência para que lutem contra as uniões de facto homossexuais não deixa de ser refrescante que os príncipios laicos de igualdade e não discriminação vençam naquelas que são as verdadeiras instituições políticas da União.

SOLIDARIEDADE COM O AUMENTO DOS DESEMPREGADOS EM PORTUGAL

A Opus Gay manifesta a sua solidariedade para com os desempregados portugueses, nomeadamente para com os cerca de 28 mil professores não colocados. O associativismo lgbt português deve muitíssimo à classe docente portuguesa e não queremos deixar de exprimir um voto de coragem, e de solidariedade.

Antonio Serzedelo
Anabela Rocha

segunda-feira, setembro 08, 2003

A Amnistia condena o muro imposto por Israel

A amnistia Internacional condena o muro Israelita que instaura uma divisão forçada entre Judeus e Palestinianos, compromete um futuro estado Palestiniano e afecta directamente mais de 200 000 pessoas.

Israel diz que a barreira serve para evitar ataques terroristas; no entanto, os Palestinianos receiam que o muro agora em construção sirva para demarcar as fronteiras de um futuro estado Palestiniano; convém lembrar que Israel tem vindo paulatinamente a reduzir a área da possível Palestina, ao ponto de hoje em dia ter muito menos de metade da área da primeira proposta das Nações Unidas, tornando inviável a formação de um estado (sobram apenas duas "ilhas de terra" no meio de Israel).

O muro associado à multiplicação de controlos militares, checkpoints, barricadas, portões e outras restrições à circulação de pessoas e bens têm tido um impacto desastroso nas vidas dos Palestinianos, arrasando literalmente a incipiente estrutura económica e social da Palestina.

PP
Em Setembro secam-se as fontes ou vão-se as pontes


Microcrédito e Desenvolvimento Local

A ADM Estrela - Associação de Desenvolvimento e Melhoramentos em parceria com o Núcleo Empresarial da Região da Guarda -NERGA- vai realizar no dia 11 de Setembro um Seminário subordinado ao tema: Microcrédito.

Tendo em conta os fenómenos de exclusão a que algumas pessoas estão submetidas, constatamos que estes as impedem de participar activamente na sociedade, seja por estarem no desemprego, por questões de idade e/ou pelas baixas qualificações escolares. Apesar de hoje já existir um conjunto de medidas sociais e económicas que pretendem promover e revitalizar a inserção de todos, tais como o subsídio de desemprego, o rendimento social de inserção, entre outros, a verdade é que existem muitas pessoas com ideias e interesses que potenciam a melhoria da sua qualidade de vida, mas que não têm forma de as desenvolver.

Para aquelas pessoas que têm capacidades produtivas e a experiência do saber-fazer e que as gostariam de concretizar, mas não reúnem as condições de acesso ao crédito bancário comum, existe uma solução - o Micro-crédito.

Este Seminário realizar-se-á no Auditório do NERGA situado no Parque Industrial da Guarda e contará com a participação do Dr. Jorge Wemans (presidente da Associação Nacional de Direito ao Crédito), Eng. Carlos Gonçalves (director do Centro de Emprego e Formação Profissional da Guarda), em debate moderado pelo Dr. António Manuel Oliveira.

Mais informações:

Telefone: 271221579
Fax: 271215749
e-mail: adm.estrela@domdigital.pt
VANTAGEM AGRÍCOLA DO NORTE DEVE ACABAR

Para o Sul em desenvolvimento é vital que os subsidios agrícolas do Norte industrializado estejam no topo da agenda da Conferencia Ministerial da OMC em Cancún, disseram economistas e representantes dos governos reunidos na cidade oriental sulafricana de Durban.

ouvir radio



Contra a Guerra e a Ocupação

Car@s amig@s,

A ATTAC vem relembrar o convite feito a todas as organizações e activistas
da paz interessados, para estarem presentes numa reunião de discussão da
participação portuguesa na jornada mundial contra a guerra e a ocupação do
Iraque de 27 de Setembro.
A convocatória internacional foi feita a partir da Assembleia Preparatória
do Fórum Social Europeu.
A reunião será às 21 horas da próxima segunda feira, dia 8 de Setembro, na
Rua das Gaivotas nº6.

Um abraço,

Nuno Ramos de Almeida (ATTAC Portugal)
Declaração sobre a Quinta Conferência Ministerial da OMC em Cancoon (México), de 10 a 14 de Setembro de 2003

Rede Parlamentar Internacional

Nós, membros da Rede Parlamentar Internacional (RPI), criada no âmbito do Fórum Parlamentar Mundial de Porto Alegre (Brasil) , estamos muito comprometidos com a ideia de que outro paradigma económico e social é possível, para o comum benefício da maioria dos povos de todo o mundo.

Acreditamos que a ordem económica mundial actual, com as organizações da Bretton Woods a liderar os assuntos económicos e sociais por um lado, e a Organização Mundial de Comércio (OMC) (ver o Caderno Temático sobre a OMC) por outro, não permite alcançar esse nobre objectivo. Desde a criação da OMC em 1995, o abismo que separa os ricos dos pobres aprofundou-se dramaticamente. A “agenda de desenvolvimento” de Doha, acordada na quarta conferência ministerial em Novembro de 2001 na capital do Qatar, não merece em definitiva o nome que lhe deram.

Com a aproximação da Quinta conferência Ministerial a ocorrer em Cancoon (México), já nos próximos dias (entre 10 e 14 de Setembro de 2003), propomos um número mínimo de medidas que queremos ver incluídas na agenda da conferência. Comprometemo-nos ainda apoiar estas propostas nos debates parlamentares e nas resoluções que serão adoptadas antes da conferência e defendê-las durante o decorrer da mesma. São 10 as propostas a apresentar em Cancoon:

1. Garantir o controlo democrático.

O processo de negociação na OMC, que tem como consequência a adopção e implementação de acordos vinculantes, não pode ser apenas um assunto inter-governamental. As assembleias nacionais elegidas democraticamente devem ter um papel preponderante em todo o processo de negociação e na implementação dos acordos da OMC. A toma de posição relativa ao comércio deve ser discutida anteriormente no seio dos parlamentos e ser co-decidida pelas assembleias de todos os países membros da OMC.

2. Resolver em primeiro lugar todos os assuntos pendentes e só depois construir um consenso.

Ainda não chegou a hora de abordar novos tratados relativos a investimento, competição, mercados públicos ou regulamentação transfronteiriça (os chamados “novos temas” ou “temas de Singapura”). Não se pode aceitar o alargamento das competências da OMC sem antes se aprofundar e avançar em temas essenciais para o desenvolvimento sustentável. Há um grande número de questões pendentes desde a criação da OMC que ainda não foram suficientemente negociadas, decididas ou implementadas. A OMC não cumpriu nenhum dos prazos que se tinha proposto em matérias vitais como: (1) a implementação dos acordos passados; (2) o tratamento especial e diferenciado; (3) a propriedade intelectual e a saúde pública; (4) as modalidades na Agricultura, entre outras. O lançamento das negociações sobre os temas de Singapura alargaria as competências da OMC em benefício dos EUA e das suas empresas (assim como todos os países mais ricos), em detrimento dos países em vias de desenvolvimento.

3. Manter e fortalecer a cobertura dos serviços públicos.

As negociações sobre o comércio de serviços (AGCS –Acordo geral sobre comércio e serviços) põem em perigo o acesso aos serviços públicos. Nenhum pedido deveria ser imposto aos países, especialmente aos países em desenvolvimento, para que privatizem os seus serviços públicos, em particular o acesso à água, ao tratamento e distribuição da energia, à educação e à saúde. Alguns sectores de serviços, como a água e a saúde, têm uma importância chave nos países em desenvolvimento e menos desenvolvidos, já que afectam directamente (e dramaticamente) a vida diária das populações. Por isso é necessário um cuidado muito especial no tratamento destes temas.


4. O acesso aos medicamentos deve ser garantido, a saúde pública deve ser a prioridade.

Na conferência Ministerial de Doha, em Novembro de 2001, foi estabelecido um acordo relativo ao acesso aos medicamentos essenciais. Lançamos um apelo a todos os membros da OMC para que se baseiem neste acordo no que respeita ao tema primordial das licenças obrigatórias de importação (par. 6 da declaração sobre o acordo ADPIC e saúde pública). Neste contexto, recordamos que impor novas limitações como parte da solução do problema do par. 6 violaria o espírito da declaração e seria visto, com razão, pelos países em desenvolvimento, como prova de má fé. Cada país deve ter a possibilidade de produzir ou de importar medicamentos genéricos se necessitar deles para proteger a saúde pública dos sues habitantes.

5. Não às patentes sobre a vida.

Deve ser interdito patentear formas de vida para que seja possível preservar a biodiversidade, a segurança alimentar, e os direitos dos povos indígenas, constantemente assediados pelas grandes empresas multinacionais que querem apropriar-se dos seus recursos genéticos. Até agora, estas patentes estão ao abrigo do Acordo dos Direitos de Propriedade Intelectual relacionados com o Comércio (ADPIC).

No entanto, o seu artigo 27.3b permite uma revisão das disposições relativas às patentes de formas de vida. Apoiamos os países em vias de desenvolvimento no seu pedido de implementação do artigo 27.3b, e em particular a posição adoptada pelo grupo de países africanos, pedindo que seja de uma vez por todas esclarecido que as plantas, os animais e os microorganismos não podem ser patenteados; que um sistema “sui generis” de protecção de variedades de plantas pode incluir sistemas que protejam os direitos intelectuais dos povos indígenas e das comunidades agrícolas; que o AGCS deve ser orientado de forma a ser compatível com a Convenção sobre a Biodiversidade e o Tratado da FAO sobre os recursos genéticos vegetais.

6. Proteger a independência dos acordos multilaterais ambientais (AMA).

A OMC é o único organismo dotado de poder para sancionar as suas regras. No entanto, isto não quer dizer que as suas regras estejam acima de qualquer outra norma internacional. As preocupações ambientais, por exemplo, não deveriam depender da OMC. A protecção do Meio Ambiente não é uma medida de distorção do comércio pelo que deve ser perfilhada pela OMC; são medidas necessárias para garantir o futuro de todos nós e das gerações vindouras. É por isso que nos opomos a qualquer alteração ou reformulação dos AMA para que estes se compatibilizem com a OMC, como está subjacente nas propostas dos EUA e da UE, propostas que foram liminarmente recusadas pela maioria dos participantes na cimeira de Joanesburgo.

7. Destacar a perspectiva da multi-funcionalidade da agricultura no Mundo.

Consumidores e produtores do mundo inteiro estão interessados no desenvolvimento rural, na protecção do meio ambiente e no tratamento condigno dos animais. O direito dos povos a alimentarem-se, a segurança alimentar e o acesso à água são fundamentais para o nosso futuro comum.

8. Responder às necessidades dos países em vias de desenvolvimento – abolir os subsídios à exportação.

Os subsídios e outros mecanismos de apoio à exportação (proteccionismo) distorcem a cadeia da produção agrícola. Na maioria das vezes servem apenas para aumentar os lucros dos grandes agro exportadores, pondo em perigo a sobrevivência dos agricultores tanto no sul como no norte. Apenas o desenvolvimento sustentável, e um comércio mais justo podem garantir a existência da agricultura e da segurança alimentar no futuro. Pedimos por isso que os subsídios à exportação sejam suprimidos em todos os países, em particular nos mais industrializados.

9. Melhorar os direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras.

Apelamos aos membros da OMC para que respeitem as convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT) relativas aos direitos fundamentais do trabalho, em particular no que respeita a liberdade de associação entre trabalhadores e trabalhadoras. A regulamentação dos direitos sociais deve continuar a ser uma competência da OIT, e não pode ser usada com fins proteccionistas, nem como mecanismo de barreira comercial. Pedimos à OMC que respeite as decisões da OIT e que outorgue a este organismo o cargo de observador da OMC.

10. Aplicar sistematicamente os princípios da precaução e da sustentabilidade.

Não se pode aplicar as mesmas regras a partes desiguais. O comércio é um meio, não um fim em si mesmo. Com o objectivo de evitar efeitos negativos de futuros acordos, devem ser levados a cabo estudos de impacto relativos ao efeito das medidas adoptadas sobre a sustentabilidade (em todas as suas vertentes, social, económica e ambiental) antes de encetar as negociações.

Cada país deve conservar toda a liberdade de determinar o risco que pode existir no que toca à saúde e bem-estar dos seus cidadãos e do meio ambiente e de adoptar as medidas de precaução adequadas.

Traduzido por PP

sexta-feira, setembro 05, 2003

Nota botânica X - Tomilho

Planta da família das labiadas, com o centro de dispersão na Península Ibérica, onde há dezenas de espécies. Em Portugal, são numerosas as espécies exclusivas do litoral do país, como o Thymus camphoratus ou o Thymus sylvestris.


Thymus vulgaris

No entanto, o tomilho empregue na cozinha e como planta medicinal é o Thymus vulgaris. Encontra-se em abundância no Norte e Este da Península Ibérica assim como no Sul de França (mais longe talvez haja, mas eu desconheço). É impressionante a quantidade de coisas para que serve:

a) Bom para a digestão (favorece a boa digestão dos alimentos).
b) Evita os espasmos gástricos e intestinais.
c) Evita a formação de gases e retenções putrefactas no intestino....*em caso de emergência, beber tres chávenas de infusão de flores do tomilho por dia.
d) Estimulante do apetite (bom para casos de anorexia) *juntar folhas e flores a qualquer prato cozinhado.
e) Anti-séptico e expectorante: bom para casos de dor de garganta ou anginas. *gorgolejar ou beber uma infusão de tomilho; preparar um xarope com tomilho, camomila e açúcar.
f) Alivia as dores de menstruação e diminui os efeitos colaterais como as dores de cabeça, de estômago, a retenção de líquidos e a irritabilidade. *beber infusão de tomilho na semana anterior à menstruação.
g) Eficaz para combater os problemas orais, como as inflamações, aftas e mau hálito.
h) Cicatrizante e anti-séptica.
i) Relaxante e sonífero suave: em situações de fadiga extrema pode-se juntar ao banho de emersão uma infusão de tomilho. A infusão pode ajudar a adormecer.
j) Erva aromática: na cozinha pode ser utilizada para temperar muitos pratos, com um toque muito próprio que realça as propriedades medicinais da refeição. Também é utilizado para aromatizar queijos e é mesmo comido directamente (apenas os rebentos mais tenrinhos).
h) Favorece a circulação sanguínea.
i) Reduz o teor de colesterol e evita o sintoma de indigestão.
j) Bom repelente de mosquitos devido à alta concentração de álcoois e de óleos essenciais (por isso tb utilizado na industria como desinfectante e fungicida). *basta pôr uns raminhos de tomilho nas janelas e nas Portas.
k) Utilização de alguns óleos na fabricação de perfumes.

Como é óbvio, o bom alter-globalizante nunca deve andar por aí sem trazer um raminho de tomilho consigo. Mesmo no dia a dia poderá ser muito útil; em caso de passarmos todos à clandestinidade, ter tomilho plantado por toda a rede alternativa será indispensável para que outro mundo seja possível.....

PP
ENCORE DO FESTIVAL ANDANÇAS

BAILE COM DANÇAS TRADICIONAIS

5 de Setembro (6ª feira) – 22h00

A Associação Pé de Xumbo em parceria com a Mó de Vida Coop. retomam a realização dos bailes do Projecto Pé na Índia.

Na sequência da apresentação no Andanças, neste primeiro baile de Setembro teremos a participação do grupo DOBRANOTCH da Rússia.


Não falte!



MÓ DE VIDA Coop.
Calçadinha da Horta, 19
2800-564 Pragal, Almada
Telef. 212720641
modevida@sapo.pt
http://planeta.clix.pt/modevida