segunda-feira, dezembro 15, 2003

Saddam I

Deixo-vos com este post do Classe Média, para depois também eu sair do buraco:

Só foi pena que no momento da sua captura, para além da mala com dinheiro, o Saddam não tivesse com ele uma outra mala com umas armas de destruição maciça. Ainda não é desta que nos livramos das malhas desta discussão que já está claramente para além do prazo de validade...

A captura do Saddam poderá ter um valor simbólico, mas infelizmente não creio que ele estivesse a comandar uma qualquer guerrilha ou "célula" terrorista, enfiado num buraco em Tikrit. Aguardemos.

PS: Eu gostava de escapar ao tema, mas não quero que pensem que também eu vivo num buraco.

O Silva


Este sentimento de que somos levados pela vaga mediática e quase que obrigados a opinar sobre algo neste momento já massacrado por milhares de comentários , milhões de opiniões, onde quase tudo já foi dito, irrita-me. Mas lá chegaremos.... Estou só a inventariar os sinónimos de "sanguinário" e "tirano" para não me repetir nos atributos de Saddam.

sexta-feira, dezembro 12, 2003

O Lagostim-de-patas-brancas

Maia, MJ e Pereira, F. 2003. A vida pasmada do lagostim do Angueira. Ed. Câmara Municipal de Vimioso, Bragança

Este é um livro muito interessante. Penso que tem um título infeliz, eu teria preferido um outro, preterido pelos autores: Crónica de uma Extinção Anunciada. Porque é disso que se trata: um relato eco-etnológico sobre o desaparecimento do Lagostim-de-patas-brancas.

texto

Ameaçada em toda a Europa, e em Portugal confinada ao Nordeste Transmontano, os últimos exemplares desta espécie de lagostim foram observados na bacia do Sabor em finais da década de 90 (anteontem, portanto...). Este livro relata as aventuras da pesca, da gastronomia, do contrabando e da importância económica e sociocultural do lagostim para as gentes do Planalto Mirandês. Apesar desta importância, estas gentes pactuaram com a anunciada extinção do lagostim, segundo os autores devida essencialmente ao excesso de pesca e à degradação dos habitats ribeirinhos. O livro enumera uma longa lista de chamadas de atenção para o decréscimo populacional de lagostins, uma longa lista de regulamentos e proibições que tentaram refrear a pesca.

Já para o final, os autores citam uma notícia saída na edição de Julho de 1985 do “Mensageiro de Bragança”, na qual se conta como o assunto da protecção legal do lagostim chegou ao Parlamento, e se lamenta como escasseavam os exemplares da espécie. E a esta notícia se segue o momento para mim mais relevante do livro. Passo a citar: “Nenhuma das propostas anteriores foi atendida. Nesse ano pescaram-se os últimos lagostins do [rio] Angueira. Embora nesta altura tivesse havido tomada de consciência por parte dos pescadores, nenhum alterou a sua atitude e comportamento (...). Isto é, não temos nenhum testemunho de que alguém tenha, voluntária e conscientemente, diminuído a frequência de pesca, ou evitado pescar, por exemplo, as fêmeas ovadas ou lagostins de menor tamanho. O que vinha à rede era peixe, ou melhor, lagostim. Se era pequeno demais para cozer ou grelhar, comia-se em arroz ou paella...”(p.70).

A história do lagostim é real e actual: não estamos a conseguir gerir os nossos recursos naturais, mesmo quando estes representam recursos económicos especialmente relevantes. Como é possível ser-se tão burro?
Termino com uma nota positiva para a Câmara de Vimioso, que financiou esta publicação. Bom, pelo menos fica a ganância registada; que sirva de aviso a outras câmaras que poderiam ter papeis muito mais activos neste campo da conservação dos recursos locais.

Este livro pode ser encomendado
e está a ser divulgado acoli

mpf

A Variância do outro

O Esmaga serracenos voltou à carga; eu explico: o que acho mal é dizer que a informação é inútil e chamar variância a uma coisa que não tem nada a ver com isso (isto é a minha costela estatística a vir ao de cima). O tipo de aproximação deste estudo é o mesmo tipo de metodologia utilizado para a previsão da evolução das bolsas de valores dos mercados mundiais (aqui estou a tentar sensibilizar o esmaga...), para realizar bons PDM (planos directores municipais) ou para os diferentes planos de ordenamento a implementar, como os PROF (planos regionais de ordenamento florestal) ou a rede de conservação da nartureza europeia (optimizando a conservação das espécies e dos habitats). São métodos heurísticos de apoio à decisão. Apenas isso: pomos as variáveis, fazemos correr os modelos e depois sabemos quais os diferentes resultados dos múltiplos cenários modulados. Em última análise, estes modelos ajudam os decisores (ou no caso da bolsa de valores, os investidores) a tomar decisões com um conhecimento mais aprofundado do problema, pelo que terão uma hipótese melhor de tomar a boa decisão. Estou de acordo que não são factos (como dizem os jornais), mas defendo a utilidade dessa informação para a boa tomada de decisões.

Confiar nos mercados é uma demonstração de fé inabalável em algo de contornos bastante imcomprensíveis! dou-lhe os parabéns por acreditar que os mercados possam acabar com a pobreza e a fome no mundo, e ao mesmo tempo controlar o crescimento da população mundial!

Eu já estou como o Mario Soares: "Nós não queremos acabar com os ricos; queremos é acabar com os pobres" [no mundo]. Traduzindo para a linguagem altermundialista, não queremos acabar com os mercados; queremos é que esses mercados estejam ao serviço do homem e não ao serviço de uns poucos para explorar outros, muitos....

PS - eu devia era deixar-me disto e começar a ser consultor da bolsa de valores, fazendo valer as minhas mais valias estatísticas...

Partido Europeu de esquerda

Segundo noticiou o Expresso de sábado passado, o BE irá participar na formação de um novo partido Europeu que congregará vários partidos de esquerda de toda a Europa, como a Izquierda Unida, o Partido Comunista Francês ou os renovadores comunistas italianos. Até aqui, nada de mais normal.

O que me preocupa é um pequeno parágrafo no fim do artigo:

Os partidos Europeus (pelo menos para já) não dispõem de capacidade eleitoral, mas têm grande vantagem de dar expressão política e institucional Europeia às dinâmicas sociais que estão a emergir no âmbito da luta contra a globalização capitalista.
(..) o novo partido de esquerda pretende potenciar à escala Europeia as posições nacionais de forças que se têm empenhado no movimento dos fóruns sociais, na luta antiglobalização, e defendem uma Europa mais preocupada com os desfavorecidos.


Preocupa-me, já que nas entrelinhas se pode ler que este novo partido Europeu é o braço político dos Fóruns sociais. E isso vai completamente contra o espírito dos Fóruns sociais. É que a distância entre a organização subjacente aos Fóruns sociais, que é sobretudo um espaço de expressão e discussão comum, sem hierarquias, sem programa político, sem dirigismos, é completamente incompatível com as estruturas partidárias. Pela parte que me toca, desejo as maiores felicidades para o novo partido Europeu, mas por favor, não misturem alhos com bugalhos.

Mais: por definição, os partidos não podem participar nos Fóruns sociais, pelo que dizer forças que se têm empenhado no movimento dos fóruns sociais é completamente idiota. Se continuarem com este discurso, mais uma vez se perceberá que o empenho dos partidos nos fóruns não foi generoso nem gratuito, mas apenas com a intenção de agora capitalizar esse investimento. Não terá sido também por coincidência que a segunda edição do FSP apenas se realize em 2005, porque este ano, as forças políticas estão demasiado empenhadas com as eleições Europeias....

Já sabia que iria haver uma tentativa de aproveitamento político do capital humano que representam os Fóruns sociais. Mas não tão descaradamente! Os caminhos dos movimentos sociais e dos partidos políticos devem seguir paralelos, eventualmente enriquecerem-se mutuamente com uma franca troca de ideias e de propostas, mas nunca misturando as coisas no mesmo saco. Ao fazer isso, condenarão o movimento altermundialista ao fracasso.

Já agora, tenham a coragem de defender em sede Europeia o fim do proteccionismo agrícola Europeu, uma das principais reivindicações do movimento altermundialista.

Já agora, gostava de saber a opinião do Barnabé e do BdE sobre este assunto...

Argentina: 13.000 desaparecidos

Aumenta para 13.000 o número de pessoas desaparecidas na ditadura
Adital/Encuentro Popular/IPS

O Governo argentino notificou ao Alto Comissionado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Bertrand Ramcharan, forncendo as novas estatísticas de desaparecidos durante o período da ditadura (1976-1983), que se aproximam de 13.000, pelos menos mais 4.000 do que o número conhecido até ao momento. A informação foi divulgada pelo subsecretário de Direitos Humanos, Rodolgo Mattarollo.

Segundo Mararollo, este novo cálculo integra as estatísticas e os depoimentos da Comisión Nacional de Sobre la Desaparición de Personas (Conadep), comissão investigadora criada no fim da ditadura. Também agrega informação de ONGs e dos Julgamentos pela Verdade que estão sendo realizados no país, acrescentando dados obtidos pela Secretaria de Direitos Humanos.

Em comemoração da jornada universal dos Direitos Humanos, Ramcharan presidiu um encontro internacional em Genebra com personalidades de todo o mundo, convidadas para se pronunciarem sobre a impunidade dos responsáveis pelos "desapareciemntos".

"Sob o mandato do presidente Néstor Kirchner, nossa secretaria aprofundou as investigações, principalmente no interior do país, e estamos recebendo novas denúncias de desaparecimentos vindas de conhecidos e familiares de vítimas da ditadura. Para isso, estamos percorrendo as cidades e organizando uma base de dados", falou o secretário.

Até o momento, a Conadep tinha contabilizados 8.234 desaparecimentos, ao que se acrescenta agora outras ocorrências constituídos e verificados pela Secretaria de Direitos Humanos, aumentando os casos para 12.986. A tarefa foi possível devido à importante contribuição dos depoimentos de 1.600 sobreviventes dos campos de concentração.

Com o novo índice, o país vai-se aproximando das estimativas antecipadas pelas ONGs de direitos humanos da Argentina que insistem em que houve 30.000 desaparecimentos no período da ditadura.

20 anos de democracia

Enquanto se revela o novo índice de desaparecidos durante a ditadura, a Argentina completou, nesta quarta-feira, 20 anos de vigência da democracia continuada. No país, segundo informa o IPS, a grande maioria dos cidadãos comemora, mas o aniversário encontra o sistema enfermo de vários males e com uma longa lista de tarefas pendentes.

"Estou orgulhosa de viver num país onde a democracia completa 20 anos. E parece-me que já não existe o risco dos militares voltarem. Mas também não estou satisfeita com o que temos. Ainda precisamos amadurecer muito", disse ao IPS a professora Nélida Colombo.

A referência a duas décadas ininterruptas de democracia tem sentido num país que passou boa parte do século XX sob a o pressão de ditaduras militares. Nestes 20 anos, a democracia resistiu a todo tipo de ameaças políticas, mas houve também terríveis sacudidas económicas e sociais: duas ondas de hiper-inflação, polémicas privatizações, um endividamento externo e o desemprego e a pobreza crescendo em proporções sem precedentes.

Em poucos anos, a pobreza passou a atingir de 30 a mais de 50% da população. O desemprego, que se mantinha em redor dos 6% no início do governo de Alfonsín, está agora em 16,4%. A dívida externa de 50.000 bilhões de dólares triplicou.

quinta-feira, dezembro 11, 2003

População mundial em 2003

O esmaga serracenos acha que os estudos da evolução da população mundial feitos pela ONU são inúteis e irrelevantes:

A margem de variação, a trezentos anos, é de mais de 30 mil milhões. Ou seja, a população mundial em 2300 poderá ser metade ou o sêxtuplo da actual. A pergunta permanece e torna-se mais premente: para que serve isto?

A questão é que o estudo não é sobre margem de variação ou variância; o estudo propõe três cenários que têm em conta a crescente longevidade do ser humano e a fertilidade; e o cenário catastrófico é que se nos continuarmos a reproduzir como coelhos (ou como virus - versão matrix), estamos quilhados.



Convenientemente, omitiu a informação da legenda dos cenários graficados:
Low - Cenário em que há baixa fertilidade, havendo uma diminuição da população;
Medium - Cenário com fertilidade média, com uma estabilização da população no ano 2100 aproximadamente nos 9 biliões.
High - Cenário de alta fertilidade, com um aumento paulatino da população chegando quase ais 40 biliões.

Qual a utilidade desta informação?
Se a fertilidade se mantiver nas duas crianças por casal, mesmo com a longevidade a aumentar, a população mundial estabilizará nos 9 biliões. Por isso, do ponto de vista da planificação e da desejável sustentabilidade do planeta, seria bom que atinjissemos esse objectivo.

De certeza que até o Esmaga está de acordo que se não tivermos objectivos e metas a atingir, se não estudarmos o problema a fundo, nunca saberemos solucioná-lo. E se chegarmos aos 40 biliões ou aos 400 biliões de alminhas, convenhamos que a coisa será ligeiramente insustentável...

Super...

G-20

Reunião Ministerial do G-20 começa Hoje em Brasília

Começa hoje, 11 de Dezembro, em Brasília, o encontro dos representantes do chamado G-20 – grupo de países que foi determinante nas decisões da última reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), realizada no México. Eles estarão reunidos com o objetivo de encontrar uma maior coordenação dos países em desenvolvimento com interesse especial na agricultura – um dos pontos principais do encontro ocorrido em Cancun.

O G-20 foi formado em agosto desse ano, um pouco antes da V Reunião Ministerial da OMC, entre os dias 10 e 14 de setembro. Os países se reuniram para fazer com que os Estados Unidos a União Europeia cumprissem os acordos determinados na Declaração Ministerial de Doha que, entre os pontos principais, enfatizava a questão agrária e estabelecimento dos subsídios.

A reunião de Brasília permitirá ao Grupo avaliar o estado atual das negociações na OMC, em especial no que se refere à agricultura, e estreitar a coordenação entre seus membros para as etapas subsequentes das negociações.

Além do Brasil, está confirmada a participação dos seguintes países: África do Sul, Argentina, Bolívia, Chile, China, Cuba, Egito, Filipinas, Índia, Indonésia, México, Nigéria, Paquistão, Paraguai, Tanzânia, Venezuela e Zimbábue. Fazem parte do bloco os países Costa Rica e Guatemala, que ainda não confirmaram a sua presença. O Equador, que ainda não aderiu oficialmente ao G-20, deverá enviar um observador à reunião.

Como convidados especiais, deverão participar de segmento da reunião em Brasília o Comissário da UE responsável por Comércio, Pascal Lamy, e o Diretor-Geral da OMC, Supachai Panitchpakdi. Foram convidados para um almoço de trabalho, agendado para o final da reunião, o chanceler da Guiana, Clement Rohee, e o ministro delegado do Comércio Exterior da França, François Loos, que estarão de visita ao Brasil.

A reunião do grupo foi decisiva na última conferência da OMC, em Cancún. Os 21 países não aceitaram nenhuma das propostas feitas pelos blocos estadunidense e europeu. Um deles, El Salvador, saiu do bloco logo após a reunião. Os subsídios à agrícultura [protecionismo] foram os principais motivos que levaram à formação do grupo.

Copy past daqui

Embarcações tradicionais

Temos o maior prazer de o/a convidar a assistir à inauguração desta Exposição no dia 13 de Dezembro, Sábado, pelas 17 horas.

A Direcção da UPS - Universidade Popular de Setúbal, em colaboração com o Museu de Arqueologia do Distrito de Setúbal, apresentará uma exposição fotográfica subordinada à temática das Embarcações Tradicionais do Tejo e do Sado, apresentando um conjunto de 37 imagens de excepcional qualidade artística e documental, da autoria de Manuel Gardete, médico e residente em Setúbal. A exposição estará patente de 13 de Dezembro de 2003 a 30 de Janeiro de 2004, no Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal, na Av. Luísa Todí, em Setúbal.

É objectivo desta iniciativa despertar o interesse das populações, em particular dos mais jovens, para o importante património cultural e etnográfico que estas embarcações representam para a identidade colectiva das populações ribeirinhas dos rios Sado e Tejo, na íntima relação entre as suas Cidades e os respectivos Rios, não só como territórios de riqueza e trabalho, mas também, numa óptica mais contemporânea, como espaços emergentes de cultura, lazer e recreio. É numa perspectiva de desenvolvimento e preservação da cultura local que, pela valorização e projecção deste património, procuraremos levar a exposição a outras paragens, nomeadamente a concelhos ribeirinhos do Tejo e do Sado, em colaboração com as autarquias locais e os respectivos serviços culturais.

Regina Marques

quarta-feira, dezembro 10, 2003

Reafirmar os compromissos de Viena

Declaração da Human Rights Watch no dia mundial dos direitos humanos
(New York, 10 de Dezembro de 2003)

Neste dia em que se celebram os direitos humanos, deveriamos refletir sobre um outro aniversário muito importante, praticamente esquecido.

Há 10 anos atrás, em Junho de 1993, a comunidade internacional reuniu-se para afirmar o seu empenho em fazer valer os valores universais, numa conferencia mundial sobre direitos humanos em Viena. Ultrapassando velhas disputas, 170 estados declararam que “a natureza universal destes direitos e liberdades é inquestionável.... Todos os direitos humanos são universais, indivisíveis, interdependentes e interrelacionados.”

Esses foram dias de grande optimismo e confiança no futuro para o movimento dos direitos humanos. A guerra fria acabou no meio de uma onda de mudanças democráticas que acabou com a falta de democracia de numerosos estados autoritários. Muitos prisioneiros políticos (alguns com dezenas de anos de clausura) finalmente viram a luz do dia e alguns chegaram mesmo a presidentes!
O alto comissário das Nações Unidas para os direitos humanos prometeu protagonismo e visibilidade para os direitos humanos neste novo mundo. Os activistas dos direitos humanos por todo o mundo trouxeram a lume numeroso problemas que se deveriam resolver e as suas vozes eram cada vez mais ouvidas nos corredores do poder.

Nos anos seguintes, foram dados grandes passos em favor da causa dos direitos humanos. Uma nova convenção sobre os direitos da criança foi aceite praticamente em todo o mundo. A conferência de Pequim deu especial atenção aos direitos das Mulheres. A maré mudou internacionalmente contra os desaparecimentos forçadas, a tortura e a pena de morte. As minas terrestres foram banidas e novos esforços acabaram com as crianças soldado e as piores formas de trabalho infantil.

O sistema internacional de direitos humanos, construído laboriosamente ao longo de décadas pelos próprios governos, está hoje em dia ferido de morte. A comissão dos direitos humanos, o maior fórum mundial de direitos humanos, foi controlada abusivamente por governos que tentam escapar à avaliação e julgamento internacional, colocando-se acima da lei. Os mecanismos especializados montados para monitorizar em todo o mundo o estado dos direitos humanos estão sob pressão e sofrem constantes ataques político. O lugar de alto comissário para os direitos humanos continua vago depois da trágica morte de Sérgio Vieira de Melo. O concelho de segurança está a falhar no compromisso assumido de proteger as populações civis durante e após os conflitos armados. E os Estados Unidos continuam a sua vendetta ideológica contra o Tribunal Penal Internacional

Por isso este dia dos direitos humanos deveria ser um tempo de reflexão, maior dedicação e renovação.
Reflexão na fragilidade dos progressos conseguidos e nos novos desafios com que o nosso movimento se depara.
Maior dedicação à causa dos direitos humanos e na defesa das importantes vitórias já conquistadas.
Renovação da maquinaria internacional que pode combater eficazmente as infracções dos direitos humanos e assegurar que o compromisso assumido há 10 anos por 170 nações se torne uma realidade.

Artigo traduzido da página do Human rights watch; a HRW tem link permante na coluna da esquerda do BSP.

Prémio Nobel da paz

Ebadi recebeu hoje o prémio Nobel da paz, sendo a primeira mulher muçulmana a conseguir tal feito. Activista dos direitos humanos no Irão, mais precisamente defendendo os direitos das mulheres e das crianças no Irão.

A advogada iraniana Shirin Ebadi acusou, esta quarta-feira, no seu discurso oficial após receber o Prémio Nobel da Paz de 2003, os Estados Unidos de violarem o direito internacional, utilizando como pretexto os ataques terroristas do 11 de Setembro. Embora sem nunca mencionar o nome do país de George W. Bush, Ebadi desferiu igualmente fortes críticas à detenção de centenas de prisioneiros na base norte-americana de Guantanamo, em Cuba, «sem a protecção prevista pela Declaração Universal dos Direitos Humanos e pelos textos das Nações Unidas sobre os direitos civis e políticos».

Ebadi questionou ainda porque é que algumas resoluções das Nações Unidas são apoiadas pelo Ocidente enquanto que outras são ignoradas, numa alusão clara a Israel.

Traduzido parcialmente daqui.

10 000 a 10 de Dezembro

Fosga-se, chegamos às 10 000!!!

Dia 10 Dezembro, dia Mundial dos direitos humanos, às 19:01 em ponto chegámos às 10 000 visitas.
Se fosse um bocadinho mais místico, via nisto um sinal do apocalipse ou pelo menos uma influência maléfica....

Agora a conversa do costume: continuem a visitar-nos, que nós continuaremos a escrever, etc. etc. etc. e esperamos ainda andar por aqui quando chegarmos às 40 000 (estava para pôr 60 000, mas depois achei que me estava a esticar uma beca).

Ficam aqui outros 10 000, para festejar este instante mágico em que faço parte dos 10 000:
10000 desenhos para colorir
10 000 pósteres
10 000 receitas de cozinha
10 000 dicas para o computador
e ainda 10 000 de uma coisa qualquer que está em russo e não percebo

E não percam o próximo post, que nós também não!

PS - havia também uma página com 10 000 fotografias de conteúdos duvidosos....

Nota botânica XVII

Torga e Giesta

A propósito de um post de ontem , fica aqui um pequenino texto a explicar umas coisas sobre a Torga e a Giesta.

Torga - Calluna vulgaris



A Torga tem uma história natural (Life history) muito interessante para contar: o seu principal polonizador é um insecto minúsculo, cuja fêmea se mantém a maior parte da vida numa única flor. É o macho, que anda incessantemente de flor em flor, na sua procura obsessiva por fêmeas receptivas, que poliniza a flor. O Universo da fêmea resume-se a uma flor; esta história não é para tirar ilações machistas: o fundamental é que esta estratégia tem sucesso, e estes insectos já por cá andam há alguns milhões de anos (coisa de que nós ainda não nos podemos gabar).


Giesta Cytisus sp

A Giesta é uma planta da família das leguminosas. A sua flor, fechada, desprende um odor irresistível para abelhas e demais insectos, com promessas de néctares divinos nos seus interiores profundos. O curioso é que a flor tem um dispositivo muito engenhoso para assegurar que a polinização aconteça. Quando um insecto pousa numa flor fechada, que ainda não foi polinizada (imagem em baixo), a flor tem um sistema de alavancas desencadeada pelo peso do insecto, que faz com que as duas pétalas sobre as quais o insecto pousou se abram, projectando os estames (parte masculina da flor) contra o abdómen do insecto, ficando este carregado de pólen.


Flor de Giesta fechada

Simultâneamente, a parte femenina da flor, o carpelo, que está localizado entre os estames, é projectado contra o abdómen do insecto; o resultado pode ser a polinização da flor, no caso do insecto ter visitado anteriormente uma outra flor, ou encher os pelos abdominais do insecto com pólen, se esta for a sua primeira visita. Na prática, mais de 80% das flores de um arbusto produzem legumes (daís as Leguminosas), pelo que o sistema de alavancas é extremamente eficaz.
Nesta segunda imagem, vemos uma flor de giesta já visitada pelo insecto, completamente desgrenhada e com as pétalas à banda. Os estames, antes escondidos, são agora visíveis, já secos e gastos, mas com a alegria de ter cumprido a sua missão.


Flor de Giesta aberta

PS - da próxima vez que virem uma flor de giesta, experimentem pôr um dedo em cima das "asas", que são as pétalas que resguardam os orgãos sexuais da flor, escondidos na "quilha" (pétala mais inferior da flor). Activem a alavanca, para presenciarem este pequeno milagre....

Ainda a França

Disseram-me que os deputados em França resolveram aumentar-se 70%.
Razão invocada: com este estímulo acrescido, mais dificilmente cederão à tentação da corrupção.

Moral da história: no meu próximo emprego, vou ver se me torno completamente podre de corrupto, e depois peço um aumento de 60% (é que eu não sou ganancioso)......

Mais lenço

Em França andam muito abespinhados com alunas de diversas escolas secundárias que insistem em aparecer na escola com um lenço a tapar-lhes os cabelos. Em França chamam a isso "véu islâmico". Na verdade não é nada de islâmico, é apenas um lenço de cabeça, parecido com aqueles que as camponesas portuguesas tradicionais usavam. Mas em França acham que usar um lenço a tapar os cabelos é islâmico. Usar outras formas de vestuário, por exemplo minissaia, ou aquelas camisolas muito curtas que as miúdas agora usam e que deixam o umbigo à mostra, isso é normal. Mas para os franceses usar um lenço a tapar os cabelos e umas vestes largas sobre o resto do corpo, está mal nas miúdas. Não estará mal, claro, se elas usarem umas calças tão fininhas que a gente por detrás possa ver qual o modelo de slip que está por baixo. Isso não está mal. Só o lenço sobre os cabelos. Porque as calças finas, as minissaias e as camisolas curtas são trajes normais, não islâmicos, não ofensivos, não provocantes, mas o lenço nos cabelos é islâmico, claramente provocante e ofensivo.

Vai daí, como o Estado francês (uma coisa muitíssimo importante em França, o Estado) é laico, e como as escolas estatais são portanto laicas também, vai de depreender que os alunos das escolas estatais também têm que ser laicos, e, como já está demonstrado que usar um lenço a tapar os cabelos não é laico, querem fazer uma lei especial que proíbe os lenços. E, já agora, para maior laicidade, proíbe todos os outros símbolos "religiosos" que os alunos queiram usar (sendo que, naturalmente, caberá ao sacrossanto Estado francês definir o que é religioso e o que deixa de ser). Assim, um aluno deixa de poder usar uma cruz gamada na mochila, outro não pode usar um marcador de livros com a fotografia do imperador do Japão, e, presume-se, qualquer estudante de uma universidade estatal francesa poderá ser obrigado a rapar a barba, se ao Estado francês lhe apetecer decretar que a barba é um símbolo judaico.

Até onde chegará a loucura persecutória estatal? Até onde chegará a falta de razão, o disparate?

Luís Lavoura

terça-feira, dezembro 09, 2003

Neve

Devemos ser o único país, que praticamente não tendo neve, esta ocupa grande parte dos telejornais, rivalizando em protogonismo com o processo da Casa Pia...
Se ainda fosse uma acontecimento anómalo, tipo "um metro de neve caiu ontem em Lisboa", ou "a BRISA teve que proceder á  interrupção da A1 e da Ponte Vasco da Gama em consequência de um valente nevão", mas não: a notí­cia que marca o telejornal é a neve que cai todos os anos na Serra da Estrela (mais ou menos entre meados de Outono e princí­pios de Inverno); é que temos o azar de ter umas serras minorcas, que não chegam aos 2000 metros, com uma neve que não dá para nada (e as pistas de Ski essas, o melhor nem falar delas)! ao menos se tivessemos uns Himaliaias ou uns Andes, ou pelo menos uns Alpes ou uns Pirinéus, quando ouvissemos estas notícias, partiamos o mealheiro, agarravamos nos esquis cuidadosamente arrumados do ano anterior, e partiamos á  aventura! duas semanas a fazer esqui de fundo entre o Fundão e a Serra da Malcata; para uma coisa dessa é que valia a pena falar de neve. Não para me juntar a milhares de pessoas que lançam bolas de neve e escorregam em sacos de pá¡stico num espaço exíguo que mais faz lembrar a estação de Metro da Rotunda em hora de ponta....

Despertam-nos os sentidos e depois, népias....
É que frio por frio, prefiro o frio dos flocos de neve às gotas de chuva terrivelmente molhadas....
Não é lá muito alternativo, mas um homem tem que dizer o que lhe vai na alma...
Mesmo assim, falei de esqui de fundo, não de esqui alpino que dá cabo da natureza e das plantinhas....
Sinto uma admiração enorme (e caro está, inveja) por aqueles mancebos e moçoilas que andam horas a fio a esquiar, intervalando o exercício com uns tiros que têm de acertar nuns alvos munúsculos, voltar a esquiar, entre árvores e paisagens e horizontes de perder a respiração....

Inverno na Beira...

Post roubado d'O sedentário, agradável surpresa desta Blogolândia sem limites, cujo autor trata as plantas por tu. Fiquem com as suas palavras, que confortam e aquecem a alma neste Inverno frio e chuvoso.

Vi o Inverno pela primeira vez. Aqui e ali, travestiu-se de azul. Mas não logrou enganar-me, tal a ira dos elementos. O Inverno - o Inverno verdadeiro - abraçou-me, gelado. No termómetro, o mercúrio ensaiava a greve a partir dos três graus. Foi o Inverno. Pela primeira vez.

Entretanto voltei. Fico é sempre com a sensação de que jamais regressei na íntegra, o que dificulta a readaptação. Deixei mais um pedaço do âmago algures no Açor, entre castanheiros vetustos e o tilintar dos chocalhos das cabras, que tragavam a giesta indiferentes às pingas geladas.

E o vento? Aqui, na cidade que dos frios conhece somente o da alma, não há vento - vento verdadeiro; vento do Inverno. O vento tratou-me das bochechas à moda beirã. De bofetada em bofetada, lá consegui assomar-me à porta de uma casa reconfortante, aquecida à força da torga no braseiro.

Depois veio o porco delicioso, a batata suculenta e o vinho "morangueiro", que sorvemos como se água fosse.

O sábado decorreu assim, embalado pelo silvo do vento agreste e a chuva oblíqua. A minha pequena tia, porém, transportou à cabeça um saco de batatas que me vergaria o lombo daí a pouco. Envergonhado, solicitei a fisioterapia às mãos maternas.

Baralho de cartas alternativo

Não deixem de ir aqui ver o baralho de cartas daqueles que realmente lucram com a guerra do Iraque

Companhias relacionadas com a energia e comércio:





Veja o resto das espadas...



Os falcões da Administração Americana:





Veja o resto das copas...



Contratos relacionados com os militares e com a defesa:





Veja o resto dos paus.



Alta finaça, malta do guito...





Veja o resto dos ouros...

O combate à  SIDA



O novo director geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Jon-Wook Lee, gostaria de utilizar o programa brasileiro de fármacos genéricos para o SIDA gratuitos, como modelo para ajudar os países pobres a tratar e prevenir a doença, disse o presidente do programa de SIDA do Brasil, na terça-feira. “A ideia é usar a experiência do Brasil na concepção deste programa, particularmente na integração da prevenção, tratamento e direitos humanos”, afirmou Paulo Teixeira.
O programa, o qual é aplaudido por manter a doença em cheque, tem-se tornado um modelo para os países em desenvolvimento com a oferta universal de tratamento anti-retrovírico gratuitamente e a quebra de patentes de fármacos quando os fabricantes se recusam a reduzir os preços.

Esta quebra de patentes foi possibilitada pelo movimento alternativo global, que ao pressionar a OMC permitiu o acesso aos medicamentos genéricos a todos os países em vias de desenvolvimento (ao fim de longas e duras negociações): ao contrário de muitas vozes que advogam o contrário, o altermundialismo tem propostas concretas e resultados que começam a estar à vista de todos.

Os responsáveis da OMS estimam que nos países pobres existam seis milhões de pessoas que necessitam de tratamento com retrovirais para combater a SIDA. No Brasil, desde que foi autorizado o fabrico de genéricos e se procedeu à sua distribuição pelos doentes, o número de novos infectados diminuiu drasticamente, passando de 1,2 milhões na década de 90 para cerca de metade.

O Brasil já avançou com outros países do Mercosul, estabelecendo o compromisso de trabalhar em conjunto para estabelecer medidas para um melhor controlo das doenças sexualmente transmissíveis.
Até o momento, na América Latina, prevalecem os preços de medicamentos impostos pelas grandes multinacionais farmacêuticas com sede nos Estados Unidos e Europa, que passando a ser genéricos reduziriam o seu custo em cerca de 600 a 700%!
Depois da primeira derrota (onde a OMC autoriza países "desenvolvidos" a vender medicamentos genéricos a países pobres que não têm a capacidade de os produzir), os poderosos Laboratórios farmacêuticos vêem agora a OMS a dar luz branca ao tratamento da SIDA com medicamentos genéricos.

Definitivamente, um outro mundo é possível! Os alicerces desse novo mundo partem de um princípio muito simples: a vida humana é prioritária; os lucros (neste caso das multinacionais farmacêuticas) são secundários.

segunda-feira, dezembro 08, 2003

O espírito de natal

Ainda faltam umas semanitas para o natal e um novo recorde foi batido: ouvi pelo menos umas 20 vezes o George Michael a cantar o "Last Christmas"; a novidade é que as grandes superfícies aderiram ao espírito natalício e passam a dita música vezes sem conta... O rapaz até é um bom rapaz (até estava contra a guerra e fez um vídeo castiço com uns bonecos parecidíssimos com o Bush e o Blair), mas o seu passado é uma desgraça e esta música o expoente da piroseira.

É que entretanto começo a recear mais esta época do ano não tanto pelo consumismo desenfreado (este ano com a crise deve ser um bocadinho menos desenfreado) ou pelas luzinhas irritantes com motivos natalícios (com uma despesa astronómica lá para os lados do Terreiro do Paço)* - mas pelas músicas foleiras repetidas ano após ano, nas rádios, nas ruas (é uma das piores agressões, porque é mais difícil de fugir), nas grandes superfícies, na televisão, massacre esse só comparável aos filmes muita beras alusivos ao tema natalício e ao seu celebrado espírito que temos que gramar todos os anos.

PS – Apesar de tudo, eu até gosto do Natal...

* Em Évora as luzinhas sublinham o desenho dos arcos assimétricos na Praça do Giraldo, o que pelo menos não é tão fatela como os desenhos das renas ou das bolas das árvores de natal que decoram os arcos das ruas...

Lenço

A jornalista da SIC enviada ao Iraque, Cândida Pinto (honra lhe seja feita por andar a passear por aquelas terras e a mandar-nos reportagens sobre elas; é preciso coragem), tomou finalmente juízo, ganhou finalmente respeito. Depois de alguns dias em que aparecia na televisão, em direto das ruas iraquianas, de cabelos ao vento, ontem apareceu com um véu que lhe cobria adequadamente os cabelos.

Faz muito bem. Respeito pelos costumes locais é coisa que fica muito bem a qualquer um. Certamente que causa horror e repugnância aos iraquianos verem as ocidentais invadir o país deles com trajes que vão claramente contra as leis da simplicidade islâmicos.

Oxalá (inch'Allah) todos os ocidentais soubessem ganhar respeito pelo povo no meio do qual se encontram, e pelo menos adoptar trajes que não dessem nas vistas.

--
Luís Lavoura

Casamento homosexual II

EUROPEUS APOIAM O CASAMENTO HOMOSSEXUAL
Por Rex Wockner

Uma nova sondagem da EOS Gallup Europe revela que 57% dos residentes nas 15 nações que constituem a União Europeia apoiam o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Actualmente, só a Holanda e a Bélgica permitem aos casais homossexuais o acesso ao casamento civil. Seis outros estados da UE têm legislação sobre uniões de facto que conferem alguns, muitos ou todos os direitos decorrentes do casamento, aos casais de pessoas do mesmo sexo que registem as suas uniões.

O apoio foi muito mais baixo nas 13 nações que se preparam para aderir à UE. Apenas 23 por cento das pessoas nesses países, muitos dos quais eram anteriormente comunistas, se pronunciaram favoravelmente a que os casais homossexuais sejam autorizados a casar.

Os entrevistadores colocaram igualmente algumas perguntas sobre a adopção. Quarenta e dois por cento dos residentes na UE e 17% dos residentes nos países candidatos à adesão apoiaram a adopção por casais homossexuais.
A sondagem revela que os níveis mais elevados de apoio aos homossexuais se encontram entre as mulheres, os jovens, as pessoas com educação superior, os ateístas, militantes de esquerda e os residentes de países que já reconhecem alguns ou todos os direitos decorrentes do casamento aos casais de pessoas do mesmo sexo.

A Dinamarca expressou o mais elevado apoio ao casamento homossexual (82%), seguida pela Holanda (80%), Luxemburgo (71%), Suécia (70%), Espanha (68%), Bélgica (67%), Noruega (66%), Suíça (65%), Alemanha (65%), França (58%), Finlândia (56%), República Checa (50%), Áustria (48%), Reino Unido (47%), Itália (47%), irlanda (46%), Portugal (43%), Eslovénia (40%), Hungria (37%), Estónia (35%), Eslováquia (30%), Lituânia (26%), Malta (23%), Bulgária (20%), Letónia (19%), Polónia (19%), Roménia (17%), Grécia (16%), Turquia (16%) e Chipre (9%).

Quanto à pergunta relativa à adopção, a Holanda aparece em primeiro lugar (64%), seguida pela Alemanha (57%), Espanha (57%), Dinamarca (54%), Luxemburgo (49%), Bélgica (47%), Suíça (47%), Suácia (42%), França (39%), Noruega (37%), Reino Unido (35%), República Checa (35%), Irlanda (34%), Hungria (34%), Áustria (33%), Finlândia (30%), Eslovénia (30%), Estónia (27%), Itália (25%), Portugal (25%), Eslováquia (17%), Turquia (16%), Bulgária (14%), Lituânia (13%), Letónia (11%), Grécia (11%), Roménia (11%), Malta (10%), Polónia (10%) e Chipre (6%).

A Noruega e a Suíça, embora situadas na Europa, não fazem parte da União Europeia.

Copiado daqui.

Casamento homosexual I

PARLAMENTO EUROPEU DEFENDE O CASAMENTO E A ADOPÇÃO POR PESSOAS DO MESMO SEXO E CONDENA A INTROMISSÃO DO VATICANO NA POLÍTICA

Comunicado de imprensa da ILGA-Europa, 5 de Setembro de 2003 O Parlamento Europeu, pela primeira vez na sua história, apoiou expressamente o casamento homossexual e o direito dos homossexuais a adoptarem. No seu relatório sobre Os Direitos Fundamentais na União Europeia em 2002, os eurodeputados solicitam aos Estados-Membros «a abolição de qualquer forma de discriminação - legal ou de facto - de que ainda são vítimas os homossexuais, nomeadamente em matéria de direito ao casamento e à adopção de crianças». Para além disso, o relatório menciona explicitamente as actuais limitações à liberdade de circulação e recomenda aos Estados-Membros que adoptem as medidas necessárias ao reconhecimento dessa liberdade a todas as formas de «família».

O relatório provocou uma acesa controvérsia, uma vez que muitos eurodeputados conservadores puseram em causa a inclusão da discriminação fundada na orientação sexual num relatório sobre os direitos humanos na UE.
No final, a votação foi uma vitória para os direitos humanos: 221 votos a favor, 195 contra e 23 abstenções.

No mesmo dia o Parlamento Europeu aprovou outra resolução, desta feita centrada sobre a situação dos direitos humanos no mundo. Numa resposta directa à arenga do Vaticano contra as «uniões imorais» entre pessoas do mesmo sexo, o Parlamento Europeu expressou a sua discordância perante esta ingerência da Igreja Católica na política.
«Trata-se de um enorme sucesso simbólico constatar que os direitos dos homossexuais estão tão firmemente ancorados na política de direitos humanos da UE», afirmou o co-presidente da ILGA -Europa, Kurt Krickler. «E mais: ao condenar a Igreja por se tentar imiscuir em questões políticas e impedir que gays e lésbicas alcancem a plena igualdade, o Parlamento transmite uma mensagem importante. Do que nós precisamos agora é que essas palavras sejam seguidas por acções concretas».

Copiado daqui.

domingo, dezembro 07, 2003

O Professor e a lontra

Durante o seu sermão semanal, o Professor Martelo foi perturbado por um ataque furioso de riso do Jornalista da TVI. Apanhado num momento crítico onde constatava o momento difícil que atravessa o país e elevava o PSD a um pedestal celestial (enquanto que Ferro Rodrigues foi lançado à profundeza dos infernos sem apelo nem agravo pelo desalmado Professor), o Professor desviou o olhar do in(feliz) jornalista, driblou as câmaras e varreu sistematicamente o estúdio com o seu olhar fugidio, mas não se aguentou, e apesar da seriedade da situação em que estamos mergulhados, o Professor escancarou-se a rir vezes sem conta. No meio disto tudo, ficamos sem saber os resultados da sondagem de que o Professor falou eloquentemente durante dez minutos.

Se tivesse sido o camarada Pacheco (que segundo o Inimigo Público, tem o sentido de humor de uma lontra), de certeza que se tinha aguentado sereno e impávido, na sua habitual compostura*, e teria debitado as percentagens todinhas das sondagens sem ligar nenhuma ao jornalista que se desfazia em gargalhadas mesmo em frente do seu nariz....

* segundo o Inimigo Publico, um dos problemas maiores de Pacheco Pereira é a sua absoluta inabilidade televisiva [quando não está a botar discurso]: nos lábios, nos olhos e nas bochechas paira um fastio enciclopédico indesmentível face aos jornalistas e demais canalha....

PS - não quis aqui denegrir a boa imagem de que as lontras gozam nem difamar a honra do seu bom nome.....

Catástrofes longínquas



Imagem "roubada" das Ruminações Digitais.
Sob a aparente tranquilidade de um planeta distante, o drama desencadeou-se com fúria e estrépito; os mundos tremem e ameaçam colapsar.....
Para saber do que se trata, têm que ir aqui....

Alca ligth questionada

6.dezembro/2003 - Caracas, Venezuela - Marcelo Larrea* para Adital

Na V Assembléia da Confederação Parlamentar das Américas, a presidente do organismo continental, a deputada venezuelana, Jhannett Madriz, afirmou: "Deve-se entender que pertencem ao passado as ilusões referidas a que só o jogo das forças do mercado bastam por si mesmas para combater a pobreza e brindar possibilidades de viver como seres humanos".

"A dimensão social resulta, em conseqüência, indispensável na hora de impulsionar um processo autêntico de integração, como o que requerem os países deste continente e é, portanto, um desafio de primeira ordem medir cuidadosamente as vantagens e desvantagens das iniciativas de integração continental neste campo. Por tal motivo, precaver os efeitos sobre as pessoas em geral, e as menos protegidas e de menor recursos em particular, tendo o devido cuidado de discernir as legítimas reivindicações sociais, são os actuais desafios da dimensão social do Processo de Integração Latino-americana", disse.

Uma vitória de Wall Street?

Madriz questionou a posição do Chanceler brasileiro, Celso Amorim, que tratou como um êxito a aprovação na cúpula dos Ministros de Comércio realizada em Miami, de "uma arquitectura da Alca permissiva que não imponha um formato único aos países", que abriu as portas à negociação da Bolívia, Peru, Equador e Colômbia de tratados bilaterais de livre comércio com os Estados Unidos, que podem afectar seriamente os avanços na integração comercial logrados pela Comunidade Andina e as perspectivas de uma aliança estratégica com o Mercosul.

"De que se trata?, - perguntou - De um triunfo de todos ou, melhor, da vitória da diplomacia de Wall Street? Por acaso não se está mudando uma negociação multilateral, onde teoricamente pudéssemos ter mais força, por negociações bilaterais nas quais cada país por si só se vê frente à potência económica mais poderosa do mundo? Insistimos, será uma vitória semelhante lucro?".

"Agora bem, - respondeu - vejamos isto desde uma perspectiva integral, que foi que em essência se lucrou? Estritamente, pode dizer-se que o `êxito´ consistiu em que os governos latino-americanos devem negociar, um por um, frente aos Estados Unidos direitos e obrigações comuns sobre acesso aos mercados, agricultura, serviços, propriedade intelectual, subsídios, normas sobre competência comercial, medidas antidumping (dumping: venda por preço abaixo do custo para afastar concorrentes) e compras ao sector público. Ou seja, o que para muitos eram os pontos mais controversos do modelo `duro´. Paradoxalmente, sim houve um vencedor! Mudou-se a unidade potencial de um continente pela estratégia mais ou menos hábil dos 34 governos nacionais actuando separadamente. Por isso, para quem promove a integração como uma tábua de salvação comum frente a nossa falta de desenvolvimento, sobretudo para os países andinos que dispõem do modelo de integração de maior institucionalização depois do europeu, o que tem havido é uma brutal derrota, um imperdoável fracasso que, ao consolidar-se, nos cobrará a história".

A deputada fez uma reflexão sobre o que tem sucedido com este tipo de política e sublinhou que o caso mais dramático de tais estratégias é o das negociações e renegociações da Dívida Externa, mediante as quais, nossos países têm sido condenados, a castigar suas respectivas economias encerrando suas potencialidades de crescimento, o que "tem significado um sacrifício descomunal dos aparatos produtivos nacionais e uma violenta diminuição das condições de vida de milhões de seres humanos na região".

"Não é difícil imaginar, afirmou Jhannett Madriz, o destino que terão estas negociações bilaterais no âmbito comercial. Portanto, torna-se imperativo superar o esquema `bilateralista´ e adotar fórmulas de negociação em blocos regionais".

A presidente da Confederação Parlamentar das Américas denunciou que "a Alca seja `dura´ ou seja light, ameaça propiciar uma concentração de poder econômico maior em poucas mãos e em poucas empresas, favorecendo a formação de monopólios e oligopólios, que terminariam por impor sua hegemonia aos governos, especialmente nos países mais fracos do continente americano. É preciso que nossos Parlamentos tenham em conta este aspecto e fomentem a sensibilidade e a reflexão necessárias nos governos, nas elites dirigentes e no seio dos próprios povos".

* Marcelo Larrea é correspondente da Adital e diretor da revista "el Sucre" do Equador

sexta-feira, dezembro 05, 2003

Ainda o défice

O companheiro secreto alerta-nos para uma triste realidade: nem todos os gastos do estado são despesas; ele há gastos que são investimento. O estado, na sua fossanguisse de despedir às cegas para poupar uns tostões vai perder agora uns milhões. Pois é:

O Estado português corre o risco de não conseguir recuperar dívidas ao fisco no valor de 1.600.000.000 euros (mais de 10% do PIB nacional) por prescrição das mesmas - as Finanças têm em lista de espera 3.000.000 de processos de execução fiscal que prescrevem no próximo trimestre. Segundo esclareceu um responsável, a lista de espera deve-se à insuficiência de meios técnicos e humanos.
Ex.ma obsessão de sua Ex.a a Ministra das Finanças, a lição é a seguinte: nem todas as despesas são um custo - algumas são um investimento, ou seja, mais do que se pagam a si próprias. Segundo esclareceu o tal responsável, coisas tão simples como mais fiscais e mais computadores teriam permitido não perder os milhões enunciados.

O caso do perú falso

Segundo o Quinto elemento, o Perú que Bush levou para o Iraque era falso (era tudo uma montagem). Independentemente de ser falso ou não, o homem mais poderoso do mundo visitar um país estrangeiro, às escondidas, em segredo, com um perú debaixo do braço é no mínimo estranho. Será que as próximas visitas oficiais de Bush irão seguir este Modus operandi? [já o estou a imaginar com um Perú debaixo do Braço a chegar à base das Lages, e só depois telefonar a Durão para dizer que estava em visita ao nosso País] ou será que Bush já considera o Iraque como mais um estado Americano?


Tirado do Quinto Elemento

O amor patriótico ao défice

O Janela para o Rio concorda com o Miguel (o Paulo aconcelha a sua leitura), que mais ou menos está de acordo com o José: a Ferreira Leite está no bom caminho e não há alternativa às suas políticas.

Noutros países com políticas semelhantes à nossa , o desemprego continua a subir, como acontece na vizinha Espanha.

Mesmo nos EUA, enquanto que Bush diz que “as coisas parecem bastante boas” (relativamente à Economia do Michigan), constatamos que na prática, “é difícil falar de uma grande retoma económica nos EUA quando no nosso quintal não há o mais pequeno sinal disso” (Bill Ballenger, analista político; o Michigan perdeu 180 000 empregos desde 2001 e tem actualmente 7,6% de desemprego – a maior taxa do País).

Na Bolívia, para compensar o perdão fiscal feito às multinacionais petrolíferas (que deviam mais de 100 milhões de dólares ao fisco), o governo fez uma drástica redução no investimento público e o congelamento dos salários..... (já vi isto num sítio qualquer...)

Entretanto, na Alemanha, onde o défice passou para segundo plano e as pessoas para primeiro, o desemprego continua a descer....

Haverá aqui um padrão, ou apenas uma sucessão incrível de coincidências???

PS - Eu gostava era de ver o Miguel, o José, o Bagão, o Zé Manel, a Ferreirinha e outros no desemprego, para ver como mudavam rapidamente a sua forma de sentir o problema, que toca irremediavelmente sempre aos outros. Gostava de vê-los a sentir no pêlo a angustia de não ter emprego, o contar dos tostões a toda a hora, o poupar para ver se dá para pagar a renda, etc. Depois, Miguel já poderíamos falar de amor patriótico... é que os sacrifícios de que falas não és tu que os fazes; sou eu mais meio milhão de Portugueses!

Mais de 300 ONGs repudiam o acordo nuclear

com Austrália

4.dezembro - Ecologia global

Um acordo de cooperação nuclear entre a Argentina e a Austrália está a orginar uma forte reacção de centenas de organizações não governamentais, redes colectivas e milhares de cidadãos.

Esse tipo de importação estrangeira implica - entre outras coisas - a passagem de cargas radioativas letais por águas territoriais, rotas e populações argentinas densamente povoadas, submetendo o país a perigos que se estenderão por mais de 100.000 anos, além de aumentar a sua exposição ao terrorismo internacional, dizem as organizações em campanha contra o acordo nuclear.

O acordo com a Austrália deve ser ratificado pelo Congresso, pois já tem meia sanção do Senado e só falta a aprovação da Câmara dos Deputados. Se o texto for aprovado, os resíduos entrariam na Argentina por duas vias, uma delas seria o porto de Buenos Aires e a outra o Porto de Baía Branca.

"Nós vizinhos não aceitamos este acordo porque o lixo nuclear que vem de outras nações e a devolução do mesmo, já tratado, implicaria a passagem de barcos com cargas radioactivas letais por águas territoriais argentinas", manifestou Claudio Caruso, do movimento Cidadãos Auto-convocados em Defesa da Constituição. No entanto, a empresa estatal Investigações Aplicadas (Invap), do estado de Rio Negro, na região da Patagônia e construtora do reactor que foi vendido à Austrália, qualificou a campanha como de "má fé" e "falta de respeito". A empresa sustenta que só o facto de chamar os materiais de "resíduos nucleares" era um gesto prejorativo e precipitado.

Artigo completo aqui

Boas vindas

Hello_world é um novo Blog alternativo, com muitos números e dados que fazem pensar; fica aqui um exemplo:

Multinacionais vs Pobreza

Algumas das conclusões de um estudo efectuado pelo "The Institute for Policy Studies" em 2000:

•Das 100 maiores economias do mundo, 51 são multinacionais e 49 são países.
•As vendas das multinacionais pertencentes ao Top 200 da revista Fortune são 18 vezes superiores à soma dos rendimentos anuais de 1 200 000 pessoas (24 % da população mundial) que vivem em extrema pobreza.
•Apesar de as vendas das multinacionais pertencentes ao Top 200 serem equivalentes a 27.5% da actividade económica mundial, estas apenas empregam 0.78 % da mão-de-obra mundial.

Para ver relatório completo aqui


Um outro mundo é possível...

quinta-feira, dezembro 04, 2003

O clima "aquece" nos EUA

Novas provas demonstram que não restam dúvidas da relação existente entre as emissões industriais de gases (que provocam efeito de estufa) e o aquecimento global. Este fenómeno acelerou nos últimos 50 anos e ameaça continuar pelos próximos séculos. Quem o afirma são dois dos mais proeminentes cientistas Americanos; os resultados obtidos por Thomas Karl e Kevin Trenberth serão publicados na próxima sexta feira na prestigiada revista Science.

Os dois especialistas afirmaram que “poderá ser o maior desafio da humanidade” e avisaram que “o problema nunca será resolvido sem um aumento da cooperação internacional e a tomada de medidas concretas” [numa alusão ao protocolo de Quioto, a que os EUA não aderiram, embora sejam responsáveis por mais de 1/3 das emissões mundiais].

Estes cientistas estão em desacordo com a opinião de alguns cientistas, segundo a qual as oscilações térmicas são fenómenos normais e naturais: “As modernas mudanças climáticas são dominadas pela acção humana, que é actualmente suficientemente grande para que a sua influência ultrapasse os limites naturais da variação térmica.”
“Não temos dúvidas de que a composição da atmosfera mudou por causa das actividades humanas, e que hoje em dias os gases do efeito de estufa são os a maior influência humana no clima global”
Segundo os seus cálculos, há uma probabilidade de 90% de no fim deste século a temperatura tenha subido entre 3,1 e 8,9 graus Fahrenheit por causa das actividades humanas.

Entre as consequências apontadas desta mudança climática, está o extremar das condições climatéricas, com mais períodos de seca extrema e outros de cheias abundantes.
Prevêem ainda mais incêndios, mudanças abruptas da vegetação, e a fusão das calotes glaciares, provocando inundações em todas as zonas costeiras do mundo.

James Mahoney da administração Bush, disse que "eles são extremamente competentes e haverá muitos cientistas a concordar com as suas afirmações; mas haverá muitos outros a discordar. A minha visão é de certo modo mais aberta e despreconceituosa, já que na verdade não entendemos tão bem estas questões como gostaríamos."


David Perlman
, 4 de Dezembro de 2003.

Traduzido daqui

PS - Esta história lembra-me uma outra de um tal Galileu que dizia que a terra era redonda......

EUA de aço

Acabei de ouvir a justificação do Governo Americano para o proteccionismo exercido relativamente ao aço; basicamente, precisaram de 20 meses para voltar a ter a fileira do aço competitiva. Isto é livre concorrência a la carte: quando os países poderosos são competitivos, exigem que todos os outros países abram as fronteiras; quando não são competitivos, ele é subsídios à produção, taxas à importação e ainda mais subsídios à exportação.

O único objectivo é manter o dinheiro sempre a fluir no mesmo sentido: dos países pobres para os países ricos. Finalmente, na última reunião da OMC, os países em desenvolvimento questionaram as políticas proteccionistas dos países ricos, nomeadamente as políticas agrícolas da Europa e dos Estados Unidos.
Claramente, nas trocas comerciais globais, somos todos iguais, mas ele há uns mais iguais que outros...

Ser ou não ser

O mar salgado argumenta bem: considera que a lei do aborto não tem sentido a partir do momento em que há milhares de mulheres que infringem essa lei, pondo em perigo as suas vidas devido às más condições em que realizam os abortos ilegais (agradeço ao Cruzes a chamada de atenção). O Barnabé indigna-se justamente perante a criminalização recente de 7 mulheres.

Mas se é evidente que a criminalização do aborto é uma idiotice sem limites, o único argumento que resta aos “pró-vida” é a questão de ser ou não ser vida, aos quantos meses, aos quantos dias... O Mar salgado e o Caso arrumado, assumem esta posição, defendendo que já há vida, ou alma, ou o que lhe quisermos chamar, a partir da concepção:
1) a vida intra-uterina não é um nada; é, nas palavras do saudoso Orlando de Carvalho, uma spes vitae, que, justamente enquanto esperança ou potência de vida, merece consideração comunitária e, por isso, protecção jurídica , diz o Mar Salgado; Tenho para mim que o feto, desde um momento que ainda ninguém conseguiu definir qual pelo que há de presumir-se que desde a concepção, é uma Vida, diz o Caso arrumado.

Contribuindo para reflexão de todos, queria discutir não a vida ou não vida do embrião (o argumento mais propalado aquando das discussões públicas sobre o aborto), mas o reflexo deste argumento na sociedade. É que se é verdade, e se todos aqueles que defendem este argumento o fizeram em consciência, então há uma enorme contradição entre o que se disse e a realidade empiricamente percepcionada.

É que existem milhares de abortos naturais todos os anos; socialmente, será que um embrião de 1, 2, 3 ou mesmo 4 meses é considerado como uma pessoa? Se sim, onde estão nos cemitérios esses milhares de corpos diminutos que todos os anos morrem de morte natural? Onde estão os filhos minúsculos dos milhares de partidários do não ao aborto que morreram prematuramente?
Na realidade, os abortos naturais são completamente ocultados, pelo menos quando são embriões de poucos meses; mesmo no seio da Igreja, estas mortes prematuras não são consideradas dignas de ritos fúnebres. Pelo contrário: os preconceitos levam a que estes abortos não sejam assumidos publicamente, e os pequenos embriões que serviram hipocritamente de argumento para desviar as atenções dos verdadeiros problemas do aborto ilegal acabam abandonados num canto qualquer.

Por isso, cá fica a questão: como é que consideram que o embrião é vida e depois não o tratam condignamente? Há aqui uma ligeira contradição, só justificável pela necessidade de argumentar e de ter razão. Mas como se pode ver, os actos estão muito longe das palavras; a razão, essa, perdeu-se nos meandros dos argumentos invocados para justificar o injustificável. E por debaixo de convicções muito católicas estão escondidas uma mão cheia de mentiras e comportamentos hipócritas, a bem da moral e do decoro das mulheres, sem respeito nenhum pelas suas vidas...

PS - Talvez esteja enganado, mas nunca tive conhecimento de um funeral de um embrião de 2 ou 3 meses...
PS2 - A Bloguítica e o comprometido espectador também andam nestas lides...

quarta-feira, dezembro 03, 2003

Moral e Ética

Confunde-se, assiduamente, Moral com Ética. E a verdade é que nem sempre é fácil saber, ou mesmo vislumbrar onde "a terra acaba e o mar começa". A meu ver, a moral compreende as acções práticas do Homem e baseia-se em valores de comportamento, por vezes pouco claros e precisos, enquanto a ética abrange a reflexão teórica sobre os princípios onde estão assentes esses valores. Enunciemos alguns preceitos fundamentais, hoje reduzidos a meros "clichés" e até certo ponto ridicularizados, mas que, pensando bem, deviam reger os nossos actos: "fazer o bem e evitar o mal" (S. Tomás de Aquino); "não faças aos outros o que não queres que te façam" (Confúcio); "a maior felicidade para o maior número possível" (John Stuart Mill); os "Dez Mandamentos", etc.

Tomados a sério, estes preceitos conduzem-nos, inevitavelmente, a uma série de problemas interessantes, embora de difícil solução. Por outro lado, não é certo que uma ou outra "rabecada" de filosofia moral tenha o efeito - desejado mas talvez utópico - de transformar o Homem num ser melhor e mais responsável. Mas pode, todavia, ter o mérito de despertar nele o desejo e a vontade de reflectir, tornando-o, por conseguinte, mais consciente e mais crítico. O que já não seria nada pouco!

Atingimos um ponto da nossa Civilização onde tudo acontece a uma velocidade vertiginosa, onde todos querem "ir da segunda à quarta, sem passar pela terceira" (Albert Camus) e onde o Homem não tem nem pode ter tempo para parar e reflectir. Todos os dias, e a todas as horas, somos bombardeados com notícias de actos indignos, sangrentos, bestiais, atrozes e hediondos, cometidos por indivíduos que não são nenhuns monstros, mas sim seres humanos com eu e tu, leitor. Será que a intensidade e a quantidade de semelhantes notícias nos torna insensíveis? (O fenómeno nada teria de estranho. Todos nós sabemos o que acontece, quando se castiga, durante um longo espaço de tempo, severa e repetidamente, uma parte qualquer do nosso corpo...) Há sessenta e poucos anos que nos flagelam os sentidos com descrições de crimes abomináveis, sem que, por isso, se note no Homem, na hora actual, qualquer desejo de "penitência". De facto, já nos trouxeram, pela mão, da Alemanha Nazista até Istambul, passando pelo Vietname, pelo Camboja, pelo Ruanda, pela Bósnia, por Jenine, pelo World Trade Center, pelo Afeganistão e pelo Iraque. Aonde nos levarão em seguida?

E que dizer da avareza e da cobiça, da caça ao lucro rápido e fácil, do tráfico da droga, do branqueamento de dinheiro, das "fugas" à justiça por intermédio de atestados médicos, dos crimes de pedofilia praticados por sacerdotes da nossa Santa Igreja Católica nos EUA, do escândalo Casa Pia, do politicamente correcto, da passividade criminosa da ONU?

Nos últimos anos, em certas sociedades da Europa, a Moral e a Ética alcançaram o estatuto, nobre e invejável, de conceito comercial. Vendem-se cursos de Moral e Ética! E há quem os compre. Infelizmente, não são princípios puramente altruístas que impelem os maiores e mais ávidos clientes a procurar esses cursos. É, portanto, legítimo presumir que os fins são pouco edificantes. Hoje, na era da globalização, o existencialismo de Sartre está ultrapassado, porque não funciona na prática e a ideia do "bom Estado" de Kant, embora realizável, deixou de ser realista. A existência do cidadão está submetida à ordem moral ditada pela economia de mercado, cuja essência é o frio cálculo, que está a ganhar cada vez mais terreno, ameaçando mesmo "ir da carícia branda ao afago inteiro", sob o olhar impávido e sereno dos democraticamente eleitos.

Não existem receitas mágicas para a cura de todos estes males, alguns deles tão velhos como a existência do Homem sobre a Terra. Que isso não nos leve a depor as armas e cruzar os braços! Porque ainda há, em cada um de nós, uns restos de decência. E enquanto houver decência há esperança. O problema é que a decência, embora não seja sôfrega, exige alimento... Tentemos pois criar uma sociedade dentro da qual cada indivíduo se sinta útil e capaz de discernir o que é importante e o que é fútil na vida, enfim, onde seja fácil se reconhecer e se comportar como Ser suficientemente decente.

Asdrúbal Vieira
12/03/03

Nota botânica XVI

A mística do Sabugueiro

O sabugueiro é uma das árvores com mais potencial mágico na cultura Europeia. Segundo a tradição cristã, foi considerado historicamente como emblema da dor e da morte. As razões para isto estão nos “factos” históricos. Foi esta a árvore onde Judas se enforcou e parece que a cruz de Cristo era feita de Sabugueiro. A partir daqui, são muitas as culturas que passaram a considerar o Sabugueiro maldito e aconselharam a todos que se afastassem desta árvore.

Por exemplo, entre os ciganos há a crença de não utilizar sabugueiro nas suas fogueiras; na tradição teutónica, o Sabugueiro estava relacionado com a ninfa da floresta de Hyldemoer, que habitava nos seus ramos e não deixava que o cortassem sob a pena de perseguir os infractores e encantá-los irremediavelmente. Dizem que entrava nas casas daqueles que tivessem berços feitos de Sabugueiro e que aborrecia e maltratava os bebés até que mudassem de berço. Nesta mesma cultura, os coveiros mediam os mortos para construir os caixões com varas de Sabugueiro.

Mas nem todas as crenças em redor do Sabugueiro são negativas, mantendo no entanto o seu carácter mágico. Os sérvios casam-se levando um raminho de Sabugueiro como sinal de que a união assim celebrada será duradoura. Entre os Anglo-saxões, existia a crença de apanhar as suas folhas no último dia de Abril e pendurá-las nas portas, para evitar que as bruxas entrassem. Em Tirol, coloca-se sobre a sepultura uma cruz feita de ramos de Sabugueiro; se estes florirem, a alma do morto descansará feliz.....


Sambucus nigra

PS - Soube hoje que o meu futuro emprego está dependente do Ministério das Finanças. Vou já apanhar umas folhitas de sabugueiro e pendurar na porta, não vá entrar-me pela casa a dentro uma certa bruxa....

Fitoterapia contra as anginas

Neste caso a filosofia da coisa é gargarejar para que os princípios activos das plantinhas entrem em contacto com a garganta doente. Por isso, não sejam poupados nos gargarejos....
Para as anginas temos várias plantas excelentes:

Aloé - Aloe vera - Garagarejar com o suco da planta diluido em água.

Agrimónia - Agrimonia eupatoria - Fazer uma cocção com uma mão cheia de folhas secas num litro de água adocicada com mel. Gargarejar com fartura. Fazer uma infusão com 40 grs de planta seca por litro de água. Beber 2 chávenas por dia.

Malva - gargajerar uma decocção de flores e folhas secas; eficaz contra a dor de garganta.


Malva silvestris

Sabugueiro - Gargarejar com a infusão de 20 grs de flores secas num litro de água. A infusão é deliciosa, pelo que se pode beber em quantidade, sem fazer sacrifício nenhum....As flores de sabugueiro devem ser colhidas de madrugada e deixar secar num local seco e sem sol directo.


Sambucus nigra

Amieiro - Alnus glutinosa - Gargarejar com a decocção de casca de Amieiro (60 grs por litro, deixar ferver durante um quarto de hora).

Certeza estatí­stica

Em estatística, quando temos dois resultados semelhantes obtidos por processos completamente independentes, estamos na presença de um padrão muito robusto, muito próxima da realidade.
Depois de 2/3 dos Europeus afirmarem que a guerra contra o Iraque não foi justificada, com 67% dos Portugueses a ter esta opinião (dos quais 43% achavam que não era de todo justificada e 25% a inclinar-se mais para que não houvesse uma justificação válida para a guerra - ver aqui o relatório completo), uma sondagem divulgada ontem na RTP veio confirmar o mesmo resultado, aumentando mesmo a percentagem de pessoas que estão contra a ocupação do Iraque.

Numa sondagem encomendada pela RTP e o Público, 79% dos Portugueses acham que as consequências da ocupação do Iraque pela "coligação" foram más (22%) ou muito más (57%). Apenas 22% acham que as consequências da ocupação foram boas (14%) ou muito boas (8%).

Portanto, no espaço de 1 mês e meio, os Portugueses contra a guerra passaram de 67% a 79%. Neste caso concreto a representatividade e legitimidade do Governo para se aliar aos EUA é nula. Ter mandado para lá homens, ainda veio agravar mais o sentimento de repúdio por uma acção militar estúpida, cada vez menos compreendida, e cada vez menos tolerada pela maior parte das nações do Mundo.

Até quando é que as nossas "democracias" vão fazer orelhas moucas à voz dos cidadãos? é que se for uma vez, pode-se ainda dizer que as sondagens são manhosas; mas duas e três e quatro vezes deixa de haver dúvidas: a probabilidade das sondagens não reflectirem um sentimento real de repúdio por uma guerra estúpida é de 0,00000625 (cada uma das sondagens tem um intervalo de confiança de 95%); ou seja, é quase uma certeza que a esmagadora maioria da população Portuguesa está contra a guerra: 99,999375% de certeza!

PS - à semelhança da sondagem Europeia, esta sondagem foi reduzida à sua mínima expressão no Público de hoje (aparece numa coluna minuscula na versão em papel - página 11; não aparece na versão online) será uma coincidência? à semelhança das sondagens, quando as coincidências são muitas deixam de ser coincidências e passam a ser manipulação e encobrimento de informação... Shame on you, Mr Fernandes (Zé Manel), shame on you.....

terça-feira, dezembro 02, 2003

Padrões Europeus

Segundo esta notícia, existe um único ponto em que nos aproximamos vertiginosamente dos padrões Europeus. Não, não se trata do crescimento económico, da saúde ou da educação; estamos finalmente a atingir a média Europeia do desemprego. E depois de termos batido o recorde da broa (comestível) maior do mundo, amealhamos um novo recorde: o crescimento mais vertiginoso do Desemprego entre os países da Europa nos últimos 2 anos. É por estas e por outras que estamos a sair da crise: batemos recordes uns atrás dos outros...

Constituição ou cartilha neoliberal

Com atraso em relação a outros países, o debate da chamada Constituição Europeia vem-se desenvolvendo em Portugal, em torno da realização (ou não) de um referendo e da respectiva data. A questão do referendo é sem dúvida importante, até porque seria a primeira oportunidade para os portugueses se pronunciarem directamente sobre a construção europeia, desde a adesão, em 1985, passando pelos tratados de Maastricht (1992), Amesterdão e Nice. Ao contrário doutros povos que debateram, votaram e até rejeitaram alguns tratados, obrigando à sua modificação – estou-me a lembrar da Dinamarca e da Irlanda – o povo português foi remetido para um estatuto de menoridade cívica, algures entre o ‘bom aluno’ e o ‘Chico-esperto’, conforme a tónica dos diversos governos.

Os resultados estão à vista: arrebatámos à Grécia o último lugar do comboio europeu e, mais recentemente, a obsessão do défice e a terapia de choque de Manuela Ferreira Leite, tornaram Portugal um caso de estudo, pela negativa. O que terá isto a ver com a Constituição Europeia, é a pergunta que já adivinho em muitos ouvintes. Directamente, a política dos governos não depende da existência ou ausência duma Constituição. Mas quando as políticas e os políticos neoliberais ocuparam a chamada Convenção, presidida pelo antigo presidente francês, Giscard d’Estaing, que preparou o actual projecto de Constituição europeia, há todas as razões para estarmos preocupados com o agravamento da ortodoxia monetarista que está na origem da actual crise.

É necessário um debate público e aberto, descodificando o linguajar ‘europês’ dos burocratas de Bruxelas, para permitir uma opção consciente de todos os cidadãos e cidadãs. Em Portugal não é isso que está a acontecer nos debates entre ‘especialistas’ nem é o que pretendem os partidos que têm monopolizado a construção europeia. Já se percebeu, aliás, que nenhum quer verdadeiramente o referendo: o governo PSD-PP, ao impor a data de 13 de Junho, sabe que tal é impossível porque a Constituição portuguesa proíbe a realização de referendos em dia de eleições, neste caso europeias; e afirmar que esta data traria maior participação chega a ser anedótico: a média da abstenção nas eleições para o PE tem andado acima dos 60% e não se prevê que baixe em 2004, com o Europeu de futebol a começar em 12 de Junho – o dia de reflexão. A menos que, num golpe de mágica, Durão & Portas mandem instalar urnas de voto à entrada dos estádios e nos acessos às praias…

Mas o pior é que, a 14 de Maio, a Conferência Inter-Governamental (CIG) aprovará o texto final da dita Constituição Europeia. A partir desta data nenhumas alterações são possíveis e portanto qualquer referendo – como o proposto pelo PS para final de 2004 – significa ‘pegar ou largar’, uma espécie de plebiscito que nada tem de democrático e mais parece uma chantagem. A única posição coerente, defendida por constitucionalistas como Jorge Miranda, Vital Moreira e personalidades insuspeitas como João Salgueiro, seria um referendo anterior a 14 de Maio, no qual os portugueses se pronunciem sobre questões vitais como a subordinação ou não da C.R.P. à Constituição europeia; a criação do cargo de Presidente do Conselho Europeu; e o aumento de atribuições e poderes da UE no domínio da defesa. A decisão dos portugueses e dos restantes povos ainda poderia condicionar a CIG de 14 de Maio. Mas está quase a esgotar-se o prazo de uma revisão constitucional que viabilize a realização de um referendo e parece claro que, mais uma vez, PSD, PP e PS se combinaram numa espécie de ‘jogo do empata’ do qual não sairá referendo nenhum.

Não entrando hoje no debate em concreto do projecto de Constituição – que contém limitações inaceitáveis ao direito à greve e ao seu âmbito, por exemplo – ressalta, desde logo, a sua génese pouco democrática: uma ‘Convenção’ com cerca de 200 personalidades escolhidas pelos governos e presidida por Giscard d’Estaing, com voto de qualidade. Desde a Constituição dos EUA, aprovada na Convenção de Filadélfia, passando pela Revolução Francesa, que uma Constituição democrática só pode sair duma assembleia constituinte livremente eleita, como aconteceu também em Portugal após o 25 de Abril. É verdade que houve caricaturas, como as Cartas Constitucionais impostas pela realeza e pela aristocracia; mas, seguir esse exemplo, seria recuar mais de 200 anos. É, no entanto, o que nos propõe, no século XXI, esta nova aristocracia financeira: não uma Constituição, mas uma cartilha neoliberal ditada pelos governos. A esta fraude é preciso dizer não e apresentar alternativas, como procuram neste momento as esquerdas europeias. Voltaremos este tema, brevemente.

Alberto Matos - Crónica semanal na Rádio Pax

Fitoterapia contra a gripe

Neste Outono gelado, com a gripe a atacar sem dó nem piedade, fica aqui uma lista de receitas contra a gripe, utilizando plantinhas, flores, folhas e óleos essenciais. Power to the plants!!

Alho (Allium sativum)– comer cru nas saladas. Não terás grande sucesso no amor e nas conquistas, mas a gripe também não convida lá muito à socialização.

Lúcia lima– decocção durante 25 minutos de 100 grs de folhas secas por litro de água. 2 chávenas por dia. O melhor é plantar a Lúcia lima (também chamada Erva Luísa) perto de casa, no quintal ou na varanda. É daquelas plantas medicinais que são boas para muita coisa, com a vantagem de serem cheirosas e saborosas.


Verbena officinalis

Borragem – Infusão de uma colher de folhas secas por chávena; 3 chávenas por dia. A apanhar no campo, convém que não seja à beira da estrada (onde se dão excelentemente).


Borrago officinalis

Eucalipto (Eucaliptus globulus) – Cocção de 20 gr de folhas secas por litro de água. 2 chávenas por dia adocicadas com uma beca de mel. Esta é a utilização interessante do Eucalipto; a pasta de papel foi um acidente de percurso.....

Loureiro (Laurus nobilis) – 4 gotas de óleo essencial, três vezes ao dia. Convém comprar o óleo; se experimentarem espremer as folhas de Loureiro, não obterão óleo (muito menos óleio essencial). O azeite do refogado, mesmo que feito com abundância de folhas de Louro também não serve....

Alecrim – Infusão de folhas e flores secas. 3 chávenas por dia. O alecrim é daquelas plantas fantásticas, floridas a maior parte do ano, que têm múltiplos usos, medicinais e culinários. É bom ter sempre um alecrim perto de ti, sempre à mão.


Rosmarinus officinalis

Nota metodológica - o Alho, o Eucalipto e o Loureiro toda a gente conhece; por isso, não ilustrei com fotografias lindas...

PS - Isto de ser alternativo tem que ser uma coisa concreta, palpável, não pode ser só blá blá....

segunda-feira, dezembro 01, 2003

OE 2004 - posição da ATTAC

É o crescimento tolerado do desemprego que surge como a variável decisiva para percebermos a actual situação e os efeitos que o governo espera alcançar com sua política pró-cíclica. De facto, o aumento do desemprego, aliado ao congelamento dos salários da função pública justificado pela necessidade de conter a despesa corrente, contribui poderosamente para que os salários reais cresçam abaixo do incremento previsto da produtividade, fazendo com que a recuperação da rentabilidade das empresas se faça à custa da compressão dos custos salariais e através do aumento esperado da sua competitividade externa. Não é pois de estranhar que o governo deposite todas as esperanças numa recuperação económica tirada pelas exportações, pois sabe que as opções por si seguidas minam o crescimento do mercado interno. A lógica de uma política económica obcecada pelo défice encontra-se aqui. No fundo, trata-se de fazer com que o ajustamento recessivo se faça por via da contracção dos custos salariais, destinada a manter-se nos próximos anos. A manutenção de uma taxa de desemprego elevada instrumental para alcançar tal propósito.

Basta olhar para o crescimento das receitas fiscais para se concluir que não há o mínimo de ambição a este respeito: em 2004 o Estado espera encaixar mais 3,5% em impostos, exactamente o mesmo valor que o crescimento nominal da economia. Ou seja, não haverá quaisquer ganhos de eficiência fiscal resultantes de um aumento da base tributária. Não há prova mais eloquente do que esta: os impostos aumentam pelo simples efeito indutor do crescimento económico, numa altura em que estão por cobrar 13 mil milhões de euros em dívidas.

Mas este OE comete uma segunda perversidade, ao agravar a carga fiscal precisamente sobre os cumpridores, os trabalhadores dependentes. Os escalões do IRS são actualizados a 2%, tendo por base um referencial de inflação considerado irrealista, fazendo-se a actualização dos escalões de forma indiferenciada, o que encerra em si mais uma desigualdade. Aplicar a mesma taxa de actualização a todos os escalões de rendimento corresponde, na prática, a um desagravamento dos rendimentos mais elevados, uma vez que o decréscimo do salário real daqui resultante é maior nos salários mais baixos. Adicionalmente não são actualizados à inflação média esperada os tectos máximos dos benefícios fiscais a deduzir, o que, na prática, significa um aumento da carga fiscal.

Lisboa, 27 de Novembro de 2003,

Grupo de Economia e Finanças da ATTAC

Texto completo na página da ATTAC.

SEMANA DOS DIREITOS HUMANOS - COIMBRA II

Programação:

9 Dez 2003, 14h30: Conferência de imprensa no Café Santa Cruz, Coimbra

9 Dez 2003, 21h30: Tertúlia «Sexismo e Homofobia», Ateneu de Coimbra

10 Dez 2003, 18h30: Lançamento da revista Art.º @ (Artigo Feminino), no À
Capella, Coimbra

13 Dez 2003, 10h-18h: Formação «Aqueles direitos: educando para os direitos humanos das mulheres e das minorias sexuais», Centro de Estudos Sociais, Coimbra

18 Dez 2003, 21h30: Debate «A cidade e os direitos humanos», Casa Municipal da Cultura, Coimbra

SEMANA DOS DIREITOS HUMANOS - COIMBRA I

A primeira Assembleia dos Movimentos Sociais realizada em Portugal, a 10 de Junho de 2003, na cidade Lisboa, salientou como data comemorativa e de intervenção social o Dia Internacional dos Direitos Humanos, que se comemora no próximo dia 10 de Dezembro.

A partir desse objectivo, as associações Acção Jovem para a Paz, Humana Global, não te prives – Grupo de Defesa dos Direitos Sexuais e o Núcleo de Estudantes de Sociologia da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, organizam entre 9 e 18 de Dezembro de 2003 um conjunto de actividades com o objectivo de relembrar esta data e de promover junto das populações uma maior consciência da
importância da defesa dos Direitos Humanos.

Como afirma a declaração da Assembleia dos Movimentos Sociais “a defesa, a reivindicação e o exercício dos direitos comprometem os Movimentos Sociais. Esse compromisso recusa a ideologia neoconservadora que procura transformar os direitos universais em práticas de cariz assistencialista. Os direitos não são uma benesse; eles são resultado de lutas perseverantes e condição de e da
humanidade”.

É portanto a partir da necessidade de promover uma discussão pública informada, e formada sobre os direitos humanos, bem como sobre as questões actuais que se colocam na agenda dos direitos humanos, que estas organizações prepararam as actividades que seguidamente apresentamos e nas quais esperamos que deseje participar.

Dia sem compras com todos nas compras!

Dia Sem Compras! Dia 29 de Novembro. Começou em 93 nos Estados Unidos com a Adbusters (caça-anúncios, contra publicidade..), e agora “apareceu” em Portugal!

Comprar menos viver mais! O grande objectivo era que as pessoas reflectissem sobre os seus hábitos de consumo, e suas consequências ambientais e sociais. Não porque as pessoas não pensem ou não saibam pensar, mas porque vivemos deprimidos, com medo, e sem tempo para o fazê-lo. Aliás, nós não vivemos, andamos a correr! E compramos compramos compramos, como se saciássemos assim algo que nos faz falta. Consumimos o necessário e o desnecessário. Compramos um produto sem pensar no que está por trás. É um consumo rápido. Eficaz! Olha-se, gosta-se, tem-se dinheiro, compra-se! Ninguém fala da exploração infantil, do trabalho precário, da poluição do ar e da água, da exploração animal.. Ninguém nos diz a nós consumidores, que a Terra tá a morrer, que estamos a esgotar todos os recursos naturais.. E que esses recursos naturais estão nos países chamados de 3º mundo, embora quem lucre com eles, e quem os consuma esteja nos países ditos desenvolvidos.
Todos os dias somos atingidos com anúncios que nos aliciam para compra deste ou daquele produto... Mas ninguém nos “alerta” para consumirmos menos, com mais responsabilidade.
Hoje pretendíamos alertar, os outros, e nós mesmos também, mesmo que inconscientemente.

Aqui segue um resumo de como decorreram as acções no Porto, na minha perspectiva:
Chegamos ao Terra Viva (Assoc. de ecologia social) por volta das 11h30, local onde nos reunimos com o pessoal do Gaia e pessoal do Terra Viva, tivemos para lá a cortar os panfletos e a prepararmo-nos. Pegamos nas tralhas, e lá fomos nós, por volta das 12.30, pela rua fora, de faixa de 6 metros (?) onde se lia "Consuma menos, viva mais" e munidos de instrumentos musicais (tambor, apitos, flauta..e voz!). Íamos distribuindo os panfletos, e íamos parando algumas vezes de forma a que as pessoas pudessem ler melhor a faixa. Uma das personagens ia com um fatinho beije e com ar de grande capitalista, ia simulando conversas ao telemóvel, ia tendo uns ataques estranhos contra as montras das lojas, ia incentivando as pessoas a consumir "comprem comprem! vamos todos gastar dinheiro", ironicamente claro está.

Por fim, chegamos ao local "escolhido" para a realização da performance por volta das 13h. Aí juntou-se a nós um rapaz que tocava flauta transversal, e outro rapaz que ajudou a distribuir panfletos (que já tinham conhecimento da acção). Mesmo ali em frente ao Via Catarina (o centro comercial da Rua de Sta. Catarina, que é uma rua cheia de lojas lojinhas e super lojas) preparamo-nos para a tal performance, duas pessoas ficaram a segurar na faixa, começou a música (o barulho.. ! ) e: alguém anda ás voltas com o Mundo nas mãos: "Quem quer o Mundo quem quer o Mundo", até que o apresentador dá inicio ao leilão. Entretanto aparece o capitalista sem escrúpulos e compra o Mundo. O Mc donald's também está a leilão, as coconetes (um cartão em forma de mulher casada e com filhos (?) e um cartão em forma de mulher boazona, com um Mc dollar's na mão) andaram por ali a passear, as "funções" do mcdonalds são apresentadas em tom irónico: "destruição de florestas, exploração dos trabalhadores..bla bla bla", até que alguém sai de entre o público (?) e compra o Mcdonalds. Depois segue uma parte em que começa a música outra vez e nós todos aos saltos "consome consome consome consome" até que soa um apito, e alguém com uma TV na cabeça (cartão com plástico roxo!) diz em forma de manifesto o que está no panfleto do consumo e ambiente. De seguida começa outra vez a parte da música e do consome consome, depois outro apito, e outra pessoa com a televisão a dizer em forma de programa de TV o conteúdo do panfleto do consumo irresponsável. De novo as palavras em voz alta consome consome, soa um apito, e um cartão a dizer "pensa" é levantado, e todos ao mesmo tempo gritamos "Pensa!".
E a performance terminou!!

Seguimos para dentro do shopping com a faixa exposta, e os seguranças começaram logo a contactarem todos uns com os outros, vieram ter connosco e expulsaram-nos de lá. Dissemos que íamos embora, mas queriam que fechássemos 1º a faixa. Quase que havia porrada! Excusadamente, na minha opinião.
Fomos então rua fora, sempre com a faixa, tocando os instrumentos, distribuindo panfletos, e tentando chamar a atenção das pessoas. Páramos em frente ao Mc donalds, um rapaz vestiu o fato de trabalho dos empregados da Mcdonalds (era dum rapaz do Terra Viva), bonézito e tal, e com o cartão da coconete com cartão Mcdollares, teve em frente ao Mcdonalds, juntamente com mais duas personagens que segurava dois cartazes "buy nothing day" e distribuição de panfletos, tendo como pano de fundo, a grande faixa.
Voltamos por volta das 15h (?) para a sede do Terra Viva, onde reunimos, e falamos sobre a acção, como correu e o que podemos melhorar. Acabamos por falar de acções futuras em conjunto.

Eu pessoalmente senti-me um pouco desmotivada hoje, pois acho que as coisas poderiam ter corrido muito melhor.
Mas, como alguém disse hoje na reunião, o importante é que se fez. Fez-se alguma coisa! Não ficamos em casa, quietos e parados. Dois de nós, mesmo doentes tiveram o tempo quase todo connosco. As pessoas esforçaram-se para dar o seu melhor: uns fartaram-se de berrar, um tocou tambor até mais não, outros revelaram-nos os seus dotes teatrais.. Apanhamos chuva e tivemos frio! Mas fomos! Mas tivemos lá! Mas fizemos alguma coisa! Algumas pessoas certamente reflectiram sobre o que leram na faixa, algumas pessoas se calhar foram ver a página na Net.. E isso é bom!
Para a próxima, em vez de 10 pessoas que possam ter "recebido" a mensagem que queríamos, recebem 50. É para isso que servem os erros! Para a próxima melhoramos! E temos que melhorar! Trabalhamos para fazer melhor! Para a próxima, já sabemos como trabalhar!

E vamos já começar. Está marcada uma reunião para o próximo sábado no Terra Viva ás 15h para falarmos de acções futuras, agora nesta época de natal, onde o consumo atinge o seu auge. Na reunião várias ideias surgiram: fazermos uma "campanha" contra os brinquedos em pvc. Há também o Buy Nothing Christhmas! Falou-se de outro tema que talvez não tenhamos abordado nos panfletos que é o auto-consumo, não percebi muito bem a ideia, mas penso que é uma espécie de “Do It Yourself”, fazermos nós próprios o que precisamos de consumir, em conjunto, em comunidades. Corporativas de consumo, também foi algo abordado.

Em Lisboa o pessoal do Gaia também organizou uma actividade.
Três personagens devidamente vestidas para o caso - fatos, camisas, e gravatas – foram para o Fórum Almada, mais precisamente para o Jumbo, colar papeizinhos com frases apelativas ao não consumo, ao lado dos produtos expostos: Preciso mesmo de isto? Quantos iguais a este tenho lá em casa?
E como isto de andar a ser activista dentro de shoppings, jumbos ou continentes tem muito que se lhe diga, não foram presos, mas foram “apanhados”. Dois eles passado 15 minutos, e ainda por cima ficaram sem o resto dos papeis. Outro passado uma hora e tal (vai-se lá saber porquê! Experiência será?). Mas ainda conseguiram colar uns flyres nos Wc’s! Era o que se arranjava, mas talvez seja o sítio ideal...

Será que ocorreram mais acções por aí!?

Por cá, e concluindo, há sobretudo no ar, vontade de continuarmos com isto para a frente. Hoje foi o arranque, o despertar!!!

Diana, uma activista no Porto!

Artigo completo na página do Gaia.

sexta-feira, novembro 28, 2003

Crónica de um crime anunciado

Para além de fazer cortes em áreas estratégicas com a investigação, vim agora a saber (na Antena 1) que entre os dedos que a Ministra se prepara para dar do nosso bem querido País (que os anéis já foram para o défice do ano passado) se encontra a Companhia das Lezírias; sendo uma empresa lucrativa, a sua privatização anuncia algo de extremamente perverso: o sacrifício de 20 000 hectares de sítios ecologicamente fundamentais para Portugal (6500 hectares de montado - a maior mancha contínua de Portugal; a reserva natural do Estuário do Tejo) à especulação imobiliária; a acontecer, a venda desde "dedo" será criminosa, e este governo terá que prestar contas às gerações vindouras.