DEPOIS DA CIMEIRA
Cancun: O descarrilamento da conferência da OMC
Irene León (15-9-2003) - América Latina em Movimento
Sem se ter avançado em nenhum ponto, terminou a conferência da OMC em Cancun...
A conferência, que deveria ter como corolário a obtenção de acordos relativos à agricultura, não logrou obter consenso, essencialmente pela divisão existente entre países ricos (especialmente os EUA e a UE) e pobres – muitos deles aglutinados no G21; estes últimos optaram por uma postura firme defensiva, logrando resistir e acordar posições, apesar das enormes pressões e mesmo ameaças que foram exercidas contra eles. Desde o início, EUA e UE tentaram adiar o tema da agricultura, nomeadamente a questão dos subsídios, e quiseram abordar apenas os temas de Singapura. O G21 insistiu na agenda do desenvolvimento proposta previamente em Doha.
Mais tarde, os países ricos tentaram utilizar a agricultura como moeda de troca para a introdução dos novos temas. O chefe das negociações dos Estados Unidos, Robert Zoellick, com uma atitude arrogante, disputou possíveis concessões na agricultura em troca do acesso aos mercados.
A confusão não se limitou à temática das negociações, mas passou às regras do jogo, cuja indefinição fez com que um grupo de mais de 60 países pedisse a sua transparência.
Durante as negociações chegou a ser do domínio público a manipulação, chantagem e ameaças aos países do sul, que foram literalmente encostados à parede em reuniões privadas. Finalmente, o feitiço virou-se contra o feiticeiro e quem terminou contra a parede foram as grandes potências, que recusando a sua derrota, transferiram a responsabilidade do fracasso para os países pobres.
Depois de horas intermináveis à volta de um rascunho de declaração, onde mais de 60 países insistiram em retirar o temas dos investimentos, a declaração nunca chegou a ver o texto aprovado.
A dignidade do Sul
Pela primeira vez nas reuniões da OMC, surge a voz do Sul com tal força e firmeza, que foram o Uganda e o Quénia que encabeçaram o abandono do plenário final, precipitando o seu término.
A importância do sucedido é ainda maior, já que é instaura um precedente histórico: o aparecimento do G21, liderado pela China, a Índia e o Brasil, não só foram cruciais para o descarrilamento da conferência como a sua própria criação evidenciou a clivagem de interesses entre o Sul e o Norte, e que por isso, a necessidade de fortalecer a agenda política do Sul, o que por si é já um avanço na instauração de práticas mais democráticas dentro da OMC e fora dela.
Por isso, os EUA tentaram fracturar esta iniciativa, com a proposta de mudar o estatuto do Brasil, da Índia e da China, que passariam de “sub-desenvolvidos” a “países exportadores”, o que seria considerado como uma espécie de promoção (tipo passarem da 2ª divisão para a divisão de honra).
De qualquer forma, pela primeira vez houve uma resistência organizada que refreou a prepotência do império e isso já pode ser considerado como uma vitória sem precedentes.
Os povos é que têm razão, pá
Os movimentos sociais, por um lado, consertaram uma volumosa agenda de actividades que combinaram reflexões e desenvolvimento de propostas alternativas, em todos os temas relacionados com a OMC, e mobilizações populares para tornar visível a ilegitimidade da OMC, já que de momento apenas defende os interesses dos países mais ricos e das multinacionais.
Por isso, o fracasso da Conferência foi assumido como um triunfo da razão. Depois de uma semana agita por centenas de Fóruns temáticos e mobilizações diárias encabeçados pela “Via Campesina” que se estenderam por todas as ruas, o triunfo foi amplamente festejado.
Adicionalmente, os movimentos tiveram a sua própria vitória, já que apesar da repressão e do cenário de guerra montado em redor da conferência, os movimentos conseguiram fazer passar os seus pontos de vista, nomeadamente a vontade de manter à margem da OMC a Agricultura e a Alimentação; chegaram mesmo a derrubar os muros de protecção no dia 10 e 13.
Nas palavras de Juan Tineym (Via Campesina), o derrube dos muros e o fracasso das negociações “comprovam a força da solidariedade e da vontade de mudança dos movimentos”. Tuney disse ainda que o derrube do muro no dia 13 simbolizou a ruptura “do muro da fome e da miséria e anuncia que poderemos construir um mundo sem exploração, juntos e juntas”.
Artigo traduzido e adaptado por PP daqui.
Tudo sobre esta cimeira aqui (espanhol).
Que la pluma sea también una espada y que su filo corte el oscuro muro por el que habrá de colarse el mañana [Subcomandante Marcos]
quarta-feira, setembro 17, 2003
ANTES DA CIMEIRA
Xosé Ramil / Canal Solidario (03/09/2003)
Cimeira da OMC em Cancun: incumprimentos e contradições.
A Organização Mundial do Comércio que é caracterizada pelo seu apoio incondicional ao mercado livre debate-se com as suas próprias incoerência como é o caso do proteccionismo agrícola defendido pelos mais ricos, EUA e UE.
A quinta conferência da Organização Mundial do Comércio (OMC), está a caminho de ser um coro de lamentos; depois das enormes expectativas geradas em Doha, muito pouco se consegui até agora: o livre mercado não parece compatível com as políticas agrícolas dos países mais ricos; houve um ligeiro avanço relativamente aos medicamentos genéricos, que no entanto não convence nem a OMS nem as ONG.
A principal tarefa será fazer um balanço dos acordos de Doha que deu lugar ao "Programa de Doha para o Desenvolvimento".
Este programa aborda, entre outros, temas que incidem directamente nos problemas de discriminação dos países mais pobres no acesso ao mercado agrícola, o dumping baseado nas ajudas dos Governos a sectores económicos que destabilizam os preços no mercado internacional, as patentes da propriedade intelectual que afectam os medicamentos ou a privatização de serviços básicos.
O mercado agrícola ocupará uma parte importante da cimeira de Cancun, já que é aí que se verificam a maior parte dos incumprimentos. Se a OMC decidir impedir as práticas de dumping feitas essencialmente na UE e nos EUA, os países mais pobres poderiam triplicar o seu comércio agrícola!
Segundo o Instituto Internacional de Investigação de Alimentação (IFPRI), o proteccionismo agrário exercido pelos países mais ricos provocam prejuízos acima dos 40 000 milhões de dólares por ano aos países mais pobres. A UE é responsável por metade destes prejuízos.
Propostas para mudar as regras do comércio mundial.
A pressão cada vez maior exercida pelos movimentos sociais e ONG nas Cimeiras da OMC têm como propósito a reconhecer o comércio como um dos pilares do desenvolvimento sustentável, em oposição à visão mercantilista do comércio, onde tudo tem o seu preço. A Oxfam internacional reuniu mais de 3 milhões de assinaturas que entregará na cimeira de Cancun como medida de pressão e para pedir uma alteração radical das políticas internacionais que estão literalmente a arruinar os agricultores do sul.
A coordenadora das ONG para o desenvolvimento em Espanha elaborou um documento em que solicita à OMC a adopção de dez medidas relacionadas com os temas a discutir em Cancun:
1) Reconhecimento da soberania alimentar de cada país, para proteger o seu sector agrário e piscícola, nomeadamente no que toca às explorações familiares.
2) Eliminação do dunping, para que o preço do produto nunca esteja abaixo do custo de produção.
3) Plano para garantir um preço justo das matérias primas e dos produtos agro-pecuários.
4) Direito de cada governo regular a presença de empresas estrangeiras, em benefício do desenvolvimento sustentável.
5) Garantir que o acordo sobre serviços não promoverá a privatização de serviços públicos essenciais.
6) Os acordos sobre propriedade intelectual garantirão o direito dos Estados de proteger a saúde pública e de promover o acesso aos medicamentos para todos.
7) Os acordos internacionais sobre a propriedade intelectual devem opor-se às patentes sobre a vida, relativa a genes, células ou tecidos humanos, plantas, animais, microorganismos ou qualquer outra forma de vida (como por exemplo os cogumelos).
8) As normas comerciais devem proteger os direitos fundamentais dos trabalhadores e trabalhadoras.
9) Direito de não importar nem produzir transgénicos.
10) Ter considerações sociais, de género e ambientais previamente à aplicação de qualquer acordo da OMC.
Traduzido por PP daqui.
Xosé Ramil / Canal Solidario (03/09/2003)
Cimeira da OMC em Cancun: incumprimentos e contradições.
A Organização Mundial do Comércio que é caracterizada pelo seu apoio incondicional ao mercado livre debate-se com as suas próprias incoerência como é o caso do proteccionismo agrícola defendido pelos mais ricos, EUA e UE.
A quinta conferência da Organização Mundial do Comércio (OMC), está a caminho de ser um coro de lamentos; depois das enormes expectativas geradas em Doha, muito pouco se consegui até agora: o livre mercado não parece compatível com as políticas agrícolas dos países mais ricos; houve um ligeiro avanço relativamente aos medicamentos genéricos, que no entanto não convence nem a OMS nem as ONG.
A principal tarefa será fazer um balanço dos acordos de Doha que deu lugar ao "Programa de Doha para o Desenvolvimento".
Este programa aborda, entre outros, temas que incidem directamente nos problemas de discriminação dos países mais pobres no acesso ao mercado agrícola, o dumping baseado nas ajudas dos Governos a sectores económicos que destabilizam os preços no mercado internacional, as patentes da propriedade intelectual que afectam os medicamentos ou a privatização de serviços básicos.
O mercado agrícola ocupará uma parte importante da cimeira de Cancun, já que é aí que se verificam a maior parte dos incumprimentos. Se a OMC decidir impedir as práticas de dumping feitas essencialmente na UE e nos EUA, os países mais pobres poderiam triplicar o seu comércio agrícola!
Segundo o Instituto Internacional de Investigação de Alimentação (IFPRI), o proteccionismo agrário exercido pelos países mais ricos provocam prejuízos acima dos 40 000 milhões de dólares por ano aos países mais pobres. A UE é responsável por metade destes prejuízos.
Propostas para mudar as regras do comércio mundial.
A pressão cada vez maior exercida pelos movimentos sociais e ONG nas Cimeiras da OMC têm como propósito a reconhecer o comércio como um dos pilares do desenvolvimento sustentável, em oposição à visão mercantilista do comércio, onde tudo tem o seu preço. A Oxfam internacional reuniu mais de 3 milhões de assinaturas que entregará na cimeira de Cancun como medida de pressão e para pedir uma alteração radical das políticas internacionais que estão literalmente a arruinar os agricultores do sul.
A coordenadora das ONG para o desenvolvimento em Espanha elaborou um documento em que solicita à OMC a adopção de dez medidas relacionadas com os temas a discutir em Cancun:
1) Reconhecimento da soberania alimentar de cada país, para proteger o seu sector agrário e piscícola, nomeadamente no que toca às explorações familiares.
2) Eliminação do dunping, para que o preço do produto nunca esteja abaixo do custo de produção.
3) Plano para garantir um preço justo das matérias primas e dos produtos agro-pecuários.
4) Direito de cada governo regular a presença de empresas estrangeiras, em benefício do desenvolvimento sustentável.
5) Garantir que o acordo sobre serviços não promoverá a privatização de serviços públicos essenciais.
6) Os acordos sobre propriedade intelectual garantirão o direito dos Estados de proteger a saúde pública e de promover o acesso aos medicamentos para todos.
7) Os acordos internacionais sobre a propriedade intelectual devem opor-se às patentes sobre a vida, relativa a genes, células ou tecidos humanos, plantas, animais, microorganismos ou qualquer outra forma de vida (como por exemplo os cogumelos).
8) As normas comerciais devem proteger os direitos fundamentais dos trabalhadores e trabalhadoras.
9) Direito de não importar nem produzir transgénicos.
10) Ter considerações sociais, de género e ambientais previamente à aplicação de qualquer acordo da OMC.
Traduzido por PP daqui.
terça-feira, setembro 16, 2003
«A OCRE promoveu ‘atelier’ sobre “colheita da água da chuva"
A OCRE – Associação para a Valorização do Ambiente, Cultura, Património e Lazer, realizou no dia 5 de Julho em Castelo de Vide, no Centro de Interpretação do Parque Natural de São Mamede um Encontro sobre a problemática da “Colheita de Água da Chuva” (rain water harvesting) e de energia solar/fotovoltaica.
Segundo Tiago Malato, presidente da OCRE, a associação aproveitou assim a passagem por Portugal de Bunker Roy (Tilónia – Índia) e esta “oportunidade única de partilhar perspectivas e conhecimentos com um reputado especialista no aproveitamento dos recursos naturais e empreendedorismo social”.
Os objectivos da iniciativa, para além de conhecer o exemplo de Barefoot College na pessoa do seu mentor Bunker Roy, eram precisamente os de iniciar acção ligada à colheita da água da chuva (...) e de discutir técnicas de base e custos inerentes a sistemas de colheita de água pluvial e autonomia energética (ex. cisternas enterradas, painéis fotovoltaicos). A OCRE pretende ainda promover uma rede de interesse entre indivíduos e instituições maximizando experiências e discutir casos práticos e locais para experimentação em sede de projecto. (...).
“Pretende-se construir uma rede não formal para o estudo, apoio, lançamento e acompanhamento de projectos, demonstração e multiplicação de experiências na área da colheita da água da chuva” – (...) – adiantou Tiago Malato.
A metodologia de trabalho foi a de um ‘atelier’ informal de conhecimentos, variado em experiências e contextos, aproveitando a experiência dos presentes e o exemplo do Barefoot College.»
Extraído da edição de Agosto de 2003 do Notícias de Castelo de Vide.
A OCRE pode ser contactada para o Apartado 80, 7320 Castelo de Vide ou então através de Tiago Malato (934 292 935), Olivier Pourbaix (936 666 639) e Rui Pulido Valente (245 331 403).
A OCRE – Associação para a Valorização do Ambiente, Cultura, Património e Lazer, realizou no dia 5 de Julho em Castelo de Vide, no Centro de Interpretação do Parque Natural de São Mamede um Encontro sobre a problemática da “Colheita de Água da Chuva” (rain water harvesting) e de energia solar/fotovoltaica.
Segundo Tiago Malato, presidente da OCRE, a associação aproveitou assim a passagem por Portugal de Bunker Roy (Tilónia – Índia) e esta “oportunidade única de partilhar perspectivas e conhecimentos com um reputado especialista no aproveitamento dos recursos naturais e empreendedorismo social”.
Os objectivos da iniciativa, para além de conhecer o exemplo de Barefoot College na pessoa do seu mentor Bunker Roy, eram precisamente os de iniciar acção ligada à colheita da água da chuva (...) e de discutir técnicas de base e custos inerentes a sistemas de colheita de água pluvial e autonomia energética (ex. cisternas enterradas, painéis fotovoltaicos). A OCRE pretende ainda promover uma rede de interesse entre indivíduos e instituições maximizando experiências e discutir casos práticos e locais para experimentação em sede de projecto. (...).
“Pretende-se construir uma rede não formal para o estudo, apoio, lançamento e acompanhamento de projectos, demonstração e multiplicação de experiências na área da colheita da água da chuva” – (...) – adiantou Tiago Malato.
A metodologia de trabalho foi a de um ‘atelier’ informal de conhecimentos, variado em experiências e contextos, aproveitando a experiência dos presentes e o exemplo do Barefoot College.»
Extraído da edição de Agosto de 2003 do Notícias de Castelo de Vide.
A OCRE pode ser contactada para o Apartado 80, 7320 Castelo de Vide ou então através de Tiago Malato (934 292 935), Olivier Pourbaix (936 666 639) e Rui Pulido Valente (245 331 403).
PETIÇÃO POR NOVO REFERENDO PARA A DESPENALIZAÇÃO DO ABORTO
São 75 mil as assinaturas necessárias para requerer um novo referendo que leve à despenalização do aborto. A petição necessária será lançada brevemente por um movimento que reúne, entre outros, grupos católicos progressistas e movimentos sociais. A questão a colocar será: "Quer ou não que o aborto continue a ser considerado um crime?"
A Opus Gay solidariza-se com este movimento e coloca-se claramente do lado dos que defendem a despenalização. Eis as nossas razões:
Parentalidades e aborto - uma questão de cuidado e de escolha responsável
As ciências sociais e humanas demonstraram já que são os conceitos sociais de masculinidade e de feminilidade que permitem ler os sinais anatómico-fisiológicos que interpretamos como sinais de que estamos perante um macho ou uma fêmea da espécie humana; ou seja, o conceito social de género antecede o de sexo, revelando toda a ideologia que pode estar contida na biologia, ao contrário do que sempre se pensou.
Os géneros socialmente criados pela nossa civilização são dominantemente heterogéneros, ou seja, são definidos na reciprocidade (assimétrica) duma relação heterossexual entre eles. Traduzindo, um homem só o chega a ser verdadeiramente quando pratica a heterossexualidade, de preferência sob a forma de penetração sexual duma mulher (masculinidade que é conquistada independentemente do prazer da mulher, note-se); uma mulher só o chega a ser verdadeiramente quando aprende as estratégias de sedução/resistência face a um homem. Ser homem é ter actividade sexual com uma mulher; ser mulher é gerir a sua atractividade sexual face a um homem, sem necessariamente ter de praticar, note-se. Daí os diferentes padrões corporais, emocionais e cognitivos que se esperam dum homem "realmente" masculino e duma mulher "realmente" feminina. Está assim criada uma "correspondência natural" sexo/género/orientação sexual/funções sociais.
Hoje sabemos que existem homens femininos heterosexuais, homens masculinos gays, mulheres masculinas heterosexuais, etc. No entanto, apesar de se caminhar para a possível troca de padrões em algumas circunstâncias, não caminhamos ainda para uma sociedade igualitária, sem género (onde seja indiferente, no que a direitos e deveres diz respeito, ser identificado como macho ou fêmea).
A necessidade de manter uma diferença de género, de separar claramente o masculino do feminino, é, sempre foi, não uma mera necessidade de diferenciar mas sim uma vontade de hierarquizar, de manter a assimetria, mantendo simultaneamente uma falsa noção de oposição/complementaridade (que visa somente impedir a troca de lugares). Obviamente que não se trata das mulheres quererem ser como os homens ou dos homens quererem ser como as mulheres. Trata-se de ambos, e outros que virão, poderem ser algo totalmente diferente e com muito mais potencialidades.
Na nossa sociedade, também os direitos/deveres sexuais e reprodutivos de homens e mulheres nunca foram os mesmos. Duma forma demasiado fácil e determinista sempre se quis ler o facto biológico de serem as mulheres a engravidar para, sem mais interrogações, lhes atribuir especiais funções de cuidado face aos filhos, funções essas a que chamamos maternidade. Estas funções seriam exclusivamente femininas e seriam o oposto/complemento das funções de cuidado apelidadas de paternidade.
Também aqui as coisas se baralham quando vemos homens a assumir funções tradicionalmente de maternidade e mulheres a assumir funções tradicionalmente de paternidade, e independentemente de serem homo ou heterosexuais. Estas realidades são sinal de que também estas funções parentais, maternidade e paternidade, devem deixar de ser vistas como opostas/complementares e tornar-se múltiplas potencialidades de funções de cuidado e de escolha responsável. Independentemente de nos estarmos a referir a homo ou heteroparentalidade.
O Estado, patriarcal e machista, ao não permitir uma maternidade responsavelmente escolhida, tenta simplesmente unir apressada e deterministicamente três aspectos na vida duma mulher: gerar, parir, criar. E tem ainda a hipocrisia de o fazer quando se sabe que hoje em dia as mulheres tendem a pagar cada vez mais sozinhas o preço de criar um filho, mesmo que tenham um companheiro.
Assim, são as mulheres (e não os homens) que são impedidas de ter as mesmas performances de carreira do que os homens quando há que cuidar dos filhos. E são as mulheres (e não os homens) que, além de ganharem menos em empregos onde não podem concorrer oferecendo o mesmo tempo disponível que os homens, são também as mulheres, que vêem acrescentadas ainda mais horas de trabalho doméstico não pago ao seu dia-a-dia, ao terem de cuidar de um filho. E são ainda as mulheres (e não os homens) que deixam de ter tempo para a vida pública e política. E são também as mulheres (e não os homens) que mais dificuldade têm em refazer uma vida conjugal quando têm filhos.
Só uma parentalidade escolhida e responsável permitirá um dia que homens e mulheres possam viver, na mesma proporção, trabalho e família, vida privada e vida pública. Nem os homens têm de continuar a cair na armadilha de trabalhar duas e três vezes mais horas do que antigamente para manterem o privilégio de serem os provedores de recursos financeiros à família, nem as mulheres a cair na fatalidade de arcar com todo o peso do trabalho doméstico não remunerado. Todas as estruturas sociais, empresas inclusive, devem pagar os custos da reprodução da espécie, não única e individualmente cada mulher.
Por todas estas razões, e também porque não têm que ser reféns das capacidades reprodutivas do seu corpo, é às mulheres, a cada mulher, que deve ser dada a possibilidade da escolha: quero ou não ser mãe, duma forma responsável e ponderada?
Anabela Rocha, Vice-Presidente da Opus Gay
São 75 mil as assinaturas necessárias para requerer um novo referendo que leve à despenalização do aborto. A petição necessária será lançada brevemente por um movimento que reúne, entre outros, grupos católicos progressistas e movimentos sociais. A questão a colocar será: "Quer ou não que o aborto continue a ser considerado um crime?"
A Opus Gay solidariza-se com este movimento e coloca-se claramente do lado dos que defendem a despenalização. Eis as nossas razões:
Parentalidades e aborto - uma questão de cuidado e de escolha responsável
As ciências sociais e humanas demonstraram já que são os conceitos sociais de masculinidade e de feminilidade que permitem ler os sinais anatómico-fisiológicos que interpretamos como sinais de que estamos perante um macho ou uma fêmea da espécie humana; ou seja, o conceito social de género antecede o de sexo, revelando toda a ideologia que pode estar contida na biologia, ao contrário do que sempre se pensou.
Os géneros socialmente criados pela nossa civilização são dominantemente heterogéneros, ou seja, são definidos na reciprocidade (assimétrica) duma relação heterossexual entre eles. Traduzindo, um homem só o chega a ser verdadeiramente quando pratica a heterossexualidade, de preferência sob a forma de penetração sexual duma mulher (masculinidade que é conquistada independentemente do prazer da mulher, note-se); uma mulher só o chega a ser verdadeiramente quando aprende as estratégias de sedução/resistência face a um homem. Ser homem é ter actividade sexual com uma mulher; ser mulher é gerir a sua atractividade sexual face a um homem, sem necessariamente ter de praticar, note-se. Daí os diferentes padrões corporais, emocionais e cognitivos que se esperam dum homem "realmente" masculino e duma mulher "realmente" feminina. Está assim criada uma "correspondência natural" sexo/género/orientação sexual/funções sociais.
Hoje sabemos que existem homens femininos heterosexuais, homens masculinos gays, mulheres masculinas heterosexuais, etc. No entanto, apesar de se caminhar para a possível troca de padrões em algumas circunstâncias, não caminhamos ainda para uma sociedade igualitária, sem género (onde seja indiferente, no que a direitos e deveres diz respeito, ser identificado como macho ou fêmea).
A necessidade de manter uma diferença de género, de separar claramente o masculino do feminino, é, sempre foi, não uma mera necessidade de diferenciar mas sim uma vontade de hierarquizar, de manter a assimetria, mantendo simultaneamente uma falsa noção de oposição/complementaridade (que visa somente impedir a troca de lugares). Obviamente que não se trata das mulheres quererem ser como os homens ou dos homens quererem ser como as mulheres. Trata-se de ambos, e outros que virão, poderem ser algo totalmente diferente e com muito mais potencialidades.
Na nossa sociedade, também os direitos/deveres sexuais e reprodutivos de homens e mulheres nunca foram os mesmos. Duma forma demasiado fácil e determinista sempre se quis ler o facto biológico de serem as mulheres a engravidar para, sem mais interrogações, lhes atribuir especiais funções de cuidado face aos filhos, funções essas a que chamamos maternidade. Estas funções seriam exclusivamente femininas e seriam o oposto/complemento das funções de cuidado apelidadas de paternidade.
Também aqui as coisas se baralham quando vemos homens a assumir funções tradicionalmente de maternidade e mulheres a assumir funções tradicionalmente de paternidade, e independentemente de serem homo ou heterosexuais. Estas realidades são sinal de que também estas funções parentais, maternidade e paternidade, devem deixar de ser vistas como opostas/complementares e tornar-se múltiplas potencialidades de funções de cuidado e de escolha responsável. Independentemente de nos estarmos a referir a homo ou heteroparentalidade.
O Estado, patriarcal e machista, ao não permitir uma maternidade responsavelmente escolhida, tenta simplesmente unir apressada e deterministicamente três aspectos na vida duma mulher: gerar, parir, criar. E tem ainda a hipocrisia de o fazer quando se sabe que hoje em dia as mulheres tendem a pagar cada vez mais sozinhas o preço de criar um filho, mesmo que tenham um companheiro.
Assim, são as mulheres (e não os homens) que são impedidas de ter as mesmas performances de carreira do que os homens quando há que cuidar dos filhos. E são as mulheres (e não os homens) que, além de ganharem menos em empregos onde não podem concorrer oferecendo o mesmo tempo disponível que os homens, são também as mulheres, que vêem acrescentadas ainda mais horas de trabalho doméstico não pago ao seu dia-a-dia, ao terem de cuidar de um filho. E são ainda as mulheres (e não os homens) que deixam de ter tempo para a vida pública e política. E são também as mulheres (e não os homens) que mais dificuldade têm em refazer uma vida conjugal quando têm filhos.
Só uma parentalidade escolhida e responsável permitirá um dia que homens e mulheres possam viver, na mesma proporção, trabalho e família, vida privada e vida pública. Nem os homens têm de continuar a cair na armadilha de trabalhar duas e três vezes mais horas do que antigamente para manterem o privilégio de serem os provedores de recursos financeiros à família, nem as mulheres a cair na fatalidade de arcar com todo o peso do trabalho doméstico não remunerado. Todas as estruturas sociais, empresas inclusive, devem pagar os custos da reprodução da espécie, não única e individualmente cada mulher.
Por todas estas razões, e também porque não têm que ser reféns das capacidades reprodutivas do seu corpo, é às mulheres, a cada mulher, que deve ser dada a possibilidade da escolha: quero ou não ser mãe, duma forma responsável e ponderada?
Anabela Rocha, Vice-Presidente da Opus Gay
Viriato Era Pastor, Não Era Lenhador
Por HENRIQUE PEREIRA DOS SANTOS
Segunda-feira, 15 de Setembro de 2003
Não me parece que esta seja a melhor altura para discutir o problema dos fogos: demasiada emoção, demasiado ruído tornam quase impossível uma discussão serena. Mas tanta informação e tanto comentário tornam impossível não reparar como um dos dados centrais do problema parece estar a ser posto de lado, como tem sido nos últimos cem anos de discussão da política florestal: é que dos pouco mais de oito por cento de área florestada nos fins do século XIX passámos para os 38 por cento actuais.
Grande parte deste crescimento foi possível pela política de expansão florestal iniciada nos fins do século XIX e fortemente impulsionada pelo Estado Novo. Este impulso foi muitas vezes compatível com as necessidades das populações (como na defesa contra o avanço das dunas ou nas zonas de economia do milho em que a produção de gado foi naturalmente perdendo importância para a produção de cereais), mas foi frequentemente apoiado pela natureza autoritária do Estado Novo nas zonas de serra de economia pastoril.
Mesmo onde os baldios foram "loteados" em sortes que hoje explicam parte da estrutura minifundiária dos nossos povoamentos florestais, estas bouças estavam integradas numa economia de subsistência em que os matos desempenhavam um papel fundamental na produção de milho porque possibilitavam a manutenção da fertilidade das terras, com base em pesadas estrumações anuais.
Se, como Jorge Paiva sublinhou já neste jornal, o abandono desta estrumação (substituída por adubações químicas ou por estrumações provenientes da produção intensiva de animais, aves, porcos, vacas, ou da compostagem do lixo urbano) e o abandono da utilização da lenha na cozinha e para aquecimento contribuem grandemente para a acumulação de combustíveis nas matas, também a diminuição brutal da pastorícia tem uma importância fundamental. Acresce que o esforço de florestação do país se fez em grande medida contra os malefícios do sobrepastoreio, sobretudo de cabras, evidente
em grande parte do país, com solos despidos e grandes áreas quase sem vegetação em consequência de uma encabeçamento excessivo e uma utilização desregrada das queimadas.
Mas todos estes factores estão fortemente diminuídos quando não extintos em grande parte do território. Em consequência assiste-se a uma exuberante recuperação da vegetação autóctone. Esta recuperação dá origem ao combustível que, em condições extremas, arde da forma como se viu este ano.
Não vale a pena dizer que são os portugueses que não sabem gerir o seu património, ou que temos uma política de prevenção deficiente. Basta reparar nos problemas que os americanos, os australianos, os espanhóis, os franceses
e os italianos também têm tido para perceber que podendo haver decisões erradas estritamente portuguesas, há muitas razões gerais que não podem ser escamoteadas.
A ser assim, o melhor que temos a fazer é deixarmos de acreditar em soluções milagrosas: estamos perante um problema novo, com razões económicas e sociais profundas e que não pode ser resolvido apenas no quadro de qualquer
política florestal, por mais eficaz e bem definida que seja.
As políticas de supressão completa do fogo têm vindo a ser abandonadas, seja porque há sempre um momento em que o fogo foge do controlo e os combustíveis acumulados dão origem a tragédias de dimensão não imaginada, seja porque sãovambientalmente desastrosas. Basta pensar que as soluções de remoção do combustível que mais têm sido faladas implicam sempre a retirada da matéria orgânica do sistema, seja pelo seu corte e remoção, seja pela sua queima, o
que significa que a longo prazo estamos a atrasar o processo de recuperação dos solos que em grande parte justificou a política florestal que o país adoptou nos últimos cem anos.
Aparentemente o único processo economicamente viável que simultaneamente reduz a combustibilidade da vegetação e, ao mesmo tempo, retém o essencial da matéria orgânica no sistema, contribuindo para o fundo de fertilidade do
nosso território, é a produção animal, o que, de forma extensiva, só pode ser feito através da pastorícia.
O que me levou a escrever este artigo não é a convicção de que a pastorícia é a solução para o problema, nem a ignorância dos enormes problemas com que se depara a utilização prática do pastoreio racional na prevenção de incêndios, mas a minha estupefacção pela forma como esta parte da solução tem sido sistematicamente descartada sem justificação.
Durante anos o fogo foi entendido como um inimigo da floresta sem qualquer possibilidade de recuperação. Actualmente há dezenas de investigadores e técnicos a defender a utilização do fogo controlado na política de prevenção e na gestão das matas e habitats. Para isso foi preciso que investigadores americanos reintroduzissem cientificamente em Portugal essa técnica milenar de gestão da paisagem (e muito tem Portugal a agradecer a Moreira da Silva a ausência de vistas curtas que lhe permitiu falar positivamente do fogo quando isso era ainda um anátema). Espero que não seja preciso tanto para
que alguém com capacidade de decisão admita sequer avaliar em que medida pode ser utilizado o mais eficaz processo de transformação de matéria combustível em matéria orgânica não combustível, com a vantagem adicional de
produzir uns cabritos pelo meio.
Veneno ou remédio? A diferença é só uma questão de dose.
Arquitecto paisagista
Artigo copiado daqui
Por HENRIQUE PEREIRA DOS SANTOS
Segunda-feira, 15 de Setembro de 2003
Não me parece que esta seja a melhor altura para discutir o problema dos fogos: demasiada emoção, demasiado ruído tornam quase impossível uma discussão serena. Mas tanta informação e tanto comentário tornam impossível não reparar como um dos dados centrais do problema parece estar a ser posto de lado, como tem sido nos últimos cem anos de discussão da política florestal: é que dos pouco mais de oito por cento de área florestada nos fins do século XIX passámos para os 38 por cento actuais.
Grande parte deste crescimento foi possível pela política de expansão florestal iniciada nos fins do século XIX e fortemente impulsionada pelo Estado Novo. Este impulso foi muitas vezes compatível com as necessidades das populações (como na defesa contra o avanço das dunas ou nas zonas de economia do milho em que a produção de gado foi naturalmente perdendo importância para a produção de cereais), mas foi frequentemente apoiado pela natureza autoritária do Estado Novo nas zonas de serra de economia pastoril.
Mesmo onde os baldios foram "loteados" em sortes que hoje explicam parte da estrutura minifundiária dos nossos povoamentos florestais, estas bouças estavam integradas numa economia de subsistência em que os matos desempenhavam um papel fundamental na produção de milho porque possibilitavam a manutenção da fertilidade das terras, com base em pesadas estrumações anuais.
Se, como Jorge Paiva sublinhou já neste jornal, o abandono desta estrumação (substituída por adubações químicas ou por estrumações provenientes da produção intensiva de animais, aves, porcos, vacas, ou da compostagem do lixo urbano) e o abandono da utilização da lenha na cozinha e para aquecimento contribuem grandemente para a acumulação de combustíveis nas matas, também a diminuição brutal da pastorícia tem uma importância fundamental. Acresce que o esforço de florestação do país se fez em grande medida contra os malefícios do sobrepastoreio, sobretudo de cabras, evidente
em grande parte do país, com solos despidos e grandes áreas quase sem vegetação em consequência de uma encabeçamento excessivo e uma utilização desregrada das queimadas.
Mas todos estes factores estão fortemente diminuídos quando não extintos em grande parte do território. Em consequência assiste-se a uma exuberante recuperação da vegetação autóctone. Esta recuperação dá origem ao combustível que, em condições extremas, arde da forma como se viu este ano.
Não vale a pena dizer que são os portugueses que não sabem gerir o seu património, ou que temos uma política de prevenção deficiente. Basta reparar nos problemas que os americanos, os australianos, os espanhóis, os franceses
e os italianos também têm tido para perceber que podendo haver decisões erradas estritamente portuguesas, há muitas razões gerais que não podem ser escamoteadas.
A ser assim, o melhor que temos a fazer é deixarmos de acreditar em soluções milagrosas: estamos perante um problema novo, com razões económicas e sociais profundas e que não pode ser resolvido apenas no quadro de qualquer
política florestal, por mais eficaz e bem definida que seja.
As políticas de supressão completa do fogo têm vindo a ser abandonadas, seja porque há sempre um momento em que o fogo foge do controlo e os combustíveis acumulados dão origem a tragédias de dimensão não imaginada, seja porque sãovambientalmente desastrosas. Basta pensar que as soluções de remoção do combustível que mais têm sido faladas implicam sempre a retirada da matéria orgânica do sistema, seja pelo seu corte e remoção, seja pela sua queima, o
que significa que a longo prazo estamos a atrasar o processo de recuperação dos solos que em grande parte justificou a política florestal que o país adoptou nos últimos cem anos.
Aparentemente o único processo economicamente viável que simultaneamente reduz a combustibilidade da vegetação e, ao mesmo tempo, retém o essencial da matéria orgânica no sistema, contribuindo para o fundo de fertilidade do
nosso território, é a produção animal, o que, de forma extensiva, só pode ser feito através da pastorícia.
O que me levou a escrever este artigo não é a convicção de que a pastorícia é a solução para o problema, nem a ignorância dos enormes problemas com que se depara a utilização prática do pastoreio racional na prevenção de incêndios, mas a minha estupefacção pela forma como esta parte da solução tem sido sistematicamente descartada sem justificação.
Durante anos o fogo foi entendido como um inimigo da floresta sem qualquer possibilidade de recuperação. Actualmente há dezenas de investigadores e técnicos a defender a utilização do fogo controlado na política de prevenção e na gestão das matas e habitats. Para isso foi preciso que investigadores americanos reintroduzissem cientificamente em Portugal essa técnica milenar de gestão da paisagem (e muito tem Portugal a agradecer a Moreira da Silva a ausência de vistas curtas que lhe permitiu falar positivamente do fogo quando isso era ainda um anátema). Espero que não seja preciso tanto para
que alguém com capacidade de decisão admita sequer avaliar em que medida pode ser utilizado o mais eficaz processo de transformação de matéria combustível em matéria orgânica não combustível, com a vantagem adicional de
produzir uns cabritos pelo meio.
Veneno ou remédio? A diferença é só uma questão de dose.
Arquitecto paisagista
Artigo copiado daqui
Oradores no FSE
Desculpem desiludir muitos membros do FSP, mas acho muito mais interessante discutir a OMC do que decidir quem é que vai falar no FSE. Pelos vistos esse é o tipo de coisa que deixa a maioria dos participantes no FSP com as hormonas políticas aos saltos...... e depois vêm dizer-nos que os partidos não têm nada a ver com isto.... Enfim, tristezas nacionais num FSP com imensos problemas de crescimento. A continuar assim, o próximo plenário será uma cimeira BE - PCP e acabará como a OMC em Cancun: sem acordo nem consenso. Para quem quiser saber mais da telenovela do FSP, inscreva-se aqui.
PP, uma vez mais, desiludido....
Desculpem desiludir muitos membros do FSP, mas acho muito mais interessante discutir a OMC do que decidir quem é que vai falar no FSE. Pelos vistos esse é o tipo de coisa que deixa a maioria dos participantes no FSP com as hormonas políticas aos saltos...... e depois vêm dizer-nos que os partidos não têm nada a ver com isto.... Enfim, tristezas nacionais num FSP com imensos problemas de crescimento. A continuar assim, o próximo plenário será uma cimeira BE - PCP e acabará como a OMC em Cancun: sem acordo nem consenso. Para quem quiser saber mais da telenovela do FSP, inscreva-se aqui.
PP, uma vez mais, desiludido....
Fracasso na cimeira da OMC em Cancun
A cimeira da OMC fracassou devido à posição de força assumida pelos países mais pobres. Apesar dos esforços dos EUA e da UE para separar os países do G21 (grupo de países encabeçados pela Índia, China e Brasil), estes preferiram um fracasso a um mau acordo.
A sensação deixada em Cancun para os EUA e a UE é a de um adiamento, que pode demorar-se no máximo até 31 de Dezembro de 2004, data limite para acordar definitivamente os princípios estabelecidos na Cimeira de Doha de 2001.
Para os países mais pobres, principalmente para o G21 integrado pelos países Africanos e encabeçados pela Ìndia, China e Brasil, a nova postura baseia-se na premissa de que “é melhor um fracasso que um mau acordo”.
Entre as ONG presentes em Cancun, houve avaliações de todo o tipo, ainda que a maioria tivesse alinhado com os G21. A presidente da ONG Intermon Oxfam, Mary Robinson, assegurou que a União Europeia e os Estados Unidos recorrem à técnica de dividir os países pobres nas negociações da OMC para evitar a liberalização do mercado agrícola. “Os países ricos estão ainda muito longe dos compromissos assumidos em Doha, onde o desenvolvimento (dos países pobres) deveria estar no centro das negociações. Culpar os países em desenvolvimento de ser mais enérgicos nas suas exigências não nos leva a lado nenhum”, afirmou Robinson.
A reunião fracassou dado não haver consenso relativamente aos temas de Singapura: Investimento, Competição, Transparência nas compras governamentais e facilitação do comércio. Os países do G21, nomeadamente os Africanos, temem que este novo regime de investimentos beneficie as grandes empresas multinacionais, em detrimento das suas próprias Industrias.
Artigo completo aqui
Traduzido por PP
A cimeira da OMC fracassou devido à posição de força assumida pelos países mais pobres. Apesar dos esforços dos EUA e da UE para separar os países do G21 (grupo de países encabeçados pela Índia, China e Brasil), estes preferiram um fracasso a um mau acordo.
A sensação deixada em Cancun para os EUA e a UE é a de um adiamento, que pode demorar-se no máximo até 31 de Dezembro de 2004, data limite para acordar definitivamente os princípios estabelecidos na Cimeira de Doha de 2001.
Para os países mais pobres, principalmente para o G21 integrado pelos países Africanos e encabeçados pela Ìndia, China e Brasil, a nova postura baseia-se na premissa de que “é melhor um fracasso que um mau acordo”.
Entre as ONG presentes em Cancun, houve avaliações de todo o tipo, ainda que a maioria tivesse alinhado com os G21. A presidente da ONG Intermon Oxfam, Mary Robinson, assegurou que a União Europeia e os Estados Unidos recorrem à técnica de dividir os países pobres nas negociações da OMC para evitar a liberalização do mercado agrícola. “Os países ricos estão ainda muito longe dos compromissos assumidos em Doha, onde o desenvolvimento (dos países pobres) deveria estar no centro das negociações. Culpar os países em desenvolvimento de ser mais enérgicos nas suas exigências não nos leva a lado nenhum”, afirmou Robinson.
A reunião fracassou dado não haver consenso relativamente aos temas de Singapura: Investimento, Competição, Transparência nas compras governamentais e facilitação do comércio. Os países do G21, nomeadamente os Africanos, temem que este novo regime de investimentos beneficie as grandes empresas multinacionais, em detrimento das suas próprias Industrias.
Artigo completo aqui
Traduzido por PP
Ciscajo de los Fondones
CANTÁBRIA – 30 de Outubro a 3 de Novembro
Vamos arranjar espaço para a sidra nova
Festa com sidreiros e músicos. Coroação do deus Brena com sacerdotes, milagres e danças pagãs. Junte-se ao grupo de viajantes éticos e solidários da Mó de Vida.
Faça já a sua inscrição!
Um ciscajo é uma festa privada da Confraria da Sidra, em que os associados e seus amigos levam a comida (que é para todos em comum) e a Confraria oferece a bebida (sidra, obviamente). Todos os confrades que têm instrumentos musicais levam-nos, e há música e baile. São festas que começam ao meio-dia e terminam quando se acaba a comida, a bebida, a dança e tudo o mais (geralmente, pela noite dentro). É um dia inteiro de convívio entre os membros da Confraria, quando se aproveita para estreitar laços de amizade, provar as sidras elaboradas pelos diferentes membros da Associação e, sobretudo, para nos divertirmos como uma grande família. As crianças também passam um dia especial, bebem pijarras, que originariamente era sidra com água, porém agora é sumo de maçã com gasosa.
Normalmente realizam-se três ciscajos por ano. O primeiro, em Abril, é o Ciscajo da Sidra Nova. Nesta festa abrem-se as garrafas de sidra recém arrolhadas e provam-se todas, premiando-se a melhor.
O segundo é o Ciscajo de San Juan Culín, que celebra o solstício de verão, festa da fecundidade e fertilidade, fazendo-se coincidir com o sábado anterior ou posterior ao dia de São João (24 de Junho).
O terceiro e último, que é este a que vos convidamos, é o Ciscajo de los Fondones. Celebra-se sempre depois da mayada (processo que consiste em triturar e pisar a maçã, para retirar o suco que logo fermentará convertendo-se em sidra), e por isso realiza-se no inicio de Novembro, pois a maçã se maya em Outubro, depois do dia de Pilar (12 de Outubro), que é quando a temperatura ambiente já baixou o suficiente para fazer a sidra (se fizer calor, o suco apodrece). Não tem data fixa, porque depende de que se tenta terminado de confeccionar a sidra. De qualquer maneira, nesta festa bebem-se as últimas garrafas do ano (los fondos o fondones) para haver espaço para a sidra que se está a fabricar. Porém, este ano tem um significado especial, porque vai-se “coroar” o deus Brena, que foi eleito como o deus dos sidreiros e sidrófilos da Cantábria, prevendo-se assim que, além do habitual, será uma divertida festa a que não faltarão os “sacerdotes”, “milagres” e danças pagãs… Tudo isto está a ser preparado para o dia 1 de Novembro.
Caso necessite de mais informações, não hesite em contactar-nos.
A equipe da Mó
MÓ DE VIDA Coop.
Calçadinha da Horta, 19
2800-564 Pragal, Almada
Telef. 212720641
modevida@sapo.pt
http://planeta.clix.pt/modevida
CANTÁBRIA – 30 de Outubro a 3 de Novembro
Vamos arranjar espaço para a sidra nova
Festa com sidreiros e músicos. Coroação do deus Brena com sacerdotes, milagres e danças pagãs. Junte-se ao grupo de viajantes éticos e solidários da Mó de Vida.
Faça já a sua inscrição!
Um ciscajo é uma festa privada da Confraria da Sidra, em que os associados e seus amigos levam a comida (que é para todos em comum) e a Confraria oferece a bebida (sidra, obviamente). Todos os confrades que têm instrumentos musicais levam-nos, e há música e baile. São festas que começam ao meio-dia e terminam quando se acaba a comida, a bebida, a dança e tudo o mais (geralmente, pela noite dentro). É um dia inteiro de convívio entre os membros da Confraria, quando se aproveita para estreitar laços de amizade, provar as sidras elaboradas pelos diferentes membros da Associação e, sobretudo, para nos divertirmos como uma grande família. As crianças também passam um dia especial, bebem pijarras, que originariamente era sidra com água, porém agora é sumo de maçã com gasosa.
Normalmente realizam-se três ciscajos por ano. O primeiro, em Abril, é o Ciscajo da Sidra Nova. Nesta festa abrem-se as garrafas de sidra recém arrolhadas e provam-se todas, premiando-se a melhor.
O segundo é o Ciscajo de San Juan Culín, que celebra o solstício de verão, festa da fecundidade e fertilidade, fazendo-se coincidir com o sábado anterior ou posterior ao dia de São João (24 de Junho).
O terceiro e último, que é este a que vos convidamos, é o Ciscajo de los Fondones. Celebra-se sempre depois da mayada (processo que consiste em triturar e pisar a maçã, para retirar o suco que logo fermentará convertendo-se em sidra), e por isso realiza-se no inicio de Novembro, pois a maçã se maya em Outubro, depois do dia de Pilar (12 de Outubro), que é quando a temperatura ambiente já baixou o suficiente para fazer a sidra (se fizer calor, o suco apodrece). Não tem data fixa, porque depende de que se tenta terminado de confeccionar a sidra. De qualquer maneira, nesta festa bebem-se as últimas garrafas do ano (los fondos o fondones) para haver espaço para a sidra que se está a fabricar. Porém, este ano tem um significado especial, porque vai-se “coroar” o deus Brena, que foi eleito como o deus dos sidreiros e sidrófilos da Cantábria, prevendo-se assim que, além do habitual, será uma divertida festa a que não faltarão os “sacerdotes”, “milagres” e danças pagãs… Tudo isto está a ser preparado para o dia 1 de Novembro.
Caso necessite de mais informações, não hesite em contactar-nos.
A equipe da Mó
MÓ DE VIDA Coop.
Calçadinha da Horta, 19
2800-564 Pragal, Almada
Telef. 212720641
modevida@sapo.pt
http://planeta.clix.pt/modevida
sexta-feira, setembro 12, 2003
Somos pobres? Temos direito a subsídios para poder competir lá fora?
O mundo é um só. Estamos na Europa como estamos no mundo, que partilhamos com cerca de seis mil milhões de pessoas. Destas, metade vive com menos de 2 Euro por dia, quase mil milhões e meio vivem com menos de 1 Euro por dia (duas bicazitas...). Setenta por cento destes últimos são mulheres... Ora nós só somos pobres ou ricos por comparação com alguém.
Todos os anos se elaboram listas com as pessoas mais ricas do mundo, deixando-nos de fora como se não fizessemos parte deste mundo. Mas a verdade é que todos nós temos o nosso lugarzinho nessa lista, uns mais acima, outros mais abaixo. Pois é chegada a nossa hora: podem ler neste site qual a vossa posição relativa aos nossos seis mil milhões de irmãos! Reparem que se ganharem o salário mínimo nacional (cerca de 350 Euro), já estão entre os 15% mais ricos do mundo... Fantástico, não é? Digam lá que não se sentem melhor agora...
mpf
O mundo é um só. Estamos na Europa como estamos no mundo, que partilhamos com cerca de seis mil milhões de pessoas. Destas, metade vive com menos de 2 Euro por dia, quase mil milhões e meio vivem com menos de 1 Euro por dia (duas bicazitas...). Setenta por cento destes últimos são mulheres... Ora nós só somos pobres ou ricos por comparação com alguém.
Todos os anos se elaboram listas com as pessoas mais ricas do mundo, deixando-nos de fora como se não fizessemos parte deste mundo. Mas a verdade é que todos nós temos o nosso lugarzinho nessa lista, uns mais acima, outros mais abaixo. Pois é chegada a nossa hora: podem ler neste site qual a vossa posição relativa aos nossos seis mil milhões de irmãos! Reparem que se ganharem o salário mínimo nacional (cerca de 350 Euro), já estão entre os 15% mais ricos do mundo... Fantástico, não é? Digam lá que não se sentem melhor agora...
mpf
Globalizar a luta contra a barbárie imperialista
por Miguel Urbano Rodrigues
Comunicação apresentada em Santiago do Chile,
no seminário «Allende Vive»,
em 10 de Setembro de 2003
No Fórum Social Mundial e nos Fóruns Sociais Europeus, algumas personalidades transmitiram a ideia de um suposto antagonismo entre movimentos sociais e partidos políticos.
Essas manobras representam um serviço prestado ao imperialismo.
A complementaridade do papel que os movimentos sociais e as organizações partidárias revolucionárias desempenham nas grandes lutas actuais no âmbito da crise de civilização que a humanidade vive é cada vez mais necessária. O debate sobre o tema da relação movimentos-partidos perde todo o significado quando resvala para o terreno da pequena política.
Sendo ficcional a antinomia movimentos-partidos, a nossa reflexão deve ser orientada para os objectivos e o tipo de intervenção das forças empenhadas no combate à globalização neoliberal. Gerada pelo capitalismo , a globalização – como reconhecem Kissinger e Thomas Friedman – não poderia sobreviver hoje sem o «punho invisível» (o poder militar) que a sustenta. O imperialismo, fase ultima do capitalismo, garante agora a continuidade do sistema que o criou.
Partidos e movimentos não são enteléquias, forças abstractas e uniformes. Para se avaliar a sua participação na história, o que importa é saber o que pretendem e como actuam.
Uma linha divisória cada vez más nítida é a que separa os movimentos e partidos que encaram a transformação da historia sob uma perspectiva revolucionária e os partidos e movimentos que adoptam uma posição muito diferente .
Clivagens hoje existentes entre forças sociais que rejeitam o projecto desumanizante da globalização neoliberal encontram a sua expressão prática em comportamentos que ao longo dos séculos, em crises de grande complexidade, traduziram concepções divergentes sobre a evolução da humanidade.
Nem todos os que condenam a globalização neoliberal identificam no desaparecimento do capitalismo uma necessidade histórica.
Ver o artigo completo aqui
por Miguel Urbano Rodrigues
Comunicação apresentada em Santiago do Chile,
no seminário «Allende Vive»,
em 10 de Setembro de 2003
No Fórum Social Mundial e nos Fóruns Sociais Europeus, algumas personalidades transmitiram a ideia de um suposto antagonismo entre movimentos sociais e partidos políticos.
Essas manobras representam um serviço prestado ao imperialismo.
A complementaridade do papel que os movimentos sociais e as organizações partidárias revolucionárias desempenham nas grandes lutas actuais no âmbito da crise de civilização que a humanidade vive é cada vez mais necessária. O debate sobre o tema da relação movimentos-partidos perde todo o significado quando resvala para o terreno da pequena política.
Sendo ficcional a antinomia movimentos-partidos, a nossa reflexão deve ser orientada para os objectivos e o tipo de intervenção das forças empenhadas no combate à globalização neoliberal. Gerada pelo capitalismo , a globalização – como reconhecem Kissinger e Thomas Friedman – não poderia sobreviver hoje sem o «punho invisível» (o poder militar) que a sustenta. O imperialismo, fase ultima do capitalismo, garante agora a continuidade do sistema que o criou.
Partidos e movimentos não são enteléquias, forças abstractas e uniformes. Para se avaliar a sua participação na história, o que importa é saber o que pretendem e como actuam.
Uma linha divisória cada vez más nítida é a que separa os movimentos e partidos que encaram a transformação da historia sob uma perspectiva revolucionária e os partidos e movimentos que adoptam uma posição muito diferente .
Clivagens hoje existentes entre forças sociais que rejeitam o projecto desumanizante da globalização neoliberal encontram a sua expressão prática em comportamentos que ao longo dos séculos, em crises de grande complexidade, traduziram concepções divergentes sobre a evolução da humanidade.
Nem todos os que condenam a globalização neoliberal identificam no desaparecimento do capitalismo uma necessidade histórica.
Ver o artigo completo aqui
quinta-feira, setembro 11, 2003
O Interior
Repescando o post anterior, o “Notícias da Covilhã” também de 5 de Setembro discrimina as baixas generalizadas de alunos em escolaridade obrigatória no distrito de Castelo Branco. Salvaguardando raríssimas excepções (a Covilhã ganhou alunos), nalguns locais o decréscimo é assustador: Vila Velha de Ródão perdeu quase 70% dos alunos! E para explicar este decréscimo não chega a baixa de natalidade. O desemprego dos pais, por exemplo, traduz-se em óbvias migrações. E para explicar este desemprego não chega alegar 11s de Setembro ou crises internacionais. Muito deste desemprego resulta (da ausência) de estratégias internas de distribuição de riqueza e de oportunidades de desenvolvimento. No mesmo jornal se discute a Linha da Beira Baixa, uma linha de caminho-de-ferro com 112 anos que neste momento só funciona até Castelo Branco. Continuam a discutir-se TGVs ou decréscimos de 10 minutos na viagem de comboio entre Lisboa e o Porto, e os 40 km que separam a Covilhã da Guarda demor(av)am mais de uma hora a ser percorridos por comboio. Considerando a população (sobretudo estudantil) que transita diariamente entre estas duas cidades, e que mais do que justificaria a existência de comboios inter-urbanos, as únicas novidades anunciadas pela REFER para o Interior são uma melhoria da linha entre Lisboa e Castelo Branco, e a interrupção da linha a partir daí...
mpf
Repescando o post anterior, o “Notícias da Covilhã” também de 5 de Setembro discrimina as baixas generalizadas de alunos em escolaridade obrigatória no distrito de Castelo Branco. Salvaguardando raríssimas excepções (a Covilhã ganhou alunos), nalguns locais o decréscimo é assustador: Vila Velha de Ródão perdeu quase 70% dos alunos! E para explicar este decréscimo não chega a baixa de natalidade. O desemprego dos pais, por exemplo, traduz-se em óbvias migrações. E para explicar este desemprego não chega alegar 11s de Setembro ou crises internacionais. Muito deste desemprego resulta (da ausência) de estratégias internas de distribuição de riqueza e de oportunidades de desenvolvimento. No mesmo jornal se discute a Linha da Beira Baixa, uma linha de caminho-de-ferro com 112 anos que neste momento só funciona até Castelo Branco. Continuam a discutir-se TGVs ou decréscimos de 10 minutos na viagem de comboio entre Lisboa e o Porto, e os 40 km que separam a Covilhã da Guarda demor(av)am mais de uma hora a ser percorridos por comboio. Considerando a população (sobretudo estudantil) que transita diariamente entre estas duas cidades, e que mais do que justificaria a existência de comboios inter-urbanos, as únicas novidades anunciadas pela REFER para o Interior são uma melhoria da linha entre Lisboa e Castelo Branco, e a interrupção da linha a partir daí...
mpf
quarta-feira, setembro 10, 2003
Mais 488 desempregados em Castelo Branco
«Desde Julho do ano passado, ficaram desempregadas mais 488 pessoas só no concelho de Castelo Branco. No total são 1.857 pessoas desempregadas, o que contrasta com o número de inscritos em Julho de 2002, que totalizava 1.379. As mulheres são o grupo mais desfavorecido, registando-se 1.144 mulheres desempregadas, contra 713 homens, e a maioria das mulheres tem idades compreendidas entre os 25 e os 44 anos (603), mas também as mais jovens (com menos de 25 anos) enfrentam o desemprego, estando inscritas no referido mês 200 jovens.
De acordo com os dados estatísticos do Instituto do Emprego e Formação Profissional, desde Julho do ano passado, no universo dos 1.857 desempregados que se inscreveram no Centro de emprego de Castelo Branco até Julho de 2003, 474 são desempregados de longa duração, pois estão inscritos há mais de 12 meses e são também os que já trabalharam e procuram novo emprego os mais afectados, com 1.645 pessoas.
O desemprego afecta ainda os que procuram o primeiro emprego (212 inscritos). Tendo em conta as habilitações, contam-se no centro de emprego 622 jovens que terminaram o 12º ano mas que não seguiram o ensino superior, e que constitui a maior fatia de desempregados no que respeita às habilitações. No concelho de Castelo Branco, são também em elevado número (2.219 os jovens que concluíram um curso médio ou superior e que se inscreveram no Centro de Emprego.
O desemprego não é menor nos concelhos do Fundão e Covilhã, tendo o centro de emprego registado a 31 de Julho deste ano 1.119 desempregados no Fundão e 2.969 na Covilhã. Em ambos os concelhos, a grande maioria são desempregados de longa duração, estando inscritos há mais de um ano na Covilhã 1.113 e no Fundão 467 pessoas.»
Nota: extraído da edição de 5 de Setembro do Jornal do Fundão.
«Desde Julho do ano passado, ficaram desempregadas mais 488 pessoas só no concelho de Castelo Branco. No total são 1.857 pessoas desempregadas, o que contrasta com o número de inscritos em Julho de 2002, que totalizava 1.379. As mulheres são o grupo mais desfavorecido, registando-se 1.144 mulheres desempregadas, contra 713 homens, e a maioria das mulheres tem idades compreendidas entre os 25 e os 44 anos (603), mas também as mais jovens (com menos de 25 anos) enfrentam o desemprego, estando inscritas no referido mês 200 jovens.
De acordo com os dados estatísticos do Instituto do Emprego e Formação Profissional, desde Julho do ano passado, no universo dos 1.857 desempregados que se inscreveram no Centro de emprego de Castelo Branco até Julho de 2003, 474 são desempregados de longa duração, pois estão inscritos há mais de 12 meses e são também os que já trabalharam e procuram novo emprego os mais afectados, com 1.645 pessoas.
O desemprego afecta ainda os que procuram o primeiro emprego (212 inscritos). Tendo em conta as habilitações, contam-se no centro de emprego 622 jovens que terminaram o 12º ano mas que não seguiram o ensino superior, e que constitui a maior fatia de desempregados no que respeita às habilitações. No concelho de Castelo Branco, são também em elevado número (2.219 os jovens que concluíram um curso médio ou superior e que se inscreveram no Centro de Emprego.
O desemprego não é menor nos concelhos do Fundão e Covilhã, tendo o centro de emprego registado a 31 de Julho deste ano 1.119 desempregados no Fundão e 2.969 na Covilhã. Em ambos os concelhos, a grande maioria são desempregados de longa duração, estando inscritos há mais de um ano na Covilhã 1.113 e no Fundão 467 pessoas.»
Nota: extraído da edição de 5 de Setembro do Jornal do Fundão.
Encontros de Verão do BE
No próximo fim-de-semana, os primeiros "Encontros de Verão" do Bloco de
Esquerda. Em Lisboa, na Escola Superior de Belas Artes (no Chiado). A
entrada são 10 euros, mas não creio que sejam muito rigorosos a cobrar...
A participação não é restrita a aderentes do BE (espero!). Na sexta-feira
às 21:30, Catherine Samary (do Le Monde Diplomatique) fala sobre "O
admirável mundo novo: neoliberalismo e exploração". No sábado à tarde,
oficinas sobre guerra (Fernando Rosas), escola (José Alberto Correia),
e sindicalismo (Gigi Malabarba). No domingo de manhã, oficinas sobre
jovens (João Teixeira Lopes), género (Ana Gabriela Macedo), constituição
europeia (José Manuel Pureza), e países de leste (Catherine Samary).
Entre outras coisas. Creio que valerá a pena passar por lá, mesmo
para quem não seja do BE...
-- Luís Lavoura
No próximo fim-de-semana, os primeiros "Encontros de Verão" do Bloco de
Esquerda. Em Lisboa, na Escola Superior de Belas Artes (no Chiado). A
entrada são 10 euros, mas não creio que sejam muito rigorosos a cobrar...
A participação não é restrita a aderentes do BE (espero!). Na sexta-feira
às 21:30, Catherine Samary (do Le Monde Diplomatique) fala sobre "O
admirável mundo novo: neoliberalismo e exploração". No sábado à tarde,
oficinas sobre guerra (Fernando Rosas), escola (José Alberto Correia),
e sindicalismo (Gigi Malabarba). No domingo de manhã, oficinas sobre
jovens (João Teixeira Lopes), género (Ana Gabriela Macedo), constituição
europeia (José Manuel Pureza), e países de leste (Catherine Samary).
Entre outras coisas. Creio que valerá a pena passar por lá, mesmo
para quem não seja do BE...
-- Luís Lavoura
FEIRA DA ECONOMIA SOLID�RIA
13 set 2003 com o outono � porta armaremos as tendas dentro das portas
da M� de Vida
que fica na Cal�adinha da Horta 19, Pragal - antigo bar da cooperativa
Pragalense [Almada]
Como todos sabemos, algumas op��es assumidas por segmentos econ�mica e politicamente dominantes incidem sobre a vida do conjunto das sociedades.
Consideramos que num processo de domina��o e explora��o consolidado seja poss�vel e imprescind�vel haver pessoas que actuem em redes de solidariedade. De facto, se as pr�ticas de produ��o, comercializa��o e financiamento solid�rias j� existentes no mundo forem conectadas sob os princ�pios de uma rede de colabora��o solid�ria, ent�o � poss�vel engendrar uma alternativa ao capitalismo actual...
A Colabora��o Solid�ria � Compreendendo, Transformando e Conectando o que j� existe e
Economia Solid�ria: um novo paradigma, Euclides Andr� Mance
Um espa�o todos os 2�s s�bados de cada m�s * 10h00 Abertura do espa�o da feira *10h30 Passeio de Bicicleta pela zona do Cristo Rei e N�cleo antigo de Almada Velha, com possibilidade de visitas ao Cristo Rei e Museu da Cidade (N�cleo Medieval e Moderno) *13h00 Piquenique/conv�vio das organiza��es participantes e amigos * 15h00
Apresenta��o do v�deo Fortalecimento das voca��es das comunidades do Vale da Ribeira - document�rio sobre a experi�ncia de fortalecimento das voca��es das diferentes comunidades locais com base nos valores da coopera��o e solidariedade realizada na regi�o do Vale da Ribeira (Brasil). As diversas comunidades da regi�o interagem, promovendo o trabalho conjunto e a participa��o nas decis�es que afectam a regi�o. Esta, e outras experi�ncias, projectaram o Brasil como um pa�s que acolhe uma das maiores redes mundiais de economia solid�ria * 15h30 Tert�lia O que � a Economia Solid�ria? com o professor do ISEG/UTL e editor da Revista Utopia - Jos� Maria Carvalho
Ferreira * 18h00 P� de dan�a - oficina de dan�as europeias com a monitora D�lia Louren�o (est�o abertas as Inscri��es para as oficinas de dan�as europeias a realizar na M� de Vida Coop. todas as 4as feiras das 18h30 �s 20h00, com in�cio a 17 de Setembro .) *
19h00 Encerramento
� semelhan�a das anteriores, nesta 3� EDI��O participar�o v�rias organiza��es do 3� sector com o objectivo comum de construir uma rede de trabalho e interven��o conjunta das entidades sem fins lucrativos que praticam a economia social e solid�ria, considerando as suas diferentes �reas de actua��o, possibilidades e experi�ncias. Na FEIRA ser�o divulgados projectos ligados ao com�rcio justo e solid�rio, agricultura biol�gica, artesanato, anima��o s�cio-cultural, defesa do ambiente, espect�culos, oficinas, turismo �tico, trabalhos com minorias �tnicas e 3� idade, m�sica e dan�a tradicionais, desenvolvimento local e outros.
INFORMA��ES M� de Vida Cooperativa
Cal�adinha da Horta, 19, 2800-467 Pragal/Almada *
modevida@clix.pt / *914 035 720
13 set 2003 com o outono � porta armaremos as tendas dentro das portas
da M� de Vida
que fica na Cal�adinha da Horta 19, Pragal - antigo bar da cooperativa
Pragalense [Almada]
Como todos sabemos, algumas op��es assumidas por segmentos econ�mica e politicamente dominantes incidem sobre a vida do conjunto das sociedades.
Consideramos que num processo de domina��o e explora��o consolidado seja poss�vel e imprescind�vel haver pessoas que actuem em redes de solidariedade. De facto, se as pr�ticas de produ��o, comercializa��o e financiamento solid�rias j� existentes no mundo forem conectadas sob os princ�pios de uma rede de colabora��o solid�ria, ent�o � poss�vel engendrar uma alternativa ao capitalismo actual...
A Colabora��o Solid�ria � Compreendendo, Transformando e Conectando o que j� existe e
Economia Solid�ria: um novo paradigma, Euclides Andr� Mance
Um espa�o todos os 2�s s�bados de cada m�s * 10h00 Abertura do espa�o da feira *10h30 Passeio de Bicicleta pela zona do Cristo Rei e N�cleo antigo de Almada Velha, com possibilidade de visitas ao Cristo Rei e Museu da Cidade (N�cleo Medieval e Moderno) *13h00 Piquenique/conv�vio das organiza��es participantes e amigos * 15h00
Apresenta��o do v�deo Fortalecimento das voca��es das comunidades do Vale da Ribeira - document�rio sobre a experi�ncia de fortalecimento das voca��es das diferentes comunidades locais com base nos valores da coopera��o e solidariedade realizada na regi�o do Vale da Ribeira (Brasil). As diversas comunidades da regi�o interagem, promovendo o trabalho conjunto e a participa��o nas decis�es que afectam a regi�o. Esta, e outras experi�ncias, projectaram o Brasil como um pa�s que acolhe uma das maiores redes mundiais de economia solid�ria * 15h30 Tert�lia O que � a Economia Solid�ria? com o professor do ISEG/UTL e editor da Revista Utopia - Jos� Maria Carvalho
Ferreira * 18h00 P� de dan�a - oficina de dan�as europeias com a monitora D�lia Louren�o (est�o abertas as Inscri��es para as oficinas de dan�as europeias a realizar na M� de Vida Coop. todas as 4as feiras das 18h30 �s 20h00, com in�cio a 17 de Setembro .) *
19h00 Encerramento
� semelhan�a das anteriores, nesta 3� EDI��O participar�o v�rias organiza��es do 3� sector com o objectivo comum de construir uma rede de trabalho e interven��o conjunta das entidades sem fins lucrativos que praticam a economia social e solid�ria, considerando as suas diferentes �reas de actua��o, possibilidades e experi�ncias. Na FEIRA ser�o divulgados projectos ligados ao com�rcio justo e solid�rio, agricultura biol�gica, artesanato, anima��o s�cio-cultural, defesa do ambiente, espect�culos, oficinas, turismo �tico, trabalhos com minorias �tnicas e 3� idade, m�sica e dan�a tradicionais, desenvolvimento local e outros.
INFORMA��ES M� de Vida Cooperativa
Cal�adinha da Horta, 19, 2800-467 Pragal/Almada *
modevida@clix.pt / *914 035 720
Cancun aproxima-se
Apesar da grande animação e animosidade no FSP estar relacionada com a escolha dos oradores para o FSE (déja vue?), os 146 países reunidos em Cacun depertam muito mais o meu interesse; hoje de manhã (na TSF), o discurso que ouvi inquieta-me, entristece-me e revolta-me: "A Europa já fez todas as cedências que podia no seio da OMC; a Europa já deu tudo o que tinha a dar...." Será que estamos a falar da mesma Europa que desrespeita escandalosamente as leis do mercado ao subsidiar os seus produtos menos competitivos? será a mesma que dá 2 euros por dia a cada vaca? será também a mesma Europa que subsidia a exportação, deixando de rastos a economia Africana (baseada essencialmente na Agicultura)?
Enquanto não virmos o mundo como uma ilha, onde todos têm direito às mais elementares regalias - alimentação, saúde, bem-estar, trabalho, habitação - arriscamo-nos a cometer os mesmos erros subtis que os nosso amigos da Ilha da Páscoa. A carta das Nações Unidas deveria ser a carta de princípios da OMC; já seria um bom começo.
E pensar que uma das poucas coisas que preocupa a delegação Portuguesa é o Vinho do Porto ter âmbito regional (que por acaso até acho bem, mas...) ...
Já estou a ver os cabeçalhos do New York Times e do Guardian amanhã, em letras garrafais:
"Vinho do Porto origina início de conflito armado entre Portugal e África do Sul" ou
"Durão Barroso pede ajuda a Bush para libertar o Chile por causa do Vinho do Porto" ou
"Vinho do Porto mata a fome a milhões de crianças na África sub-sariana" ou ainda
"Foi encontrada cura contra a SIDA no princípio activo do Vinho do Porto; África do Sul pede autorização à OMC para fazer genéricos de Vinho do Porto".
Assim o nosso Vinho do Porto teria o destaque que merece, e as preocupações nacionais seriam legítimas, não ridículas....
PP
Apesar da grande animação e animosidade no FSP estar relacionada com a escolha dos oradores para o FSE (déja vue?), os 146 países reunidos em Cacun depertam muito mais o meu interesse; hoje de manhã (na TSF), o discurso que ouvi inquieta-me, entristece-me e revolta-me: "A Europa já fez todas as cedências que podia no seio da OMC; a Europa já deu tudo o que tinha a dar...." Será que estamos a falar da mesma Europa que desrespeita escandalosamente as leis do mercado ao subsidiar os seus produtos menos competitivos? será a mesma que dá 2 euros por dia a cada vaca? será também a mesma Europa que subsidia a exportação, deixando de rastos a economia Africana (baseada essencialmente na Agicultura)?
Enquanto não virmos o mundo como uma ilha, onde todos têm direito às mais elementares regalias - alimentação, saúde, bem-estar, trabalho, habitação - arriscamo-nos a cometer os mesmos erros subtis que os nosso amigos da Ilha da Páscoa. A carta das Nações Unidas deveria ser a carta de princípios da OMC; já seria um bom começo.
E pensar que uma das poucas coisas que preocupa a delegação Portuguesa é o Vinho do Porto ter âmbito regional (que por acaso até acho bem, mas...) ...
Já estou a ver os cabeçalhos do New York Times e do Guardian amanhã, em letras garrafais:
"Vinho do Porto origina início de conflito armado entre Portugal e África do Sul" ou
"Durão Barroso pede ajuda a Bush para libertar o Chile por causa do Vinho do Porto" ou
"Vinho do Porto mata a fome a milhões de crianças na África sub-sariana" ou ainda
"Foi encontrada cura contra a SIDA no princípio activo do Vinho do Porto; África do Sul pede autorização à OMC para fazer genéricos de Vinho do Porto".
Assim o nosso Vinho do Porto teria o destaque que merece, e as preocupações nacionais seriam legítimas, não ridículas....
PP
terça-feira, setembro 09, 2003
CONFERÊNCIA “Movimentos Anti-Globalização: O Islamismo depois do 11 de Setembro”
Prof. Farhad Khosrokhavar
(Investigador do CADIS – École des Hautes Études en Sciences Sociales)
16 de Setembro de 2003
18 horas
ISCTE, Auditório 6 (Ala Autónoma)
Apoios: ISCTE, ICS – UL, Embaixada de França
Contactos: Prof. Marinús Pires de Lima – ICS – Tel: 21 780 47 00
Prof. Farhad Khosrokhavar
(Investigador do CADIS – École des Hautes Études en Sciences Sociales)
16 de Setembro de 2003
18 horas
ISCTE, Auditório 6 (Ala Autónoma)
Apoios: ISCTE, ICS – UL, Embaixada de França
Contactos: Prof. Marinús Pires de Lima – ICS – Tel: 21 780 47 00
Andanças 2003 - opinião de um participante
(as opiniões negativas queimo-as mal as recebo....)
A capacidade de fazer do Andanças uma realidade comove-me, a Pé de Xumbo merece todas as palavras de congratulação que consigamos encontrar pois é verdadeiramente complicado conseguir concretizar o projecto - Andanças. Não são dois ou três dias de folia é, isso sim, uma semana de divertimento, descanso, alegria,comunhão de sensações, conhecimento e também de afirmação da existência de alternativas à cultura massiva e comercial que nos servem todos os dias em forma de pronto a comer. Acredito que nos dias de hoje é bastante complicado marcar passo de uma forma alternativa e independente quando vemos outros eventos do género ( a comparação é inevitavel) a recorrerem a patrocinios que mais não são que a venda do evento em si mesmo.
Se existe momento em que me senti como fazendo parte de uma sociedade que vale muito a pena existir foi durante o Andanças, a razão é muito simples. Durante a última semana de Agosto esqueci-me dos problemas do Mundo não por ter surgido em mim um fenómeno espontâneo de desresponsabilização mas somente porque nenhuma da agruras da vida faz sentido naquele espaço. Talvez os "senhores da guerra" do nosso tempo devessem passar uns dias pelo andanças.
A intercepção e interecção de culturas funcionou na perfeição durante todo o festival e não falo da existência de músicas e danças de diversas proveniências, falo,isso sim, da diversidade cultural e social dos "andantes" que fizeram do festival um momento de paz e comunhão social. Diferença e diversidade simbolizam sempre riqueza, é triste que as pessoas façam das diferenças motivos de conflito.
Em suma sobressaem deste Festival ideias, valores e vontades que devem ser um exemplo para o Mundo. Das danças não falei porque só quem esteve é que sabe como vale a pena libertarmo-nos naqueles estrados no meio de uma multidão ansiosa por alegria e divertimento.
Saudações e até à última semana de Agosto de 2004
_________________
Ega
(as opiniões negativas queimo-as mal as recebo....)
A capacidade de fazer do Andanças uma realidade comove-me, a Pé de Xumbo merece todas as palavras de congratulação que consigamos encontrar pois é verdadeiramente complicado conseguir concretizar o projecto - Andanças. Não são dois ou três dias de folia é, isso sim, uma semana de divertimento, descanso, alegria,comunhão de sensações, conhecimento e também de afirmação da existência de alternativas à cultura massiva e comercial que nos servem todos os dias em forma de pronto a comer. Acredito que nos dias de hoje é bastante complicado marcar passo de uma forma alternativa e independente quando vemos outros eventos do género ( a comparação é inevitavel) a recorrerem a patrocinios que mais não são que a venda do evento em si mesmo.
Se existe momento em que me senti como fazendo parte de uma sociedade que vale muito a pena existir foi durante o Andanças, a razão é muito simples. Durante a última semana de Agosto esqueci-me dos problemas do Mundo não por ter surgido em mim um fenómeno espontâneo de desresponsabilização mas somente porque nenhuma da agruras da vida faz sentido naquele espaço. Talvez os "senhores da guerra" do nosso tempo devessem passar uns dias pelo andanças.
A intercepção e interecção de culturas funcionou na perfeição durante todo o festival e não falo da existência de músicas e danças de diversas proveniências, falo,isso sim, da diversidade cultural e social dos "andantes" que fizeram do festival um momento de paz e comunhão social. Diferença e diversidade simbolizam sempre riqueza, é triste que as pessoas façam das diferenças motivos de conflito.
Em suma sobressaem deste Festival ideias, valores e vontades que devem ser um exemplo para o Mundo. Das danças não falei porque só quem esteve é que sabe como vale a pena libertarmo-nos naqueles estrados no meio de uma multidão ansiosa por alegria e divertimento.
Saudações e até à última semana de Agosto de 2004
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Ega
Até onde é que iremos?
Vale a pena deixar aqui o texto que o Cruzes Canhoto foi desencantar não sei onde. Mais uma pista para reflexão..... Se virem alguns paralelismos com as sociedades modernas não são pura coincidência....
Por exemplo, os habitantes da ilha da Páscoa, um povo polinésio, instalaram-se numa ilha que era originalmente florestada, cujos bosques incluíam a maior palmeira do mundo. Os nativos foram gradualmente cortando a floresta para obter madeira para as canoas, para o lume, para transportar estátuas e erguê-las, para esculpir e para proteger o solo da erosão. Com o tempo, acabaram por cortar todas as florestas até ao ponto em que todas as espécies de árvores estavam extintas, o que significava que já não podiam fazer canoas e erigir estátuas e já não havia árvores para proteger os solos da erosão, pelo que a sua sociedade descambou numa epidemia de canibalismo que matou 90% da população. A questão que intrigava mais os meus alunos da universidade era algo que nunca me tinha ocorrido: como demónios podia uma sociedade tomar uma decisão tão nitidamente desastrosa como cortar todas as árvores de que dependiam? Por exemplo, os meus alunos interrogavam-se o que diriam estas pessoas enquanto cortavam a última palmeira? Será que diriam “pensem nos nossos empregos como lenhadores e não nestas árvores”, ou “respeitem o meu direito à propriedade privada”? Certamente que teriam consciência dos efeitos que teria destruir a sua própria floresta, afinal não era um erro subtil. (…)
Destruir o nosso próprio planeta, porque transformámos tudo em mercadorias, não é nada subtil como erro, mas ainda havemos de conseguir...
Haverá sempre valores mais importantes que a "economia de mercado" ou a "propriedade privada". E são esses valores que devemos passar de geração em geração, para que ainda haja um mundo Amanhã. A ver se não terminamos como os nosso "primos" da Ilha da Páscoa: sem floresta, sem esperanças, a comerem-se mutuamente por não haver mais nada onde meter o dente....
PP
Vale a pena deixar aqui o texto que o Cruzes Canhoto foi desencantar não sei onde. Mais uma pista para reflexão..... Se virem alguns paralelismos com as sociedades modernas não são pura coincidência....
Por exemplo, os habitantes da ilha da Páscoa, um povo polinésio, instalaram-se numa ilha que era originalmente florestada, cujos bosques incluíam a maior palmeira do mundo. Os nativos foram gradualmente cortando a floresta para obter madeira para as canoas, para o lume, para transportar estátuas e erguê-las, para esculpir e para proteger o solo da erosão. Com o tempo, acabaram por cortar todas as florestas até ao ponto em que todas as espécies de árvores estavam extintas, o que significava que já não podiam fazer canoas e erigir estátuas e já não havia árvores para proteger os solos da erosão, pelo que a sua sociedade descambou numa epidemia de canibalismo que matou 90% da população. A questão que intrigava mais os meus alunos da universidade era algo que nunca me tinha ocorrido: como demónios podia uma sociedade tomar uma decisão tão nitidamente desastrosa como cortar todas as árvores de que dependiam? Por exemplo, os meus alunos interrogavam-se o que diriam estas pessoas enquanto cortavam a última palmeira? Será que diriam “pensem nos nossos empregos como lenhadores e não nestas árvores”, ou “respeitem o meu direito à propriedade privada”? Certamente que teriam consciência dos efeitos que teria destruir a sua própria floresta, afinal não era um erro subtil. (…)
Destruir o nosso próprio planeta, porque transformámos tudo em mercadorias, não é nada subtil como erro, mas ainda havemos de conseguir...
Haverá sempre valores mais importantes que a "economia de mercado" ou a "propriedade privada". E são esses valores que devemos passar de geração em geração, para que ainda haja um mundo Amanhã. A ver se não terminamos como os nosso "primos" da Ilha da Páscoa: sem floresta, sem esperanças, a comerem-se mutuamente por não haver mais nada onde meter o dente....
PP
Geopolítica da Fome
Jacques BERTHELOT
7 de Maio de 2003
Persistência da fome no mundo e carência democrática
A existência de fome no mundo é paradoxal, já que existem enormes excedentes agrícolas (tanto nos produtos “temperados” como nos “tropicais”). Segundo a FAO, 840 milhões de pessoas estão num estado de subnutrição crónica.
Em relação ao total de população de cada Continente, a africa Sub-sariana é claramente à frente, com 34%, seguida da Ásia do Sul (24%), América central (19%) e China (9%). Apesar do número de pessoas com fome ter diminuído nos países em desenvolvimento para a metade entre 1969-71 (37%) e hoje (18%), este número não diminui mas aumentou na África em mais de 90% !
O objectivo da cimeira mundial da alimentação (1996, confirmada em 2002) de reduzir para metade este número até 2015 nunca será atingido, já que o decréscimo das pessoas com fome deveria ser de 20 milhões por ano, sendo actualmente de 2 milhões por ano.
A fome não resulta (como muitos querem fazer crer) de uma falta de recursos naturais (terras, água) ou financeiras, mesmo com a má repartição actual da riqueza; a produção agrícola também não é a origem da fome, já que aumentou mais que a população humana nos anos 90 (2% para 1,5%).
¾ das pessoas com fome vivem no mundo rural, sendo essencialmente agricultores: a fome resulta de uma insuficiência democrática, da não participação dos agricultores nos objectivos e nas políticas agrícolas a nível local, nacional, macro-regional e mundial.
Liberalização das políticas agrícolas e desmantelamento das protecções à importação.
Depois da globalização neo-liberal encetada nos anos 80, em crescente aceleração depois de 1995 com os diferentes acordos da OMC, nomeadamente o que se refere à agricultura, a persistência da fome ou mesmo os eu aumento em África são explicadas essencialmente pelo desmantelamento das protecções à importação.
Por exemplo no México, depois do estreitamento comercial com os EUA, desapareceram 1,8 milhões de agricultores, já que o milho americano (cujos subsídios implicam que um agricultor Americano receba 30 vezes mais que um agricultor Mexicano) é exportado a 90 $ a tonelada quando o seu custo de produção é de 134 $ a tonelada! Os mexicanos foram assim duplamente penalizados: individualmente, receberam muito menos pelo seu produto e mesmo assim, o milho produzido deixou de ser “competitivo” no mercado. O México passou assim de produtor a importador, essencialmente por causa de mecanismos proteccionistas que de “mercado livre” ou “livre” têm muito pouco.....
A UE (União Europeia) faz exactamente o mesmo com os países Africanos. São assim postos em “livre concorrência” agricultores Europeus que recebem 54000 euros de ajudas directas e Agricultores Africanos que não recebem nada; qual é que é vantagem destes últimos na livre concorrência? até onde é que a hipocrisia dos países mais ricos pode chegar?
Esta liberalização das políticas agrícolas, nomeadamente a redução das limitações à importação é muito recente. Dada a especificidade dos mercados agrícolas e a sua muti-funcionalidade, afectando o ambiente, as paisagens, o emprego, o ordenamento do território, a qualidade dos produtos, a seguranças alimentar, o bem-estar animal, todos os países desde o tempo dos Faraós têm políticas específicas para regular a oferta agrícola. Porque é que então houve um abandono destas políticas, sujeitando os produtos agrícolas aos mercados mundiais, como se fossem mercadorias ordinárias?
(continua quando tiver mais tempo para traduzir, resumir e adaptar)
PP
Jacques BERTHELOT
7 de Maio de 2003
Persistência da fome no mundo e carência democrática
A existência de fome no mundo é paradoxal, já que existem enormes excedentes agrícolas (tanto nos produtos “temperados” como nos “tropicais”). Segundo a FAO, 840 milhões de pessoas estão num estado de subnutrição crónica.
Em relação ao total de população de cada Continente, a africa Sub-sariana é claramente à frente, com 34%, seguida da Ásia do Sul (24%), América central (19%) e China (9%). Apesar do número de pessoas com fome ter diminuído nos países em desenvolvimento para a metade entre 1969-71 (37%) e hoje (18%), este número não diminui mas aumentou na África em mais de 90% !
O objectivo da cimeira mundial da alimentação (1996, confirmada em 2002) de reduzir para metade este número até 2015 nunca será atingido, já que o decréscimo das pessoas com fome deveria ser de 20 milhões por ano, sendo actualmente de 2 milhões por ano.
A fome não resulta (como muitos querem fazer crer) de uma falta de recursos naturais (terras, água) ou financeiras, mesmo com a má repartição actual da riqueza; a produção agrícola também não é a origem da fome, já que aumentou mais que a população humana nos anos 90 (2% para 1,5%).
¾ das pessoas com fome vivem no mundo rural, sendo essencialmente agricultores: a fome resulta de uma insuficiência democrática, da não participação dos agricultores nos objectivos e nas políticas agrícolas a nível local, nacional, macro-regional e mundial.
Liberalização das políticas agrícolas e desmantelamento das protecções à importação.
Depois da globalização neo-liberal encetada nos anos 80, em crescente aceleração depois de 1995 com os diferentes acordos da OMC, nomeadamente o que se refere à agricultura, a persistência da fome ou mesmo os eu aumento em África são explicadas essencialmente pelo desmantelamento das protecções à importação.
Por exemplo no México, depois do estreitamento comercial com os EUA, desapareceram 1,8 milhões de agricultores, já que o milho americano (cujos subsídios implicam que um agricultor Americano receba 30 vezes mais que um agricultor Mexicano) é exportado a 90 $ a tonelada quando o seu custo de produção é de 134 $ a tonelada! Os mexicanos foram assim duplamente penalizados: individualmente, receberam muito menos pelo seu produto e mesmo assim, o milho produzido deixou de ser “competitivo” no mercado. O México passou assim de produtor a importador, essencialmente por causa de mecanismos proteccionistas que de “mercado livre” ou “livre” têm muito pouco.....
A UE (União Europeia) faz exactamente o mesmo com os países Africanos. São assim postos em “livre concorrência” agricultores Europeus que recebem 54000 euros de ajudas directas e Agricultores Africanos que não recebem nada; qual é que é vantagem destes últimos na livre concorrência? até onde é que a hipocrisia dos países mais ricos pode chegar?
Esta liberalização das políticas agrícolas, nomeadamente a redução das limitações à importação é muito recente. Dada a especificidade dos mercados agrícolas e a sua muti-funcionalidade, afectando o ambiente, as paisagens, o emprego, o ordenamento do território, a qualidade dos produtos, a seguranças alimentar, o bem-estar animal, todos os países desde o tempo dos Faraós têm políticas específicas para regular a oferta agrícola. Porque é que então houve um abandono destas políticas, sujeitando os produtos agrícolas aos mercados mundiais, como se fossem mercadorias ordinárias?
(continua quando tiver mais tempo para traduzir, resumir e adaptar)
PP
7º FESTIVAL DE CINEMA GAY E LÉSBICO DE LISBOA
O Festival de Cinema vive este ano um ano de particular balanço, sendo a primeira vez que a CML não apoia financeiramente o Festival, apenas oferece a sala do Fórum Lisboa e a divulgação local, em mupis. A Opus Gay critica veementemente esta falta de apoio financeiro. Compreendemos que a CML queira ver diversificadas as fontes de apoio utilizadas pelo Festival mas consideramos que a retirada de apoio deveria ser progressiva, atempadamente conhecida, e nunca total. Um Festival desta natureza merecerá sempre de apoios, pela mais valia cultural e turística que traz para a cidade, e estes devem caber, pelo menos em 50%, à CML. Assim, é com certeza, com redobrado esforço que assistimos ao manter dos dias de exibição, 12 a 27 de Setembro (se bem que com um nº e horário de filmes mais reduzido e bastantes vídeos, assim como exibições no Pequeno Auditório do Fórum, que comporta apenas 35 pessoas), acrescidos ainda dos ciclos FNAC e das apresentações na Cinemateca.
Outros apoios institucionais faltam aparentemente ao Festival este ano, como os dos nstitutos de Línguas (Goethe, British Council, Franco-Portugais, Cervantes), que não realizam qualquer exibição nas suas salas. Nada é referido quanto aos apoios habituais do ICAM.
Com todas estas dificuldades, o Festival necessita este ano de público, não para justificar a sua existência (essa já a conquistou), mas para o tornar financeiramente viável. Este objectivo revela-se difícil uma vez que, de acordo com os números da organização, o Festival manteve-se dentro dos 10 mil espectadores nos primeiros 5 anos, tendo o último ano, o sexto, decrescido para cerca de 7500, o pior ano. No entanto, alguma re-centração
agora operada em torno de filmes mais especificamente lgbt poderá trazer mais espectadores. Os bilhetes são a 2 euros para sócios de associações lgbt, no Fórum.
Não existe também qualquer notícia sobre a candidatura a outras formas de financiamento, que não a CML, nomeadamente Fundações estrangeiras e nomeadamente ainda o Programa Media da União Europeia, para o qual vimos alertando há anos este Festival tem perfil de candidatura.
Celso Júnior, que se tem revelado um excelente Director Artístico deste Festival, nunca formou uma equipa que permitisse ter igualmente um excelente Director de Produção e Marketing. A falta de orientação de mercado do Festival leva também a que, no seu 7º ano, se mantenha um Festival principalmente antológico, quando teve hipóteses de ser um dos maiores festivais de cinema lgbt de actualidade, ou mesmo de competição, do mundo.
Para tal faltou-lhe agressividade comercial.
Celso Júnior continua a concentrar em si praticamente todas as funções coordenadoras do Festival, apesar de ter sido criada uma "Associação Cultural Festival de Cinema Gay e Lésbico de Lisboa", de que continua desconhecida a Direcção, e que se dedica exclusivamente a este evento. A criacção desta associação tirou este evento à Associação ILGA Portugal, com fins que continuam sem se vislumbrar. Celso Júnior soma este ano, ao papel de Director, Programador, Produtor, Coordenador da Comunicação e Relações Externas, Coordenador de Logística, Autor do Cartaz, o papel de co-realizador duma curta! A ver com expectativa...
O Director do Festival está há muito convidado para ir ao programa independente, lgbt, "Vidas Alternativas" na Voxx,falar sobre o evento. Esperamos uma intervenção na proxima quarta feira,pelas 21 horas .
RELATÓRIO DO PARLAMENTO EUROPEU SOBRE DIREITOS HUMANOS NA UE DEFENDE DE
NOVO DIREITOS LGBT
O relatório de 2002 do Parlamento Europeu sobre os Direitos Humanos na UE defendeu de novo muitos dos direitos lgbt, nomeadamente o direito a um idade igual de consentimento sexual, aspecto discriminatório ainda existente em Portugal. Mas o que constituiu novidade foi o apoio ao casamento e adopção por homossexuais, direitos que o Parlamento deseja ver reconhecidos por todos os Estados Membro.
Numa altura em que a Igreja Católica tenta dinamizar grupos de influência para que lutem contra as uniões de facto homossexuais não deixa de ser refrescante que os príncipios laicos de igualdade e não discriminação vençam naquelas que são as verdadeiras instituições políticas da União.
SOLIDARIEDADE COM O AUMENTO DOS DESEMPREGADOS EM PORTUGAL
A Opus Gay manifesta a sua solidariedade para com os desempregados portugueses, nomeadamente para com os cerca de 28 mil professores não colocados. O associativismo lgbt português deve muitíssimo à classe docente portuguesa e não queremos deixar de exprimir um voto de coragem, e de solidariedade.
Antonio Serzedelo
Anabela Rocha
O Festival de Cinema vive este ano um ano de particular balanço, sendo a primeira vez que a CML não apoia financeiramente o Festival, apenas oferece a sala do Fórum Lisboa e a divulgação local, em mupis. A Opus Gay critica veementemente esta falta de apoio financeiro. Compreendemos que a CML queira ver diversificadas as fontes de apoio utilizadas pelo Festival mas consideramos que a retirada de apoio deveria ser progressiva, atempadamente conhecida, e nunca total. Um Festival desta natureza merecerá sempre de apoios, pela mais valia cultural e turística que traz para a cidade, e estes devem caber, pelo menos em 50%, à CML. Assim, é com certeza, com redobrado esforço que assistimos ao manter dos dias de exibição, 12 a 27 de Setembro (se bem que com um nº e horário de filmes mais reduzido e bastantes vídeos, assim como exibições no Pequeno Auditório do Fórum, que comporta apenas 35 pessoas), acrescidos ainda dos ciclos FNAC e das apresentações na Cinemateca.
Outros apoios institucionais faltam aparentemente ao Festival este ano, como os dos nstitutos de Línguas (Goethe, British Council, Franco-Portugais, Cervantes), que não realizam qualquer exibição nas suas salas. Nada é referido quanto aos apoios habituais do ICAM.
Com todas estas dificuldades, o Festival necessita este ano de público, não para justificar a sua existência (essa já a conquistou), mas para o tornar financeiramente viável. Este objectivo revela-se difícil uma vez que, de acordo com os números da organização, o Festival manteve-se dentro dos 10 mil espectadores nos primeiros 5 anos, tendo o último ano, o sexto, decrescido para cerca de 7500, o pior ano. No entanto, alguma re-centração
agora operada em torno de filmes mais especificamente lgbt poderá trazer mais espectadores. Os bilhetes são a 2 euros para sócios de associações lgbt, no Fórum.
Não existe também qualquer notícia sobre a candidatura a outras formas de financiamento, que não a CML, nomeadamente Fundações estrangeiras e nomeadamente ainda o Programa Media da União Europeia, para o qual vimos alertando há anos este Festival tem perfil de candidatura.
Celso Júnior, que se tem revelado um excelente Director Artístico deste Festival, nunca formou uma equipa que permitisse ter igualmente um excelente Director de Produção e Marketing. A falta de orientação de mercado do Festival leva também a que, no seu 7º ano, se mantenha um Festival principalmente antológico, quando teve hipóteses de ser um dos maiores festivais de cinema lgbt de actualidade, ou mesmo de competição, do mundo.
Para tal faltou-lhe agressividade comercial.
Celso Júnior continua a concentrar em si praticamente todas as funções coordenadoras do Festival, apesar de ter sido criada uma "Associação Cultural Festival de Cinema Gay e Lésbico de Lisboa", de que continua desconhecida a Direcção, e que se dedica exclusivamente a este evento. A criacção desta associação tirou este evento à Associação ILGA Portugal, com fins que continuam sem se vislumbrar. Celso Júnior soma este ano, ao papel de Director, Programador, Produtor, Coordenador da Comunicação e Relações Externas, Coordenador de Logística, Autor do Cartaz, o papel de co-realizador duma curta! A ver com expectativa...
O Director do Festival está há muito convidado para ir ao programa independente, lgbt, "Vidas Alternativas" na Voxx,falar sobre o evento. Esperamos uma intervenção na proxima quarta feira,pelas 21 horas .
RELATÓRIO DO PARLAMENTO EUROPEU SOBRE DIREITOS HUMANOS NA UE DEFENDE DE
NOVO DIREITOS LGBT
O relatório de 2002 do Parlamento Europeu sobre os Direitos Humanos na UE defendeu de novo muitos dos direitos lgbt, nomeadamente o direito a um idade igual de consentimento sexual, aspecto discriminatório ainda existente em Portugal. Mas o que constituiu novidade foi o apoio ao casamento e adopção por homossexuais, direitos que o Parlamento deseja ver reconhecidos por todos os Estados Membro.
Numa altura em que a Igreja Católica tenta dinamizar grupos de influência para que lutem contra as uniões de facto homossexuais não deixa de ser refrescante que os príncipios laicos de igualdade e não discriminação vençam naquelas que são as verdadeiras instituições políticas da União.
SOLIDARIEDADE COM O AUMENTO DOS DESEMPREGADOS EM PORTUGAL
A Opus Gay manifesta a sua solidariedade para com os desempregados portugueses, nomeadamente para com os cerca de 28 mil professores não colocados. O associativismo lgbt português deve muitíssimo à classe docente portuguesa e não queremos deixar de exprimir um voto de coragem, e de solidariedade.
Antonio Serzedelo
Anabela Rocha
segunda-feira, setembro 08, 2003
A Amnistia condena o muro imposto por Israel
A amnistia Internacional condena o muro Israelita que instaura uma divisão forçada entre Judeus e Palestinianos, compromete um futuro estado Palestiniano e afecta directamente mais de 200 000 pessoas.
Israel diz que a barreira serve para evitar ataques terroristas; no entanto, os Palestinianos receiam que o muro agora em construção sirva para demarcar as fronteiras de um futuro estado Palestiniano; convém lembrar que Israel tem vindo paulatinamente a reduzir a área da possível Palestina, ao ponto de hoje em dia ter muito menos de metade da área da primeira proposta das Nações Unidas, tornando inviável a formação de um estado (sobram apenas duas "ilhas de terra" no meio de Israel).
O muro associado à multiplicação de controlos militares, checkpoints, barricadas, portões e outras restrições à circulação de pessoas e bens têm tido um impacto desastroso nas vidas dos Palestinianos, arrasando literalmente a incipiente estrutura económica e social da Palestina.
PP
A amnistia Internacional condena o muro Israelita que instaura uma divisão forçada entre Judeus e Palestinianos, compromete um futuro estado Palestiniano e afecta directamente mais de 200 000 pessoas.
Israel diz que a barreira serve para evitar ataques terroristas; no entanto, os Palestinianos receiam que o muro agora em construção sirva para demarcar as fronteiras de um futuro estado Palestiniano; convém lembrar que Israel tem vindo paulatinamente a reduzir a área da possível Palestina, ao ponto de hoje em dia ter muito menos de metade da área da primeira proposta das Nações Unidas, tornando inviável a formação de um estado (sobram apenas duas "ilhas de terra" no meio de Israel).
O muro associado à multiplicação de controlos militares, checkpoints, barricadas, portões e outras restrições à circulação de pessoas e bens têm tido um impacto desastroso nas vidas dos Palestinianos, arrasando literalmente a incipiente estrutura económica e social da Palestina.
PP
Microcrédito e Desenvolvimento Local
A ADM Estrela - Associação de Desenvolvimento e Melhoramentos em parceria com o Núcleo Empresarial da Região da Guarda -NERGA- vai realizar no dia 11 de Setembro um Seminário subordinado ao tema: Microcrédito.
Tendo em conta os fenómenos de exclusão a que algumas pessoas estão submetidas, constatamos que estes as impedem de participar activamente na sociedade, seja por estarem no desemprego, por questões de idade e/ou pelas baixas qualificações escolares. Apesar de hoje já existir um conjunto de medidas sociais e económicas que pretendem promover e revitalizar a inserção de todos, tais como o subsídio de desemprego, o rendimento social de inserção, entre outros, a verdade é que existem muitas pessoas com ideias e interesses que potenciam a melhoria da sua qualidade de vida, mas que não têm forma de as desenvolver.
Para aquelas pessoas que têm capacidades produtivas e a experiência do saber-fazer e que as gostariam de concretizar, mas não reúnem as condições de acesso ao crédito bancário comum, existe uma solução - o Micro-crédito.
Este Seminário realizar-se-á no Auditório do NERGA situado no Parque Industrial da Guarda e contará com a participação do Dr. Jorge Wemans (presidente da Associação Nacional de Direito ao Crédito), Eng. Carlos Gonçalves (director do Centro de Emprego e Formação Profissional da Guarda), em debate moderado pelo Dr. António Manuel Oliveira.
Mais informações:
Telefone: 271221579
Fax: 271215749
e-mail: adm.estrela@domdigital.pt
A ADM Estrela - Associação de Desenvolvimento e Melhoramentos em parceria com o Núcleo Empresarial da Região da Guarda -NERGA- vai realizar no dia 11 de Setembro um Seminário subordinado ao tema: Microcrédito.
Tendo em conta os fenómenos de exclusão a que algumas pessoas estão submetidas, constatamos que estes as impedem de participar activamente na sociedade, seja por estarem no desemprego, por questões de idade e/ou pelas baixas qualificações escolares. Apesar de hoje já existir um conjunto de medidas sociais e económicas que pretendem promover e revitalizar a inserção de todos, tais como o subsídio de desemprego, o rendimento social de inserção, entre outros, a verdade é que existem muitas pessoas com ideias e interesses que potenciam a melhoria da sua qualidade de vida, mas que não têm forma de as desenvolver.
Para aquelas pessoas que têm capacidades produtivas e a experiência do saber-fazer e que as gostariam de concretizar, mas não reúnem as condições de acesso ao crédito bancário comum, existe uma solução - o Micro-crédito.
Este Seminário realizar-se-á no Auditório do NERGA situado no Parque Industrial da Guarda e contará com a participação do Dr. Jorge Wemans (presidente da Associação Nacional de Direito ao Crédito), Eng. Carlos Gonçalves (director do Centro de Emprego e Formação Profissional da Guarda), em debate moderado pelo Dr. António Manuel Oliveira.
Mais informações:
Telefone: 271221579
Fax: 271215749
e-mail: adm.estrela@domdigital.pt
VANTAGEM AGRÍCOLA DO NORTE DEVE ACABAR
Para o Sul em desenvolvimento é vital que os subsidios agrícolas do Norte industrializado estejam no topo da agenda da Conferencia Ministerial da OMC em Cancún, disseram economistas e representantes dos governos reunidos na cidade oriental sulafricana de Durban.
Para o Sul em desenvolvimento é vital que os subsidios agrícolas do Norte industrializado estejam no topo da agenda da Conferencia Ministerial da OMC em Cancún, disseram economistas e representantes dos governos reunidos na cidade oriental sulafricana de Durban.
Contra a Guerra e a Ocupação
Car@s amig@s,
A ATTAC vem relembrar o convite feito a todas as organizações e activistas
da paz interessados, para estarem presentes numa reunião de discussão da
participação portuguesa na jornada mundial contra a guerra e a ocupação do
Iraque de 27 de Setembro.
A convocatória internacional foi feita a partir da Assembleia Preparatória
do Fórum Social Europeu.
A reunião será às 21 horas da próxima segunda feira, dia 8 de Setembro, na
Rua das Gaivotas nº6.
Um abraço,
Nuno Ramos de Almeida (ATTAC Portugal)
Car@s amig@s,
A ATTAC vem relembrar o convite feito a todas as organizações e activistas
da paz interessados, para estarem presentes numa reunião de discussão da
participação portuguesa na jornada mundial contra a guerra e a ocupação do
Iraque de 27 de Setembro.
A convocatória internacional foi feita a partir da Assembleia Preparatória
do Fórum Social Europeu.
A reunião será às 21 horas da próxima segunda feira, dia 8 de Setembro, na
Rua das Gaivotas nº6.
Um abraço,
Nuno Ramos de Almeida (ATTAC Portugal)
Declaração sobre a Quinta Conferência Ministerial da OMC em Cancoon (México), de 10 a 14 de Setembro de 2003
Rede Parlamentar Internacional
Nós, membros da Rede Parlamentar Internacional (RPI), criada no âmbito do Fórum Parlamentar Mundial de Porto Alegre (Brasil) , estamos muito comprometidos com a ideia de que outro paradigma económico e social é possível, para o comum benefício da maioria dos povos de todo o mundo.
Acreditamos que a ordem económica mundial actual, com as organizações da Bretton Woods a liderar os assuntos económicos e sociais por um lado, e a Organização Mundial de Comércio (OMC) (ver o Caderno Temático sobre a OMC) por outro, não permite alcançar esse nobre objectivo. Desde a criação da OMC em 1995, o abismo que separa os ricos dos pobres aprofundou-se dramaticamente. A “agenda de desenvolvimento” de Doha, acordada na quarta conferência ministerial em Novembro de 2001 na capital do Qatar, não merece em definitiva o nome que lhe deram.
Com a aproximação da Quinta conferência Ministerial a ocorrer em Cancoon (México), já nos próximos dias (entre 10 e 14 de Setembro de 2003), propomos um número mínimo de medidas que queremos ver incluídas na agenda da conferência. Comprometemo-nos ainda apoiar estas propostas nos debates parlamentares e nas resoluções que serão adoptadas antes da conferência e defendê-las durante o decorrer da mesma. São 10 as propostas a apresentar em Cancoon:
1. Garantir o controlo democrático.
O processo de negociação na OMC, que tem como consequência a adopção e implementação de acordos vinculantes, não pode ser apenas um assunto inter-governamental. As assembleias nacionais elegidas democraticamente devem ter um papel preponderante em todo o processo de negociação e na implementação dos acordos da OMC. A toma de posição relativa ao comércio deve ser discutida anteriormente no seio dos parlamentos e ser co-decidida pelas assembleias de todos os países membros da OMC.
2. Resolver em primeiro lugar todos os assuntos pendentes e só depois construir um consenso.
Ainda não chegou a hora de abordar novos tratados relativos a investimento, competição, mercados públicos ou regulamentação transfronteiriça (os chamados “novos temas” ou “temas de Singapura”). Não se pode aceitar o alargamento das competências da OMC sem antes se aprofundar e avançar em temas essenciais para o desenvolvimento sustentável. Há um grande número de questões pendentes desde a criação da OMC que ainda não foram suficientemente negociadas, decididas ou implementadas. A OMC não cumpriu nenhum dos prazos que se tinha proposto em matérias vitais como: (1) a implementação dos acordos passados; (2) o tratamento especial e diferenciado; (3) a propriedade intelectual e a saúde pública; (4) as modalidades na Agricultura, entre outras. O lançamento das negociações sobre os temas de Singapura alargaria as competências da OMC em benefício dos EUA e das suas empresas (assim como todos os países mais ricos), em detrimento dos países em vias de desenvolvimento.
3. Manter e fortalecer a cobertura dos serviços públicos.
As negociações sobre o comércio de serviços (AGCS –Acordo geral sobre comércio e serviços) põem em perigo o acesso aos serviços públicos. Nenhum pedido deveria ser imposto aos países, especialmente aos países em desenvolvimento, para que privatizem os seus serviços públicos, em particular o acesso à água, ao tratamento e distribuição da energia, à educação e à saúde. Alguns sectores de serviços, como a água e a saúde, têm uma importância chave nos países em desenvolvimento e menos desenvolvidos, já que afectam directamente (e dramaticamente) a vida diária das populações. Por isso é necessário um cuidado muito especial no tratamento destes temas.
4. O acesso aos medicamentos deve ser garantido, a saúde pública deve ser a prioridade.
Na conferência Ministerial de Doha, em Novembro de 2001, foi estabelecido um acordo relativo ao acesso aos medicamentos essenciais. Lançamos um apelo a todos os membros da OMC para que se baseiem neste acordo no que respeita ao tema primordial das licenças obrigatórias de importação (par. 6 da declaração sobre o acordo ADPIC e saúde pública). Neste contexto, recordamos que impor novas limitações como parte da solução do problema do par. 6 violaria o espírito da declaração e seria visto, com razão, pelos países em desenvolvimento, como prova de má fé. Cada país deve ter a possibilidade de produzir ou de importar medicamentos genéricos se necessitar deles para proteger a saúde pública dos sues habitantes.
5. Não às patentes sobre a vida.
Deve ser interdito patentear formas de vida para que seja possível preservar a biodiversidade, a segurança alimentar, e os direitos dos povos indígenas, constantemente assediados pelas grandes empresas multinacionais que querem apropriar-se dos seus recursos genéticos. Até agora, estas patentes estão ao abrigo do Acordo dos Direitos de Propriedade Intelectual relacionados com o Comércio (ADPIC).
No entanto, o seu artigo 27.3b permite uma revisão das disposições relativas às patentes de formas de vida. Apoiamos os países em vias de desenvolvimento no seu pedido de implementação do artigo 27.3b, e em particular a posição adoptada pelo grupo de países africanos, pedindo que seja de uma vez por todas esclarecido que as plantas, os animais e os microorganismos não podem ser patenteados; que um sistema “sui generis” de protecção de variedades de plantas pode incluir sistemas que protejam os direitos intelectuais dos povos indígenas e das comunidades agrícolas; que o AGCS deve ser orientado de forma a ser compatível com a Convenção sobre a Biodiversidade e o Tratado da FAO sobre os recursos genéticos vegetais.
6. Proteger a independência dos acordos multilaterais ambientais (AMA).
A OMC é o único organismo dotado de poder para sancionar as suas regras. No entanto, isto não quer dizer que as suas regras estejam acima de qualquer outra norma internacional. As preocupações ambientais, por exemplo, não deveriam depender da OMC. A protecção do Meio Ambiente não é uma medida de distorção do comércio pelo que deve ser perfilhada pela OMC; são medidas necessárias para garantir o futuro de todos nós e das gerações vindouras. É por isso que nos opomos a qualquer alteração ou reformulação dos AMA para que estes se compatibilizem com a OMC, como está subjacente nas propostas dos EUA e da UE, propostas que foram liminarmente recusadas pela maioria dos participantes na cimeira de Joanesburgo.
7. Destacar a perspectiva da multi-funcionalidade da agricultura no Mundo.
Consumidores e produtores do mundo inteiro estão interessados no desenvolvimento rural, na protecção do meio ambiente e no tratamento condigno dos animais. O direito dos povos a alimentarem-se, a segurança alimentar e o acesso à água são fundamentais para o nosso futuro comum.
8. Responder às necessidades dos países em vias de desenvolvimento – abolir os subsídios à exportação.
Os subsídios e outros mecanismos de apoio à exportação (proteccionismo) distorcem a cadeia da produção agrícola. Na maioria das vezes servem apenas para aumentar os lucros dos grandes agro exportadores, pondo em perigo a sobrevivência dos agricultores tanto no sul como no norte. Apenas o desenvolvimento sustentável, e um comércio mais justo podem garantir a existência da agricultura e da segurança alimentar no futuro. Pedimos por isso que os subsídios à exportação sejam suprimidos em todos os países, em particular nos mais industrializados.
9. Melhorar os direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras.
Apelamos aos membros da OMC para que respeitem as convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT) relativas aos direitos fundamentais do trabalho, em particular no que respeita a liberdade de associação entre trabalhadores e trabalhadoras. A regulamentação dos direitos sociais deve continuar a ser uma competência da OIT, e não pode ser usada com fins proteccionistas, nem como mecanismo de barreira comercial. Pedimos à OMC que respeite as decisões da OIT e que outorgue a este organismo o cargo de observador da OMC.
10. Aplicar sistematicamente os princípios da precaução e da sustentabilidade.
Não se pode aplicar as mesmas regras a partes desiguais. O comércio é um meio, não um fim em si mesmo. Com o objectivo de evitar efeitos negativos de futuros acordos, devem ser levados a cabo estudos de impacto relativos ao efeito das medidas adoptadas sobre a sustentabilidade (em todas as suas vertentes, social, económica e ambiental) antes de encetar as negociações.
Cada país deve conservar toda a liberdade de determinar o risco que pode existir no que toca à saúde e bem-estar dos seus cidadãos e do meio ambiente e de adoptar as medidas de precaução adequadas.
Traduzido por PP
Rede Parlamentar Internacional
Nós, membros da Rede Parlamentar Internacional (RPI), criada no âmbito do Fórum Parlamentar Mundial de Porto Alegre (Brasil) , estamos muito comprometidos com a ideia de que outro paradigma económico e social é possível, para o comum benefício da maioria dos povos de todo o mundo.
Acreditamos que a ordem económica mundial actual, com as organizações da Bretton Woods a liderar os assuntos económicos e sociais por um lado, e a Organização Mundial de Comércio (OMC) (ver o Caderno Temático sobre a OMC) por outro, não permite alcançar esse nobre objectivo. Desde a criação da OMC em 1995, o abismo que separa os ricos dos pobres aprofundou-se dramaticamente. A “agenda de desenvolvimento” de Doha, acordada na quarta conferência ministerial em Novembro de 2001 na capital do Qatar, não merece em definitiva o nome que lhe deram.
Com a aproximação da Quinta conferência Ministerial a ocorrer em Cancoon (México), já nos próximos dias (entre 10 e 14 de Setembro de 2003), propomos um número mínimo de medidas que queremos ver incluídas na agenda da conferência. Comprometemo-nos ainda apoiar estas propostas nos debates parlamentares e nas resoluções que serão adoptadas antes da conferência e defendê-las durante o decorrer da mesma. São 10 as propostas a apresentar em Cancoon:
1. Garantir o controlo democrático.
O processo de negociação na OMC, que tem como consequência a adopção e implementação de acordos vinculantes, não pode ser apenas um assunto inter-governamental. As assembleias nacionais elegidas democraticamente devem ter um papel preponderante em todo o processo de negociação e na implementação dos acordos da OMC. A toma de posição relativa ao comércio deve ser discutida anteriormente no seio dos parlamentos e ser co-decidida pelas assembleias de todos os países membros da OMC.
2. Resolver em primeiro lugar todos os assuntos pendentes e só depois construir um consenso.
Ainda não chegou a hora de abordar novos tratados relativos a investimento, competição, mercados públicos ou regulamentação transfronteiriça (os chamados “novos temas” ou “temas de Singapura”). Não se pode aceitar o alargamento das competências da OMC sem antes se aprofundar e avançar em temas essenciais para o desenvolvimento sustentável. Há um grande número de questões pendentes desde a criação da OMC que ainda não foram suficientemente negociadas, decididas ou implementadas. A OMC não cumpriu nenhum dos prazos que se tinha proposto em matérias vitais como: (1) a implementação dos acordos passados; (2) o tratamento especial e diferenciado; (3) a propriedade intelectual e a saúde pública; (4) as modalidades na Agricultura, entre outras. O lançamento das negociações sobre os temas de Singapura alargaria as competências da OMC em benefício dos EUA e das suas empresas (assim como todos os países mais ricos), em detrimento dos países em vias de desenvolvimento.
3. Manter e fortalecer a cobertura dos serviços públicos.
As negociações sobre o comércio de serviços (AGCS –Acordo geral sobre comércio e serviços) põem em perigo o acesso aos serviços públicos. Nenhum pedido deveria ser imposto aos países, especialmente aos países em desenvolvimento, para que privatizem os seus serviços públicos, em particular o acesso à água, ao tratamento e distribuição da energia, à educação e à saúde. Alguns sectores de serviços, como a água e a saúde, têm uma importância chave nos países em desenvolvimento e menos desenvolvidos, já que afectam directamente (e dramaticamente) a vida diária das populações. Por isso é necessário um cuidado muito especial no tratamento destes temas.
4. O acesso aos medicamentos deve ser garantido, a saúde pública deve ser a prioridade.
Na conferência Ministerial de Doha, em Novembro de 2001, foi estabelecido um acordo relativo ao acesso aos medicamentos essenciais. Lançamos um apelo a todos os membros da OMC para que se baseiem neste acordo no que respeita ao tema primordial das licenças obrigatórias de importação (par. 6 da declaração sobre o acordo ADPIC e saúde pública). Neste contexto, recordamos que impor novas limitações como parte da solução do problema do par. 6 violaria o espírito da declaração e seria visto, com razão, pelos países em desenvolvimento, como prova de má fé. Cada país deve ter a possibilidade de produzir ou de importar medicamentos genéricos se necessitar deles para proteger a saúde pública dos sues habitantes.
5. Não às patentes sobre a vida.
Deve ser interdito patentear formas de vida para que seja possível preservar a biodiversidade, a segurança alimentar, e os direitos dos povos indígenas, constantemente assediados pelas grandes empresas multinacionais que querem apropriar-se dos seus recursos genéticos. Até agora, estas patentes estão ao abrigo do Acordo dos Direitos de Propriedade Intelectual relacionados com o Comércio (ADPIC).
No entanto, o seu artigo 27.3b permite uma revisão das disposições relativas às patentes de formas de vida. Apoiamos os países em vias de desenvolvimento no seu pedido de implementação do artigo 27.3b, e em particular a posição adoptada pelo grupo de países africanos, pedindo que seja de uma vez por todas esclarecido que as plantas, os animais e os microorganismos não podem ser patenteados; que um sistema “sui generis” de protecção de variedades de plantas pode incluir sistemas que protejam os direitos intelectuais dos povos indígenas e das comunidades agrícolas; que o AGCS deve ser orientado de forma a ser compatível com a Convenção sobre a Biodiversidade e o Tratado da FAO sobre os recursos genéticos vegetais.
6. Proteger a independência dos acordos multilaterais ambientais (AMA).
A OMC é o único organismo dotado de poder para sancionar as suas regras. No entanto, isto não quer dizer que as suas regras estejam acima de qualquer outra norma internacional. As preocupações ambientais, por exemplo, não deveriam depender da OMC. A protecção do Meio Ambiente não é uma medida de distorção do comércio pelo que deve ser perfilhada pela OMC; são medidas necessárias para garantir o futuro de todos nós e das gerações vindouras. É por isso que nos opomos a qualquer alteração ou reformulação dos AMA para que estes se compatibilizem com a OMC, como está subjacente nas propostas dos EUA e da UE, propostas que foram liminarmente recusadas pela maioria dos participantes na cimeira de Joanesburgo.
7. Destacar a perspectiva da multi-funcionalidade da agricultura no Mundo.
Consumidores e produtores do mundo inteiro estão interessados no desenvolvimento rural, na protecção do meio ambiente e no tratamento condigno dos animais. O direito dos povos a alimentarem-se, a segurança alimentar e o acesso à água são fundamentais para o nosso futuro comum.
8. Responder às necessidades dos países em vias de desenvolvimento – abolir os subsídios à exportação.
Os subsídios e outros mecanismos de apoio à exportação (proteccionismo) distorcem a cadeia da produção agrícola. Na maioria das vezes servem apenas para aumentar os lucros dos grandes agro exportadores, pondo em perigo a sobrevivência dos agricultores tanto no sul como no norte. Apenas o desenvolvimento sustentável, e um comércio mais justo podem garantir a existência da agricultura e da segurança alimentar no futuro. Pedimos por isso que os subsídios à exportação sejam suprimidos em todos os países, em particular nos mais industrializados.
9. Melhorar os direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras.
Apelamos aos membros da OMC para que respeitem as convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT) relativas aos direitos fundamentais do trabalho, em particular no que respeita a liberdade de associação entre trabalhadores e trabalhadoras. A regulamentação dos direitos sociais deve continuar a ser uma competência da OIT, e não pode ser usada com fins proteccionistas, nem como mecanismo de barreira comercial. Pedimos à OMC que respeite as decisões da OIT e que outorgue a este organismo o cargo de observador da OMC.
10. Aplicar sistematicamente os princípios da precaução e da sustentabilidade.
Não se pode aplicar as mesmas regras a partes desiguais. O comércio é um meio, não um fim em si mesmo. Com o objectivo de evitar efeitos negativos de futuros acordos, devem ser levados a cabo estudos de impacto relativos ao efeito das medidas adoptadas sobre a sustentabilidade (em todas as suas vertentes, social, económica e ambiental) antes de encetar as negociações.
Cada país deve conservar toda a liberdade de determinar o risco que pode existir no que toca à saúde e bem-estar dos seus cidadãos e do meio ambiente e de adoptar as medidas de precaução adequadas.
Traduzido por PP
sexta-feira, setembro 05, 2003
Nota botânica X - Tomilho
Planta da família das labiadas, com o centro de dispersão na Península Ibérica, onde há dezenas de espécies. Em Portugal, são numerosas as espécies exclusivas do litoral do país, como o Thymus camphoratus ou o Thymus sylvestris.
Thymus vulgaris
No entanto, o tomilho empregue na cozinha e como planta medicinal é o Thymus vulgaris. Encontra-se em abundância no Norte e Este da Península Ibérica assim como no Sul de França (mais longe talvez haja, mas eu desconheço). É impressionante a quantidade de coisas para que serve:
a) Bom para a digestão (favorece a boa digestão dos alimentos).
b) Evita os espasmos gástricos e intestinais.
c) Evita a formação de gases e retenções putrefactas no intestino....*em caso de emergência, beber tres chávenas de infusão de flores do tomilho por dia.
d) Estimulante do apetite (bom para casos de anorexia) *juntar folhas e flores a qualquer prato cozinhado.
e) Anti-séptico e expectorante: bom para casos de dor de garganta ou anginas. *gorgolejar ou beber uma infusão de tomilho; preparar um xarope com tomilho, camomila e açúcar.
f) Alivia as dores de menstruação e diminui os efeitos colaterais como as dores de cabeça, de estômago, a retenção de líquidos e a irritabilidade. *beber infusão de tomilho na semana anterior à menstruação.
g) Eficaz para combater os problemas orais, como as inflamações, aftas e mau hálito.
h) Cicatrizante e anti-séptica.
i) Relaxante e sonífero suave: em situações de fadiga extrema pode-se juntar ao banho de emersão uma infusão de tomilho. A infusão pode ajudar a adormecer.
j) Erva aromática: na cozinha pode ser utilizada para temperar muitos pratos, com um toque muito próprio que realça as propriedades medicinais da refeição. Também é utilizado para aromatizar queijos e é mesmo comido directamente (apenas os rebentos mais tenrinhos).
h) Favorece a circulação sanguínea.
i) Reduz o teor de colesterol e evita o sintoma de indigestão.
j) Bom repelente de mosquitos devido à alta concentração de álcoois e de óleos essenciais (por isso tb utilizado na industria como desinfectante e fungicida). *basta pôr uns raminhos de tomilho nas janelas e nas Portas.
k) Utilização de alguns óleos na fabricação de perfumes.
Como é óbvio, o bom alter-globalizante nunca deve andar por aí sem trazer um raminho de tomilho consigo. Mesmo no dia a dia poderá ser muito útil; em caso de passarmos todos à clandestinidade, ter tomilho plantado por toda a rede alternativa será indispensável para que outro mundo seja possível.....
PP
Thymus vulgaris
No entanto, o tomilho empregue na cozinha e como planta medicinal é o Thymus vulgaris. Encontra-se em abundância no Norte e Este da Península Ibérica assim como no Sul de França (mais longe talvez haja, mas eu desconheço). É impressionante a quantidade de coisas para que serve:
a) Bom para a digestão (favorece a boa digestão dos alimentos).
b) Evita os espasmos gástricos e intestinais.
c) Evita a formação de gases e retenções putrefactas no intestino....*em caso de emergência, beber tres chávenas de infusão de flores do tomilho por dia.
d) Estimulante do apetite (bom para casos de anorexia) *juntar folhas e flores a qualquer prato cozinhado.
e) Anti-séptico e expectorante: bom para casos de dor de garganta ou anginas. *gorgolejar ou beber uma infusão de tomilho; preparar um xarope com tomilho, camomila e açúcar.
f) Alivia as dores de menstruação e diminui os efeitos colaterais como as dores de cabeça, de estômago, a retenção de líquidos e a irritabilidade. *beber infusão de tomilho na semana anterior à menstruação.
g) Eficaz para combater os problemas orais, como as inflamações, aftas e mau hálito.
h) Cicatrizante e anti-séptica.
i) Relaxante e sonífero suave: em situações de fadiga extrema pode-se juntar ao banho de emersão uma infusão de tomilho. A infusão pode ajudar a adormecer.
j) Erva aromática: na cozinha pode ser utilizada para temperar muitos pratos, com um toque muito próprio que realça as propriedades medicinais da refeição. Também é utilizado para aromatizar queijos e é mesmo comido directamente (apenas os rebentos mais tenrinhos).
h) Favorece a circulação sanguínea.
i) Reduz o teor de colesterol e evita o sintoma de indigestão.
j) Bom repelente de mosquitos devido à alta concentração de álcoois e de óleos essenciais (por isso tb utilizado na industria como desinfectante e fungicida). *basta pôr uns raminhos de tomilho nas janelas e nas Portas.
k) Utilização de alguns óleos na fabricação de perfumes.
Como é óbvio, o bom alter-globalizante nunca deve andar por aí sem trazer um raminho de tomilho consigo. Mesmo no dia a dia poderá ser muito útil; em caso de passarmos todos à clandestinidade, ter tomilho plantado por toda a rede alternativa será indispensável para que outro mundo seja possível.....
PP
ENCORE DO FESTIVAL ANDANÇAS
BAILE COM DANÇAS TRADICIONAIS
5 de Setembro (6ª feira) – 22h00
A Associação Pé de Xumbo em parceria com a Mó de Vida Coop. retomam a realização dos bailes do Projecto Pé na Índia.
Na sequência da apresentação no Andanças, neste primeiro baile de Setembro teremos a participação do grupo DOBRANOTCH da Rússia.
Não falte!
MÓ DE VIDA Coop.
Calçadinha da Horta, 19
2800-564 Pragal, Almada
Telef. 212720641
modevida@sapo.pt
http://planeta.clix.pt/modevida
BAILE COM DANÇAS TRADICIONAIS
5 de Setembro (6ª feira) – 22h00
A Associação Pé de Xumbo em parceria com a Mó de Vida Coop. retomam a realização dos bailes do Projecto Pé na Índia.
Na sequência da apresentação no Andanças, neste primeiro baile de Setembro teremos a participação do grupo DOBRANOTCH da Rússia.
Não falte!
MÓ DE VIDA Coop.
Calçadinha da Horta, 19
2800-564 Pragal, Almada
Telef. 212720641
modevida@sapo.pt
http://planeta.clix.pt/modevida
César das Neves processado-Força à Sociedade civil
SR. JORNALISTA: ESTE COMUNICADO DE IMPRENSA REFLECTE ESPECIALMENTE SOBRE A QUALIDADE DA COMUNICAÇÃO SOCIAL PORTUGUESA, OS SEUS ÓRGÃOS REGULADORES, AS PRESSÕES A QUE ESTÃO SUJEITOS, E A POSSIBILIDADE DE NELA SE FAZER OUVIR A SOCIEDADE CIVIL. TEMOS A CERTEZA QUE É UM PROFISSIONAL RESPONSÁVEL E QUE ESTAS QUESTÕES O PREOCUPAM. BOA LEITURA.
A Opus Gay apresentou queixa crime contra João César das Neves por difamação com publicidade (arts. 180º., nº. 1, e 183º., nº. 2 do Código Penal) pela persistente e reiterada associação do crime de pedofilia à homossexualidade, em quatro artigos de opinião no Diário de Notícias e ainda num livro recente.
Foram várias as razões que nos levaram a optar por este procedimento, QUE NÃO ERA A NOSSA INTENÇÃO INICIAL. Essas razões prendem-se com a grave
constatação de que não existem, em Portugal, garantias de que a sociedade civil, nomeadamente as associações legalmente constituídas e representantes
de diferentes grupos e interesses, NÃO EXISTEM GARANTIAS, dizíamos, DE QUE A SOCIEDADE CIVIL POSSA ALGUM DIA TER VOZ, PRÓPRIA E AUTÓNOMA, NA COMUNICAÇÃO SOCIAL PORTUGUESA.
A Opus Gay LAMENTA ASSIM QUE O DIÁLOGO NÃO POSSA OCORRER AO NÍVEL ÉTICO E POLÍTICO nos espaços públicos privilegiados da democracia, que gostaríamos que fossem os órgãos da comunicação social portuguesa. A própria AACS, que apenas nos concedeu um direito de resposta em mais de vinte pedidos, mudou a sua interpretação favorável ao direito de resposta das associações logo na primeira vez em que "incomodou" a Direcção de um dos jornais de referência portugueses (ver abaixo), mostrando assim que não tem imparcialidade nem força legal e política.
Ao contrário do que muitos querem fazer crer, na tentativa de desacreditar a seriedade das nossas intenções e direitos, não nos move qualquer súbita
fúria judicialista. A esta estratégia FOMOS OBRIGADOS pelos seguintes motivos, cronologicamente apresentados:
1) quando é publicado o primeiro artigo ofensivo, no DN, a Opus Gay solicita oficiosamente direito de resposta e a Direcção deste jornal responde que apenas a aceitaria em nome individual de um dos dirigentes, mas em qualquer referência ao seu activismo associativo - PRIMEIRA VEZ EM QUE NOS É CORTADA A VOZ ASSOCIATIVA.
2) a Opus Gay solicita então o direito de resposta oficialmente.
3) o DN recusa a publicação afirmando que não há referências à nossa associação (recusando ver que há aos nossos associados), que essas referências eram meramente incidentais (tão incidentais que se prolongaram por quatro artigos) e que a nossa resposta seria desprimorosa (calculamos que apenas por exigir um pedido de desculpas) - SEGUNDA VEZ EM QUE NOS É CORTADA A VOZ ASSOCIATIVA.
4) A Opus Gay solicita à Alta Autoridade para a Comunicação Social a coacção da publicação da resposta.
5) a AACS, apesar de deliberar que a comunicação social não deve contribuir para "actos persecutórios e manifestações de intolerância contrárias à essência do viver democrático", nomeadamente "julgamentos públicos, incitamentos, actos persecutórios e a outras manifestações de intolerância relativamente a opções sexuais livremente assumidas, como a homossexualidade", apesar de assim deliberar, dizíamos, a AACS considera as afirmações ofensivas e difamatórias de César das Neves meras opiniões (como se não atentassem contra bens jurídicos como o bom nome e a honra dos homossexuais) - PRIMEIRA VEZ EM QUE NOS É RETIRADO O DIREITO À OFENSA.
6) a AACS, em deliberações posteriores insiste na versão de que as ofensas praticadas contra os homossexuais na comunicação social são meras opiniões eventualmente incorrectas, considerando assim que a Opus Gay não terá nunca por elas direito de resposta (em casos de ofensa), mas somente direito de rectificação (em casos de falsidade nos factos) - SEGUNDA VEZ EM QUE NOS É RETIRADO O DIREITO À OFENSA.
7) a AACS, delibera em 26 de Março de 2003, contra o Jornal Público e coagindo-o a publicar uma resposta nossa que: "Vital Moreira, no seu livro "Direito de Resposta", pag.s 91 e 94 que "(...) a titularidade do direito de resposta por banda das pessoas colectivas é expressamente firmada pela Constituição", relevando que entre essas pessoas colectivas "estão seguramente as associações de toda a espécie, (...)."e que para "(...) haver
direito de resposta não se torna necessário que a pessoa visada seja expressamente nomeada. Basta que ela esteja implicitamente ou indirectamente mencionada (...)." - PRIMEIRA VEZ EM QUE NOS É RECONHECIDA VOZ. POR SER A PRIMEIRA SERÁ A ÚLTIMA.
8) o Público publica a nossa resposta e, no mesmo dia, a mesma jornalista, insiste na falsidade que tinha originado a resposta. A Opus Gay apresenta queixa na AACS por desobediência qualificada, contra a jornalista e a Direcção do Público. A Opus Gay recebe um email do Director do Público afirmando: " (...) não lhe reconheço qualquer autoridade para falar em nome de comunidade homossexual, ou se arrogar em seu representante exclusivo. Só quando o senhor ou a sua associação forem explicitamente referidos têm esse direito de resposta. Portanto, esqueça: nunca mais lhe darei um só minuto de atenção. Ponto final." Este email e as características técnicas que provam a sua existência e envio foram enviados, com preocupação, para a AACS. Na AACS, extraviaram-se... TERCEIRA VEZ EM QUE NOS É CORTADA A VOZ ASSOCIATIVA.
9) a AACS muda de opinião quanto ao direito de resposta e adopta a interpretação restritiva do Director do Público, em várias deliberações: a Opus Gay não tem direito de rectificação - sequer - quando não é mencionada directamente mas apenas são mencionados os homossexuais em geral - QUARTA VEZ EM QUE NOS É CORTADA A VOZ ASSOCIATIVA E EM QUE NOS APERCEBEMOS DE QUE A COMUNICAÇÃO SOCIAL PORTUGUESA, PELA PARTE DA AACS, PODE DIZER O QUE QUISER DOS HOMOSSEXUAIS EM GERAL, QUE NUNCA TERÁ SEQUER DE CEDER ESPAÇO DE RESPOSTA. VITÓRIA DA TESE DE JOSÉ MANUEL FERNANDES.
10) em reunião posterior e final a AACS confirma que manterá os entendimentos manifestados em 6) e 9). A AACS não responde sobre quem tem direito de resposta ou rectificação em caso duma referência geral aos homossexuais, apesar de sobre isso questionada. A AACS recomenda uma estratégia judicial - CONFIRMAÇÃO DE QUE NÃO EXISTE ÓRGÃO REGULADOR DA COMUNICAÇÃO SOCIAL QUE GARANTA A EXPRESSÃO DOS REPRESENTANTES DA SOCIEDADE CIVIL NA COMUNICAÇÃO SOCIAL PORTUGUESA.
11) a AACS encerra unilateralmente e numa só carta todas as restantes queixas apresentadas pela Opus Gay, que eram mais de duas dezenas, incluindo aspectos tão dispares quanto os já mencionados, e ainda deficiências na publicação de respostas com e sem coacção, desobediência às deliberações da AACS, etc - CONFIRMAÇÃO DE QUE NÃO EXISTE EM PORTUGAL ÓRGÃO REGULADOR COM EFICÁCIA E VONTADE POLÍTICA PARA CUMPRIR O QUE A LEI OBRIGA.
12) Perante este quadro a Opus Gay preferiria, ainda assim, FAZER USO DA MEDIAÇÃO E NÃO DO PROCEDIMENTO JUDICIAL, para dialogar com o difamador. No entanto, esta postura não nos parecia minimamente viável neste caso visto César das Neves ter reiterado e aprofundado as suas difamações e ofensas, mesmo após dezenas de vozes contra elas se terem publicamente levantado, nomeadamente Pires de Lima (filho), Isabel Stilwell, Miguel Vale de Almeida Eduardo prado Coelho e Paulo Pamplona Corte-Real.
A Opus Gay deseja salientar que o Diário de Notícias tem feito um esforço posterior (todas as situações relatadas anterirormente decorreram entre Março e Junho) para fazer ouvir as vozes associativas e publicou entretanto uma carta nossa assinada pela associação.
A Opus Gay deseja salientar as excelentes relações que mantém com os jornalistas do jornal Público e que têm permitido que este jornal continue a noticiar as nossas actividades. Desconhecemos se estas notícias têm ou não merecido "um minuto de atenção" de José Manuel Fernandes.
A Opus Gay deseja ainda salientar que reconhece a falta de meios humanos, principalmente com competência técnico-jurídica, da actual AACS. No entanto, nada justifica a incorrecção dos princípios e valores assumidos e a inexplicável mudança de interpretação da lei.
A Direcção da Opus Gay
Presidente: António Serzedelo 962400017
Vice-Presidente: Anabela Rocha 936747204
SR. JORNALISTA: ESTE COMUNICADO DE IMPRENSA REFLECTE ESPECIALMENTE SOBRE A QUALIDADE DA COMUNICAÇÃO SOCIAL PORTUGUESA, OS SEUS ÓRGÃOS REGULADORES, AS PRESSÕES A QUE ESTÃO SUJEITOS, E A POSSIBILIDADE DE NELA SE FAZER OUVIR A SOCIEDADE CIVIL. TEMOS A CERTEZA QUE É UM PROFISSIONAL RESPONSÁVEL E QUE ESTAS QUESTÕES O PREOCUPAM. BOA LEITURA.
A Opus Gay apresentou queixa crime contra João César das Neves por difamação com publicidade (arts. 180º., nº. 1, e 183º., nº. 2 do Código Penal) pela persistente e reiterada associação do crime de pedofilia à homossexualidade, em quatro artigos de opinião no Diário de Notícias e ainda num livro recente.
Foram várias as razões que nos levaram a optar por este procedimento, QUE NÃO ERA A NOSSA INTENÇÃO INICIAL. Essas razões prendem-se com a grave
constatação de que não existem, em Portugal, garantias de que a sociedade civil, nomeadamente as associações legalmente constituídas e representantes
de diferentes grupos e interesses, NÃO EXISTEM GARANTIAS, dizíamos, DE QUE A SOCIEDADE CIVIL POSSA ALGUM DIA TER VOZ, PRÓPRIA E AUTÓNOMA, NA COMUNICAÇÃO SOCIAL PORTUGUESA.
A Opus Gay LAMENTA ASSIM QUE O DIÁLOGO NÃO POSSA OCORRER AO NÍVEL ÉTICO E POLÍTICO nos espaços públicos privilegiados da democracia, que gostaríamos que fossem os órgãos da comunicação social portuguesa. A própria AACS, que apenas nos concedeu um direito de resposta em mais de vinte pedidos, mudou a sua interpretação favorável ao direito de resposta das associações logo na primeira vez em que "incomodou" a Direcção de um dos jornais de referência portugueses (ver abaixo), mostrando assim que não tem imparcialidade nem força legal e política.
Ao contrário do que muitos querem fazer crer, na tentativa de desacreditar a seriedade das nossas intenções e direitos, não nos move qualquer súbita
fúria judicialista. A esta estratégia FOMOS OBRIGADOS pelos seguintes motivos, cronologicamente apresentados:
1) quando é publicado o primeiro artigo ofensivo, no DN, a Opus Gay solicita oficiosamente direito de resposta e a Direcção deste jornal responde que apenas a aceitaria em nome individual de um dos dirigentes, mas em qualquer referência ao seu activismo associativo - PRIMEIRA VEZ EM QUE NOS É CORTADA A VOZ ASSOCIATIVA.
2) a Opus Gay solicita então o direito de resposta oficialmente.
3) o DN recusa a publicação afirmando que não há referências à nossa associação (recusando ver que há aos nossos associados), que essas referências eram meramente incidentais (tão incidentais que se prolongaram por quatro artigos) e que a nossa resposta seria desprimorosa (calculamos que apenas por exigir um pedido de desculpas) - SEGUNDA VEZ EM QUE NOS É CORTADA A VOZ ASSOCIATIVA.
4) A Opus Gay solicita à Alta Autoridade para a Comunicação Social a coacção da publicação da resposta.
5) a AACS, apesar de deliberar que a comunicação social não deve contribuir para "actos persecutórios e manifestações de intolerância contrárias à essência do viver democrático", nomeadamente "julgamentos públicos, incitamentos, actos persecutórios e a outras manifestações de intolerância relativamente a opções sexuais livremente assumidas, como a homossexualidade", apesar de assim deliberar, dizíamos, a AACS considera as afirmações ofensivas e difamatórias de César das Neves meras opiniões (como se não atentassem contra bens jurídicos como o bom nome e a honra dos homossexuais) - PRIMEIRA VEZ EM QUE NOS É RETIRADO O DIREITO À OFENSA.
6) a AACS, em deliberações posteriores insiste na versão de que as ofensas praticadas contra os homossexuais na comunicação social são meras opiniões eventualmente incorrectas, considerando assim que a Opus Gay não terá nunca por elas direito de resposta (em casos de ofensa), mas somente direito de rectificação (em casos de falsidade nos factos) - SEGUNDA VEZ EM QUE NOS É RETIRADO O DIREITO À OFENSA.
7) a AACS, delibera em 26 de Março de 2003, contra o Jornal Público e coagindo-o a publicar uma resposta nossa que: "Vital Moreira, no seu livro "Direito de Resposta", pag.s 91 e 94 que "(...) a titularidade do direito de resposta por banda das pessoas colectivas é expressamente firmada pela Constituição", relevando que entre essas pessoas colectivas "estão seguramente as associações de toda a espécie, (...)."e que para "(...) haver
direito de resposta não se torna necessário que a pessoa visada seja expressamente nomeada. Basta que ela esteja implicitamente ou indirectamente mencionada (...)." - PRIMEIRA VEZ EM QUE NOS É RECONHECIDA VOZ. POR SER A PRIMEIRA SERÁ A ÚLTIMA.
8) o Público publica a nossa resposta e, no mesmo dia, a mesma jornalista, insiste na falsidade que tinha originado a resposta. A Opus Gay apresenta queixa na AACS por desobediência qualificada, contra a jornalista e a Direcção do Público. A Opus Gay recebe um email do Director do Público afirmando: " (...) não lhe reconheço qualquer autoridade para falar em nome de comunidade homossexual, ou se arrogar em seu representante exclusivo. Só quando o senhor ou a sua associação forem explicitamente referidos têm esse direito de resposta. Portanto, esqueça: nunca mais lhe darei um só minuto de atenção. Ponto final." Este email e as características técnicas que provam a sua existência e envio foram enviados, com preocupação, para a AACS. Na AACS, extraviaram-se... TERCEIRA VEZ EM QUE NOS É CORTADA A VOZ ASSOCIATIVA.
9) a AACS muda de opinião quanto ao direito de resposta e adopta a interpretação restritiva do Director do Público, em várias deliberações: a Opus Gay não tem direito de rectificação - sequer - quando não é mencionada directamente mas apenas são mencionados os homossexuais em geral - QUARTA VEZ EM QUE NOS É CORTADA A VOZ ASSOCIATIVA E EM QUE NOS APERCEBEMOS DE QUE A COMUNICAÇÃO SOCIAL PORTUGUESA, PELA PARTE DA AACS, PODE DIZER O QUE QUISER DOS HOMOSSEXUAIS EM GERAL, QUE NUNCA TERÁ SEQUER DE CEDER ESPAÇO DE RESPOSTA. VITÓRIA DA TESE DE JOSÉ MANUEL FERNANDES.
10) em reunião posterior e final a AACS confirma que manterá os entendimentos manifestados em 6) e 9). A AACS não responde sobre quem tem direito de resposta ou rectificação em caso duma referência geral aos homossexuais, apesar de sobre isso questionada. A AACS recomenda uma estratégia judicial - CONFIRMAÇÃO DE QUE NÃO EXISTE ÓRGÃO REGULADOR DA COMUNICAÇÃO SOCIAL QUE GARANTA A EXPRESSÃO DOS REPRESENTANTES DA SOCIEDADE CIVIL NA COMUNICAÇÃO SOCIAL PORTUGUESA.
11) a AACS encerra unilateralmente e numa só carta todas as restantes queixas apresentadas pela Opus Gay, que eram mais de duas dezenas, incluindo aspectos tão dispares quanto os já mencionados, e ainda deficiências na publicação de respostas com e sem coacção, desobediência às deliberações da AACS, etc - CONFIRMAÇÃO DE QUE NÃO EXISTE EM PORTUGAL ÓRGÃO REGULADOR COM EFICÁCIA E VONTADE POLÍTICA PARA CUMPRIR O QUE A LEI OBRIGA.
12) Perante este quadro a Opus Gay preferiria, ainda assim, FAZER USO DA MEDIAÇÃO E NÃO DO PROCEDIMENTO JUDICIAL, para dialogar com o difamador. No entanto, esta postura não nos parecia minimamente viável neste caso visto César das Neves ter reiterado e aprofundado as suas difamações e ofensas, mesmo após dezenas de vozes contra elas se terem publicamente levantado, nomeadamente Pires de Lima (filho), Isabel Stilwell, Miguel Vale de Almeida Eduardo prado Coelho e Paulo Pamplona Corte-Real.
A Opus Gay deseja salientar que o Diário de Notícias tem feito um esforço posterior (todas as situações relatadas anterirormente decorreram entre Março e Junho) para fazer ouvir as vozes associativas e publicou entretanto uma carta nossa assinada pela associação.
A Opus Gay deseja salientar as excelentes relações que mantém com os jornalistas do jornal Público e que têm permitido que este jornal continue a noticiar as nossas actividades. Desconhecemos se estas notícias têm ou não merecido "um minuto de atenção" de José Manuel Fernandes.
A Opus Gay deseja ainda salientar que reconhece a falta de meios humanos, principalmente com competência técnico-jurídica, da actual AACS. No entanto, nada justifica a incorrecção dos princípios e valores assumidos e a inexplicável mudança de interpretação da lei.
A Direcção da Opus Gay
Presidente: António Serzedelo 962400017
Vice-Presidente: Anabela Rocha 936747204
Eco-construção
Caros colegas
O GAIA - Grupo de Acção e Intervenção Ambiental, vai organizar um workshop sobre Eco-construção com ênfase em técnicas de reboco e caiação.
Este workshop surge no seguimento da construção de um edifíco em fardos de palha. As técnicas que vão ser aplicadas prendem-se já com a fase de acabamentos.
Os trabalhos serão orientados pelos arquitectos do Plano B arquitectura alternativa e terão a duração de um fim-de-semana.
Esta actividade irá decorrer nos dias 13 e 14 de Setembro na Quinta da Sarrazola (AGROBIO) em Colares, Sintra.
O preço deste Workshop será de 10 € / dia que inclui alimentação, possibilidade de alojamento em tendas (que os participantes terão de levar), introdução teórica sobre as técnicas já aplicadas e aplicar.
Para mais informações contactar:
Pedro Pereira - cool.dog@gaia.org.pt , 964269966
Rui Ferreira - ruiferreira@gaia.org.pt , 938358034
Caros colegas
O GAIA - Grupo de Acção e Intervenção Ambiental, vai organizar um workshop sobre Eco-construção com ênfase em técnicas de reboco e caiação.
Este workshop surge no seguimento da construção de um edifíco em fardos de palha. As técnicas que vão ser aplicadas prendem-se já com a fase de acabamentos.
Os trabalhos serão orientados pelos arquitectos do Plano B arquitectura alternativa e terão a duração de um fim-de-semana.
Esta actividade irá decorrer nos dias 13 e 14 de Setembro na Quinta da Sarrazola (AGROBIO) em Colares, Sintra.
O preço deste Workshop será de 10 € / dia que inclui alimentação, possibilidade de alojamento em tendas (que os participantes terão de levar), introdução teórica sobre as técnicas já aplicadas e aplicar.
Para mais informações contactar:
Pedro Pereira - cool.dog@gaia.org.pt , 964269966
Rui Ferreira - ruiferreira@gaia.org.pt , 938358034
Fluxo de capitais
O deficit das contas públicas dos Estados Unidos vai este ano atingir os 3,5% do PIB --- um valor bem superior àquele permitido pelo Pacto da Estabilidade e Crescimento (uma curiosa designação, diga-se de passagem, uma vez que as palavras Estabilidade e Crescimento são a modos que contraditórias... é o Newspeak da política moderna) na União Europeia --- agravado que está pelos gastos na guerra contra o Iraque e pela manutenção de uma extensa força militar por um longo período nesse país.
Mas ainda maior do que o deficit das contas públicas é o deficit da balança de pagamentos dos Estados Unidos, o qual atingirá este ano os 4% do PIB. Uma vez que o PIB dos EUA é 25% do PIB mundial, conclui-se que 1% do PIB mundial é enviado para os EUA a partir do resto do mundo, em troca de nada. Uma quantia não despicienda.
Para pagar este gigantesco deficit na balança dos pagamentos, o qual se prolonga e agrava ano após ano, os EUA necessitam de um fluxo permanente de capitais do resto do mundo para os EUA. É uma necessidade capital da economia americana. O pessoal tem que continuar a colocar as suas poupanças em bancos americanos e na bolsa de Nova Iorque, para que os americanos possam continuar a comprar ao resto do mundo 4% daquilo que consomem.
Para este efeito os EUA necessitam que as moedas dos países do Terceiro Mundo estejam muito voláteis e inseguras, de tal modo que os ricaços do Terceiro Mundo coloquem todas as suas "poupanças" (melhor dizendo, o produto dos seus saques) em dólares em bancos americanos. Quanto mais crises financeiras houver no Terceiro Mundo, melhor isso é para os EUA.
Os EUA necessitam também que haja muitas mafias a fazer muito dinheiro em diversos negócios sujos (tráfico de armas, contrabando de droga, contrabando de tabaco, contrabando de seres vivos, passagem de emigrantes ilegais de países pobres para países ricos, tráfico de mulheres, crianças e órgãos, etc etc etc), uma vez que os mafiosos basicamente o que fazem é sugar o dinheiro de uma data de pobrezinhos e transferi-lo para uma mão-cheia de ricaços, que o colocam diretamente em dólares em bancos dos EUA. Ou seja, os mafiosos também contribuem para suportar o deficit da balança de pagamentos americana.
Luís Lavoura
O deficit das contas públicas dos Estados Unidos vai este ano atingir os 3,5% do PIB --- um valor bem superior àquele permitido pelo Pacto da Estabilidade e Crescimento (uma curiosa designação, diga-se de passagem, uma vez que as palavras Estabilidade e Crescimento são a modos que contraditórias... é o Newspeak da política moderna) na União Europeia --- agravado que está pelos gastos na guerra contra o Iraque e pela manutenção de uma extensa força militar por um longo período nesse país.
Mas ainda maior do que o deficit das contas públicas é o deficit da balança de pagamentos dos Estados Unidos, o qual atingirá este ano os 4% do PIB. Uma vez que o PIB dos EUA é 25% do PIB mundial, conclui-se que 1% do PIB mundial é enviado para os EUA a partir do resto do mundo, em troca de nada. Uma quantia não despicienda.
Para pagar este gigantesco deficit na balança dos pagamentos, o qual se prolonga e agrava ano após ano, os EUA necessitam de um fluxo permanente de capitais do resto do mundo para os EUA. É uma necessidade capital da economia americana. O pessoal tem que continuar a colocar as suas poupanças em bancos americanos e na bolsa de Nova Iorque, para que os americanos possam continuar a comprar ao resto do mundo 4% daquilo que consomem.
Para este efeito os EUA necessitam que as moedas dos países do Terceiro Mundo estejam muito voláteis e inseguras, de tal modo que os ricaços do Terceiro Mundo coloquem todas as suas "poupanças" (melhor dizendo, o produto dos seus saques) em dólares em bancos americanos. Quanto mais crises financeiras houver no Terceiro Mundo, melhor isso é para os EUA.
Os EUA necessitam também que haja muitas mafias a fazer muito dinheiro em diversos negócios sujos (tráfico de armas, contrabando de droga, contrabando de tabaco, contrabando de seres vivos, passagem de emigrantes ilegais de países pobres para países ricos, tráfico de mulheres, crianças e órgãos, etc etc etc), uma vez que os mafiosos basicamente o que fazem é sugar o dinheiro de uma data de pobrezinhos e transferi-lo para uma mão-cheia de ricaços, que o colocam diretamente em dólares em bancos dos EUA. Ou seja, os mafiosos também contribuem para suportar o deficit da balança de pagamentos americana.
Luís Lavoura
quinta-feira, setembro 04, 2003
Já se esqueceram?
3 de Setembro de 2003
Post traduzido por PP do blog de uma Iraquiana.....
11 de Setembro foi um dia trágico; não porque morreram 3000 Americanos mas porque morreram 3000 seres humanos.
Recebo constantemente e-mails a lembrar-me da tragédia ocorrida a 11 de Setembro, a dizer-me que foram os árabes que atraíram a ira recente dos EUA. Claro que originalmente o culpado era o Afeganistão (que nem sequer são árabes) e o Iraque não teve nada a ver com o 11 de Setembro.
Sou constantemente lembrada dos 3000 Americanos que morreram nesse dia.... e para esquecer os 8000 Iraquianos inúteis que sucumbiram aos mísseis, tanques e armas Americanas.
As pessoas espantam-se com o facto de não estarmos nas ruas a lançar rosas e jasmim sobre os monstruosos tanques cor de caqui; admiram-se por não coroarmos com louros os horríveis capacetes das tropas ocupantes; perguntam-se porque é que choramos os nossos mortos em vez de estar agradecidos por poder oferecê-los em sacrifício aos Deuses da Democracia e da Liberdade; questionam-se sobre a razão da nossa amargura....
Mas eu não esqueci.....
Lembro-me de 13 de Fevereiro de 1991. Lembro-me dos mísseis que caíram no abrigo de Al-Amryiyah – um abrigo civil contra as bombas numa zona residencial densamente povoada de Bagdad. Bombas tão sofisticadas, que a primeira penetrou até ao coração do abrigo e a segunda explodiu lá dentro. O abrigo estava cheio de mulheres e crianças – rapazes com mais de 15 anos não podiam entrar. Lembro-me de ver imagens de pessoas horrorizadas a escalar a vedação que cercava o abrigo, chorando, gritando, implorando para saber o que tinha acontecido à sua filha, à sua mãe, ao seu filho, à sua família que tinha procurado a protecção dentro das paredes do abrigo.
Lembro-me de ver arrastar corpos tão carbonizados que era impossível dizer que eram humanos. Lembro-me de ver pessoas ansiosas, correndo de cadáver em cadáver para tentar reconhecer os seus ente – queridos.... Lembro-me de ver os trabalhadores que limpavam o abrigo a desmaiar com as cenas insuportáveis que se lhes deparavam dentro das paredes. Lembro-me de toda a área estar empestada com o odor de carne queimada durante semanas e semanas a fio depois do bombardeamento.
Lembro-me de visitar o abrigo, anos mais tarde, para prestar a minha homenagem ás 400 pessoas que sofreram uma morte atroz durante a madrugada e ver as linhas fantasmagóricas de contornos humanos gravados nas paredes e no tecto.
Lembro-me de um amigo da minha família que perdeu a sua mulher, a sua filha de 5 anos, o seu filho de 2 anos e a sua cabeça (tendo enlouquecido) a 13 de Fevereiro.
Lembro-me do dia em que o Pentágono, depois de várias desculpas disse finalmente que tinha sido um erro.
Lembro-me de 13 anos de sanções, apoiadas firmemente pelos EUA e pela Inglaterra, em nome das armas de destruição em massa que ainda ninguém encontrou. Sanções tão rígidas, que tínhamos as necessidades básicas, como os cuidados médicos, em lista de espera durante meses e meses, até que eram finalmente recusados. Lembro-me de produtos químicos como o cloro, necessário para a purificação da água, serem inspeccionados e atrasados à custa de milhões de pessoas.
Lembro-me de ter de pedir a cooperantes e activistas para “por favor tragam um livro” porque as editoras se recusavam a vender livros científicos e revistas no Iraque. Lembro-me de “partilhar” livros com outros estudantes numa tentativa de fazer render ao máximo os nossos limitadíssimos recursos.
Lembro-me de pequenos corpos abandonados em enormes camas de hospital – morrendo de fome e doença; doenças que poderiam facilmente ser curadas com medicamentos ditos “proibidos”. Lembro-me dos pais já sem forças, caras cansadas, perscrutando ansiosamente os olhos do médico, à espera de um milagre.
Lembro-me do Urânio empobrecido. Quantos é que ouviram falar do Urânio empobrecido? Estas são palavras muito familiares para o povo Iraquiano. O Urânio empobrecido usado no armamento do exército Americano em 1991 (e muito possivelmente também agora) resultou na deterioração ambiental e num aumento astronómico do número de cancros no Iraque. Lembro-me de ver bebés nascer com um só olho, três pernas ou sem cara – um resultado directo do envenenamento por Urânio empobrecido.
Lembro-me de dezenas de mortes na “zona de exclusa aérea”, bombardeados por Americanos e Ingleses que diziam ”proteger” o norte e o sul do Iraque. Lembro-me da mãe, que vivia nos subúrbios de Mossul, que perdeu o marido e cinco filhos quando um avião americano bombardeou o pai com os seus filhos no meio de um pacífico rebanho de ovelhas.
E querem nos fazer crer que tudo isto foi para o bem das pessoas.
“Esqueceram-se do que sintaram naquele dia
ao ver a vossa casa incendiada
e os vosso familiares explodirem em mil pedaços?”
Não......não nos esquecemos – os tanques ainda aqui estão para nos avivar a memória.
3 de Setembro de 2003
Post traduzido por PP do blog de uma Iraquiana.....
11 de Setembro foi um dia trágico; não porque morreram 3000 Americanos mas porque morreram 3000 seres humanos.
Recebo constantemente e-mails a lembrar-me da tragédia ocorrida a 11 de Setembro, a dizer-me que foram os árabes que atraíram a ira recente dos EUA. Claro que originalmente o culpado era o Afeganistão (que nem sequer são árabes) e o Iraque não teve nada a ver com o 11 de Setembro.
Sou constantemente lembrada dos 3000 Americanos que morreram nesse dia.... e para esquecer os 8000 Iraquianos inúteis que sucumbiram aos mísseis, tanques e armas Americanas.
As pessoas espantam-se com o facto de não estarmos nas ruas a lançar rosas e jasmim sobre os monstruosos tanques cor de caqui; admiram-se por não coroarmos com louros os horríveis capacetes das tropas ocupantes; perguntam-se porque é que choramos os nossos mortos em vez de estar agradecidos por poder oferecê-los em sacrifício aos Deuses da Democracia e da Liberdade; questionam-se sobre a razão da nossa amargura....
Mas eu não esqueci.....
Lembro-me de 13 de Fevereiro de 1991. Lembro-me dos mísseis que caíram no abrigo de Al-Amryiyah – um abrigo civil contra as bombas numa zona residencial densamente povoada de Bagdad. Bombas tão sofisticadas, que a primeira penetrou até ao coração do abrigo e a segunda explodiu lá dentro. O abrigo estava cheio de mulheres e crianças – rapazes com mais de 15 anos não podiam entrar. Lembro-me de ver imagens de pessoas horrorizadas a escalar a vedação que cercava o abrigo, chorando, gritando, implorando para saber o que tinha acontecido à sua filha, à sua mãe, ao seu filho, à sua família que tinha procurado a protecção dentro das paredes do abrigo.
Lembro-me de ver arrastar corpos tão carbonizados que era impossível dizer que eram humanos. Lembro-me de ver pessoas ansiosas, correndo de cadáver em cadáver para tentar reconhecer os seus ente – queridos.... Lembro-me de ver os trabalhadores que limpavam o abrigo a desmaiar com as cenas insuportáveis que se lhes deparavam dentro das paredes. Lembro-me de toda a área estar empestada com o odor de carne queimada durante semanas e semanas a fio depois do bombardeamento.
Lembro-me de visitar o abrigo, anos mais tarde, para prestar a minha homenagem ás 400 pessoas que sofreram uma morte atroz durante a madrugada e ver as linhas fantasmagóricas de contornos humanos gravados nas paredes e no tecto.
Lembro-me de um amigo da minha família que perdeu a sua mulher, a sua filha de 5 anos, o seu filho de 2 anos e a sua cabeça (tendo enlouquecido) a 13 de Fevereiro.
Lembro-me do dia em que o Pentágono, depois de várias desculpas disse finalmente que tinha sido um erro.
Lembro-me de 13 anos de sanções, apoiadas firmemente pelos EUA e pela Inglaterra, em nome das armas de destruição em massa que ainda ninguém encontrou. Sanções tão rígidas, que tínhamos as necessidades básicas, como os cuidados médicos, em lista de espera durante meses e meses, até que eram finalmente recusados. Lembro-me de produtos químicos como o cloro, necessário para a purificação da água, serem inspeccionados e atrasados à custa de milhões de pessoas.
Lembro-me de ter de pedir a cooperantes e activistas para “por favor tragam um livro” porque as editoras se recusavam a vender livros científicos e revistas no Iraque. Lembro-me de “partilhar” livros com outros estudantes numa tentativa de fazer render ao máximo os nossos limitadíssimos recursos.
Lembro-me de pequenos corpos abandonados em enormes camas de hospital – morrendo de fome e doença; doenças que poderiam facilmente ser curadas com medicamentos ditos “proibidos”. Lembro-me dos pais já sem forças, caras cansadas, perscrutando ansiosamente os olhos do médico, à espera de um milagre.
Lembro-me do Urânio empobrecido. Quantos é que ouviram falar do Urânio empobrecido? Estas são palavras muito familiares para o povo Iraquiano. O Urânio empobrecido usado no armamento do exército Americano em 1991 (e muito possivelmente também agora) resultou na deterioração ambiental e num aumento astronómico do número de cancros no Iraque. Lembro-me de ver bebés nascer com um só olho, três pernas ou sem cara – um resultado directo do envenenamento por Urânio empobrecido.
Lembro-me de dezenas de mortes na “zona de exclusa aérea”, bombardeados por Americanos e Ingleses que diziam ”proteger” o norte e o sul do Iraque. Lembro-me da mãe, que vivia nos subúrbios de Mossul, que perdeu o marido e cinco filhos quando um avião americano bombardeou o pai com os seus filhos no meio de um pacífico rebanho de ovelhas.
E querem nos fazer crer que tudo isto foi para o bem das pessoas.
“Esqueceram-se do que sintaram naquele dia
ao ver a vossa casa incendiada
e os vosso familiares explodirem em mil pedaços?”
Não......não nos esquecemos – os tanques ainda aqui estão para nos avivar a memória.
Oradores para o FSE
Caríssimos,
Como é do vosso conhecimento, as propostas de oradores do Fórum Social Europeu serão decididas na Reunião de Paris de 18, 19, 20, 21 de Setembro.
Foi pedido a todas as estruturas nacionais que tentassem consensualizar listas de nomes, nomeadamente os fóruns de cada país.
Em virtude, do Plenário do Fórum Social Português só se realizar em 28 de Setembro é impossível deixar essa discussão para lá.
Neste sentido, a ATTAC e o SOS Racismo que estiveram presentes na Assembleia Europeia de Preparação do Fórum Social Europeu, que se realizou em Génova,
propõem o agendamento de uma reunião da Associação do FSP, aberta a todas as organizações interessadas, para discutir e consensualizar os nomes de
oradores e moderadores.
Propõe-se que a reunião seja na próxima terça feira, dia 9, às 21 horas na Rua das Gaivotas nº 6 (antiga sede do FSP).
Um abraço,
Nuno Ramos de Almeida (ATTAC Portugal)
O Fórum Social Europeu realizar-se-á de 12 a 15 de Novembro de 2003 em Paris, França.
Caríssimos,
Como é do vosso conhecimento, as propostas de oradores do Fórum Social Europeu serão decididas na Reunião de Paris de 18, 19, 20, 21 de Setembro.
Foi pedido a todas as estruturas nacionais que tentassem consensualizar listas de nomes, nomeadamente os fóruns de cada país.
Em virtude, do Plenário do Fórum Social Português só se realizar em 28 de Setembro é impossível deixar essa discussão para lá.
Neste sentido, a ATTAC e o SOS Racismo que estiveram presentes na Assembleia Europeia de Preparação do Fórum Social Europeu, que se realizou em Génova,
propõem o agendamento de uma reunião da Associação do FSP, aberta a todas as organizações interessadas, para discutir e consensualizar os nomes de
oradores e moderadores.
Propõe-se que a reunião seja na próxima terça feira, dia 9, às 21 horas na Rua das Gaivotas nº 6 (antiga sede do FSP).
Um abraço,
Nuno Ramos de Almeida (ATTAC Portugal)
O Fórum Social Europeu realizar-se-á de 12 a 15 de Novembro de 2003 em Paris, França.
Resposta a Pedro Mexia
RESPOSTA NO INDEPENDENTE
O jornal Independente publicou a 29 de Agosto uma resposta da Opus Gay a um artigo de Pedro Mexia: "OPUS GAY, ATAQUES, CLIQUES, CONOTAÇÕES"
Caro Senhor Pedro Mexia,
O seu texto do passado dia 28 de Julho, "Opus Gay : cliques e claques" motivou-me esta resposta para clarificar certos pontos, tal como lhe referi em email pessoal, sem resposta.
1- Continuo a considerar que a questão de colocar em tribunal uma entidade que nos ofende, ou, pela qual nos sentimos ofendidos é perfeitamente legítima, num Estado de Direito. Contudo, não o pretendemos fazer de animo leve, e temos tentado todas as portas legais, que nos têm sido fechadas. A sua não resposta ao e-mail que lhe enviei, é disso um exemplo cabal. De facto, a estratégia utilizada para nos continuar a ghetizar, desclassificar, é simples: afirma-se que não temos legitimidade em nome das Associações para nos defendermos dos insultos, inverdades, mentiras, confusões, ou erros científicos que são largamente difundidos por órgãos de informação, não nos sendo reconhecido o direito de resposta, nem em nome próprio porque não somos nomeados. Simultaneamente, afirma-se que não devemos ultrapassar senão uma certa área de questões, e que as outras estão fora da nossa alçada. Ou seja, os gays só podem ter opinião sobre questões muito limitadas, do umbigo para baixo, e mesmo aí, nem sempre tem legitimidade para tratar delas. Os heteros podem tratar de tudo!
2- Actualmente, em Portugal e no Mundo o movimento social lgbt, lésbicas, gays, bissexuais e transexuais, vulgo gay, entendendo como movimento social "um processo através do qual vários actores constroem através da acção e da comunicação uma autodefinição, a facção que está do mesmo lado do conflito, " (Diani 1992), vem adquirindo maior visibilidade, e tornou-se à semelhança de outros movimentos, um movimento global, de luta pelos Direitos Humanos, e das minorias sexuais. Depois de ter visto os seus mais legítimos direitos esmagados, ao longo destes últimos séculos, através das Leis, Moral, Medicina, Família, Igreja, e do Estado - começa agora a ter maior aceitação junto das opiniões públicas urbanas, o que tem mexido com o "status quo", de muitos interesses instalados. Por isso, surge uma reacção global, incarnada neste momento, por dois líderes globais, ambos unidos para impor o pensamento único, juntos, para proibir qualquer diversidade. O texto que escreveu, tal como os do cronista que refere, entre outros, não são senão, lamento dize-lo, mais umas achegas preconceituosas, neste sentido, escritas à dimensão arrogante, do nosso periférico país.
3- Recordo-lhe que estamos a falar da maior minoria que existe em Portugal, mesmo considerando a população emigrante estimada em meio milhão de pessoas, e de igual modo ghetizada, mas por processos diferentes, com consequências identicamente nefastas. Estamos a falar portanto, de questões de Cidadania, e de qualidade da Democracia, num Estado de Direito.
Gostaria de recordar que os gays, são bons profissionais, em todos os escalões da vida social, pagam os impostos, dedicam-se totalmente ao trabalho, impossibilitados como estão de constituir família, contribuindo assim, de uma forma indiscutível para a economia deste país. Só por isso, haverá toda a razão para que tenham os mesmos direitos que os heteros, em termos de regalias sociais. Isto explica porque é que a Opus Gay (OG) se empenhou tanto na luta pelas Uniões de Facto, e, agora, pela inclusão no Código de Trabalho das Directivas Comunitárias relativas à não discriminação por razões de orientação sexual no local de trabalho, no que tivemos só o apoio da CGTP -Intersindical.
4- É importante dizer que esta minoria é maioritariamente de tradição católica, e tendencialmente, pouco dada a radicalismos. Por isso é aos eleitores, e os partidos políticos do arco sociológico, PSD, PS até PCP, 75% da opinião publica, a quem devemos dirigir o nosso discurso, sendo que os políticos destas áreas terão que abrir mais as suas mentalidades, se não quiserem ver estes 10% do eleitorado fugir-lhes. Temos notado uma mudança (envergonhada) de alguns dirigentes partidários em relação a estas questões, mas continua a imperar, o paternalismo político, a hipocrisia, para além de uma grande ignorância das agendas, sobretudo europeias e comunitárias, entre muito preconceito, para não dizer homofobia, com excepção, gratificante, para o Bloco de Esquerda .
5- De salientar também que os gays não são contra a Família, pelo contrário, querem reforçar a instituição familiar, no sentido de quererem alargar o conceito da mesma, sem questionar os que se agarram a qualquer outra fórmula consuetudinária. Também não pretendemos intervir nos planos religiosos-eclesiásticos que respeitamos, mas pretendemos num Estado de Direito laico ver os nossos direitos civis, reconhecidos, em pé de igualdade com os dos heteros. Acusados sistematicamente de promiscuidade, os gays e lésbicas, agora, que pretendem constituir relações sólidas e estáveis no plano social - civil, vêm o caminho barrado, sob os mais variados pretextos, e até religiosos.
6- Foi quando o Dr. João Soares cedeu, e bem, um espaço comunitário aos gays de Lisboa, e a OG surgiu que se começou a assistir à tentativa de uma CLIQUE, de formar um "condomínio partidário - comercial ", para controlar de todas as maneiras a comunidade glbt, em seu proveito, criando uma liderança aparente, com uma ONG, primeiro da área da sida, 1997/98(fracassou), depois, da área glbt, com nome credível, para que instrumentalização fosse eficaz, e que ficava com os benefícios económicos. Entretanto, o cerne verdadeiro, o controlo político, ficava sempre no partido, que apadrinha a táctica, com fins eleitorais, e que nomeou para isso os seus responsáveis. O primeiro objectivo político foi bloquear logo, todos os previsíveis apoios políticos glbt ao ex-Presidente da CML, face à simpatia despertada no nosso meio pela sua acção, enquanto simultaneamente se iam obtendo dele, (e de todos) o máximo de facilidades para esses (sub) grupos recém criados. Seguidamente, todos juntos, deste modo podiam boicotar/silenciar/excluir quaisquer outras alternativas, e ao mesmo tempo fazer CLAQUE pelas favoráveis, que lhes dêm “rendimentos”. Deste modo, se conciliam duas ordens de interesses: o político- partidário com o das exigências associativas. Ao mesmo tempo, garantindo-se a hegemonia, passava-se para fora uma imagem de "unidade" glbt.
7- Estas tácticas, com outros golpes, talvez tenham trazido alguns votos aos seus mentores, integrados como sócios activistas dessas associações, que vigiam, sobretudo em períodos eleitorais ou críticos, (e agora aproxima-se um), mas, estou certo, trouxeram muito mais prejuízo e descrédito à nossa luta pelos nossos Direitos Humanos, que ficou partidarizada.
A tentativa que prossegue, não tem tido êxito total, em parte, graças à oposição firme da OG, e ao programa de rádio, gay, independente, " Vidas Alternativas", na Voxx, ambos pagando por isso. Entretanto, tem êxito quando, tal como o senhor apressadamente fez, nos conota a todos partidariamente. É uma generalização abusiva, e um erro. Tanto mais que na OG sempre tivemos associados de todos os quadrantes políticos, da direita à esquerda.
Depois, torna-se fácil ghetizar-nos dizendo que somos todos de extrema -esquerda, que é o que mais convém a todos os adversários. Por isso, a OG tem defendido sempre a independência, e não se tem cansado de o dizer a todos.
8- Concordo consigo, e só neste sentido, quando diz que isto é fruto da "pobreza" do nosso meio, que se reflecte nos frágeis movimentos associativos (todos). Neste caso, é também fruto do receio que incapacita os homos, cuja auto-estima é baixa, de assumirem francamente, fora e dentro das associações, a luta pelos seus Direitos, para imporem uma agenda negociada mínima aos partidos. É fruto dos radicalismos, que gritam regularmente “Abaixo o Capital!”, impedindo o casamento dos interesses comerciais genuínos, com as demandas associativas, que é o que nos pode fazer avançar publicamente, como tem acontecido noutros países ocidentais. É fruto desta pecha de que sofremos todos, de só olharmos para o nosso umbigo, e só pensarmos na nossa quinta, e de que "quem não é por mim, é contra mim!"
Temos de saber alargar a nossa base social de simpatia, criar redes de solidariedade com outros movimentos, respeitar as diversidades, ser mais dialogantes e menos fundamentalistas, rever estratégias para esta nova conjuntura, e ser, sobretudo, cada vez mais independentes dos partidos, com quem devemos dialogar. É o que sugiro a todos.
Terei sido claro?
AS
RESPOSTA NO INDEPENDENTE
O jornal Independente publicou a 29 de Agosto uma resposta da Opus Gay a um artigo de Pedro Mexia: "OPUS GAY, ATAQUES, CLIQUES, CONOTAÇÕES"
Caro Senhor Pedro Mexia,
O seu texto do passado dia 28 de Julho, "Opus Gay : cliques e claques" motivou-me esta resposta para clarificar certos pontos, tal como lhe referi em email pessoal, sem resposta.
1- Continuo a considerar que a questão de colocar em tribunal uma entidade que nos ofende, ou, pela qual nos sentimos ofendidos é perfeitamente legítima, num Estado de Direito. Contudo, não o pretendemos fazer de animo leve, e temos tentado todas as portas legais, que nos têm sido fechadas. A sua não resposta ao e-mail que lhe enviei, é disso um exemplo cabal. De facto, a estratégia utilizada para nos continuar a ghetizar, desclassificar, é simples: afirma-se que não temos legitimidade em nome das Associações para nos defendermos dos insultos, inverdades, mentiras, confusões, ou erros científicos que são largamente difundidos por órgãos de informação, não nos sendo reconhecido o direito de resposta, nem em nome próprio porque não somos nomeados. Simultaneamente, afirma-se que não devemos ultrapassar senão uma certa área de questões, e que as outras estão fora da nossa alçada. Ou seja, os gays só podem ter opinião sobre questões muito limitadas, do umbigo para baixo, e mesmo aí, nem sempre tem legitimidade para tratar delas. Os heteros podem tratar de tudo!
2- Actualmente, em Portugal e no Mundo o movimento social lgbt, lésbicas, gays, bissexuais e transexuais, vulgo gay, entendendo como movimento social "um processo através do qual vários actores constroem através da acção e da comunicação uma autodefinição, a facção que está do mesmo lado do conflito, " (Diani 1992), vem adquirindo maior visibilidade, e tornou-se à semelhança de outros movimentos, um movimento global, de luta pelos Direitos Humanos, e das minorias sexuais. Depois de ter visto os seus mais legítimos direitos esmagados, ao longo destes últimos séculos, através das Leis, Moral, Medicina, Família, Igreja, e do Estado - começa agora a ter maior aceitação junto das opiniões públicas urbanas, o que tem mexido com o "status quo", de muitos interesses instalados. Por isso, surge uma reacção global, incarnada neste momento, por dois líderes globais, ambos unidos para impor o pensamento único, juntos, para proibir qualquer diversidade. O texto que escreveu, tal como os do cronista que refere, entre outros, não são senão, lamento dize-lo, mais umas achegas preconceituosas, neste sentido, escritas à dimensão arrogante, do nosso periférico país.
3- Recordo-lhe que estamos a falar da maior minoria que existe em Portugal, mesmo considerando a população emigrante estimada em meio milhão de pessoas, e de igual modo ghetizada, mas por processos diferentes, com consequências identicamente nefastas. Estamos a falar portanto, de questões de Cidadania, e de qualidade da Democracia, num Estado de Direito.
Gostaria de recordar que os gays, são bons profissionais, em todos os escalões da vida social, pagam os impostos, dedicam-se totalmente ao trabalho, impossibilitados como estão de constituir família, contribuindo assim, de uma forma indiscutível para a economia deste país. Só por isso, haverá toda a razão para que tenham os mesmos direitos que os heteros, em termos de regalias sociais. Isto explica porque é que a Opus Gay (OG) se empenhou tanto na luta pelas Uniões de Facto, e, agora, pela inclusão no Código de Trabalho das Directivas Comunitárias relativas à não discriminação por razões de orientação sexual no local de trabalho, no que tivemos só o apoio da CGTP -Intersindical.
4- É importante dizer que esta minoria é maioritariamente de tradição católica, e tendencialmente, pouco dada a radicalismos. Por isso é aos eleitores, e os partidos políticos do arco sociológico, PSD, PS até PCP, 75% da opinião publica, a quem devemos dirigir o nosso discurso, sendo que os políticos destas áreas terão que abrir mais as suas mentalidades, se não quiserem ver estes 10% do eleitorado fugir-lhes. Temos notado uma mudança (envergonhada) de alguns dirigentes partidários em relação a estas questões, mas continua a imperar, o paternalismo político, a hipocrisia, para além de uma grande ignorância das agendas, sobretudo europeias e comunitárias, entre muito preconceito, para não dizer homofobia, com excepção, gratificante, para o Bloco de Esquerda .
5- De salientar também que os gays não são contra a Família, pelo contrário, querem reforçar a instituição familiar, no sentido de quererem alargar o conceito da mesma, sem questionar os que se agarram a qualquer outra fórmula consuetudinária. Também não pretendemos intervir nos planos religiosos-eclesiásticos que respeitamos, mas pretendemos num Estado de Direito laico ver os nossos direitos civis, reconhecidos, em pé de igualdade com os dos heteros. Acusados sistematicamente de promiscuidade, os gays e lésbicas, agora, que pretendem constituir relações sólidas e estáveis no plano social - civil, vêm o caminho barrado, sob os mais variados pretextos, e até religiosos.
6- Foi quando o Dr. João Soares cedeu, e bem, um espaço comunitário aos gays de Lisboa, e a OG surgiu que se começou a assistir à tentativa de uma CLIQUE, de formar um "condomínio partidário - comercial ", para controlar de todas as maneiras a comunidade glbt, em seu proveito, criando uma liderança aparente, com uma ONG, primeiro da área da sida, 1997/98(fracassou), depois, da área glbt, com nome credível, para que instrumentalização fosse eficaz, e que ficava com os benefícios económicos. Entretanto, o cerne verdadeiro, o controlo político, ficava sempre no partido, que apadrinha a táctica, com fins eleitorais, e que nomeou para isso os seus responsáveis. O primeiro objectivo político foi bloquear logo, todos os previsíveis apoios políticos glbt ao ex-Presidente da CML, face à simpatia despertada no nosso meio pela sua acção, enquanto simultaneamente se iam obtendo dele, (e de todos) o máximo de facilidades para esses (sub) grupos recém criados. Seguidamente, todos juntos, deste modo podiam boicotar/silenciar/excluir quaisquer outras alternativas, e ao mesmo tempo fazer CLAQUE pelas favoráveis, que lhes dêm “rendimentos”. Deste modo, se conciliam duas ordens de interesses: o político- partidário com o das exigências associativas. Ao mesmo tempo, garantindo-se a hegemonia, passava-se para fora uma imagem de "unidade" glbt.
7- Estas tácticas, com outros golpes, talvez tenham trazido alguns votos aos seus mentores, integrados como sócios activistas dessas associações, que vigiam, sobretudo em períodos eleitorais ou críticos, (e agora aproxima-se um), mas, estou certo, trouxeram muito mais prejuízo e descrédito à nossa luta pelos nossos Direitos Humanos, que ficou partidarizada.
A tentativa que prossegue, não tem tido êxito total, em parte, graças à oposição firme da OG, e ao programa de rádio, gay, independente, " Vidas Alternativas", na Voxx, ambos pagando por isso. Entretanto, tem êxito quando, tal como o senhor apressadamente fez, nos conota a todos partidariamente. É uma generalização abusiva, e um erro. Tanto mais que na OG sempre tivemos associados de todos os quadrantes políticos, da direita à esquerda.
Depois, torna-se fácil ghetizar-nos dizendo que somos todos de extrema -esquerda, que é o que mais convém a todos os adversários. Por isso, a OG tem defendido sempre a independência, e não se tem cansado de o dizer a todos.
8- Concordo consigo, e só neste sentido, quando diz que isto é fruto da "pobreza" do nosso meio, que se reflecte nos frágeis movimentos associativos (todos). Neste caso, é também fruto do receio que incapacita os homos, cuja auto-estima é baixa, de assumirem francamente, fora e dentro das associações, a luta pelos seus Direitos, para imporem uma agenda negociada mínima aos partidos. É fruto dos radicalismos, que gritam regularmente “Abaixo o Capital!”, impedindo o casamento dos interesses comerciais genuínos, com as demandas associativas, que é o que nos pode fazer avançar publicamente, como tem acontecido noutros países ocidentais. É fruto desta pecha de que sofremos todos, de só olharmos para o nosso umbigo, e só pensarmos na nossa quinta, e de que "quem não é por mim, é contra mim!"
Temos de saber alargar a nossa base social de simpatia, criar redes de solidariedade com outros movimentos, respeitar as diversidades, ser mais dialogantes e menos fundamentalistas, rever estratégias para esta nova conjuntura, e ser, sobretudo, cada vez mais independentes dos partidos, com quem devemos dialogar. É o que sugiro a todos.
Terei sido claro?
AS
quarta-feira, setembro 03, 2003
Prestige
Desastre do "Prestige" recordado numa exposição em Vila Nova de Famalicão
Quase um ano depois do naufrágio do "Prestige", o desastre ecológico é
recordado em Vila Nova de Famalicão, numa exposição de fotografias
organizada pela plataforma galega Nunca Mais e actualmente em digressão pelo
distrito de Braga.
A exposição, que é inaugurada na próxima sexta-feira na Casa Museu Soledade
Malvar, reúne fotografias de vários ambientalistas espanhóis que retratam o
desastre ocorrido em Novembro de 2002 na costa da Galiza.
A exposição foi organizada pelos activistas galegos Plataforma Nunca Mais e
trazida a Portugal pelas mãos do Fórum Amizade Galiza-Portugal e das
associações ambientalistas Vento Norte, Quercus e Amenus.
Em Vila Nova de Famalicão, serão ainda incluídas fotografias de Paulo
Freitas, um jornalista do Comércio do Porto que foi distinguido em 2002 com
o prémio de fotojornalismo da revista Visão.
Lusa/Fim
Desastre do "Prestige" recordado numa exposição em Vila Nova de Famalicão
Quase um ano depois do naufrágio do "Prestige", o desastre ecológico é
recordado em Vila Nova de Famalicão, numa exposição de fotografias
organizada pela plataforma galega Nunca Mais e actualmente em digressão pelo
distrito de Braga.
A exposição, que é inaugurada na próxima sexta-feira na Casa Museu Soledade
Malvar, reúne fotografias de vários ambientalistas espanhóis que retratam o
desastre ocorrido em Novembro de 2002 na costa da Galiza.
A exposição foi organizada pelos activistas galegos Plataforma Nunca Mais e
trazida a Portugal pelas mãos do Fórum Amizade Galiza-Portugal e das
associações ambientalistas Vento Norte, Quercus e Amenus.
Em Vila Nova de Famalicão, serão ainda incluídas fotografias de Paulo
Freitas, um jornalista do Comércio do Porto que foi distinguido em 2002 com
o prémio de fotojornalismo da revista Visão.
Lusa/Fim
Voltei
Voltei vivo das Andanças, ainda que tenha duvidado bastante que poderia sobreviver. Coisas boas, coisas menos boas e coisas assim assim; quem lá esteve é que sabe como foi; eu nunca saberei pois participo pouco. Ando mais a gastar sola de sandálias e a acelarar na Vespa sempre à espera que tudo se possa resolver, que tudo corra bem. Quem por lá passou, que comente esta mensagem, contribuindo com críticas, ideias ou rasgados elogios para melhorar o festival. Até agora o melhor elogio que ouvi dizia assim: "um amigo meu foi lá e disse que parecia que estava noutro mundo...."; vim a descobrir hoje ainda que o filho do mecânico que está constantemente a fazer uns cobres à custa dos meus bólides decrépitos (uma 4L e uma 2CV, para além da Vespa) também foi às Andanças. Carreguem aí no link dos comentários e amandem broas.
Paulo
Voltei vivo das Andanças, ainda que tenha duvidado bastante que poderia sobreviver. Coisas boas, coisas menos boas e coisas assim assim; quem lá esteve é que sabe como foi; eu nunca saberei pois participo pouco. Ando mais a gastar sola de sandálias e a acelarar na Vespa sempre à espera que tudo se possa resolver, que tudo corra bem. Quem por lá passou, que comente esta mensagem, contribuindo com críticas, ideias ou rasgados elogios para melhorar o festival. Até agora o melhor elogio que ouvi dizia assim: "um amigo meu foi lá e disse que parecia que estava noutro mundo...."; vim a descobrir hoje ainda que o filho do mecânico que está constantemente a fazer uns cobres à custa dos meus bólides decrépitos (uma 4L e uma 2CV, para além da Vespa) também foi às Andanças. Carreguem aí no link dos comentários e amandem broas.
Paulo
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