Herbários...
O pessoal mais velho que anda por aí teve que fazer (por isso sabe do que estou a falar); eu fiz e continuo a fazer porque uma das coisas que faço (quando não estou desempregado) é botânica. Para além de ser uma coisa útil, já que as plantinhas assim conservadas podem ser identificadas com toda a calma, têm também um carácter antropo-arqueológico extremamente cativante – é que utilizo jornais para fazer os ditos herbários, e ontem abri um herbário com jornais de 1991, 1992, 1993 e 1994. É como abrir um baú há muito tempo fechado, cheio de coisas que entretanto esquecemos...
Curiosamente, para minha surpresa, a resguardar um Astragalus lusitanicus de qualidade superior, vinha lá um artigo de Pacheco Pereira, com fotografia e tudo, onde o grande timoneiro da Blogosfera ainda tinha cabelos escuros mas com a barba a grisalhar ligeiramente. O artigo saiu no Diário de Notícias de 17 de Setembro de 1992 onde fala dos anos 60 e claro, do PCP (contei 11 PCP’s e 1 PS).
O telejornal ainda durava 30 minutos e havia séries ás 20:40 e filmes às 21:30 (é verdade verdadinha, tirado de um jornal que aconchega uma Phlomis purpurea em óptimo estado). Israel e Palestina estavam quase quase a acordar a paz definitiva e duradoura (num jornal com os restos mortais de uma Ophrys sp. e de um Aceras antropophorum – as orquídeas conservam-se muito mal...).
Sampaio estava à frente dos destinos de Lisboa, não do país, tendo resolvido o importante problema da sede dos Alunos de Apolo, tendo por isso sido convidado para abrir o baile de comemoração dos seus 119 anos; O 386SX era preferível ao AT286, com 256 K de RAM (mas é possível passar a 512), tendo um disco de 40 MB (O Windows 3.0 ocupa apenas 6MB) – tudo isto salpicado por folhinhas de Asparagus albidus.
Depois da 1ª guerra do golfo, um analista sediado em Londres dizia: “Fechámos os olhos porque alguns homens de negócios queriam fazer dinheiro e porque Saddam era um instrumento útil ocntra o Irão, Saddam é um Frankenstein criado pelo Ocidente” a acompanhar uma fotografia de família com Saddam, a mulher (loiríssima) e 11 descendentes sorridentes (imagino que filhos e netos) – Lavatera maritima nos entrefolhos da notícia – Tieta do Agreste era a telenovela do momento.
70% dos Portugueses acredita que a guerra será longa, enquanto que 43% dos Franceses acredita que Israel utilizará a bomba atómica (lá dentro, uma inocente Rutha chalepensis, que nunca percebeu nada de guerras a sério ou preventivas – no entanto chama-se erva das bruxas, por ter sido usada como abortiva em tempos idos); no Fórum Picoas passava a Palombella Rossa; os Alfa ainda existiam (nas Amoreiras passava Aracnofobia e Tartarugas Ninja).
Para o primeiro Ministro Inglês, John Major, o Iraque está prestes a utilizar armas químicas (Leontodon taraxacoides repousa em cima desta notícia).
Dentro de um outro jornal, por detrás de uma Beta patularis (segundo exemplar recolhido em Portugal na Arrábida, depois de ter sido encontrado pela primeira vez em Portugal 2 anos antes, no Cabo de S. Vicente), a notícia “fresca” de uma das maiores tragédias da 1ª guerra do golfo: “Abrigo atingido não era centro militar. O Iraque afirma que pelo menos 500 pessoa morreram no bombardeamento do abrigo onde se refugiavam civis, mas o pentágono negou e diz que se tratava de um “bunker” militar. No Ocidente vários países europeus responsabilizaram também Saddam Hussein pelo sucedido, acusando-o de utilizar cidadãos como escudos humanos.” Sim, é o mesmo abrigo descrito por uma iraquiana 12 anos mais tarde:
Lembro-me de 13 de Fevereiro de 1991. Lembro-me dos mísseis que caíram no abrigo de Al-Amryiyah – um abrigo civil contra as bombas numa zona residencial densamente povoada de Bagdad. Bombas tão sofisticadas, que a primeira penetrou até ao coração do abrigo e a segunda explodiu lá dentro. O abrigo estava cheio de mulheres e crianças – rapazes com mais de 15 anos não podiam entrar. Lembro-me de ver imagens de pessoas horrorizadas a escalar a vedação que cercava o abrigo, chorando, gritando, implorando para saber o que tinha acontecido à sua filha, à sua mãe, ao seu filho, à sua família que tinha procurado a protecção dentro das paredes do abrigo.
Lembro-me de ver arrastar corpos tão carbonizados que era impossível dizer que eram humanos. Lembro-me de ver pessoas ansiosas, correndo de cadáver em cadáver para tentar reconhecer os seus ente – queridos.... Lembro-me de ver os trabalhadores que limpavam o abrigo a desmaiar com as cenas insuportáveis que se lhes deparavam dentro das paredes. Lembro-me de toda a área estar empestada com o odor de carne queimada durante semanas e semanas a fio depois do bombardeamento.
Lembro-me de visitar o abrigo, anos mais tarde, para prestar a minha homenagem ás 400 pessoas que sofreram uma morte atroz durante a madrugada e ver as linhas fantasmagóricas de contornos humanos gravados nas paredes e no tecto.
Lembro-me de um amigo da minha família que perdeu a sua mulher, a sua filha de 5 anos, o seu filho de 2 anos e a sua cabeça (tendo enlouquecido) a 13 de Fevereiro.
Lembro-me do dia em que o Pentágono, depois de várias desculpas disse finalmente que tinha sido um erro.
PP
Que la pluma sea también una espada y que su filo corte el oscuro muro por el que habrá de colarse el mañana [Subcomandante Marcos]
quinta-feira, outubro 09, 2003
Carta aberta a um ministro esquecido - 2ª parte
Apresente, por exemplo, no Conselho de Ministros, a urgência de uma investigação séria, por um período nunca inferior a três anos, acerca as actividades culturais de Cancun, e dê-se como voluntário para liderar a equipa de investigação. O sol das praias, os casinos e bares nocturnos, as mexicanas bonitas, os mexicanos sempre bem dispostos, Desperados, Tequilla, mimos por todo o lado, a cerveja a três euros, entradas condicionadas nas discotecas, mas sem a rudez nem a violência do modo europeu. Quantas coisas poderia o país importar do México para melhorar, quem sabe?, a qualidade cultural e turística que apresenta de ano para ano às lagostas inglesas e alemãs.
Há tanta coisa que o senhor poderia fazer!, coisas que agora nem me lembram, mas poderiam lembrar a si. Coisas a ser obviamente pensadas, ponderadas e estudadas nos enquadramentos do investimento público e nas disponibilidades do orçamento de estado. Isto não poderia ser feito em cima do joelho. Seria uma reforma, e ora aí está uma palavra que lhe ficaria muito bem dizer na televisão. Envida a imagem morta de qualquer um.
Pense no assunto.
É que neste momento, o que eu imagino é o sofá de uma sala, alumiada num lusco-fusco preguiçoso e deprimido. Um cheiro intenso a tabaco. Uma caixa aberta de pizza, de entrega ao domicílio, sobre uma mesinha própria entre o sofá e o televisor. O sofá é, aliás, a sua nova morada. Vejo-o nele acomodado como se já lá tivesse nascido e crescido até à posição de maior conforto. Talvez uma mantinha o acomode melhor. Barba de três dias, despenteado, enrolado no robe que a esposa lhe ofereceu há alguns anos, que se foi embora quando isto já começava a arrastar-se, e pijama por debaixo. Alguém que apenas muda de posição para sentar-se e comer uma por outra dentada de uma fatia de pizza, porque não dá nenhum jeito à garganta engolir estando dobrada. Ir à casa de banho é um esforço grande, pelo que se aguenta sempre até, pelo menos, ao intervalo seguinte.
A pensão que o governo lhe disponibiliza mensalmente – por invalidez? – até dará para não ter que olhar às despesas, como alguns que eu conheço. E se a situação é já esta, ao menos contrate uma mulher-a-dias – vá buscá-la ao Centro de Emprego, que sempre lhe pagam metade do ordenado. Alguém que lhe trate do almoço e lho dê à boca e lhe traga o jornal diário, para o qual nunca terá paciência. E sempre terá companhia para papar quantas novelas as televisões todas elas juntas emitam em horários vespertinos. Talvez ainda assista aos telejornais, na esperança de alguém ainda se lembre de si
como eu me estou agora a lembrar de si
e como não lembrassem, no mesmo sofá acabará por adormecer, nunca contudo perdendo de vista o telefone fixo – até porque os telemóveis estão proibidos de entrar em casa –, próximo do braço direito do sofá. A esperança é sempre a última a morrer. Adormecerá fazendo paciências no portátil, também em cima da mesinha. Talvez a custo ainda dê uma vista de olhos nalguma revista que um dos seus secretários esqueceu no jantar mensal que, com a pensão que lhe pagam, costuma patrocinar em sua casa, só para que ainda se vão lembrando da cara uns dos outros – secretários padecendo dos mesmos males que o senhor, esta-se mesmo a ver –, e tudo para que no dia seguinte volte a acordar tarde, não fazer a barba, não tomar um duche nem pôr a gravata.
Para si, meu caro, num tempo de crises, de défice irritado e falta de produtividade, economia adormecida – ou estagnada – e talhadas orçamentais em toda a parte, a coisa não está para menos. É preciso improvisar. Manifestações artísticas. A arte é tão subjectiva que qualquer evento lhe daria credibilidade. Lembre sempre que o seu homólogo brasileiro faz concertos. Por isso, é premente que alguma coisa faça a respeito. Faça, por exemplo, desporto. Os médicos aconselham, e na sua idade mais ainda.
Entretanto, alguém terá guardado fotos suas do album do liceu, ou da sua primeira comunhão. Continuarei à procura. Os melhores cumprimentos.
Eduardo César
Apresente, por exemplo, no Conselho de Ministros, a urgência de uma investigação séria, por um período nunca inferior a três anos, acerca as actividades culturais de Cancun, e dê-se como voluntário para liderar a equipa de investigação. O sol das praias, os casinos e bares nocturnos, as mexicanas bonitas, os mexicanos sempre bem dispostos, Desperados, Tequilla, mimos por todo o lado, a cerveja a três euros, entradas condicionadas nas discotecas, mas sem a rudez nem a violência do modo europeu. Quantas coisas poderia o país importar do México para melhorar, quem sabe?, a qualidade cultural e turística que apresenta de ano para ano às lagostas inglesas e alemãs.
Há tanta coisa que o senhor poderia fazer!, coisas que agora nem me lembram, mas poderiam lembrar a si. Coisas a ser obviamente pensadas, ponderadas e estudadas nos enquadramentos do investimento público e nas disponibilidades do orçamento de estado. Isto não poderia ser feito em cima do joelho. Seria uma reforma, e ora aí está uma palavra que lhe ficaria muito bem dizer na televisão. Envida a imagem morta de qualquer um.
Pense no assunto.
É que neste momento, o que eu imagino é o sofá de uma sala, alumiada num lusco-fusco preguiçoso e deprimido. Um cheiro intenso a tabaco. Uma caixa aberta de pizza, de entrega ao domicílio, sobre uma mesinha própria entre o sofá e o televisor. O sofá é, aliás, a sua nova morada. Vejo-o nele acomodado como se já lá tivesse nascido e crescido até à posição de maior conforto. Talvez uma mantinha o acomode melhor. Barba de três dias, despenteado, enrolado no robe que a esposa lhe ofereceu há alguns anos, que se foi embora quando isto já começava a arrastar-se, e pijama por debaixo. Alguém que apenas muda de posição para sentar-se e comer uma por outra dentada de uma fatia de pizza, porque não dá nenhum jeito à garganta engolir estando dobrada. Ir à casa de banho é um esforço grande, pelo que se aguenta sempre até, pelo menos, ao intervalo seguinte.
A pensão que o governo lhe disponibiliza mensalmente – por invalidez? – até dará para não ter que olhar às despesas, como alguns que eu conheço. E se a situação é já esta, ao menos contrate uma mulher-a-dias – vá buscá-la ao Centro de Emprego, que sempre lhe pagam metade do ordenado. Alguém que lhe trate do almoço e lho dê à boca e lhe traga o jornal diário, para o qual nunca terá paciência. E sempre terá companhia para papar quantas novelas as televisões todas elas juntas emitam em horários vespertinos. Talvez ainda assista aos telejornais, na esperança de alguém ainda se lembre de si
como eu me estou agora a lembrar de si
e como não lembrassem, no mesmo sofá acabará por adormecer, nunca contudo perdendo de vista o telefone fixo – até porque os telemóveis estão proibidos de entrar em casa –, próximo do braço direito do sofá. A esperança é sempre a última a morrer. Adormecerá fazendo paciências no portátil, também em cima da mesinha. Talvez a custo ainda dê uma vista de olhos nalguma revista que um dos seus secretários esqueceu no jantar mensal que, com a pensão que lhe pagam, costuma patrocinar em sua casa, só para que ainda se vão lembrando da cara uns dos outros – secretários padecendo dos mesmos males que o senhor, esta-se mesmo a ver –, e tudo para que no dia seguinte volte a acordar tarde, não fazer a barba, não tomar um duche nem pôr a gravata.
Para si, meu caro, num tempo de crises, de défice irritado e falta de produtividade, economia adormecida – ou estagnada – e talhadas orçamentais em toda a parte, a coisa não está para menos. É preciso improvisar. Manifestações artísticas. A arte é tão subjectiva que qualquer evento lhe daria credibilidade. Lembre sempre que o seu homólogo brasileiro faz concertos. Por isso, é premente que alguma coisa faça a respeito. Faça, por exemplo, desporto. Os médicos aconselham, e na sua idade mais ainda.
Entretanto, alguém terá guardado fotos suas do album do liceu, ou da sua primeira comunhão. Continuarei à procura. Os melhores cumprimentos.
Eduardo César
Carta aberta a um ministro esquecido - 1ª parte
Alguém sabe do nome do homem? Alguém se lembra? Não? Já passou tempo desde a foto de família nos jardins de S. Bento, e de lá a esta parte, com ou sem problemas de fósforo no cérebro, eu
pelo menos eu
admito: esqueci-lhe o nome. Talvez seja melhor perguntá-lo a si directamente, como seja:
– Vai desculpar a pergunta: como raios é que o senhor se chama?
Eu tenho que sabê-lo – quanto mais não seja por curiosidade – e como eu, tantos outros quererão também lembrar-se de si. E aproveite: não é todos os dias que alguém se lembra de nós, que por nós mostra algum interesse. Ou que se lembre apenas que deveria lembrar-se. Como aquela data de aniversário que é hoje e não sabemos a quem corresponde, olhando para o telefone sem sabermos a quem ligar.
E congratule-se portanto. Eu sei ao menos que o que não me lembra é o seu nome – se eu tivesse o seu número de telefone, acredite: ligava-lhe. Só para saber o que é feito de si. Como tem andado, se já teve tempo de ir à Trindade assistir ao Viriato – ou ao que o outro decidiu fazer dele.
Isto que lhe digo é, na minha modesta opinião, algo bom. Alguém lembrar-se de si. Seria exagerar clamá-lo como um bom motivo para vestir outra vez a gravata e fazer uma aparição na TV, às oito da noite no telejornal, quanto mais não fosse para anunciar:
– Caros concidadão, muito boa noite, o meu nome é tanto-e-tal e sou, para os que ainda têm dúvidas, o Ministro da Cultura deste governo.
É que não se lhe recorda qualquer aparição pública ou intervenção, exceptuando talvez a sua visita oficial a Timor, na companhia de Martins da Cruz e a quem doou, talvez por altruísmo ou bondade, todo o destaque na acção que protagonizaram. Mas destas coisas há sempre gente a esquecer-se. Ingratidão, talvez. E em momentos como estes, quando já passou algum tempo, devem sempre falar de nós. Bem ou mal. Já a outra o dizia. E eu sei lá. Vá à televisão dizer por exemplo que não concorda nada que a hora não mude no equinócio de outubro, que fique igual à dos espanhóis, nuestros hermanos – e do resto da Europa também, convém dizer.
Porque eu sei, ou imagino, o quão frustrado o senhor andará, ou atreveria mesmo dizer deprimido. A si ninguém lhe dá nem 15 segundos de tempo de antena. Ninguém o envolve em polémica nenhuma, ninguém exige a sua cabeça demissionária, nem sequer lhe pedem a sua opinião.
Ora a sua opinião é com certeza tão boa como qualquer outra. Talvez até o venham a contratar como comentador. Se num dos canais está o Carrilho, noutro bem poderia estar o senhor, e um Ministro da Cultura é sempre um Ministro da Cultura.
Faça alguma coisa. Aconteça alguma coisa.
Venha para as televisões dizer que deveríamos passar a ser uma região autónoma de Espanha. Um único país ibérico, com um muito maior poder económico. Mas não esqueça uma gravata amarela à cabeça, como uma espécie de Rambo extemporâneo, preparado para o derradeiro combate, ou para concorrer ao cargo de governador de um país qualquer.
Proponha que o nome do seu ministério passe a Ministério do Entretenimento. Inédito em toda a Europa! Já que dizem que andamos sempre na cauda, fazia-se logo aí da cauda uma cabeça e tudo mudaria de figura, e não seria mal pensado de todo. Revista no D. Carlos, concertos populares all night long no D. Maria II, novelas na RTP1 e BBC Vida Selvagem na RTP2. Mais coisa menos coisa. E com a falta de espaço que há em Lisboa – com o resto do país não tem que preocupar-se – tenho a certeza que o amigo Santana iria agradecer, pois logo se lembraria de como reabilitar todos os demais teatros, entretanto fechados para obras. Mas assegure bem o contrato que faz, não vão querer o LaFéria no cargo, ele capaz até de transformar a Assembleia da República num espectáculo de sucesso, com giras de norte a sul e tudo o mais – e toda a gente sabe que não há paciência para aturar uma sessão plenária até ao fim.
Eduardo César
Alguém sabe do nome do homem? Alguém se lembra? Não? Já passou tempo desde a foto de família nos jardins de S. Bento, e de lá a esta parte, com ou sem problemas de fósforo no cérebro, eu
pelo menos eu
admito: esqueci-lhe o nome. Talvez seja melhor perguntá-lo a si directamente, como seja:
– Vai desculpar a pergunta: como raios é que o senhor se chama?
Eu tenho que sabê-lo – quanto mais não seja por curiosidade – e como eu, tantos outros quererão também lembrar-se de si. E aproveite: não é todos os dias que alguém se lembra de nós, que por nós mostra algum interesse. Ou que se lembre apenas que deveria lembrar-se. Como aquela data de aniversário que é hoje e não sabemos a quem corresponde, olhando para o telefone sem sabermos a quem ligar.
E congratule-se portanto. Eu sei ao menos que o que não me lembra é o seu nome – se eu tivesse o seu número de telefone, acredite: ligava-lhe. Só para saber o que é feito de si. Como tem andado, se já teve tempo de ir à Trindade assistir ao Viriato – ou ao que o outro decidiu fazer dele.
Isto que lhe digo é, na minha modesta opinião, algo bom. Alguém lembrar-se de si. Seria exagerar clamá-lo como um bom motivo para vestir outra vez a gravata e fazer uma aparição na TV, às oito da noite no telejornal, quanto mais não fosse para anunciar:
– Caros concidadão, muito boa noite, o meu nome é tanto-e-tal e sou, para os que ainda têm dúvidas, o Ministro da Cultura deste governo.
É que não se lhe recorda qualquer aparição pública ou intervenção, exceptuando talvez a sua visita oficial a Timor, na companhia de Martins da Cruz e a quem doou, talvez por altruísmo ou bondade, todo o destaque na acção que protagonizaram. Mas destas coisas há sempre gente a esquecer-se. Ingratidão, talvez. E em momentos como estes, quando já passou algum tempo, devem sempre falar de nós. Bem ou mal. Já a outra o dizia. E eu sei lá. Vá à televisão dizer por exemplo que não concorda nada que a hora não mude no equinócio de outubro, que fique igual à dos espanhóis, nuestros hermanos – e do resto da Europa também, convém dizer.
Porque eu sei, ou imagino, o quão frustrado o senhor andará, ou atreveria mesmo dizer deprimido. A si ninguém lhe dá nem 15 segundos de tempo de antena. Ninguém o envolve em polémica nenhuma, ninguém exige a sua cabeça demissionária, nem sequer lhe pedem a sua opinião.
Ora a sua opinião é com certeza tão boa como qualquer outra. Talvez até o venham a contratar como comentador. Se num dos canais está o Carrilho, noutro bem poderia estar o senhor, e um Ministro da Cultura é sempre um Ministro da Cultura.
Faça alguma coisa. Aconteça alguma coisa.
Venha para as televisões dizer que deveríamos passar a ser uma região autónoma de Espanha. Um único país ibérico, com um muito maior poder económico. Mas não esqueça uma gravata amarela à cabeça, como uma espécie de Rambo extemporâneo, preparado para o derradeiro combate, ou para concorrer ao cargo de governador de um país qualquer.
Proponha que o nome do seu ministério passe a Ministério do Entretenimento. Inédito em toda a Europa! Já que dizem que andamos sempre na cauda, fazia-se logo aí da cauda uma cabeça e tudo mudaria de figura, e não seria mal pensado de todo. Revista no D. Carlos, concertos populares all night long no D. Maria II, novelas na RTP1 e BBC Vida Selvagem na RTP2. Mais coisa menos coisa. E com a falta de espaço que há em Lisboa – com o resto do país não tem que preocupar-se – tenho a certeza que o amigo Santana iria agradecer, pois logo se lembraria de como reabilitar todos os demais teatros, entretanto fechados para obras. Mas assegure bem o contrato que faz, não vão querer o LaFéria no cargo, ele capaz até de transformar a Assembleia da República num espectáculo de sucesso, com giras de norte a sul e tudo o mais – e toda a gente sabe que não há paciência para aturar uma sessão plenária até ao fim.
Eduardo César
Relatório do desenvolvimento humano da ONU -CEI / Europa Central e Oriental
Região em crise
Esta região assiste a descidas catastróficas dos rendimentos. É a única região do mundo onde, na realidade, o Índice de Desenvolvimento Humano está a descer (na África Subsariana está apenas a desacelerar). As taxas de pobreza subiram acentuadamente, tendo triplicado ao longo da década. Os habitantes desta região chegaram ao final deste período com menos saúde, rendimentos médios mais baixos e uma taxa de escolarização primária inferior à taxa média da América Latina. Em vários países da região, no final dos anos 90, os níveis de rendimentos aproximaram-se dos dos países menos avançados do mundo. Estas tendências negativas remontam à década de 1980, mas os dados relativos à de 1990 dão uma ideia da dimensão do declínio:
• A pobreza aumentou para mais do triplo, passando a afectar quase 100 milhões de pessoas – 20% da população da região.
• Isto deveu-se sobretudo à estagnação ou à inversão das tendências em matéria de rendimentos médios em toda a região. Os decréscimos mais pronunciados registaram-se na CEI, em particular na Ucrânia, Turquemenistão, Geórgia, Moldávia, Quirguistão e Tajiquistão.
Países Prioritários
Cinco países da região são classificados como “prioritários” pelo RDH, pois apresentam níveis elevados de pobreza e, ao mesmo tempo, exigem acção urgente para inverter ou acelerar drasticamente as actuais tendências, a fim de poderem alcançar os Objectivos. É surpreendente que pareça não haver grande mobilização internacional em torno da questão da pobreza nestes países. É claro que eles são um exemplo das consequências de Estados que fracassaram e da ameaça que isso representa para o resto do mundo. Nestes países não existe uma solução de compromisso entre os gastos para reduzir a pobreza e as despesas com a segurança. Os cinco países “prioritários” são:
• Tajiquistão, Cazaquistão, Turquemenistão, Uzbequistão e Moldávia.
Destino desigual
Embora, na região, as taxas globais no que se refere ao ensino primário, ao acesso a água salubre e a não passar fome sejam próximas dos padrões dos países ricos, há contrastes evidentes por trás do desempenho médio da região. Os contrastes fazem-se sentir entre as sub-regiões e países, existindo também no interior dos próprios países. Existe uma diferença acentuada entre países da Europa Oriental como a Polónia, a República Checa e a Eslovénia, onde a perspectiva de adesão à UE dá esperança de melhorias, e os sete países da CIS onde o futuro parece sombrio. O Relatório do Desenvolvimento Humano refere o contraste acentuado existente entre o desempenho dos países da Europa Central e Oriental e o dos que pertenciam à ex-União Soviética. Estes últimos apresentam níveis de pobreza humana mais elevada e, na década de 1990, conheceram inversões mais acentuadas das tendências no domínio do desempenho, no que se refere à consecução dos Objectivos.
Federação Russa: Alcoolismo e o VIH/SIDA agravam a desigualdade
O Relatório salienta também um aumento impressionante das disparidades na esfera dos rendimentos na Federação Russa. Neste país, a rápida propagação do VIH/SIDA, o aumento do alcoolismo e as repercussões violentas do abrandamento da economia na década de 1990 estão a afectar algumas regiões e grupos mais do que outros, aumentando as clivagens entre os grandes centros urbanos e o resto do país.
Feminização da pobreza
O impacte da pobreza crescente está a fazer-se sentir desproporcionadamente nas mulheres. Na Rússia, por exemplo, os dados sobre salários mostram que os salários das mulheres foram afectados de uma maneira desproporcionada pela grande baixa geral dos rendimentos. Isto é apenas um exemplo de um grande número de elementos quantitativos e qualitativos que apontam para um padrão semelhante.
Alguns êxitos
Alguns países da Europa Central e Oriental conseguiram melhorias notáveis: a República Checa, a Hungria, a Polónia, a Eslováquia e a Eslovénia estão prestes a tornar-se membros da União Europeia. O desafio é replicar estes êxitos em países da CEI que se esforçam por avançar. Os sete países da CEI – Arménia, Azerbaijão, Geórgia, Quirguistão, Moldávia, Tajiquistão e Uzbequistão – chegaram ao final dos anos 90 com rendimentos próximos dos dos países menos avançados.
Região em crise
Esta região assiste a descidas catastróficas dos rendimentos. É a única região do mundo onde, na realidade, o Índice de Desenvolvimento Humano está a descer (na África Subsariana está apenas a desacelerar). As taxas de pobreza subiram acentuadamente, tendo triplicado ao longo da década. Os habitantes desta região chegaram ao final deste período com menos saúde, rendimentos médios mais baixos e uma taxa de escolarização primária inferior à taxa média da América Latina. Em vários países da região, no final dos anos 90, os níveis de rendimentos aproximaram-se dos dos países menos avançados do mundo. Estas tendências negativas remontam à década de 1980, mas os dados relativos à de 1990 dão uma ideia da dimensão do declínio:
• A pobreza aumentou para mais do triplo, passando a afectar quase 100 milhões de pessoas – 20% da população da região.
• Isto deveu-se sobretudo à estagnação ou à inversão das tendências em matéria de rendimentos médios em toda a região. Os decréscimos mais pronunciados registaram-se na CEI, em particular na Ucrânia, Turquemenistão, Geórgia, Moldávia, Quirguistão e Tajiquistão.
Países Prioritários
Cinco países da região são classificados como “prioritários” pelo RDH, pois apresentam níveis elevados de pobreza e, ao mesmo tempo, exigem acção urgente para inverter ou acelerar drasticamente as actuais tendências, a fim de poderem alcançar os Objectivos. É surpreendente que pareça não haver grande mobilização internacional em torno da questão da pobreza nestes países. É claro que eles são um exemplo das consequências de Estados que fracassaram e da ameaça que isso representa para o resto do mundo. Nestes países não existe uma solução de compromisso entre os gastos para reduzir a pobreza e as despesas com a segurança. Os cinco países “prioritários” são:
• Tajiquistão, Cazaquistão, Turquemenistão, Uzbequistão e Moldávia.
Destino desigual
Embora, na região, as taxas globais no que se refere ao ensino primário, ao acesso a água salubre e a não passar fome sejam próximas dos padrões dos países ricos, há contrastes evidentes por trás do desempenho médio da região. Os contrastes fazem-se sentir entre as sub-regiões e países, existindo também no interior dos próprios países. Existe uma diferença acentuada entre países da Europa Oriental como a Polónia, a República Checa e a Eslovénia, onde a perspectiva de adesão à UE dá esperança de melhorias, e os sete países da CIS onde o futuro parece sombrio. O Relatório do Desenvolvimento Humano refere o contraste acentuado existente entre o desempenho dos países da Europa Central e Oriental e o dos que pertenciam à ex-União Soviética. Estes últimos apresentam níveis de pobreza humana mais elevada e, na década de 1990, conheceram inversões mais acentuadas das tendências no domínio do desempenho, no que se refere à consecução dos Objectivos.
Federação Russa: Alcoolismo e o VIH/SIDA agravam a desigualdade
O Relatório salienta também um aumento impressionante das disparidades na esfera dos rendimentos na Federação Russa. Neste país, a rápida propagação do VIH/SIDA, o aumento do alcoolismo e as repercussões violentas do abrandamento da economia na década de 1990 estão a afectar algumas regiões e grupos mais do que outros, aumentando as clivagens entre os grandes centros urbanos e o resto do país.
Feminização da pobreza
O impacte da pobreza crescente está a fazer-se sentir desproporcionadamente nas mulheres. Na Rússia, por exemplo, os dados sobre salários mostram que os salários das mulheres foram afectados de uma maneira desproporcionada pela grande baixa geral dos rendimentos. Isto é apenas um exemplo de um grande número de elementos quantitativos e qualitativos que apontam para um padrão semelhante.
Alguns êxitos
Alguns países da Europa Central e Oriental conseguiram melhorias notáveis: a República Checa, a Hungria, a Polónia, a Eslováquia e a Eslovénia estão prestes a tornar-se membros da União Europeia. O desafio é replicar estes êxitos em países da CEI que se esforçam por avançar. Os sete países da CEI – Arménia, Azerbaijão, Geórgia, Quirguistão, Moldávia, Tajiquistão e Uzbequistão – chegaram ao final dos anos 90 com rendimentos próximos dos dos países menos avançados.
quarta-feira, outubro 08, 2003
Desemprego: a saga continua
A minha situação de desempregado é aparentemente desvantajosa, não é?
Pois desenganem-se!
Acabei de receber um convite para uma conferência na Faculdade de Ciências de Lisboa. Hoje uma conferência, amanhã um convite para um lugarzinho catita na dita Universidade ou outra qualquer perto de mim; o tema sobre o qual devo espraiar ideias e considerações enquanto especialista é:
"A dificuldade em encontrar emprego como biólogo no mercado de trabalho".
Acho que começo a dominar o animal.... Estou pronto para a liça. O espectro do desemprego começa a esfumar-se diante dos meus olhos. Vou tornar-me um especialista do desemprego, um arauto dessa grande minoria em constante crescimento. Eles que venham, que eu já tou a dominar a cena toda. Em vez de me sentir acossado pelo touro, trata-se agora de pegar no touro pelos cornos, cortá-lo às postas e passar o resto da vida a comer pequeninas fatias de touro na brasa, em molho de escabeche ou estufado com batatinhas salteadas (metaforicamente falando, o touro representa o desemprego abjecto, enquanto que o acossado sou eu, não sei se estão a ver).
PP
A minha situação de desempregado é aparentemente desvantajosa, não é?
Pois desenganem-se!
Acabei de receber um convite para uma conferência na Faculdade de Ciências de Lisboa. Hoje uma conferência, amanhã um convite para um lugarzinho catita na dita Universidade ou outra qualquer perto de mim; o tema sobre o qual devo espraiar ideias e considerações enquanto especialista é:
"A dificuldade em encontrar emprego como biólogo no mercado de trabalho".
Acho que começo a dominar o animal.... Estou pronto para a liça. O espectro do desemprego começa a esfumar-se diante dos meus olhos. Vou tornar-me um especialista do desemprego, um arauto dessa grande minoria em constante crescimento. Eles que venham, que eu já tou a dominar a cena toda. Em vez de me sentir acossado pelo touro, trata-se agora de pegar no touro pelos cornos, cortá-lo às postas e passar o resto da vida a comer pequeninas fatias de touro na brasa, em molho de escabeche ou estufado com batatinhas salteadas (metaforicamente falando, o touro representa o desemprego abjecto, enquanto que o acossado sou eu, não sei se estão a ver).
PP
Os abutres dos media
Ontem, quando apareceu a notícia da demissão de Martins da Cruz, vinha logo em caixa (cinzenta) um extenso historial do ex-ministro. O que quer dizer que antes de acontecer, já tinham tudo preparado com antecedência, à espera da eventual demissão; de certeza que todas as figuras políticas assim que tremem um bocadinho têm logo direito a uma legião de abutres a rondar sobre as suas cabeças, preparando as histórias das suas vidas, na eventualidade da sua morte política acontecer de um dia para o outro. Já viram o drama destes jornalistas, se o ministro não se tivesse demitido? o que fez o historial do Lynce já tinha encaixado o graveto das reportagens, que é como quem diz que já estava a limpar os ossos da carcaça política do ex-ministro, enquanto que o seu companheiro de lides, ainda continuava para ali às voltas, sem que Martins da Cruz se decidisse a tombar moribundo.... De certeza que para o Papa já há uma legião de abutres a preparar resmas e resmas de páginas de historial, salivando na antecipação da seu afastamento ou da sua morte.....
PP
Ontem, quando apareceu a notícia da demissão de Martins da Cruz, vinha logo em caixa (cinzenta) um extenso historial do ex-ministro. O que quer dizer que antes de acontecer, já tinham tudo preparado com antecedência, à espera da eventual demissão; de certeza que todas as figuras políticas assim que tremem um bocadinho têm logo direito a uma legião de abutres a rondar sobre as suas cabeças, preparando as histórias das suas vidas, na eventualidade da sua morte política acontecer de um dia para o outro. Já viram o drama destes jornalistas, se o ministro não se tivesse demitido? o que fez o historial do Lynce já tinha encaixado o graveto das reportagens, que é como quem diz que já estava a limpar os ossos da carcaça política do ex-ministro, enquanto que o seu companheiro de lides, ainda continuava para ali às voltas, sem que Martins da Cruz se decidisse a tombar moribundo.... De certeza que para o Papa já há uma legião de abutres a preparar resmas e resmas de páginas de historial, salivando na antecipação da seu afastamento ou da sua morte.....
PP
Nota botânica XI (acho eu) - Urtiga
Planta perene da família das Urticáceas. Planta coberta de pelos urticantes (vocês sabem do que eu estou a falar...).
A urtiga é um bom estimulante digestivo e antidiarreica, sendo mesmo considerada um laxante suave (decocção da raiz seca).
Homeostática, detendo as hemorragias e prevenindo o fluxo descontrolado do sangue (suco da planta fresca).
Combate eficazmente a arteriosclerose e a diabetes (tisana de urtiga).
Diurética (com a raiz).
Boa comestível, bastando para isso cozê-la. Boa para a pele, combatendo a acne, os eczemas e o herpes (pôr urtigas secas na água do banho).
Também é boa para o tratamento capilar (caspa, seborreia e calvície): maceração de 100 gr de urtiga e alecrim secos num litro de anis durante 15 dias; fazer fricções no couro cabeludo de manhã e à noite. Talvez funcione, mas deve ter o mesmo efeito na companheira que morfar duas cabeças de alho antes de se deitar.
Pra rematar, o meu cunhado tem um livrinho já com uma certa idade (parece que é ainda do séc. XIX) que se chama "higiene e fisiologia no casamento" onde aconselham esfregar urtigas frescas (sim frescas!) nas partes íntimas masculinas para dar melhores, maiores e mais duradoiras erecções; a avaliar pelo efeito irrigante (para além de irritante) que as urtigas têm, não me espanta que a coisa funcione, mas fosga-se, deve ser preciso tar mesmo muito precisadinho para alguém se sujeitar a esfregar um molho de urtigas no marsápio. A fisiologia até deve funcionar; da higiene da coisa já não ponho as minhas mãos no fogo. Se ainda por cima se enganar e passar as ditas um bocadinho mais abaixo, nas pregas testiculares, então para além da fogosidade, tem também gritadeira garantida para umas horitas; sem espinhas!
PP
PS - sabiam que os polvos também têm grandes erecções (sem urtigas nem nada)?
Planta perene da família das Urticáceas. Planta coberta de pelos urticantes (vocês sabem do que eu estou a falar...).
A urtiga é um bom estimulante digestivo e antidiarreica, sendo mesmo considerada um laxante suave (decocção da raiz seca).
Homeostática, detendo as hemorragias e prevenindo o fluxo descontrolado do sangue (suco da planta fresca).
Combate eficazmente a arteriosclerose e a diabetes (tisana de urtiga).
Diurética (com a raiz).
Boa comestível, bastando para isso cozê-la. Boa para a pele, combatendo a acne, os eczemas e o herpes (pôr urtigas secas na água do banho).
Também é boa para o tratamento capilar (caspa, seborreia e calvície): maceração de 100 gr de urtiga e alecrim secos num litro de anis durante 15 dias; fazer fricções no couro cabeludo de manhã e à noite. Talvez funcione, mas deve ter o mesmo efeito na companheira que morfar duas cabeças de alho antes de se deitar.
Pra rematar, o meu cunhado tem um livrinho já com uma certa idade (parece que é ainda do séc. XIX) que se chama "higiene e fisiologia no casamento" onde aconselham esfregar urtigas frescas (sim frescas!) nas partes íntimas masculinas para dar melhores, maiores e mais duradoiras erecções; a avaliar pelo efeito irrigante (para além de irritante) que as urtigas têm, não me espanta que a coisa funcione, mas fosga-se, deve ser preciso tar mesmo muito precisadinho para alguém se sujeitar a esfregar um molho de urtigas no marsápio. A fisiologia até deve funcionar; da higiene da coisa já não ponho as minhas mãos no fogo. Se ainda por cima se enganar e passar as ditas um bocadinho mais abaixo, nas pregas testiculares, então para além da fogosidade, tem também gritadeira garantida para umas horitas; sem espinhas!
PP
PS - sabiam que os polvos também têm grandes erecções (sem urtigas nem nada)?
Nota biológica?
Nem setes nem três; o número mágico é mesmo 100 000. Porquê? porque se descobriu que a maioria dos seres vivos (e isto das maiorias em democracia é que interessa) com coração tem uma duração de vida de 100 000 batidas. Claro que aqueles em que o coração bate muito depressa, tipo os ratinhos ou colibris, vivem pouco tempo (4 anitos); em contrapartida, os bexinhos (provedores de ortografia, o erro é propositado) com vagar nas batidas do coração, são os que têm a vidinha mais longa, como os elefantes e as tartarugas. Por isso é fácil perceber que o desporto não faz bem nenhum à saúde: ao acelerarmos o nosso ritmo cardíaco aceleramos a vinda da nossa morte.
Mas porque carga de água é que há um limite? porque é que existe um prazo de validade (a pergunta à primeira vista parece estúpida ou pelo menos óbvia, mas gastam-se milhões e milhões por ano a tentar descobrir uma resposta)?
Parece que ao contrário do que pensávamos, o oxigénio é um veneno que nos vai matando lentamente (mais outro mito que cai por terra; continuem a fumar, que enquanto fumam evitam que o O2 maléfico vos entre para a veia), ao ser usado na produção energética do nosso corpo; à semelhança das centrais nucleares, o oxigénio tem como subprodutos da combustão celular radicais livres, que são altamente corrosivos para qualquer célula do organismo. São estes radicais livres que vão destruir inexoravelmente as células do nosso organismo, provocando ao fim de umas dezenas de anos a morte.
No entanto, há grupos de animais que conseguem exceder as 100 000 batidas, como os morcegos e os pássaros (malditos minoritários); parece que têm no organismo um poderoso antioxidante que os protege contra os malefícios do oxigénio, tipo os líquidos anti ferrugem com que se pintam os portões (não, não experimentem emborcar esses líquidos na esperança de ficar com a pele macia como um bébé porque não somos nenhum pedaço de ferro). Vai daí, espetaram com um antioxidante num nematode e duplicaram-lhe o tempo de vida. Vai daí, estão a fazer o mesmo com ratinhos e a pensar que se resultar, talvez tenham descoberto o elixir da juventude. E agora venha daí a pergunta: será que alguém quer viver até aos 160 anos? bem, se o tal elixir mantiver as pessoas jovens talvez sim; imaginando que fosse possível, o aumento de população não seria o fim da humanidade?? cá fica uma profunda para reflectir...
PP
Nygolaimus papilloides - Este é o herói que duplicou a vida...ou um muito parecido
PS - claro que a tirada do tabaco está mal contada; o tabaco potencia ainda mais a produção de radicais livres (tipo umas 10 ou 100 vezes mais) e é por isso que é tão maléfico; os cancrozinhos e outras prendas originam-se quando os radicais livres fustigam brutalmente as nossas células sãs. Pensavam que se safavam, era? É que lembrem-se que “o tabaco provoca uma morte lenta e dolorosa” in Português (ex – Português suave). Vou propor como mensagem educativa esta cientificamente muito mais correcta: “o tabaco aumenta entre 10 a 100 vezes o número de radicais livres”; fosga-se, era vê-los todos cagados de medo a mandarem os maços todos pela sanita a baixo...
Nem setes nem três; o número mágico é mesmo 100 000. Porquê? porque se descobriu que a maioria dos seres vivos (e isto das maiorias em democracia é que interessa) com coração tem uma duração de vida de 100 000 batidas. Claro que aqueles em que o coração bate muito depressa, tipo os ratinhos ou colibris, vivem pouco tempo (4 anitos); em contrapartida, os bexinhos (provedores de ortografia, o erro é propositado) com vagar nas batidas do coração, são os que têm a vidinha mais longa, como os elefantes e as tartarugas. Por isso é fácil perceber que o desporto não faz bem nenhum à saúde: ao acelerarmos o nosso ritmo cardíaco aceleramos a vinda da nossa morte.
Mas porque carga de água é que há um limite? porque é que existe um prazo de validade (a pergunta à primeira vista parece estúpida ou pelo menos óbvia, mas gastam-se milhões e milhões por ano a tentar descobrir uma resposta)?
Parece que ao contrário do que pensávamos, o oxigénio é um veneno que nos vai matando lentamente (mais outro mito que cai por terra; continuem a fumar, que enquanto fumam evitam que o O2 maléfico vos entre para a veia), ao ser usado na produção energética do nosso corpo; à semelhança das centrais nucleares, o oxigénio tem como subprodutos da combustão celular radicais livres, que são altamente corrosivos para qualquer célula do organismo. São estes radicais livres que vão destruir inexoravelmente as células do nosso organismo, provocando ao fim de umas dezenas de anos a morte.
No entanto, há grupos de animais que conseguem exceder as 100 000 batidas, como os morcegos e os pássaros (malditos minoritários); parece que têm no organismo um poderoso antioxidante que os protege contra os malefícios do oxigénio, tipo os líquidos anti ferrugem com que se pintam os portões (não, não experimentem emborcar esses líquidos na esperança de ficar com a pele macia como um bébé porque não somos nenhum pedaço de ferro). Vai daí, espetaram com um antioxidante num nematode e duplicaram-lhe o tempo de vida. Vai daí, estão a fazer o mesmo com ratinhos e a pensar que se resultar, talvez tenham descoberto o elixir da juventude. E agora venha daí a pergunta: será que alguém quer viver até aos 160 anos? bem, se o tal elixir mantiver as pessoas jovens talvez sim; imaginando que fosse possível, o aumento de população não seria o fim da humanidade?? cá fica uma profunda para reflectir...
PP
Nygolaimus papilloides - Este é o herói que duplicou a vida...ou um muito parecido
PS - claro que a tirada do tabaco está mal contada; o tabaco potencia ainda mais a produção de radicais livres (tipo umas 10 ou 100 vezes mais) e é por isso que é tão maléfico; os cancrozinhos e outras prendas originam-se quando os radicais livres fustigam brutalmente as nossas células sãs. Pensavam que se safavam, era? É que lembrem-se que “o tabaco provoca uma morte lenta e dolorosa” in Português (ex – Português suave). Vou propor como mensagem educativa esta cientificamente muito mais correcta: “o tabaco aumenta entre 10 a 100 vezes o número de radicais livres”; fosga-se, era vê-los todos cagados de medo a mandarem os maços todos pela sanita a baixo...
Notas cósmicas
Buracos negros
Um buraco negro de 16 km de diâmetro pode ter uma massa 100 000 vezes superiores ao nosso sol; traduzindo por míudos, se a Terra fosse um buraco negro teria o tamanho de uma cabeça de alfinete...(maizómenos)
Contas do Buraco Negro
Qual é o raio de um buraco negro com a massa igual a massa do Sol?
Um buraco negro tem velocidade de escape igual a c, a velocidade da luz, já que nem a luz escapa dele, e nada pode ter velocidade maior do que a velocidade da luz. Então,
vesc =
= c,
e o raio é chamado de Raio de Schwarszchild, ou raio do horizonte de eventos:
RSchw =
= 3 km
A ilustração representa ação do campo magnético da nuvem
de gás em torno de buraco negro
Praticamente todas as galáxias têm um buraco negro no seu centro... essa é que é essa...
Raios Gama
A descoberta de que estamos a ser bombardeados constantemente por raios gama (raios muito energéticos, resultantes de enormes catástofres no Universo, como quando umburaco negro se forma ou duas estrelas colidem) veio mudar radicalmente a ideia que os cientistas tinham do Universo; pelos vistos o Universo é um sítio muito mais violento e catastrófico do que aquilo que imaginávamos. Lá se foi a ideia bucólica e pacífica de um Universo calmo e místico. A próxima vez que olhar para as estrelas longínquas, vou estar o tempo todo a pensar em explosões cósmicas, choques brutais, buracos negros infernais, nuvens de antimatéria e outras coisas nada pacíficas ou calmas.....
PP
Buracos negros
Um buraco negro de 16 km de diâmetro pode ter uma massa 100 000 vezes superiores ao nosso sol; traduzindo por míudos, se a Terra fosse um buraco negro teria o tamanho de uma cabeça de alfinete...(maizómenos)
Contas do Buraco Negro
Qual é o raio de um buraco negro com a massa igual a massa do Sol?
Um buraco negro tem velocidade de escape igual a c, a velocidade da luz, já que nem a luz escapa dele, e nada pode ter velocidade maior do que a velocidade da luz. Então,
vesc =
= c,
e o raio é chamado de Raio de Schwarszchild, ou raio do horizonte de eventos:
RSchw =
= 3 km
A ilustração representa ação do campo magnético da nuvem
de gás em torno de buraco negro
Praticamente todas as galáxias têm um buraco negro no seu centro... essa é que é essa...
Raios Gama
A descoberta de que estamos a ser bombardeados constantemente por raios gama (raios muito energéticos, resultantes de enormes catástofres no Universo, como quando umburaco negro se forma ou duas estrelas colidem) veio mudar radicalmente a ideia que os cientistas tinham do Universo; pelos vistos o Universo é um sítio muito mais violento e catastrófico do que aquilo que imaginávamos. Lá se foi a ideia bucólica e pacífica de um Universo calmo e místico. A próxima vez que olhar para as estrelas longínquas, vou estar o tempo todo a pensar em explosões cósmicas, choques brutais, buracos negros infernais, nuvens de antimatéria e outras coisas nada pacíficas ou calmas.....
PP
A mistério das galinhas
A canícula deste Verão
Depois do número impressionante de mortes causadas pelo calor neste Verão (em França já chegaram às 16000 vítimas), vem a lume o número de galináceos que pereceu: em França, pelo menos 2 milhões de alados perderam a vida (não tenho link; foi o Mathias que me contou). Em Portugal desconheço o número, mas sei que um amigo meu teve como principal inimigo o calor: das 9 aves que criava, 6 (2 galos, 2 cocas e 2 galinhas) morreram de calor; depois de um ano em que as suas 18 galinhas serviram de repasto a uma família faminta de raposas, a canícula revelou-se agora um inimigo quase tão implacável como estas últimas. Os ovos ainda vai comendo, agora as galinhas, galinhas, carne branca biológica, ainda não teve oportunidade de lhes meter o dente.
Claro que depois da imensa reviravolta em Portugal com o número de vítimas humanas deste Verão escaldante, que passou de 4 a 6 (segundo as contas do nosso ministro) para mais de mil (quando foi a Europa a fazer as contas), o mesmo deverá acontecer com os galináceos; não deixemos que esta estatística seja falseada. Pelo que aconteceu ao meu amigo (que como amostra estatística deve ser quase tão credível como os primeiros relatórios do mosso ministro da saúde), é bem possível que 2/3 das nossas galinhas tenham perecido neste Verão. Onde é que esconderam as galinhas mortas, sr. Ministro? Porque é que nos andam a esconder as verdades? Não repita a história dos nitrofuranos, sr. ministro!
Depois de Lynce e Martins da Cruz, é bem provável que as próximas cabeças a rolar sejam as do ministro da saúde e da agricultura, por causa do desde já denominado caso de "a fuga das galinhas" (poderia ser "galinha gate", mas não tem a mesma mística...).
PP
Depois do número impressionante de mortes causadas pelo calor neste Verão (em França já chegaram às 16000 vítimas), vem a lume o número de galináceos que pereceu: em França, pelo menos 2 milhões de alados perderam a vida (não tenho link; foi o Mathias que me contou). Em Portugal desconheço o número, mas sei que um amigo meu teve como principal inimigo o calor: das 9 aves que criava, 6 (2 galos, 2 cocas e 2 galinhas) morreram de calor; depois de um ano em que as suas 18 galinhas serviram de repasto a uma família faminta de raposas, a canícula revelou-se agora um inimigo quase tão implacável como estas últimas. Os ovos ainda vai comendo, agora as galinhas, galinhas, carne branca biológica, ainda não teve oportunidade de lhes meter o dente.
Claro que depois da imensa reviravolta em Portugal com o número de vítimas humanas deste Verão escaldante, que passou de 4 a 6 (segundo as contas do nosso ministro) para mais de mil (quando foi a Europa a fazer as contas), o mesmo deverá acontecer com os galináceos; não deixemos que esta estatística seja falseada. Pelo que aconteceu ao meu amigo (que como amostra estatística deve ser quase tão credível como os primeiros relatórios do mosso ministro da saúde), é bem possível que 2/3 das nossas galinhas tenham perecido neste Verão. Onde é que esconderam as galinhas mortas, sr. Ministro? Porque é que nos andam a esconder as verdades? Não repita a história dos nitrofuranos, sr. ministro!
Depois de Lynce e Martins da Cruz, é bem provável que as próximas cabeças a rolar sejam as do ministro da saúde e da agricultura, por causa do desde já denominado caso de "a fuga das galinhas" (poderia ser "galinha gate", mas não tem a mesma mística...).
PP
Curso Breve Temático:O Desenvolvimento do Desenvolvimento
4 sessões, à 2ª feira
nos dias 13, 20 e 27 de Outubro e 3 de Novembro
das 18.30h às 20.30h
Auditório do Museu da República e Resistência*
Programa
1. O Nascimento da Cooperação para o Desenvolvimento: As Teorias de Modernização e o Plano Marshall - na senda do sucesso do Plano Marshall desenvolveram-se um conjunto de teorias sobre os factores que poderiam levar ao desenvolvimento – Teorias de Modernização – com particular destaque para as influentes ideias de Walt Whitman Rostow.
2. As Teorias de Dependência e as Exigências de uma Nova Ordem Económica Internacional - as transformações geopolíticas dos anos 60 e inícios de 70 levou a que numerosos países mais pobres se unissem a exigir uma “Nova Ordem Económica Internacional”, sacudindo fortemente a ordem estabelecida, uma ambição que foi decisivamente derrotada antes do final da década de 70.
3. A Crise da Dívida e o Ajustamento Estrutural - A possibilidade muito real de um colapso do sistema financeiro internacional devido à crise da dívida, levou a que fossem impostos medidas de ajustamento estrutural em quase todos os países devedores, medidas que representam um importante retrocesso para o desenvolvimento desses países.
4. O “Desenvolvimento Humano” e a Ortodoxia Contemporânea - a tentativa de adoptar uma abordagem mais integrada do fenómeno do desenvolvimento, o campo de estudo e de trabalho tem vindo a alargar-se para incluir factores que vão desde a realização pessoal à democracia e boa governação.
Formador: Professor Doutor João Gomes Cravinho
Formado na London School of Economics e doutorado por Oxford, João Gomes Cravinho é actualmente Professor Auxiliar da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Entre as suas publicações está o livro Visões do Mundo (2002). Tem muitos anos de actividade na área da cooperação para o desenvolvimento, e entre Janeiro de 2001 e Junho de 2002 foi Presidente do Instituto da Cooperação Portuguesa.
Nº vagas: 30
Pagamento: 75 euros, por cheque ou vale de correio à ordem do CIDAC
Informações: CIDAC - Maria Carreiro
Rua Pinheiro Chagas, 77 – 2ºEsq, 1069 – 069 Lisboa
Telf: 21 317 28 60 Fax: 21 317 2870
E-mail: cidac@cidac.pt
*Rua Alberto de Sousa, 10A – Zona B do Rego
Metro: Cidade Universitária, Entre Campos
Autocarros: 31, 31-A,32, 33, 38, 54, 55 e 63
4 sessões, à 2ª feira
nos dias 13, 20 e 27 de Outubro e 3 de Novembro
das 18.30h às 20.30h
Auditório do Museu da República e Resistência*
Programa
1. O Nascimento da Cooperação para o Desenvolvimento: As Teorias de Modernização e o Plano Marshall - na senda do sucesso do Plano Marshall desenvolveram-se um conjunto de teorias sobre os factores que poderiam levar ao desenvolvimento – Teorias de Modernização – com particular destaque para as influentes ideias de Walt Whitman Rostow.
2. As Teorias de Dependência e as Exigências de uma Nova Ordem Económica Internacional - as transformações geopolíticas dos anos 60 e inícios de 70 levou a que numerosos países mais pobres se unissem a exigir uma “Nova Ordem Económica Internacional”, sacudindo fortemente a ordem estabelecida, uma ambição que foi decisivamente derrotada antes do final da década de 70.
3. A Crise da Dívida e o Ajustamento Estrutural - A possibilidade muito real de um colapso do sistema financeiro internacional devido à crise da dívida, levou a que fossem impostos medidas de ajustamento estrutural em quase todos os países devedores, medidas que representam um importante retrocesso para o desenvolvimento desses países.
4. O “Desenvolvimento Humano” e a Ortodoxia Contemporânea - a tentativa de adoptar uma abordagem mais integrada do fenómeno do desenvolvimento, o campo de estudo e de trabalho tem vindo a alargar-se para incluir factores que vão desde a realização pessoal à democracia e boa governação.
Formador: Professor Doutor João Gomes Cravinho
Formado na London School of Economics e doutorado por Oxford, João Gomes Cravinho é actualmente Professor Auxiliar da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Entre as suas publicações está o livro Visões do Mundo (2002). Tem muitos anos de actividade na área da cooperação para o desenvolvimento, e entre Janeiro de 2001 e Junho de 2002 foi Presidente do Instituto da Cooperação Portuguesa.
Nº vagas: 30
Pagamento: 75 euros, por cheque ou vale de correio à ordem do CIDAC
Informações: CIDAC - Maria Carreiro
Rua Pinheiro Chagas, 77 – 2ºEsq, 1069 – 069 Lisboa
Telf: 21 317 28 60 Fax: 21 317 2870
E-mail: cidac@cidac.pt
*Rua Alberto de Sousa, 10A – Zona B do Rego
Metro: Cidade Universitária, Entre Campos
Autocarros: 31, 31-A,32, 33, 38, 54, 55 e 63
terça-feira, outubro 07, 2003
Passeio Pelo Sabor
Viva...
Aproveito para divulgar uma actividade que vai acontecer no próximo fim-de-semana, com o objectivo de juntar esforços para a salvaguarda de um rio único em Portugal, o qual será brevemente alvo duma tentativa de construção duma barragem.
Um abraço,
Miguel Nóvoa
Passeio Pelo Sabor...
PROGRAMA
Sexta feira (dia 10)
18h - Exposição de fotografias na aldeia de Soutelo (Mogadouro)
19h30 - Projecção de um filme para crianças em Viduedo (Soutelo)
21h30 - 22h - Encontro no café de Parada (Alfândega da Fé)
Sábado (dia 11)
8h30 - Encontro no café de Parada (Alfândega da Fé)
9h00 - Percurso pelo rio Sabor para observação de aves (levar merenda para almoço).
20h - Jantar
21h30 - Palestra "Por um Rio Sabor sem Barragens" proferida pelo Dr. José Teixeira
23h00 - Projecção do filme "Microcosmos"
24h00 - Projecção do filme "Irmão, onde estás"
Domingo (dia 12)
10h30 - Passeio e expedição fotográfica pelo Rio Sabor na área envolvente a S. Antão da Barca e aldeias vizinhas. Os rolos fotográficos serão revelados pela organização e entregue um CD a cada participante com todas as fotografias tiradas no fim-de-semana.
Levar calçado e roupa apropriada para caminhar, saco-cama, binóculos e máquina fotográfica.
Inscrição:
30¤ - inclui participação nas actividades, 2 noites de alojamento em S. Antão da Barca, jantar dia 11, merenda dia 12, pequenos-almoços, revelação e CDs com as fotografias do fim-de-semana.
5¤ - percurso guiado para observação de aves (gratuito para sócios da SPEA e Quercus).
Contactos para inscrições:
Miguel Nóvoa - 91 4093724
Bárbara Fráguas - 93 6274097
Quercus Bragança - 96 2657097
SPEA - 21 3220430
Viva...
Aproveito para divulgar uma actividade que vai acontecer no próximo fim-de-semana, com o objectivo de juntar esforços para a salvaguarda de um rio único em Portugal, o qual será brevemente alvo duma tentativa de construção duma barragem.
Um abraço,
Miguel Nóvoa
Passeio Pelo Sabor...
PROGRAMA
Sexta feira (dia 10)
18h - Exposição de fotografias na aldeia de Soutelo (Mogadouro)
19h30 - Projecção de um filme para crianças em Viduedo (Soutelo)
21h30 - 22h - Encontro no café de Parada (Alfândega da Fé)
Sábado (dia 11)
8h30 - Encontro no café de Parada (Alfândega da Fé)
9h00 - Percurso pelo rio Sabor para observação de aves (levar merenda para almoço).
20h - Jantar
21h30 - Palestra "Por um Rio Sabor sem Barragens" proferida pelo Dr. José Teixeira
23h00 - Projecção do filme "Microcosmos"
24h00 - Projecção do filme "Irmão, onde estás"
Domingo (dia 12)
10h30 - Passeio e expedição fotográfica pelo Rio Sabor na área envolvente a S. Antão da Barca e aldeias vizinhas. Os rolos fotográficos serão revelados pela organização e entregue um CD a cada participante com todas as fotografias tiradas no fim-de-semana.
Levar calçado e roupa apropriada para caminhar, saco-cama, binóculos e máquina fotográfica.
Inscrição:
30¤ - inclui participação nas actividades, 2 noites de alojamento em S. Antão da Barca, jantar dia 11, merenda dia 12, pequenos-almoços, revelação e CDs com as fotografias do fim-de-semana.
5¤ - percurso guiado para observação de aves (gratuito para sócios da SPEA e Quercus).
Contactos para inscrições:
Miguel Nóvoa - 91 4093724
Bárbara Fráguas - 93 6274097
Quercus Bragança - 96 2657097
SPEA - 21 3220430
O nosso amigo Sharon
"Apesar de ter atacado a Síria e, já hoje, o Líbano, Sharon promete que vai tentar encontrar a paz com os vizinhos árabes" (aqui).
Pelos vistos, Sharon utiliza a máxima dos cowboys aquando da guerra com os Índios; um Árabe bom é um Árabe morto..... vai daí, há que primeiro limpar o sarampo aos vizinhos e só depois "tentar encontrar a paz".
Só a frase "tentar encontrar a paz" faz-me lembrar a outra de "tentar encontrar armas de destruição maciça" utilizada pelos seus amiguinhos Americanos; vamos lá a ver se não tentam imitar os seus aliados e invadem primeiro os vizinhos todos - depois é uma questão de paciência e persistencia até encontrar a paz nos países Árabes desvastados, nem que para isso seja necessário levantar as pedrinhas todas que por ali houver à procura da paz fugidia - parece que os Americanos até já fizeram uma estrada para facilitar a busca!!
PP
"Apesar de ter atacado a Síria e, já hoje, o Líbano, Sharon promete que vai tentar encontrar a paz com os vizinhos árabes" (aqui).
Pelos vistos, Sharon utiliza a máxima dos cowboys aquando da guerra com os Índios; um Árabe bom é um Árabe morto..... vai daí, há que primeiro limpar o sarampo aos vizinhos e só depois "tentar encontrar a paz".
Só a frase "tentar encontrar a paz" faz-me lembrar a outra de "tentar encontrar armas de destruição maciça" utilizada pelos seus amiguinhos Americanos; vamos lá a ver se não tentam imitar os seus aliados e invadem primeiro os vizinhos todos - depois é uma questão de paciência e persistencia até encontrar a paz nos países Árabes desvastados, nem que para isso seja necessário levantar as pedrinhas todas que por ali houver à procura da paz fugidia - parece que os Americanos até já fizeram uma estrada para facilitar a busca!!
PP
Irritação sanguínea
Hoje fui dar sangue no Hospital de Évora. O Serviço abre às 10h, mas como já sei que regra geral tenho que esperar pela chegada do médico que me pergunta se estou bem antes de me autorizar a dar o meu sangue, cheguei pelas 10h30. Perfeito: não há mais ninguém, e o médico está livre. Pedem-me o cartão de utente, querem saber onde nasci, quem sou, para onde vou. Digo-lhes que estou com pressa, e que já dei sangue naquele Serviço um ror de vezes. Dizem-me que é para fazer um cartão novo. Respondo que não quero mais nenhum cartão, e que recuperem a info que debitei das outras vezes. Não, isto já não digo, não vale a pena. Finalmente dão-me a credencial à qual só falta o carimbo do médico. Médico!... Ele entretanto resolveu ir tomar café! Viu-me ali, mas ainda assim deslocou-se calmamente até ao bar. E eu espero. Espero. Desespero. Pergunto quem é o chefe do Serviço, se posso apresentar queixa. Dizem-me que o chefe é ele mesmo, o dito que me deixou pendurada. Ninguém o vai chamar. Lamentável. E eu espero. Espero, desespero, as coisas que deixei por fazer para ir ali às horas que lhes dá jeito a eles. Em condições normais, a relação médico-doente é profundamente desequilibrada: o doente precisa, sujeita-se; o médico pode, manda. Mas num Serviço de Sangue as coisas são totalmente diferentes: acreditem que tenho bastante mais que fazer (não, não tenho nenhuma dispensa de serviço – as coisas que tenho que fazer acumulam-se à minha espera), e que posso muito bem viver sem dar sangue! Dou sangue porque tenho a sorte de ser saudável, não é sacrifício nenhum (excepto a perda de tempo útil) e porque penso que se deve ser solidário com quem precisa – e estamos a falar de vida ou de morte. E porque regularmente recebo uma carta do Serviço de Sangue informando que têm falta do precioso líquido. Um Serviço onde todos são uma simpatia, o que é positivo e infelizmente raro. Mas não há pachorra, estou mesmo saturada: nunca fui dar sangue que não tivesse que esperar pelo médico que chega atrasado ou está no bar nas horas de serviço! Lamentável produtividade, lamentável falta de consideração pelos outros. Assim não dá. Não dou.
mpf
Hoje fui dar sangue no Hospital de Évora. O Serviço abre às 10h, mas como já sei que regra geral tenho que esperar pela chegada do médico que me pergunta se estou bem antes de me autorizar a dar o meu sangue, cheguei pelas 10h30. Perfeito: não há mais ninguém, e o médico está livre. Pedem-me o cartão de utente, querem saber onde nasci, quem sou, para onde vou. Digo-lhes que estou com pressa, e que já dei sangue naquele Serviço um ror de vezes. Dizem-me que é para fazer um cartão novo. Respondo que não quero mais nenhum cartão, e que recuperem a info que debitei das outras vezes. Não, isto já não digo, não vale a pena. Finalmente dão-me a credencial à qual só falta o carimbo do médico. Médico!... Ele entretanto resolveu ir tomar café! Viu-me ali, mas ainda assim deslocou-se calmamente até ao bar. E eu espero. Espero. Desespero. Pergunto quem é o chefe do Serviço, se posso apresentar queixa. Dizem-me que o chefe é ele mesmo, o dito que me deixou pendurada. Ninguém o vai chamar. Lamentável. E eu espero. Espero, desespero, as coisas que deixei por fazer para ir ali às horas que lhes dá jeito a eles. Em condições normais, a relação médico-doente é profundamente desequilibrada: o doente precisa, sujeita-se; o médico pode, manda. Mas num Serviço de Sangue as coisas são totalmente diferentes: acreditem que tenho bastante mais que fazer (não, não tenho nenhuma dispensa de serviço – as coisas que tenho que fazer acumulam-se à minha espera), e que posso muito bem viver sem dar sangue! Dou sangue porque tenho a sorte de ser saudável, não é sacrifício nenhum (excepto a perda de tempo útil) e porque penso que se deve ser solidário com quem precisa – e estamos a falar de vida ou de morte. E porque regularmente recebo uma carta do Serviço de Sangue informando que têm falta do precioso líquido. Um Serviço onde todos são uma simpatia, o que é positivo e infelizmente raro. Mas não há pachorra, estou mesmo saturada: nunca fui dar sangue que não tivesse que esperar pelo médico que chega atrasado ou está no bar nas horas de serviço! Lamentável produtividade, lamentável falta de consideração pelos outros. Assim não dá. Não dou.
mpf
O Iraque na 1ª pessoa
22 de setembro de 2003 - Tim Predmore, um soldado dos EUA no Iraque, pede o fim da ocupação baseada em mentiras
Nos últimos seis meses eu participei naquilo que acredito ser a grande mentira moderna: a operação “liberdade iraquiana”.
Depois dos horríveis eventos de 11 de setembro de 2001, e durante a batalha no Afeganistão, o terreno estava sendo preparado para a invasão do Iraque. "Choque e pavor" foi o termo utilizado para descrever a demonstração de poder que o mundo veria com o início da Operação Liberdade Iraquiana. Seria uma dramática exibição de força e tecnologia avançada desde os arsenais dos exércitos americano e britânico.
Qual é o nosso propósito aqui? Essa invasão foi por causa de armas de destruição em massa, como temos ouvido tão frequentemente? Se foi assim, onde elas estão? Nós invadimos o Iraque para eliminar um líder e seu regime porque estavam estreitamente associados a Osama bin Laden? Se foi assim, onde estão as provas? Ou será porque nossa incursão é um resultado de nossa própria supremacia militar e económica? O petróleo iraquiano pode ser refinado pelo menor custo do mundo. Será este facto uma coincidência?
Parece que esta cruzada dos tempos modernos foi feita não para libertar um povo oprimido ou para livrar o mundo de um ditador demoníaco incansável na sua busca pela conquista e domínio de uma região mas sim para controlar os recursos naturais de outro país.
Tim Predmore*
*Tim Predmore está no serviço ativo na 101ª Divisão de Infantaria próximo a Mossul, Iraque. Uma versão deste artigo apareceu no Peoria Journal Star, Illinois.
Artigo completo aqui
22 de setembro de 2003 - Tim Predmore, um soldado dos EUA no Iraque, pede o fim da ocupação baseada em mentiras
Nos últimos seis meses eu participei naquilo que acredito ser a grande mentira moderna: a operação “liberdade iraquiana”.
Depois dos horríveis eventos de 11 de setembro de 2001, e durante a batalha no Afeganistão, o terreno estava sendo preparado para a invasão do Iraque. "Choque e pavor" foi o termo utilizado para descrever a demonstração de poder que o mundo veria com o início da Operação Liberdade Iraquiana. Seria uma dramática exibição de força e tecnologia avançada desde os arsenais dos exércitos americano e britânico.
Qual é o nosso propósito aqui? Essa invasão foi por causa de armas de destruição em massa, como temos ouvido tão frequentemente? Se foi assim, onde elas estão? Nós invadimos o Iraque para eliminar um líder e seu regime porque estavam estreitamente associados a Osama bin Laden? Se foi assim, onde estão as provas? Ou será porque nossa incursão é um resultado de nossa própria supremacia militar e económica? O petróleo iraquiano pode ser refinado pelo menor custo do mundo. Será este facto uma coincidência?
Parece que esta cruzada dos tempos modernos foi feita não para libertar um povo oprimido ou para livrar o mundo de um ditador demoníaco incansável na sua busca pela conquista e domínio de uma região mas sim para controlar os recursos naturais de outro país.
Tim Predmore*
*Tim Predmore está no serviço ativo na 101ª Divisão de Infantaria próximo a Mossul, Iraque. Uma versão deste artigo apareceu no Peoria Journal Star, Illinois.
Artigo completo aqui
Afinal era tudo mentira...
A Páscoa, como o Natal, é quando um homem ou uma mulher quiser; assim, ao fim de 6 dias de morte aparente, 100nada ressuscitou; precisou do dobro do tempo do outro, o famoso, o JC, mas ao menos é ela a escrever os seus textos, não precisa de discípulos, nem do S. Marcos, nem do S. Mateus e menos ainda do S. João para lhe escrever a papinha toda. Primeiro devagarinho, depois com um bicho da conta a fazer escalada sem cordas e um rapelle forçado; é bem Catarina, ressuscitar é nascer de novo; ressuscitar é morrer ao contrário; sei lá.....
PP
A Páscoa, como o Natal, é quando um homem ou uma mulher quiser; assim, ao fim de 6 dias de morte aparente, 100nada ressuscitou; precisou do dobro do tempo do outro, o famoso, o JC, mas ao menos é ela a escrever os seus textos, não precisa de discípulos, nem do S. Marcos, nem do S. Mateus e menos ainda do S. João para lhe escrever a papinha toda. Primeiro devagarinho, depois com um bicho da conta a fazer escalada sem cordas e um rapelle forçado; é bem Catarina, ressuscitar é nascer de novo; ressuscitar é morrer ao contrário; sei lá.....
PP
Propinas III
A demissão de Lynce constitui um revés sem precedente para o movimento anti-propinas; é que para a greve de dia 25 de Outubro e para a Manif de princípios de Novembro os criativos já tinham preparado resmas de ditos hilariantes a propósito da extinção do "Lynce"; não deixando os seus créditos por mãos alheias, o Lynce acabou mesmo por se extinguir, em consonância com o caminho seguido pelo seu homónimo de quatro pantas e orelhas patuscas (claro que a escala ecológica - medida em milhares de anos - exige um bocadinho mais de tempo para as extinções que a escala politica - medida em períodos de 4 anos -); agora o drama é reinventar trocadilhos com o nome de Maria da Graça Carvalho. Aposto que os criativos vão pegar em "Graça", porque o ensino desejado é de graça. O futuro nos dirá.....
PP
A demissão de Lynce constitui um revés sem precedente para o movimento anti-propinas; é que para a greve de dia 25 de Outubro e para a Manif de princípios de Novembro os criativos já tinham preparado resmas de ditos hilariantes a propósito da extinção do "Lynce"; não deixando os seus créditos por mãos alheias, o Lynce acabou mesmo por se extinguir, em consonância com o caminho seguido pelo seu homónimo de quatro pantas e orelhas patuscas (claro que a escala ecológica - medida em milhares de anos - exige um bocadinho mais de tempo para as extinções que a escala politica - medida em períodos de 4 anos -); agora o drama é reinventar trocadilhos com o nome de Maria da Graça Carvalho. Aposto que os criativos vão pegar em "Graça", porque o ensino desejado é de graça. O futuro nos dirá.....
PP
segunda-feira, outubro 06, 2003
Pacheco Pereira eleito primeiro-ministro da blogosfera
Pacheco Pereira assume assim oficialmente uma posição que já era sua, a de bloguista-mor, e mostra-se esperançado num futuro brilhante para a blogosfera nacional. “Vamos continuar a trabalhar para que, um dia que já não virá muito distante, todos os portugueses tenham um blog e, para que isso aconteça, vamos instalar computadores ligados à internet em todas as maternidades do país para que os jovens possam começar desde cedo a partilhar o que lhes vai na alma com o ciberespaço,” afirma, adiantando de seguida mais um projecto seu: “Vamos também propor ao governo português que crie a disciplina de Técnicas e Teorias da Bloguização e a inclua nos curricula escolares com carácter obrigatório, substituindo a disciplina de matemática que só tem servido para nos dar más estatísticas.”
Para o seu governo, Pacheco Pereira, satisfeito por poder mandar em alguém (algo que não acontecia desde que foi presidente do grupo parlamentar do PSD em 1995 e chefe da brigada juvenil do PCTP-MRPP responsável pelo desenvolvimento de uma bomba nuclear de fabrico caseiro a partir de detergentes para a louça, banha de porco e aguardente), pretende convidar outros bloguistas ilustres. Para já, o único que se conhece é o autor do blog “O Meu Pipi” que Pacheco gostaria de ter como seu ministro da Cultura.
Leia o artigo completo em Inepcia
Pacheco Pereira assume assim oficialmente uma posição que já era sua, a de bloguista-mor, e mostra-se esperançado num futuro brilhante para a blogosfera nacional. “Vamos continuar a trabalhar para que, um dia que já não virá muito distante, todos os portugueses tenham um blog e, para que isso aconteça, vamos instalar computadores ligados à internet em todas as maternidades do país para que os jovens possam começar desde cedo a partilhar o que lhes vai na alma com o ciberespaço,” afirma, adiantando de seguida mais um projecto seu: “Vamos também propor ao governo português que crie a disciplina de Técnicas e Teorias da Bloguização e a inclua nos curricula escolares com carácter obrigatório, substituindo a disciplina de matemática que só tem servido para nos dar más estatísticas.”
Para o seu governo, Pacheco Pereira, satisfeito por poder mandar em alguém (algo que não acontecia desde que foi presidente do grupo parlamentar do PSD em 1995 e chefe da brigada juvenil do PCTP-MRPP responsável pelo desenvolvimento de uma bomba nuclear de fabrico caseiro a partir de detergentes para a louça, banha de porco e aguardente), pretende convidar outros bloguistas ilustres. Para já, o único que se conhece é o autor do blog “O Meu Pipi” que Pacheco gostaria de ter como seu ministro da Cultura.
Leia o artigo completo em Inepcia
Nobre
Já que estou em maré de recomendar leituras, faço notar a muito interessante entrevista a Fernando Nobre, presidente da AMI, efetuada por Daniel Oliveira (jornalista, membro da Mesa Nacional do BE e membro da equipa do barnabé) que saiu no último número (3) da revista "Manifesto" da Política XXI.
Vale a pena comprar a revista só para ler e guardar essa entrevista.
Fernando Nobre refere a forma como alguns países se estão a apropriar da ajuda humanitária (mais ou menos como alguns partidos se apropriam de movimentos sociais...), levando a que os verdadeiros ajudantes humanitários se passem a tornar alvos de guerra legítimos (lembremo-nos do Sérgio Vieira de Melo...). E muitos outros assuntos relevantes para movimentos sociais. A não perder...
Luís Lavoura
Já que estou em maré de recomendar leituras, faço notar a muito interessante entrevista a Fernando Nobre, presidente da AMI, efetuada por Daniel Oliveira (jornalista, membro da Mesa Nacional do BE e membro da equipa do barnabé) que saiu no último número (3) da revista "Manifesto" da Política XXI.
Vale a pena comprar a revista só para ler e guardar essa entrevista.
Fernando Nobre refere a forma como alguns países se estão a apropriar da ajuda humanitária (mais ou menos como alguns partidos se apropriam de movimentos sociais...), levando a que os verdadeiros ajudantes humanitários se passem a tornar alvos de guerra legítimos (lembremo-nos do Sérgio Vieira de Melo...). E muitos outros assuntos relevantes para movimentos sociais. A não perder...
Luís Lavoura
Propinas II
Aquilo que o Paulo aqui disse será verdade, mas também é verdade que o ensino superior custa dinheiro (o meu dinheiro, porque eu pago impostos, não lhes fujo), e esse dinheiro é muito mal gasto em certos casos. Ora, os estudantes não deveriam assumir a postura corporativa que de facto assumem, e que consiste em defender todos por igual -- defender tanto aqueles que se portam bem e são honestos como aqueles que se portam mal e são desonestos. Tal como os trabalhadores da Auto-Europa compreendem os problemas da empresa e fazem propostas de negociação realistas, os estudantes também têm a obrigação de compreender os problemas que as pessoas como eu têm em andar a pagar para alguns deles não aprenderem nada.
Uma proposta realista, simples de aplicar, era a seguinte: cada estudante, em cada ano, inscreve-se nas cadeiras que desejar. (Só é autorizado a fazer exame desde que esteja inscrito!) A primeira inscrição de cada estudante em cada cadeira é gratuita -- nós, os pagadores de impostos, pagamos. Na segunda inscrição, o estudante paga 50% do valor da cadeira -- o qual é determinado por cada universidade, em função dos salários dos professores que lecionam a cadeira, dos custos dos reagentes laboratoriais, etc. As inscrições para além da segunda são totalmente por conta do estudante, os taxpayers não pagam nada.
Esta proposta é realista e simples. Aplica-se a trabalhadores-estudantes. Aplica-se a pobres e a ricos. Aplica-se a inteligentes e menos inteligentes. É responsabilizadora. Cada um só se inscreve nas cadeiras que acha estar em condições de fazer, e pronto. E é uma proposta que distingue entre as universidades boas e as menos boas, conforme o ministro quer -- e eu acho muito bem. E premeia o ensino de qualidade, conforme o ministro quer -- e tem toda a razão.
Será que não há forma de, de uma vez por todas, abandonarmos os corporativismos?
Luís Lavoura
Aquilo que o Paulo aqui disse será verdade, mas também é verdade que o ensino superior custa dinheiro (o meu dinheiro, porque eu pago impostos, não lhes fujo), e esse dinheiro é muito mal gasto em certos casos. Ora, os estudantes não deveriam assumir a postura corporativa que de facto assumem, e que consiste em defender todos por igual -- defender tanto aqueles que se portam bem e são honestos como aqueles que se portam mal e são desonestos. Tal como os trabalhadores da Auto-Europa compreendem os problemas da empresa e fazem propostas de negociação realistas, os estudantes também têm a obrigação de compreender os problemas que as pessoas como eu têm em andar a pagar para alguns deles não aprenderem nada.
Uma proposta realista, simples de aplicar, era a seguinte: cada estudante, em cada ano, inscreve-se nas cadeiras que desejar. (Só é autorizado a fazer exame desde que esteja inscrito!) A primeira inscrição de cada estudante em cada cadeira é gratuita -- nós, os pagadores de impostos, pagamos. Na segunda inscrição, o estudante paga 50% do valor da cadeira -- o qual é determinado por cada universidade, em função dos salários dos professores que lecionam a cadeira, dos custos dos reagentes laboratoriais, etc. As inscrições para além da segunda são totalmente por conta do estudante, os taxpayers não pagam nada.
Esta proposta é realista e simples. Aplica-se a trabalhadores-estudantes. Aplica-se a pobres e a ricos. Aplica-se a inteligentes e menos inteligentes. É responsabilizadora. Cada um só se inscreve nas cadeiras que acha estar em condições de fazer, e pronto. E é uma proposta que distingue entre as universidades boas e as menos boas, conforme o ministro quer -- e eu acho muito bem. E premeia o ensino de qualidade, conforme o ministro quer -- e tem toda a razão.
Será que não há forma de, de uma vez por todas, abandonarmos os corporativismos?
Luís Lavoura
POLÍTICA E JUSTIÇA BRANCAS
António Pedro Dores*
antónio.dores@iscte.pt
A Marcha Branca pelos direitos das crianças foi um sucesso em Portugal.
Temos que nos congratular e perguntar o que se está a passar que permitiu esse evento agora, para cumprirmos o desejo de que a defesa das crianças não seja apenas uma efeméride anual, e a violação dos seus direitos o quotidiano.
Há vários movimentos internacionais contra o abuso de crianças. Um deles atacou, uns anos atrás, Portugal por não combater o trabalho infantil. Só nessa altura o Estado português instalou um serviço dedicado a esse assunto, dirigido pela Drª Catalina Pestana, com resultados práticos, embora sem conseguir debelar o problema: No caso do abuso sexual, os ecos chegam-nos da Bélgica, através da Marcha Branca, e dos EUA, pela proposta de um dia mundial contra o abuso sexual de crianças a consagrar pela ONU, e a celebrar dia 19 de Novembro. Este ano, Portugal vai participar através da convocatória de uma vigília em frente ao Palácio de Belém. Desejamos um sucesso equivalente à Marcha Branca e que os dois movimentos internacionais
se possam encontrar e ajudar mutuamente.
Em termos práticos, entretanto, foi criado um organismo de Estado para defesa dos direitos das crianças, dirigido por uma senhora magistrada que se tem destacado nessa cruzada - Drª Dulce Rocha. A pergunta é: será isso suficiente? Ou é apenas uma reacção política, no pior sentido, enquanto os ânimos estão exaltados? À espera que as coisas voltem à normalidade, para que possamos novamente dormir descansados, enquanto as crianças são abusadas em silêncio, como desejou um conhecido psiquiatra num douta entrevista televisiva?
Na Marcha Branca de Lisboa, se houve acontecimento importante foi a politização – no bom sentido – da manifestação, rompendo com o silêncio para gritar palavras de ordem e bater palmas. Manifestação de mulheres, de todas as classes sociais, que sabem bem, sempre souberam, como as crianças são abusadas a coberto do silêncio. Muitas dessas mulheres não se escusaram a assumir a responsabilidade de termos estado calados e gritaram a quem parecia admoestá-las por terem tomado a palavra: “Caladas já estivemos nós demasiado tempo!” Efectivamente.
Pessoalmente, não estou nada de acordo com a extrema judicialização do assunto, com gritos a favor de juizes contra advogados e com reivindicações de maior dureza do processo penal. Embora compreenda ser essa uma frente de luta importante e esgotante para muitos daqueles que se viram lançados na fogueira mediática por uma boa causa, enquanto os políticos, propriamente ditos, fogem do assunto como diabo da cruz com o pretexto de que a justiça é independente do poder executivo e não deve ser pressionada. Como não estou de acordo com a psicologização do assunto, centrado no pseudo-problema científico sobre a mentira, assunto de facto ignorado pela ciência e, em particular, pelas ciências psicológicas, a não ser quando coloniza as ciências criminais. Por isso me surpreendeu, pela positiva, a intervenção de Ana Gomes, em nome do Partido Socialista, que fez uma declaração política de alto valor, que merece ser transcrita, meditada, acompanhada. Mulher de guerras pela sobrevivência e pela dignidade, a ex-diplomata em Jacarta tem surpreendido os portugueses com declarações corajosas que enervaram os guardiões dos “brandos costumes”. Desta vez, quando quase toda a gente apostou na contenção defensiva, tipo “nós vamos continuar cá”, foi das poucas pessoas que pediu responsabilidades ao Estado pela incúria passada – e presente – e a mais bem colocada para influenciar as decisões do Estado português, embora não seja sequer deputada. Acabar com as redes pedófilas não é condenar alguns clientes! Obviamente! Cuidar das crianças abusadas não evita que outras estejam em risco iminente de virem a ser abusadas no presente e no futuro próximo. Evidente! A justiça justiceira que apetece fazer contra aqueles que foram apanhados nas malhas da Justiça revela-nos a nossa incúria passada mas não nos garante uma nova atitude no futuro.
Passamos a culpa do nosso silêncio para os abusadores, mas não nos armamos para os combater no dia-a-dia.
Quando os nossos infantários deixam a tutela do Ministério da Educação e passam para a tutela da Segurança Social, estão a salvaguardar-se os direitos das crianças ou a diminui-los? Quando o novo modelo educativo
proposto para a Casa Pia prevê como castigo disciplinar máximo a tutela do sistema penal de menores, que confiança têm os “mestres” e educadores na sua proposta? Quando a pretexto da crise financeira do Estado, o governo opta por desinvestir na educação, de que resultados estamos à espera?
A Marcha Branca é expressão de um movimento social desorganizado que pode engrossar, para benefício das crianças e do país, mas também pode desagregar-se, já que se juntaram ali pessoas com ideias muito diferentes.
Para além da solidariedade internacional, belga, americana e outras que podem ajudar a focar as nossas atenções e a mobilizar as nossas consciências, a minha proposta é que as mulheres das diferentes
sensibilidades, que estiveram na Marcha Branca, se organizem para influir junto dos diferentes partidos políticos – quer se queira quer não, as organizações mais influentes em Portugal – de forma a tomá-los por dentro no seu machismo orgulhoso e indiferente, transformando-os – bem disso precisamos – em organizações eticamente comprometidas com causas como estas:
a assunção pelo Estado de todas as responsabilidades que lhe cabem na segurança das crianças contra os abusadores; a condução de campanhas e debates políticos sobre como os portugueses, na sua vida quotidiana, se podem organizar para proteger as crianças ANTES delas serem abusadas.
*Sociólogo / Professor Universitário / membro da Plataforma “Não Ao Abuso Sexual de Crianças”
António Pedro Dores*
antónio.dores@iscte.pt
A Marcha Branca pelos direitos das crianças foi um sucesso em Portugal.
Temos que nos congratular e perguntar o que se está a passar que permitiu esse evento agora, para cumprirmos o desejo de que a defesa das crianças não seja apenas uma efeméride anual, e a violação dos seus direitos o quotidiano.
Há vários movimentos internacionais contra o abuso de crianças. Um deles atacou, uns anos atrás, Portugal por não combater o trabalho infantil. Só nessa altura o Estado português instalou um serviço dedicado a esse assunto, dirigido pela Drª Catalina Pestana, com resultados práticos, embora sem conseguir debelar o problema: No caso do abuso sexual, os ecos chegam-nos da Bélgica, através da Marcha Branca, e dos EUA, pela proposta de um dia mundial contra o abuso sexual de crianças a consagrar pela ONU, e a celebrar dia 19 de Novembro. Este ano, Portugal vai participar através da convocatória de uma vigília em frente ao Palácio de Belém. Desejamos um sucesso equivalente à Marcha Branca e que os dois movimentos internacionais
se possam encontrar e ajudar mutuamente.
Em termos práticos, entretanto, foi criado um organismo de Estado para defesa dos direitos das crianças, dirigido por uma senhora magistrada que se tem destacado nessa cruzada - Drª Dulce Rocha. A pergunta é: será isso suficiente? Ou é apenas uma reacção política, no pior sentido, enquanto os ânimos estão exaltados? À espera que as coisas voltem à normalidade, para que possamos novamente dormir descansados, enquanto as crianças são abusadas em silêncio, como desejou um conhecido psiquiatra num douta entrevista televisiva?
Na Marcha Branca de Lisboa, se houve acontecimento importante foi a politização – no bom sentido – da manifestação, rompendo com o silêncio para gritar palavras de ordem e bater palmas. Manifestação de mulheres, de todas as classes sociais, que sabem bem, sempre souberam, como as crianças são abusadas a coberto do silêncio. Muitas dessas mulheres não se escusaram a assumir a responsabilidade de termos estado calados e gritaram a quem parecia admoestá-las por terem tomado a palavra: “Caladas já estivemos nós demasiado tempo!” Efectivamente.
Pessoalmente, não estou nada de acordo com a extrema judicialização do assunto, com gritos a favor de juizes contra advogados e com reivindicações de maior dureza do processo penal. Embora compreenda ser essa uma frente de luta importante e esgotante para muitos daqueles que se viram lançados na fogueira mediática por uma boa causa, enquanto os políticos, propriamente ditos, fogem do assunto como diabo da cruz com o pretexto de que a justiça é independente do poder executivo e não deve ser pressionada. Como não estou de acordo com a psicologização do assunto, centrado no pseudo-problema científico sobre a mentira, assunto de facto ignorado pela ciência e, em particular, pelas ciências psicológicas, a não ser quando coloniza as ciências criminais. Por isso me surpreendeu, pela positiva, a intervenção de Ana Gomes, em nome do Partido Socialista, que fez uma declaração política de alto valor, que merece ser transcrita, meditada, acompanhada. Mulher de guerras pela sobrevivência e pela dignidade, a ex-diplomata em Jacarta tem surpreendido os portugueses com declarações corajosas que enervaram os guardiões dos “brandos costumes”. Desta vez, quando quase toda a gente apostou na contenção defensiva, tipo “nós vamos continuar cá”, foi das poucas pessoas que pediu responsabilidades ao Estado pela incúria passada – e presente – e a mais bem colocada para influenciar as decisões do Estado português, embora não seja sequer deputada. Acabar com as redes pedófilas não é condenar alguns clientes! Obviamente! Cuidar das crianças abusadas não evita que outras estejam em risco iminente de virem a ser abusadas no presente e no futuro próximo. Evidente! A justiça justiceira que apetece fazer contra aqueles que foram apanhados nas malhas da Justiça revela-nos a nossa incúria passada mas não nos garante uma nova atitude no futuro.
Passamos a culpa do nosso silêncio para os abusadores, mas não nos armamos para os combater no dia-a-dia.
Quando os nossos infantários deixam a tutela do Ministério da Educação e passam para a tutela da Segurança Social, estão a salvaguardar-se os direitos das crianças ou a diminui-los? Quando o novo modelo educativo
proposto para a Casa Pia prevê como castigo disciplinar máximo a tutela do sistema penal de menores, que confiança têm os “mestres” e educadores na sua proposta? Quando a pretexto da crise financeira do Estado, o governo opta por desinvestir na educação, de que resultados estamos à espera?
A Marcha Branca é expressão de um movimento social desorganizado que pode engrossar, para benefício das crianças e do país, mas também pode desagregar-se, já que se juntaram ali pessoas com ideias muito diferentes.
Para além da solidariedade internacional, belga, americana e outras que podem ajudar a focar as nossas atenções e a mobilizar as nossas consciências, a minha proposta é que as mulheres das diferentes
sensibilidades, que estiveram na Marcha Branca, se organizem para influir junto dos diferentes partidos políticos – quer se queira quer não, as organizações mais influentes em Portugal – de forma a tomá-los por dentro no seu machismo orgulhoso e indiferente, transformando-os – bem disso precisamos – em organizações eticamente comprometidas com causas como estas:
a assunção pelo Estado de todas as responsabilidades que lhe cabem na segurança das crianças contra os abusadores; a condução de campanhas e debates políticos sobre como os portugueses, na sua vida quotidiana, se podem organizar para proteger as crianças ANTES delas serem abusadas.
*Sociólogo / Professor Universitário / membro da Plataforma “Não Ao Abuso Sexual de Crianças”
sexta-feira, outubro 03, 2003
É verdade..
É verdade, tenho um fraquinho por textos que questionem o sentido da vida. Deve ser a costela filósofa que corre na família (metade da minha família tá nas filosofias). A questão dos peixes tem a ver com o Sherman; fora de brincadeira, gostava de lançar um abaixo assinado para substituir o Calvin pelo Sherman nas tiras do Público. O Calvin teve os seus dias, mas sinceramente já estou farto.... O Sherman reune todas as condições para a dita substituição, de uma forma suave e sem criar grandes traumas no clube de fans. A continuar assim, ainda veremos o Calvin e o Hobes num concerto memorável em Coimbra daqui a uns 40 anos... É isso que querem???
Aproveito esta tira para denunciar um erro enorme que tem que acabar; quando um homem faz hipotéticamente 34 anos não quer dizer obrigatóriamente que faça 34 Primaveras. Na melhor das hipóteses haverá uma probabilidade de 25% de ter 34 Primaveras, cabendo as outras quartas partes ás restantes estações; a saber, 34 Outonos, 34 Verões ou 34 Invernos. Claro está, pensando que a probabilidade de fazer filhos é igual em todas as estações. Em verdade, tem 34 de tudo, Primaveras, Outonos, Invernos e Verões, pelo que o ênfase dado às Primaveras vem completamente a despropósito. Eu é mais Outonos. Outonos às postas. Pronto, depois desta fiquei com a alma lavada.
PP
PS - desculpem a pouca seriadade de hoje.... ele há dias assim... as culpas vão todinhas para 100nada, essa é que é essa...
É verdade, tenho um fraquinho por textos que questionem o sentido da vida. Deve ser a costela filósofa que corre na família (metade da minha família tá nas filosofias). A questão dos peixes tem a ver com o Sherman; fora de brincadeira, gostava de lançar um abaixo assinado para substituir o Calvin pelo Sherman nas tiras do Público. O Calvin teve os seus dias, mas sinceramente já estou farto.... O Sherman reune todas as condições para a dita substituição, de uma forma suave e sem criar grandes traumas no clube de fans. A continuar assim, ainda veremos o Calvin e o Hobes num concerto memorável em Coimbra daqui a uns 40 anos... É isso que querem???
Aproveito esta tira para denunciar um erro enorme que tem que acabar; quando um homem faz hipotéticamente 34 anos não quer dizer obrigatóriamente que faça 34 Primaveras. Na melhor das hipóteses haverá uma probabilidade de 25% de ter 34 Primaveras, cabendo as outras quartas partes ás restantes estações; a saber, 34 Outonos, 34 Verões ou 34 Invernos. Claro está, pensando que a probabilidade de fazer filhos é igual em todas as estações. Em verdade, tem 34 de tudo, Primaveras, Outonos, Invernos e Verões, pelo que o ênfase dado às Primaveras vem completamente a despropósito. Eu é mais Outonos. Outonos às postas. Pronto, depois desta fiquei com a alma lavada.
PP
PS - desculpem a pouca seriadade de hoje.... ele há dias assim... as culpas vão todinhas para 100nada, essa é que é essa...
E ainda mais outra homenagem ao 100nada
7 de Agosto de 2003
Hoje, ao olhar para a pescada cozida com todos, bem regada com azeite, deu-me um ataque de filosofia-do-peixe. Rica vida, a dum peixe. Vive no mar, o que é simpático, anda ali a boiar e a comer saudavelmente uma data de coisas que para eles, peixes, se podem considerar saudáveis (saladas do mar, algas), uns sprints de vez em quando, umas sonecas em águas calmas...e depois contribui ainda para a felicidade de alguém que aprecia realmente uma boa pescada. Que é que um peixe pode querer mais? É nestes pequenos detalhes que estará o sentido da vida. Pelo menos da vida piscicula.
7 de Agosto de 2003
Hoje, ao olhar para a pescada cozida com todos, bem regada com azeite, deu-me um ataque de filosofia-do-peixe. Rica vida, a dum peixe. Vive no mar, o que é simpático, anda ali a boiar e a comer saudavelmente uma data de coisas que para eles, peixes, se podem considerar saudáveis (saladas do mar, algas), uns sprints de vez em quando, umas sonecas em águas calmas...e depois contribui ainda para a felicidade de alguém que aprecia realmente uma boa pescada. Que é que um peixe pode querer mais? É nestes pequenos detalhes que estará o sentido da vida. Pelo menos da vida piscicula.
Sobre as diferenças de concepção do FSP II
Resposta de Ulisses Garrido a APP
Bem, ne verdade as coisas não são assim a preto e branco - ou a primeira e segunda.
Aliás, teimo que, para além de termos mesmo de saber (con)viver nas diferenças dentro do lado esquerdo das vidas, temos de encontrar pontes e sínteses não paralisantes, para que as coisas possam andar.
Digo-o pessoalmente, claro!
Mas digo que se há quem esteja na primiera ou na segunda modalidade caracterizada, há quem esteja entre e com coisas das duas.
Esta simplificação não serve! Nem ajuda.
E que tal se o autor (APP) se preocupasse em ver o que há de positivo entre as diuversas concepções em presença? E que visse como podemos ter uma plataforma operacional eficaz? e como desvalorizar esta ou aquela diferença a favor da capacidade de marcharmos juntos? Até porque se todos estamos contra o neoliberalismo, todos estaremos contra a direita e contra a sua expressão neoliberal em Portugal: as politicas e o Governo Durão/Portas.
Não me divide de ninguém o facto de, estando juntos a condenar o neoliberalismo, eu poder ir mais longe na afirmação contra o Governo e outros preferirem não se pronunciar sobre isso.
Marcharemos juntos de certeza!
A não ser que escolhos e intrigas se agigantem numa devastação que mate a unidade possível.
Ulisses Garrido
Resposta de Ulisses Garrido a APP
Bem, ne verdade as coisas não são assim a preto e branco - ou a primeira e segunda.
Aliás, teimo que, para além de termos mesmo de saber (con)viver nas diferenças dentro do lado esquerdo das vidas, temos de encontrar pontes e sínteses não paralisantes, para que as coisas possam andar.
Digo-o pessoalmente, claro!
Mas digo que se há quem esteja na primiera ou na segunda modalidade caracterizada, há quem esteja entre e com coisas das duas.
Esta simplificação não serve! Nem ajuda.
E que tal se o autor (APP) se preocupasse em ver o que há de positivo entre as diuversas concepções em presença? E que visse como podemos ter uma plataforma operacional eficaz? e como desvalorizar esta ou aquela diferença a favor da capacidade de marcharmos juntos? Até porque se todos estamos contra o neoliberalismo, todos estaremos contra a direita e contra a sua expressão neoliberal em Portugal: as politicas e o Governo Durão/Portas.
Não me divide de ninguém o facto de, estando juntos a condenar o neoliberalismo, eu poder ir mais longe na afirmação contra o Governo e outros preferirem não se pronunciar sobre isso.
Marcharemos juntos de certeza!
A não ser que escolhos e intrigas se agigantem numa devastação que mate a unidade possível.
Ulisses Garrido
A verdade é que...
A verdade é que estava a rasquinha para postar este texto. Prontos, é um bocado necrófilo, mas a homenagem é um pretexto como outro qualquer. Quando descobri o texto (graças ao crítico), fiquei cheio de vontade de conhecer mais textos. Quando cheguei ao blog, foi exactamente no dia da sua despedida; ganda azar pá... agora que estava a gostar, zás, a coisa fica interrompida. Ficam aqui os desejos de um regresso rápido (os filhos crescem num instante).
Podia fazer aqui umas analogias entre a dita lagosta com alguns partidos cá do burgo, tipo parábola.... mas não, não vale a pena; assim como assim, todos acabaremos na panela efervescente do capital (vou já começar a limar as minhas antenas para ver se não me escolhem a mim; o problema é que com a crise que praí vai, as pequeninas são as primeiras a ir para o caldeirão, porque a malta não tem guito prás grandes, as tais das antenas farfalhudas...).
PP
A verdade é que estava a rasquinha para postar este texto. Prontos, é um bocado necrófilo, mas a homenagem é um pretexto como outro qualquer. Quando descobri o texto (graças ao crítico), fiquei cheio de vontade de conhecer mais textos. Quando cheguei ao blog, foi exactamente no dia da sua despedida; ganda azar pá... agora que estava a gostar, zás, a coisa fica interrompida. Ficam aqui os desejos de um regresso rápido (os filhos crescem num instante).
Podia fazer aqui umas analogias entre a dita lagosta com alguns partidos cá do burgo, tipo parábola.... mas não, não vale a pena; assim como assim, todos acabaremos na panela efervescente do capital (vou já começar a limar as minhas antenas para ver se não me escolhem a mim; o problema é que com a crise que praí vai, as pequeninas são as primeiras a ir para o caldeirão, porque a malta não tem guito prás grandes, as tais das antenas farfalhudas...).
PP
Homenagem a 100nada, que com a sua ausência (esperemos que temporária) deixa a blogosfera mais triste
O sentido da vida de uma Lagosta...
Era uma vez uma lagosta que tinha nascido num mar. Era um mar pequeno, mas era uma lagosta ainda mais pequena, portanto parecia-lhe ser um mar muito grande. Vivia com outras lagostas, umas mais velhas, umas ainda pequenas, e nenhuma tinha nome como as pessoas, porque as lagostas conhecem-se não por nomes sem sentido, mas pelas histórias das suas antenas. Portanto havia a Lagosta de Antenas de Vários Picos, a Lagosta de Antenas de Poucos Picos, a Lagosta de Antenas Com Um Pico Partido, a Lagosta de Antenas com Picos Simétricos, a Lagosta de Antenas de Picos Aguçados e por aí fora. A lagosta pequena ainda não tinha nome, porque ainda não tinha histórias nos picos das antenas.
O mar onde vivia a lagosta pequena e as outras lagostas tinha água um bocado turva, e um fundo de areia e pedrinhas. Lá em cima, acima da água, brilhava um sol comprido e muito branco, que todos os dias se apagava e se acendia à mesma hora. Apagava-se de repente, mas quando se acendia, piscava sempre duas ou três vezes. E no fim do mar, que acabava de repente, viam-se do outro lado lagostas iguais às daquele mar, que apareciam sempre que alguma lagosta se aproximava. A lagosta pequena gostava muito de ir brincar para o fim do mar, porque tinha uma amiga do outro lado que brincava com ela da mesma maneira. Se ela dava cambalhotas, a amiga também dava. Se se deitava no fundo, a amiga imitava ao mesmo tempo e se colava as antenas no fim do mar, a amiga também colava as antenas às dela, e quase que parecia que estavam mesmo juntas se não fosse o fim do mar a separá-las.
A única coisa que o fim do mar tinha e que era um bocado esquisito era um desenho. Com mais desenhos ao lado ainda mais estranhos. Porque o primeiro desenho, as lagostas percebiam, era o retrato de um tetravô famoso, a maior lagosta que ali tinha vivido, a Lagosta de Antenas com Mais Picos de Sempre.
Tinha vivido durante muito tempo naquele mar e depois tinha seguido o destino de todas as lagostas. Um dia tinha desaparecido. Era esse o destino das lagostas, elas sabiam. Viviam ali e um dia iam para 'outro lado'. O lado de lá do fim do mar. Não era o lado onde estavam as lagostas iguais, porque esse lado só tinha lagostas iguais às que viviam naquele mar, era outro lado ainda, um lado do qual não se sabia absolutamente nada. Nunca nenhuma lagosta tinha regressado para contar a história.
Os desenhos ao lado do retrato pareciam bocados de antenas das lagostas. Elas suspeitavam que eram também retratos de outras lagostas, mas como não eram tão famosas como a Lagosta de Antenas com Mais Picos de Sempre, só ali estavam os retratos das antenas dessas lagostas. Os desenhos das antenas eram diferentes, mas alguns repetiam-se. E as lagostas mais velhas desenhavam esses retratos na areia do fundo do mar e discutiam o sentido daqueles desenhos, talvez fossem uma explicação para o enigma do desaparecimento das lagostas, talvez indicassem que lado era aquele para onde iam depois as lagostas, que é como quem diz, o sentido da vida. Se as lagostas escrevessem, obras inteiras seriam dedicadas àquele tema, mas a areia do fundo daquele mar tinha pouco espaço e além disso as lagostas não sabiam escrever. Portanto imitavam na areia o desenho das antenas no fim do mar e ficavam a olhar:
!AUS A AHLOCSE !SACSERF SATSOGAL SOMET.
100nada, a 21 de Julho de 2003
O sentido da vida de uma Lagosta...
Era uma vez uma lagosta que tinha nascido num mar. Era um mar pequeno, mas era uma lagosta ainda mais pequena, portanto parecia-lhe ser um mar muito grande. Vivia com outras lagostas, umas mais velhas, umas ainda pequenas, e nenhuma tinha nome como as pessoas, porque as lagostas conhecem-se não por nomes sem sentido, mas pelas histórias das suas antenas. Portanto havia a Lagosta de Antenas de Vários Picos, a Lagosta de Antenas de Poucos Picos, a Lagosta de Antenas Com Um Pico Partido, a Lagosta de Antenas com Picos Simétricos, a Lagosta de Antenas de Picos Aguçados e por aí fora. A lagosta pequena ainda não tinha nome, porque ainda não tinha histórias nos picos das antenas.
O mar onde vivia a lagosta pequena e as outras lagostas tinha água um bocado turva, e um fundo de areia e pedrinhas. Lá em cima, acima da água, brilhava um sol comprido e muito branco, que todos os dias se apagava e se acendia à mesma hora. Apagava-se de repente, mas quando se acendia, piscava sempre duas ou três vezes. E no fim do mar, que acabava de repente, viam-se do outro lado lagostas iguais às daquele mar, que apareciam sempre que alguma lagosta se aproximava. A lagosta pequena gostava muito de ir brincar para o fim do mar, porque tinha uma amiga do outro lado que brincava com ela da mesma maneira. Se ela dava cambalhotas, a amiga também dava. Se se deitava no fundo, a amiga imitava ao mesmo tempo e se colava as antenas no fim do mar, a amiga também colava as antenas às dela, e quase que parecia que estavam mesmo juntas se não fosse o fim do mar a separá-las.
A única coisa que o fim do mar tinha e que era um bocado esquisito era um desenho. Com mais desenhos ao lado ainda mais estranhos. Porque o primeiro desenho, as lagostas percebiam, era o retrato de um tetravô famoso, a maior lagosta que ali tinha vivido, a Lagosta de Antenas com Mais Picos de Sempre.
Tinha vivido durante muito tempo naquele mar e depois tinha seguido o destino de todas as lagostas. Um dia tinha desaparecido. Era esse o destino das lagostas, elas sabiam. Viviam ali e um dia iam para 'outro lado'. O lado de lá do fim do mar. Não era o lado onde estavam as lagostas iguais, porque esse lado só tinha lagostas iguais às que viviam naquele mar, era outro lado ainda, um lado do qual não se sabia absolutamente nada. Nunca nenhuma lagosta tinha regressado para contar a história.
Os desenhos ao lado do retrato pareciam bocados de antenas das lagostas. Elas suspeitavam que eram também retratos de outras lagostas, mas como não eram tão famosas como a Lagosta de Antenas com Mais Picos de Sempre, só ali estavam os retratos das antenas dessas lagostas. Os desenhos das antenas eram diferentes, mas alguns repetiam-se. E as lagostas mais velhas desenhavam esses retratos na areia do fundo do mar e discutiam o sentido daqueles desenhos, talvez fossem uma explicação para o enigma do desaparecimento das lagostas, talvez indicassem que lado era aquele para onde iam depois as lagostas, que é como quem diz, o sentido da vida. Se as lagostas escrevessem, obras inteiras seriam dedicadas àquele tema, mas a areia do fundo daquele mar tinha pouco espaço e além disso as lagostas não sabiam escrever. Portanto imitavam na areia o desenho das antenas no fim do mar e ficavam a olhar:
!AUS A AHLOCSE !SACSERF SATSOGAL SOMET.
100nada, a 21 de Julho de 2003
Sobre as diferenças de concepção do FSP
Ao longo do processo de construção do FSP 2003 temos visto confrontarem-se duas concepções de construção do mesmo:
- os que vêem o FSP como um espaço para vencer isolamentos, para estabelecimento de cumplicidades práticas, de aprendizagem, de afirmação da iniciativa cidadã na sociedade, de autonomia;
- os que o vêem como um terreno de recrutamento e de passagem de mensagens, de reforço da sua intervenção na arena política.
A primeira é uma visão não estruturada, não hierarquizada, embrionária, dando os primeiros passos, tacteando o caminho na construção de solidariedades, parcelar, fragmentada, que procura forjar novos instrumentos de articulação da sua intervenção.
A segunda é uma visão estruturada e hierarquizada em torno de uma concepção de poder centralizadora, não havendo dentro desta visão grandes diferenças práticas reais entre os que reivindicam para o FSP o papel de “novo protagonista social” e os que o querem para “ampliar a base social da luta contra a direita”.
A primeira aposta na diversidade e igualdade de agendas, na horizontalidade da participação – tod@s são importantes.
A segunda aposta na subordinação temática do FSP à sua agenda, indexada ao calendário político imediato.
APP
(a continuar)
Ao longo do processo de construção do FSP 2003 temos visto confrontarem-se duas concepções de construção do mesmo:
- os que vêem o FSP como um espaço para vencer isolamentos, para estabelecimento de cumplicidades práticas, de aprendizagem, de afirmação da iniciativa cidadã na sociedade, de autonomia;
- os que o vêem como um terreno de recrutamento e de passagem de mensagens, de reforço da sua intervenção na arena política.
A primeira é uma visão não estruturada, não hierarquizada, embrionária, dando os primeiros passos, tacteando o caminho na construção de solidariedades, parcelar, fragmentada, que procura forjar novos instrumentos de articulação da sua intervenção.
A segunda é uma visão estruturada e hierarquizada em torno de uma concepção de poder centralizadora, não havendo dentro desta visão grandes diferenças práticas reais entre os que reivindicam para o FSP o papel de “novo protagonista social” e os que o querem para “ampliar a base social da luta contra a direita”.
A primeira aposta na diversidade e igualdade de agendas, na horizontalidade da participação – tod@s são importantes.
A segunda aposta na subordinação temática do FSP à sua agenda, indexada ao calendário político imediato.
APP
(a continuar)
quinta-feira, outubro 02, 2003
PLENÁRIO FSP
Aconteceu dia 28 de Setembro, pelas 14 horas, em Coimbra, nas instalações gentilmente cedidas pela Delegação Regional do IPJ, o primeiro plenário do Fórum Social Português depois da realização do seu primeiro evento nacional nos dias 7 a 10 de Junho.
O objectivo deste Plenário era fazer um Balanço do I Fórum Social Português e reflectir em conjunto sobre o Futuro do Fórum Social Português.
As grandes conclusões e ideias de força deste Plenário foram as que se seguem:
a.. A avaliação do I Fórum Social Português foi no seu global positiva, apesar das dificuldades e divergências encontradas,
b.. Tod@s @s presentes estão empenhad@s em repetir o evento, sejam @s que já participaram este ano como outr@s que entretanto aderiram ao movimento, comprometendo-se com o seu melhoramento e alargamento,
c.. O II Fórum Social Português realizar-se-á no primeiro quadrimestre do ano 2005, não podendo estas datas coincidir com a realização na MANIFesta, Feira e Festa Nacional do Desenvolvimento Local,
d.. O próximo Plenário realizar-se-á dia 26 de Outubro em local e hora ainda a definir, com a seguinte ordem de trabalhos:
e.. Aprovação do Relatório de Contas, o Futuro da 'Associação para a Gestão do Fórum Social Português 2003' e data e local do Plenário seguinte
Até dia 26!
Acção Jovem para a Paz
não te prives
Pro Urbe
Aconteceu dia 28 de Setembro, pelas 14 horas, em Coimbra, nas instalações gentilmente cedidas pela Delegação Regional do IPJ, o primeiro plenário do Fórum Social Português depois da realização do seu primeiro evento nacional nos dias 7 a 10 de Junho.
O objectivo deste Plenário era fazer um Balanço do I Fórum Social Português e reflectir em conjunto sobre o Futuro do Fórum Social Português.
As grandes conclusões e ideias de força deste Plenário foram as que se seguem:
a.. A avaliação do I Fórum Social Português foi no seu global positiva, apesar das dificuldades e divergências encontradas,
b.. Tod@s @s presentes estão empenhad@s em repetir o evento, sejam @s que já participaram este ano como outr@s que entretanto aderiram ao movimento, comprometendo-se com o seu melhoramento e alargamento,
c.. O II Fórum Social Português realizar-se-á no primeiro quadrimestre do ano 2005, não podendo estas datas coincidir com a realização na MANIFesta, Feira e Festa Nacional do Desenvolvimento Local,
d.. O próximo Plenário realizar-se-á dia 26 de Outubro em local e hora ainda a definir, com a seguinte ordem de trabalhos:
e.. Aprovação do Relatório de Contas, o Futuro da 'Associação para a Gestão do Fórum Social Português 2003' e data e local do Plenário seguinte
Até dia 26!
Acção Jovem para a Paz
não te prives
Pro Urbe
O problema dos partidos II
A alergia de alguns participantes do Fórum aos partidos não tem a ver com os partidos propriamente ditos; tem a ver com os métodos utilizados pelos partidos para levar a sua avante. Essas estratégias manhosas tiveram o seu expoente máximo na escolha do local do FSP (em que Lisboa-Be se degladiou com Almada-PCP) e na escolha dos oradores para o 1º FSP (BE-12 PCP-7, mas já não me lembro bem). Isto quer dizer que por exemplo no meu caso, sou claramente um alérgico empírico: só depois das más experiências ao longo da construção do FSP é que me tornei alérgico.
Qual é que é o problema essencial do controlo exercido pelos partidos e pelas guerras partidárias dentro do FSP (que mais uma vez surgiram na escolha dos oradores para o FSE)? para além da preversidade da coisa, estas lutas pelo poder afastam claramente muitas pessoas do FSP. O FSP deveria ser um espaço para os movimentos sociais, não para os partidos. Eu e muitas outras pessoas vimos os Fora sociais como uma oportunidade única para o desenvolvimento do activismo em Portugal. Como as coisas estão, duvido que o FSP sirva para isso: somos praticamente os mesmos desde o início, e não há um grande esforço para mobilizar mais pessoas. Mas acredito que as coisa possa mudar; a consciência de pertencer a um movimento mundial, que vai muito para além das politiquices internas da Lusa pátria, dá-me ainda muitas forças para lutar.
PP
P.S.1 - as más línguas dizem que ficamos alérgicos depois de a candidatura de Évora não ter sido aceite, mas é mentira!
P.S.2 - devo ser praí anarca....
P.S.3 - todos os dias faço uma vistoria total à minha superfície cutânea com o receio de que me apareçam borbulhas vermelhas e pretas como efeito secundário da minha alergia aos partidos.
P.S.4 - com isto tudo ainda me converto à facção islâmica radical do neo-liberalismo.
A alergia de alguns participantes do Fórum aos partidos não tem a ver com os partidos propriamente ditos; tem a ver com os métodos utilizados pelos partidos para levar a sua avante. Essas estratégias manhosas tiveram o seu expoente máximo na escolha do local do FSP (em que Lisboa-Be se degladiou com Almada-PCP) e na escolha dos oradores para o 1º FSP (BE-12 PCP-7, mas já não me lembro bem). Isto quer dizer que por exemplo no meu caso, sou claramente um alérgico empírico: só depois das más experiências ao longo da construção do FSP é que me tornei alérgico.
Qual é que é o problema essencial do controlo exercido pelos partidos e pelas guerras partidárias dentro do FSP (que mais uma vez surgiram na escolha dos oradores para o FSE)? para além da preversidade da coisa, estas lutas pelo poder afastam claramente muitas pessoas do FSP. O FSP deveria ser um espaço para os movimentos sociais, não para os partidos. Eu e muitas outras pessoas vimos os Fora sociais como uma oportunidade única para o desenvolvimento do activismo em Portugal. Como as coisas estão, duvido que o FSP sirva para isso: somos praticamente os mesmos desde o início, e não há um grande esforço para mobilizar mais pessoas. Mas acredito que as coisa possa mudar; a consciência de pertencer a um movimento mundial, que vai muito para além das politiquices internas da Lusa pátria, dá-me ainda muitas forças para lutar.
PP
P.S.1 - as más línguas dizem que ficamos alérgicos depois de a candidatura de Évora não ter sido aceite, mas é mentira!
P.S.2 - devo ser praí anarca....
P.S.3 - todos os dias faço uma vistoria total à minha superfície cutânea com o receio de que me apareçam borbulhas vermelhas e pretas como efeito secundário da minha alergia aos partidos.
P.S.4 - com isto tudo ainda me converto à facção islâmica radical do neo-liberalismo.
O problema dos partidos I
Já que apareceu neste blogue um artigo retirado da revista "A Comuna", da UDP, atrevo-me a referir que no número 1 dessa revista aparece um outro artigo que também merece ser referenciado e lido com atenção, "O problema dos partidos", que discute a "alergia" que alguns participantes no Fórum Social Português demonstraram à presença nele de partidos políticos. Trata-se de um artigo extraordinariamente lúcido e que contem algumas afirmações polémicas. Nomeadamente, segundo o autor, um partido define-se como defendendo os interesses de uma certa classe ou grupo de cidadãos -- em oposição à ideia estilo "Bloco Central" de que um partido pretenda defender todos os cidadãos ao mesmo tempo -- no entendimento de que na sociedade há diversas classes e grupos de cidadãos que têm interesses contraditórios e inconciliáveis. Um partido define-se, mais, por um entendimento específico de qual a forma como os interesses desse grupo de pessoas deve ser defendido; ou seja, pode haver diferentes partidos que pretendem defender uma mesma classe ou conjunto de pessoas, mas que têm entendimentos divergentes sobre a forma como fazê-lo. Esta ideia reflete-se no artigo sobre o acordo de tabalho na Auto-Europa, no qual vemos em confronto velado posições diferentes sobre a forma como devem ser defendidos os interesses dos trabalhadores, uma, defendida pela cúpula sindical (a CGTP, dominada por comunistas), segundo a qual não se deve fazer negociações com o capital, outra, defendida pela comissão de trabalhadores (na qual os bloquistas são muito influentes), segundo a qual os acordos de empresa são benvindos.
Luís Lavoura
Já que apareceu neste blogue um artigo retirado da revista "A Comuna", da UDP, atrevo-me a referir que no número 1 dessa revista aparece um outro artigo que também merece ser referenciado e lido com atenção, "O problema dos partidos", que discute a "alergia" que alguns participantes no Fórum Social Português demonstraram à presença nele de partidos políticos. Trata-se de um artigo extraordinariamente lúcido e que contem algumas afirmações polémicas. Nomeadamente, segundo o autor, um partido define-se como defendendo os interesses de uma certa classe ou grupo de cidadãos -- em oposição à ideia estilo "Bloco Central" de que um partido pretenda defender todos os cidadãos ao mesmo tempo -- no entendimento de que na sociedade há diversas classes e grupos de cidadãos que têm interesses contraditórios e inconciliáveis. Um partido define-se, mais, por um entendimento específico de qual a forma como os interesses desse grupo de pessoas deve ser defendido; ou seja, pode haver diferentes partidos que pretendem defender uma mesma classe ou conjunto de pessoas, mas que têm entendimentos divergentes sobre a forma como fazê-lo. Esta ideia reflete-se no artigo sobre o acordo de tabalho na Auto-Europa, no qual vemos em confronto velado posições diferentes sobre a forma como devem ser defendidos os interesses dos trabalhadores, uma, defendida pela cúpula sindical (a CGTP, dominada por comunistas), segundo a qual não se deve fazer negociações com o capital, outra, defendida pela comissão de trabalhadores (na qual os bloquistas são muito influentes), segundo a qual os acordos de empresa são benvindos.
Luís Lavoura
Propinas I
Quando houve o primeiro movimento anti-propinas, estava eu por Barcelona, mas acompanhei a coisa porque muitos dos meus amigos estavam envolvidos até ao pescoço. Curiosamente, o grande argumento a favor das propinas era a melhoria da qualidade do serviço prestado e a justiça social. De justiça social nem falo, porque entendo a educação como uma prioridade de qualquer país, devendo por isso ser um esforço comum. Mesmo que estivesse de acordo, então teria que haver primeiro uma revolução nos impostos, para que as bolsas fossem efectivamente atribuidas a quem precisa e não aos filhos dos que fojem aos impostos.
Da melhoria do serviço posso falar com conhecimento da causa. A fatia do orçamento das Universidades que vem das propinas (entre 5% e 10%) vai inteirinha para o orçamento geral da Universidade. O que o estado fez foi poupar uns trocos que passaram a ser os alunos a pagar. Na prática, nem um tostão dos estudantes reverte a seu favor: esse dinheiro entra no bolo para pagar salários e despesas gerais. A bem da decência, deveriam pelo menos assumir que o objectivo é poupar uns trocos e deixarem-se de demagogias.
No presente, já não há dúvidas de que as promessas da primeira guerra das propinas não foram mais do que mentiras; porque carga de água é que agora os estudantes deveriam acreditar nas mesmas mentiras? é que nem se quer se deram ao trabalho de inventar umas novas. As propinas não estão a pagar melhores alojamentos, melhores refeições, mais computadores, melhores bibliotecas, melhores condições de estudo ou melhores programas extra-curriculares. Estão a pagar um bocadinho de salários, a água, a luz e os telefones da Universidade.
Mais de metade dos países da Europa continua com o ensino superior gratuito; curiosamente, a Irlanda, país exemplar porque consegui dar um salto em termos de desenvolvimento e qualidade de vida, passou de um dos Ensinos superiores mais caros da Europa a um sistema gratuito...
PP
Quando houve o primeiro movimento anti-propinas, estava eu por Barcelona, mas acompanhei a coisa porque muitos dos meus amigos estavam envolvidos até ao pescoço. Curiosamente, o grande argumento a favor das propinas era a melhoria da qualidade do serviço prestado e a justiça social. De justiça social nem falo, porque entendo a educação como uma prioridade de qualquer país, devendo por isso ser um esforço comum. Mesmo que estivesse de acordo, então teria que haver primeiro uma revolução nos impostos, para que as bolsas fossem efectivamente atribuidas a quem precisa e não aos filhos dos que fojem aos impostos.
Da melhoria do serviço posso falar com conhecimento da causa. A fatia do orçamento das Universidades que vem das propinas (entre 5% e 10%) vai inteirinha para o orçamento geral da Universidade. O que o estado fez foi poupar uns trocos que passaram a ser os alunos a pagar. Na prática, nem um tostão dos estudantes reverte a seu favor: esse dinheiro entra no bolo para pagar salários e despesas gerais. A bem da decência, deveriam pelo menos assumir que o objectivo é poupar uns trocos e deixarem-se de demagogias.
No presente, já não há dúvidas de que as promessas da primeira guerra das propinas não foram mais do que mentiras; porque carga de água é que agora os estudantes deveriam acreditar nas mesmas mentiras? é que nem se quer se deram ao trabalho de inventar umas novas. As propinas não estão a pagar melhores alojamentos, melhores refeições, mais computadores, melhores bibliotecas, melhores condições de estudo ou melhores programas extra-curriculares. Estão a pagar um bocadinho de salários, a água, a luz e os telefones da Universidade.
Mais de metade dos países da Europa continua com o ensino superior gratuito; curiosamente, a Irlanda, país exemplar porque consegui dar um salto em termos de desenvolvimento e qualidade de vida, passou de um dos Ensinos superiores mais caros da Europa a um sistema gratuito...
PP
Percurso na Margem Esquerda
Esta iniciativa visa sensibilizar para as questões do planeamento e ordenamento urbano da cidade de Coimbra e insere-se num conjunto de actividades que o Conselho da Cidade de Coimbra pretende levar a cabo ao longo do próximo ano com vista a alertar os cidadãos em geral para o desenho urbano da cidade, aspectos sociais, emprego e ambiente.
P’la Comissão Executiva
Maria de Lurdes Cravo
Percurso na Margem Esquerda: do rio ao alto de Santa Clara
Itinerário: dia 11 de Outubro de 2003
- Ponto de Encontro em Mondorel
chegada em transporte próprio
- do planalto até ao alto da Guarda Inglesa
- da rua Coelho da Rocha ao Portugal dos Pequenitos
- da rua João das Regras à saída da Ponte de Santa Clara
Deslocação em transporte colectivo até ao Observatório Astronómico da UC
Almoço - Restaurante Arte e Gala (junto à entrada do Observatório)
Visita ao Vale do Rosal e ao Caminho das Vinhas ( IC2)
Inscrições: Joana Mendes - E-mail: joana.mendes@portugalmail.pt
Esta iniciativa visa sensibilizar para as questões do planeamento e ordenamento urbano da cidade de Coimbra e insere-se num conjunto de actividades que o Conselho da Cidade de Coimbra pretende levar a cabo ao longo do próximo ano com vista a alertar os cidadãos em geral para o desenho urbano da cidade, aspectos sociais, emprego e ambiente.
P’la Comissão Executiva
Maria de Lurdes Cravo
Percurso na Margem Esquerda: do rio ao alto de Santa Clara
Itinerário: dia 11 de Outubro de 2003
- Ponto de Encontro em Mondorel
chegada em transporte próprio
- do planalto até ao alto da Guarda Inglesa
- da rua Coelho da Rocha ao Portugal dos Pequenitos
- da rua João das Regras à saída da Ponte de Santa Clara
Deslocação em transporte colectivo até ao Observatório Astronómico da UC
Almoço - Restaurante Arte e Gala (junto à entrada do Observatório)
Visita ao Vale do Rosal e ao Caminho das Vinhas ( IC2)
Inscrições: Joana Mendes - E-mail: joana.mendes@portugalmail.pt
Baile Pé na Índia
3 Outubro 2003 - Pragal Velho - Almada
A Pédexumbo organiza mais um baile, aberto aos músicos que queiram vir tocar ao vivo.
Bailes organizados em colaboração com a Associação de Comércio Justo e Solidário Mó de Vida.
Entrada: contribuição voluntária - uma receita que vai reverter para a participação da PédeXumbo no Fórum Social Mundial a decorrer na Índia, em 2004.
Espaço MódeVida
Calçadinha da Horta, 19
Pragal Velho - Almada
(vindo de carro de Lisboa: sair em direcção a Almada. Na rotunda de Almada, virar para Almada. Subir a avenida, e nos primeiros semáforos, virar à esquerda. Estacionar junto à PSP do Pragal, e subir as escadinhas que ficam em frente, junto ao muro...)
3 Outubro 2003 - Pragal Velho - Almada
A Pédexumbo organiza mais um baile, aberto aos músicos que queiram vir tocar ao vivo.
Bailes organizados em colaboração com a Associação de Comércio Justo e Solidário Mó de Vida.
Entrada: contribuição voluntária - uma receita que vai reverter para a participação da PédeXumbo no Fórum Social Mundial a decorrer na Índia, em 2004.
Espaço MódeVida
Calçadinha da Horta, 19
Pragal Velho - Almada
(vindo de carro de Lisboa: sair em direcção a Almada. Na rotunda de Almada, virar para Almada. Subir a avenida, e nos primeiros semáforos, virar à esquerda. Estacionar junto à PSP do Pragal, e subir as escadinhas que ficam em frente, junto ao muro...)
quarta-feira, outubro 01, 2003
MENSAGEM DA OPUSGAY NO DIA MUNDIAL DO IDOSO
Celebra-se hoje o Dia Mundial do Idoso e a Opus gay recorda que os gays, lésbicas, bissexuais e transsexuais portugueses que vivem entre nós se encontram numa situação particularmente desfavorecida, marcada pelo homofobia reinante.
Portugal, um país onde cada vez mais há mais idosos, logo muitos glbt, ninguém se preocupa com os problemas específicos desta minoria dentro da minoria, até porque estão na invisibilidade total, e os mass media nunca os referem.
Nas residências para pessoas da Terceira Idade não se pensa nunca que algum deles possa ser gay, ou lésbica, razão porque muitos preferem idosos ficar sós, e morrer em solidão, do que ir para um lugar onde podem ser humilhados por causa da sua orientação sexual. Como pode um idoso reivindicar para si e seu/sua companheir@ um quarto numa destas residências, como faria qualquer casal heterossexual?
De facto, nem os psicólogos, os médicos, o pessoal administrativo, ou social, estão preparados para resolver e enfrentar estas situações, por falta de formação especializada, para resolver os problemas específicos destas pessoas, numa fase da vida em que estão ainda mais fragilizadas, e sem protecção legal .
Como é sabido não existem em Portugal estudos sobre esta matéria, nem residências, ou esquemas de recepcionamento para idosos glbt, muito embora a Opus Gay e outras associações tivessem integrado um trabalho para esta área que ficou interrompido com a chegada ao poder deste Governo.
A Opus Gay apela assim para que a situação destas pessoas não seja desrespeitada, nem esquecida, que os sindicatos estejam atentos a ela, e para que se encontre uma politica, e estratégias inclusivas, com programas subvencionados dirigidos a estes cidadãos.
Opus Gay Associação
Celebra-se hoje o Dia Mundial do Idoso e a Opus gay recorda que os gays, lésbicas, bissexuais e transsexuais portugueses que vivem entre nós se encontram numa situação particularmente desfavorecida, marcada pelo homofobia reinante.
Portugal, um país onde cada vez mais há mais idosos, logo muitos glbt, ninguém se preocupa com os problemas específicos desta minoria dentro da minoria, até porque estão na invisibilidade total, e os mass media nunca os referem.
Nas residências para pessoas da Terceira Idade não se pensa nunca que algum deles possa ser gay, ou lésbica, razão porque muitos preferem idosos ficar sós, e morrer em solidão, do que ir para um lugar onde podem ser humilhados por causa da sua orientação sexual. Como pode um idoso reivindicar para si e seu/sua companheir@ um quarto numa destas residências, como faria qualquer casal heterossexual?
De facto, nem os psicólogos, os médicos, o pessoal administrativo, ou social, estão preparados para resolver e enfrentar estas situações, por falta de formação especializada, para resolver os problemas específicos destas pessoas, numa fase da vida em que estão ainda mais fragilizadas, e sem protecção legal .
Como é sabido não existem em Portugal estudos sobre esta matéria, nem residências, ou esquemas de recepcionamento para idosos glbt, muito embora a Opus Gay e outras associações tivessem integrado um trabalho para esta área que ficou interrompido com a chegada ao poder deste Governo.
A Opus Gay apela assim para que a situação destas pessoas não seja desrespeitada, nem esquecida, que os sindicatos estejam atentos a ela, e para que se encontre uma politica, e estratégias inclusivas, com programas subvencionados dirigidos a estes cidadãos.
Opus Gay Associação
Nota de Emprego III
De certeza que agora é que vai ser; O Fabrico do Sabão.
Primeira pista – Não se esqueça: para o fabrico de 100 quilos de sabão iremos precisar de uma caldeira com capacidade para 300 litros!
O sabão resulta de uma reacção química chamada saponificação, em que se faz reagir uma gordura com soda cáustica.
Sabão offenbach de 1ª
Óleo palmiste – 40 quilos
Sebo – 16 quilos
Óleo de purgueira – 10 quilos
Óleo de ricínio – 4 quilos.
Óleo de palma –Quilo e meio.
Soda cáustica a 30º - 60 quilos.
Soda solvay a 25º - 10 quilos.
Carbonato de soda – 10 quilos.
Para cor azul junta-se o azul ultramar (65 g) e para cor de rosa almagre (200 g).
Fabrico – Deitam-se primeiramente na caldeira, todas as gorduras, acende-se o fogo e fazem-se derreter. Logo que ferva e comece a subir, apaga-se o fogo e deita-se na caldeira a água, a soda Solvay e a Soda cáustica; bate-se tudo muito bem com um ou dois rodos até obter a ligação absoluta das lixívias com as gorduras. Voltar a aquecer e juntar a tinta para dar cor. Quando a massa adquira a consistência desejada, adicionar pouco a pouco o carbonato de soda. Deixe-se a ferver, até a massa não apresentar espuma e comece a abrir, ou seja “rachar a massa” na linguagem do saboeiro. Neste ponto, retire a massa da caldeira para moldes de madeira, nunca deixando de mexer a massa que vai ficando na caldeira. Quanto mais lento for o arrefecimento no molde, mais bonito fica o sabão.
Eu imagino que o sabão assim produzido seja o nosso sabão azul e branco. Com um design à maneira, em embalagens artesanais finamente decoradas e com uma mensagem ecológica, tenho a certeza que o sabão azul e branco se volta a vender que nem ginjas. Se bem se lembram, aquilo vinha numas barras enormes e era vendido ao quilo....saiamos da mercearia com uma barra de sabão inestética embrulhada num jornal (tipo o tratamento que dão à baguete em França). Hoje em dia já nada se vende ao quilo. Por isso, o problema não está no produto mas na maneira de impingi-lo. Se a reconversão funcionar, tou mesmo a ver os cabeçalhos:
"PP, rei do sabão azul e branco"; "sabão azul e branco chega ao concelho da europa"; "sabão azul e branco vendido ao exército dos EUA para ser integrado num kit de sobrevivência e higiene pessoal"; "sabão azul e branco é principal exportação de Portugal". Claro que lá para fora temos que mudar o nome, tipo "B & W soap - a tradição já não é o que era".
Entretanto vou ver se compro uma vasilha de 300 litros e tentar saber se ainda vendem soda caústica aos quilos; o mais certo é ir preso por tentar produzir armas de destruição maciça.
PP
De certeza que agora é que vai ser; O Fabrico do Sabão.
Primeira pista – Não se esqueça: para o fabrico de 100 quilos de sabão iremos precisar de uma caldeira com capacidade para 300 litros!
O sabão resulta de uma reacção química chamada saponificação, em que se faz reagir uma gordura com soda cáustica.
Sabão offenbach de 1ª
Óleo palmiste – 40 quilos
Sebo – 16 quilos
Óleo de purgueira – 10 quilos
Óleo de ricínio – 4 quilos.
Óleo de palma –Quilo e meio.
Soda cáustica a 30º - 60 quilos.
Soda solvay a 25º - 10 quilos.
Carbonato de soda – 10 quilos.
Para cor azul junta-se o azul ultramar (65 g) e para cor de rosa almagre (200 g).
Fabrico – Deitam-se primeiramente na caldeira, todas as gorduras, acende-se o fogo e fazem-se derreter. Logo que ferva e comece a subir, apaga-se o fogo e deita-se na caldeira a água, a soda Solvay e a Soda cáustica; bate-se tudo muito bem com um ou dois rodos até obter a ligação absoluta das lixívias com as gorduras. Voltar a aquecer e juntar a tinta para dar cor. Quando a massa adquira a consistência desejada, adicionar pouco a pouco o carbonato de soda. Deixe-se a ferver, até a massa não apresentar espuma e comece a abrir, ou seja “rachar a massa” na linguagem do saboeiro. Neste ponto, retire a massa da caldeira para moldes de madeira, nunca deixando de mexer a massa que vai ficando na caldeira. Quanto mais lento for o arrefecimento no molde, mais bonito fica o sabão.
Eu imagino que o sabão assim produzido seja o nosso sabão azul e branco. Com um design à maneira, em embalagens artesanais finamente decoradas e com uma mensagem ecológica, tenho a certeza que o sabão azul e branco se volta a vender que nem ginjas. Se bem se lembram, aquilo vinha numas barras enormes e era vendido ao quilo....saiamos da mercearia com uma barra de sabão inestética embrulhada num jornal (tipo o tratamento que dão à baguete em França). Hoje em dia já nada se vende ao quilo. Por isso, o problema não está no produto mas na maneira de impingi-lo. Se a reconversão funcionar, tou mesmo a ver os cabeçalhos:
"PP, rei do sabão azul e branco"; "sabão azul e branco chega ao concelho da europa"; "sabão azul e branco vendido ao exército dos EUA para ser integrado num kit de sobrevivência e higiene pessoal"; "sabão azul e branco é principal exportação de Portugal". Claro que lá para fora temos que mudar o nome, tipo "B & W soap - a tradição já não é o que era".
Entretanto vou ver se compro uma vasilha de 300 litros e tentar saber se ainda vendem soda caústica aos quilos; o mais certo é ir preso por tentar produzir armas de destruição maciça.
PP
Outra vez...
Voltei a brincar com as cores; acho que o blog irá mudando de cores, de acordo com o ambiente e as influências do momento. Será um novo conceito artístico de Blog, em permanentemente mutação, ao sabor dos caprichos e das cores do momento. Estas cores foram directamente inspiradas na nova colecção de Georgio Armani para o Verão de 2004. A indigistão que ontem apanhei contribuiu decisivamente para os esverdeados finais....
PP
Voltei a brincar com as cores; acho que o blog irá mudando de cores, de acordo com o ambiente e as influências do momento. Será um novo conceito artístico de Blog, em permanentemente mutação, ao sabor dos caprichos e das cores do momento. Estas cores foram directamente inspiradas na nova colecção de Georgio Armani para o Verão de 2004. A indigistão que ontem apanhei contribuiu decisivamente para os esverdeados finais....
PP
Relatório de desenvolvimento humano 2003 (relatório das Nações Unidas): Leste Asiático e Sul da Ásia
Regiões de contrastes
Na última década, tanto o Leste Asiático como o Sul da Ásia conseguiram avanços enormes no que diz respeito a alcançar os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio. Mas há disparidades notórias no domínio da distribuição dos benefícios do desenvolvimento.
Aspectos positivos:
• O Leste Asiático alcançará os Objectivos em matéria de redução da fome e da pobreza muito antes do prazo de 2015. Quanto à fome, a região apresentou uma melhoria sem precedentes e agora possui uma percentagem de pessoas que passam fome inferior à da América Latina. A China, o Vietname e a Tailândia figuram entre os países que contribuíram para essa descida da taxa da fome. Entretanto, o rápido crescimento económico da China, onde vivem 70% da população da região, arrancou da pobreza 150 milhões de pessoas. Na Tailândia e na Malásia também se registou um forte crescimento durante a década de 1990, apesar da crise asiática perto do final da década.
• Os progressos do Sul da Ásia no domínio da água e do saneamento significam que é possível realizar este Objectivo até 2015. No Paquistão, Índia, Nepal e Bangladeche houve também grandes melhorias.
Aspectos negativos:
• Os progressos globais foram provocados pelos avanços conseguidos em zonas concretas, enquanto outras partes importantes dessas regiões estão a ficar para trás. Na China, por exemplo, as zonas litorais são muito mais prósperas do que as do interior. Enquanto as zonas litorais cresceram ao extraordinário ritmo médio de 13% ao ano, durante a década de 1990, as zonas do Norte e do Ocidente apresentaram taxas de crescimento, cinco vezes mais baixas em média. Embora em metrópoles como Beijing, Xangai e Tianjin tenha havido acentuados progressos em matéria de indicadores de desenvolvimento humano, muitas outras regiões foram deixadas para trás: o Tibete, por exemplo, apresenta os valores mais baixos nos domínios do nível de instrução e da esperança de vida. Há também grandes disparidades de riqueza na Índia, onde a desigualdade se tem acentuado consideravelmente.
• O desafio do desenvolvimento é ainda enorme. No Sul da Ásia vive o maior número de pobres do mundo e uma em cada três pessoas desta região sobrevive com menos de um dólar por dia. Só na Índia há 50 milhões de crianças que não frequentam a escola. O Sul da Ásia fica em último ou penúltimo lugar no que se refere a seis dos sete Objectivos de Desenvolvimento do Milénio que se aplicam aos países em desenvolvimento (o oitavo Objectivo aplica-se aos países desenvolvidos).
Soluções
Ambas as regiões dispõem de recursos que lhe permitem dar passos importantes para erradicar a pobreza. Apenas cinco dos 59 países “prioritários” que precisam de ajuda urgente ficam situados no Sul da Ásia ou no Leste Asiáticos. Do que se precisa é de:
• Políticas a favor dos pobres que dêem prioridade à saúde, educação e meios de subsistência das pessoas pobres.
• Alargamento das oportunidades para que as pessoas das duas regiões tenham mais direito a participar nas decisões sobre a prestação de serviços básicos. Exemplos de histórias de sucesso em matéria de descentralização e de tomada de decisões pelas populações locais na Índia: estados de Kerala e Madya Pradesh).
• Aumentar as tecnologias inovadoras e de baixo custo: a título de exemplo, podem citar-se as instalações sanitárias construídas pela organização Sulabh na Índia e os esforços em prol do saneamento desenvolvidos pelo Dr. Song Lexin na província de Henan, na China.
• Liderança política, exemplificada pela campanha levada a cabo na Índia, sob a direcção do Primeiro-Ministro, para fornecer água e saneamento a 165 000 aldeias.
Regiões de contrastes
Na última década, tanto o Leste Asiático como o Sul da Ásia conseguiram avanços enormes no que diz respeito a alcançar os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio. Mas há disparidades notórias no domínio da distribuição dos benefícios do desenvolvimento.
Aspectos positivos:
• O Leste Asiático alcançará os Objectivos em matéria de redução da fome e da pobreza muito antes do prazo de 2015. Quanto à fome, a região apresentou uma melhoria sem precedentes e agora possui uma percentagem de pessoas que passam fome inferior à da América Latina. A China, o Vietname e a Tailândia figuram entre os países que contribuíram para essa descida da taxa da fome. Entretanto, o rápido crescimento económico da China, onde vivem 70% da população da região, arrancou da pobreza 150 milhões de pessoas. Na Tailândia e na Malásia também se registou um forte crescimento durante a década de 1990, apesar da crise asiática perto do final da década.
• Os progressos do Sul da Ásia no domínio da água e do saneamento significam que é possível realizar este Objectivo até 2015. No Paquistão, Índia, Nepal e Bangladeche houve também grandes melhorias.
Aspectos negativos:
• Os progressos globais foram provocados pelos avanços conseguidos em zonas concretas, enquanto outras partes importantes dessas regiões estão a ficar para trás. Na China, por exemplo, as zonas litorais são muito mais prósperas do que as do interior. Enquanto as zonas litorais cresceram ao extraordinário ritmo médio de 13% ao ano, durante a década de 1990, as zonas do Norte e do Ocidente apresentaram taxas de crescimento, cinco vezes mais baixas em média. Embora em metrópoles como Beijing, Xangai e Tianjin tenha havido acentuados progressos em matéria de indicadores de desenvolvimento humano, muitas outras regiões foram deixadas para trás: o Tibete, por exemplo, apresenta os valores mais baixos nos domínios do nível de instrução e da esperança de vida. Há também grandes disparidades de riqueza na Índia, onde a desigualdade se tem acentuado consideravelmente.
• O desafio do desenvolvimento é ainda enorme. No Sul da Ásia vive o maior número de pobres do mundo e uma em cada três pessoas desta região sobrevive com menos de um dólar por dia. Só na Índia há 50 milhões de crianças que não frequentam a escola. O Sul da Ásia fica em último ou penúltimo lugar no que se refere a seis dos sete Objectivos de Desenvolvimento do Milénio que se aplicam aos países em desenvolvimento (o oitavo Objectivo aplica-se aos países desenvolvidos).
Soluções
Ambas as regiões dispõem de recursos que lhe permitem dar passos importantes para erradicar a pobreza. Apenas cinco dos 59 países “prioritários” que precisam de ajuda urgente ficam situados no Sul da Ásia ou no Leste Asiáticos. Do que se precisa é de:
• Políticas a favor dos pobres que dêem prioridade à saúde, educação e meios de subsistência das pessoas pobres.
• Alargamento das oportunidades para que as pessoas das duas regiões tenham mais direito a participar nas decisões sobre a prestação de serviços básicos. Exemplos de histórias de sucesso em matéria de descentralização e de tomada de decisões pelas populações locais na Índia: estados de Kerala e Madya Pradesh).
• Aumentar as tecnologias inovadoras e de baixo custo: a título de exemplo, podem citar-se as instalações sanitárias construídas pela organização Sulabh na Índia e os esforços em prol do saneamento desenvolvidos pelo Dr. Song Lexin na província de Henan, na China.
• Liderança política, exemplificada pela campanha levada a cabo na Índia, sob a direcção do Primeiro-Ministro, para fornecer água e saneamento a 165 000 aldeias.
AUTOEUROPA: "Acordo que é notícia"
A revista A COMUNA, uma publicação da UDP (União Democrática Popular), trouxe na sua edição de Abril/Junho uma entrevista a três trabalhadores da empresa AutoEuropa que, por levantar um conjunto de questões relevantes, aqui reproduzo:
«Acordo que é notícia
A COMUNA entrevistou três trabalhadores da AutoEuropa: Daniel Arruda, 29 anos, delegado sindical há 4 anos, técnico de qualidade; Fernando Sequeira, 42 anos, da Comissão de Trabalhadores há 4 anos, técnico especializado da produção automóvel; Manuel Martins, da CT desde 94, chefe de equipa.
A AutoEuropa, é uma empresa do grupo Volkswagen, que emprega mais de 3200 trabalhadores, dos quais apenas cerca de 5% são contratados a prazo.
A produção da AutoEuropa representa mais de 2% do PIB e de 10% das exportações portuguesas. A empresa situa-se no concelho de Palmela, distrito de Setúbal e o parque industrial envolve várias outras empresas com mais alguns milhares de trabalhadores.
Na AutoEuropa os trabalhadores concluíram um acordo com a administração, aprovado por 78% dos trabalhadores que evita o despedimento de mais de 300 trabalhadores em 2003.
O acordo foi concluído com o apoio da Comissão de Trabalhadores e da Comissão Sindical. Muitos colunistas já escreveram, ou falaram sobre este acordo, dando-lhe um amplo significado, considerando-o como exemplo de negociação em Portugal. E até exemplo para a concertação social. É claro que os representantes dos trabalhadores estão longe de qualquer favor à Volkswagen.
A Comuna ao realizar esta entrevista, pretende somente dar a conhecer e salientar que se trata de um acordo entre trabalhadores de uma grande corporação transnacional do ramo automóvel que, apesar da conjuntura recessiva, se prepara para permanecer entre o pequeno grupo de meia dúzia de transnacionais que sobrevive às fusões e à crise.
A negociação entre trabalhadores e administração contém muitos ensinamentos para quem defende os direitos dos trabalhadores. Na nossa opinião, deveremos ter em conta a especificidade da empresa... A acção dos representantes dos trabalhadores teve como norte a solidariedade da classe e a preparação de futuras lutas. Uma experiência a seguir com atenção.
A Comuna (AC): Vocês fizeram um acordo, que julgamos ser inédito na AutoEuropa e também em Portugal Porquê este acordo?
Manuel Martins (MM): No início deste ano, a administração confrontou-nos com as previsões de produção para o ano 2003/4, onde nos apresentou dados claros de que se iria reduzir acentuadamente a produção, em particular para este ano. Existia a necessidade de despedir pessoas uma vez que, no entender da administração, haveria um excesso de trabalhadores para atingir os objectivos. Os números que nos apresentaram eram, para este ano, de mais de 300 pessoas que as necessárias para fabricar o número de carros pretendido. Falava-se de 108 mil carros em vez dos 130 mil previstos. Posto este problema, a nossa necessidade foi defender os 300 postos de trabalho. Conseguimos negociar para que estes trabalhadores ficassem na fábrica, e para que não fossem lesados os seus direitos mais profundos.
AC: Quais as contrapartidas que os trabalhadores assinaram para não se efectuarem os despedimentos?
MM: Inicialmente, a empresa apresentou uma proposta que ia no sentido de ficarmos em casa, trocando esses dias por horas extraordinárias a fazer aos Sábados. Não aceitámos essa condição, uma vez que as horas aos sábados têm um valor de 200% e eles queriam trocar dias de valor normal por sábados a pagar pelo valor normal. Tivemos alguma criatividade na mesa das negociações, tentando apresentar uma proposta que se adaptasse aos interesses dos trabalhadores e vocacionada para a defesa do emprego. Tentámos, com algumas experiências que conseguimos beber na Europa, fazer uma "proposta portuguesa", muito ligada às nossas características. Visámos o seguinte: não haver despedimentos em 2003; haver paralisação de 16 dias, para manter uma produção de 520 carros/dia; porque, se baixássemos a produção, passaria a haver excesso de pessoal.
AC: No final deste ano cada trabalhador vai ficar a dever 16 dias de trabalho à empresa?
MM: No fundo, esse era o objectivo da empresa. Nós procurámos outra solução para conseguirmos pagar parte desses dias. Em Setembro, vamos realizar negociações, nas quais pretendemos trocar 3,3% de aumento salarial por 10 dias de trabalho de forma vitalícia; ou seja, os trabalhadores não trabalham 10 dias por ano, mas não perdem direitos. Isto representa uma "ferramenta", que permite pagar os 16 dias que vamos ter de parar. Fizemos um acordo no qual a empresa também paga a sua factura. Dos 16 dias, 10 são assumidos pela empresa.
Fernando Sequeira (FS): Os "10 dias" surgem de um possível aumento de 3,3% que possamos vir a ter em Setembro e dos quais abdicamos para pagar os "10 dias", ou seja se o aumento for de 4% , 3,3% pagam os 10 dias e 0,7% revertem em dinheiro para o salário dos trabalhadores.
AC: E se a empresa continuar a requerer os tais 16 dias voltam a dever 16 dias à empresa?
MM: Isso seria alongarmo-nos numa discussão que ainda não foi feita. É bom esclarecer que este acordo é feito por um ano. A previsão para o ano seguinte é de que vamos parar 35 dias, ainda não foi feito nenhum acordo para essa situação. Vamos discutir como vamos adquirir esses dias sem que os trabalhadores fiquem lesados nos seus ordenados e não vão trabalhadores para o desemprego.
FS: Manter uma produção estável na ordem dos 520 carros por dia vai fazer com que todos os fornecedores da empresa tenham de manter as pessoas necessárias a essa produção. Ou seja: a produção afecta os trabalhadores que vamos manter dentro da AutoEuropa, mas também os que estão no Parque e que as suas empresas vão ter de manter, pois não os podem despedir para dar resposta à produção de 520 carros por dia. Portanto essas empresas terão de enveredar por um acordo, seja deste ou de outro género.
Daniel Arruda (DA): O acordo não só defende os postos de trabalho da AutoEuropa, mas também os postos de trabalho fora da AutoEuropa. É importante dizer que, por cada despedimento na AutoEuropa, falamos de cinco pessoas despedidas no Parque Industrial. Se falarmos de 500 despedimentos na AutoEuropa, falamos de 2500 no universo industrial afecto à AutoEuropa, nos custos que daí advêm para a Segurança Social e para o bem-estar das pessoas. É importante frisar estes números, para que não se pense que estamos a falar apenas de 500, mas sim de 2500 pessoas e dos seus agregados familiares.
AC: Há ainda a hipótese, com o aumento das quebras de produção, de terem de trabalhar mais horas num dia ou em vários dias. E como pagar os dias que irão acumular?
MM: A previsão é de produzir 108 mil carros. Mas, conforme o mercado internacional e a conjuntura, não sabemos se, de um momento para o outro, teremos mais encomendas e de trabalhar mais dias. O acordo só prevê que se trabalhe esses dias da seguinte forma: a empresa pode requisitar os dias que devemos durante a semana; ou seja, durante os 10 dias de paragem podemos ser chamados, excepto ao sábado e de preferência convocados no primeiro dia da semana. Não recusando esses dias, porque queremos que a empresa mantenha a produção. Esses dias serão pagos.
AC: Porque é que as outras empresas têm necessidade de assinar acordos deste tipo?
FS: O abastecimento à linha da AutoEuropa, à linha principal, é feito just in time. Os pedidos são feitos directamente a esses produtores, que têm de fornecer os materiais num curto espaço de tempo. Portanto, se a AutoEuropa está a produzir 520 carros por dia, eles vão ter que responder diariamente a este número. Mas, apesar de termos de parar 16 dias; estas empresas não precisam de o fazer, porque podem produzir para outras situações. Se reduzíssemos os postos de trabalho, reduzíamos a velocidade da linha e haveria mais despedimentos.
DA: Este acordo para além de ser benéfico para os trabalhadores, permite também começar a caminhar para o objectivo das 35 horas semanais sem perda de salário. Sabemos que, na realidade actual, para a redução do número de horas de trabalho, o patronato tem reivindicado a redução dos salários. Esta é uma forma de, já este ano, reduzir em uma a seis horas semanais o horário de trabalho, passando para as 38,4 horas de trabalho semanal. Permite também que o trabalhador não sinta um sacrifício ou, pelo menos, não tenha grandes problemas financeiros derivados deste corte no horário de trabalho. Esta também não é uma situação nova. Na Alemanha, há 17 anos que se tenta negociar este tipo de acordos. Negoceiam 3% de aumento e só recebem 2%, pois trocam 1% por uma redução do horário de trabalho. Dai haver oficialmente sectores com 28 e 30 horas de trabalho semanais. Há 17 anos que negoceiam a troca do aumento salarial por horas de trabalho efectivo que não são feitas. Este acordo também deve ser valorizado porque é a primeira empresa em Portugal que está a fazer um sério esforço na redução do horário de trabalho no objectivo de atingir as 35 horas semanais.
AC: Qual é a especificidade portuguesa deste acordo?
MM: Os acordos que conhecíamos não se podem comparar com este. Por exemplo, na fábrica de Pamplona, o acordo consistiu na redução do salário de cada trabalhador em 5%; a paragem que esses trabalhadores têm de efectuar é de 11 dias, ficando o poder de compra bastante reduzido. No acordo português não há diminuição do valor salarial, mas sim a troca de um aumento salarial de 3,3% por 10 dias de trabalho. Outra diferença reside na duração do acordo. O nosso é válido para o ano de 2003, enquanto que os trabalhadores de Pamplona admitem aquele acordo para mais tempo.
AC: Que previsões tecem para o futuro da AutoEuropa?
MM: A previsão é de que; para o ano que vem, se irão vender menos carros. Mas haverá um produto novo para relançar na fábrica que, eventualmente, vai necessitar de um aumento dos efectivos para cumprir as previsões de produção. Até lá, temos a "travessia do deserto", vamos ter dois anos muito complicados, especialmente devido à situação do mercado internacional. E a luta vai ser passar estes dois anos sem que os trabalhadores sejam despedidos nem lesados no poder de compra ou no poder de negociação.
AC: Mas qual é a vantagem que a Volkswagen tem em manter a AutoEuropa em Portugal? Não há o risco de deslocalização?
MM: Existe um ranking mundial das fábricas; elas concorrem entre si. Apesar de haver questões relacionadas com os interesses económicos e geo-estratégicos, e isto tem a ver com a localização das fábricas, é a concorrência que determina muitas coisas. Critérios como o absentismo, a qualidade e a produtividade são fundamentais para estarmos bem posicionados no ranking e recebermos novos produtos.
DA: Na história da Volkswagen só houve, até hoje, uma fábrica que foi encerrada: a da Nigéria, por questões políticas. No restante mundo da Volkswagen, assistimos, quer por parte das administrações, quer das comissões de trabalhadores, através do Comité Mundial e dos Comités Europeus, a uma tentativa de negociação, que até hoje tem sido recíproca e tem levado a bom porto em todas as fábricas à excepção desse caso da Nigéria. Esta história, mais os argumentos apresentados pelo Manuel, não levam a pensar num fecho próximo, até porque - e voltando outra vez às especificidades portuguesas - Palmela tem características próprias que não tornariam vantajosa uma deslocalização para outros pontos da Europa, que até podia ser benéfica do ponto de vista logístico. No que se relaciona com a exportação e entrada de materiais, tornaria muito mais complicada a situação. Para além disso, existe todo um conjunto de infra-estruturas que estão montadas à volta da AutoEuropa que nos permite pensar que a produção não é só para prazo curto. A inauguração da linha-férrea que liga a fábrica directamente à Alemanha e à Polónia para o fornecimento dos motores, a ampliação da fábrica, e dos investimentos que estão a ser feitos, não nos levam a crer que se esteja a planear um futuro breve para a AutoEuropa.
AC: Em que posição do ranking se encontra a vossa fábrica?
MM: Estamos no sétimo lugar em trinta e tal fábricas e, por exemplo, na escala do absentismo, em Março, estávamos em terceiro lugar. Em relação à higiene e segurança também estamos muito bem classificados. Para as direcções da VW, o ranking mostra onde há espaço para distribuir os produtos e onde o mercado é mais receptivo. Há muitas fábricas que estão a competir seriamente. Neste sector, o mercado é muito agressivo. Há indicadores que levam a manter a fábrica em Portugal como seja uma produtividade das maiores, qualidade excelente e grande redução do absentismo. Há um problema de fundo que o Arruda aqui falou. Quando estive no México, em Pueblo, discutimos com trabalhadores dos países de língua latina (argentinos, brasileiros, espanhóis, portugueses). Todos tentamos encontrar soluções para manter as fábricas, nos respectivos países, sem despedimentos. Por exemplo, na Argentina, a fábrica tem 300 trabalhadores. Apesar de não ter futuro, não fecha por razões estratégicas. Tentam fazer acordos de três dias de trabalho, para ver se a economia reanima e se a fábrica consegue dar resposta e escoar produtos para o mercado americano e brasileiro.
DA: Esta situação leva-nos para a conjuntura mundial. Caminha-se para a situação de quatro marcas dominantes, uma ruptura com o modelo tradicional de várias marcas e grupos que produzem automóveis. É nesta conjuntura que a Volkswagen se tenta manter nos mais diversos países, de modo a garantir uma estratégia para sobreviver ao cenário negro que se avizinha na indústria automóvel.
AC: O que é o comité europeu?
MM: A Volkswagen foi das primeiras empresas onde se criaram este tipo de organismos, que são a reunião de sindicalistas e de membros das CTs de toda a Europa. Estes representantes dos trabalhadores reúnem com os representantes de recursos humanos da Volkswagen. Cada 5000 trabalhadores elegem um representante. Há fábricas que elegem mais que um. O Comité tem funcionamento regular, reunindo duas a três vezes por ano. Há decisões que são conhecidas em primeira-mão nas reuniões do comité mas as decisões de gestão são tomadas pela direcção. Aquilo em que somos ouvidos tem a ver com situações como seja, por exemplo, uma fábrica que tem falta de produtos ou está numa situação menos boa. Debatemos a situação nestas reuniões e, embora a decisão seja das direcções, as conclusões destes debates são conhecidas.
DA: Foi elaborada uma carta social pelos comités europeu e mundial, distribuída nas fábricas da Volkswagen, onde se estipulam os direitos dos trabalhadores.
AC: O Comité europeu não trata de nenhum acordo dentro das fábricas?
MM: Não. Por vezes o Comité serve para tentar pressionar as direcções. Mas serve muito mais para recolher informações e debater problemas. Faz também recomendações importantes. Por exemplo, em Espanha, há pouco tempo, foi indispensável a intervenção de um representante dos recursos humanos do comité europeu pois os trabalhadores não conseguiam negociar com a fábrica.
AC: Este acordo foi assinado entre a administração e a comissão de trabalhadores da AutoEuropa. E os sindicatos?
DA: A comissão sindical deu o seu aval. Ou seja, o sindicato reconheceu que, na situação da empresa, este acordo era o ideal para defender os trabalhadores. Embora a comissão sindical da AutoEuropa tenha aceite este acordo, a nível da central sindical, continuam a ser feitas algumas declarações diferentes das que os seus representantes fazem a nível interno na AutoEuropa. Existe documentação em que veladamente se condena o acordo quando, conhecendo a realidade da empresa, a comissão sindical dá o seu aval. Na minha maneira de ver, este acordo não é só um bom acordo para a defesa dos trabalhadores, mas também um acordo de filosofia política que faz falta no mundo laboral em Portugal. É um acordo que não vê Portugal como algo fechado. Vê a conjuntura mundial e, acima de tudo, reflecte uma nova maneira de pensar, que é a dos trabalhadores.
AC: A recessão vai fazer com que grandes gigantes sejam absorvidos por outros. Como é que ficam esses trabalhadores?
DA: Nem só os sindicatos ou as comissões de trabalhadores podem fazer algo. O papel regulador e fiscalizador do Estado não deve ser ignorado. Assistimos, em Portugal, a um desrespeito do Estado pelas classes trabalhadoras, quando se demite das suas funções e permite o fecho, a deslocalização das empresas e até falências fraudulentas.
MM: Vale a pena falar do aspecto político deste acordo, que vem responder a questões novas que se fazem sentir neste sector. Isto é, as soluções que apresenta para o problema dos despedimentos. Não é a proposta em si que encerra grandes novidades ou soluções ideais; esta é uma maneira nova de encarar os problemas laborais. Ou seja é uma maneira de encarar os novos problemas que se colocam aos trabalhadores. Se este acordo pretende responder a uma situação de quebra de produção, como vamos reagir a um pico de alta produção? São estas as questões que se colocam aos trabalhadores deste sector E, na minha opinião, o problema do movimento sindical português é o facto de, desde há muitos anos, ter uma receita para responder aos problemas que hoje não é suficiente. Daí a necessidade deste tipo de acordos. E esse o debate a ser feito. A polémica é necessária: agarrar neste tipo de propostas, ver o que está errado, que perigos encerram, o que têm de progressista, e apresentar novas soluções. Uma atitude defensiva em relação a novos métodos pode levar à entrada fácil do Pacote Laboral e à derrota, desde o início, dos trabalhadores.
AC: Qual é a crítica que os sindicatos fazem a este acordo?
DA: Basicamente, e usando um chavão, a critica que é feita é a "cedência ao capital". A alternativa, e uma vez que não há argumentos, é o despedimento e a prática de /lay-off.
AC: Qual é a vantagem deste acordo em relação ao lay-off?
FS: O essencial é a inovação e a criação de uma ferramenta para futuras negociações. Com o lay-off haveria uma perda. Com o acordo há uma troca.
DA: E também há a questão da estabilidade social. Ou seja, não podemos esquecer que o trabalhador é um ser humano e que o Lay-off e o sentimento de ameaça sobre o posto de trabalho influenciam a vida e as perspectivas de futuro.
AC: Com este acordo não há o risco de, em picos de alta produção, haver aumento brusco do horário de trabalho?
DA: Não, porque há um capital de negociação que nos permite enfrentar a administração em novas negociações, permitindo transformar esta situação de crise numa situação minimamente estável. Já neste acordo, salvaguardaram-se sábados e trocas de dias normais por feriados.
MM: Um pico de produção exige um maior número de trabalhadores ou que cada trabalhador faça mais horas. Mas o essencial é ser-se criativo e responder ao mercado porque, se não o fizermos, a administração pega na lei da flexibilidade e prolonga duas horas o horário de trabalho. Mas há que ter cuidado porque, se não queremos trabalhar mais horas, também não é solução contratar pessoas a prazo para estas situações. Não queremos precários pagos à hora que depois de usados se mandam embora. As primeiras batalhas são contra os tabus das palavras. Anuidade e flexibilidade são tabus no discurso dos movimentos sindicais e tem que haver discussão porque, por exemplo, na Alemanha, para enfrentar os picos, fizeram-se mini-turnos para estudantes que se disponibilizaram para a experiência, sem lesar os trabalhadores e sem os sobrecarregar com horas extra.
AC: Vocês estão a negociar numa situação muito especial. Trata-se de uma multinacional que está a crescer, apesar das crises. Está sediada num grande país que é a Alemanha. Trata-se de uma empresa muito particular que tem margem para fazer este tipo de acordo e manter lucros fabulosos...
DA: A AutoEuropa tem especificidades e é por isso que os representantes dos trabalhadores conseguiram dar resposta ao problema que estava colocado na empresa. Mas reafirmo que, hoje, não é possível criar uma tabela em que a solução para o problema número 25 seja a resposta número 7. O desafio que se coloca aos trabalhadores é serem capazes de olhar para a empresa e tentar encontrar soluções novas em conjunto com os seus representantes. É a evolução do capitalismo que confronta os trabalhadores com mais e variados problemas. Dai que o Manuel diga que este acordo é complicado para pôr em prática noutras empresas. Mas, na minha opinião deve ser lido, percebido e adaptado às diferentes realidades.»
A revista A COMUNA, uma publicação da UDP (União Democrática Popular), trouxe na sua edição de Abril/Junho uma entrevista a três trabalhadores da empresa AutoEuropa que, por levantar um conjunto de questões relevantes, aqui reproduzo:
«Acordo que é notícia
A COMUNA entrevistou três trabalhadores da AutoEuropa: Daniel Arruda, 29 anos, delegado sindical há 4 anos, técnico de qualidade; Fernando Sequeira, 42 anos, da Comissão de Trabalhadores há 4 anos, técnico especializado da produção automóvel; Manuel Martins, da CT desde 94, chefe de equipa.
A AutoEuropa, é uma empresa do grupo Volkswagen, que emprega mais de 3200 trabalhadores, dos quais apenas cerca de 5% são contratados a prazo.
A produção da AutoEuropa representa mais de 2% do PIB e de 10% das exportações portuguesas. A empresa situa-se no concelho de Palmela, distrito de Setúbal e o parque industrial envolve várias outras empresas com mais alguns milhares de trabalhadores.
Na AutoEuropa os trabalhadores concluíram um acordo com a administração, aprovado por 78% dos trabalhadores que evita o despedimento de mais de 300 trabalhadores em 2003.
O acordo foi concluído com o apoio da Comissão de Trabalhadores e da Comissão Sindical. Muitos colunistas já escreveram, ou falaram sobre este acordo, dando-lhe um amplo significado, considerando-o como exemplo de negociação em Portugal. E até exemplo para a concertação social. É claro que os representantes dos trabalhadores estão longe de qualquer favor à Volkswagen.
A Comuna ao realizar esta entrevista, pretende somente dar a conhecer e salientar que se trata de um acordo entre trabalhadores de uma grande corporação transnacional do ramo automóvel que, apesar da conjuntura recessiva, se prepara para permanecer entre o pequeno grupo de meia dúzia de transnacionais que sobrevive às fusões e à crise.
A negociação entre trabalhadores e administração contém muitos ensinamentos para quem defende os direitos dos trabalhadores. Na nossa opinião, deveremos ter em conta a especificidade da empresa... A acção dos representantes dos trabalhadores teve como norte a solidariedade da classe e a preparação de futuras lutas. Uma experiência a seguir com atenção.
A Comuna (AC): Vocês fizeram um acordo, que julgamos ser inédito na AutoEuropa e também em Portugal Porquê este acordo?
Manuel Martins (MM): No início deste ano, a administração confrontou-nos com as previsões de produção para o ano 2003/4, onde nos apresentou dados claros de que se iria reduzir acentuadamente a produção, em particular para este ano. Existia a necessidade de despedir pessoas uma vez que, no entender da administração, haveria um excesso de trabalhadores para atingir os objectivos. Os números que nos apresentaram eram, para este ano, de mais de 300 pessoas que as necessárias para fabricar o número de carros pretendido. Falava-se de 108 mil carros em vez dos 130 mil previstos. Posto este problema, a nossa necessidade foi defender os 300 postos de trabalho. Conseguimos negociar para que estes trabalhadores ficassem na fábrica, e para que não fossem lesados os seus direitos mais profundos.
AC: Quais as contrapartidas que os trabalhadores assinaram para não se efectuarem os despedimentos?
MM: Inicialmente, a empresa apresentou uma proposta que ia no sentido de ficarmos em casa, trocando esses dias por horas extraordinárias a fazer aos Sábados. Não aceitámos essa condição, uma vez que as horas aos sábados têm um valor de 200% e eles queriam trocar dias de valor normal por sábados a pagar pelo valor normal. Tivemos alguma criatividade na mesa das negociações, tentando apresentar uma proposta que se adaptasse aos interesses dos trabalhadores e vocacionada para a defesa do emprego. Tentámos, com algumas experiências que conseguimos beber na Europa, fazer uma "proposta portuguesa", muito ligada às nossas características. Visámos o seguinte: não haver despedimentos em 2003; haver paralisação de 16 dias, para manter uma produção de 520 carros/dia; porque, se baixássemos a produção, passaria a haver excesso de pessoal.
AC: No final deste ano cada trabalhador vai ficar a dever 16 dias de trabalho à empresa?
MM: No fundo, esse era o objectivo da empresa. Nós procurámos outra solução para conseguirmos pagar parte desses dias. Em Setembro, vamos realizar negociações, nas quais pretendemos trocar 3,3% de aumento salarial por 10 dias de trabalho de forma vitalícia; ou seja, os trabalhadores não trabalham 10 dias por ano, mas não perdem direitos. Isto representa uma "ferramenta", que permite pagar os 16 dias que vamos ter de parar. Fizemos um acordo no qual a empresa também paga a sua factura. Dos 16 dias, 10 são assumidos pela empresa.
Fernando Sequeira (FS): Os "10 dias" surgem de um possível aumento de 3,3% que possamos vir a ter em Setembro e dos quais abdicamos para pagar os "10 dias", ou seja se o aumento for de 4% , 3,3% pagam os 10 dias e 0,7% revertem em dinheiro para o salário dos trabalhadores.
AC: E se a empresa continuar a requerer os tais 16 dias voltam a dever 16 dias à empresa?
MM: Isso seria alongarmo-nos numa discussão que ainda não foi feita. É bom esclarecer que este acordo é feito por um ano. A previsão para o ano seguinte é de que vamos parar 35 dias, ainda não foi feito nenhum acordo para essa situação. Vamos discutir como vamos adquirir esses dias sem que os trabalhadores fiquem lesados nos seus ordenados e não vão trabalhadores para o desemprego.
FS: Manter uma produção estável na ordem dos 520 carros por dia vai fazer com que todos os fornecedores da empresa tenham de manter as pessoas necessárias a essa produção. Ou seja: a produção afecta os trabalhadores que vamos manter dentro da AutoEuropa, mas também os que estão no Parque e que as suas empresas vão ter de manter, pois não os podem despedir para dar resposta à produção de 520 carros por dia. Portanto essas empresas terão de enveredar por um acordo, seja deste ou de outro género.
Daniel Arruda (DA): O acordo não só defende os postos de trabalho da AutoEuropa, mas também os postos de trabalho fora da AutoEuropa. É importante dizer que, por cada despedimento na AutoEuropa, falamos de cinco pessoas despedidas no Parque Industrial. Se falarmos de 500 despedimentos na AutoEuropa, falamos de 2500 no universo industrial afecto à AutoEuropa, nos custos que daí advêm para a Segurança Social e para o bem-estar das pessoas. É importante frisar estes números, para que não se pense que estamos a falar apenas de 500, mas sim de 2500 pessoas e dos seus agregados familiares.
AC: Há ainda a hipótese, com o aumento das quebras de produção, de terem de trabalhar mais horas num dia ou em vários dias. E como pagar os dias que irão acumular?
MM: A previsão é de produzir 108 mil carros. Mas, conforme o mercado internacional e a conjuntura, não sabemos se, de um momento para o outro, teremos mais encomendas e de trabalhar mais dias. O acordo só prevê que se trabalhe esses dias da seguinte forma: a empresa pode requisitar os dias que devemos durante a semana; ou seja, durante os 10 dias de paragem podemos ser chamados, excepto ao sábado e de preferência convocados no primeiro dia da semana. Não recusando esses dias, porque queremos que a empresa mantenha a produção. Esses dias serão pagos.
AC: Porque é que as outras empresas têm necessidade de assinar acordos deste tipo?
FS: O abastecimento à linha da AutoEuropa, à linha principal, é feito just in time. Os pedidos são feitos directamente a esses produtores, que têm de fornecer os materiais num curto espaço de tempo. Portanto, se a AutoEuropa está a produzir 520 carros por dia, eles vão ter que responder diariamente a este número. Mas, apesar de termos de parar 16 dias; estas empresas não precisam de o fazer, porque podem produzir para outras situações. Se reduzíssemos os postos de trabalho, reduzíamos a velocidade da linha e haveria mais despedimentos.
DA: Este acordo para além de ser benéfico para os trabalhadores, permite também começar a caminhar para o objectivo das 35 horas semanais sem perda de salário. Sabemos que, na realidade actual, para a redução do número de horas de trabalho, o patronato tem reivindicado a redução dos salários. Esta é uma forma de, já este ano, reduzir em uma a seis horas semanais o horário de trabalho, passando para as 38,4 horas de trabalho semanal. Permite também que o trabalhador não sinta um sacrifício ou, pelo menos, não tenha grandes problemas financeiros derivados deste corte no horário de trabalho. Esta também não é uma situação nova. Na Alemanha, há 17 anos que se tenta negociar este tipo de acordos. Negoceiam 3% de aumento e só recebem 2%, pois trocam 1% por uma redução do horário de trabalho. Dai haver oficialmente sectores com 28 e 30 horas de trabalho semanais. Há 17 anos que negoceiam a troca do aumento salarial por horas de trabalho efectivo que não são feitas. Este acordo também deve ser valorizado porque é a primeira empresa em Portugal que está a fazer um sério esforço na redução do horário de trabalho no objectivo de atingir as 35 horas semanais.
AC: Qual é a especificidade portuguesa deste acordo?
MM: Os acordos que conhecíamos não se podem comparar com este. Por exemplo, na fábrica de Pamplona, o acordo consistiu na redução do salário de cada trabalhador em 5%; a paragem que esses trabalhadores têm de efectuar é de 11 dias, ficando o poder de compra bastante reduzido. No acordo português não há diminuição do valor salarial, mas sim a troca de um aumento salarial de 3,3% por 10 dias de trabalho. Outra diferença reside na duração do acordo. O nosso é válido para o ano de 2003, enquanto que os trabalhadores de Pamplona admitem aquele acordo para mais tempo.
AC: Que previsões tecem para o futuro da AutoEuropa?
MM: A previsão é de que; para o ano que vem, se irão vender menos carros. Mas haverá um produto novo para relançar na fábrica que, eventualmente, vai necessitar de um aumento dos efectivos para cumprir as previsões de produção. Até lá, temos a "travessia do deserto", vamos ter dois anos muito complicados, especialmente devido à situação do mercado internacional. E a luta vai ser passar estes dois anos sem que os trabalhadores sejam despedidos nem lesados no poder de compra ou no poder de negociação.
AC: Mas qual é a vantagem que a Volkswagen tem em manter a AutoEuropa em Portugal? Não há o risco de deslocalização?
MM: Existe um ranking mundial das fábricas; elas concorrem entre si. Apesar de haver questões relacionadas com os interesses económicos e geo-estratégicos, e isto tem a ver com a localização das fábricas, é a concorrência que determina muitas coisas. Critérios como o absentismo, a qualidade e a produtividade são fundamentais para estarmos bem posicionados no ranking e recebermos novos produtos.
DA: Na história da Volkswagen só houve, até hoje, uma fábrica que foi encerrada: a da Nigéria, por questões políticas. No restante mundo da Volkswagen, assistimos, quer por parte das administrações, quer das comissões de trabalhadores, através do Comité Mundial e dos Comités Europeus, a uma tentativa de negociação, que até hoje tem sido recíproca e tem levado a bom porto em todas as fábricas à excepção desse caso da Nigéria. Esta história, mais os argumentos apresentados pelo Manuel, não levam a pensar num fecho próximo, até porque - e voltando outra vez às especificidades portuguesas - Palmela tem características próprias que não tornariam vantajosa uma deslocalização para outros pontos da Europa, que até podia ser benéfica do ponto de vista logístico. No que se relaciona com a exportação e entrada de materiais, tornaria muito mais complicada a situação. Para além disso, existe todo um conjunto de infra-estruturas que estão montadas à volta da AutoEuropa que nos permite pensar que a produção não é só para prazo curto. A inauguração da linha-férrea que liga a fábrica directamente à Alemanha e à Polónia para o fornecimento dos motores, a ampliação da fábrica, e dos investimentos que estão a ser feitos, não nos levam a crer que se esteja a planear um futuro breve para a AutoEuropa.
AC: Em que posição do ranking se encontra a vossa fábrica?
MM: Estamos no sétimo lugar em trinta e tal fábricas e, por exemplo, na escala do absentismo, em Março, estávamos em terceiro lugar. Em relação à higiene e segurança também estamos muito bem classificados. Para as direcções da VW, o ranking mostra onde há espaço para distribuir os produtos e onde o mercado é mais receptivo. Há muitas fábricas que estão a competir seriamente. Neste sector, o mercado é muito agressivo. Há indicadores que levam a manter a fábrica em Portugal como seja uma produtividade das maiores, qualidade excelente e grande redução do absentismo. Há um problema de fundo que o Arruda aqui falou. Quando estive no México, em Pueblo, discutimos com trabalhadores dos países de língua latina (argentinos, brasileiros, espanhóis, portugueses). Todos tentamos encontrar soluções para manter as fábricas, nos respectivos países, sem despedimentos. Por exemplo, na Argentina, a fábrica tem 300 trabalhadores. Apesar de não ter futuro, não fecha por razões estratégicas. Tentam fazer acordos de três dias de trabalho, para ver se a economia reanima e se a fábrica consegue dar resposta e escoar produtos para o mercado americano e brasileiro.
DA: Esta situação leva-nos para a conjuntura mundial. Caminha-se para a situação de quatro marcas dominantes, uma ruptura com o modelo tradicional de várias marcas e grupos que produzem automóveis. É nesta conjuntura que a Volkswagen se tenta manter nos mais diversos países, de modo a garantir uma estratégia para sobreviver ao cenário negro que se avizinha na indústria automóvel.
AC: O que é o comité europeu?
MM: A Volkswagen foi das primeiras empresas onde se criaram este tipo de organismos, que são a reunião de sindicalistas e de membros das CTs de toda a Europa. Estes representantes dos trabalhadores reúnem com os representantes de recursos humanos da Volkswagen. Cada 5000 trabalhadores elegem um representante. Há fábricas que elegem mais que um. O Comité tem funcionamento regular, reunindo duas a três vezes por ano. Há decisões que são conhecidas em primeira-mão nas reuniões do comité mas as decisões de gestão são tomadas pela direcção. Aquilo em que somos ouvidos tem a ver com situações como seja, por exemplo, uma fábrica que tem falta de produtos ou está numa situação menos boa. Debatemos a situação nestas reuniões e, embora a decisão seja das direcções, as conclusões destes debates são conhecidas.
DA: Foi elaborada uma carta social pelos comités europeu e mundial, distribuída nas fábricas da Volkswagen, onde se estipulam os direitos dos trabalhadores.
AC: O Comité europeu não trata de nenhum acordo dentro das fábricas?
MM: Não. Por vezes o Comité serve para tentar pressionar as direcções. Mas serve muito mais para recolher informações e debater problemas. Faz também recomendações importantes. Por exemplo, em Espanha, há pouco tempo, foi indispensável a intervenção de um representante dos recursos humanos do comité europeu pois os trabalhadores não conseguiam negociar com a fábrica.
AC: Este acordo foi assinado entre a administração e a comissão de trabalhadores da AutoEuropa. E os sindicatos?
DA: A comissão sindical deu o seu aval. Ou seja, o sindicato reconheceu que, na situação da empresa, este acordo era o ideal para defender os trabalhadores. Embora a comissão sindical da AutoEuropa tenha aceite este acordo, a nível da central sindical, continuam a ser feitas algumas declarações diferentes das que os seus representantes fazem a nível interno na AutoEuropa. Existe documentação em que veladamente se condena o acordo quando, conhecendo a realidade da empresa, a comissão sindical dá o seu aval. Na minha maneira de ver, este acordo não é só um bom acordo para a defesa dos trabalhadores, mas também um acordo de filosofia política que faz falta no mundo laboral em Portugal. É um acordo que não vê Portugal como algo fechado. Vê a conjuntura mundial e, acima de tudo, reflecte uma nova maneira de pensar, que é a dos trabalhadores.
AC: A recessão vai fazer com que grandes gigantes sejam absorvidos por outros. Como é que ficam esses trabalhadores?
DA: Nem só os sindicatos ou as comissões de trabalhadores podem fazer algo. O papel regulador e fiscalizador do Estado não deve ser ignorado. Assistimos, em Portugal, a um desrespeito do Estado pelas classes trabalhadoras, quando se demite das suas funções e permite o fecho, a deslocalização das empresas e até falências fraudulentas.
MM: Vale a pena falar do aspecto político deste acordo, que vem responder a questões novas que se fazem sentir neste sector. Isto é, as soluções que apresenta para o problema dos despedimentos. Não é a proposta em si que encerra grandes novidades ou soluções ideais; esta é uma maneira nova de encarar os problemas laborais. Ou seja é uma maneira de encarar os novos problemas que se colocam aos trabalhadores. Se este acordo pretende responder a uma situação de quebra de produção, como vamos reagir a um pico de alta produção? São estas as questões que se colocam aos trabalhadores deste sector E, na minha opinião, o problema do movimento sindical português é o facto de, desde há muitos anos, ter uma receita para responder aos problemas que hoje não é suficiente. Daí a necessidade deste tipo de acordos. E esse o debate a ser feito. A polémica é necessária: agarrar neste tipo de propostas, ver o que está errado, que perigos encerram, o que têm de progressista, e apresentar novas soluções. Uma atitude defensiva em relação a novos métodos pode levar à entrada fácil do Pacote Laboral e à derrota, desde o início, dos trabalhadores.
AC: Qual é a crítica que os sindicatos fazem a este acordo?
DA: Basicamente, e usando um chavão, a critica que é feita é a "cedência ao capital". A alternativa, e uma vez que não há argumentos, é o despedimento e a prática de /lay-off.
AC: Qual é a vantagem deste acordo em relação ao lay-off?
FS: O essencial é a inovação e a criação de uma ferramenta para futuras negociações. Com o lay-off haveria uma perda. Com o acordo há uma troca.
DA: E também há a questão da estabilidade social. Ou seja, não podemos esquecer que o trabalhador é um ser humano e que o Lay-off e o sentimento de ameaça sobre o posto de trabalho influenciam a vida e as perspectivas de futuro.
AC: Com este acordo não há o risco de, em picos de alta produção, haver aumento brusco do horário de trabalho?
DA: Não, porque há um capital de negociação que nos permite enfrentar a administração em novas negociações, permitindo transformar esta situação de crise numa situação minimamente estável. Já neste acordo, salvaguardaram-se sábados e trocas de dias normais por feriados.
MM: Um pico de produção exige um maior número de trabalhadores ou que cada trabalhador faça mais horas. Mas o essencial é ser-se criativo e responder ao mercado porque, se não o fizermos, a administração pega na lei da flexibilidade e prolonga duas horas o horário de trabalho. Mas há que ter cuidado porque, se não queremos trabalhar mais horas, também não é solução contratar pessoas a prazo para estas situações. Não queremos precários pagos à hora que depois de usados se mandam embora. As primeiras batalhas são contra os tabus das palavras. Anuidade e flexibilidade são tabus no discurso dos movimentos sindicais e tem que haver discussão porque, por exemplo, na Alemanha, para enfrentar os picos, fizeram-se mini-turnos para estudantes que se disponibilizaram para a experiência, sem lesar os trabalhadores e sem os sobrecarregar com horas extra.
AC: Vocês estão a negociar numa situação muito especial. Trata-se de uma multinacional que está a crescer, apesar das crises. Está sediada num grande país que é a Alemanha. Trata-se de uma empresa muito particular que tem margem para fazer este tipo de acordo e manter lucros fabulosos...
DA: A AutoEuropa tem especificidades e é por isso que os representantes dos trabalhadores conseguiram dar resposta ao problema que estava colocado na empresa. Mas reafirmo que, hoje, não é possível criar uma tabela em que a solução para o problema número 25 seja a resposta número 7. O desafio que se coloca aos trabalhadores é serem capazes de olhar para a empresa e tentar encontrar soluções novas em conjunto com os seus representantes. É a evolução do capitalismo que confronta os trabalhadores com mais e variados problemas. Dai que o Manuel diga que este acordo é complicado para pôr em prática noutras empresas. Mas, na minha opinião deve ser lido, percebido e adaptado às diferentes realidades.»
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