Ainda o Prestige
A mim o que me faz confusão é a impunidade absoluta dos verdadeiros responsáveis destes desastres que são as companhias petrolíferas. O FIPOL é um fundo injusto, já que se sobrepõe às leis nacionais e Europeias, sendo na prática impossível levantar um processo a uma companhia petrolífera por percas financeiras ou prejuízos avultados. Em França, aquando do náufrago do Erika, os prejuízos declarados foram cobertos em apenas 20% do total. O Exon Valdez, que naufragou no Alasca, e estando os EUA fora da FIPOL (Fundo Internacional de Indemnizações para os Danos de Poluição Causados pelos Hidrocarbonetos), obrigou à ESSO um pagamento 20 vezes superior ao que receberam os Franceses pelo ERIKA, sendo o derrame em menor quantidade e com prejuízos muito menores. Mais uma vez, quando a lei não interessa aos poderosos, dá-se a volta à lei, compensando convenientemente os governos pela sua cumplicidade, em detrimento dos pescadores, dos marisqueiros, dos armadores, da industria de lazer, em fim, de todos os que vivem do mar directa e indirectamente.
PP.
Fipol - O FIPOL é um Fundo que tem sido muito criticado porque as indemnizações pagas ficam sempre muito aquém dos danos causados e demoram um tempo exagerado a ser pagas num longo processo burocrático. No entanto, ninguém pode reclamar, mesmo que tenha a sua vida destruída, já que foi assinado por todos os países da UE.
Que la pluma sea también una espada y que su filo corte el oscuro muro por el que habrá de colarse el mañana [Subcomandante Marcos]
sábado, agosto 09, 2003
Os turistas convertem-se em testemunhas involuntários da maré negra do Prestige
"O petróleo continua a tingir de negro as costas do Norte de Espanha, assim como os veraneantes que vão a essas praias. Apesar disso, o responsável governamental, Rodolfo Martin Villa, anuncia o seu fim entre Setembro e Outubro.
Durante o mês de Julho, os 2000 quilómetros da costa Cantábrica continuaram a receber restos do derrame. Um dado pouco optimista para este mês de Agosto, em que normalmente há marés mais fortes que o habitual, e que podem contribuir para a continuação ou para o agravamento da situação observada em Julho.
Apenas nas Astúrias foram recolhidas 61 toneladas de petróleo desde o principio do mês de Junho, 38 em apenas um fim de semana. Em França também se detectaram restos de petróleo na costa do Canal da Mancha, o que, segundo as autoridades, poderia vir ainda do Prestige.
O Instituto Oceanográfico Espanhol denuncia que existem ainda 347 toneladas de petróleo no fundo do mar, número que a Greenpeace estima em 526 toneladas distribuídas por 30.000 Km quadrados da plataforma Galega e Cantábrica.
O Governo já admitiu a inviabilidade de efectuar uma limpeza do fundo marinho onde se encontra o derrame, já que teria um enorme impacto sobre os seres vivos que aí habitam. Entretanto, o Barco Prince já se encontra na zona da afundamento do Prestige para selar as gretas que continuam a libertar 350 Kg de petróleo todos os dias.
Muitos voluntários e alguns contratados para a limpeza das praias ampliaram as suas funções ao começar a atender pessoas incrustadas de restos de “chachapote” no seu corpo. Uma das primeiras consequências desta nova maré negra foi a retirada das bandeiras azuis da costa cantábrica.
O Governo anuncia que as operações de limpeza relacionadas com a catástrofe fo Prestige chegam agora ao fim (entre Setembro e Outubro), A Greenpeace critica esta decisão, já que ainda não existe um plano estratégico para fazer frente a esta calamidade.
Causas desconhecidas em um de cada três acidentes marítimos.
A plataforma Nunca Mais denuncia a falta de política de segurança marítima, como o demonstram as estatísticas dos acidentes marítimos do ano 2000. Dos 568 acidentes ocorridos na costa Espanhola, a Galiza dói a que mais sofreu com 113.
MAS o mais relevante aparece quando tentamos saber a causa dos acidentes: 35% tiveram causa desconhecida e 42% resultaram de erros humanos. Mas para “Nunca Mais” estes números revelam a precaridade do tráfico marítimo, que é responsável por 70% do comércio Europeu e 90% do comércio do petróleo e dos seus derivados.”
Xosé Ramil
Retirado daqui http://www.canalsolidario.org/web/noticias/ver_noticia.asp?id_noticia=3911&grupo=1
Retirado daqui
"O petróleo continua a tingir de negro as costas do Norte de Espanha, assim como os veraneantes que vão a essas praias. Apesar disso, o responsável governamental, Rodolfo Martin Villa, anuncia o seu fim entre Setembro e Outubro.
Durante o mês de Julho, os 2000 quilómetros da costa Cantábrica continuaram a receber restos do derrame. Um dado pouco optimista para este mês de Agosto, em que normalmente há marés mais fortes que o habitual, e que podem contribuir para a continuação ou para o agravamento da situação observada em Julho.
Apenas nas Astúrias foram recolhidas 61 toneladas de petróleo desde o principio do mês de Junho, 38 em apenas um fim de semana. Em França também se detectaram restos de petróleo na costa do Canal da Mancha, o que, segundo as autoridades, poderia vir ainda do Prestige.
O Instituto Oceanográfico Espanhol denuncia que existem ainda 347 toneladas de petróleo no fundo do mar, número que a Greenpeace estima em 526 toneladas distribuídas por 30.000 Km quadrados da plataforma Galega e Cantábrica.
O Governo já admitiu a inviabilidade de efectuar uma limpeza do fundo marinho onde se encontra o derrame, já que teria um enorme impacto sobre os seres vivos que aí habitam. Entretanto, o Barco Prince já se encontra na zona da afundamento do Prestige para selar as gretas que continuam a libertar 350 Kg de petróleo todos os dias.
Muitos voluntários e alguns contratados para a limpeza das praias ampliaram as suas funções ao começar a atender pessoas incrustadas de restos de “chachapote” no seu corpo. Uma das primeiras consequências desta nova maré negra foi a retirada das bandeiras azuis da costa cantábrica.
O Governo anuncia que as operações de limpeza relacionadas com a catástrofe fo Prestige chegam agora ao fim (entre Setembro e Outubro), A Greenpeace critica esta decisão, já que ainda não existe um plano estratégico para fazer frente a esta calamidade.
Causas desconhecidas em um de cada três acidentes marítimos.
A plataforma Nunca Mais denuncia a falta de política de segurança marítima, como o demonstram as estatísticas dos acidentes marítimos do ano 2000. Dos 568 acidentes ocorridos na costa Espanhola, a Galiza dói a que mais sofreu com 113.
MAS o mais relevante aparece quando tentamos saber a causa dos acidentes: 35% tiveram causa desconhecida e 42% resultaram de erros humanos. Mas para “Nunca Mais” estes números revelam a precaridade do tráfico marítimo, que é responsável por 70% do comércio Europeu e 90% do comércio do petróleo e dos seus derivados.”
Xosé Ramil
Retirado daqui http://www.canalsolidario.org/web/noticias/ver_noticia.asp?id_noticia=3911&grupo=1
Retirado daqui
sexta-feira, agosto 08, 2003
Nota cosmológica
Segundo a Nasa, em 27 de Agosto (4ª feira) de 2003, Marte vai estar a apenas 55,76 milhões de Km da Terra, sendo a menor distância entre estes dois planetas registada nos últimos 60000 anos. Para os mais místicos, é uma exelente oportunidade para mudar de vida; para os outros, é uma excelente curiosidade. As únicas dúvidas que ainda me atormentam (depois de ler esta notícia aqui) refere-se não aos milhõezinhos de quilómetros mas aos 60000 aninhos; quem é que na altura registou esse recorde que dura até aos dias de hoje? será que a NASA já existia? será que nós já existíamos? será que o Homem das cavernas já tinha estaleca para medir a golpe de vista 55 milhões de quilómetros e depois esculpir nas grutas os seus resultados científicos? será que a FCT está a dever dinheiro a estes cientistas primordiais? Será que foram os marcianos a medir essa distância e entretanto os EUA deram com eles em Marte e mantêm-nos secretamente presos na base de Guantanamo? tantas perguntas sem resposta, enfim...
PP
Segundo a Nasa, em 27 de Agosto (4ª feira) de 2003, Marte vai estar a apenas 55,76 milhões de Km da Terra, sendo a menor distância entre estes dois planetas registada nos últimos 60000 anos. Para os mais místicos, é uma exelente oportunidade para mudar de vida; para os outros, é uma excelente curiosidade. As únicas dúvidas que ainda me atormentam (depois de ler esta notícia aqui) refere-se não aos milhõezinhos de quilómetros mas aos 60000 aninhos; quem é que na altura registou esse recorde que dura até aos dias de hoje? será que a NASA já existia? será que nós já existíamos? será que o Homem das cavernas já tinha estaleca para medir a golpe de vista 55 milhões de quilómetros e depois esculpir nas grutas os seus resultados científicos? será que a FCT está a dever dinheiro a estes cientistas primordiais? Será que foram os marcianos a medir essa distância e entretanto os EUA deram com eles em Marte e mantêm-nos secretamente presos na base de Guantanamo? tantas perguntas sem resposta, enfim...
PP
A OMC está ao serviço de quem? II parte
Acesso aos medicamentos genéricos
Com o tratado respeitante aos direitos de propriedade intelectual ligadas ao comércio, a OMC obriga todos os países membros a proteger as patentes durante 20 anos, independentemente do contexto local e das necessidades dos países do sul. Actualmente, já é permitido aos países em desenvolvimento em crise autorizar uma empresa sem patente a fabricar uma versão genérica de um medicamento protegido por patente, cedendo-lhe uma licença. Mas esta regra aplica-se apenas na condição que o genérico seja utilizado no país onde é produzido.
Os países menos avançados não podem utilizar este estratagema, já que não têm as instalações necessárias à fabricação de genéricos. Mais grave ainda, é-lhes interdita a importação de medicamentos de outro país que tenha esta possibilidade; Esta medida condena à morte em cada ano mais de 14 milhões de pessoas vítimas de doenças contagiosas como a SIDA, a tuberculose ou o paludismo, já que os medicamentos existem mas não são acessíveis dadas as regras cegas do comércio.
Mais uma vez o cinismo dos países desenvolvidos é gritante; o Canadá, os EUA e o Japão defenderam a aplicação de regras administrativas que complicam a compra e a fabricação de genéricos por países em desenvolvimento. O que não impediu mais tarde a países como o Canadá de estarem isentos de tais obrigações, aquando a ameaça do carbúnculo (Antraz): em 2001, o Governo canadiano encomendou versões genéricas do Cipro, mesmo sendo este um medicamento protegido por uma patente...
Solidariedades dos povos do mundo
Entre os povos e os seus governos, tanto no Norte como no Sul, as divergências quanto ao sistema financeiro e comercial internacional são muitas vezes abissais! A necessidade de regulamentar o comércio internacional é já um lugar comum. Mas com que objectivos e de que forma? Hoje em dia, quase todos os dirigentes políticos do planeta acreditam piamente no capitalismo neo-liberal e nas instituições ao seu serviço.
Os povos procuram vias para construir um outro mundo possível e mais justo. Através da mobilização cidadã, propostas alternativas, educação popular, novas experiências (por ex. o café justo), os povos reivindicam um conjunto de alterações na ordem mundial:
a existência de Estados autónomos e solidários, defensores dos direitos humanos, do bem comum e da sã convivência entre todos, garantes da democracia representativa e participativa;
a existência de instituições financeiras internacionais democráticas, transparentes, imputáveis em relação aos seus parlamentos, e submetidas às convenções e protocolos internacionais dos direitos humanos;
a igualdade entre homens e mulheres;
o acesso universal à saúde e à educação;
a redefinição do sistema actual de trocas comerciais desigual entre países de forma a beneficiar o comércio justo e o respeito pelo ambiente;
a anulação da dívida do 3º mundo e o fim da aplicação dos programas de ajustamento estrutural.
É o próprio Joseph Stiglitz, ex-vice-presidente do Banco Mundial e prémio Nobel da Economia em 2001 que incita à vigilância cidadã: ”Nas democracias modernas, esperamos de qualquer autoridade pública que ela seja responsável perante os cidadãos. As instituições económicas internacionais escaparam desta responsabilidade directa. Chegou a hora de chamar-lhes a atenção para os seus resultados, examinar as suas actividades de forma a avaliar até que ponto é que elas tiveram sucesso (ou não) na luta pelo crescimento e contra a pobreza”. Este exame será feito agora em Montreal, e continurá em Cancun, no México em Setembro próximo, durante o 5º encontro da OMC... a ver se estes dirigentes prestam contas do que andam a fazer...
Traduzido por PP daqui
Acesso aos medicamentos genéricos
Com o tratado respeitante aos direitos de propriedade intelectual ligadas ao comércio, a OMC obriga todos os países membros a proteger as patentes durante 20 anos, independentemente do contexto local e das necessidades dos países do sul. Actualmente, já é permitido aos países em desenvolvimento em crise autorizar uma empresa sem patente a fabricar uma versão genérica de um medicamento protegido por patente, cedendo-lhe uma licença. Mas esta regra aplica-se apenas na condição que o genérico seja utilizado no país onde é produzido.
Os países menos avançados não podem utilizar este estratagema, já que não têm as instalações necessárias à fabricação de genéricos. Mais grave ainda, é-lhes interdita a importação de medicamentos de outro país que tenha esta possibilidade; Esta medida condena à morte em cada ano mais de 14 milhões de pessoas vítimas de doenças contagiosas como a SIDA, a tuberculose ou o paludismo, já que os medicamentos existem mas não são acessíveis dadas as regras cegas do comércio.
Mais uma vez o cinismo dos países desenvolvidos é gritante; o Canadá, os EUA e o Japão defenderam a aplicação de regras administrativas que complicam a compra e a fabricação de genéricos por países em desenvolvimento. O que não impediu mais tarde a países como o Canadá de estarem isentos de tais obrigações, aquando a ameaça do carbúnculo (Antraz): em 2001, o Governo canadiano encomendou versões genéricas do Cipro, mesmo sendo este um medicamento protegido por uma patente...
Solidariedades dos povos do mundo
Entre os povos e os seus governos, tanto no Norte como no Sul, as divergências quanto ao sistema financeiro e comercial internacional são muitas vezes abissais! A necessidade de regulamentar o comércio internacional é já um lugar comum. Mas com que objectivos e de que forma? Hoje em dia, quase todos os dirigentes políticos do planeta acreditam piamente no capitalismo neo-liberal e nas instituições ao seu serviço.
Os povos procuram vias para construir um outro mundo possível e mais justo. Através da mobilização cidadã, propostas alternativas, educação popular, novas experiências (por ex. o café justo), os povos reivindicam um conjunto de alterações na ordem mundial:
É o próprio Joseph Stiglitz, ex-vice-presidente do Banco Mundial e prémio Nobel da Economia em 2001 que incita à vigilância cidadã: ”Nas democracias modernas, esperamos de qualquer autoridade pública que ela seja responsável perante os cidadãos. As instituições económicas internacionais escaparam desta responsabilidade directa. Chegou a hora de chamar-lhes a atenção para os seus resultados, examinar as suas actividades de forma a avaliar até que ponto é que elas tiveram sucesso (ou não) na luta pelo crescimento e contra a pobreza”. Este exame será feito agora em Montreal, e continurá em Cancun, no México em Setembro próximo, durante o 5º encontro da OMC... a ver se estes dirigentes prestam contas do que andam a fazer...
Traduzido por PP daqui
Iraque alimenta vício
Ian Roberts; AlterNet
Porque motivo a guerra no Iraque era inevitável? Ian Roberts dá mais um contributo para a compreensão do tema. Segundo ele, os Estados Unidos são viciados em petróleo, do qual depende todo o seu edifício económico e financeiro. Sem milhões de barris da droga nas veias da economia, a nação poderia entrar em colapso.
Congo sem Lei
Nas últimas semanas, agravou-se a situação de guerra nas províncias de Ituri e Kivu, na República Democrática do Congo. Milhares de civis têm sido mortos e outros tantos são obrigados a fugir ao conflito entre as milícias étnicas. Desde 1998, terão perecido 3.3 milhões de pessoas em consequência da guerra, maioritariamente por doença e fome.
Mulheres corajosas
Conheça a história da somali Hawa Aden, que fundou um Centro de Educação para a Paz e o Desenvolvimento em Galkayo. Ela e outras mulheres ensinam às suas conterrâneas valores como os da paz e da igualdade, combatendo em particular a mutilação genital feminina – isto apesar de inúmeras ameaças.
Notícias do boletim da Latitude 0.
Ian Roberts; AlterNet
Porque motivo a guerra no Iraque era inevitável? Ian Roberts dá mais um contributo para a compreensão do tema. Segundo ele, os Estados Unidos são viciados em petróleo, do qual depende todo o seu edifício económico e financeiro. Sem milhões de barris da droga nas veias da economia, a nação poderia entrar em colapso.
Congo sem Lei
Nas últimas semanas, agravou-se a situação de guerra nas províncias de Ituri e Kivu, na República Democrática do Congo. Milhares de civis têm sido mortos e outros tantos são obrigados a fugir ao conflito entre as milícias étnicas. Desde 1998, terão perecido 3.3 milhões de pessoas em consequência da guerra, maioritariamente por doença e fome.
Mulheres corajosas
Conheça a história da somali Hawa Aden, que fundou um Centro de Educação para a Paz e o Desenvolvimento em Galkayo. Ela e outras mulheres ensinam às suas conterrâneas valores como os da paz e da igualdade, combatendo em particular a mutilação genital feminina – isto apesar de inúmeras ameaças.
Notícias do boletim da Latitude 0.
Nós financiamos a guerra na Libéria
William Kistner, Center for Investigative Reporting
Várias empresas norte-americanas e da União Europeia continuaram a importar madeira da Libéria, muito depois da subida de Charles Taylor ao poder e da eclosão da guerra civil. A madeira é o petróleo daquele martirizado país da África Equatorial – tal como o “ouro negro”, motiva a cobiça dos ditadores locais, aproveitada por empresas ocidentais que vendem a madeira aos consumidores ávidos de exotismo.
Estraído do boletim da Latitude 0. História completa aqui.
Eles são capazes
Do Bangladesh ao Gana, do incenso ao cacau, passando pelo arroz biológico, pelo mel e pelo café; na Indonésia, no México e no Perú – espreite algumas histórias humanas, que demonstram como os pequenos produtores conseguem prosperar pelos seus meios. Desde que lhes dêm acesso aos nossos mercados.
Estraído do boletim da Latitude 0. História completa aqui.
William Kistner, Center for Investigative Reporting
Várias empresas norte-americanas e da União Europeia continuaram a importar madeira da Libéria, muito depois da subida de Charles Taylor ao poder e da eclosão da guerra civil. A madeira é o petróleo daquele martirizado país da África Equatorial – tal como o “ouro negro”, motiva a cobiça dos ditadores locais, aproveitada por empresas ocidentais que vendem a madeira aos consumidores ávidos de exotismo.
Estraído do boletim da Latitude 0. História completa aqui.
Eles são capazes
Do Bangladesh ao Gana, do incenso ao cacau, passando pelo arroz biológico, pelo mel e pelo café; na Indonésia, no México e no Perú – espreite algumas histórias humanas, que demonstram como os pequenos produtores conseguem prosperar pelos seus meios. Desde que lhes dêm acesso aos nossos mercados.
Estraído do boletim da Latitude 0. História completa aqui.
quinta-feira, agosto 07, 2003
Coisas deste mundo
22, 23 , 24 de Agosto
Três debates no Regueirão dos Anjos 68
Tel 213521685 E-mail abrilemmaio@sapo.pt Página de Internet
Metro Intendente.Anjos Eléctrico 28 Autocarros 6, 12, 26, 30, 34
SEXTA 22 às 18h: A LUTA DOS INTERMITENTES EM FRANÇA
SABADO 23 às 17h: QUE CULTURA TEMOS.QUE CULTURA QUEREMOS
DOMINGO 24 às 16h: QUE SINDICATOS HÁ. QUE LUTAS PODE HAVER
com Catherine Steigert, Daniel Fatous, Emanuelle Huyndt, João Fiadeiro, Jorge Silva Melo, Pierre Delye, Seixas Santos*, um elemento dos “Précaires Associés de Paris, entre outros (nomeadamente sindicalistas) ainda a confirmar.
UMA EXPLICAÇÃO TALVEZ NECESSÁRIA
1. A vida cultural portuguesa (e o valor dos seus artistas) é medida pela "saída" que coisas feitas e pessoas nascidas e criadas aqui têm além fronteiras.
A participação num colóquio ou num festival numa qualquer cidade da Europa ou uma tradução, por exemplo em francês, vale sempre mais do que um grande romance, um livro de poemas, uma interpretação, uma encenação ou uma coreografia...
Mas não parece haver grande curiosidade de saber como vivem, nesses países de êxito e de vitória, os "pares" dos convidados e traduzidos. Saber o que fazem e o que não fazem, o que pensam, o que os faz mexer como agora, o que discutem às vezes, pelo menos alguns.
2. A vida cultural portuguesa é também medida actualmente pelo volume dos festivais seja do que for (e que podem ter outros nomes...) e, evidentemente, dos investimentos a que obrigam.
Um filme acabado só "existe" se algum festival internacional o aceitar numa secção qualquer...
A "cultura" tem calendário e horário, tem alguns lugares – cativos ou conquistados – mas não mora nas pessoas.
3. De há uns meses para cá, num país que não é longe – e onde acabam por trabalhar às vezes alguns dos poucos que por cá se esmifram a inventar, e inventam, e fazem, e descobrem, e também muitos filhos de emigrantes que pouco regressam à "pátria" dos pais -, na aparentemente acomodada França, que deixou de ser a das vanguardas, com uma língua que já não é "a língua da cultura", tomou forma um movimento que abarca muitos milhares de seres que vivem das artes – artistas uns, técnicos outros e outros ainda as duas coisas ao mesmo tempo.
Foram estes que destruiram este ano os mais famosos festivais – de dança e de teatro sobretudo – sem receio de beliscarem o "prestígio da sua pátria"...
Não servirá mesmo para nada saber quem são essas gentes, de repente activas, o que fazem, o que pensam, o que aceitam e rejeitam, o que querem, o que não querem?
E perceber o que as junta a outras gentes que não fabricam artes mas necessariamente fabricam "vida" e também se manifestam?
E perceber como é que esses muitos milhares de pessoas, até há pouco quietas e provavelmente contentes com o que o Estado lhes tinha dado, se puseram a mexer e a encontrar-se, através do seu estatuto de "intermitente" até há pouco garantido e de repente em perigo, não poderá alargar um pouco as nossas geralmente curtas vistas?
Sobretudo se procurarmos entender o que se vai discutindo ao mesmo tempo e o que directa ou indirectamente "suporta" esse imenso mal-estar?
4. Provavelmente iremos ter à própria concepção de "cultura" que quase todos consideramos "normal" quando as "coisas" vão correndo ou "desejável" quando correm mal e que alguns dos grevistas e combatentes desta hora francesa dividem em "indústria cultural", "cultura de Estado" e um sector sem nome que dizem "heteróclito, cada vez mais largo, de auto-produção, de produção subsidiada, de amadorismo".
Não será este um tema de discussão, mesmo sem estarmos em greve e sem nos passar pela cabeça fazer "perigar" os milhões investidos nos festivais que por cá também enchem de "cultura" as páginas dos jornais que restam?
E como é que estas gentes se puseram a funcionar? Tiveram de sair das suas casas, das suas companhias, dos seus teatros, dos seus bares. Lá isso tiveram...
Como se reuniram? Quem os juntou? Os sindicatos – de várias cores e profissões? As centrais sindicais? Ou criaram para o efeito organizações com outros nomes? Corporativas? Empresariais?
5. Não era bom sabermos destas coisas "poucas" que, precárias ou não, intermitentes ou não, são a vida de tanta gente e existem na vida dum país aqui tão perto e que pertence àquela Europa de que tanto se fala?...
Deve haver quem queira deixar de ser aqueles três sábios e felizes macacos – nossos "bibelots" e nossos avós – um que tapa com as próprias mãos os ouvidos, outro os olhos e outro a boca...
Em pleno Agosto, mês de férias e não-férias, fizemos os possíveis e os não-possíveis para reunir pessoas diferentes que não estão ainda desabituadas de pensar e de falar: uns que tiveram, de uma maneira ou de outra, a experiência de uma "agitação" recente que por cá se desconhece; outros que não passaram por isso mas a quem a cultura de "promoção" e "festival" pelo menos assusta ou faz perigar; outros que conhecem por dentro as virtudes e os vícios das estruturas sindicais (ou outras) e que combatem pelos direitos dos que não são patrões, a não ser de si próprios.
Lisboa, 4 de Agosto de 2003
Abril em Maio
22, 23 , 24 de Agosto
Três debates no Regueirão dos Anjos 68
Tel 213521685 E-mail abrilemmaio@sapo.pt Página de Internet
Metro Intendente.Anjos Eléctrico 28 Autocarros 6, 12, 26, 30, 34
SEXTA 22 às 18h: A LUTA DOS INTERMITENTES EM FRANÇA
SABADO 23 às 17h: QUE CULTURA TEMOS.QUE CULTURA QUEREMOS
DOMINGO 24 às 16h: QUE SINDICATOS HÁ. QUE LUTAS PODE HAVER
com Catherine Steigert, Daniel Fatous, Emanuelle Huyndt, João Fiadeiro, Jorge Silva Melo, Pierre Delye, Seixas Santos*, um elemento dos “Précaires Associés de Paris, entre outros (nomeadamente sindicalistas) ainda a confirmar.
UMA EXPLICAÇÃO TALVEZ NECESSÁRIA
1. A vida cultural portuguesa (e o valor dos seus artistas) é medida pela "saída" que coisas feitas e pessoas nascidas e criadas aqui têm além fronteiras.
A participação num colóquio ou num festival numa qualquer cidade da Europa ou uma tradução, por exemplo em francês, vale sempre mais do que um grande romance, um livro de poemas, uma interpretação, uma encenação ou uma coreografia...
Mas não parece haver grande curiosidade de saber como vivem, nesses países de êxito e de vitória, os "pares" dos convidados e traduzidos. Saber o que fazem e o que não fazem, o que pensam, o que os faz mexer como agora, o que discutem às vezes, pelo menos alguns.
2. A vida cultural portuguesa é também medida actualmente pelo volume dos festivais seja do que for (e que podem ter outros nomes...) e, evidentemente, dos investimentos a que obrigam.
Um filme acabado só "existe" se algum festival internacional o aceitar numa secção qualquer...
A "cultura" tem calendário e horário, tem alguns lugares – cativos ou conquistados – mas não mora nas pessoas.
3. De há uns meses para cá, num país que não é longe – e onde acabam por trabalhar às vezes alguns dos poucos que por cá se esmifram a inventar, e inventam, e fazem, e descobrem, e também muitos filhos de emigrantes que pouco regressam à "pátria" dos pais -, na aparentemente acomodada França, que deixou de ser a das vanguardas, com uma língua que já não é "a língua da cultura", tomou forma um movimento que abarca muitos milhares de seres que vivem das artes – artistas uns, técnicos outros e outros ainda as duas coisas ao mesmo tempo.
Foram estes que destruiram este ano os mais famosos festivais – de dança e de teatro sobretudo – sem receio de beliscarem o "prestígio da sua pátria"...
Não servirá mesmo para nada saber quem são essas gentes, de repente activas, o que fazem, o que pensam, o que aceitam e rejeitam, o que querem, o que não querem?
E perceber o que as junta a outras gentes que não fabricam artes mas necessariamente fabricam "vida" e também se manifestam?
E perceber como é que esses muitos milhares de pessoas, até há pouco quietas e provavelmente contentes com o que o Estado lhes tinha dado, se puseram a mexer e a encontrar-se, através do seu estatuto de "intermitente" até há pouco garantido e de repente em perigo, não poderá alargar um pouco as nossas geralmente curtas vistas?
Sobretudo se procurarmos entender o que se vai discutindo ao mesmo tempo e o que directa ou indirectamente "suporta" esse imenso mal-estar?
4. Provavelmente iremos ter à própria concepção de "cultura" que quase todos consideramos "normal" quando as "coisas" vão correndo ou "desejável" quando correm mal e que alguns dos grevistas e combatentes desta hora francesa dividem em "indústria cultural", "cultura de Estado" e um sector sem nome que dizem "heteróclito, cada vez mais largo, de auto-produção, de produção subsidiada, de amadorismo".
Não será este um tema de discussão, mesmo sem estarmos em greve e sem nos passar pela cabeça fazer "perigar" os milhões investidos nos festivais que por cá também enchem de "cultura" as páginas dos jornais que restam?
E como é que estas gentes se puseram a funcionar? Tiveram de sair das suas casas, das suas companhias, dos seus teatros, dos seus bares. Lá isso tiveram...
Como se reuniram? Quem os juntou? Os sindicatos – de várias cores e profissões? As centrais sindicais? Ou criaram para o efeito organizações com outros nomes? Corporativas? Empresariais?
5. Não era bom sabermos destas coisas "poucas" que, precárias ou não, intermitentes ou não, são a vida de tanta gente e existem na vida dum país aqui tão perto e que pertence àquela Europa de que tanto se fala?...
Deve haver quem queira deixar de ser aqueles três sábios e felizes macacos – nossos "bibelots" e nossos avós – um que tapa com as próprias mãos os ouvidos, outro os olhos e outro a boca...
Em pleno Agosto, mês de férias e não-férias, fizemos os possíveis e os não-possíveis para reunir pessoas diferentes que não estão ainda desabituadas de pensar e de falar: uns que tiveram, de uma maneira ou de outra, a experiência de uma "agitação" recente que por cá se desconhece; outros que não passaram por isso mas a quem a cultura de "promoção" e "festival" pelo menos assusta ou faz perigar; outros que conhecem por dentro as virtudes e os vícios das estruturas sindicais (ou outras) e que combatem pelos direitos dos que não são patrões, a não ser de si próprios.
Lisboa, 4 de Agosto de 2003
Abril em Maio
Organização Mundial de Comércio
A OMC está ao serviço de quem? I parte
29 de Julho de 2003
por : CAP-MONDE
”O objectivo desejado das negociações do OMC é a redução do poder do estado e do sector público. A desregulação e a privatização serão a seu sustentáculo” Esta constatação do relator da ONU do direito à alimentação contradiz a retórica romântica do ministro do Comércio Internacional, M. Pierre Pettigrew acerca das orientações quase altruístas da OMC.
Um sistema económico antidemocrático
As manifestações cidadãs que decorrem em Montreal vêm lembrar com razão que é necessário questionar severamente o mito dos benefícios infinitos do livre-comércio orquestrado pela OMC; a maioria dos povos da terra vive num estado de grande pobreza, ajoujados sob o peso de uma dívida ilegal e imoral, aprisionados dentro de programas de ajustamento estrutural que os deixam exangues e minam todo o poder político nacional.
A OMC, com o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional constitui a couraça de um sistema financeiro internacional anti-democrático que funciona à revelia da ONU, das assembleias parlamentares dos diferentes países, do direito internacional (direitos políticos, económicos, sociais e culturais) e onde a “regra do consenso” entre todos os países é na verdade a regra ditada pelos mais fortes (G8 e companhia).
A reunião de Montreal, como as que já foram realizadas na Austrália, Japão e Egipto, não mudará em nada esta orientação. Estes encontros levantam questões quanto à transparência e à legitimidade no funcionamento da OMC; é que a maioria dos países do Sul (mais de uma centena) estão ausentes da mesa de negociações e as decisões serão tomados entre os EUA, o Canadá, a União Europeia e o Japão, principais beneficiários da globalização actual.
Dois pesos, duas medidas
Em Novembro de 2001, o Canadá e outros países membros da OMC lançaram um novo ciclo de negociações relativo ás trocas comerciais, em Doha, no Qatar. Este ciclo teve como objectivo de colocar nos centro das regras do comércio mundial, as necessidades de desenvolvimento dos países do sul e as suas reivindicações relativas sobretudo à agricultura e aos acesso a medicamentos genéricos, dois sectores vitais para os povos, mas onde os mais fortes impõem a lei de “dois pesos e duas medidas”.
Agricultura
A agricultura faz parte dos sectores a uniformizar. Perto de 80% dos países em desenvolvimento vive da agricultura, contra menos de 5% nos países desenvolvidos. Até hoje, as regras comerciais ditadas pela OMC que regem a agricultura internacional obscureceram os interesses dos agricultores sem recursos dos países pobres. A OMC limita a capacidade dos governos de proteger a sua agricultura interna (exercendo constrangimentos mais fortes sobre o sul) e exige aos países que abram as suas fronteiras ao comércio agrícola. Desta forma, perto de 800 milhões de pessoas nos países em desenvolvimento passam fome, incapazes de exercer o seu direito fundamental à alimentação. As mulheres – assim com as crianças – são particularmente afectadas já que são elas as responsáveis da agricultura de subsistência.
Entretanto, o Governo Americano adoptou em 2001 o “Farm Bill”, que adjudicou aos agricultores Americanos uma ajuda de 190 mil milhões de dólares para os próximos 10 anos. Este número assegura aos agricultores americanos lucros anuais garantidos independentemente do preço do mercado, e ao complexo agro-alimentar, uma vantagem esmagadora relativamente aos países do sul. Esta prática assegura o controlo monopolista dos mercados mundiais, provocando a queda do preço dos víveres alimentares.
O governo do Canadá é cúmplice desta violência, já que por um lado exige mais abertura aos países do Sul ao mesmo tempo que continua a ser um dos países com maiores barreiras alfandegárias entre os países do G8.
Traduzido por PP
A OMC está ao serviço de quem? I parte
29 de Julho de 2003
por : CAP-MONDE
”O objectivo desejado das negociações do OMC é a redução do poder do estado e do sector público. A desregulação e a privatização serão a seu sustentáculo” Esta constatação do relator da ONU do direito à alimentação contradiz a retórica romântica do ministro do Comércio Internacional, M. Pierre Pettigrew acerca das orientações quase altruístas da OMC.
Um sistema económico antidemocrático
As manifestações cidadãs que decorrem em Montreal vêm lembrar com razão que é necessário questionar severamente o mito dos benefícios infinitos do livre-comércio orquestrado pela OMC; a maioria dos povos da terra vive num estado de grande pobreza, ajoujados sob o peso de uma dívida ilegal e imoral, aprisionados dentro de programas de ajustamento estrutural que os deixam exangues e minam todo o poder político nacional.
A OMC, com o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional constitui a couraça de um sistema financeiro internacional anti-democrático que funciona à revelia da ONU, das assembleias parlamentares dos diferentes países, do direito internacional (direitos políticos, económicos, sociais e culturais) e onde a “regra do consenso” entre todos os países é na verdade a regra ditada pelos mais fortes (G8 e companhia).
A reunião de Montreal, como as que já foram realizadas na Austrália, Japão e Egipto, não mudará em nada esta orientação. Estes encontros levantam questões quanto à transparência e à legitimidade no funcionamento da OMC; é que a maioria dos países do Sul (mais de uma centena) estão ausentes da mesa de negociações e as decisões serão tomados entre os EUA, o Canadá, a União Europeia e o Japão, principais beneficiários da globalização actual.
Dois pesos, duas medidas
Em Novembro de 2001, o Canadá e outros países membros da OMC lançaram um novo ciclo de negociações relativo ás trocas comerciais, em Doha, no Qatar. Este ciclo teve como objectivo de colocar nos centro das regras do comércio mundial, as necessidades de desenvolvimento dos países do sul e as suas reivindicações relativas sobretudo à agricultura e aos acesso a medicamentos genéricos, dois sectores vitais para os povos, mas onde os mais fortes impõem a lei de “dois pesos e duas medidas”.
Agricultura
A agricultura faz parte dos sectores a uniformizar. Perto de 80% dos países em desenvolvimento vive da agricultura, contra menos de 5% nos países desenvolvidos. Até hoje, as regras comerciais ditadas pela OMC que regem a agricultura internacional obscureceram os interesses dos agricultores sem recursos dos países pobres. A OMC limita a capacidade dos governos de proteger a sua agricultura interna (exercendo constrangimentos mais fortes sobre o sul) e exige aos países que abram as suas fronteiras ao comércio agrícola. Desta forma, perto de 800 milhões de pessoas nos países em desenvolvimento passam fome, incapazes de exercer o seu direito fundamental à alimentação. As mulheres – assim com as crianças – são particularmente afectadas já que são elas as responsáveis da agricultura de subsistência.
Entretanto, o Governo Americano adoptou em 2001 o “Farm Bill”, que adjudicou aos agricultores Americanos uma ajuda de 190 mil milhões de dólares para os próximos 10 anos. Este número assegura aos agricultores americanos lucros anuais garantidos independentemente do preço do mercado, e ao complexo agro-alimentar, uma vantagem esmagadora relativamente aos países do sul. Esta prática assegura o controlo monopolista dos mercados mundiais, provocando a queda do preço dos víveres alimentares.
O governo do Canadá é cúmplice desta violência, já que por um lado exige mais abertura aos países do Sul ao mesmo tempo que continua a ser um dos países com maiores barreiras alfandegárias entre os países do G8.
Traduzido por PP
Fórum Social Europeu
O próximo F.S.E. será em Paris e em Saint-Denis, do 12 ao 15 de Novembro de 2003. O Fórum reunirá de novo os diferentes actores da sociedade civil que se opõem ao modelo neo-liberal em vigor; este espaço de diálago aberto permitirá o debate, a reflecção e a articulação entre os milhares de intervenientes esperados. Um outro objectivo será o alargamento da rede de associações que constituem o FSE, nomeadamente para a Europa central e de leste, envolvendo estas associações no FSE e na sua preparação.
PP (traduzido a partir daqui)
O próximo F.S.E. será em Paris e em Saint-Denis, do 12 ao 15 de Novembro de 2003. O Fórum reunirá de novo os diferentes actores da sociedade civil que se opõem ao modelo neo-liberal em vigor; este espaço de diálago aberto permitirá o debate, a reflecção e a articulação entre os milhares de intervenientes esperados. Um outro objectivo será o alargamento da rede de associações que constituem o FSE, nomeadamente para a Europa central e de leste, envolvendo estas associações no FSE e na sua preparação.
PP (traduzido a partir daqui)
Um convite ao vôo
Eduardo Galeano - 29/08/2002 (extraído da biblioteca de alternativas do FSM)
Que tal começarmos a exercer o jamais proclamado direito de sonhar?
Que tal delirarmos um pouquinho? Vamos fixar o olhar num ponto além da infâmia para adivinhar outro mundo possível?
Milênio vai, milênio vem, a ocasião é propícia para que os oradores de inflamado verbo discursem sobre os destinos da humanidade e para que os porta-vozes da ira de Deus anunciem o fim do mundo e o aniquilamento geral, enquanto o tempo, de boca fechada, continua sua caminhada ao longo da eternidade e do mistério.
Verdade seja dita, não há quem resista: numa data assim, por mais arbitrária que seja, qualquer um sente a tentação de perguntar-se como será o tempo que será. E vá-se lá saber como será. Temos uma única certeza: no século vinte e um, se ainda estivermos aqui, todos nós seremos gente do século passado e, pior ainda, do milênio passado.
Embora não possamos adivinhar o tempo que será, temos, sim, o direito de imaginar o que queremos que seja. Em 1948 e em 1976, as Nações Unidas proclamaram extensas listas de direitos humanos, mas a imensa maioria da humanidade só tem o direito de ver, ouvir e calar. Que tal começarmos a exercer o jamais proclamado direito de sonhar? Que tal delirarmos um pouquinho? Vamos fixar o olhar num ponto além da infâmia para adivinhar outro mundo possível:
o ar estará livre do veneno que não vier dos medos humanos e das humanas paixões;
nas ruas, os automóveis serão esmagados pelos cães;
as pessoas não serão dirigidas pelos automóveis, nem programadas pelo computador, nem compradas pelo supermercado e nem olhadas pelo televisor;
o televisor deixará de ser o membro mais importante da família e será tratado como o ferro de passar e a máquina de lavar roupa;
as pessoas trabalharão para viver, ao invés de viver para trabalhar;
será incorporado aos códigos penais o delito da estupidez, cometido por aqueles que vivem para ter e para ganhar, ao invés de viver apenas por viver, como canta o pássaro sem saber que canta e brinca a criança sem saber que brinca;
em nenhum país serão presos os jovens que se negarem a prestar o serviço militar, mas irão para a cadeia os que desejarem prestá-lo;
os economistas não chamarão nível de vida ao nível de consumo, nem chamarão qualidade de vida à qualidade de coisas;
os cozinheiros não acreditarão que as lagostas gostam de ser fervidas vivas;
os historiadores não acreditarão que os países gostam de ser invadidos;
os políticos não acreditarão que os pobres gostam de comer promessas;
ninguém acreditará que a solenidade é uma virtude e ninguém levará a sério aquele que não for capaz de deixar de ser sério;
a morte e o dinheiro perderão seus mágicos poderes e nem por falecimento nem por fortuna o canalha será formado em virtuoso cavaleiro;
ninguém será considerado herói ou pascácio por fazer o que acha justo em lugar de fazer o que mais lhe convém;
o mundo já não estará em guerra contra os pobres, mas contra a pobreza, e a indústria militar não terá outro remédio senão declarar-se em falência;
a comida não será uma mercadoria e nem a comunicação um negócio, porque a comida e a comunicação são direitos humanos;
ninguém morrerá de fome, porque ninguém morrerá de indigestão;
os meninos de rua não serão tratados como lixo, porque não haverá meninos de rua;
os meninos ricos não serão tratados como se fossem dinheiro, porque não haverá meninos ricos;
a educação não será um privilégio de quem possa pagá-la;
a polícia não será o terror de quem não possa comprá-la;
a justiça e a liberdade, irmãs siamesas condenadas a viver separadas, tornarão a se unir, bem juntinhas, ombro contra ombro;
uma mulher, negra, será presidente do Brasil, e outra mulher, negra, será presidente dos Estados Unidos da América; e uma mulher índia governará a Guatemala e outra o Peru;
na Argentina, as loucas da Praça de Maio serão um exemplo de saúde mental, porque se negaram a esquecer nos tempos da amnésia obrigatória;
a Santa Madre Igreja corrigirá os erros das tábuas de Moisés e o sexto mandamento ordenará que se festeje o corpo;
a Igreja também ditará outro mandamento, do qual Deus se esqueceu: "Amarás a natureza, da qual fazes parte" .
serão reflorestados os desertos do mundo e os desertos da alma;
os desesperados serão esperados e os perdidos serão encontrados, porque eles são os que se desesperam de tanto esperar e os que se perderam de tanto procurar;
seremos compatriotas e contemporâneos de todos os que tenham aspiração de justiça e aspiração de beleza, tenham nascido onde tenham nascido e tenham vivido quando tenham vivido, sem que importem nem um pouco as fronteiras do mapa ou do tempo;
a perfeição continuará sendo um aborrecido privilégio dos deuses; mas neste mundo confuso e fastidioso, cada noite será vivida como se fosse a última e cada dia como se fosse o primeiro.
Eduardo Galeano é jornalista e escritor, entre outros, de O Século do Vento, As Caras e as Máscaras, Os Nascimentos, O Futebol ao sol e à sombra, O Livro dos Abraços, Dias e noites de amor e de guerra e As Veias abertas da América Latina.
Eduardo Galeano - 29/08/2002 (extraído da biblioteca de alternativas do FSM)
Que tal começarmos a exercer o jamais proclamado direito de sonhar?
Que tal delirarmos um pouquinho? Vamos fixar o olhar num ponto além da infâmia para adivinhar outro mundo possível?
Milênio vai, milênio vem, a ocasião é propícia para que os oradores de inflamado verbo discursem sobre os destinos da humanidade e para que os porta-vozes da ira de Deus anunciem o fim do mundo e o aniquilamento geral, enquanto o tempo, de boca fechada, continua sua caminhada ao longo da eternidade e do mistério.
Verdade seja dita, não há quem resista: numa data assim, por mais arbitrária que seja, qualquer um sente a tentação de perguntar-se como será o tempo que será. E vá-se lá saber como será. Temos uma única certeza: no século vinte e um, se ainda estivermos aqui, todos nós seremos gente do século passado e, pior ainda, do milênio passado.
Embora não possamos adivinhar o tempo que será, temos, sim, o direito de imaginar o que queremos que seja. Em 1948 e em 1976, as Nações Unidas proclamaram extensas listas de direitos humanos, mas a imensa maioria da humanidade só tem o direito de ver, ouvir e calar. Que tal começarmos a exercer o jamais proclamado direito de sonhar? Que tal delirarmos um pouquinho? Vamos fixar o olhar num ponto além da infâmia para adivinhar outro mundo possível:
o ar estará livre do veneno que não vier dos medos humanos e das humanas paixões;
nas ruas, os automóveis serão esmagados pelos cães;
as pessoas não serão dirigidas pelos automóveis, nem programadas pelo computador, nem compradas pelo supermercado e nem olhadas pelo televisor;
o televisor deixará de ser o membro mais importante da família e será tratado como o ferro de passar e a máquina de lavar roupa;
as pessoas trabalharão para viver, ao invés de viver para trabalhar;
será incorporado aos códigos penais o delito da estupidez, cometido por aqueles que vivem para ter e para ganhar, ao invés de viver apenas por viver, como canta o pássaro sem saber que canta e brinca a criança sem saber que brinca;
em nenhum país serão presos os jovens que se negarem a prestar o serviço militar, mas irão para a cadeia os que desejarem prestá-lo;
os economistas não chamarão nível de vida ao nível de consumo, nem chamarão qualidade de vida à qualidade de coisas;
os cozinheiros não acreditarão que as lagostas gostam de ser fervidas vivas;
os historiadores não acreditarão que os países gostam de ser invadidos;
os políticos não acreditarão que os pobres gostam de comer promessas;
ninguém acreditará que a solenidade é uma virtude e ninguém levará a sério aquele que não for capaz de deixar de ser sério;
a morte e o dinheiro perderão seus mágicos poderes e nem por falecimento nem por fortuna o canalha será formado em virtuoso cavaleiro;
ninguém será considerado herói ou pascácio por fazer o que acha justo em lugar de fazer o que mais lhe convém;
o mundo já não estará em guerra contra os pobres, mas contra a pobreza, e a indústria militar não terá outro remédio senão declarar-se em falência;
a comida não será uma mercadoria e nem a comunicação um negócio, porque a comida e a comunicação são direitos humanos;
ninguém morrerá de fome, porque ninguém morrerá de indigestão;
os meninos de rua não serão tratados como lixo, porque não haverá meninos de rua;
os meninos ricos não serão tratados como se fossem dinheiro, porque não haverá meninos ricos;
a educação não será um privilégio de quem possa pagá-la;
a polícia não será o terror de quem não possa comprá-la;
a justiça e a liberdade, irmãs siamesas condenadas a viver separadas, tornarão a se unir, bem juntinhas, ombro contra ombro;
uma mulher, negra, será presidente do Brasil, e outra mulher, negra, será presidente dos Estados Unidos da América; e uma mulher índia governará a Guatemala e outra o Peru;
na Argentina, as loucas da Praça de Maio serão um exemplo de saúde mental, porque se negaram a esquecer nos tempos da amnésia obrigatória;
a Santa Madre Igreja corrigirá os erros das tábuas de Moisés e o sexto mandamento ordenará que se festeje o corpo;
a Igreja também ditará outro mandamento, do qual Deus se esqueceu: "Amarás a natureza, da qual fazes parte" .
serão reflorestados os desertos do mundo e os desertos da alma;
os desesperados serão esperados e os perdidos serão encontrados, porque eles são os que se desesperam de tanto esperar e os que se perderam de tanto procurar;
seremos compatriotas e contemporâneos de todos os que tenham aspiração de justiça e aspiração de beleza, tenham nascido onde tenham nascido e tenham vivido quando tenham vivido, sem que importem nem um pouco as fronteiras do mapa ou do tempo;
a perfeição continuará sendo um aborrecido privilégio dos deuses; mas neste mundo confuso e fastidioso, cada noite será vivida como se fosse a última e cada dia como se fosse o primeiro.
Eduardo Galeano é jornalista e escritor, entre outros, de O Século do Vento, As Caras e as Máscaras, Os Nascimentos, O Futebol ao sol e à sombra, O Livro dos Abraços, Dias e noites de amor e de guerra e As Veias abertas da América Latina.
FEIRA DA ECONOMIA SOLIDÁRIA
9 AGOSTO 2003 Largo 25 de Abril - Pragal [Almada]
Açucar mascavado · Alhos franceses biológicos · Arruadas · Artesanato · Azeite · Alma alentejana Associação josé afonso · Bolos e bôlas · Bric-a-brac · Brinquedos · Biorege.coop · Cante alentejano Chás · Chouriças · Coisas de cerâmica · Colares · Comércio justo · Compotas · Danças de roda Debates · Discos · Encontros · Fantoches · Fazedores de coisas · Gaiteiros da associação manuel da fonseca · Horas para gastar · Histórias portuguesas e do mundo · Informações · Infusões Instrumentos musicais · Jogos · Jóias · Limonada · Livros · Maçãs que as lagartas ainda gostam de comer Malgas · Massas · Músicas do mundo · Mó de vida · Naturais sempre que possível · Olaria · Panos Pessoas · Projectos · Publicações · Queijo · Redes de trabalho · Revistas Roupas · Roda pedaleira Recolhas · Sabores · Sapatos marroquinos · Solidariedade imigrante · Tragos especiais · Trocal de almada · Um espaço todos os 2ºs sábados de cada mês · Utilitários · Utopia que é a revista da associação cultural vida · Vinagres · Vídeos · Vinho · Xumbo dá um pé de dança aqui ou no andanças Zumbidos de ideias · · · · · · · · · · · · · · ·
Nesta 2ª EDIÇÃO participarão várias organizações do 3º sector com o objectivo comum de construir uma rede de trabalho e intervenção conjunta das entidades sem fins lucrativos que praticam a economia social e solidária, considerando as suas diferentes áreas de actuação, possibilidades e experiências.
Na FEIRA serão divulgados projectos ligados ao comércio justo e solidário, agricultura biológica, artesanato, animação sócio-cultural, defesa do ambiente, espectáculos, oficinas, turismo ético, trabalhos com minorias étnicas e 3ª idade, música e dança tradicionais, desenvolvimento local e outros.
10.00 arruada com os gaiteiros da escola de gaitas de foles [Associação Manuel da Fonseca] a abrir a feira: produtos do comércio justo e agricultura biológica; comidas do Alentejo; artesanato; publicações e CD’s 11.00 oficina de compostagem - fabrico de adubo biológico [Biorege.coop] 16.00 encontro aberto das organizações participantes 18.00 CIRL-grupo coral feminino alentejano [Ass. Alma Alentejana] 18.30 encontro preparatório da ‘ Viagem pela Cultura da Sidra – Cantábria ’ [Mó de Vida – Coop.] 19.00encerramento
· · · INFORMAÇÕES Mó de Vida Cooperativa · Calçadinha da Horta, 19
2800-467 Pragal/Almada · modevida@clix.pt · 914 035 720
9 AGOSTO 2003 Largo 25 de Abril - Pragal [Almada]
Açucar mascavado · Alhos franceses biológicos · Arruadas · Artesanato · Azeite · Alma alentejana Associação josé afonso · Bolos e bôlas · Bric-a-brac · Brinquedos · Biorege.coop · Cante alentejano Chás · Chouriças · Coisas de cerâmica · Colares · Comércio justo · Compotas · Danças de roda Debates · Discos · Encontros · Fantoches · Fazedores de coisas · Gaiteiros da associação manuel da fonseca · Horas para gastar · Histórias portuguesas e do mundo · Informações · Infusões Instrumentos musicais · Jogos · Jóias · Limonada · Livros · Maçãs que as lagartas ainda gostam de comer Malgas · Massas · Músicas do mundo · Mó de vida · Naturais sempre que possível · Olaria · Panos Pessoas · Projectos · Publicações · Queijo · Redes de trabalho · Revistas Roupas · Roda pedaleira Recolhas · Sabores · Sapatos marroquinos · Solidariedade imigrante · Tragos especiais · Trocal de almada · Um espaço todos os 2ºs sábados de cada mês · Utilitários · Utopia que é a revista da associação cultural vida · Vinagres · Vídeos · Vinho · Xumbo dá um pé de dança aqui ou no andanças Zumbidos de ideias · · · · · · · · · · · · · · ·
Nesta 2ª EDIÇÃO participarão várias organizações do 3º sector com o objectivo comum de construir uma rede de trabalho e intervenção conjunta das entidades sem fins lucrativos que praticam a economia social e solidária, considerando as suas diferentes áreas de actuação, possibilidades e experiências.
Na FEIRA serão divulgados projectos ligados ao comércio justo e solidário, agricultura biológica, artesanato, animação sócio-cultural, defesa do ambiente, espectáculos, oficinas, turismo ético, trabalhos com minorias étnicas e 3ª idade, música e dança tradicionais, desenvolvimento local e outros.
10.00 arruada com os gaiteiros da escola de gaitas de foles [Associação Manuel da Fonseca] a abrir a feira: produtos do comércio justo e agricultura biológica; comidas do Alentejo; artesanato; publicações e CD’s 11.00 oficina de compostagem - fabrico de adubo biológico [Biorege.coop] 16.00 encontro aberto das organizações participantes 18.00 CIRL-grupo coral feminino alentejano [Ass. Alma Alentejana] 18.30 encontro preparatório da ‘ Viagem pela Cultura da Sidra – Cantábria ’ [Mó de Vida – Coop.] 19.00encerramento
· · · INFORMAÇÕES Mó de Vida Cooperativa · Calçadinha da Horta, 19
2800-467 Pragal/Almada · modevida@clix.pt · 914 035 720
quarta-feira, agosto 06, 2003
A Serra da Freita
Este ano, quem for ao Andanças, não deixe de visitar os moinhos e as piscinas naturais.
OS MOINHOS
Pisão - Notável conjunto de moinhos, junto a estrada de acesso ao parque de lazer do Pisão, situado na freguesia de Carvalhais, concelho de S. Pedro do Sul. Nas margens do Ribeiro da Contença, foi possivel identificar cerca de seis exemplares em linha. Característica comum a todos eles, é a existência de levadas em aqueduto, as quais demonstram uma extraordinária arte de trabalhar a pedra. Destaque especial para a levada executada em troncos de árvore escavados, devido à sua raridade e razoável estado de conservação.
Todo este valioso conjunto será alvo de medidas de valorização e conservação, e já em 2004 estarão em grande parte recuperados.
AS PISCINAS NATURAIS
Cortado por vales profundos e estreitos desfiladeiros este maciço ele próprio é uma terra de contrastes, entre um extremo granítico, alto e aplanado, onde a água abunda – a Serra da Freita – e um extremo xistoso, agreste, seco e escalvado, profundamente rasgado pela erosão – a Serra da Arada.
Na Arada abundam as cumeeiras agrestes, abruptas, escavadas por vales profundos e cobertas de vegetação escassa, onde habitam os caprinos e o lobo. Esta é a terra da urze, da giesta, das aldeias fantasma de telhado de xisto, das minas de Volfrâmio, do Santo Eremita e do morto que matou o vivo.
Esta é a Serra da Arada. Assim por entre fragas e águas vos convidamos a vir à Serra
A juntar à sua beleza natural, este ano serão inaugurados alguns percursos pedestres, bem sinalizados, bem indicados, e de uma beleza indescritível. Quem chegar mais cedo (tipo dia 23 de Agosto), poderá participar na inauguração destes percursos.
PP
OS MOINHOS
Pisão - Notável conjunto de moinhos, junto a estrada de acesso ao parque de lazer do Pisão, situado na freguesia de Carvalhais, concelho de S. Pedro do Sul. Nas margens do Ribeiro da Contença, foi possivel identificar cerca de seis exemplares em linha. Característica comum a todos eles, é a existência de levadas em aqueduto, as quais demonstram uma extraordinária arte de trabalhar a pedra. Destaque especial para a levada executada em troncos de árvore escavados, devido à sua raridade e razoável estado de conservação.
Todo este valioso conjunto será alvo de medidas de valorização e conservação, e já em 2004 estarão em grande parte recuperados.
AS PISCINAS NATURAIS
Cortado por vales profundos e estreitos desfiladeiros este maciço ele próprio é uma terra de contrastes, entre um extremo granítico, alto e aplanado, onde a água abunda – a Serra da Freita – e um extremo xistoso, agreste, seco e escalvado, profundamente rasgado pela erosão – a Serra da Arada.
Na Arada abundam as cumeeiras agrestes, abruptas, escavadas por vales profundos e cobertas de vegetação escassa, onde habitam os caprinos e o lobo. Esta é a terra da urze, da giesta, das aldeias fantasma de telhado de xisto, das minas de Volfrâmio, do Santo Eremita e do morto que matou o vivo.
Esta é a Serra da Arada. Assim por entre fragas e águas vos convidamos a vir à Serra
A juntar à sua beleza natural, este ano serão inaugurados alguns percursos pedestres, bem sinalizados, bem indicados, e de uma beleza indescritível. Quem chegar mais cedo (tipo dia 23 de Agosto), poderá participar na inauguração destes percursos.
PP
Ainda os fogos: comunicado da CPADA
Junto segue o comunicado da CPADA enviado no dia 31 de Julho sobre o tema dos fogos florestais.
FAÇA-SE JUSTIÇA CONTRA OS INCENDIÁRIOS
O Estado faz parte do problema ou parte da solução?
O dramatismo e a dimensão dos actuais incêndios florestais põem em evidência uma situação que continuará por muitos anos enquanto o Estado Português não tomar medidas drásticas de criminalização dos agentes activos pelo surgimento de incêndios florestais e a desmobilização dos principais beneficiários com os negócios associados a estes incêndios.
As consequências económicas dos incêndios florestais são amplamente conhecidas: prejuízos públicos, vidas e bens em risco, avultados investimentos em equipamento e meios de combate aos incêndios, notícias "escaldantes" e eventuais benefícios privados.
E embora muitas destas áreas comportem uma diversidade biológica reduzida e um menor interesse para a conservação da natureza, em sentido restrito, as consequências ambientais destes incêndios não são de desprezar, como sejam a exposição dos solos a fenómenos de erosão, a desertificação, o aumento de caudais de ponta de cheias e de riscos associados a inundações, no Inverno, a perda de capacidade de recarga dos aquíferos e, ainda, um aumento da carga de CO2 na atmosfera.
Os fogos florestais são um problema ambiental em cujo combate a Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente e muitas das suas associadas se têm empenhado nos últimos anos, sob o lema "prevenir os fogos florestais todo o ano".
As razões para a ocorrência de fogos florestais em tão grande número e dimensão são conhecidas, apresentando-se as condições climatéricas, o tipo de culturas, a carga térmica acumulada, a negligência nas actividades humanas nas matas, o fogo posto e os interesses económicos pouco claros como as razões mais citadas.
Várias medidas básicas de prevenção se podem enunciar:
• medidas preventivas de incêndios, onde se contam a limpeza de matas, abertura de caminhos e aceiros;
• manutenção de açudes e planos de água;
• outras medidas visando dificultar propagação dos incêndios, como a alternância de espécies e modos culturais, evitando monoculturas extensivas;
• restrição de cultivo de espécies pirofóricas aos solos adequados para tal;
• medidas para detecção prévia de focos de incêndio, incluindo detecção remota e equipamento de tele-vigilância para o qual existe tecnologia nacional;
• incremento da fiscalização das actividades nas matas portuguesas;
• medidas para promover a ocupação dos espaços e a vigilância com a utilização de grupos organizados da sociedade civil ou meros cidadãos, em complemento de actividades de lazer e usufruto do contacto com a natureza.
Outras medidas complementares são possíveis conceber:
• no domínio da fiscalidade, com incentivos fiscais em função das despesas de limpeza e preservação das matas;
• incentivos ao cultivo de espécies autóctones e de crescimento lento, como as que melhor resistem aos incêndios florestais
• co-responsabilização dos proprietários nas ocorrências de fogos nas explorações à sua responsabilidade;
• promoção de associações de proprietários ou responsáveis de explorações florestais com o objectivo de facilitar a aplicação de medidas e investimentos na prevenção de fogos florestais;
• na promoção da produção de energia a partir de biomassa florestal, garantindo a sua valorização e a viabilidade económicas das actividades de limpeza de matas;
• na promoção da compostagem de resíduos florestais;
• na promoção dos produtos das matas portuguesa não directamente associados à madeira;
• na promoção de condições para um usufruto de actividades de turismo e lazer nas matas portuguesas por parte das populações;
Essas medidas devem ser aplicadas e acarinhadas pelas autoridades competentes, contribuindo para promover a sustentabilidade da floresta portuguesa.
A sua eficácia depende da sua concretização ao longo do ano, pois já se têm verificado incêndios florestais fora de época e em períodos de mais calor.
O seu custo é uma fracção do custo das medidas de combate aos incêndios.
O seu retorno tem, para além dos aspectos económicos e ambientais positivos resultantes da gestão racional dos espaços florestais, uma componente social, envolvendo organizações da sociedade civil na resolução de um problema nacional.
Até (1999) existiu um programa de prevenção de fogos florestais que consistia num financiamento de protocolos e projectos por parte do CNEFF, às Organizações Não Governamentais de Ambiente, para a realização de actividades de prevenção, informação, sensibilização e vigilância de matas e florestas que, por questões orçamentais, não foi retomado.
A existência de períodos de fogos florestais com a intensidade com que têm ocorrido todos os anos é uma denúncia clara e inequívoca na insuficiência das medidas de prevenção que têm sido praticadas e promovidas pelas autoridades competentes, e uma demonstração cabal da necessidade urgente de medidas mais eficientes na gestão sustentável da floresta portuguesa.
Mas para além das medidas enunciadas a Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente/ONGA, entende que, perante a situação de calamidade que agora se observa:
a) os incêndios florestais são um problema público. As consequências económicas e sociais deste flagelo afectam não apenas os proprietários directamente atingidos mas todos os cidadãos, nomeadamente, enquanto contribuintes para a sua resolução através de impostos pagos ao Estado;
b) a Justiça deve actuar imediatamente. O Estado através das entidades competentes deve acelerar e intensificar a investigação tendo em vista a criminalização dos agentes activos responsáveis pelo surgimento dos incêndios florestais, cujo papel deve ser agravado como causa principal deste fenómeno;
c) o Governo português deve atribuir aos incêndios florestais o estatuto de situação de emergência, nos próximos três anos. Deste modo, deve assumir um controlo mais directo do combate a incêndios desta natureza e regular de forma mais restritiva a comercialização dos produtos ardidos, reduzindo as oportunidades de negócio resultantes deste fenómeno;
d) o Estado deve transferir o esforço de combate aos incêndios florestais para as Forças Armadas portuguesas, nomeadamente para o Exército e a Força Aérea, em regime de excepção conforme atrás exposto. Esta medida deve ter como consequência a eliminação do negócio privado de combate a incêndios, nomeadamente ao nível dos meios aéreos. O conceito de Defesa Nacional é compatível com o combate aos fogos florestais, nomeadamente no que concerne à protecção das populações. Em abono do mérito desta missão deve referir-se que a Confederação tem reconhecido publicamente (através do Prémio Nacional de Ambiente Fernando Pereira) o papel desempenhado por diversos sectores das Forças Armadas e da Forças de Segurança (nomeadamente a Guarda Nacional Republicana através do SEPNA) na protecção do ambiente em Portugal;
As organizações da sociedade civil estão disponíveis e interessadas em colaborar com as autoridades competentes no desenvolvimento de actividades de prevenção de fogos florestais, informação, sensibilização, formação, pareceres técnicos e opinião em relação a projectos de ordenamento florestal, actividades de animação, ocupação dos espaços e vigilância das matas, assim lhe sejam proporcionados meios para a sua concretização. A sociedade civil é, decididamente, parte da solução no problema dos fogos florestais.
Num momento em que é defendida publicamente a necessidade de expansão das explorações florestais e da vocação florestal do país, compete ao Estado e às autoridades com tutela decidirem se querem continuar a fazer parte do problema ou parte da solução.
A Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente solidariza-se com as autarquias locais mais atingidas por este problema e elogia a coragem da Senhora Presidente da Câmara Municipal de Vila Rei em denunciar as causas mais hediondas que estão associadas à emergência de incêndios florestais em Portugal.
CPADA
Junto segue o comunicado da CPADA enviado no dia 31 de Julho sobre o tema dos fogos florestais.
FAÇA-SE JUSTIÇA CONTRA OS INCENDIÁRIOS
O Estado faz parte do problema ou parte da solução?
O dramatismo e a dimensão dos actuais incêndios florestais põem em evidência uma situação que continuará por muitos anos enquanto o Estado Português não tomar medidas drásticas de criminalização dos agentes activos pelo surgimento de incêndios florestais e a desmobilização dos principais beneficiários com os negócios associados a estes incêndios.
As consequências económicas dos incêndios florestais são amplamente conhecidas: prejuízos públicos, vidas e bens em risco, avultados investimentos em equipamento e meios de combate aos incêndios, notícias "escaldantes" e eventuais benefícios privados.
E embora muitas destas áreas comportem uma diversidade biológica reduzida e um menor interesse para a conservação da natureza, em sentido restrito, as consequências ambientais destes incêndios não são de desprezar, como sejam a exposição dos solos a fenómenos de erosão, a desertificação, o aumento de caudais de ponta de cheias e de riscos associados a inundações, no Inverno, a perda de capacidade de recarga dos aquíferos e, ainda, um aumento da carga de CO2 na atmosfera.
Os fogos florestais são um problema ambiental em cujo combate a Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente e muitas das suas associadas se têm empenhado nos últimos anos, sob o lema "prevenir os fogos florestais todo o ano".
As razões para a ocorrência de fogos florestais em tão grande número e dimensão são conhecidas, apresentando-se as condições climatéricas, o tipo de culturas, a carga térmica acumulada, a negligência nas actividades humanas nas matas, o fogo posto e os interesses económicos pouco claros como as razões mais citadas.
Várias medidas básicas de prevenção se podem enunciar:
• medidas preventivas de incêndios, onde se contam a limpeza de matas, abertura de caminhos e aceiros;
• manutenção de açudes e planos de água;
• outras medidas visando dificultar propagação dos incêndios, como a alternância de espécies e modos culturais, evitando monoculturas extensivas;
• restrição de cultivo de espécies pirofóricas aos solos adequados para tal;
• medidas para detecção prévia de focos de incêndio, incluindo detecção remota e equipamento de tele-vigilância para o qual existe tecnologia nacional;
• incremento da fiscalização das actividades nas matas portuguesas;
• medidas para promover a ocupação dos espaços e a vigilância com a utilização de grupos organizados da sociedade civil ou meros cidadãos, em complemento de actividades de lazer e usufruto do contacto com a natureza.
Outras medidas complementares são possíveis conceber:
• no domínio da fiscalidade, com incentivos fiscais em função das despesas de limpeza e preservação das matas;
• incentivos ao cultivo de espécies autóctones e de crescimento lento, como as que melhor resistem aos incêndios florestais
• co-responsabilização dos proprietários nas ocorrências de fogos nas explorações à sua responsabilidade;
• promoção de associações de proprietários ou responsáveis de explorações florestais com o objectivo de facilitar a aplicação de medidas e investimentos na prevenção de fogos florestais;
• na promoção da produção de energia a partir de biomassa florestal, garantindo a sua valorização e a viabilidade económicas das actividades de limpeza de matas;
• na promoção da compostagem de resíduos florestais;
• na promoção dos produtos das matas portuguesa não directamente associados à madeira;
• na promoção de condições para um usufruto de actividades de turismo e lazer nas matas portuguesas por parte das populações;
Essas medidas devem ser aplicadas e acarinhadas pelas autoridades competentes, contribuindo para promover a sustentabilidade da floresta portuguesa.
A sua eficácia depende da sua concretização ao longo do ano, pois já se têm verificado incêndios florestais fora de época e em períodos de mais calor.
O seu custo é uma fracção do custo das medidas de combate aos incêndios.
O seu retorno tem, para além dos aspectos económicos e ambientais positivos resultantes da gestão racional dos espaços florestais, uma componente social, envolvendo organizações da sociedade civil na resolução de um problema nacional.
Até (1999) existiu um programa de prevenção de fogos florestais que consistia num financiamento de protocolos e projectos por parte do CNEFF, às Organizações Não Governamentais de Ambiente, para a realização de actividades de prevenção, informação, sensibilização e vigilância de matas e florestas que, por questões orçamentais, não foi retomado.
A existência de períodos de fogos florestais com a intensidade com que têm ocorrido todos os anos é uma denúncia clara e inequívoca na insuficiência das medidas de prevenção que têm sido praticadas e promovidas pelas autoridades competentes, e uma demonstração cabal da necessidade urgente de medidas mais eficientes na gestão sustentável da floresta portuguesa.
Mas para além das medidas enunciadas a Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente/ONGA, entende que, perante a situação de calamidade que agora se observa:
a) os incêndios florestais são um problema público. As consequências económicas e sociais deste flagelo afectam não apenas os proprietários directamente atingidos mas todos os cidadãos, nomeadamente, enquanto contribuintes para a sua resolução através de impostos pagos ao Estado;
b) a Justiça deve actuar imediatamente. O Estado através das entidades competentes deve acelerar e intensificar a investigação tendo em vista a criminalização dos agentes activos responsáveis pelo surgimento dos incêndios florestais, cujo papel deve ser agravado como causa principal deste fenómeno;
c) o Governo português deve atribuir aos incêndios florestais o estatuto de situação de emergência, nos próximos três anos. Deste modo, deve assumir um controlo mais directo do combate a incêndios desta natureza e regular de forma mais restritiva a comercialização dos produtos ardidos, reduzindo as oportunidades de negócio resultantes deste fenómeno;
d) o Estado deve transferir o esforço de combate aos incêndios florestais para as Forças Armadas portuguesas, nomeadamente para o Exército e a Força Aérea, em regime de excepção conforme atrás exposto. Esta medida deve ter como consequência a eliminação do negócio privado de combate a incêndios, nomeadamente ao nível dos meios aéreos. O conceito de Defesa Nacional é compatível com o combate aos fogos florestais, nomeadamente no que concerne à protecção das populações. Em abono do mérito desta missão deve referir-se que a Confederação tem reconhecido publicamente (através do Prémio Nacional de Ambiente Fernando Pereira) o papel desempenhado por diversos sectores das Forças Armadas e da Forças de Segurança (nomeadamente a Guarda Nacional Republicana através do SEPNA) na protecção do ambiente em Portugal;
As organizações da sociedade civil estão disponíveis e interessadas em colaborar com as autoridades competentes no desenvolvimento de actividades de prevenção de fogos florestais, informação, sensibilização, formação, pareceres técnicos e opinião em relação a projectos de ordenamento florestal, actividades de animação, ocupação dos espaços e vigilância das matas, assim lhe sejam proporcionados meios para a sua concretização. A sociedade civil é, decididamente, parte da solução no problema dos fogos florestais.
Num momento em que é defendida publicamente a necessidade de expansão das explorações florestais e da vocação florestal do país, compete ao Estado e às autoridades com tutela decidirem se querem continuar a fazer parte do problema ou parte da solução.
A Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente solidariza-se com as autarquias locais mais atingidas por este problema e elogia a coragem da Senhora Presidente da Câmara Municipal de Vila Rei em denunciar as causas mais hediondas que estão associadas à emergência de incêndios florestais em Portugal.
CPADA
Nota Botânica VIII
Para não dizerem que a botânica não tem interesse nenhum.....
Na idade média preparava-se uma bebida supostamente afrodisíaca; cá vão os ingredientes, para os mais ousados:
-Cravinho (Syzygium aromaticum)
-Gengibre (Zingiber officinale)
-Canela (Cinnamomum Zeylanicum)
-Cardamomo(Elettaria cardamomum)
-Sementes de coentros (Coriandrum sativum)
Deixar macerar estes ingredientes durante dois meses numa garrafa de litro de aguardente. Pode-se juntar umas amêndoas secas e açúcar, para melhorar o gosto da bebida; a beber um copinho depois das refeições.
Se tiver a paciência de preparar a bebida, pode chamá-la de Hipocrás; se tiver problemas de libido muito urgentes, é desaconselhável esta bebida, já que tem que esperar 2 meses no mínimo; não tem nada a ver com o pato com laranja, que se prepara e come logo a seguir. Era utilizada nos casamentos; foi importada para a Europa pelos membros das cruzadas (como se vê, estavam constantemente a pensar em deus; eram tão pios, que mesmo depois de meses e meses de abstinência ainda necessitavam do Hipocrás para estimular um bocadinho o seu apetite sexual) e posteriormente exportada para a América do Sul; foi interdita entretanto porque “estimulava demasiado o libido”.
Coriandrum sativum
Entretanto, os coentros são bons para muita coisa:
Intestinos – Muito útil para expulsar gases do aparelho digestivo, evitando flatulências e aerofagia. Para isso, basta preparar uma infusão com meia colher de chá cheia de sementes. Em caso de Aerofagia, tomar uma pequena chávena depois das refeições. Para expulsar as flatulências, pode-se fazer uma infusão de coentros (semente) e funcho. Mesmo que não funcione a 100%, pelo menos os gases devem ficar a cheirar melhor...
,
Estômago – Para facilitar a digestão, exerce uma função tónica estomacal, digestiva e tranquilizante, evitando espasmos e dispepsia. Basta para isso utilizar as mesmas mezinhas que se preparam para os intestinos. Tem ainda a vantagem de ser estimulante, combatendo eficazmente a falta de fome (fixe contra a anorexia). Neste ultimo caso, tomar a infusão antes das refeições.
Mau hálito – mastigar umas sementes de coentros durante uma hora; estratagema muito utilizado na Índia, onde no fim das refeições, em vez do Luso palito, trazem uma tacinha de sementes de coentros.
É ainda bom contra a insuficiência hepática, bom para o aparelho respiratório, tanto como expectorante (para expulsar as mucosidades) como no combate à gripe, e muito bom depurativo, eficaz no combate ao colesterol, na prevenção de tumores, nomeadamente o cancro de cólon (propriedades anti-bacterianas que impedem as putrefacções intestinais) e o do estômago.
Atenção, estamos a falar das sementes de coentros, não das folhas. Boas infusões, mezinhas, tisanas e macerações; viva os coentros!
PP
Na idade média preparava-se uma bebida supostamente afrodisíaca; cá vão os ingredientes, para os mais ousados:
-Cravinho (Syzygium aromaticum)
-Gengibre (Zingiber officinale)
-Canela (Cinnamomum Zeylanicum)
-Cardamomo(Elettaria cardamomum)
-Sementes de coentros (Coriandrum sativum)
Deixar macerar estes ingredientes durante dois meses numa garrafa de litro de aguardente. Pode-se juntar umas amêndoas secas e açúcar, para melhorar o gosto da bebida; a beber um copinho depois das refeições.
Se tiver a paciência de preparar a bebida, pode chamá-la de Hipocrás; se tiver problemas de libido muito urgentes, é desaconselhável esta bebida, já que tem que esperar 2 meses no mínimo; não tem nada a ver com o pato com laranja, que se prepara e come logo a seguir. Era utilizada nos casamentos; foi importada para a Europa pelos membros das cruzadas (como se vê, estavam constantemente a pensar em deus; eram tão pios, que mesmo depois de meses e meses de abstinência ainda necessitavam do Hipocrás para estimular um bocadinho o seu apetite sexual) e posteriormente exportada para a América do Sul; foi interdita entretanto porque “estimulava demasiado o libido”.
Coriandrum sativum
Entretanto, os coentros são bons para muita coisa:
Intestinos – Muito útil para expulsar gases do aparelho digestivo, evitando flatulências e aerofagia. Para isso, basta preparar uma infusão com meia colher de chá cheia de sementes. Em caso de Aerofagia, tomar uma pequena chávena depois das refeições. Para expulsar as flatulências, pode-se fazer uma infusão de coentros (semente) e funcho. Mesmo que não funcione a 100%, pelo menos os gases devem ficar a cheirar melhor...
,
Estômago – Para facilitar a digestão, exerce uma função tónica estomacal, digestiva e tranquilizante, evitando espasmos e dispepsia. Basta para isso utilizar as mesmas mezinhas que se preparam para os intestinos. Tem ainda a vantagem de ser estimulante, combatendo eficazmente a falta de fome (fixe contra a anorexia). Neste ultimo caso, tomar a infusão antes das refeições.
Mau hálito – mastigar umas sementes de coentros durante uma hora; estratagema muito utilizado na Índia, onde no fim das refeições, em vez do Luso palito, trazem uma tacinha de sementes de coentros.
É ainda bom contra a insuficiência hepática, bom para o aparelho respiratório, tanto como expectorante (para expulsar as mucosidades) como no combate à gripe, e muito bom depurativo, eficaz no combate ao colesterol, na prevenção de tumores, nomeadamente o cancro de cólon (propriedades anti-bacterianas que impedem as putrefacções intestinais) e o do estômago.
Atenção, estamos a falar das sementes de coentros, não das folhas. Boas infusões, mezinhas, tisanas e macerações; viva os coentros!
PP
terça-feira, agosto 05, 2003
Combatentes ofendidos e enxovalhados pelo Ministro do ambiente
Cá está!, já estava a estranhar a ausência das costumeiras peripatetices que acompanham sempre os grandes acontecimentos em Portugal (mesmo quando são lamentáveis como é o caso dos incêndios que assolam o território nacional!).
Desta vez foi o nosso inefável ministro do Ambiente (o Theias) que com uma clarividência sibilina, resolveu sugerir(?) que uma das possíveis causas para explicar a eclosão dos incêndios poderia ser o facto dos ex-combatentes do ultramar terem granadas em casa... no meio dos pinhais!...
Tá muito bem visto! Toda a gente sabe que os ex-combatentes vivem isolados em casas no meio de pinhais, onde lançam alegremente granadas a torto e a direito de cada vez que alguma coisa não lhes agrada! E que elegância, meu deus! Que sentido da oportunidade!, meter-se com o grupo social mais hiper-susceptível da nossa sociedade quando se vive uma situação de calamidade pública!
Olha foi uma sorte para o Durão não ter dado ao Ministro para contar anedotas (parece que é uma tradição nos ministros do ambiente do PSD – lembram-se do Borrego e da hemodiálise no hospital de Évora?). Estou mesmo a ver o Theias no entusiasmo a sair-lhe uma anedotazita que metesse militares chamuscados por granadas e pinhais a arder...
O homem devia estar a atrofiar com os fumos dos incêndios na altura em que a TSF lhe pôs o micro à frente e zumba, com o calor o neorónio solitário soltou-se-lhe no interior do crânio e, num momento de glória suicida, pôs-se a construir um raciocínio (coisa que as células do intestino o haviam terminantemente proibido de fazer que depois elas é que sofrem): Hum calor, calor hum fogo, fogo incêndio, incêndio, incêndio... há já sei explosões!... explosões, explosões, é pá esta é difícil... explosões espera explosões guerra, guerra ultramar, ultramar foram eles! foram os gajos que lá andaram claro! boa pá afinal isto do raciocínio não é assim tão difícil tenho que experimentar mais vezes!
O amigo Paulo Portas é que deve ter ficado contente, pois um dos seus hobbies preferidos é explorar o sofrimento dos ex-combatentes acicatando demagogicamente, e com fim exclusivamente eleitoralistas, o sofrimento de quem foi, na maior parte dos casos contra a sua própria vontade, mandado pelo regime salazarista fazer uma guerra anacrónica e injusta.
Assim já o estou a ouvir num daqueles discursos de campanha eleitoral, cheios de suspiros sinceros e de pausas expontâneas, assegurar a plenos pulmões que os ex-combatentes poderão, se ele for eleito, lançar por ano, 1,3 granadas na direcção de pelo menos 0,7 pinheiros.
Estripem-me este tumor!
FMR
Cá está!, já estava a estranhar a ausência das costumeiras peripatetices que acompanham sempre os grandes acontecimentos em Portugal (mesmo quando são lamentáveis como é o caso dos incêndios que assolam o território nacional!).
Desta vez foi o nosso inefável ministro do Ambiente (o Theias) que com uma clarividência sibilina, resolveu sugerir(?) que uma das possíveis causas para explicar a eclosão dos incêndios poderia ser o facto dos ex-combatentes do ultramar terem granadas em casa... no meio dos pinhais!...
Tá muito bem visto! Toda a gente sabe que os ex-combatentes vivem isolados em casas no meio de pinhais, onde lançam alegremente granadas a torto e a direito de cada vez que alguma coisa não lhes agrada! E que elegância, meu deus! Que sentido da oportunidade!, meter-se com o grupo social mais hiper-susceptível da nossa sociedade quando se vive uma situação de calamidade pública!
Olha foi uma sorte para o Durão não ter dado ao Ministro para contar anedotas (parece que é uma tradição nos ministros do ambiente do PSD – lembram-se do Borrego e da hemodiálise no hospital de Évora?). Estou mesmo a ver o Theias no entusiasmo a sair-lhe uma anedotazita que metesse militares chamuscados por granadas e pinhais a arder...
O homem devia estar a atrofiar com os fumos dos incêndios na altura em que a TSF lhe pôs o micro à frente e zumba, com o calor o neorónio solitário soltou-se-lhe no interior do crânio e, num momento de glória suicida, pôs-se a construir um raciocínio (coisa que as células do intestino o haviam terminantemente proibido de fazer que depois elas é que sofrem): Hum calor, calor hum fogo, fogo incêndio, incêndio, incêndio... há já sei explosões!... explosões, explosões, é pá esta é difícil... explosões espera explosões guerra, guerra ultramar, ultramar foram eles! foram os gajos que lá andaram claro! boa pá afinal isto do raciocínio não é assim tão difícil tenho que experimentar mais vezes!
O amigo Paulo Portas é que deve ter ficado contente, pois um dos seus hobbies preferidos é explorar o sofrimento dos ex-combatentes acicatando demagogicamente, e com fim exclusivamente eleitoralistas, o sofrimento de quem foi, na maior parte dos casos contra a sua própria vontade, mandado pelo regime salazarista fazer uma guerra anacrónica e injusta.
Assim já o estou a ouvir num daqueles discursos de campanha eleitoral, cheios de suspiros sinceros e de pausas expontâneas, assegurar a plenos pulmões que os ex-combatentes poderão, se ele for eleito, lançar por ano, 1,3 granadas na direcção de pelo menos 0,7 pinheiros.
Estripem-me este tumor!
FMR
Cenas dos próximos episódios
Como hoje já está compostinho o Blog, deixo para amanhã um post sobre os coentros (acreditem que é surpreendente). Levanto apenas um pouco o véu: algumas utilizações dos coentros (que não as tradicionais) melhoram a performance das nossas partes baixas, de duas formas completamente distintas; por isso, não perca o próximo post, que nós também não!
PP
PS - Filipe, sê bem vindo outra vez! agora, já só falta a árvore....
Como hoje já está compostinho o Blog, deixo para amanhã um post sobre os coentros (acreditem que é surpreendente). Levanto apenas um pouco o véu: algumas utilizações dos coentros (que não as tradicionais) melhoram a performance das nossas partes baixas, de duas formas completamente distintas; por isso, não perca o próximo post, que nós também não!
PP
PS - Filipe, sê bem vindo outra vez! agora, já só falta a árvore....
Ecoloquê?
Só uma breve nota, eu sei que não é esse o espirito (nem o foi a letra) do PP no post da nota VII, mas existem por aí um certos arrufos “ecolo-jovem” que me chateiam até ao intestino. As questões ecológicas são sempre, em última análise questões de natureza política, o ambiente não paira etereamente, suspenso por umas cabeças iluminadas, acima da realidade social e política de um certo tempo histórico. Para fazer-mos de cada cidadão uma pessoa preocupada com a preservação ecológica temos primeiro que lhe dar de comer, de o ensinar a ler, de lhe proporcionar cuidados elementares de saúde, etc. Julgar o contrário (ou, que seja, presumi-lo objectivamente) seria quase tão ingénuo como achar que é a natureza intrinsecamente perversa dos partidos que está na origem das más políticas, quando afinal o que há quase sempre (mas nem sempre!) é partidos com más políticas.
(O problema está nas políticas, os partidos são uma espécie de invólucro – historicamente mais ou menos reciclável – que resultam das tensões próprias de um determinado contexto social, e das oportunidades que qualitativamente este oferece, para os cidadãos se organizarem na luta pelos seus interesses.)
FMR
Só uma breve nota, eu sei que não é esse o espirito (nem o foi a letra) do PP no post da nota VII, mas existem por aí um certos arrufos “ecolo-jovem” que me chateiam até ao intestino. As questões ecológicas são sempre, em última análise questões de natureza política, o ambiente não paira etereamente, suspenso por umas cabeças iluminadas, acima da realidade social e política de um certo tempo histórico. Para fazer-mos de cada cidadão uma pessoa preocupada com a preservação ecológica temos primeiro que lhe dar de comer, de o ensinar a ler, de lhe proporcionar cuidados elementares de saúde, etc. Julgar o contrário (ou, que seja, presumi-lo objectivamente) seria quase tão ingénuo como achar que é a natureza intrinsecamente perversa dos partidos que está na origem das más políticas, quando afinal o que há quase sempre (mas nem sempre!) é partidos com más políticas.
(O problema está nas políticas, os partidos são uma espécie de invólucro – historicamente mais ou menos reciclável – que resultam das tensões próprias de um determinado contexto social, e das oportunidades que qualitativamente este oferece, para os cidadãos se organizarem na luta pelos seus interesses.)
FMR
A nota botânica VII
A nota do PP é de grande utilidade para uma melhor compreensão do que está em causa quando se discute o problema dos incêndios no nosso país. Mas do meu ponto de vista ela faz sobretudo sentido quando aliada às preocupações relacionadas com a prevenção, referidas no post anterior.
O drama, a desgraça, a calamidade (ou que quiserem chamar-lhe) de quem viu a sua terra, ou seu quintal ou a sua casa a arder, não se resume à sua dimensão ecológica, nem sequer só ao problema económico. Do meu ponto de vista o desastre, neste caso do fogo, na medida em que afecta de modo mais brutal e irreversível aqueles que menos têm (como sempre aliás!), levanta uma questão ética crucial, fundadora de uma certa concepção de sociedade.
As populações do interior, como se sabe, não ardem sazonalmente somente no fogo dos incêndios estivais, ardem também no fogo da desertificação, do analfabetismo e da ignorância, da pobreza material alimentada pela distância crescente aos centros de decisão política, aos cuidados de saúde, etc. ...
Por isso quando estas populações são vítimas de uma calamidade com as proporções que esta adquiriu, tal circunstância, como cidadão, incomoda-me para lá das consequências materiais e/ou ecológicas do facto em si. É que se joga aqui um princípio basilar de solidariedade com os mais fracos e desprotegidos, que deve orientar as visões de sociedade alternativas ao capitalismo neoliberal dos nossos dias.
FMR
A nota do PP é de grande utilidade para uma melhor compreensão do que está em causa quando se discute o problema dos incêndios no nosso país. Mas do meu ponto de vista ela faz sobretudo sentido quando aliada às preocupações relacionadas com a prevenção, referidas no post anterior.
O drama, a desgraça, a calamidade (ou que quiserem chamar-lhe) de quem viu a sua terra, ou seu quintal ou a sua casa a arder, não se resume à sua dimensão ecológica, nem sequer só ao problema económico. Do meu ponto de vista o desastre, neste caso do fogo, na medida em que afecta de modo mais brutal e irreversível aqueles que menos têm (como sempre aliás!), levanta uma questão ética crucial, fundadora de uma certa concepção de sociedade.
As populações do interior, como se sabe, não ardem sazonalmente somente no fogo dos incêndios estivais, ardem também no fogo da desertificação, do analfabetismo e da ignorância, da pobreza material alimentada pela distância crescente aos centros de decisão política, aos cuidados de saúde, etc. ...
Por isso quando estas populações são vítimas de uma calamidade com as proporções que esta adquiriu, tal circunstância, como cidadão, incomoda-me para lá das consequências materiais e/ou ecológicas do facto em si. É que se joga aqui um princípio basilar de solidariedade com os mais fracos e desprotegidos, que deve orientar as visões de sociedade alternativas ao capitalismo neoliberal dos nossos dias.
FMR
Nota botânica VII - Desdramatização dos fogos
Do ponto de vista Económico, não há dúvida que os fogos são um desatre....
Mas do ponto de vista natural, até que ponto é que os fogos são devastadores? No mediterrâneo, quase todas as plantas estão adaptadas ao fogo. Por isso, quando aqui há uns anos houve uma incêndio na Arrábida, a recuperação foi fulgurante. Duas estratégias essenciais podem ser observadas na nossa flora natural: a primeira, é o rebrotar a partir da toiça queimada do arbusto; como o arbusto já tinha um sistema radicular muito desenvolvido, em poucos anos recupera a dimensão que tinha antes do fogo. Ele não parte do zero, parte de uma parte subterrânea completamente desenvolvida que terá a responsabilidade de gerar uma parte aérea em consonância. Este é o caso do carrasco (Quercus coccifera).
Carrasco (Quercus coccifera)
Outra possibilidade é a planta partir efectivamente do zero. Há espécies cujas sementes são estimuladas pelas altas temperaturas. Por isso, depois de um fogo, as sementes estão prontas para germinar. Este é o caso do alecrim (Rosmarinus officinalis).
Alecrim (Rosmarinus officinalis)
Efectivamente, dois ou três anos depois do incêndio, o ecossistema será mais diverso que antes do incêndio: a maioria das espécies que aí existiam reaparece; novas espécies, nomeadamente plantas bulbosas e plantas anuais aproveitam o espaço deixado livre para colonizarem. Historicamente, os incêndios fazem parte dos ecossistemas mediterrânicos, ajudando a regeneração constante das florestas e proporcionando o mosaico paisagístico essencial à persistência da maioria das espécies no Mediterrâneo. Apesar de deixar aqui esta nota de esperança, este ano não contribuímos para um mosaico de pequenas manchas mas sim para a existência de enormes manchas de terra queimada, que pela sua dimensão, dificilmente se enquadram num mosaico paisagístico ecologicamente sustentado. Mas venham daí os carrascos e os alecrins, as estevas e os jacintos, as gilbardeiras e o fel da terra, e depois falamos.... é que a natureza é definitivamente muito á frente....
PP
Do ponto de vista Económico, não há dúvida que os fogos são um desatre....
Mas do ponto de vista natural, até que ponto é que os fogos são devastadores? No mediterrâneo, quase todas as plantas estão adaptadas ao fogo. Por isso, quando aqui há uns anos houve uma incêndio na Arrábida, a recuperação foi fulgurante. Duas estratégias essenciais podem ser observadas na nossa flora natural: a primeira, é o rebrotar a partir da toiça queimada do arbusto; como o arbusto já tinha um sistema radicular muito desenvolvido, em poucos anos recupera a dimensão que tinha antes do fogo. Ele não parte do zero, parte de uma parte subterrânea completamente desenvolvida que terá a responsabilidade de gerar uma parte aérea em consonância. Este é o caso do carrasco (Quercus coccifera).
Carrasco (Quercus coccifera)
Outra possibilidade é a planta partir efectivamente do zero. Há espécies cujas sementes são estimuladas pelas altas temperaturas. Por isso, depois de um fogo, as sementes estão prontas para germinar. Este é o caso do alecrim (Rosmarinus officinalis).
Alecrim (Rosmarinus officinalis)
Efectivamente, dois ou três anos depois do incêndio, o ecossistema será mais diverso que antes do incêndio: a maioria das espécies que aí existiam reaparece; novas espécies, nomeadamente plantas bulbosas e plantas anuais aproveitam o espaço deixado livre para colonizarem. Historicamente, os incêndios fazem parte dos ecossistemas mediterrânicos, ajudando a regeneração constante das florestas e proporcionando o mosaico paisagístico essencial à persistência da maioria das espécies no Mediterrâneo. Apesar de deixar aqui esta nota de esperança, este ano não contribuímos para um mosaico de pequenas manchas mas sim para a existência de enormes manchas de terra queimada, que pela sua dimensão, dificilmente se enquadram num mosaico paisagístico ecologicamente sustentado. Mas venham daí os carrascos e os alecrins, as estevas e os jacintos, as gilbardeiras e o fel da terra, e depois falamos.... é que a natureza é definitivamente muito á frente....
PP
Os fogos e a sociedade civil
A história de gastar agora uns milhões de euros, que, ou muito me engano, ou irão parar aos bolsos de uns poucos, irrita-me mais profundamente que tudo o resto. Ainda veio o presidente falar de prevenção, mas já se sabe, passada a época dos fogos, facilmente os governantes esquecem a prevenção até ao próximo Verão quente. Esta situação tem um paralelo com a Somália, Etiópia e outros países assolados pela fome. É que da Ajuda internacional, 99% é ajuda de imergência e 1% é ajuda sustentável, a longo prazo. O imediatismo da ajuda de emergência é mesmo só para que os sacos de trigo com as 16 estrelas da Europa ou com a bandeira dos States apareçam nas televisões; confortadas as almas com a solidariedade demonstrada, podemos rapidamente votar outra vez ao esquecimento os problemas crónicos dos países mais pobres do mundo.
Aqui acontece a mesma coisa: o nosso primeiro diz que vai gastar 50 Milhões (que sim, que a Manelinha já deu o seu agreement), na esperança que todos se sintam confortáveis por termos compensado as vítimas; o problema é que as vítimas ou nunca serão compensadas, ou quando são (que de certeza que irá demorar lustros de tempo), não há nada que possa substituir a casa, a charneca ou os seus animais de criação. Mas se calhar, se tivessem gasto os 50 Milhões na prevenção de incêndios, nada disto teria acontecido.
Quatro medidas possiveis: (1) uma rede de vigilância (24 horas por dia) em todo o país, tipo rede geodésica nacional, feita por voluntários, jovens, OTL's, associações locais, empregados camarários, desempregados, estudantes, eu sei lá; Estas pessoas podem ter uma formação mínima, mas essencialmente farão soar o alarme e fazer com o fogo seja combatido no seu início. (2) Uma monitorização por satélite, detectando em tempo real as zonas de maior risco de incêndio e acompanhando em tempo real a evolução do incêndio. É complicado, mas nada que não possa ser feito com algum dinheiro. Mas temo que os políticos reajam sempre em função do imediato e não em função de uma protecção eficaz da nossa floresta. (3) Gestão activa da floresta, com limpeza de matos e extracção de combustível; deveria haver uma recompensa para quem gere bem a floresta e uma penalização para quem não liga nenhuma à floresta. (4) Interrupção das manchas continuas de plantações pela plantação ou favorecimento do aparecimento da floresta autóctone. Os pinhais são muito mais vulneráveis às chamas que os Carvalhais, Montados e outras florestas naturais. A inexistência de grandes manchas de pinhal contínuo tornaria as nossas florestas muito mais resistentes aos incêndios. A Existência de manchas de floresta natural, para além de inibir a propagação do fogo, contribuiria em grande medida para a conservação da nossa diversidade biológica.
PP
PS- O envolvimento da sociedade civil na prevenção de incêndios é uma realidade em França ou mesmo na vizinha Espanha......uma curiosidade: 400 foi sensivelmente o número de militares cedidos por Aznar para combater o desatre causado pelo Prestige; haverá aqui um padrão? quando há uma calamidade, mandam-se 400 militares e está tudo resolvido? é isso?
A história de gastar agora uns milhões de euros, que, ou muito me engano, ou irão parar aos bolsos de uns poucos, irrita-me mais profundamente que tudo o resto. Ainda veio o presidente falar de prevenção, mas já se sabe, passada a época dos fogos, facilmente os governantes esquecem a prevenção até ao próximo Verão quente. Esta situação tem um paralelo com a Somália, Etiópia e outros países assolados pela fome. É que da Ajuda internacional, 99% é ajuda de imergência e 1% é ajuda sustentável, a longo prazo. O imediatismo da ajuda de emergência é mesmo só para que os sacos de trigo com as 16 estrelas da Europa ou com a bandeira dos States apareçam nas televisões; confortadas as almas com a solidariedade demonstrada, podemos rapidamente votar outra vez ao esquecimento os problemas crónicos dos países mais pobres do mundo.
Aqui acontece a mesma coisa: o nosso primeiro diz que vai gastar 50 Milhões (que sim, que a Manelinha já deu o seu agreement), na esperança que todos se sintam confortáveis por termos compensado as vítimas; o problema é que as vítimas ou nunca serão compensadas, ou quando são (que de certeza que irá demorar lustros de tempo), não há nada que possa substituir a casa, a charneca ou os seus animais de criação. Mas se calhar, se tivessem gasto os 50 Milhões na prevenção de incêndios, nada disto teria acontecido.
Quatro medidas possiveis: (1) uma rede de vigilância (24 horas por dia) em todo o país, tipo rede geodésica nacional, feita por voluntários, jovens, OTL's, associações locais, empregados camarários, desempregados, estudantes, eu sei lá; Estas pessoas podem ter uma formação mínima, mas essencialmente farão soar o alarme e fazer com o fogo seja combatido no seu início. (2) Uma monitorização por satélite, detectando em tempo real as zonas de maior risco de incêndio e acompanhando em tempo real a evolução do incêndio. É complicado, mas nada que não possa ser feito com algum dinheiro. Mas temo que os políticos reajam sempre em função do imediato e não em função de uma protecção eficaz da nossa floresta. (3) Gestão activa da floresta, com limpeza de matos e extracção de combustível; deveria haver uma recompensa para quem gere bem a floresta e uma penalização para quem não liga nenhuma à floresta. (4) Interrupção das manchas continuas de plantações pela plantação ou favorecimento do aparecimento da floresta autóctone. Os pinhais são muito mais vulneráveis às chamas que os Carvalhais, Montados e outras florestas naturais. A inexistência de grandes manchas de pinhal contínuo tornaria as nossas florestas muito mais resistentes aos incêndios. A Existência de manchas de floresta natural, para além de inibir a propagação do fogo, contribuiria em grande medida para a conservação da nossa diversidade biológica.
PP
PS- O envolvimento da sociedade civil na prevenção de incêndios é uma realidade em França ou mesmo na vizinha Espanha......uma curiosidade: 400 foi sensivelmente o número de militares cedidos por Aznar para combater o desatre causado pelo Prestige; haverá aqui um padrão? quando há uma calamidade, mandam-se 400 militares e está tudo resolvido? é isso?
segunda-feira, agosto 04, 2003
Correm quentes os dias...
A suar, do âmago deste calor mole de Lisboa, sente-se, nas notícias destes dias de fogo, a miséria de quem já não volta deste verão. De quem aqui ficou para sempre, devorado pela perda do que mal possuía, com a alma comida pelo fogo.
A feder deste resto de cidade abandonada (que se ama porque sim), prova-se ao jantar, durante a hora do telejornal, o desespero quieto e mudo dos olhos dos velhos, que cresceram com as matas da aldeia, e que com elas ardem para sempre neste verão.
Se um outro mundo for possível, então sairá da carne viva de dias assim (ou perder-se-á para sempre na insustentável leveza das palavras): ou começa agora a solidariedade com as vítimas, ou acabaremos todos, nem que seja pela inacção ou pelo silêncio, a gastar milhões na compra de submarinos de guerra.
Globalização alternativa se existe tem que se mostrar, para lá das querelas estéreis, durante a miséria destes dias que por causa dela... correm quentes.
FMR
A suar, do âmago deste calor mole de Lisboa, sente-se, nas notícias destes dias de fogo, a miséria de quem já não volta deste verão. De quem aqui ficou para sempre, devorado pela perda do que mal possuía, com a alma comida pelo fogo.
A feder deste resto de cidade abandonada (que se ama porque sim), prova-se ao jantar, durante a hora do telejornal, o desespero quieto e mudo dos olhos dos velhos, que cresceram com as matas da aldeia, e que com elas ardem para sempre neste verão.
Se um outro mundo for possível, então sairá da carne viva de dias assim (ou perder-se-á para sempre na insustentável leveza das palavras): ou começa agora a solidariedade com as vítimas, ou acabaremos todos, nem que seja pela inacção ou pelo silêncio, a gastar milhões na compra de submarinos de guerra.
Globalização alternativa se existe tem que se mostrar, para lá das querelas estéreis, durante a miséria destes dias que por causa dela... correm quentes.
FMR
O muro da vergonha
"Sharon quer fazer querer que a “vedação” tem por único objectivo manter os Homens bomba fora de Israel e assim aumentar a segurança do país. Mas na realidade, a “vedação” é muito mais que isso; é potencialmente uma futura fronteira política, que prejudica sobremaneira o futuro estado Palestiniano, é claramente um símbolo da derradeira separação física dos territórios Palestinianos e Israelitas e dos seus povos respectivos."
"De facto, uma nova fronteira está a ser desenhada; algumas partes do muro até agora construído não passam pela linha verde que separa o “West bank” de Israel desde 1948. Entram claramente pelo território Palestiniano, integrando o máximo de colonatos judeus possível do lado Israelita do Muro, e consequentemente, roubando enormes fatias do território palestiniano."
"600 km de muro, 8 metros de altura, que neste momento já anexou milhares de hectares de terra agrícola fértil palestiniana, deixando quase 100000 palestinianos do lado “errado” da fronteira, completamente isolados dos Palestinianos do outro lado da fronteira (estudo feito pelo Banco Mundial e pelo FMI)."
"Mas a consequência mais grave do muro para milhares de Palestinianos será a perca das suas terras agrícolas e dos seus recursos naturais. Numa das zonas mais férteis da Palestina, o exército já anexou milhares de hectares para possibilitar a construção do muro que na prática anexará milhares e milhares de hectares de terras férteis à futura nação Israelita, em detrimento da Palestina."
"(...) só a alteração do traçado na área de Jenin, para incluir dois colonatos, deixará encurraladas 15 aldeias e 12 mil palestinianos. As pessoas ficam prisioneiras entre o muro e a Linha Verde. Muitas ficam separadas das suas escolas, dos campos que cultivam ou até de familiares. Pela sua lógica de expansão, o muro prossegue o projecto dos colonatos, transformando a futura Palestina numa soma de pequenos bantustões. Uma "pele de leopardo" que inviabilizaria a criação de um Estado."
Uns mapas valem mais que muitas palavras (e alguns números). Na prática, o Muro completa o plano expansionista de Israel começado com os colonatos há muitos anos; sistematicamente, as Nações Unidas acusaram Israel da agir ilegalmente ao estabelecer colonatos em território Palestiniano; agora, com o muro, Sharon dá mais uma machadada na possível Palestina, integrando à força os colonatos no grande Israel e levando com isso enormes parcelas da Palestina. O muro, que antes era mal visto pela direita já que legitimava a existência da Palestina, entra agora vorazmente por terra alheia, deixando felizes e contentes os novos "conquistadores". Israel tem é o azar de já não estar no tempo dos colonos no Novo Mundo, se não, era limpinho: exterminava enquanto o diabo esfrega um olho os"índios" palestinianos (ou indígenas?), tudo para agradar a Deus; urge libertar a terra sagrada das mãos dos infiéis...
"De facto, uma nova fronteira está a ser desenhada; algumas partes do muro até agora construído não passam pela linha verde que separa o “West bank” de Israel desde 1948. Entram claramente pelo território Palestiniano, integrando o máximo de colonatos judeus possível do lado Israelita do Muro, e consequentemente, roubando enormes fatias do território palestiniano."
"600 km de muro, 8 metros de altura, que neste momento já anexou milhares de hectares de terra agrícola fértil palestiniana, deixando quase 100000 palestinianos do lado “errado” da fronteira, completamente isolados dos Palestinianos do outro lado da fronteira (estudo feito pelo Banco Mundial e pelo FMI)."
"Mas a consequência mais grave do muro para milhares de Palestinianos será a perca das suas terras agrícolas e dos seus recursos naturais. Numa das zonas mais férteis da Palestina, o exército já anexou milhares de hectares para possibilitar a construção do muro que na prática anexará milhares e milhares de hectares de terras férteis à futura nação Israelita, em detrimento da Palestina."
"(...) só a alteração do traçado na área de Jenin, para incluir dois colonatos, deixará encurraladas 15 aldeias e 12 mil palestinianos. As pessoas ficam prisioneiras entre o muro e a Linha Verde. Muitas ficam separadas das suas escolas, dos campos que cultivam ou até de familiares. Pela sua lógica de expansão, o muro prossegue o projecto dos colonatos, transformando a futura Palestina numa soma de pequenos bantustões. Uma "pele de leopardo" que inviabilizaria a criação de um Estado."
Uns mapas valem mais que muitas palavras (e alguns números). Na prática, o Muro completa o plano expansionista de Israel começado com os colonatos há muitos anos; sistematicamente, as Nações Unidas acusaram Israel da agir ilegalmente ao estabelecer colonatos em território Palestiniano; agora, com o muro, Sharon dá mais uma machadada na possível Palestina, integrando à força os colonatos no grande Israel e levando com isso enormes parcelas da Palestina. O muro, que antes era mal visto pela direita já que legitimava a existência da Palestina, entra agora vorazmente por terra alheia, deixando felizes e contentes os novos "conquistadores". Israel tem é o azar de já não estar no tempo dos colonos no Novo Mundo, se não, era limpinho: exterminava enquanto o diabo esfrega um olho os"índios" palestinianos (ou indígenas?), tudo para agradar a Deus; urge libertar a terra sagrada das mãos dos infiéis...
Consenso de Paz de Jacarta
30/05/2003
Conferência Internacional da Paz 19 a 21 de maio de 2003, Jacarta, Indonésia
Nós abaixo assinados, ativistas pela paz representando movimentos sociais e redes de 26 países da Ásia, Europa, África, América Latina e América do Norte, nos reunimos em Jacarta, Indonésia. Nos últimos três dias expressamos nossa indignação frente a crescente agressão militar conduzida pelo governo dos E.U.A, mais recentemente contra o Iraque.
Declaramos que a guerra e a invasão do Iraque são injustas, ilegais e ilegítimas e convocamos a comunidade internacional a condenar essa agressão liderada pelos Estados Unidos. Exigimos a retirada imediata de todas a tropas estrangeiras do Iraque e que a todos os iraquianos e iraquianas seja permitido decidir seu futuro segundo o princípio da auto-determinação. Essa conferência chama todos os governos a negar o reconhecimento de qualquer regime instalado no Iraque pelas forças de ocupação dos EUA.
Propomos ao movimento pela paz o estabelecimento de um Tribunal Internacional dos Povos, para julgar os promotores da guerra e investigar os crimes de guerra cometidos. Os aliados da guerra devem assumir responsabilidade política, moral e econômica por seus crimes. Isso inclui o pagamento de reparações de guerra diretamente aos iraquianos e iraquianas, que devem administrar a reconstrução de seu país de maneira independente do controle das empresas estrangeiras, do Banco Mundial e da ONU. Os membros permanentes do conselho de segurança das Nações Unidas devem assumir a mesma responsabilidade pelos efeitos de mais de 10 anos sanções. Demandamos a anulação de toda a dívida Iraquiana e simultaneamente destacamos a hipocrisia do governo dos EUA em pedir esse cancelamento para servir seus objetivos enquanto exige o pagamento de dívidas onerosas de todos os demais países em desenvolvimento.
Enquanto tanques e bombas destruíram o Iraque, na vizinha Palestina os EUA apoiaram as forças armadas israelenses a continuar assassinando, assediando e encarcerando o povo palestino com medidas que remontam à África do Sul do Apartheid. Nos comprometemos com a luta internacional pelo fim da ocupação colonialista da Palestina, demandamos o desmonte de todas os assentamentos israelenses e o direito de retorno para todas e todos os refugiados palestinos. Condenamos a continuada intervenção dos EUA na Palestina e demandamos o reconhecimento dos direitos nacionais palestinos como pressuposto de uma paz justa e, portanto, duradoura em toda a região.
Vemos a invasão do Iraque como parte da guerra econômica em curso contra os povos do sul. Sob as regras do FMI, Banco Mundial e OMC nosso mundo está se tornando cada vez mais injusto e desigual. A reunião da OMC em Cancun, México, em setembro, será mais um espaço em que os líderes do mundo imperialista vão planejar suas estratégias. Eles estão mergulhando o mundo numa série de guerras na busca de petróleo, hegemonia política e econômica e para garantir a submissão das classes trabalhadoras e massas empobrecidas.
Em nome da luta contra o “terrorismo” o governo dos EUA criaram o conceito indefensável de guerra preventiva. Sob esta bandeira, ontem atacaram o Afeganistão, hoje ocupam o Iraque e amanhã podem alvejar a Síria, o Iram, a Coréia do Norte, a Venezuela, Colômbia, Cuba ou qualquer outra nação vista como oponente aos interesses políticos e econômicos do governo dos EUA.
Destacamos com preocupação a crescente militarização do mundo, que se expressa tanto nas guerras explícitas quanto nas guerras encobertas e na proliferação das bases militares estadunidenses, nos crescentes gastos e operações militares. Também nos opomos a atos de agressão, sejam eles contra o povo de Aceh, Mindanao,da Cachemira ou do Curdistão. Nessa atmosfera de militarismo, aumenta o assédio policial das comunidades marginalizadas, mulheres, migrantes e minorias étnicas. Reivindicamos o desarmamento global. Em particular exigimos a desativação de todas as armas nucleares. Apoiamos a demanda de que o Oriente Médio se torne uma área livre de armas de destruição em massa, especialmente em Israel, estado que detém a maior capacidade destrutiva na região.
Deliberamos seguir construindo o movimento internacional pela paz, que mostrou sua força nos dias 14, 15 e 16 de fevereiro quando milhões marcharam no mundo todo contra a guerra no Iraque.
Nossos princípios incluem a construção de um internacionalismo autêntico desde as bases, em que se estabeleça uma nova comunidade internacional fundada na igualdade e na democracia. Nosso trabalho é internacional,e, ao mesmo tempo, desafiamos nosso governos nacionais quando suas políticas contribuem para a guerra, o militarismo e o neo-liberalismo. Nos opomos à guerra em todas as suas formas, seja ela a guerra aberta declarada entre estados, guerra aos movimentos sociais, guerra econômica contra os povos pobres do mundo ou guerra contra ativistas políticos e opositores da ordem dominante. Visamos manter a mais ampla unidade possível entre nossas diversas organizações, incluindo as organizações da comunidade islâmica, grupos ambientalistas e movimentos que se opõe ao racismo e ao machismo. Nosso trabalho está ligado aos crescentes movimentos sociais e de classe que resistem à globalização neo-liberal, pois a guerra de fuzis e bombas são apenas a expressão mais sangrenta da dominação neo-liberal e imperialista.
Acreditamos que é possível um mundo livre da guerra, da exploração da desigualdade e da pobreza e da repressão. A realidade dessa alternativa é visível entre os crescentes movimentos da juventude, das mulheres, trabalhadores e trabalhadoras, estudantes, desempregadas e desempregados, ativistas pelos direitos humanos e pela paz e das cidadãs e cidadãos que unem seus espíritos, energias e trabalhos na luta pela paz autêntica, baseada na justiça global para todos os povos do mundo.
Convocamos todas as organizações, movimentos sociais e pessoas que compartilham nossa análise e plano de ação a unir-se a nossos esforços orientados para a criação no futuro de uma rede mundial de solidariedade pela paz, em particular durante os encontros em Evian (Cúpula do G8), Cancun (Conferência da OMC), os Fóruns Sociais Regionais e o Fórum Social Mundial 2004 em Mumbai.
30/05/2003
Conferência Internacional da Paz 19 a 21 de maio de 2003, Jacarta, Indonésia
Nós abaixo assinados, ativistas pela paz representando movimentos sociais e redes de 26 países da Ásia, Europa, África, América Latina e América do Norte, nos reunimos em Jacarta, Indonésia. Nos últimos três dias expressamos nossa indignação frente a crescente agressão militar conduzida pelo governo dos E.U.A, mais recentemente contra o Iraque.
Declaramos que a guerra e a invasão do Iraque são injustas, ilegais e ilegítimas e convocamos a comunidade internacional a condenar essa agressão liderada pelos Estados Unidos. Exigimos a retirada imediata de todas a tropas estrangeiras do Iraque e que a todos os iraquianos e iraquianas seja permitido decidir seu futuro segundo o princípio da auto-determinação. Essa conferência chama todos os governos a negar o reconhecimento de qualquer regime instalado no Iraque pelas forças de ocupação dos EUA.
Propomos ao movimento pela paz o estabelecimento de um Tribunal Internacional dos Povos, para julgar os promotores da guerra e investigar os crimes de guerra cometidos. Os aliados da guerra devem assumir responsabilidade política, moral e econômica por seus crimes. Isso inclui o pagamento de reparações de guerra diretamente aos iraquianos e iraquianas, que devem administrar a reconstrução de seu país de maneira independente do controle das empresas estrangeiras, do Banco Mundial e da ONU. Os membros permanentes do conselho de segurança das Nações Unidas devem assumir a mesma responsabilidade pelos efeitos de mais de 10 anos sanções. Demandamos a anulação de toda a dívida Iraquiana e simultaneamente destacamos a hipocrisia do governo dos EUA em pedir esse cancelamento para servir seus objetivos enquanto exige o pagamento de dívidas onerosas de todos os demais países em desenvolvimento.
Enquanto tanques e bombas destruíram o Iraque, na vizinha Palestina os EUA apoiaram as forças armadas israelenses a continuar assassinando, assediando e encarcerando o povo palestino com medidas que remontam à África do Sul do Apartheid. Nos comprometemos com a luta internacional pelo fim da ocupação colonialista da Palestina, demandamos o desmonte de todas os assentamentos israelenses e o direito de retorno para todas e todos os refugiados palestinos. Condenamos a continuada intervenção dos EUA na Palestina e demandamos o reconhecimento dos direitos nacionais palestinos como pressuposto de uma paz justa e, portanto, duradoura em toda a região.
Vemos a invasão do Iraque como parte da guerra econômica em curso contra os povos do sul. Sob as regras do FMI, Banco Mundial e OMC nosso mundo está se tornando cada vez mais injusto e desigual. A reunião da OMC em Cancun, México, em setembro, será mais um espaço em que os líderes do mundo imperialista vão planejar suas estratégias. Eles estão mergulhando o mundo numa série de guerras na busca de petróleo, hegemonia política e econômica e para garantir a submissão das classes trabalhadoras e massas empobrecidas.
Em nome da luta contra o “terrorismo” o governo dos EUA criaram o conceito indefensável de guerra preventiva. Sob esta bandeira, ontem atacaram o Afeganistão, hoje ocupam o Iraque e amanhã podem alvejar a Síria, o Iram, a Coréia do Norte, a Venezuela, Colômbia, Cuba ou qualquer outra nação vista como oponente aos interesses políticos e econômicos do governo dos EUA.
Destacamos com preocupação a crescente militarização do mundo, que se expressa tanto nas guerras explícitas quanto nas guerras encobertas e na proliferação das bases militares estadunidenses, nos crescentes gastos e operações militares. Também nos opomos a atos de agressão, sejam eles contra o povo de Aceh, Mindanao,da Cachemira ou do Curdistão. Nessa atmosfera de militarismo, aumenta o assédio policial das comunidades marginalizadas, mulheres, migrantes e minorias étnicas. Reivindicamos o desarmamento global. Em particular exigimos a desativação de todas as armas nucleares. Apoiamos a demanda de que o Oriente Médio se torne uma área livre de armas de destruição em massa, especialmente em Israel, estado que detém a maior capacidade destrutiva na região.
Deliberamos seguir construindo o movimento internacional pela paz, que mostrou sua força nos dias 14, 15 e 16 de fevereiro quando milhões marcharam no mundo todo contra a guerra no Iraque.
Nossos princípios incluem a construção de um internacionalismo autêntico desde as bases, em que se estabeleça uma nova comunidade internacional fundada na igualdade e na democracia. Nosso trabalho é internacional,e, ao mesmo tempo, desafiamos nosso governos nacionais quando suas políticas contribuem para a guerra, o militarismo e o neo-liberalismo. Nos opomos à guerra em todas as suas formas, seja ela a guerra aberta declarada entre estados, guerra aos movimentos sociais, guerra econômica contra os povos pobres do mundo ou guerra contra ativistas políticos e opositores da ordem dominante. Visamos manter a mais ampla unidade possível entre nossas diversas organizações, incluindo as organizações da comunidade islâmica, grupos ambientalistas e movimentos que se opõe ao racismo e ao machismo. Nosso trabalho está ligado aos crescentes movimentos sociais e de classe que resistem à globalização neo-liberal, pois a guerra de fuzis e bombas são apenas a expressão mais sangrenta da dominação neo-liberal e imperialista.
Acreditamos que é possível um mundo livre da guerra, da exploração da desigualdade e da pobreza e da repressão. A realidade dessa alternativa é visível entre os crescentes movimentos da juventude, das mulheres, trabalhadores e trabalhadoras, estudantes, desempregadas e desempregados, ativistas pelos direitos humanos e pela paz e das cidadãs e cidadãos que unem seus espíritos, energias e trabalhos na luta pela paz autêntica, baseada na justiça global para todos os povos do mundo.
Convocamos todas as organizações, movimentos sociais e pessoas que compartilham nossa análise e plano de ação a unir-se a nossos esforços orientados para a criação no futuro de uma rede mundial de solidariedade pela paz, em particular durante os encontros em Evian (Cúpula do G8), Cancun (Conferência da OMC), os Fóruns Sociais Regionais e o Fórum Social Mundial 2004 em Mumbai.
Costa Vicentina
Caro(a)s Amigo(a)s: No âmbito do debate que foi promovido no passado sábado ("Que futuro para as Áreas Protegidas"), na Fortaleza de Sagres, numa organização conjunta da Almargem - Associação de Defesa do Património Cultural e Ambiental do Algarve e Liga de Protecção da Natureza (LPN - Algarve), Fortaleza de Sagres, foi lançada uma Petição/Carta Aberta (ver anexo) ao Ministro do Ambiente português em defesa do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV). A Petição é pois um grito de alerta para a situação dramática que aquela área protegida atravessa, mas também para o futuro incerto que ameaça aquela que é uma das mais belas jóias do património natural do Algarve e de Portugal. Marcado por um pesado afastamento das populações locais face ao Parque Natural, que mais não têm dele do que um imagem negativa, o abandono a que o Estado Português praticamente votou o PNSACV ameaça-o agora de morte. Considerado por muitos o mais bela e selvagem costa do continente europeu, cobiçado há muito por vorazes interesses imobiliários, o PNSACV enfrenta agora aquela que pode ser a machadada final. Constantemente ameaçado pelo betão, sobre ele paira a ameaça constante dos inúmeros projectos previstos ou já mesmo em construção. Todos em locais de grande sensibilidade ecológica e paisagística, perante a quase total indiferença do Estado Português e das autoridades regionais. A serem construídos todos os empreendimentos previstos para a área do PNSAC, em conjunto com a área incluída na Rede Natura 2000, a Costa Vicentina seria "inundado-a" com mais de 20 000 novas camas... Mas como se tal não bastasse, fala-se agora da desanexação de todo o troço meridional, entre Burgau e Sagres... em nome do turismo. Se tal acontecer, em causa estará não só a integridade ecológica e paisagística da Costa Vicentina, mas sobretudo a razão de ser da sua existência enquanto Parque Natural. Tal acto, constituirá pois uma verdadeira vergonha nacional, mas também internacional, não só, dado o inestimável valor ecológico desta área, mas também perante os compromissos que o Estado Português conscientemente assumiu quer a nível comunitário, quer a nível internacional, ao propor a sua classificação como Reserva Biogenética, bem como para integrar a futura rede ecológica europeia (Rede Natura 2000). Certo de que este assunto merecerá a sua maior consideração, a ALMARGEM vem por este meio apelar que se junte a nós, expressando veementemente a nossa indignação sob a forma de uma Carta Aberta junto do Estado Português, na pessoa do Ministro do Ambiente de Portugal.
Para o efeito, poderá utilizar a Petição que já se encontra disponível na Internet - online
Alternativamente poderá descarregar (em breve a Carta Aberta) no site da
Almargem.
Junte-se a nós. Obrigado pela sua atenção. O Parque Natural do Sudoeste
Alentejano e Costa Vicentina agradece!
Caro(a)s Amigo(a)s: No âmbito do debate que foi promovido no passado sábado ("Que futuro para as Áreas Protegidas"), na Fortaleza de Sagres, numa organização conjunta da Almargem - Associação de Defesa do Património Cultural e Ambiental do Algarve e Liga de Protecção da Natureza (LPN - Algarve), Fortaleza de Sagres, foi lançada uma Petição/Carta Aberta (ver anexo) ao Ministro do Ambiente português em defesa do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV). A Petição é pois um grito de alerta para a situação dramática que aquela área protegida atravessa, mas também para o futuro incerto que ameaça aquela que é uma das mais belas jóias do património natural do Algarve e de Portugal. Marcado por um pesado afastamento das populações locais face ao Parque Natural, que mais não têm dele do que um imagem negativa, o abandono a que o Estado Português praticamente votou o PNSACV ameaça-o agora de morte. Considerado por muitos o mais bela e selvagem costa do continente europeu, cobiçado há muito por vorazes interesses imobiliários, o PNSACV enfrenta agora aquela que pode ser a machadada final. Constantemente ameaçado pelo betão, sobre ele paira a ameaça constante dos inúmeros projectos previstos ou já mesmo em construção. Todos em locais de grande sensibilidade ecológica e paisagística, perante a quase total indiferença do Estado Português e das autoridades regionais. A serem construídos todos os empreendimentos previstos para a área do PNSAC, em conjunto com a área incluída na Rede Natura 2000, a Costa Vicentina seria "inundado-a" com mais de 20 000 novas camas... Mas como se tal não bastasse, fala-se agora da desanexação de todo o troço meridional, entre Burgau e Sagres... em nome do turismo. Se tal acontecer, em causa estará não só a integridade ecológica e paisagística da Costa Vicentina, mas sobretudo a razão de ser da sua existência enquanto Parque Natural. Tal acto, constituirá pois uma verdadeira vergonha nacional, mas também internacional, não só, dado o inestimável valor ecológico desta área, mas também perante os compromissos que o Estado Português conscientemente assumiu quer a nível comunitário, quer a nível internacional, ao propor a sua classificação como Reserva Biogenética, bem como para integrar a futura rede ecológica europeia (Rede Natura 2000). Certo de que este assunto merecerá a sua maior consideração, a ALMARGEM vem por este meio apelar que se junte a nós, expressando veementemente a nossa indignação sob a forma de uma Carta Aberta junto do Estado Português, na pessoa do Ministro do Ambiente de Portugal.
Para o efeito, poderá utilizar a Petição que já se encontra disponível na Internet - online
Alternativamente poderá descarregar (em breve a Carta Aberta) no site da
Almargem.
Junte-se a nós. Obrigado pela sua atenção. O Parque Natural do Sudoeste
Alentejano e Costa Vicentina agradece!
sábado, agosto 02, 2003
O negócio do armamento e o complexo industrial-militar
por Jorge Cadima (Professor universitário. Intervenção no Forum Social Português a Jun/2003)
"As despesas militares dos EUA são realmente colossais. Vale a pena considerar a dimensão dos recursos envolvidos. O Orçamento militar pedido pelo Governo dos EUA para o ano de 2004 é de 399,1 mil milhões de dólares: 379,9 mil milhões para o orçamento do Ministério da Defesa e 19,3 mil milhões para o programa de armas nucleares do Ministério da Energia. Trata-se duma verba astronómica, que corresponde a mais de mil milhões de dólares por dia em despesas militares, mais de 46 milhões de dólares por hora, mais de 760 mil dólares por minuto.
Compare-se aquilo que os círculos dirigentes dos EUA gastam na sua máquina de guerra e morte, com aquilo que seria preciso para pôr cobro aos grandes flagelos sociais que afectam muitos milhões de seres humanos. No Relatório de Desenvolvimento Humano de 1998, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), inclui-se (p. 37) uma tabela com estimativas do « custo anual adicional para atingir o acesso universal aos serviços sociais básicos em todo os países em vias de desenvolvimento ». Com mais 6 mil milhões de dólares por ano, seria possível garantir educação básica para todos. É a verba que os EUA gastam em menos de 5 dias e meio de despesas militares . Com mais 9 mil milhões de dólares, seria possível garantir água e saneamento básico para todo o planeta. É quanto os EUA gastam em 8 dias e meio de despesas bélicas. Com mais 13 mil milhões de dólares, seria possível garantir saúde básica e nutrição em todos os países em vias de desenvolvimento. A máquina militar dos EUA consome isso em menos de 12 dias .
Trata-se, como é evidente, de um problema de opções políticas. Em 1998, as despesas militares mundiais foram de 780 mil milhões de dólares. A superpotência capitalista dos nossos dias é responsável por cerca de metade dessa verba. As suas despesas militares são, pois, equivalentes às do resto do planeta.
Esta colossal máquina de morte e destruição alimenta-se do famoso “dinheiro do contribuinte”. São essencialmente os orçamentos públicos que financiam as despesas militares (em material, pessoal ou serviços). Mas os lucros resultantes beneficiam (em particular nos EUA, mas cada vez mais nos restantes países também) empresas do sector privado. A alegada alergia do sector privado pelo Estado é, neste como noutros campos, uma ficção: a alergia diz apenas respeito às funções sociais do Estado, e não ao seu papel como fonte de lucros e de poder para o capital privado."
"Por detrás das muitas acusações de “subsídio-dependência” e “desperdício do erário público” que nos habituámos a ouvir, quando se trata de subsidiar empresas socialmente úteis em situação económica difícil, ou as funções sociais do Estado (Ensino, Saúde, Segurança Social), há uma “pacífica” convivência com a subsídio-dependência desta indústria da morte e destruição que desperdiça somas colossais dos dinheiros públicos."
"Longe de “não gostar do Estado”, o capital (e, em particular, o complexo militar-industrial) gosta tanto dele que o utiliza sistematicamente para criar artificalmente os mercados, pagar as despesas, subsidiar e assegurar a continuação dos seus lucros. O Estado, nas condições do capitalismo actual, é uma placa giratória aonde entram e saem os directores das grandes empresas, para promover e alimentar os seus negócios. O actual Governo dos EUA é o Estado-Maior da indústria petrolífera e militar, o Estado-Maior do complexo militar-industrial, que traça e define a política dessa superpotência em função dos interesses económicos da casta que representa."
"É por isso que há que combater a ideia defendida por alguns, por vezes de forma bem intencionada, de que seria necessário fomentar a militarização da União Europeia a fim de “fazer frente” aos EUA. Esta militarização, que está em marcha, e a criação de um Exército Europeu (para financiar o qual alguns até propõem a criação de impostos especiais) seria altamente prejudicial. Não apenas porque faria aumentar os perigos de guerras, quer contra povos do Terceiro Mundo, quer mesmo entre potências capitalistas. Não apenas porque as despesas colossais de uma tal militarização seriam seguramente pagas com dinheiros retirados à educação, à saúde, à segurança social. Mas também porque a militarização da UE alteraria profundamente a correlação de forças no seio das sociedades europeias, fortalecendo os sectores mais reaccionários, mais belicistas, mais ligados ao imperialismo. Os EUA são hoje uma potência militarista e agressiva, não porque os americanos sejam “intrinsicamente maus”, tal como os europeus não são “intrinsicamente bons” (como mostra a nossa História). A política actual dos EUA é o fruto do enorme poder e influência que o complexo militar-industrial detém naquela sociedade. O fortalecimento de um complexo militar-industrial europeu teria por efeito, independentemente das intenções dos seus defensores, o reforço das características imperialistas da União Europeia.
O caminho tem de ser outro: o da luta por uma política diferente, uma política de paz e cooperação entre os povos. Que exige um outro Mundo, possível e necessário."
Artigo completo aqui
por Jorge Cadima (Professor universitário. Intervenção no Forum Social Português a Jun/2003)
"As despesas militares dos EUA são realmente colossais. Vale a pena considerar a dimensão dos recursos envolvidos. O Orçamento militar pedido pelo Governo dos EUA para o ano de 2004 é de 399,1 mil milhões de dólares: 379,9 mil milhões para o orçamento do Ministério da Defesa e 19,3 mil milhões para o programa de armas nucleares do Ministério da Energia. Trata-se duma verba astronómica, que corresponde a mais de mil milhões de dólares por dia em despesas militares, mais de 46 milhões de dólares por hora, mais de 760 mil dólares por minuto.
Compare-se aquilo que os círculos dirigentes dos EUA gastam na sua máquina de guerra e morte, com aquilo que seria preciso para pôr cobro aos grandes flagelos sociais que afectam muitos milhões de seres humanos. No Relatório de Desenvolvimento Humano de 1998, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), inclui-se (p. 37) uma tabela com estimativas do « custo anual adicional para atingir o acesso universal aos serviços sociais básicos em todo os países em vias de desenvolvimento ». Com mais 6 mil milhões de dólares por ano, seria possível garantir educação básica para todos. É a verba que os EUA gastam em menos de 5 dias e meio de despesas militares . Com mais 9 mil milhões de dólares, seria possível garantir água e saneamento básico para todo o planeta. É quanto os EUA gastam em 8 dias e meio de despesas bélicas. Com mais 13 mil milhões de dólares, seria possível garantir saúde básica e nutrição em todos os países em vias de desenvolvimento. A máquina militar dos EUA consome isso em menos de 12 dias .
Trata-se, como é evidente, de um problema de opções políticas. Em 1998, as despesas militares mundiais foram de 780 mil milhões de dólares. A superpotência capitalista dos nossos dias é responsável por cerca de metade dessa verba. As suas despesas militares são, pois, equivalentes às do resto do planeta.
Esta colossal máquina de morte e destruição alimenta-se do famoso “dinheiro do contribuinte”. São essencialmente os orçamentos públicos que financiam as despesas militares (em material, pessoal ou serviços). Mas os lucros resultantes beneficiam (em particular nos EUA, mas cada vez mais nos restantes países também) empresas do sector privado. A alegada alergia do sector privado pelo Estado é, neste como noutros campos, uma ficção: a alergia diz apenas respeito às funções sociais do Estado, e não ao seu papel como fonte de lucros e de poder para o capital privado."
"Por detrás das muitas acusações de “subsídio-dependência” e “desperdício do erário público” que nos habituámos a ouvir, quando se trata de subsidiar empresas socialmente úteis em situação económica difícil, ou as funções sociais do Estado (Ensino, Saúde, Segurança Social), há uma “pacífica” convivência com a subsídio-dependência desta indústria da morte e destruição que desperdiça somas colossais dos dinheiros públicos."
"Longe de “não gostar do Estado”, o capital (e, em particular, o complexo militar-industrial) gosta tanto dele que o utiliza sistematicamente para criar artificalmente os mercados, pagar as despesas, subsidiar e assegurar a continuação dos seus lucros. O Estado, nas condições do capitalismo actual, é uma placa giratória aonde entram e saem os directores das grandes empresas, para promover e alimentar os seus negócios. O actual Governo dos EUA é o Estado-Maior da indústria petrolífera e militar, o Estado-Maior do complexo militar-industrial, que traça e define a política dessa superpotência em função dos interesses económicos da casta que representa."
"É por isso que há que combater a ideia defendida por alguns, por vezes de forma bem intencionada, de que seria necessário fomentar a militarização da União Europeia a fim de “fazer frente” aos EUA. Esta militarização, que está em marcha, e a criação de um Exército Europeu (para financiar o qual alguns até propõem a criação de impostos especiais) seria altamente prejudicial. Não apenas porque faria aumentar os perigos de guerras, quer contra povos do Terceiro Mundo, quer mesmo entre potências capitalistas. Não apenas porque as despesas colossais de uma tal militarização seriam seguramente pagas com dinheiros retirados à educação, à saúde, à segurança social. Mas também porque a militarização da UE alteraria profundamente a correlação de forças no seio das sociedades europeias, fortalecendo os sectores mais reaccionários, mais belicistas, mais ligados ao imperialismo. Os EUA são hoje uma potência militarista e agressiva, não porque os americanos sejam “intrinsicamente maus”, tal como os europeus não são “intrinsicamente bons” (como mostra a nossa História). A política actual dos EUA é o fruto do enorme poder e influência que o complexo militar-industrial detém naquela sociedade. O fortalecimento de um complexo militar-industrial europeu teria por efeito, independentemente das intenções dos seus defensores, o reforço das características imperialistas da União Europeia.
O caminho tem de ser outro: o da luta por uma política diferente, uma política de paz e cooperação entre os povos. Que exige um outro Mundo, possível e necessário."
Artigo completo aqui
A Igreja. o casamento e os Homossexuais
João Paulo (Editor PortugalGay.PT Agosto 2003)
Recentemente foi divulgado pelos jornais e televisões um documento produzido pelo Vaticano, em relação ao reconhecimento legal das uniões entre pessoas do mesmo sexo. Tendo em conta os dias que vivemos o documento não é mais que um assumir por parte da Igreja Católica Romana (que passamos a referir como "Igreja" neste comunicado) do seu completo autismo em relação ao mundo actual em geral e à realidade Portuguesa em particular. Tudo isto é mais revoltante quando a Igreja usa como alvo directo das suas críticas um grupo inerentemente minoritário em qualquer sociedade preferindo ignorar outras questões que poderiam ser aplicadas à maioria da população.
Logo no inicio lê-se: "...lei moral natural". Para a maioria das pessoas "moral" é um conceito diferente da "moral" da Igreja Católica. Enquanto a Igreja vê a moral como um conjunto de regras baseadas no Evangelho de Jesus Cristo[1] segundo a sua própria interpretação do mesmo, já o resto da sociedade vê o que é "bom ou mau" de forma completamente distinta. Veja-se o exemplo dos filhos fora do casamento, algo completamente "mau" de acordo com a moral da Igreja (e reafirmado no documento em causa) e a realidade nacional em que 1 em cada 4 crianças nascem fora de um casamento formal[2] sendo tal facto aceite como perfeitamente natural.
Da mesma forma esta realidade do dia a dia esbarra com o conceito de "promoção e defesa do bem comum da sociedade" que a Igreja tão defende. Estas crianças estão na nossa sociedade e não veio mal ao mundo por isso.
Por outro lado a confusão efectuada entre matrimónio, casamento civil e união de facto, é lamentável vindo de pessoas que se depreende formadas pelo menos academicamente e só se pode ter sido feita de forma consciente.
Assim e para evitar "modernismos" fui ao dicionário mais antigo que encontrei (de 1976) e vi os significados:
-Matrimónio: união legítima entre homem e mulher; Casamento; Laço; Núpcias.
-Casamento: união legítima entre homem e mulher; Laço; Matrimónio; Consórcio; Núpcias.
-Consórcio: Associação; União; Combinação; Sociedade; Matrimónio; Laço.
-Civil: que se refere às relações dos cidadãos entre si; que não tem caracter militar ou eclesiástico.
-Eclesiástico: que tem a ver com a Igreja.
A Igreja tem todo o direito de defender e definir regras para o matrimónio religioso, mas não para o casamento civil que é algo que, por definição, não está relacionado com a Igreja. O que é pretendido pelos homossexuais e lésbicas é o reconhecimento pela lei civil da sua união em igualdade de circunstâncias com os casais heterossexuais que tem um casamento reconhecido pelo Estado. O matrimónio religioso não é chamado nesta equação.
O Vaticano que tanto lutou por ter uma referência explícita na nova Constituição Europeia neste repudia claramente as decisões do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem [3][4][5][6] e da própria Comissão Europeia [7] onde são reconhecidos a casais do mesmo sexo direitos que a Igreja pretende ver barrados através deste documento (direito a reconhecimento legal da união entre duas pessoas do mesmo sexo, reconhecimento do direito a qualquer pessoa independentemente da sua orientação sexual ter tutela de um menor).
A determinada altura o texto usa diversas referencias á Bíblia (aliás as únicas referências em todo o documento que não são documentos da própria Santa Sé) como "justificações" para a posição da Igreja em relação à homossexualidade:
Mt 19, 3-12 - o Matrimonio é indissolúvel - o divórcio não existe (excepto em caso de adultério por parte da mulher); o valor da castidade (dos eunucos e dos religiosos).
Mc 10, 6-9 - "mas ao principio Deus fê-los homem e mulher. Por causa disso deixará o homem seu pai e sua mãe e passarão os dois a ser uma só carne,[...] Aquilo que deus uniu não separe o homem."
Rom 1, 24-27 - não à idolatria (23), incluindo figuras humanas; recriminação do "uso não natural" do homem e da mulher.
1 Cor 6, 10 - (9) os "injustos não possuirão o reino de Deus", nem os "imorais" "idólatras", "adúlteros", (10) "efeminados", "sodomitas", "ladrões", "avarentos", "maldizentes", "embriagados", "salteadores".
1 Tim 1, 10 - as leis foram feitas não para os justos mas sim para os (8) "maus", "rebeldes", "ímpios", "pecadores", "irreligiosos", "profanadores", "ultrajam pai e mãe", "homicidas", (10) "impúdicos", "infames", "traficantes de homens", "mentirosos", "perjuros", "todos os que se opõem à sã doutrina"
Apresentados os argumentos do Vaticano através da Bíblia, questiono:
Quais as medidas que a Igreja pretende tomar para tornar ilegais os divórcios?
Quais as medidas que a Igreja pretende tomar para evitar o reconhecimento legal dos direitos das mulheres?
Quais as medidas que a Igreja pretende tomar para tornar ilegal a idolatria de imagens humanas?
Quais as medidas que a Igreja pretende tomar em relação aos filhos fora de casamentos já referidos (para todos os efeitos filhos de um adultério)?
Quais as medidas que a Igreja pretende tomar de forma a punir todos aqueles e aquelas que tem sexo sem fins reprodutivos?
Quais as medidas que a Igreja pretende tomar de forma a punir de forma eficaz todos os "injustos não possuirão o reino de Deus", "imorais" "idólatras", "adúlteros", "efeminados", "sodomitas", "ladrões", "avarentos", "maldizentes", "embriagados", "salteadores", "maus", "rebeldes", "ímpios", "pecadores", "irreligiosos", "profanadores", "ultrajam pai e mãe", "homicidas", "impúdicos", "infames", "traficantes de homens", "mentirosos", "perjuros" e não esquecer "todos os que se opõem à sã doutrina?"
Porque é que o Vaticano tem tanto medo das leis de União de Facto ou Casamento Civil existentes (casamento civil no Canadá, Suécia, Holanda e Bélgica; união de facto em Portugal, Croácia, Dinamarca, Espanha, França, Israel, Noruega, Reino Unido, e alguns estados dos E.U.A.)? Porque promove o ódio a pessoas que, por natureza, tem uma orientação sexual diferente da maioria da população? Porque não toma medidas igualmente enérgicas contra todas as outras classes de "maus" e "rebeldes" (incluindo dentro das suas próprias entidades)?
Não posso deixar de fazer um reparo à hilariante referência à nota da Congregação para a Doutrina da Fé de 24 de Julho de 1992 onde se diz:
Deve, além disso, ter-se presente que existe sempre "o perigo de uma legislação, que faça da homossexualidade uma base para garantir direitos, poder vir de facto a encorajar uma pessoa com tendências homossexuais a declarar a sua homossexualidade ou mesmo a procurar um parceiro para tirar proveito das disposições da lei"
Mas o que é que está neste parágrafo que não se aplique aos casais heterossexuais? O que dizer dos milhares de casamentos religiosos na nossa história com a Benção Papal que mais não foram que acordos entre nações?
As alarvidades apresentadas no documento são por si só escandalosas, uma vez que estamos no século XXI, altura em que já não se devia ler ou ouvir este tipo de coisas, mas também pelo apelo ao "voto" de uma instituição desactualizada, desumanizada, e - no contexto destes comunicados - anti-social no apelo velado que faz à violência contra os meus iguais, muitos deles fieis desta mesma Igreja que os espezinha.
Que consciência tem a Igreja para apontar o dedo e definir regras de moral à sociedade? Estamos a falar da Igreja da inquisição quando milhares de pessoas foram sumariamente executadas "em nome de Deus", a mesma que rejeita a distribuição de preservativos como forma de minimizar a transmissão do VIH/SIDA, a mesma que perante o abuso sexual de crianças anos a fio deixa os abusadores protegidos pela lei dita de Deus, escondendo-os de forma continuada da lei dos homens[8]...
Não lhes reconheço qualquer autoridade nesse sentido, enquanto os "profissionais" da Igreja não se sentarem no banco do tribunal e respondam pelas inúmeras vidas que traumatizaram e destruíram...
A lei das Uniões de Facto em Portugal não esta ainda sequer regulamentada, mas deve contemplar casais do mesmo sexo com os mesmos direitos que confere aos casais heterossexuais, são homens e mulheres que partilham amor, afecto, respeito e também sexo como uma consequência fisiológica inerente a duas pessoas que se amam.
Não deturpem a realidade encobrindo as vossas fraquezas, e eu acredito que há justiça neste mundo e o que pretendo é nem menos nem mais, apenas direitos iguais.
Referências:
[1] Glossário no Site da Diocese do Funchal
http://www.diocesedofunchal.org
ÉTICA/ MORAL - O sentido mais corrente identifica moral e ética, embora uma acepção mais estrita dos dois termos tenha tendência a prevalecer. Assim a ética diz respeito aos princípios genéricos e filosóficos do comportamento humano enquanto que a moral, sem abdicar desses princípios, os aplica concretamente na diversidade das situações vividas pelos homens. [...] Para o cristão, a vivência da fé supõe princípios éticos e morais decorrentes do ser pessoa em sociedade. Estes princípios são assumidos e vividos concretamente a partir do Evangelho de Jesus Cristo.
[2] Jornal Público, 31 Julho 2003
4% dos Portugueses vivem em união de facto
7% dos "comprometidos" vivem em união de facto
24% dos bébes nascem fora de um casamento formal
[3] "Karner v. Austria" - Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, 24 Julho 2003 - sobre o direito a protecção de casa comum
[4] "Salgueiro da Silva Mouta v. Portugal" - Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, 21 Dezembro 1999 - sobre o direito a tutela de menores
[5] "A. D. T. v. the United Kingdom" - Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, 31 Julho 2000 - sobre sexo consentido entre adultos
[6] "S.L. v. Austria" - Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, 9 Janeiro 2003 - sobre igualdade de idade de sexo consentido
[7] Recomendação 1470 (2000) da Assembleia do Conselho da Europa - sobre o direito de reunião familiar no espaço europeu
[8] Jornal Público, 24 Julho 2003
Quase 800 pessoas dizem ter sido abusadas na diocese de Boston
João Paulo (Editor PortugalGay.PT Agosto 2003)
Recentemente foi divulgado pelos jornais e televisões um documento produzido pelo Vaticano, em relação ao reconhecimento legal das uniões entre pessoas do mesmo sexo. Tendo em conta os dias que vivemos o documento não é mais que um assumir por parte da Igreja Católica Romana (que passamos a referir como "Igreja" neste comunicado) do seu completo autismo em relação ao mundo actual em geral e à realidade Portuguesa em particular. Tudo isto é mais revoltante quando a Igreja usa como alvo directo das suas críticas um grupo inerentemente minoritário em qualquer sociedade preferindo ignorar outras questões que poderiam ser aplicadas à maioria da população.
Logo no inicio lê-se: "...lei moral natural". Para a maioria das pessoas "moral" é um conceito diferente da "moral" da Igreja Católica. Enquanto a Igreja vê a moral como um conjunto de regras baseadas no Evangelho de Jesus Cristo[1] segundo a sua própria interpretação do mesmo, já o resto da sociedade vê o que é "bom ou mau" de forma completamente distinta. Veja-se o exemplo dos filhos fora do casamento, algo completamente "mau" de acordo com a moral da Igreja (e reafirmado no documento em causa) e a realidade nacional em que 1 em cada 4 crianças nascem fora de um casamento formal[2] sendo tal facto aceite como perfeitamente natural.
Da mesma forma esta realidade do dia a dia esbarra com o conceito de "promoção e defesa do bem comum da sociedade" que a Igreja tão defende. Estas crianças estão na nossa sociedade e não veio mal ao mundo por isso.
Por outro lado a confusão efectuada entre matrimónio, casamento civil e união de facto, é lamentável vindo de pessoas que se depreende formadas pelo menos academicamente e só se pode ter sido feita de forma consciente.
Assim e para evitar "modernismos" fui ao dicionário mais antigo que encontrei (de 1976) e vi os significados:
-Matrimónio: união legítima entre homem e mulher; Casamento; Laço; Núpcias.
-Casamento: união legítima entre homem e mulher; Laço; Matrimónio; Consórcio; Núpcias.
-Consórcio: Associação; União; Combinação; Sociedade; Matrimónio; Laço.
-Civil: que se refere às relações dos cidadãos entre si; que não tem caracter militar ou eclesiástico.
-Eclesiástico: que tem a ver com a Igreja.
A Igreja tem todo o direito de defender e definir regras para o matrimónio religioso, mas não para o casamento civil que é algo que, por definição, não está relacionado com a Igreja. O que é pretendido pelos homossexuais e lésbicas é o reconhecimento pela lei civil da sua união em igualdade de circunstâncias com os casais heterossexuais que tem um casamento reconhecido pelo Estado. O matrimónio religioso não é chamado nesta equação.
O Vaticano que tanto lutou por ter uma referência explícita na nova Constituição Europeia neste repudia claramente as decisões do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem [3][4][5][6] e da própria Comissão Europeia [7] onde são reconhecidos a casais do mesmo sexo direitos que a Igreja pretende ver barrados através deste documento (direito a reconhecimento legal da união entre duas pessoas do mesmo sexo, reconhecimento do direito a qualquer pessoa independentemente da sua orientação sexual ter tutela de um menor).
A determinada altura o texto usa diversas referencias á Bíblia (aliás as únicas referências em todo o documento que não são documentos da própria Santa Sé) como "justificações" para a posição da Igreja em relação à homossexualidade:
Mt 19, 3-12 - o Matrimonio é indissolúvel - o divórcio não existe (excepto em caso de adultério por parte da mulher); o valor da castidade (dos eunucos e dos religiosos).
Mc 10, 6-9 - "mas ao principio Deus fê-los homem e mulher. Por causa disso deixará o homem seu pai e sua mãe e passarão os dois a ser uma só carne,[...] Aquilo que deus uniu não separe o homem."
Rom 1, 24-27 - não à idolatria (23), incluindo figuras humanas; recriminação do "uso não natural" do homem e da mulher.
1 Cor 6, 10 - (9) os "injustos não possuirão o reino de Deus", nem os "imorais" "idólatras", "adúlteros", (10) "efeminados", "sodomitas", "ladrões", "avarentos", "maldizentes", "embriagados", "salteadores".
1 Tim 1, 10 - as leis foram feitas não para os justos mas sim para os (8) "maus", "rebeldes", "ímpios", "pecadores", "irreligiosos", "profanadores", "ultrajam pai e mãe", "homicidas", (10) "impúdicos", "infames", "traficantes de homens", "mentirosos", "perjuros", "todos os que se opõem à sã doutrina"
Apresentados os argumentos do Vaticano através da Bíblia, questiono:
Quais as medidas que a Igreja pretende tomar para tornar ilegais os divórcios?
Quais as medidas que a Igreja pretende tomar para evitar o reconhecimento legal dos direitos das mulheres?
Quais as medidas que a Igreja pretende tomar para tornar ilegal a idolatria de imagens humanas?
Quais as medidas que a Igreja pretende tomar em relação aos filhos fora de casamentos já referidos (para todos os efeitos filhos de um adultério)?
Quais as medidas que a Igreja pretende tomar de forma a punir todos aqueles e aquelas que tem sexo sem fins reprodutivos?
Quais as medidas que a Igreja pretende tomar de forma a punir de forma eficaz todos os "injustos não possuirão o reino de Deus", "imorais" "idólatras", "adúlteros", "efeminados", "sodomitas", "ladrões", "avarentos", "maldizentes", "embriagados", "salteadores", "maus", "rebeldes", "ímpios", "pecadores", "irreligiosos", "profanadores", "ultrajam pai e mãe", "homicidas", "impúdicos", "infames", "traficantes de homens", "mentirosos", "perjuros" e não esquecer "todos os que se opõem à sã doutrina?"
Porque é que o Vaticano tem tanto medo das leis de União de Facto ou Casamento Civil existentes (casamento civil no Canadá, Suécia, Holanda e Bélgica; união de facto em Portugal, Croácia, Dinamarca, Espanha, França, Israel, Noruega, Reino Unido, e alguns estados dos E.U.A.)? Porque promove o ódio a pessoas que, por natureza, tem uma orientação sexual diferente da maioria da população? Porque não toma medidas igualmente enérgicas contra todas as outras classes de "maus" e "rebeldes" (incluindo dentro das suas próprias entidades)?
Não posso deixar de fazer um reparo à hilariante referência à nota da Congregação para a Doutrina da Fé de 24 de Julho de 1992 onde se diz:
Deve, além disso, ter-se presente que existe sempre "o perigo de uma legislação, que faça da homossexualidade uma base para garantir direitos, poder vir de facto a encorajar uma pessoa com tendências homossexuais a declarar a sua homossexualidade ou mesmo a procurar um parceiro para tirar proveito das disposições da lei"
Mas o que é que está neste parágrafo que não se aplique aos casais heterossexuais? O que dizer dos milhares de casamentos religiosos na nossa história com a Benção Papal que mais não foram que acordos entre nações?
As alarvidades apresentadas no documento são por si só escandalosas, uma vez que estamos no século XXI, altura em que já não se devia ler ou ouvir este tipo de coisas, mas também pelo apelo ao "voto" de uma instituição desactualizada, desumanizada, e - no contexto destes comunicados - anti-social no apelo velado que faz à violência contra os meus iguais, muitos deles fieis desta mesma Igreja que os espezinha.
Que consciência tem a Igreja para apontar o dedo e definir regras de moral à sociedade? Estamos a falar da Igreja da inquisição quando milhares de pessoas foram sumariamente executadas "em nome de Deus", a mesma que rejeita a distribuição de preservativos como forma de minimizar a transmissão do VIH/SIDA, a mesma que perante o abuso sexual de crianças anos a fio deixa os abusadores protegidos pela lei dita de Deus, escondendo-os de forma continuada da lei dos homens[8]...
Não lhes reconheço qualquer autoridade nesse sentido, enquanto os "profissionais" da Igreja não se sentarem no banco do tribunal e respondam pelas inúmeras vidas que traumatizaram e destruíram...
A lei das Uniões de Facto em Portugal não esta ainda sequer regulamentada, mas deve contemplar casais do mesmo sexo com os mesmos direitos que confere aos casais heterossexuais, são homens e mulheres que partilham amor, afecto, respeito e também sexo como uma consequência fisiológica inerente a duas pessoas que se amam.
Não deturpem a realidade encobrindo as vossas fraquezas, e eu acredito que há justiça neste mundo e o que pretendo é nem menos nem mais, apenas direitos iguais.
Referências:
[1] Glossário no Site da Diocese do Funchal
http://www.diocesedofunchal.org
ÉTICA/ MORAL - O sentido mais corrente identifica moral e ética, embora uma acepção mais estrita dos dois termos tenha tendência a prevalecer. Assim a ética diz respeito aos princípios genéricos e filosóficos do comportamento humano enquanto que a moral, sem abdicar desses princípios, os aplica concretamente na diversidade das situações vividas pelos homens. [...] Para o cristão, a vivência da fé supõe princípios éticos e morais decorrentes do ser pessoa em sociedade. Estes princípios são assumidos e vividos concretamente a partir do Evangelho de Jesus Cristo.
[2] Jornal Público, 31 Julho 2003
4% dos Portugueses vivem em união de facto
7% dos "comprometidos" vivem em união de facto
24% dos bébes nascem fora de um casamento formal
[3] "Karner v. Austria" - Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, 24 Julho 2003 - sobre o direito a protecção de casa comum
[4] "Salgueiro da Silva Mouta v. Portugal" - Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, 21 Dezembro 1999 - sobre o direito a tutela de menores
[5] "A. D. T. v. the United Kingdom" - Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, 31 Julho 2000 - sobre sexo consentido entre adultos
[6] "S.L. v. Austria" - Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, 9 Janeiro 2003 - sobre igualdade de idade de sexo consentido
[7] Recomendação 1470 (2000) da Assembleia do Conselho da Europa - sobre o direito de reunião familiar no espaço europeu
[8] Jornal Público, 24 Julho 2003
Quase 800 pessoas dizem ter sido abusadas na diocese de Boston
sexta-feira, agosto 01, 2003
Dia mais quente em Évora: 45º
Mesmo sabendo o porquê da coisa (ver post mais abaixo), com o deserto Sahara (desculpem lá mas gosto mais do que o insípido "Sara") deslocado para as nossas latitudes só nos resta convertermo-nos ao Islão; qualquer coisa, menos os 45º à sombra!!!! é nestas alturas que me arrependo de alugar uma casa com telhado de zinco...... e para completar, ontem à noite tive o previlégio de quase tropeçar num enorme escorpião... Mas ânimo, porque a coisa vai melhorar nos próximos dias; amanhã até vai haver nuvens, mas a temperatura continua nos píncaros:
Máx para amanhã: 42º
Máx para Domingo 37º
Máx prevista para Segunda: 36º
PP
Mesmo sabendo o porquê da coisa (ver post mais abaixo), com o deserto Sahara (desculpem lá mas gosto mais do que o insípido "Sara") deslocado para as nossas latitudes só nos resta convertermo-nos ao Islão; qualquer coisa, menos os 45º à sombra!!!! é nestas alturas que me arrependo de alugar uma casa com telhado de zinco...... e para completar, ontem à noite tive o previlégio de quase tropeçar num enorme escorpião... Mas ânimo, porque a coisa vai melhorar nos próximos dias; amanhã até vai haver nuvens, mas a temperatura continua nos píncaros:
Máx para amanhã: 42º
Máx para Domingo 37º
Máx prevista para Segunda: 36º
PP
CNA: Assembleia Preparatória do Fórum Social Europeu
A CNA participou na última reunião do Grupo de Trabalho Programa e na Assembleia Preparatória do Fórum Social Europeu, que tiveram lugar nos passados dias 17, 18, 19 e 20 de Julho, em Génova.
Para as organizações interessadas, aqui vai uma nota com as principais decisões da Assembleia.
De Portugal, e referenciadas, estiveram presentes a CNA, a ARP, o SOS Racismo, a ATTAC. Ao nível de representações partidárias participaram o PCP e o Bloco de Esquerda.
Grupo de Trabalho Programa:
O Programa das sessões plenárias está fechado.
Haverá 55 sessões plenárias divididas do seguinte modo:
* Plenários (conferências principais) - 30 - divididos por cinco eixos temáticos;
* Estratégias (sobre lutas a travar) - 6;
* Janelas sobre mundo (sobre situações fora da Europa) - 10;
* Diálogos / controvérsias - 2 (debates entre partidos e movimentos);
* Primeiros planos (sobre temas muito espcíficos) - 7
Desta vez, estavam em discussão os critérios de escolha dos Oradores das Conferências e as respectivas "quotas" para cada um dos países.
Ficou em primeiro lugar decidido que, à semelhança do esquema adoptado em Florença, o país organizador (França) teria direito a um orador por Conferência (55 no total).
Na proposta de "quotas nacionais" apresentada pelo Comité organizador, Portugal teria somente 4 oradores no próximo Fórum!
A CNA discordou firmemente desta proposta, posição em que foi acompanhada por um representante de uma outra Organização Portuguesa presente na reunião.
Depois de muita discussão, ficou proposto que Portugal pudesse ter 5 oradores e um moderador.
Ainda assim, a distribuição de oradores, por países, está muito desequilibrada. Por exemplo: enquanto Portugal tem 5 oradores, a Grécia tem 11, a Alemanha 22 e a Itália também 22.
Esta é, na opinião da CNA, uma proposta ainda insatisfatória. É, ainda por cima, uma proposta que pode vir a ser alterada (embora dificilmente), pelo que importa estar atento ao desenvolvimento da discussão.
Critérios aprovados de escolha dos oradores:
* Objectivos de composição dum painel:
1. Representatividade geográfica europeia. O maior número de países europeus deve estar representado. O número de oradores será decidido em função da representatividade demográfica do seu país e da
sua implicação no processo do Fórum Social Europeu; esta realidade poderá ser ponderada em função doutros elementos que importe discutir.
2. Os seguintes critérios deverão ser respeitados de forma a garantir alguns equilíbrios:
- Paridade homem/mulher;
- Equilíbrio entre os diferentes actores sociais (sindicatos, ONG, associações, colectivos, redes...);
- Equilíbrio entre os "experts" e os actores sociais;
- Equilíbrio de sensibilidades políticas;
- Renovação de oradores (relativamente a Florença);
- Integração de oradores de fora da Europa.
* Formato dos painéis:
- 5 oradores;
- 2 moderadores (um francês e um europeu; representação paritária);
- Duração: 3h (1h30m para os oradores e 1h30m de debate);
- Duração da intervenção de cada orador: 10 m;
- Cada Conferência terá ainda um coordenador (francês);
Foi formado um grupo de trabalho europeu, restrito e nominal, que recenciará as propostas de nomes apresentadas pelos diferentes países e trabalhará uma proposta de oradores a apresentar à próxima Assembleia
Preparatória.
Esta comissão reunirá no dia 18 de Setembro (antes da Assembleia de preparação do FSE).
A CNA está neste grupo de trabalho e participará na próxima reunião.
As propostas de nomes de cada país devem ser entregues até dia 15 de Setembro.
A próxima Assembleia Preparatória decidirá dos oradores.
Dados Logísticos e datas importantes:
1. Para as Conferências e os Seminários há cerca de 35.000 lugares disponíveis, distribuídos pelos quatros espaços geográficos do Fórum. Para todos há tradução simultânea assegurada.
2. Acolhimento de salas:
- St. Denis: 11.000;
- Bobigny: 8.000;
- La Villete: 7.000;
- Ivry: 7.000.
3. Os Seminários a realizar têm que ser indicados até dia 15 de Setembro. Só serão registados seminários depois de pagos (200 euros cada).
4. Workshops: salas disponíveis com 20 a 200 lugares. A tradução é da responsabilidades das organizações que os propõem.
5. Os Stands são todos iguais (3x2m). Poderá haver um stand por organização. O pedido tem que ser feito até dia 25 de Setembro (atenção: tendo em conta a alteração da data da próxima Assembleia este
prazo pode ser antecipado).
Próxima Assembleia de Preparação do Fórum Social Europeu:
18, 19, 20 e 21 de Setembro em Bonigny (Paris, França).
Dias 18 e 19 reunem os diferentes Grupos de Trabalho (dia 18 é a já referida reunião do Grupo de Trabalho restrito para preparar a proposta de oradores). Dias 20 e 21 realiza-se a Assembleia Plenária preparatória.
Em Paris, no decorrer do Fórum Social Europeu, terão paralelamente lugar duas iniciativas: o Fórum Social das Autoridades Locais (Saint Denis, 11 a 13 de Novembro) e o Fórum dos Movimentos Sindicais (data e local
exacto a designar).
Em relação ao encerramento do Fórum ficou decidida a realização de duas acções de massas: uma no Sábado e outra no Domingo.
A primeira será uma manifestação sobre as questões sociais e a segunda uma marcha cultural sobre o tema "Le Monde n'est pas une merchandise".
P´la CNA
Vanda Santos
A CNA participou na última reunião do Grupo de Trabalho Programa e na Assembleia Preparatória do Fórum Social Europeu, que tiveram lugar nos passados dias 17, 18, 19 e 20 de Julho, em Génova.
Para as organizações interessadas, aqui vai uma nota com as principais decisões da Assembleia.
De Portugal, e referenciadas, estiveram presentes a CNA, a ARP, o SOS Racismo, a ATTAC. Ao nível de representações partidárias participaram o PCP e o Bloco de Esquerda.
Grupo de Trabalho Programa:
O Programa das sessões plenárias está fechado.
Haverá 55 sessões plenárias divididas do seguinte modo:
* Plenários (conferências principais) - 30 - divididos por cinco eixos temáticos;
* Estratégias (sobre lutas a travar) - 6;
* Janelas sobre mundo (sobre situações fora da Europa) - 10;
* Diálogos / controvérsias - 2 (debates entre partidos e movimentos);
* Primeiros planos (sobre temas muito espcíficos) - 7
Desta vez, estavam em discussão os critérios de escolha dos Oradores das Conferências e as respectivas "quotas" para cada um dos países.
Ficou em primeiro lugar decidido que, à semelhança do esquema adoptado em Florença, o país organizador (França) teria direito a um orador por Conferência (55 no total).
Na proposta de "quotas nacionais" apresentada pelo Comité organizador, Portugal teria somente 4 oradores no próximo Fórum!
A CNA discordou firmemente desta proposta, posição em que foi acompanhada por um representante de uma outra Organização Portuguesa presente na reunião.
Depois de muita discussão, ficou proposto que Portugal pudesse ter 5 oradores e um moderador.
Ainda assim, a distribuição de oradores, por países, está muito desequilibrada. Por exemplo: enquanto Portugal tem 5 oradores, a Grécia tem 11, a Alemanha 22 e a Itália também 22.
Esta é, na opinião da CNA, uma proposta ainda insatisfatória. É, ainda por cima, uma proposta que pode vir a ser alterada (embora dificilmente), pelo que importa estar atento ao desenvolvimento da discussão.
Critérios aprovados de escolha dos oradores:
* Objectivos de composição dum painel:
1. Representatividade geográfica europeia. O maior número de países europeus deve estar representado. O número de oradores será decidido em função da representatividade demográfica do seu país e da
sua implicação no processo do Fórum Social Europeu; esta realidade poderá ser ponderada em função doutros elementos que importe discutir.
2. Os seguintes critérios deverão ser respeitados de forma a garantir alguns equilíbrios:
- Paridade homem/mulher;
- Equilíbrio entre os diferentes actores sociais (sindicatos, ONG, associações, colectivos, redes...);
- Equilíbrio entre os "experts" e os actores sociais;
- Equilíbrio de sensibilidades políticas;
- Renovação de oradores (relativamente a Florença);
- Integração de oradores de fora da Europa.
* Formato dos painéis:
- 5 oradores;
- 2 moderadores (um francês e um europeu; representação paritária);
- Duração: 3h (1h30m para os oradores e 1h30m de debate);
- Duração da intervenção de cada orador: 10 m;
- Cada Conferência terá ainda um coordenador (francês);
Foi formado um grupo de trabalho europeu, restrito e nominal, que recenciará as propostas de nomes apresentadas pelos diferentes países e trabalhará uma proposta de oradores a apresentar à próxima Assembleia
Preparatória.
Esta comissão reunirá no dia 18 de Setembro (antes da Assembleia de preparação do FSE).
A CNA está neste grupo de trabalho e participará na próxima reunião.
As propostas de nomes de cada país devem ser entregues até dia 15 de Setembro.
A próxima Assembleia Preparatória decidirá dos oradores.
Dados Logísticos e datas importantes:
1. Para as Conferências e os Seminários há cerca de 35.000 lugares disponíveis, distribuídos pelos quatros espaços geográficos do Fórum. Para todos há tradução simultânea assegurada.
2. Acolhimento de salas:
- St. Denis: 11.000;
- Bobigny: 8.000;
- La Villete: 7.000;
- Ivry: 7.000.
3. Os Seminários a realizar têm que ser indicados até dia 15 de Setembro. Só serão registados seminários depois de pagos (200 euros cada).
4. Workshops: salas disponíveis com 20 a 200 lugares. A tradução é da responsabilidades das organizações que os propõem.
5. Os Stands são todos iguais (3x2m). Poderá haver um stand por organização. O pedido tem que ser feito até dia 25 de Setembro (atenção: tendo em conta a alteração da data da próxima Assembleia este
prazo pode ser antecipado).
Próxima Assembleia de Preparação do Fórum Social Europeu:
18, 19, 20 e 21 de Setembro em Bonigny (Paris, França).
Dias 18 e 19 reunem os diferentes Grupos de Trabalho (dia 18 é a já referida reunião do Grupo de Trabalho restrito para preparar a proposta de oradores). Dias 20 e 21 realiza-se a Assembleia Plenária preparatória.
Em Paris, no decorrer do Fórum Social Europeu, terão paralelamente lugar duas iniciativas: o Fórum Social das Autoridades Locais (Saint Denis, 11 a 13 de Novembro) e o Fórum dos Movimentos Sindicais (data e local
exacto a designar).
Em relação ao encerramento do Fórum ficou decidida a realização de duas acções de massas: uma no Sábado e outra no Domingo.
A primeira será uma manifestação sobre as questões sociais e a segunda uma marcha cultural sobre o tema "Le Monde n'est pas une merchandise".
P´la CNA
Vanda Santos
Depois da Guerra
Francisco Férnandez Buey (13-07-2003; artigo completo aqui)
Publicado em La Insignia
“Nos debates recentemente verificados entre grupos, organizações e pessoas que mais activamente intervieram no movimento contra a guerra no Iraque foi possível vislumbrar um certo desencanto. Razões existirão, certamente, para a manifestação de tal sentimento”
“Mas, poder-se-á concluir daqui que faltou coerência, compromisso com os mais pobres do mundo, que transbordou utopia e/ou instrumentalização política das manifestações e dos protestos em geral? A resposta é não. O movimento anti belicista dos últimos meses foi, em parte, expressão de um sentimento de repúdio elementar e moralmente muito respeitável, contra os previsíveis desastres da guerra, daí o ter alcançado uma dimensão tão ampla. Mas foi também a continuação e válvula de escape de um movimento mais extenso, do movimento dos movimentos contra a globalização parcial e unilateral, contra o novo imperialismo que se centra agora no domínio dos principais recursos não renováveis do planeta, na militarização das zonas estratégicas do mundo e no intento de homogenalizá-lo culturalmente; e, por isso, alguns dos representantes dos grandes media norte americanos chamaram a atenção sobre a sua importância no futuro. E, em Espanha, o movimento anti belicista foi, por fim, a expressão do mal-estar que produz, em sectores muito importantes dos cidadãos, a subordinação do partido do governo aos desígnios hegemonistas da Administração Bush.”
“Diferentemente dos partidos políticos do hemiciclo parlamentar, que dizem ganhar sempre, aconteça o que acontecer, nos movimentos sociais críticos e alternativos dizer a verdade, ainda que custe e seja doloroso, e ainda que pareça, num primeiro momento, prejudicar o estado de ânimo dos cidadãos que precisam ser mobilizados, continua a ser um princípio de actuação que deve ser partilhado. O pior que pode acontecer a um movimento de raiz social, como o foi o movimento contra a guerra, é entrar pelo cinismo vulgar dos que ganham sempre, chova ou faça sol. Proceder desse modo é começar a ser como os outros. E será o princípio do fim de todo o movimento social são, crítico e alternativo.”
“Esta convicção está na base de muitos dos actos e manifestações contra a guerra que foram intensamente vividos durante os últimos meses. Muitas pessoas jovens e adultas se mobilizaram nas escolas, nos bairros, nos locais de trabalho, não só contra a guerra em geral, contra os bombardeamentos, contra as sanções e contra a invasão do Iraque, mas também contra as mentiras – e isto é essencial – daqueles que fazem as guerras de conquista e dizem fazê-las em nome da liberdade, da democracia e da civilização. Nestas circunstâncias o número das pessoas que estão dispostas a sair à rua tem tendência a aumentar proporcionalmente à percepção da institucionalização de mentira. Desta vez houve muita gente disposta a manifestar-se precisamente porque, além do repúdio da guerra, a percepção da grande mentira era muito grande.”
“Nessa direcção é possível obter uma explicação mais plausível do equívoco ou do paradoxo segundo o qual os jovens não querem saber nada da política, enquanto, ao mesmo tempo, cada vez existem mais jovens comprometidos com os movimentos sociais e as ONG’s. O equívoco está na representação especulativa do que podemos ver: os meios de comunicação que escrevem sobre este assunto entendem por política apenas a política institucionalizada, quase sempre politiqueira ou diplomática, enquanto as pessoas organizadas nos movimentos sociais críticos e alternativos pressentem que há uma outra forma de fazer política, se bem que nem sempre a designem por esse nome: intervir activamente, e desde a base, nos assuntos sócio-culturais da polis, da cidade, do Estado, do mundo, dizendo com clareza o que se quer mudar e porquê.”
Francisco Férnandez Buey (13-07-2003; artigo completo aqui)
Publicado em La Insignia
“Nos debates recentemente verificados entre grupos, organizações e pessoas que mais activamente intervieram no movimento contra a guerra no Iraque foi possível vislumbrar um certo desencanto. Razões existirão, certamente, para a manifestação de tal sentimento”
“Mas, poder-se-á concluir daqui que faltou coerência, compromisso com os mais pobres do mundo, que transbordou utopia e/ou instrumentalização política das manifestações e dos protestos em geral? A resposta é não. O movimento anti belicista dos últimos meses foi, em parte, expressão de um sentimento de repúdio elementar e moralmente muito respeitável, contra os previsíveis desastres da guerra, daí o ter alcançado uma dimensão tão ampla. Mas foi também a continuação e válvula de escape de um movimento mais extenso, do movimento dos movimentos contra a globalização parcial e unilateral, contra o novo imperialismo que se centra agora no domínio dos principais recursos não renováveis do planeta, na militarização das zonas estratégicas do mundo e no intento de homogenalizá-lo culturalmente; e, por isso, alguns dos representantes dos grandes media norte americanos chamaram a atenção sobre a sua importância no futuro. E, em Espanha, o movimento anti belicista foi, por fim, a expressão do mal-estar que produz, em sectores muito importantes dos cidadãos, a subordinação do partido do governo aos desígnios hegemonistas da Administração Bush.”
“Diferentemente dos partidos políticos do hemiciclo parlamentar, que dizem ganhar sempre, aconteça o que acontecer, nos movimentos sociais críticos e alternativos dizer a verdade, ainda que custe e seja doloroso, e ainda que pareça, num primeiro momento, prejudicar o estado de ânimo dos cidadãos que precisam ser mobilizados, continua a ser um princípio de actuação que deve ser partilhado. O pior que pode acontecer a um movimento de raiz social, como o foi o movimento contra a guerra, é entrar pelo cinismo vulgar dos que ganham sempre, chova ou faça sol. Proceder desse modo é começar a ser como os outros. E será o princípio do fim de todo o movimento social são, crítico e alternativo.”
“Esta convicção está na base de muitos dos actos e manifestações contra a guerra que foram intensamente vividos durante os últimos meses. Muitas pessoas jovens e adultas se mobilizaram nas escolas, nos bairros, nos locais de trabalho, não só contra a guerra em geral, contra os bombardeamentos, contra as sanções e contra a invasão do Iraque, mas também contra as mentiras – e isto é essencial – daqueles que fazem as guerras de conquista e dizem fazê-las em nome da liberdade, da democracia e da civilização. Nestas circunstâncias o número das pessoas que estão dispostas a sair à rua tem tendência a aumentar proporcionalmente à percepção da institucionalização de mentira. Desta vez houve muita gente disposta a manifestar-se precisamente porque, além do repúdio da guerra, a percepção da grande mentira era muito grande.”
“Nessa direcção é possível obter uma explicação mais plausível do equívoco ou do paradoxo segundo o qual os jovens não querem saber nada da política, enquanto, ao mesmo tempo, cada vez existem mais jovens comprometidos com os movimentos sociais e as ONG’s. O equívoco está na representação especulativa do que podemos ver: os meios de comunicação que escrevem sobre este assunto entendem por política apenas a política institucionalizada, quase sempre politiqueira ou diplomática, enquanto as pessoas organizadas nos movimentos sociais críticos e alternativos pressentem que há uma outra forma de fazer política, se bem que nem sempre a designem por esse nome: intervir activamente, e desde a base, nos assuntos sócio-culturais da polis, da cidade, do Estado, do mundo, dizendo com clareza o que se quer mudar e porquê.”
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