sexta-feira, janeiro 28, 2011

"HOJE BATTISTI, AMANHÃ TU"

Uma canção inédita de Manuela de Freitas e José Mário Branco

Um grupo de cantores, entre os muito conhecidos na música portuguesa,
juntou-se para interpretar esta canção de apoio à não extradição de Cesare Battisti.

Vejam e ouçam aqui: http://passapalavra.info/?p=35123

ou aqui: http://vimeo.com/19258838

ou aqui: http://www.youtube.com/watch?v=R2YYlN9aoGs

Uma iniciativa da Comissão de Apoio a Cesare Battisti (Portugal)

FICHA TÉCNICA

HOJE BATTISTI, AMANHÃ TU
Letra de Manuela de Freitas e José Mário Branco
Música de José Mário Branco

Cantores:

Aldina Duarte
Amélia Muge
Camané
Duo Diana & Pedro
Duo Virgem Suta
Fernando Mota
João Gil
Jorge Moniz
Jorge Ribeiro (grupo Baile Popular)
José Mário Branco
Luanda Cozetti (Couple Coffee)
Norton Daiello (Couple Coffee)
Paulo de Carvalho
Pedro Branco
Tim

Instrumentistas:

Guitarra (violão): José Peixoto
Baixo eléctrico: Norton Daiello
Flauta e sax soprano: Paulo Curado
Percussões: Fernando Mota e José Mário Branco

Captação e mistura áudio: Fernando Mota

Imagens filmadas por Rui Ribeiro
Montagem vídeo por Nelson Guerreiro

Gravado e filmado em Lisboa (Portugal), em 25 de Janeiro de 2011.

quarta-feira, janeiro 26, 2011

Carta aberta acerca da visita do MNE de Israel

Carta aberta aos portugueses acerca da visita à Lisboa do Ministro de Negócios Estrangeiros de Israel

Um homem de nome Lieberman - o mesmo apelido que o meu avô materno - reuniu ontem em Lisboa com o Ministro dos Negócios Estrangeiros português e vai reunir hoje com o Presidente da Assembleia da República, a Comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros e o Primeiro Ministro! Que eu saiba, ele pode ser um parente meu, distante e afastado ... mas devo ficar com orgulho por isso?

Na minha família há gente de várias persuasões religiosas desde ortodoxos até ateus. Também há gente com opiniões diversas no que toca ao sionismo e o Estado de Israel, desde Revisionistas do Likud até activistas a favor dos direitos do povo palestiniano. Os laços familiares permitem-nos co-existir e partilhar o que nos é comum. Mas família é família e fora da família, a politica é a politica. Neste campo o próprio povo judeu está dividido. Em particular, e apesar da predominância política das associações sionistas, não há uma voz que nos une em relação a Israel e à sua prática de ocupação dos que permanecem dos territórios que, pelo direito internacional, pertencem ao povo palestiniano. Eu, por exemplo, situo-me entre judeus que consideram que a ocupação é não só prejudicial em termos da normalização do futuro de Israel mas uma vergonhoso e inaceitável atentado contra os direitos humanos e nacionais do povo palestiniano.

Haverá vozes de entre os judeus portugueses que discordarão com a minha opinião, mas o Governo de Portugal e os portugueses têm que avaliar a politica do Estado de Israel em consonância com valores universais e democráticos, os seus compromissos internacionais e os seus próprios interesses e não devem preocupar-se com a existência de um consenso entre os judeus para determinar o que fazer com respeito à situação no Médio-Oriente e em relação a este conflito especificamente.

Portugal, pais da União Europeia, membro do Conselho de Segurança das ONU, está vinculado ao direito internacional e o consenso internacional em relação ao conflito israelo-palestiniano. Sobre isso não há ambiguidades apesar da prolongada incapacidade da comunidade internacional em actuar decisivamente para traduzir o consenso em actos no terreno. Certamente não é preciso citar aqui todos os compromissos que isso implica mas valeria a pena parar e lembrar em primeiro lugar que o homem que actualmente representa Israel no estrangeiro é um residente num colonato ilegal israelita em território palestiniano! A sua residência é ilegal porque todos os colonatos israelitas além da "Linha Verde" infringem as Convenções de Genebra com respeito à apropriação de territórios conquistados pela força e à transferência de população. Em segundo lugar, é preciso lembrar que este homem que actualmente representa Israel é um proponente de transferência de populações, nomeadamente da transferência da população árabe de Israel para fora de Israel. Em outras palavras ele é apologista e activista da expulsão de cidadãos do seu próprio país. Em Portugal e outros países de Europa esta posição ficaria fora do discurso que consideramos aceitável em democracia; chamamos esta posição aqui incitação racista e xenófoba, mas em Israel actualmente esta perspectiva não só faz parte do discurso político nacional legitimado como está presente no discurso e prática do próprio governo e é representada por este homem que reunirá hoje com os parlamentares e o Primeiro Ministro!

Será preciso lembrar a reacção dos governos europeus quando em Áustria ­pais europeu! - um politico com um programa xenófobo foi integrado na coligação governamental? Houve um boicote diplomático! Em muitos aspectos pode-se afirmar que o Governo actual de Israel, com este Ministro de Negócios Estrangeiros como representante, é tão ou mais xenófobo e racista que o governo de Áustria da altura.

Israel é um pais cuja legitimidade está consagrada entre a comunidade das nações; Portugal, tem relações bilaterais e comunitárias com Israel e, por isso, é normal que o Ministro dos Negócios Estrangeiros e o Primeiro Ministro se encontrem com o Ministro de Negócios Estrangeiros de Israel.

Contudo, face à situação do conflito israelo-palestiniano, ou seja, a intransigência do Governo israelita em conformar-se com o direito internacional, a sua politica agressiva de expansão dos colonatos, o bloqueio desumano de Gaza, a sua continuada rejeição das propostas de paz e normalização com os países da região, não pode haver discussão; só há uma mensagem que os nossos governantes deveriam transmitir ao representante de Israel e isso é que Portugal vai continuar a exigir o respeito pelo direito internacional em Israel-Palestina e vai actuar em consonância com esta orientação nas instâncias internacionais, que Portugal exige o fim do bloqueio a Gaza, que Portugal exige o fim da ocupação e dos colonatos, que Portugal apoiará concretamente o estabelecimento de um Estado Palestiniano nos territórios de Cisjordânia e Gaza ocupados por Israel em 1967 com Jerusalém Oriental como capital e com uma justa solução da situação dos refugiados palestinianos.

Como é óbvio não tenho qualquer orgulho na presença em Portugal deste homem com o mesmo apelido do meu Avô, antes pelo contrário. Mas além de mais, não quero ter vergonha do Governo de Portugal e espero que a politica portuguesa não ceda nem uma virgula às politicas criativamente racistas e colonialistas deste Lieberman.

26 Janeiro de 2011
Alan David Stoleroff

Visita a Lisboa do ministro israelita Avigdor Lieberman

Comunicado à Imprensa
Avigdor Lieberman em Lisboa
Sócrates e Amado recebem um símbolo do apartheid
e do terrorismo de Estado

O Comité de Solidariedade com a Palestina manifesta o mais vivo repúdio pela visita a Lisboa de Avigdor Lieberman, ministro israelita dos Negócios Estrangeiros e figura de proa do partido da extrema-direita Israel Beitenu.

Raia a provocação que o Governo de Portugal e, nomeadamente, o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal recebam esta visita depois de o Estado português ter condenado os crimes de guerra israelitas contra a Faixa de Gaza por ocasião da votação do relatório Goldstone e sabendo-se que Israel prossegue a sua política colonialista de apartheid e de ocupação da Palestina, que persiste nas suas acções de limpeza étnica contra os árabes israelitas que vivem no seu território e contra os palestinianos nos territórios ocupados, que desrespeita, com a arrogância que se lhe conhece, os mais elementares Direitos Humanos e o Direito Internacional, que se recusa insolentemente a observar as inúmeras Resoluções quer do Conselho de Segurança quer da Assembleia Geral das Nações Unidas, que persegue e pune os seus próprios cidadãos israelitas que não se conformam com a política de terror contra o Povo Palestiniano indefeso, que se afirma, com toda a hipocrisia, como a única «democracia» do Médio Oriente.

Duplamente escandalosa é a recepção dispensada a Lieberman, precisamente quando o parceiro israelita do PS, o Partido Trabalhista, rompe com o Governo e com o seu ex-líder Ehud Barak porque, mesmo para o sionismo militante dos trabalhistas, já se tinha tornado indigesto o estilo do Governo de extrema-direita – intratável, ultimatista e inconveniente nos areópagos internacionais.

É certo que Lieberman passa em Portugal no regresso duma visita à Grã-Bretanha e que não foi aí recebido como um pária da diplomacia internacional (bem ao contrário da sua antecessora no cargo, a ex-ministra Tzipi Livni, que tivera de cancelar uma visita a Londres por pender contra ela um mandato de captura, devido aos crimes de guerra de que era co-responsável na agressão contra a Faixa de Gaza). Mas é só uma questão de tempo até que os crimes de Lieberman, o falcão, comecem a ser tão investigados e conhecidos como os de Livni, a “pomba”. Alguns deram já azo a ondas de indignação em todo o mundo, como o assassínio no Dubai do dirigente do Hamas, Mahmoud al-Mabhouh, com passaportes falsificados de vários outros países; ou como a mortífera acção de pirataria israelita contra a “Flotilha da Liberdade”, em águas internacionais.

Concluímos portanto sublinhando que está a ser recebido em Lisboa um criminoso da guerra suja da Mossad e um falsário internacional de grande calibre, no mesmo dia em que o Peru anuncia reconhecer o Estado palestiniano nas fronteiras de 1967, e num lapso de poucas semanas em que os principais países latino-americanos, incluindo o Brasil, se sucedem a dar esse passo simbólico. A diplomacia portuguesa anda em más companhias e em contra-mão das tendências da diplomacia mundial.

Comité de Solidariedade com a Palestina

Lisboa, 25 de Janeiro de 2011

terça-feira, janeiro 25, 2011

Grécia: apelo de trabalhadores imigrantes em greve da fome

Somos inmigrantes, hombres y mujeres, de todos los rincones de Grecia. Vinimos a este país perseguidos por la pobreza, el desempleo, la guerra, las dictaduras. Las multinacionales occidentales y sus vasallos políticos en nuestros países de origen no nos dejaron más opción que arriesgar mil veces nuestra vida para llegar a las puertas de Europa. Occidente, que saquea nuestros recursos, y disfruta así de un nivel de vida infinitamente más alto que el de nuestros países, constituye para nosotros la única esperanza de vivir como seres humanos. Hemos entrado en Grecia ―de manera legal o ilegal―, y trabajamos aquí para poder vivir nosotros mismos y nuestros hijos. Vivimos en la indignidad, en las sombras de la clandestinidad, de modo que los patrones y los servicios del Estado se benefician de la salvaje explotación de nuestro trabajo. Vivimos con el sudor de nuestra frente, y con el sueño de obtener algún día los mismos derechos que nuestros compañeros griegos.

Últimamente, la situación se ha hecho muy difícil para nosotros. Cuanto más se recortan sueldos y pensiones, cuanto más suben los precios, más se tiende a presentar al inmigrante como culpable y causante del empobrecimiento y la feroz explotación que padecen los trabajadores y los pequeños empresarios griegos. La propaganda de las organizaciones y los partidos fascistas y racistas se ha convertido en discurso oficial del Estado con respecto a la inmigración. Los medios de comunicación reproducen literalmente sus expresiones cuando hablan de nosotros. Sus «propuestas» ya se anuncian como políticas gubernamentales. Muro en el río Evros, centros de detención flotantes y euroejército en el Egeo, pogromos y batallones de asalto en las ciudades, deportaciones masivas. Pretenden convencer a los trabajadores griegos de que, de repente, representamos una amenaza para ellos, de que somos nosotros los culpables de la agresión sin precedentes de que son objeto por parte de sus propios gobiernos

La mentira y la barbarie exigen una respuesta que no puede esperar, y se la daremos nosotros, las mujeres y los hombres inmigrantes. Ponemos en juego nuestra vida para detener ya la injusticia que se nos hace. Pedimos la legalización de todos los inmigrantes, hombres y mujeres, pedimos la igualdad de derechos y deberes, políticos y sociales, con los trabajadores griegos. Pedimos a nuestros compañeros griegos, trabajadores y trabajadoras, a todas las personas explotadas, que se pongan a nuestro lado. Que apoyen nuestra lucha, para impedir que prevalezcan en su propio país la mentira y la injusticia, el fascismo y el absolutismo de las élites políticas y económicas. Es decir, para impedir que ocurra lo que ya ocurrió en nuestros países, y nos obligó a emigrar para poder vivir, nosotros y nuestros hijos, con dignidad.

No tenemos otra forma de hacer oír nuestra voz, de proclamar la razón que nos asiste. Trescientos (300) de nosotros iniciamos una huelga de hambre a escala nacional, en Atenas y Salónica, el 25 de enero. Ponemos en peligro nuestra vida, porque, de todos modos, para una persona con dignidad, esto no es vida. Preferimos morir ahora a que nuestros hijos vivan lo que nosotros hemos tenido que vivir.

Enero de 2011

Asamblea de inmigrantes en huelga de hambre

Visita oficial do inominável sr. Avigdor Lieberman

Caros amigos,

Foi com espanto e indignação que vi, por mero acaso, passar ontem à noite num noticiário (já nem sei em que canal) uma curta nota de rodapé que dava conta da visita do sr. Lieberman, MNE israelita, a Lisboa. Nem quis acreditar, pelo que vim confirmar, na internet, a referida notícia. Era realmente verdade!

Escrevi então uma carta ao Senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Dr. Luís Amado, a insurgir-me contra tal visita, tendo remetido logo cópia da mesma ao Senhor Primeiro Ministro. Estas duas cartas foram enviadas de madrugada, já passava das 2h00. Recebi já a respectiva acusação de recepção do gabinete do PM.

Bastante mais tarde, mas ainda de manhã, escrevi uma carta ao Senhor Presidente da Assembleia da República e à Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros sobre o mesmo assunto, enviando-lhes igualmente a carta endereçada ao MNE.

Acabei agora de enviar a carta que enderecei a todos os Grupos Parlamentares, juntamente com as cartas ao Presidente da A.R. e ao MNE. É esta que vou colar abaixo. Segue em anexo o pequeno relatório referido na carta aos deputados e que, penso, já vos tinha enviado juntamente com uma petição desta organização árabe-israelita.

Esta visita foi planeada no maior segredo e não foi propositadamente publicitada para que a Sociedade Civil não tivesse tempo de se mobilizar nem de obter uma autorização do Governo Civil para se manifestar na rua. No entanto, se houver gente, gente suficiente, disposta a comparecer, acho que nos devemos juntar junto à residência oficial do Primeiro Ministro (rua nas traseiras do palácio de São Bento, com entrada pela Calçada da Estrela), na suposição de que seja aí a recepção pelo PM, como é costume. É claro que aí podemos encontrar a rua fechada pela polícia. De qualquer modo, sem autorização do Governo Civil, qualquer manif é considerada ilegal e a polícia pode impedir-nos de nos manifestarmos, exibirmos faixas, bandeiras, etc. Além de que tentará identificar os «cabecilhas», se não mesmo identificar toda a gente, mover processos, etc. Por mim, estou-me nas tintas!... Assim haja gente suficiente para o efeito porque se comparecerem meia dúzia de gatos pingados, não terá qualquer efeito, pelo contrário, será ridicularizada. Digam se estão dispostos e vamos a isso!...

O dito senhor será recebido hoje ao final da tarde pelo Dr. Luís Amado, no Palácio das Necessidades, amanhã às 10h00 pelo Presidente da Assembleia da República, às 11h00 pela Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros e à tarde, julgo que pelas 17h30, pelo Senhor Primeiro Ministro. É o que consta do site do MNE, mas é sempre bom confirmarem. Amanhã à noite vai haver também um jantar com a Associação de Amizade Portugal-Israel, não sei ainda onde, mas deve estar no site da dita Associação. Também seria um sítio onde nos poderíamos juntar em manif de protesto. Por favor, digam de vossa justiça! O tempo urge!

Isto é absolutamente inqualificável!!!

Se considerarem não haver tempo para uma grande mobilização / manifestação, peço a todos que escrevam pelo menos ao MNE, com cópia ao PM. Vão directamente ao site do governo / contacto. O facto de escreverem não dispensa uma boa manif e vice-versa.

Abraço



Exmos. Senhores Deputados,

Abaixo remeto a V. Exas. a carta por mim enviada, nesta mesma data, ao Senhor Presidente da Assembleia da República, a quem remeti também a carta por mim enviada, hoje, 25/01/2011 de madrugada, ao Senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros, cópia da qual remeti igualmente ao Senhor Primeiro Ministro. Com o mesmo teor, enviei também uma carta à Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros.

Remeto igualmente a V. Exas. um pequeno relatório de uma organização árabe/judaica sobre acontecimentos recentes em Israel.

A desfaçatez com que esta visita oficial foi preparada e, propositadamente, não amplamente divulgada, como é hábito, com o objectivo de não permitir uma resposta e uma reacção adequadas da Sociedade Civil que, assim, não poderia de forma alguma conseguir autorização do Governo Civil em tempo útil para se pronunciar na rua, é uma afronta ao povo português e um escândalo.

Exijo aos senhores deputados que agendem rapidamente a discussão desta inqualificável visita para uma Sessão do Parlamento, com a presença do Senhor Primeiro Ministro e do Senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros.

Muito atentamente

MA


Exmo. Senhor Presidente da Assembleia da República

É com muita indignação, muita revolta, mas também com muita amargura que abaixo envio a V. Exa., enquanto Presidente da Assembleia da República, a carta que enviei hoje de madrugada ao Senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros, com cópia ao Senhor Primeiro-Ministro.

É uma vergonha que Portugal, nas pessoas do Senhor Primeiro-Ministro e do Senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros assim como na pessoa de V. Exa., enquanto Presidente da Assembleia da República, receba oficialmente um representante de um governo que pratica o terrorismo de Estado, a forma mais ignóbil de terrorismo que pode haver, o sr. Avigdor Lieberman.

Um homem que defende que os seus próprios concidadãos israelitas sejam obrigados a um juramento de lealdade ao governo fascista, sionista, racista de Israel se quiserem ter direito a voto, além de ser um digno representante de um governo e de um Estado que se orgulha de todos os continuados e persistentes atropelos inqualificáveis aos Direitos Humanos e ao Direito Internacional no território barbaramente roubado ao Povo Palestiniano e ocupado desde, pelo menos, 1948.

Não posso deixar de manifestar a minha mais profunda indignação, o meu mais vivo repúdio, a minha mais sentida tristeza e vergonha por esta atitude do governo e daqueles que dizem ser representantes de todo o povo português.

Não me posso rever em atitudes incompreensíveis e injustificáveis como esta, pelo que não me sinto representada por ninguém.

Muito atentamente

MA


Exmo. Senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros.

Dr. Luís Amado

Venho, por este meio, manifestar o meu mais vivo repúdio pela visita a Lisboa do seu homólogo israelita que será recebido por V. Exa., notícia que vi passar num noticiário no dia 24/01/2011 à noite, numa curtíssima nota de rodapé e que confirmei, via internet, em notícias israelitas e britânicas.

Depois de o Estado português ter condenado os crimes de guerra israelitas contra a Faixa de Gaza por ocasião da votação do relatório Goldstone e sabendo-se que Israel prossegue a sua política colonialista/fascista de ocupação bárbara da Palestina e de apartheid, que persiste nas suas acções de limpeza étnica contra os árabes israelitas que vivem no seu território e contra os palestinianos nos territórios ocupados, que desrespeita, com a arrogância fascista/sionista que se lhe conhece, os mais elementares Direitos Humanos e o Direito Internacional, que se recusa insolentemente a observar as inúmeras Resoluções quer do Conselho de Segurança quer da Assembleia Geral das Nações Unidas, que persegue e pune os seus próprios cidadãos israelitas que não se conformam com a política de terror e extermínio para com o Povo Palestiniano indefeso, que se afirma, com toda a hipocrisia, como a única «democracia» do Médio Oriente, como é possível que o Governo de Portugal e, nomeadamente, o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal receba a visita de um fascista/sionista como o Sr. Lieberman ou qualquer outro governante de Israel?

Que eu saiba, nem o Dr. Salazar terá recebido a visita do Sr. Ribbentrop ou do Sr. Goebbels, apesar de ser um grande defensor do Nacional Socialismo, do III Reich e da doutrina fascista/nazi.

A doutrina Sionista, como V. Exa. saberá melhor do que eu, foi há muito incluída no rol de doutrinas racistas pela Assembleia Geral das Nações Unidas e pouco difere da doutrina e prática nazis - de um lado «o povo eleito» que se arroga o direito de expulsar da sua terra um povo que ali vive há mais de mil anos, do outro «a raça ariana do povo germânico». Tanto uma como a outra conduziram ao mesmo - à barbárie, à desumanidade, à limpeza étnica, ao extermínio.

Portugal, país que sofreu na pele uma ditadura fascista, deveria aproveitar todo o seu prestígio como país democrático pós-Revolução de 25 de Abril de 1974, cujo exemplo serviu para outras transições para a democracia, para denunciar, boicotar e jamais pactuar com regimes e governos terroristas capazes de tudo, como Israel, que já demonstrou sê-lo à saciedade.

Não posso, pois, deixar de manifestar a minha mais profunda indignação e repulsa por esta atitude do governo do meu país.

Muito atentamente,

MA

O QUE QUERES FAZER COM A PUTA DA TUA VIDA?

A Tertúlia Liberdade, em colaboração com o GAIA, inicia na próxima 5ª feira, dia 27, pelas 21H, na RDA, R. Regueirão dos Anjos, 57 (metro Anjos), uma série de debates mensais sob o tema O que queres fazer da puta da tua vida?.

Iniciará o debate o convidado Marco Montenegro e queremos desenvolver este tema, perceber o queremos fazer no meio desta merda e como.

PARTICIPA !!! DIVULGA!!!

domingo, janeiro 16, 2011

Islândia: uma revolução pacífica silenciada nos meios de comunicação social

Por mais incrível que pareça, uma verdadeira revolução democrática e anticapitalista está a ocorrer neste preciso momento na Islândia e ninguém fala dela, nenhum meio de comunicação social passa informação sobre ela e as pesquisas no google quase que não produzem resultados. Em resumo, o silêncio total ...

E contudo, a natureza dos acontecimentos na Islândia é avassaladora: um povo que expulsa a direita no poder cercando pacificamente o palácio presidencial, uma "esquerda" liberal amorfa afastada também ela de "responsabilidades governativas" pois seguia as mesmas políticas que a direita, um referendo imposto pela população para saber se se devia, ou não, reembolsar os bancos capitalistas que, com a sua irresponsabilidade, mergulharam o país na crise, uma vitória de 93% impondo o não reembolso e a nacionalização dos bancos e, a culminar este processo sob muitos aspectos "revolucionário", a eleição a 27 de Novembro de 2010 de uma Assembleia Constituinte encarregada de redigir a nova Constituição, que incorporará agora a ira popular contra o capitalismo e as aspirações do povo a uma outra sociedade.

Enquanto cresce em toda a Europa a cólera das populações, encostadas à parede pelo rolo compressor do capitalismo, esta situação revela-nos uma outra possibilidade, uma história susceptível de quebrar muitas certezas e, sobretudo, de dar às lutas que incendeiam a Europa uma perspectiva: a da reconquista democrática e popular do poder, ao serviço da população.

Encontrará a seguir dois artigos sobre esta revolução que está em marcha, a fazer circular o mais amplamente possível pois não podemos contar com a maioria dos meios de comunicação social para o fazerem por nós.

http://www.cadtm.org/Quand-l-Islande-reinvente-la

http://www.parisseveille.info/quand-l-islande-reinvente-la,2643.html



Tradução do BSP

sábado, janeiro 15, 2011

"Quebrem o silêncio!": soldados israelitas falam e enfrentam a repressão

O dia a dia dos soldados israelitas nos territórios da Cisjordânia, contado pelos ex-soldados que decidiram quebrar o silêncio.
Fonte: CAPJPO-Europalestine, 5.11.2011, citando Paris Match

Granadas para meter medo

«Chegamos a uma aldeia palestiniana às 3 horas da manhã e começamos a lançar granadas estrondosas nas ruas. Por nada, para meter medo. Vemos as pessoas a acordar esbaforidas... Dizem-nos que isso afugenta os eventuais terroristas. Tretas... Fazíamos isso todas as noites, rotativamente. Rotina. Diziam-nos 'boa operação'. Não percebíamos porquê.»

Roubar um hospital

«Uma noite, recebemos ordem para entrar numa clínica de Hebron que pertence ao Hamas. Confiscámos o equipamento: computadores, telefones, impressoras, outras coisas, num valor de milhares de shekels. O motivo? Atingir o Hamas na carteira, pouco antes das eleições do parlamento palestiniano, para que ele perdesse. O governo israelita tinha anunciado oficialmente que não iria tentar influenciar essas eleições.»

"Matámos um homem por pura ignorância"

«Não sabíamos que durante o Ramadão os fiéis vão para a rua às 4 horas da manhã com tambores para acordar as pessoas, para que elas comam antes do nascer do sol. Identificamos um gajo numa avenida que leva uma coisa, gritamos-lhe 'stop!'. Se o 'suspeito' não pára imediatamente, o procedimento exige intimações. 'Pare ou atiro', depois atiramos para o ar, depois para as pernas, etc. Na verdade, esta regra nunca é aplicada. Matámo-lo, ponto final. E por pura ignorância dos ritos locais.»

Camponeses em lágrimas

«As nossas escavadoras montam uma barreira de separação em pleno campo palestiniano de figueiras. O camponês chega, a chorar: 'plantei este pomar durante dez anos, esperei dez anos para que desse frutos, gozei dele durante um ano e agora eles arrancam-no!' Não há solução de replantação. Só há compensações a partir de 41% de terra confiscada. Se for 40%, não tens nada. O pior é que talvez amanhã eles vão decidir a construção da barreira.»

Devolver os galões, voltar a ser soldado

«Instalamos check-points surpresa. Em qualquer lado, nunca é claro. E de repente detemos toda a gente, controlamos as suas licenças. Detemos inocentes, pessoas que querem ir trabalhar, procurar alimentos, não terroristas... Tive de fazer isto durante cinco meses, oito horas por dia; deu cabo de mim. Então, decidi devolver os meus galões de comandante.»

"A nossa missão: incomodar, assediar"

«Estamos em Hebron. Como os terroristas são residentes locais e a nossa missão é entravar a actividade terrorista, a via operacional é esquadrinhar a cidade, entrar em casas abandonadas ou em casas habitadas escolhidas ao acaso – não há um serviço de informações que nos oriente -, inspeccioná-las, saqueá-las ... e não encontrar nada. Nem armas, nem terroristas. Os habitantes acabaram por se habituar, pois isto acontece há anos. Fazer sofrer a população civil, dar-lhe cabo da vida, e saber que isso não serve para nada. Isto provoca um sentimento de inutilidade.»

Os castigos colectivos

«Os meus actos mais imorais? Fazer explodir casas de suspeitos terroristas, prender centenas de pessoas em massa, olhos vendados, pés e mãos atados, levá-los em camiões; entrar em casas, despejar brutalmente as famílias; às vezes voltávamos para fazer explodir a casa; nunca sabíamos porquê tal casa nem que suspeitos prender. Às vezes era-nos dada ordem de destruir com bulldozer ou com explosivos a entrada da aldeia, como castigo colectivo por terem sido albergados terroristas.»

Proteger colonos agressivos

«Chegamos ao distrito de Naplus para garantir a segurança dos colonos. Descobrimos que eles decidiram atacar Huwara, a aldeia vizinha, palestiniana. Eles estão armados, atiram pedras, apoiados nessa acção por um grupo de judeus ortodoxos franceses que filmam, tiram fotos. Resultado: vemo-nos entre árabes surpreendidos, aterrorizados e a nossa obrigação de proteger os colonos. Um oficial tenta fazer recuar os colonos para as suas terras; recebe pancada, há tiros e ele desiste. Não sabemos o que fazer: retê-los, proteger os palestinianos, proteger-nos. Uma cena absurda e louca. Acabamos por conseguir com que os agressores voltem para as suas casas. Uma dezena de árabes ficam feridos.»

Assassinar um homem sem armas

«Estamos instalados numa casa que despejámos dos seus ocupantes, suspeitamos da presença de terroristas, vigiamos, são 2 horas da manhã. Um dos nossos atiradores de elite identifica um tipo a andar em cima de um telhado. Eu observo-o com os binóculos, ele tem cerca de 25, 26 anos, não está armado. Informamos por rádio o comandante que nos ordena: 'É um espião. Abatam-no'. O atirador obedece. Eu chamo a isso um assassinato. Nós tínhamos os meios de o prender. E isto não é um caso único, são dezenas deles.»

Comité Palestina

sexta-feira, janeiro 14, 2011

PAGAN questiona candidatos presidenciais sobre defesa e política externa

A PAGAN, Plataforma Anti-Guerra Anti-NATO, apresenta aos senhores candidatos nestas eleições presidenciais,

Candidato Aníbal Cavaco Silva,

Candidato Defensor de Moura

Candidato Fernando Nobre,

Candidato Francisco Lopes,

Candidato José Manuel Coelho,

Candidato Manuel Alegre,

questões cuja resposta considera de relevante importância para a formação da decisão dos eleitores no final da campanha em curso e que, por isso mesmo, tornará públicas por todos os meios de que possa dispor.

A elaboração das questões em causa tem como referência, como não podia deixar de ser, a Constituição da República Portuguesa, fundamentalmente o seu artigo nº 7º (Relações Internacionais) e a noção clara de que não compete ao Presidente da República alterar a Constituição mas respeitá-la, cumpri-la e fazê-la cumprir, dentro da maior ou menor latitude interpretativa que toda e qualquer norma comporta, especialmente a Lei Fundamental. Neste contexto, interessa sobremaneira perceber como cada um dos candidatos a entende .

Questões:
  1. Como vê o apelo para o reconhecimento imediato do Estado da Palestina com as fronteiras anteriores a 1967?
  2. Como considera a atitude dos países que integram a NATO impondo uma guerra no Afeganistão?
  3. Acha que a NATO deve aceitar a integração – que parece estar próxima - de Israel, Estado condenado pela ONU pela violação sistemática das resoluções da mesma e pela violação dos direitos do povo palestiniano?
  4. Como encara a proposta, cada dia mais justificada e apoiada, de boicote (comercial, político, diplomático, cultural, desportivo) ao Estado de Israel como forma de contribuir para o mais rápido reconhecimento das legítimas e sustentadas aspirações do povo palestiniano, por grande parte da comunidade internacional, com base nas centenas de Resoluções da ONU?
  5. Como encara a situação no Sahara Ocidental, em que o Referendo determinado pela ONU há duas dezenas de anos, além de ainda não se ter verificado, está a ser inviabilizado pelas manobras de colonização por parte de Marrocos?
  6. Como vê a posição de Portugal na sua relação com Marrocos, tendo-o como parceiro de negócios privilegiado no Magreb?
  7. Depois da guerra fria, os EUA vêm mantendo bases militares (cerca de 800) em países estrangeiros. Como encara a exigência, que sobe de tom em todo o mundo, para o desmantelamento dessas bases fora do território norte-americano?
  8. Tendo em conta o que recentemente se passou com os aviões da CIA, considera que a base das Lajes na Terceira deve continuar sob controlo efectivo dos EUA, que a utilizam para a sua política agressiva e atentatória dos direitos humanos no Iraque e no Afeganistão, entre outros?
  9. No caso do Afeganistão, onde a intervenção militar da NATO mais não faz que reforçar os poderes ligados ao tráfico de armas e drogas, como encara o empenhamento de forças militares em operações no exterior sem que a Assembleia da República se tenha pronunciado, sobretudo quando essas forças participam em guerras que são de agressão e que conduzem exactamente ao contrário do que foi proclamado? Concretamente, por quem se guiará: por Malalai Joya ou por Karzai?
  10. Como encara o apelo para a retirada de todas as tropas portuguesas do Afeganistão?
  11. Sabendo-se que o povo português rejeitou o serviço militar obrigatório, como encara a ideia de uma redução, tendente para a manutenção de uma força apenas simbólica, das forças armadas e, portanto das despesas decorrentes da sua manutenção, em troca de uma Defesa Civil (protecção civil solidária) fortemente inserida no tecido social e apoiada com meios materiais, humanos e com um elevado sentido humanitário e de eficácia?
  12. Sabendo-se que o Dia da Defesa Nacional se destina a aliciar jovens para se alistarem (evocando a Mocidade Portuguesa) e que se aqueles faltarem são penalizados de forma absolutamente desproporcionada - não sendo respeitado o seu direito inviolável de recusar - considera que o Dia da Defesa Nacional tem alguma legitimidade num país cujos militares são voluntários e profissionais?

Com os melhores cumprimentos, aguardamos uma resposta que pedimos seja enviada o mais brevemente possível a fim de poder ser divulgada em tempo de ajudar a formar uma opinião com vista ao acto eleitoral.

Lisboa, 13 Janeiro 2011

PAGAN - Plataforma Anti-Guerra, Anti-NATO

Lisboa: filme e debate sobre a Palestina

O Comité de Solidariedade com a Palestina foi convidado

pela Biblioteca Orlando Ribeiro para participar numa sessão sobre

VIDA E RESISTÊNCIA NA PALESTINA

documentário O Muro de Ferro e debate

sábado 15 de Janeiro, às 15 horas

Auditório da Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro

Antigo Solar da Nora, Estrada de Telheiras, 146 - Tel: 217 549 030

quarta-feira, janeiro 12, 2011

Apartheid Israelí = Violencia contra las Mujeres

Protesta el 10 de febrero de 2011: Apartheid Israelí = Violencia contra las Mujeres

Jawaher,
Israel tomó tu vida,
Nosotras tomamos tu lucha, dignidad y determinación

Un llamado a las mujeres de todo el mundo a unirse en apoyo a la resistencia popular y la determinación de las mujeres palestinas en defensa de sus tierras, derechos y dignidad.


Mientras el mundo celebraba el año nuevo, Jawaher Abu Rahmah (34 años) murió en un hospital de Ramallah por intoxicación causada por la inhalación de gas lacrimógeno.

Jawaher estaba en los campos el Viernes, 31 de diciembre, participando en la protesta contra el Muro del Apartheid que estrangula a su aldea de Bil'in, contra el robo de sus tierras y medios de subsistencia. Ella había visto a su hermano morir en una protesta similar hace casi dos años atrás, cuando militares israelíes le dispararon con una granada de gas lacrimógeno en el pecho, pero esto sólo intensificó su dedicación a su trabajo con los jóvenes para que continúen la resistencia. Esto no la detuvo a unirse a las protestas. Cuando las nubes de gas lacrimógeno llegaron ese día, ella se descompuso y murió a causa de los efectos del gas.

Al igual que Jawaher, muchas mujeres palestinas están en el frente de resistencia todos los días: en las protestas, en los puestos de control, en las salas de reuniones, en sus propios hogares y en las cárceles israelíes. Generaciones de mujeres palestinas han dirigido, se han unido y han apoyado la lucha de los palestinos. Sin embargo, con demasiada frecuencia sus contribuciones, sacrificios y esfuerzos no son reconocidas. Ellos pagan un pesado precio silenciado. Asumen la carga de las familias laceradas por la represión israelí y el despojo. Ellas son golpeadas, acosadas, insultadas, torturadas y asesinadas por las fuerzas de ocupación israelíes.

La comunidad internacional sostiene activamente el apartheid israelí, y la actitud del "business as usual" y el comercio de armas dan el apoyo necesario y animan a Israel a que continúe sus guerras, represión y la violencia contra las mujeres.

La Campaña contra el Muro del Apartheid está organizando una movilización masiva de mujeres palestinas en Bil'in con motivo de la conmemoración tradicional en los 40 días del fallecimiento de Jawaher Abu Rahma.

Hacemos un llamando a que te unas a nosotros y a te movilices con protestas en tu países el 10 de febrero.

No se olvide de Jawaher!
Apoya a las mujeres palestinas contra la violencia de Israel!
Exíjale a su gobierno que detenga el comercio de armas que matan a palestinos.

Únase a la lucha palestina, contra el apartheid israelí, por la tierra, la justicia, la autodeterminación y el derecho al retorno.

Únasenos a la demanda palestina de boicot, desinversión y sanciones contra Israel.

__________________________________

Antecedentes:

El Muro, que actualmente está previsto para ejecutar será de 810 kilometros de longitud, en la mayoría de los casos, no se está construyendo ni cerca de la Línea Verde de 1967.Sino que, se adentra en la Ribera Occidental, anexando tierras y recursos palestinos. El proyecto consiste en una red de muros, vallas, zonas militares, 34 puestos de control fortificados, 44 túneles, 634 puestos de control y obstrucciones y 1.661 kilómetros de carreteras de los colonos. Cuando se haya completado, el muro y su régimen, incluyendo los asentamientos y "zonas militares", de facto anexarán un 46% de Cisjordania, aislando comunidades en bantustanes y zonas militares.

La resistencia popular contra el Muro une mujeres, hombres, jóvenes y ancianos en las aldeas afectadas en un esfuerzo por proteger sus derechos y sus tierras, y está enfrentado a un nivel asombroso la represión, detenciones y violencia por parte de las autoridades israelíes. Las expresiones más visibles y unificadoras de esta resistencia son las manifestaciones semanales contra el Muro, que están organizadas y dirigidas por los locales "comités populares", integrado por activistas de las comunidades afectadas.

La violencia abrumadora por las fuerzas de ocupación israelíes se complementa con detenciones, castigos colectivos y amenazas con el fin de ejercer presión sobre la cohesión social de la sociedad Palestina. Las fuerzas israelíes ya han matado a 17 personas en las protestas contra el Muro. Israel utiliza armas letales y muchas veces las llamadas no letales con el conocimiento o el objetivo de matar o causar daños graves a los manifestantes. Se sabe que el gas CS, es un tipo de gas lacrimógeno probablemente utilizado ese día en Bil'in, provoca abortos involuntarios entre las mujeres embarazadas y, en ciertas situaciones, puede causar la muerte.

Israel no podría mantener este sistema de apartheid y opresión solo por su cuenta. Israel lo lleva a cabo con la complicidad de los organismos internacionales y los gobiernos que se benefician de la ocupación israelí. Por ejemplo, los gobiernos de todo el mundo compran armas israelíes probadas y desarrolladas en la represión al pueblo palestino, los bancos internacionales e inversionistas poseen acciones en empresas que son responsables de la construcción del muro, y los productos que producen los colonos se vende en las tiendas de todo el mundo. Estas relaciones económicas crean complicidad de la comunidad internacional con el apartheid israelí y los crímenes contra el pueblo palestino.

El movimiento palestino de resistencia popular ha mostrado una notable capacidad no sólo para sobrevivir, sino también para crecer y extenderse, cultivar una nueva generación de activistas y dirigentes, y poner raíces en nuevas áreas. Hacemos un llamado a que apoyen esta lucha, dando voz a su ira por el asesinato de Jawaher el 10, implementen campañas concretas de BDS!

--
Palestinian Grassroots Anti-Apartheid Wall Campaign (Stop the Wall)
International outreach
Palestinian Boycott, Divestment and Sanctions National Committee (BNC)
Secretariat member

global@stopthewall.org
skype:STWoutreach
www.stopthewall.org

Sessão de Esclarecimento + Debate sobre o novo Código Contributivo e a Segurança Social

Como sabem o Código Contributivo foi camuflado dentro do Orçamento de Estado 2011. Aquilo que era suposto ser objecto de um debate amplo e público, foi encapotado. O PI, logo na altura redigiu um documento (que podem ler aqui: https://docs.google.com/fileview?id=0B4rUxvOVeEgxMzM4ZjQwZjEtYmE3Mi00N2E0LWExMjQtZWRkZWM2NmQ3N2Mz&hl=en&pli=1) com uma análise prática e política que agora se afirma coerente. Este documento (Código Contributivo) é fundamental para todas as pessoas e é um instrumento fundamental para a política fiscal e de equidade (ou desigualdade) no mundo do trabalho.

Finalmente parece acordado o debate público mais amplo e muitas confusões se ouvem nos media e da parte de alguns intervenientes.

Queremos contribuir para o esclarecimento e profundidade do debate. Achamos que o Código pode ser interpretado por todas as pessoas e grupos, e avançamos com um debate já neste Sábado, dia 15, às 15h, na LxFactory - Sessão de Esclarecimento + Debate sobre Novo Código Contributivo e Segurança Social. Lançarão a conversa a Maria do Carmo Tavares (pela CGTP), a Mónica Catarino (advogada que colabora com o PI) e o Tiago Gillot (do PI).

Queremos aqui desafiar todos os activistas que se juntaram no Vamos! a aparecerem, a participarem, e ainda que divulguem e convidem à participação neste debate todos os conhecidos e amigos das redes sociais onde se movimentam. Não queremos formatar ideias ou alinhar discursos, antes esclarecer, simplificar, debater e, entre todos, enriquecer o conhecimento sobre algo que nos regula as vidas de trabalho.

Um abraço... e até Sábado :-)

Rui Maia

http://www.precariosinflexiveis.org
http://www.maydaylisboa.net

http://www.antesdadividatemosdireitos.org
http://www.premiosprecariedade.net/autsp (Autarquia sem Precários)
http://www.premiosprecariedade.net/

Sessão de apoio a Cesare Battisti


Sessão pública sobre o caso de Cesare Battisti:
 Teatro da Comuna, na Praça de Espanha, em Lisboa,
no sábado, dia 15 de Janeiro, às 15 horas,
 com a presença de Diana Andringa, José Mário Branco, Leandro Vichi, José Nuno Matos, João Bernardo e outros.

A sessão será transmitida em directo no site http://passapalavra.info.

Para saber mais sobre o caso de Cesare Battisti leia um relato escrito por ele http://cesarelivre.org/node/73 e leia um dossier de artigos http://passapalavra.info/?p=30200.

Comissão de Defesa de Cesare Battisti

terça-feira, janeiro 11, 2011

A UE e a questão palestiniana: mudança de rumo?

Artigo do diário Ha'aretz de 10 de Janeiro de 2011.

Diplomatas da UE defendem que Jerusalém Oriental deve ser considerada como a capital da Palestina

Por Nir Hasson

Diplomatas da União Europeia junto da Autoridade Palestiniana recomendam o boicote aos produtos israelitas de Jerusalém Oriental e apelam aos funcionários da UE para estarem presentes na demolição de casas e despejos forçadas.

Jerusalém deve ser tratada como a capital do Estado palestiniano, de acordo com um relatório elaborado pelos chefes das missões diplomáticas europeias em Jerusalém e Ramallah. O relatório inclui outras recomendações inusitadas relativas à atitude da UE para com Jerusalém Oriental.

Os diplomatas europeus, na sua maioria cônsules, também recomendam que os funcionários e os políticos da UE se recusem a visitar os escritórios do governo israelita que estão localizados exteriormente à Linha Verde e que recusem os serviços de segurança de Israel, na só na Cidade Velha como em toda a Jerusalém Oriental.

O relatório, que foi concluído no mês passado, foi enviado para o Comité Político e de Segurança, em Bruxelas, o principal órgão da UE de política externa. Aparentemente não foi ainda divulgado devido ao carácter melindroso do seu conteúdo.

O relatório também discute a possibilidade de não ser autorizada a entrada em países da UE dos “violentos colonos de Jerusalém Oriental". Na área do comércio recomenda o incentivo a um boicote aos produtos vindos de Israel originários de Jerusalém Oriental.

A primeira parte do relatório descreve a construção e expansão dos colonatos em Jerusalém Oriental, a violação dos direitos humanos sofrida pelos residentes palestinianos da parte leste da cidade, bem como a desigualdade nas condições de educação e nos serviços médicos prestados. E conclui que, para além do seu significado humanitário, estas condições enfraquecem a apropriação palestiniana da cidade.

A crítica europeia à política israelita nos territórios ocupados e, em particular, em Jerusalém Oriental, não é nova. Mas esta viragem pode ser vista, nos passos práticos que recomenda, como o lançamento das bases para sanções contra Israel.

Por exemplo, o documento propõe que os altos funcionários da UE que se desloquem a Jerusalém Oriental não recorram a empresas israelitas a operar na cidade, como hotéis e empresas de transporte, e que os sítios arqueológicos explorados por "organizações pró-colonatos" (uma referência ao Parque Nacional Cidade de David) não devem ser visitados.

O relatório sugere igualmente que deve ser incentivada a sensibilização do público aos produtos dos colonatos, "por exemplo, dando orientações às principais empresas retalhistas da UE sobre a rotulagem de origem para os produtos dos colonatos", e que os cidadãos da UE sejam informados "sobre os riscos financeiros envolvidos na compra de imóveis na zona ocupada de Jerusalém Oriental".

Os relatores também recomendam que a UE encoraje Israel a permitir a reabertura dos escritórios da OLP em Jerusalém Oriental, de acordo com o roteiro de Paz. Israel fechou as instituições da OLP durante a segunda Intifada.

A diplomacia da UE é convidada a manifestar grande preocupação nas suas reuniões com altos funcionários israelitas sobre o estado dos serviços de emergência para os árabes de Jerusalém Oriental.

O relatório acrescenta que os funcionários da UE devem estar presentes em demolições ou em despejos de casas, bem como em audiências judiciais sobre estas questões, e "assegurar uma intervenção da UE, quando os palestinianos são presos ou intimados pelas autoridades israelitas por actividades pacíficas de natureza cultural, social ou política, em Jerusalém Oriental".

O relatório recomenda ainda que a União Europeia "encoraje os países árabes a reconhecer a dimensão multicultural de Jerusalém, incluindo a sua herança judaica e cristã."


Tradução BSP.

quarta-feira, janeiro 05, 2011

Crisis irlandesa, el fracaso absoluto del neoliberalismo

Eric Toussaint

Desde hace diez años los más fervientes promotores del capitalismo han presentado a Irlanda como el modelo a seguir. El «Tigre Celta» ostentaba una tasa de crecimiento más alta que la media europea. El impuesto de sociedades se redujo al 12,5%[1] y el impuesto que realmente pagaban las numerosas multinacionales domiciliadas en el país oscilaba entre el 3 y el 4%, ¡un sueño! Déficit presupuestario igual a cero en 2007. Tasa de desempleo del 0% en 2008. Una auténtica maravilla: a todo el mundo le salían las cuentas. Los trabajadores tenían empleo (muy a menudo precario, por cierto), sus familias consumían alegremente, disfrutaban del efecto riqueza y los capitalistas, tanto nacionales como extranjeros, conseguían resultados fabulosos.

En octubre de 2008, dos o tres días antes de que el gobierno salvase de la quiebra a los grandes bancos «belgas» (Fortis y Dexia), a expensas de los ciudadanos, Bruno Colmant, director de la Bolsa de Bruselas y profesor de Economía se explayó en una carta abierta en Le Soir, el diario belga francófono de referencia, afirmando que Bélgica debería seguir totalmente el ejemplo irlandés y desregular todavía un poco más su sistema financiero. Según Bruno Colmant, Bélgica debía modificar el marco institucional y legal con el fin de convertirse en una plataforma del capital internacional como era Irlanda. Unas semanas después el Tigre Celta estaba derribado.

En Irlanda la desregulación financiera impulsó una explosión de préstamos a los hogares (el endeudamiento familiar llegaba al 190% del PIB en vísperas de la crisis), especialmente en el sector inmobiliario, el motor de la economía (industria de la construcción, actividades financieras, etc.). El sector bancario se infló de forma exponencial con la instalación de numerosas empresas extranjeras[2] y el crecimiento de los activos de los bancos irlandeses. Se formaron las burbujas bursátil e inmobiliaria. El total de las capitalizaciones bursátiles, las emisiones de obligaciones y de los activos de los bancos suponían catorce veces el PIB del país.

Entonces, aquello que no podía llegar a ese mundo maravilloso, llegó: en septiembre-octubre de 2008 el castillo de naipes se hundió, las burbujas financieras e inmobiliarias explotaron. Las empresas cerraron o abandonaron el país, el desempleo se disparó (del 0% en 2008 saltó al 14% a principios de 2010). El número de familias incapaces de pagar las deudas creció rápidamente. Todo el sistema bancario irlandés estaba al borde de la quiebra, y el gobierno completamente enloquecido y ciego garantizó el conjunto de los depósitos bancarios, que llegaba a 480.000 millones de euros (más del triple del PIB irlandés, que se elevaba a 168.000 millones de euros). El gobierno nacionalizó el Allied Irish Banck, principal financiador de la inmobiliaria, inyectándole 48.500 millones de euros (alrededor del 30% del PIB).

Las exportaciones se ralentizaron. Los ingresos del Estado bajaban. El déficit presupuestario saltó del 14% del PIB en 2009 al 32% en 2010 (del cual más de la mitad es atribuible al apoyo masivo a los bancos: 46.000 millones de aportación a fondos propios y 31.000 de compra de activos de riesgo).

El plan europeo de ayuda con la participación del FMI de finales de 2010 se eleva a 85.000 millones de euros en préstamos (de los cuales el FMI aporta 22.500) y ya está demostrado que no será suficiente. A cambio, el remedio de caballo impuesto al Tigre Celta en realidad es un plan de austeridad drástico que cae pesadamente sobre el poder adquisitivo de las familias, con la consecuencia de una reducción del consumo, de los gastos públicos en el ámbito social, de los sueldos de los trabajadores públicos y en las infraestructuras (en beneficio del reembolso de la deuda) y de los ingresos fiscales. Las principales medidas del plan de austeridad son terribles en el ámbito social:
  • Supresión de 24.750 puestos de funcionarios (8% del total, equivalente a 350.000 puestos suprimidos en Francia).
  • Las nuevas contrataciones se harán con un 10% menos de sueldo.
  • Reducción de las transferencias sociales con disminución de las prestaciones por desempleo y familiares, bajada importante del presupuesto sanitario, congelación de las pensiones.
  • Aumento de los impuestos, a cargo principalmente de la mayoría de la población víctima de la crisis, especialmente la subida del IVA del 21 al 23% en 2014; creación de un impuesto inmobiliario (que afecta a la mitad de los hogares que anteriormente no cotizaban).
  • Bajada de 1 euro del salario mínimo por hora (de 8,65 a 7,65, es decir, el 11%).
Irlanda debe pagar tipos de interés elevados por los préstamos contraídos: 5,7% para los préstamos del FMI y 6,05% para los préstamos europeos. Sin embargo, ese dinero le servirá al gobierno irlandés para pagar a los tenedores de títulos de la deuda irlandesa, esencialmente bancos y otras sociedades financieras que adquieren esos títulos con préstamos del Banco Central Europeo, al 1% de interés. O sea, otra auténtica ganga para los financieros privados.

Según la AFP, «el Director General del FMI, Dominique Strauss-Kahn, declaró: ‘Esto funcionará, pero por supuesto es difícil […] porque es duro para la gente ‘que tiene que hacer sacrificios en nombre de la austeridad presupuestaria’».

La oposición en la calle y en el Parlamento ha sido muy fuerte. El Dail, la Cámara Baja, aprobó el plan de ayuda de 85.000 millones de euros por sólo 81 votos contra 75. Lejos de abandonar su orientación neoliberal, el FMI ha señalado que entre las prioridades de Irlanda está la adopción de reformas para suprimir «los obstáculos estructurales para los negocios», con el fin de «mantener la competitividad en los próximos años». El socialista Dominique Strauss-Kahn se declara convencido de que la llegada de un nuevo gobierno tras las elecciones previstas a principios de 2011 no cambiará la situación: "Estoy convencido de que da igual que los partidos de la oposición, el Fine Gael o el partido laborista, critiquen al gobierno y el programa […] ellos comprenden la necesidad de llevarlo a cabo."

En resumen, la liberalización económica y financiera que pretendía atraer a cualquier precio las inversiones extranjeras y las empresas financieras internacionales, ha desembocado en un fracaso total. Para añadir el insulto a los daños sufridos por la población víctima de esta política, el gobierno y el FMI no han encontrado nada mejor que profundizar la orientación neoliberal practicada desde hace 20 años e infligir a la población, bajo la presión de las finanzas internacionales, un programa de ajuste estructural calcado de los que se imponen desde hace tres decenios a los países del Tercer Mundo. Por el contrario, esos tres decenios deben servir de ejemplo de lo que no se debe hacer. Por eso es urgente imponer una lógica radicalmente diferente, en beneficio de los pueblos y no de las finanzas privadas.


[1] El impuesto de sociedades es del 39,5% en Japón, 39,2 en Gran Bretaña, 34,4% en Francia y 28% en Estados Unidos.
[2] Las dificultades del alemán Hypo Reale Estate (rescatado en 2007 por el gobierno de Angela Merkel) y la quiebra del banco de negocios estadounidense Bear Sterns (rescatado en marzo de 2008 por JP Mogan con la ayuda del gobierno de Bush) proceden especialmente de los problemas de sus fondos especulativos, cuya sede está en Dublín.




Este artículo está ampliamente inspirado en un diaporama realizado por Pascal Franchet («Actualité de la dette publique au Nord», http://www.cadtm.org/IMG/ppt/Actualite_de_la_dette_publique_dans_les_pays.ppt).

terça-feira, janeiro 04, 2011

Reunião aberta da Plataforma Anti-guerra Anti-NATO (PAGAN)

No dia 8, sábado, a PAGAN realiza uma Reunião Aberta no Ateneu Libertário de Lisboa, Rua do Salitre, 139-1º. O encontro inicia-se às 10h com a proposta de discussão dos seguintes temas:
  1. Apreciação do convite do Comité de Solidariedade com a Palestina para a construção de uma rede de organizações;
  2. Militarismo e anti-militarismo;
  3. Violência e não-violência;
  4. Formas de organização interna.
Continuação de um BOM ANO NOVO!

Pela PAGAN

segunda-feira, janeiro 03, 2011

mesa-redonda O ESPECTRO DA ANARQUIA

Casa da Achada # sábado, 8 de Janeiro # 15h # entrada livre

organização UNIPOP

(ver localização aqui)

com a participação de:

António Cunha
# membro do colectivo Casa Viva #

António Pedro Dores
# sociólogo e prof. no ISCTE #

José Carvalho Ferreira
# economista e prof. no ISEG #

José Neves
# historiador e prof. na FCSH #

Miguel Madeira
# economista #

Miguel Serras Pereira
# tradutor #

Ricardo Noronha
# doutorando em História #

O recurso a etiquetas ideológicas é uma prática recorrente, quer por parte de correntes de pensamento e movimentos sociais e políticos quer por parte dos poderes instituídos. Se para os primeiros uma lógica de fixação identitária parece impô-lo, para o segundo trata-se de uma técnica de definição de um inimigo, interno ou externo, identificável, de um processo de naturalização do recurso à violência autorizada. «Comunismo», «terrorismo», «antiglobalização», «anarquismo» têm sido algumas dessas etiquetas. Mais recentemente, o «anarquismo» – ou mais sofisticadamente as «ideias anarquistas» – instalou-se no espaço mediático a propósito de um conjunto de movimentações sociais contra os poderes instituídos. Detenções, condenações judiciais, cordões policiais em manifestações, a coberto da defesa da democracia contra as «ideias anarquistas», têm, na verdade, sustentado a criminalização de todas as lutas que procuram situar-se para lá da intervenção política e social institucionalizada. Partindo do reconhecimento de que por detrás da designação «anarquismo» se esconde uma enorme pluralidade teórica e prática, a UNIPOP propõe uma discussão acerca do percurso histórico das «ideias anarquistas» em Portugal, bem como uma abordagem cruzada de algumas das tradições teóricas que se colocam sob essa etiqueta.

domingo, janeiro 02, 2011

Turquia: organizações curdas apelam à solidariedade

Este é um apelo à solidariedade do Democratic Freewomen Movement (DOKH) contra a violação da lei e da justiça, contra a obstrução do direito à defesa em língua materna, ou seja contra o direito à defesa.

Como sabem, milhares de políticos curdos, autarcas, defensores dos direitos humanos, activistas da DOKH, foram detidos nos dois últimos anos em toda a Turquia nas denominadas "operações KCK". Com estas prisões abusivas e ilegais testemunhamos mais uma vez a falência do direito e da justiça, pois não passam de conceitos meramente formais do domínio da política democrática legal, mas fora dos limites da acção de um grupo de cidadãos. A lei e a justiça não podem admitir "dois pesos, duas medidas". Os nossos amigos que se envolvem na política democrática enfrentam a discriminação e são presos por muitos anos, porque optam pela oposição.

Avaliamos estes factos como a continuação da prática do sistema de dominação militarista, machista, sexista, de obstruir as forças da oposição, manietando-as e impedindo-as de agir. A insistência do actual governo na recusa em resolver a questão curda por meios pacíficos e democráticos, revelou-se também na abordagem do Estado a este caso.

A primeira audiência da acção judicial com 151 arguidos (104 dos quais estão presos) iniciou-se em 18 de Outubro de 2010 no 6º Tribunal Penal de Diyarbakir e terminou em 12 de Novembro. Nessas audiências, o direito dos políticos curdos à defesa na língua materna foi violada e o seu pedido de libertação foi rejeitado sem sequer serem ouvidas as suas testemunhos. 23 dos 104 presos políticos curdos são nossas companheiras na DOKH.

(…)

O facto de os activistas da DOKH lutarem activamente pela solução da questão curda por meios democráticos, reivindicarem uma quota para as mulheres, organizarem actividades para apoiar a luta contra o sexismo, realizarem oficinas sobre a luta contra a violência e até mesmo organizarem manifestações no dia 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, são citados como "crimes" pelas autoridades judiciais. (...).

Entretanto, gostaríamos de informá-los que o vosso apoio e, se possível, a vossa participação no julgamento dos nossos amigos, que deve recomeçar no Tribunal de Diyarbakir em 13 de Janeiro de 2011, vai significar muito para nós.

Estendemos os nossos agradecimentos pela solidariedade demonstrada nas audiências anteriores.

Com os nossos melhores cumprimentos,

DOKH

11 de Dezembro de 2010

Tradução do BSP