O SUL - jornal cultural e de debates, mensário gratuito e dedicado ao combate da iliteracia na região de Setúbal, promovido por uma ONG sem fins lucrativos, órgão de comunicação independente, lamenta ter de informar publicamente que o jornal foi retirado dos espaços públicos municipais, por ordem do executivo camarário setubalense, a 2 de Março de 2011.
Este tipo de acção política, que ofende os princípios constitucionais da Liberdade de Imprensa, a legislação da Imprensa Regional e as recomendações da ONU e UNESCO sobre acesso à informação, não encontra outra justificação que não a da prática activa de censura. Atendendo à clara restrição da opinião livre, O SUL apresentará queixa às autoridades competentes, naquele que é um dos mais duros golpes locais às liberdades da Revolução de Abril.
Trata-se de uma medida arbitrária, ilegal e fascista, que procura erradicar de forma ditatorial o debate do espaço público. Em tal, evidentemente, não pactuaremos! Continuaremos a fazer o jornal, em nome da Liberdade e da Cidadania. Não deixamos, porém, de sentir profunda vergonha e revolta que este tipo de atitudes ainda existam num país livre e democrático, integrado na União Europeia, em pleno Século XXI.
Que la pluma sea también una espada y que su filo corte el oscuro muro por el que habrá de colarse el mañana [Subcomandante Marcos]
Mostrar mensagens com a etiqueta Liberdade de imprensa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Liberdade de imprensa. Mostrar todas as mensagens
terça-feira, março 15, 2011
domingo, dezembro 12, 2010
Wikileaks: agora é certo, a luta continua!
O caso do Wikileaks versus Assange - agora eleito o homem do ano pela Time - levanta questionamentos muito interessantes para a nova sociedade global em que já vivemos, particularmente no domínio da net, do jurídico e das liberdades.
Começou por ser um susto-escândalo quando, de repente, somos confrontados com um acervo de 250 mil documentos, confidenciais ou secretos, a maior parte descontextualizados, enviados de vários organismos diplomáticos americanos para Washington.
Os primeiros a reagir, com muita virulência, foram os EUA e a Inglaterra mas depois vieram a Rússia, a Itália, o Paquistão, a Venezuela e muitos outros, todos a braços com pretensas revelações que, verdadeiras ou não, desequilibraram o stablishment e deram vida a muitas oposições.
O Wikileaks veio comprovar um novo modelo de informação que deixou de ser de massas, controlada por empresas, para ser em rede e nessa rede cada um forma do caso a sua opinião individual.
Abriu uma interessante batalha pelo controlo da internet,pela liberdade total na rede, sobre os conceitos de segredo e privacidade, que obriga a uma redefinição das diplomacias e abre a luta sem quartel entre aquilo a que se chama a transparência como contrapeso democrático.
Estamos face à primeira infoguerra mundial, onde o campo de batalha é o Wikileaks, os "soldados" são os utilizadores da rede e as bombas são lançadas pelo piratas, ou pelos governos, para liquidar o inimigo.
Houve no início duas instâncias que vieram credibilizar o Wikileaks.
Os EUA, que defenderem-se com tanta veemência - houve senadores que apelaram à morte - por causa da fuga de documentos, que eles não souberam guardar, o que faz lembrar que o sistema de informações do EUA é uma espécie de saboroso queijo Gruyere. E uma série de jornais de referência internacionais, que resolveram acolher essas informações como verídicas e publicá-las.
Muitos desses jornais optaram por esta via panfletária porque eles próprios estão em crise, há muito tempo, e à procura de formas de reformular os seus conteúdos para recuperar públicos perdidos. Há dez anos não seria assim.
Outra questão interessante é que este desvendar de tantos segredos sensíveis acaba por deixar muitos países em muitíssimo pior estado que os EUA - e há quem já refira isso, como possível manipulação - veja-se o que se revelou sobre sobre os Estados comprados ou vendidos ao narcotráfico, a corrupção ao nível das cúpulas dos governos, as máfias que os controlam (Itália, Rússia, Marrocos, passando até por Moçambique).
O jornalismo tradicional vê-se agora confrontado com outra informação que nos faz perceber que não vinha já cumprindo o seu papel. Mas também constatamos que uma das mais valias do Ocidente liberal continua a ser a liberdade de imprensa e de informação. Ninguém imagina isto acontecer na China, na Rússia, no Irão, na Arábia Saudita ou até em Israel, sem que o seu autor não tivesse já sido morto, raptado, condenado ou desaparecido.
A internet transformou-se no palco dos novos conflitos sociais e são os jovens, de permeio muitos libertários ou anarquistas, quiçá unidos aos precários de todo o mundo, que mobilizam esta cena, como os estudantes que lutam em Londres, Paris ou Milão, a engendrar as novas respostas sociais que ultrapassam os velhos sindicalismos. Há ataques e há vinganças, encerram-se sítios de prestigio a mando de instituições governamentais e outros são fechados à força, por vingança, por piratas, por terem colaborado com o stablishement.
Vimos diabolizar/defender Assange como se diabolizam/defendem líderes políticos. Assistimos a ataques a instituições aparentemente estáveis, a diplomacia americana está firme mas vemos ataques ao euro, à comunidade europeia, aos direitos consagrados e até à soberania de países, como Portugal. Há uma "vontade de transtornar ou de destruir", enquanto outros falam mais no sentido "moral" .
O mais interessante está ainda por vir quando, como anunciado, o sítio começar a pôr a nu os negócios da banca americana, designadamente do banco central americano, todos eles fautores desta crise mundial que começou nos EUA .
Entretanto o jornal Crónica del Mundo, num trabalho de Daniel Estullin, afirma que o Wikileads foi infiltrado pela Mossad através de um académico americano e que muitos dos piratas que lá trabalham tiveram contactos com a KGB a quem venderam por alto preço segredos americanos em Berlim.
Gustavo Cardoso, investigador português de informação, diz no DN que a detenção de Assenge é a sua melhor estratégia.
Ele declarou ao Independent a 18 de Junho de 2010 que a CIA o procurava desde Março deste ano. Pode então perguntar-se porque se foi refugiar em Inglaterra sabendo que este país tem tratados de extradição com os EUA? Ele sabe que à CIA não lhe interessa matá-lo mas interrogá-lo .
Entretanto Lula e Putin condenaram já a prisão de Assenge. Lula disse, "o culpado não é quem divulgou, é quem escreveu" e Putin perguntou, "é isto democracia?"
Convém referir que Assange foi preso em Londres onde se entregou à polícia, na base de uma queixa de duas mulheres suecas por abuso sexual, que tem a ver com o bom, ou mau, uso do preservativo quando esteve com elas. Assenge afirma que foi sexo consentido. As queixas surgem num momento muito (in)oportuno e servem de pretexto para o homem ser enviado para a Suécia onde pode vir a ser julgado e até condenado.
A associação de direitos humanos Avaaz.org fala numa feroz campanha de intimidação contra Wikileaks e considera estas intimidações um ataque à democracia. Por isso quer reunir numa semana um milhão de assinaturas a favor de Assange e já conseguiu de 300 mil. Por todo o lado se fazem manifestações defendendo-o, ou ao seu sítio, dizendo que a questão é jurídica, na base da liberdade de informação, que se afirma uma das marcas de referência da nossa civilização.
Agora é certo: a luta continua!
António Serzedelo
Começou por ser um susto-escândalo quando, de repente, somos confrontados com um acervo de 250 mil documentos, confidenciais ou secretos, a maior parte descontextualizados, enviados de vários organismos diplomáticos americanos para Washington.
Os primeiros a reagir, com muita virulência, foram os EUA e a Inglaterra mas depois vieram a Rússia, a Itália, o Paquistão, a Venezuela e muitos outros, todos a braços com pretensas revelações que, verdadeiras ou não, desequilibraram o stablishment e deram vida a muitas oposições.
O Wikileaks veio comprovar um novo modelo de informação que deixou de ser de massas, controlada por empresas, para ser em rede e nessa rede cada um forma do caso a sua opinião individual.
Abriu uma interessante batalha pelo controlo da internet,pela liberdade total na rede, sobre os conceitos de segredo e privacidade, que obriga a uma redefinição das diplomacias e abre a luta sem quartel entre aquilo a que se chama a transparência como contrapeso democrático.
Estamos face à primeira infoguerra mundial, onde o campo de batalha é o Wikileaks, os "soldados" são os utilizadores da rede e as bombas são lançadas pelo piratas, ou pelos governos, para liquidar o inimigo.
Houve no início duas instâncias que vieram credibilizar o Wikileaks.
Os EUA, que defenderem-se com tanta veemência - houve senadores que apelaram à morte - por causa da fuga de documentos, que eles não souberam guardar, o que faz lembrar que o sistema de informações do EUA é uma espécie de saboroso queijo Gruyere. E uma série de jornais de referência internacionais, que resolveram acolher essas informações como verídicas e publicá-las.
Muitos desses jornais optaram por esta via panfletária porque eles próprios estão em crise, há muito tempo, e à procura de formas de reformular os seus conteúdos para recuperar públicos perdidos. Há dez anos não seria assim.
Outra questão interessante é que este desvendar de tantos segredos sensíveis acaba por deixar muitos países em muitíssimo pior estado que os EUA - e há quem já refira isso, como possível manipulação - veja-se o que se revelou sobre sobre os Estados comprados ou vendidos ao narcotráfico, a corrupção ao nível das cúpulas dos governos, as máfias que os controlam (Itália, Rússia, Marrocos, passando até por Moçambique).
O jornalismo tradicional vê-se agora confrontado com outra informação que nos faz perceber que não vinha já cumprindo o seu papel. Mas também constatamos que uma das mais valias do Ocidente liberal continua a ser a liberdade de imprensa e de informação. Ninguém imagina isto acontecer na China, na Rússia, no Irão, na Arábia Saudita ou até em Israel, sem que o seu autor não tivesse já sido morto, raptado, condenado ou desaparecido.
A internet transformou-se no palco dos novos conflitos sociais e são os jovens, de permeio muitos libertários ou anarquistas, quiçá unidos aos precários de todo o mundo, que mobilizam esta cena, como os estudantes que lutam em Londres, Paris ou Milão, a engendrar as novas respostas sociais que ultrapassam os velhos sindicalismos. Há ataques e há vinganças, encerram-se sítios de prestigio a mando de instituições governamentais e outros são fechados à força, por vingança, por piratas, por terem colaborado com o stablishement.
Vimos diabolizar/defender Assange como se diabolizam/defendem líderes políticos. Assistimos a ataques a instituições aparentemente estáveis, a diplomacia americana está firme mas vemos ataques ao euro, à comunidade europeia, aos direitos consagrados e até à soberania de países, como Portugal. Há uma "vontade de transtornar ou de destruir", enquanto outros falam mais no sentido "moral" .
O mais interessante está ainda por vir quando, como anunciado, o sítio começar a pôr a nu os negócios da banca americana, designadamente do banco central americano, todos eles fautores desta crise mundial que começou nos EUA .
Entretanto o jornal Crónica del Mundo, num trabalho de Daniel Estullin, afirma que o Wikileads foi infiltrado pela Mossad através de um académico americano e que muitos dos piratas que lá trabalham tiveram contactos com a KGB a quem venderam por alto preço segredos americanos em Berlim.
Gustavo Cardoso, investigador português de informação, diz no DN que a detenção de Assenge é a sua melhor estratégia.
Ele declarou ao Independent a 18 de Junho de 2010 que a CIA o procurava desde Março deste ano. Pode então perguntar-se porque se foi refugiar em Inglaterra sabendo que este país tem tratados de extradição com os EUA? Ele sabe que à CIA não lhe interessa matá-lo mas interrogá-lo .
Entretanto Lula e Putin condenaram já a prisão de Assenge. Lula disse, "o culpado não é quem divulgou, é quem escreveu" e Putin perguntou, "é isto democracia?"
Convém referir que Assange foi preso em Londres onde se entregou à polícia, na base de uma queixa de duas mulheres suecas por abuso sexual, que tem a ver com o bom, ou mau, uso do preservativo quando esteve com elas. Assenge afirma que foi sexo consentido. As queixas surgem num momento muito (in)oportuno e servem de pretexto para o homem ser enviado para a Suécia onde pode vir a ser julgado e até condenado.
A associação de direitos humanos Avaaz.org fala numa feroz campanha de intimidação contra Wikileaks e considera estas intimidações um ataque à democracia. Por isso quer reunir numa semana um milhão de assinaturas a favor de Assange e já conseguiu de 300 mil. Por todo o lado se fazem manifestações defendendo-o, ou ao seu sítio, dizendo que a questão é jurídica, na base da liberdade de informação, que se afirma uma das marcas de referência da nossa civilização.
Agora é certo: a luta continua!
António Serzedelo
Etiquetas:
Internet,
Justiça,
Liberdade de imprensa
sexta-feira, dezembro 10, 2010
SÁBADO 15H LARGO CAMÕES - LISBOA
Sábado, 11 de Dezembro · 15:00 - 18:00
Local: Largo do Chiado, Lisboa.
Criado por: Movimento de Apoio à Wikileaks
No próximo sábado, e em consonância com todo um movimento internacional de mobilização, convidamos todos os cidadãos que pensam que a liberdade de expressão e o livre acesso à informação são direitos inalienáveis, a concentrarem-se a partir das 15h no Largo do Chiado, em Lisboa.
Apelamos ao fim do bloqueio da Wikileaks que tem vindo a suceder por parte de várias empresas; apelamos ainda à não extradição de Julian Assange pelos riscos de vir a ser desrespeitado o seu direito a um julgamento justo devido a pressões internacionais.
Mas a WikiLeaks é mais do que uma pessoa, a WikiLeaks somos todos nós. Todos aqueles que acreditam na liberdade de expressão e na transparência da informação.
Todos somos a WikiLeaks.
Local: Largo do Chiado, Lisboa.
Criado por: Movimento de Apoio à Wikileaks
No próximo sábado, e em consonância com todo um movimento internacional de mobilização, convidamos todos os cidadãos que pensam que a liberdade de expressão e o livre acesso à informação são direitos inalienáveis, a concentrarem-se a partir das 15h no Largo do Chiado, em Lisboa.
Apelamos ao fim do bloqueio da Wikileaks que tem vindo a suceder por parte de várias empresas; apelamos ainda à não extradição de Julian Assange pelos riscos de vir a ser desrespeitado o seu direito a um julgamento justo devido a pressões internacionais.
Mas a WikiLeaks é mais do que uma pessoa, a WikiLeaks somos todos nós. Todos aqueles que acreditam na liberdade de expressão e na transparência da informação.
Todos somos a WikiLeaks.
Etiquetas:
Liberdade de imprensa,
Manifestação,
Portugal
domingo, novembro 07, 2010
Autoridades marroquinas impedem Deputado Europeu Willy Meyer de entrar em El Aiun
O Deputado Europeu Willy Meyer aterrou no aeroporto de El Aaiún mas logo vários polícias marroquinos entraram no avião empurrando e agredindo vários jornalistas que viajavam no mesmo voo, não permitindo que nenhum dos cidadãos espanhóis saísse da aeronave.
Enquanto os restantes passageiros conseguiram sair com normalidade, o eurodeputado do Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde, Willy Meyer, e três jornalistas espanhóis foram retidos dentro do avião.
Os jornalistas foram agredidos pelos polícias marroquinos que, depois de terem deixado sair o resto dos passageiros, irromperam dentro do aparelho de forma muito violenta.
Javier Guzman, o comandante do avião, lembrou aos polícias que estavam em território espanhol e depois de recriminar-lhes a sua violência e "atitude indigna", exigiu a sua saída imediata, o que veio a acontecer
Das janelas do avião, Willy Meyer e os jornalistas espanhóis puderam ver um grupo de cerca de 40 colonos com bandeiras marroquinas que aguardavam a sua chegada e se preparavam para os receber de forma violenta e vexatória. Tal facto demonstra a preparação deste acto premeditado.
Tudo leva a crer que tanto o deputado europeu como os jornalistas não irão poder visitar o acampamento saharaui de Gdeim Izik, onde, desde o dia 10 de Outubro, mais de 20 mil saharauis exigem o termo da espoliação dos seus recursos naturais e o direito à autodeterminação.
Willi Meyer tem demonstrado enorme preocupação quanto a uma possível "intervenção militar para desalojar violentamente o acampamento e, uma vez mais, o uso da repressão violenta e de forma criminosa sobre a expressão pacífica do povo saharaui em defesa dos seus direitos."
Divulgado pela
Associação de Amizade Portugal – Sahara Ocidental
07-11-2010
Enquanto os restantes passageiros conseguiram sair com normalidade, o eurodeputado do Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde, Willy Meyer, e três jornalistas espanhóis foram retidos dentro do avião.
Os jornalistas foram agredidos pelos polícias marroquinos que, depois de terem deixado sair o resto dos passageiros, irromperam dentro do aparelho de forma muito violenta.
Javier Guzman, o comandante do avião, lembrou aos polícias que estavam em território espanhol e depois de recriminar-lhes a sua violência e "atitude indigna", exigiu a sua saída imediata, o que veio a acontecer
Das janelas do avião, Willy Meyer e os jornalistas espanhóis puderam ver um grupo de cerca de 40 colonos com bandeiras marroquinas que aguardavam a sua chegada e se preparavam para os receber de forma violenta e vexatória. Tal facto demonstra a preparação deste acto premeditado.
Tudo leva a crer que tanto o deputado europeu como os jornalistas não irão poder visitar o acampamento saharaui de Gdeim Izik, onde, desde o dia 10 de Outubro, mais de 20 mil saharauis exigem o termo da espoliação dos seus recursos naturais e o direito à autodeterminação.
Willi Meyer tem demonstrado enorme preocupação quanto a uma possível "intervenção militar para desalojar violentamente o acampamento e, uma vez mais, o uso da repressão violenta e de forma criminosa sobre a expressão pacífica do povo saharaui em defesa dos seus direitos."
Divulgado pela
Associação de Amizade Portugal – Sahara Ocidental
07-11-2010
Etiquetas:
Direitos humanos,
Espanha,
Liberdade de imprensa,
Marrocos,
Parlamentos,
Sahara Ocidental
sábado, outubro 30, 2010
Marrocos expulsa AlJazeera

O governo do Marrocos proibiu hoje, sexta-feira as actividades do escritório da Al-Jazeera em Rabat e decidiu retirar as credenciais dos funcionários da emissora que tem sede no Qatar, anunciou o ministério da Comunicação do Reino de Marrocos.
O ministério informou que a suspensão foi motivada "por reportagens e programas de informação que tratam da actualidade marroquina emitidos pela AL Jazeera". O ministério da propaganda marroquino afirma em comunicado que o tratamento "irresponsável" reservado aos assuntos marroquinos "afectou seriamente a imagem de Marrocos e prejudicou manifestamente os seus superiores interesses, especialmente a questão da integridade territorial".
Informação divulgada pela
Associação de Amizade Portugal - Sahara Ocidental
27-10-2010
quinta-feira, outubro 07, 2010
Portugal: petição pelo pluralismo de opinião no debate político-económico
To: - direcção de informação dos canais televisivos portugueses e restantes meios de comunicação social; - responsáveis por programas de televisão que abordam questões político-económicas; - grupos parlamentares com representação na Assembleia da República; - Entidade Reguladora para a Comunicação Social.
As medidas de austeridade recentemente anunciadas pelo governo vieram mostrar, uma vez mais, a persistência de um fenómeno que corrói as bases de um sistema democrático. Nas horas e dias que se seguiram à conferência de imprensa de José Sócrates e de Teixeira dos Santos, os órgãos de comunicação social, nomeadamente as televisões, empenharam-se mais em tornar as referidas medidas inevitáveis do que em promover efectivos espaços de debate em torno das grandes opções político-económicas.
De facto, os diferentes painéis de comentadores televisivos convidados para analisar o chamado PEC III foram sistematicamente constituídos a partir de um leque apertado e tendencialmente redundante de opiniões, que oscilou entre os que concordam e os que concordam, mas querem mais sangue; ou entre os que acham que o PEC III vem tarde e os que defendem ter surgido no timing certo. Para lá destas balizas estreitas do debate, parece continuar a não haver lugar para quem conteste, critique ou problematize o quadro conceptual que está em jogo e as intenções de fundo, ou o sentido e racionalidade dos caminhos que Portugal e a Europa têm vindo a seguir, em matéria de governação económica.
Por ignorância, preguiça, hábito, desconsideração deliberada ou manifesto servilismo, os canais televisivos têm sistematicamente tratado a análise da crise económica como se o intenso debate quanto aos fundamentos doutrinários e às opções políticas que estão em jogo pura e simplesmente não existisse. Com a particular agravante de a crise financeira, iniciada em 2008, ter permitido uma consciencialização crescente em relação às diferentes perspectivas, no seio do próprio pensamento económico, no que concerne às responsabilidades da disciplina na génese e eclosão da crise.
Com efeito, diversos sectores político-sociais e reputados economistas têm contestado a lógica das medidas adoptadas, alertando para o resultado nefasto de receitas semelhantes aplicadas em outros países e denunciado a injusta repartição dos sacrifícios feita por politicas que privilegiam os interesses dos mercados financeiros liberalizados. Mas a sua voz permanece, em grande medida, ausente dos meios de comunicação de massas.
Não se trata de criticar o monolitismo das opiniões convocadas para o debate, partindo do ponto de vista de quem nelas não se revê. Uma exclusão daqueles que têm tido o privilégio quase exclusivo de acesso aos meios de comunicação seria igualmente preocupante. O problema de fundo reside em ignorar, nos dias que correm, o pluralismo de interpretações e perspectivas sobre a crise, sobre os seus impactos e sobre as opções de superação.
Somos cidadãos e cidadãs preocupados com este silenciamento e monolitismo. E por isso exigimos aos órgãos de comunicação social - em particular às televisões, e sobretudo àquela a quem compete prestar "serviço público" - que respeitem o pluralismo no debate político-económico de modo a que se possa construir uma opinião pública mais activa e informada. Menos do que isso é ficar aquém da democracia e do esclarecimento.
Será dado conhecimento da presente petição, e dos respectivos subscritores, às direcções de informação dos canais televisivos portugueses e restantes meios de comunicação social; a responsáveis por programas de televisão que abordam questões político-económicas; aos grupos parlamentares com representação na Assembleia da República e à Entidade Reguladora para a Comunicação Social.
Para informações e contactos: pluralismonodebate@gmail.com
As medidas de austeridade recentemente anunciadas pelo governo vieram mostrar, uma vez mais, a persistência de um fenómeno que corrói as bases de um sistema democrático. Nas horas e dias que se seguiram à conferência de imprensa de José Sócrates e de Teixeira dos Santos, os órgãos de comunicação social, nomeadamente as televisões, empenharam-se mais em tornar as referidas medidas inevitáveis do que em promover efectivos espaços de debate em torno das grandes opções político-económicas.
De facto, os diferentes painéis de comentadores televisivos convidados para analisar o chamado PEC III foram sistematicamente constituídos a partir de um leque apertado e tendencialmente redundante de opiniões, que oscilou entre os que concordam e os que concordam, mas querem mais sangue; ou entre os que acham que o PEC III vem tarde e os que defendem ter surgido no timing certo. Para lá destas balizas estreitas do debate, parece continuar a não haver lugar para quem conteste, critique ou problematize o quadro conceptual que está em jogo e as intenções de fundo, ou o sentido e racionalidade dos caminhos que Portugal e a Europa têm vindo a seguir, em matéria de governação económica.
Por ignorância, preguiça, hábito, desconsideração deliberada ou manifesto servilismo, os canais televisivos têm sistematicamente tratado a análise da crise económica como se o intenso debate quanto aos fundamentos doutrinários e às opções políticas que estão em jogo pura e simplesmente não existisse. Com a particular agravante de a crise financeira, iniciada em 2008, ter permitido uma consciencialização crescente em relação às diferentes perspectivas, no seio do próprio pensamento económico, no que concerne às responsabilidades da disciplina na génese e eclosão da crise.
Com efeito, diversos sectores político-sociais e reputados economistas têm contestado a lógica das medidas adoptadas, alertando para o resultado nefasto de receitas semelhantes aplicadas em outros países e denunciado a injusta repartição dos sacrifícios feita por politicas que privilegiam os interesses dos mercados financeiros liberalizados. Mas a sua voz permanece, em grande medida, ausente dos meios de comunicação de massas.
Não se trata de criticar o monolitismo das opiniões convocadas para o debate, partindo do ponto de vista de quem nelas não se revê. Uma exclusão daqueles que têm tido o privilégio quase exclusivo de acesso aos meios de comunicação seria igualmente preocupante. O problema de fundo reside em ignorar, nos dias que correm, o pluralismo de interpretações e perspectivas sobre a crise, sobre os seus impactos e sobre as opções de superação.
Somos cidadãos e cidadãs preocupados com este silenciamento e monolitismo. E por isso exigimos aos órgãos de comunicação social - em particular às televisões, e sobretudo àquela a quem compete prestar "serviço público" - que respeitem o pluralismo no debate político-económico de modo a que se possa construir uma opinião pública mais activa e informada. Menos do que isso é ficar aquém da democracia e do esclarecimento.
Será dado conhecimento da presente petição, e dos respectivos subscritores, às direcções de informação dos canais televisivos portugueses e restantes meios de comunicação social; a responsáveis por programas de televisão que abordam questões político-económicas; aos grupos parlamentares com representação na Assembleia da República e à Entidade Reguladora para a Comunicação Social.
Para informações e contactos: pluralismonodebate@gmail.com
Etiquetas:
Comunicação social,
Liberdade de imprensa,
Portugal
Subscrever:
Mensagens (Atom)