segunda-feira, maio 30, 2011

Acampamento do Rossio: centenas descem a Avenida da Liberdade em manifestação

Manifestação reúne centenas na Avenida da Liberdade sob intensa chuva

O acampamento do Rossio já dura há dez dias

700 pessoas saíram à rua neste Sábado à tarde exigindo "Democracia verdadeira já!".

A manifestação realizada em Lisboa foi decidida em assembleia popular e convocada pelo acampamento que há 10 dias ocupa o Rossio.

Apesar da intensa chuva, centenas de pessoas desceram a Avenida da Liberdade, gritaram e cantaram slogans por uma democracia participativa e palavras de ordem solidárias com as manifestações que se têm realizado em Espanha, por toda a Europa e noutras partes do Mundo, exigindo direitos essenciais e uma real participação das pessoas nas decisões que afectam as suas vidas.

Às 18 horas, no Rossio, um microfone passou de mão em mão dando voz a toda a gente que quis tomar livremente a palavra. Uma hora depois iniciou-se a 10ª assembleia popular que durou mais de três horas, com intenso debate e inúmeras propostas.

Discutiu-se de tudo: houve dezenas de propostas e reflexões sobre necessidades básicas, discriminações, a perda de direitos no trabalho, na educação e na saúde, o domínio do poder financeiro, a situação social, política e ambiental em todo o mundo.

Debateu-se também o próprio funcionamento das assembleias populares e as formas de construir e praticar uma democracia real.

Apela-se a que mais gente se junte ao acampamento, ao debate e ao protesto que está a mudar a cidade, enquanto cria e experimenta novas formas de intervir, de decidir e de pensar.

www.acampadalisboa.wordpress.com

domingo, maio 29, 2011

DEFENDER A ÁGUA DE TODOS COM O VOTO

Associação Água Pública
APELO
No dia 5 de Junho
DEFENDER A ÁGUA DE TODOS COM O VOTO

Demolidas que estão as barreiras legais à privatização da água, é imperioso dar a força do voto a quem, com provas dadas, seguramente use essa força na defesa da água de todos, da universalidade da sua fruição, da propriedade e gestão públicas da água.

O PSD inscreveu no programa eleitoral a privatização do grupo "Águas de Portugal" (AdP), o que já constava em 2004 de uma Resolução de Conselho de Ministros do governo PSD/CDS e em 2008 o governo PS iniciou na prática, privatizando as dez empresas concessionárias de serviços de águas incluídas na Aquapor. A privatização da água, toda a água, é um plano comum ao PS, PSD e CDS, há longo tempo acalentado e prosseguido pelos mesmos três partidos que agora assinam em conjunto o acordo com a "troika", unidos e solidários como sempre têm estado na submissão aos interesses do capital transnacional.

Em contracorrente com a tendência de reversão das privatizações da água que se verifica por todo o mundo por exigência das populações, como são exemplos as remunicipalizações na Grã-Bretanha, França, Alemanha e Itália e nova legislação para assegurar a água pública na Holanda, no Uruguai e na Bolívia, PSD, PS e CDS activa e persistentemente, na sintonia de quem subservientemente cumpre as ordens dos mesmos senhores, instalam em Portugal o "mercado da água", eufemismo para os grandes negócios especulativos que alimentam as poderosíssimas transnacionais do sector, as usuais destinatárias das "ajudas" do FMI nos mais tenebrosos casos de privatização da água.

PSD, PS e CDS, em uníssono na Assembleia da República, alternadamente no Governo, localmente nos Municípios, porfiam há longo tempo nesse intento. Hoje a situação é gravíssima e já se iniciou o passo final para entregar à especulação financeira privada o controlo do abastecimento de água e saneamento de quase todo o país, que foram arrancando aos serviços autárquicos e se concentraram agora em Sociedades Anónimas do Grupo Águas de Portugal.

Enquanto os capitais forem exclusivamente públicos, o avançadíssimo processo de privatização é facilmente reversível por uma mudança política. Se a transacção de capitais se realizar, a reversibilidade torna-se muito mais difícil e mais onerosa.

Na privatização da água como na submissão à "troika", o PS, o PSD e o CDS constituem um bloco uno, nenhum deles é "oposição".

Mas há oposição em Portugal, oposição que na Assembleia da República, nas Autarquias, nos locais de trabalho, nos sindicatos, nas associações e na rua, tem combatido incansavelmente estas políticas, defendido a água de todos e o interesse comum, apresentado propostas sólidas e viáveis e trabalho conhecido das populações, nomeadamente nos serviços de água.

Há outro caminho.

Nas eleições legislativas cada voto irá dar um poder de privatização ou dará um poder de defesa do bem comum.

APELAMOS AO VOTO NO DIA 5 DE JUNHO, EM DEFESA DO DIREITO À ÁGUA, CONTRA A PRIVATIZAÇÃO E OS SEUS PROMOTORES, PS, PSD e CDS.

FOI POSSÍVEL NO URUGUAI, FOI POSSÍVEL NA BOLÍVIA E FOI POSSÍVEL NA ISLÂNDIA.

EM PORTUGAL É POSSÍVEL!

Lisboa, 27 de Maio de 2011
A Direcção da Associação Água Pública

sábado, maio 28, 2011

O absurdo de querer novo referendo sobre o aborto

Passos para trás
com Pedro Passos Coelho
O absurdo de querer novo referendo sobre o aborto

A UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta considera que as declarações de Pedro Passos Coelho sobre o aborto são um autêntico absurdo, ao afirmar que a actual lei o liberaliza e ao admitir uma avaliação, que pode redundar num novo referendo.

Como podem as mulheres confiar num dirigente político, que quer fazer recuar uma luta de três décadas, pelo direito de escolha das mulheres?

Como pode Pedro Passos Coelho, que se quer passar por um liberal moderno, atender às pressões da direita mais conservadora e recolocar Portugal na cauda da Europa, quanto aos direitos sexuais e reprodutivos?

A avaliação da lei está feita:

Desde 2007 que não há mulheres julgadas em tribunal por terem feito um aborto.

Desde 2007 que as mulheres interrompem a sua gravidez com segurança, sem danos para a sua saúde.

Desde 2007 que as mulheres deixaram de morrer de aborto clandestino.

Desde 2007 que as mulheres que interrompem a sua gravidez recebem informação sobre contracepção e têm possibilidade de serem acompanhadas pelo planeamento familiar do SNS.

Desde 2007 que o direito de escolha das mulheres quanto à sua maternidade passou a ser respeitado, inserindo assim o país na realidade europeia.

Em 2007, cidadãs e cidadãos portugueses decidiram democraticamente num referendo vinculativo, dar um significativo passo em frente quanto às liberdades individuais e direitos das mulheres. E agora? Querem dar esse passo atrás?

Pela Direcção da UMAR

Joana Sales
Manuela Góis
Manuela Tavares

Porto: Carta Aberta da Es.Col.A do Alto da Fontinha

CARTA ABERTA

Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal do Porto
Exma. Senhora Vereadora do Conhecimento e Coesão Social
Exmo. Senhor Presidente da Junta de Freguesia de Santo Ildefonso

Portuenses e demais população

A Es.Col.A do Alto da Fontinha, Espaço Colectivo Autogestionado, constitui-se por um grupo informal de cidadãos que tem por objectivo devolver à comunidade o espaço da antiga Escola Primária do Alto da Fontinha, no Porto, se não como escola, como espaço de oficinas, leitura, convívio e lazer.

A Es.Col.A pretende ser um espaço autónomo, livre e não comercial, aberto a diferentes iniciativas, não discriminatórias. É um espaço livre de hierarquias, onde as decisões são tomadas através do consenso em assembleias regulares abertas a todos (tanto moradores do bairro como representantes institucionais) e cujas actividades não dependem de subsídios financeiros.

A ocupação levada a cabo no passado dia 10 de Abril não pretendeu de forma alguma usurpar o imóvel, nem tão pouco vandalizá-lo. Pretende, sim, restituir-lhe funcionalidade e inverter o processo de destruição de que vem sendo alvo, sendo prova disso mesmo a limpeza e recuperação do espaço levadas a cabo desde o primeiro momento.

Em paralelo com intervenções de requalificação do imóvel (obras de restauro, pintura, limpeza do mato), as dinâmicas criadas desde o início com a comunidade circundante e os diversos apoiantes do projecto resultaram num horário de actividades que preenche todos os dias da semana. A Es.Col.A oferece apoio escolar, cinema, teatro, leitura, jantares populares, actividades seniores e oficinas de bicicletas e informática. Continuam a surgir novas actividades e voluntários.

Em poucas semanas, tornou-se evidente a mobilização de moradores, intervenientes e simpatizantes deste renascer do Alto da Fontinha, gerando a solidariedade suficiente para que, de um espaço degradado, surja um local partilhado, onde se privilegia o convívio e a participação cívica de toda a comunidade, se contraria a desertificação, se promove a inclusão social, o diálogo intergeracional – onde, a cada momento, se cria um espaço vivo e feliz.

Da Es.Col.A não partem pedidos de financiamento. Na Es.Col.A não existem desejos economicistas. O projecto assume-se verdadeiramente auto-sustentável, demonstrando que a cultura, a educação e o convívio são o motor poderoso para a concretização do mais ambicioso dos objectivos.

Parcas doações de material, espírito inventivo e braços dispostos a trabalhar ultrapassam, assim, as necessidades materiais e unem esta grande família. No espaço de um mês, o grupo de pessoas envolvidas directamente no projecto alargou-se até próximo da meia centena, incluindo moradores e simpatizantes.

Foi então com incredulidade que, no dia 10 de Maio, fomos despejados das instalações, através de uma intervenção policial agressiva. De registar que as forças policiais não se identificaram devidamente, não apresentaram qualquer mandado de despejo, não se mostraram abertas ao diálogo e detiveram oito dos presentes no espaço. No entanto, a Constituição da República Portuguesa consagra, no artigo 52º, a legitimidade das acções populares para assegurar a defesa dos bens do Estado. Não nos podemos conformar com esta acção e muito menos com o subsequente emparedamento da Es.Col.A.

De momento, as actividades antes albergadas pelo espaço da antiga Escola Primária do Alto da Fontinha decorrem na via pública. Mesmo sem instalações, a Es.Col.A não tem defraudado as expectativas de vizinhos e demais beneficiados, continuando a assegurar as diversas oficinas e actividades. Continua vivo e de boa saúde o espírito de entreajuda e partilha de conhecimento conquistado.

O princípio da auto-gestão, consagrado no artigo 85º da Constituição da República Portuguesa, guiou desde o início o processo de criação desta realidade. Mantendo este princípio, o projecto da Es.Col.A continuará a ser construído, pensado e executado de acordo com as possibilidades dos voluntários, procurando ir ao encontro das necessidades da comunidade.

Uma delegação da Es.Col.A do Alto da Fontinha participou na reunião da Assembleia Municipal do Porto do passado dia 16 de Maio. À porta, centenas de pessoas apoiaram a iniciativa. Quando interpelado por deputados da oposição, o presidente da autarquia mostrou-se disponível para aceitar um projecto para o espaço. Todavia, retirou-se sem ouvir a nossa intervenção.

Tendo em conta que a Câmara Municipal do Porto disse estar disposta a analisar o projecto; que a Es.Col.A já provou, pela prática, ter capacidade para realizar actividades e envolver a população; que as actividades continuam, ainda que em condições absolutamente precárias; que a população da Fontinha apoia a Es.Col.A; que este projecto responde a necessidades reais, não pode continuar sem espaço físico e que é urgente tomar decisões, solicitamos que a Câmara Municipal do Porto proceda ao desemparedando do edifício e conceda à Es.Col.A uma autorização de utilização precária do espaço da antiga Escola Primária do Alto da Fontinha, nos moldes acima descritos, até que um contrato de comodato seja redigido e aceite pelas partes.

Serve igualmente esta carta aberta para convidar a vereadora responsável pelo Pelouro do Conhecimento e Coesão Social, Doutora Guilhermina Rego, para participar na nossa próxima assembleia, a realizar a 13 de Junho, pelas 18h30, no Largo da Fontinha, onde se poderá discutir pormenores e clarificar dúvidas. Este convite é extensível a todos os autarcas da Câmara Municipal do Porto, da Assembleia Municipal, e da Junta de Freguesia de Santo Ildefonso.

Ficaremos à espera da comparência da Sr.ª Vereadora ou, na impossibilidade da sua presença, de uma comunicação da autarquia, em tempo útil, para a partir daí podermos definir prazos e atitudes a tomar, tendo em conta os objectivos do Projecto Es.Col.A.

No endereço de internet escoladafontinha.blogspot.com encontra-se disponível o horário das actividades a decorrer na Es.Col.A e outras informações sobre este projecto.

Em virtude de estarmos desalojados, agradecemos que nos respondam para o endereço de correio electrónico es.col.a.da.fontinha@gmail.com.

Largo do Fontinha, Porto, 25 de Maio de 2011

Esta carta aberta foi aprovada na assembleia da Es.Col.A do Alto da Fontinha, Espaço Colectivo Autogestionado no dia 25 de Maio de 2011.

quarta-feira, maio 25, 2011

Plataforma Democracia Directa

Manifesto aprovado na Assembleia Popular no Rossio 21 de Maio de 2011 MANIFESTO PLURAL

Os reunidos no Rossio, conscientes de que esta é uma acção em marcha e de resistência, acordaram manifestar o seguinte:

1. Depois de muitos anos de apatia, um grupo de cidadãs e cidadãos de diferentes idades e estratos sociais (estudantes, professores, bibliotecários, desempregados, trabalhadores…), REVOLTADOS com a sua falta de representação e com as traições levadas a cabo em nome da democracia, reuniram-se, no Rossio, em torno da ideia de Democracia Verdadeira.

2. A Democracia Verdadeira opõe-se ao paulatino descrédito de instituições que dizem representar os cidadãos, convertidas em meros agentes de administração e gestão, ao serviço das forças do poder financeiro internacional.

3. A democracia promovida a partir dos corruptos aparatos burocráticos é, simplesmente, um conjunto de práticas eleitorais inócuas, em que os cidadãos têm uma participação nula.

4. O descrédito da política trouxe consigo um sequestro das palavras, por parte de quem detém o poder. Devemos recuperar as palavras e dar-lhes significado, para que não se manipule com a linguagem e se deixe a cidadania indefesa e incapaz de uma acção coesa.

5. Os exemplos de manipulação e sequestro da linguagem são numerosos e constituem uma ferramenta de controlo e desinformação.

6. Democracia Verdadeira significa dar nome à infâmia em que vivemos: Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu, NATO, União Europeia, as agências de notação financeira (rating), como a Moody’s e a Standard and Poor’s, o PS, PSD, CDS; contudo, há muitos mais e a nossa obrigação é nomeá-los.

7. É preciso construir um discurso político capaz de criar um novo tecido social, sistematicamente fragilizado por anos de mentiras e corrupção. Nós, cidadãos, perdemos o respeito pelos partidos políticos maioritários, mas isso não significa perder o nosso sentido crítico. Pelo contrário, não tememos a POLÍTICA. Tomar a palavra é POLÍTICA. Procurar alternativas de participação cidadã é POLÍTICA.

8. Uma das nossas premissas principais é devolver à Democracia o seu verdadeiro sentido: um governo dos cidadãos. Uma democracia participativa. E, para além disso, exigimos uma deontologia para os políticos que assegure as boas práticas.

9. Fazemos finca-pé em que os cidadãos aqui reunidos compomos um movimento TRANSGERACIONAL, porque pertencemos a várias gerações condenadas a uma perda intolerável de participação nas decisões políticas que condicionam a sua vida diária e o seu futuro.

10. Não apelamos à abstenção. Exigimos que o nosso voto tenha uma influência real na nossa vida.

11. Hoje não estamos aqui para reclamar simplesmente o acesso a subsídios ou para protestar contra as insuficiências do mercado de trabalho. ESTE É UM ACONTECIMENTO. E, como tal, um evento capaz de abrir novos sentidos às nossas acções e discursos. Isto nasce da RAIVA. Mas a nossa RAIVA é imaginação, força, poder cidadão.

sexta-feira, maio 13, 2011

15 de Maio: manifestação de protesto a nível nacional

Como sabem foi convocada dia 15 de Maio por centenas de cidadãos comuns uma manifestação de protesto a nível nacional. Esta iniciativa partiu de Espanha e existe em paralelo com vários países como a França, Bulgária, Estados Unidos, México e Turquia.

Em Lisboa esperamos que venham animados, cheios de espírito de mudança e de respeito mútuo. O programa é este:
  • A partir das 16h00 – Concentração no Marquês de Pombal.
  • 17h00 – Início da manifestação, rumo à Av. da Liberdade.
  • Descida da Av. da Liberdade e chegada ao Rossio.
  • Continuação da marcha em direcção ao Terreiro do Paço, Ministério das Finanças.
  • Chegada ao destino segue-se uma pequena intervenção por parte de um dos elementos coordenadores, introduzindo temas pertinentes e iniciando a abertura da participação de diferentes pessoas.
  • Intervenções dos representantes dos diferentes movimentos/grupos sociais participantes, com espaço aberto a todos os que queiram fazer uma comunicação.
  • 20h00 - Dispersão dos intervenientes.

segunda-feira, maio 09, 2011

SOLIDARIEDADE COM A PALESTINA - 63 ANOS DE NAKBA

O povo palestino assinala os 63 anos da Nakba ("catástrofe") em condições significativamente diferentes das de anos anteriores. Os levantamentos populares, um pouco por todo o mundo árabe, que já tiveram consequências na mudança de governo de alguns países, podem alterar o quadro geopolítico em que se tem inserido a questão palestina. Hamas, Fatah e outras 11 organizações representativas do povo palestino firmaram, recentemente, um acordo de reconciliação. O Estado Palestino tem vindo a ser reconhecido por um número crescente de países. Que influência é que estes acontecimentos podem ter no legítimo anseio do povo palestino de viver, em paz e liberdade, no seu Estado soberano, viável e independente?

Na próxima segunda-feira, 16 de Maio, às 19 horas, na Casa do Alentejo (Rua das Portas de Santo Antão, 58, em Lisboa) vamos assinalar o 63º aniversário da data em que, na sequência da constituição unilateral do estado de Israel, milhões de palestinos foram despojados das suas propriedades e empurrados para o exílio ou subjugados na sua terra. Vamos recordar o que têm sido estes anos da opressão e resistência, mas vamos, sobretudo, manifestar a nossa solidariedade com este povo e dizer-lhe que continua a haver esperança.

Contamos com intervenções do Sr. Embaixador da Palestina, Dr. Muffeed Shami; de Maria do Céu Guerra, Presidente do MPPM e de Carlos Almeida, membro da Direcção Nacional do MPPM. O jornalista José Manuel Rosendo irá comentar, emprestando a sua experiência pessoal de numerosas visitas à Palestina, o filme Carta de Sara, relato do quotidiano de uma garota palestina de 12 anos num mundo em conflito.

Venha informar-se, contribuir com a sua opinião mas, sobretudo, manifestar a sua solidariedade com o povo palestino. Divulgue esta iniciativa e traga outro amigo também!

A Comissão Executiva do MPPM

Video da Manifestação do 1º de Maio em Setúbal

Aqui está o vídeo que durante a última semana foi recolhido e editado. Utilizaram-se as caixas de texto para cobrir as caras, visto que estas durante a manifestação estavam descobertas e porque sabemos como funciona o aparelho repressivo.

Não disparámos armas de fogo, não fomos em formação "bloco-negro", não causamos distúrbios, não partimos vidros, não destruímos carros… nem nenhum dos outros delírios. Houve sim fogos de artifício e frases pintadas pelo caminho.

No final do vídeo é óbvio, pela posição da câmara, que a polícia adoptou uma postura ofensiva para acabar violentamente com uma manifestação que já tinha acabado. É criada uma ratoeira para a qual somos atraídos e a partir daqui a polícia agrediu todos os que encontrou pela frente.

Ao serem posicionados agentes da polícia numa parte do Largo e depois de ser feita a comunicação, no momento em que chega a carrinha da BIR pode então começar o ataque planeado contra os que permaneciam por ali. Durante a parte em que a câmara corre na direcção da carrinha da BIR já decorria a agressão por parte da polícia (que se pode ver entre dois carros a espancar manifestantes que estão no chão) e ouvem-se os primeiros disparos para afastar os manifestantes que só nesta altura se insurgem contra a atitude policial, não a sua presença!
Faltam-nos imagens desse ângulo e convidamos aqueles que eventualmente as terão a contribuir para o arquivo que se criou para cobrir as consequências desta manifestação.

O que se segue é muito incompleto, as repetidas cargas, os disparos, os abusos, as humilhações, os espancamentos e as caçadas da polícia que levaram muitos dos manifestantes a corridas contínuas até ao outro lado da cidade não estão filmadas.

Mais informações e contacto em:

www.terralivre.net

terralivre.setubal@gmail.com

links:

http://terralivre.eu/blog/?p=98

http://www.youtube.com/watch?v=ngMyjZVOG4U

domingo, maio 08, 2011

Um artigo de Haidar Eid sobre o reconhecimento de um Estado palestiniano

Haidar Eid é um militante palestiniano, membro da campanha pelo Boicote, Desinvestimento e Sanções, professor universitário de literatura inglesa na universidade de Gaza.


Declarar a independência de um bantustão

A "euforia induzida", que caracteriza entre os principais meios de comunicação as discussões a respeito da futura declaração de um Estado palestiniano independente em Setembro, ignora a dureza das realidades no terreno e os avisos de comentadores críticos. Descrever uma tal declaração como uma "brecha" e como um "desafio" ao defunto "processo de paz" e ao governo de direita de Israel serve apenas para ocultar a permanente negação por parte de Israel dos direitos dos palestinianos, ao mesmo tempo que reforça a ratificação implícita pela comunidade internacional de uma situação de apartheid no Médio Oriente.

O movimento pelo reconhecimento é conduzido por Salam Fayad, o primeiro-ministro designado da Autoridade Palestiniana (AP) sedeada em Ramallah. Ele baseia-se na decisão tomada nos anos 1970 pela Organização de Libertação da Palestina (OLP) de adoptar o programa mais ágil de uma "solução de dois Estados". Esse programa defende que a questão palestiniana, que está no cerne do conflito israelo-árabe, pode ser resolvida pelo estabelecimento de um "Estado independente" na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, com Jerusalém oriental como capital. Segundo esse programa, refugiados palestinianos voltariam para o Estado da «Palestina», mas não para as suas casas em Israel, que se auto-define como o "Estado dos judeus". Do mesmo modo, a "independência" não toma em conta esta questão, assim como não toma em consideração os apelos de 1,2 milhão de palestinianos de nacionalidade israelita, tratados como cidadãos de terceira categoria, para transformar a luta num movimento anti-apartheid.

Tudo isto é suposto entrar em vigor depois das forças israelitas se retirarem da Cisjordânia e de Gaza. Ora, não se tratará apenas de uma reafectação de forças, como pudemos ver durante o período de Oslo? Os promotores desta estratégia pretendem no entanto que a independência garante que Israel tratará como um único povo os palestinianos de Gaza e da Cisjordânia e que a questão palestiniana pode ser resolvida segundo o direito internacional, satisfazendo assim os direitos políticos e nacionais básicos do povo palestiniano.

Deixemos de lado o facto de que Israel mantém até 573 barragens e pontos de controlo permanentes através da Cisjordânia, sem contar 69 pontos de controlo "móveis" adicionais; e é possível que vocês também prefiram ignorar o facto de que os colonatos "puramente judeus" existentes anexaram mais de 54% da Cisjordânia.

Quando da conferência de Madrid em 1991, Yitzhak Shamir, então primeiro-ministro de um governo de "falcões", não tinha sequer aceitado o "direito" palestiniano a uma autonomia administrativa. Com a chegada do governo de "pombas" Meretz/trabalhista, conduzido por Yitzhak Rabin e Shimon Peres, os dirigentes da OLP travaram na Noruega negociações de bastidores. Ao assinar os Acordos de Oslo, Israel encontrava-se livre do pesado fardo de administrar Gaza e as sete cidades sobrepovoadas da Cisjordânia. A primeira intifada terminou com uma decisão oficial – e secreta – da OLP, sem ter atingido os seus objectivos nacionais de transição, nomeadamente "liberdade e independência", e sem o acordo do povo que a OLP era suposta representar.

A mesma ideia de "independência" foi primeiro rejeitada pela OLP, porque ela não respondia aos "direitos legítimos mínimos" dos palestinianos, e porque ela é a antítese da luta palestiniana pela libertação. O que é proposto no lugar desses direitos é um Estado cuja existência é apenas nominal. Por outras palavras, os palestinianos são obrigados a aceitar uma plena autonomia sobre uma fracção apenas da sua terra e não podem nunca pensar em termos de soberania, de controlo de fronteiras, de reservas hídricas e, mais importante que tudo, de retorno dos refugiados.

Esses foram os Acordos de Oslo e essa é também a "declaração de independência" planeada. Não é de surpreender, portanto, que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tenha declarado que "não poderia dar o seu acordo a um Estado palestiniano através de negociações".

Esta declaração ainda menos promete respeitar o plano de partilha das Nações Unidas de 1947, que só garantia aos palestinianos 47% da Palestina histórica, embora eles representassem mais dos dois terços da população. Uma vez declarado, o futuro Estado palestiniano "independente" ocupará menos de 20% da Palestina histórica. Ao criar um bantustão e ao chamá-lo "Estado viável", Israel vai livrar-se do peso de 3,5 milhões de palestinianos. A AP governará o número mais pequeno de palestinianos no maior número de fragmentos de território – fragmentos que podemos chamar de "Estado da Palestina". Esse "Estado" será reconhecido por dezenas de países – o que dará grande inveja aos infames chefes tribais bantus da África do Sul!

Podemos igualmente supor que a "independência" tão comentada e celebrada só reforçará o papel desempenhado em Oslo pela Autoridade palestiniana, ou seja, o de tomar medidas de polícia e de manutenção da ordem destinadas a desarmar os grupos de resistência palestiniana. Tais foram as primeiras exigências impostas aos palestinianos em Oslo em 1993, em Camp David em 2000, em Annapolis em 2007 e em Washington no ano passado.

Ao mesmo tempo, no âmbito das negociações e das exigências, nenhum compromisso ou obrigação são impostos a Israel. Tal como os Acordos de Oslo significavam o fim da resistência popular e não violenta da primeira intifada, esta declaração de independência tem um objectivo semelhante, isto é, de pôr um termo ao apoio internacional crescente a favor da causa palestiniana, que se tem afirmado desde o ataque de Israel contra Gaza no inverno de 2008-2009 e o seu ataque contra a Flotilha da Liberdade em Maio passado.

E esta declaração não garante tão pouco aos palestinianos um mínimo de protecção e de segurança contra as futuras agressões e atrocidades israelitas. A invasão e o cerco de Gaza foram uma consequência de Oslo. Antes da assinatura dos Acordos de Oslo, nunca Israel tinha utilizado plenamente o seu arsenal de F-16, de bombas de fósforo e de armas de fragmentação em Gaza e na Cisjordânia. Mais de 1200 palestinianos foram mortos de 1987 a 1993 durante a primeira intifada. Israel ultrapassou esse número durante as três semanas da sua invasão em 2009; conseguiu matar brutalmente mais de 1400 pessoas apenas na Faixa de Gaza. Isto, sem contabilizar as vítimas do cerco estabelecido por Israel desde 2006, que se caracterizou por bloqueios e ataques israelitas repetidos, antes e depois da invasão de Gaza.

No fim de contas, o que esta suposta "declaração de independência" oferece ao povo palestiniano não é mais que uma miragem, uma “pátria independente” que não é outra coisa que um bantustão travestido. Mesmo se for reconhecida por tantos países amigos, ela é impotente para conceder aos palestinianos a liberdade e a emancipação. Um debate crítico – quer dizer, oposto ao que é desviado e demagógico – exige o exame atento das distorções da história por falsas representações ideológicas. Onde nos devemos implicar, é numa visão histórica e humana das questões palestiniana e judaica, uma visão que nunca negue os seus direitos a um povo, que garanta uma completa igualdade e que abula o apartheid – em vez de reconhecer um novo bantustão, 17 anos após a queda do apartheid na África do Sul.

Fonte: http://al-shabaka.org/declaring-independent-bantustan

sábado, maio 07, 2011

Carta aberta - apoio embaixada de Israel

Caro António,

Foi com muita tristeza que lemos a carta aberta que escreveram ao IndieLisboa. Não só compreendemos a vossa causa, como precisamente por isso, achamos que se deve investigar primeiro o que se passa e se tal se continuar a justificar então escrever alguma coisa. Agora escrever uma carta com total desconhecimento de causa, não só nos parece injusto, como até é lesivo da nossa integridade.

Este ano escolhemos 4 filmes israelitas para o festival, dois deles abertamente contra a grave situação política que actualmente se está a viver em Israel. Um deles, Transparent Black, a realizadora israelita pediu directamente o apoio à Embaixada de Israel em Portugal. O dinheiro não passou por nós nem a viagem foi tratada por nós. Como qualquer entidade responsável mencionamos nos nossos materiais esse apoio.

De qualquer forma, convidamo-vos para irem ver dois dos filmes propostos para o programa, dos quais vos enviamos a sinopse para perceberem do que estamos a falar:

Transparent Black
Kokou is a cleaner dreaming of becoming football manager, Philo wants to become a business woman. Both are refugees in Israel, both learn Hebrew at night. Each has to deal with the disillusion of facing racism even in a country built up by victims of the very same plague. Not being seen as who you are but as what you represent, simply turned into transparent, erased.


Out/Tse, de Roee Rosen
Podemos ser tentados a ver este filme como uma defesa dos rituais de dominação e submissão sado-maso. Ou acreditar que segue o rasto de um paralelo entre uma rapariga possuída e cidadãos israelitas impregnados do demónio do racismo. Mas e se fosse isto o que está a acontecer hoje em Israel?
Tse’s central scene depicts a domination/submission thrashing, set in a mundane living room. The scene is not acted but rather performed by two women whose real-life preferences entail BDSM (Bondage-Domination-Sadism-Masochism). But in this session, the painful blows meted out by the Dom cause the sub to spew out sentences, all of which are quotes from Israel’s Minister of Foreign Affairs, Avigdor Lieberman, renowned as one of the most extreme right-wing politicians in the country. Thus, a scene of erotic pleasure and pain becomes an exorcism, and the film itself a hybrid between a documentary (both about the present rhetoric of the Israeli right, and its free-spirited sexual community), a fictional scene harking to a genre of horror movies, and the theme of possession. The ritual at the centre of the work is framed by two additional scenes, each with its own distinct cinematic style. A preceding interview with the two participants seems at first to be a straightforward documentary about their own experiences within the Israeli BDSM scene, but soon transforms into an exposition of the premise by which one is possessed, the other an exorcist. The final musical scene is a song set to the words of the Russian poet Esenin’s Letter to Mother. Executed as a one-shot, the song not only elevates and complicates the emotional resonance of what preceded it, but is also a direct, if twisted, hommage to the final scene of another film that deals with hybridity, radical sexuality and politics: Dusan Makavejev’s WR, The Mystery of the Organism.

Acho que mais explícito do que a nossa posição não poderia ser... Ou vamos continuar a fingir que nada se passa e vamos continuar a agir sem pensar?

Cumprimentos,
miguel valverde

quarta-feira, maio 04, 2011

Carta aberta ao Festival Indie

À direcção do festival Indie Lisboa

Na edição de 2011, este prestigiado festival declara receber um apoio à programação por parte da embaixada israelita. Sabemos que os apoios que as embaixadas de Israel têm dispensado a eventos culturais no estrangeiro são mínimos. Reduzem-se, a maior parte das vezes, ao pagamento de uma simples viagem de avião. Mas esses apoios simbólicos são suficientes para dar direito à exibição de um logotipo da embaixada e tornaram-se num dos métodos de propaganda utilizados pelo Estado de Israel para o branqueamento dos seus crimes contra a humanidade. Israel quer assim dar de si a imagem de um país democrático e tolerante, amante da cultura e da liberdade.

Mas nós todos sabemos que não existe liberdade sob o colonialismo. Ninguém é livre quando vive sob ocupação militar, confinado a bantustões cercados por muros e checkpoints, quando assiste diariamente a demolições de casas, a destruição de olivais, a confiscação de terras e a bombardeamentos.

A campanha de boicote, desinvestimento e sanções (BDS), em curso desde 2005 é semelhante à que contribuiu para o fim do apartheid sul-africano, isolando-o internacionalmente, e é a única forma pacífica de combater com êxito o lento genocídio do povo palestiniano.

Outro festival de cinema de referência, o Queer de Lisboa, cometeu, no ano passado, o mesmo erro de aceitar um apoio institucional da embaixada de Israel. Vários movimentos de solidariedade organizaram em consequência um protesto público à porta do festival. E o laureado realizador canadiano John Greyson exigiu que fossem retirados do festival dois filmes seus e que a sua explicação para esse gesto fosse lida no início da sessão onde deveria ter passado o primeiro dos seus filmes.

Gostaríamos de ver o Indie Lisboa seguir os exemplos dos festivais de cinema de Edimburgo e de Locarno que, respondendo ao apelo das organizações, dos intelectuais e artistas palestinianos de todo o mundo (inclusive israelitas), devolveram às embaixadas em causa os apoios recebidos. Qualquer aceitação de patrocínios vindos do governo israelita só pode ser vista como um apoio de facto a um regime de apartheid. Pedimos portanto que a direcção do festival reflicta sobre este tema e colocamo-nos à sua disposição para prestar quaisquer esclarecimentos que entenda necessários.

Com os melhores cumprimentos,

As organizações:
Colectivo Mumia Abu-Jamal
Comité de Solidariedade com a Palestina
Pagan – Plataforma Anti-guerra Anti-NATO
Panteras Rosa
SOS Racismo

domingo, maio 01, 2011

PAGAN: violência policial no Dia do Trabalhador

A Plataforma Anti-Guerra Anti-NATO condena a atuação da polícia na manifestação anticapitalista e antiautoritária que assinalou o dia 1º de Maio em Setúbal.

Após uma manifestação sem incidentes, a polícia cercou os manifestantes no Largo da Fonte Nova e disparou balas de borracha e gás pimenta, tendo ferido várias pessoas com alguma gravidade. Foram também disparadas munições reais para o ar e houve detenções.

Cerca de 200 pessoas foram atacadas pela polícia quando já tinham cessado o desfile de comemoração do Dia do Trabalhador: este ataque constitui uma afronta à cidadania e não poderá passar incólume. Os responsáveis pelo aparelho de "segurança" do Estado têm que de garantir o direito de todos à liberdade de expressão. A violência veiculada por um Estado que se mostra cada vez mais repressivo é um indicador dos tempos que temos pela frente.

A PAGAN lamenta também a ausência dos meios de comunicação social, cuja presença inibiria certamente a brutal e totalmente desajustada actuação policial.