domingo, abril 26, 2015

A Luta de classes na República Popular da China


Num despacho datado de 6 de Abril o correspondente na China da agência noticiosa Associated Press (AP) dava conta do crescente número de conflitos laborais que têm proliferado naquele país nos últimos anos.
Baseando-se em dados recolhidos no boletim do Hong Kong China Labor, uma organização sediada em Hong-Kong que reúne informações retiradas da comunicação social chinesa, os 168 milhões de trabalhadores migrantes empurrados dos campos para as cidades pelas reformas económicas iniciadas há mais de 3 décadas pelas autoridades de Pequim, estão a descobrir os seus direitos laborais num movimento de protesto que tem duplicado a cada um dos últimos quatro anos, tendo passado de 185 em 2011 para mais de 1.300 em 2014.
A repressão por parte das autoridades tem acompanhado este crescendo, assim como a dos patrões das fábrica que despedem os organizadores dos movimentos grevistas.
A lei do trabalho, que entrou em vigor em 1995, reconhece o direito à contratação colectiva e à greve, mas apenas se for organizada pela Confederação Geral dos Sindicatos, que os críticos dizem ser essencialmente um braço do governo.
Para o correspondente da AP «os trabalhadores fabris migrantes são, talvez, a vanguarda deste movimento», mas o activismo laboral está lentamente a espalhar-se entre a classe trabalhadora que, ao todo, constitui mais de metade da população chinesa.
E cita Zhang Zhiru, que anima um pequeno grupo que apoia os trabalhadores na defesa dos seus direitos, segundo o qual o governo vai continuar a envidar esforços para cercear as organizações laborais, pois considera-as «uma fábrica de problemas». «O desenvolvimento social e a crescente consciencialização dos trabalhadores sobre a necessidade de proteger os seus direitos vai empurrar a sociedade para a mudança», disse ele.
Recorde-se que o Banco Mundial prevê um crescimento para a economia chinesa de 7,0% para 2015 e 2016, ligeiramente inferior aos 7,4% observados em 2014.

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