domingo, maio 08, 2005

II Guerra Mundial - A

Há 60 anos, a 8 de maio de 1945, com a derrota do Terceiro Reich, terminava a II Guerra Mundial na Europa.

Ignacio Ramonet, Le Monde Diplomatique

O custo em vidas humanas da II Guerra Mundial foi o mais elevado da História. Estima-se que a quantidade total de mortos ascenda aos 50 milhões. O balanço foi mais desfavorável na Europa que na Ásia, e muito mais no leste europeu que no oeste. O exército soviético – Exército Vermelho – perdeu sozinho uns 14 milhões de homens: 11 milhões nos campos de batalha (dos quais 2 milhões nas frentes do Extremo Oriente) e 3 milhões nos campos alemães de prisioneiros. Algumas grandes batalhas, como Stalingrado (setembro de 1942-fevereiro de 1943), o desembarque na Normandia (junho de 1944) ou a tomada de Berlin (20 de abril a 8 de maio de 1945) foram mais mortíferas que os piores enfrentamentos da I Guerra Mundial.

Entre os Aliados, o total de mortos em combate foi de 300 mil americanos, 250 mil britânicos e 200 mil franceses. O Japão perdeu um milhão e meio de combatentes. Mas uma das principais causas das perdas de vidas humanas foi o confronto no leste da Europa entra a Wehrmacht e o Exército Vermelho, que terminou com a morte de pelo menos 11 milhões de soldados de ambos os lados, e originou mais de 25 milhões de feridos.

Massacres, fome e governantes impunes

Pela primeira vez no curso de uma guerra, a quantidade de vítimas civis superou em muito a dos militares mortos em combate. Além disto, os civis foram frequentemente vítimas de atrocidades cometidas para aterrorizar o adversário. Desta maneira, na Ásia, o Japão, que havia invadido o norte da China em 1937 e ocupado Pequim, lançou seu exército sobre Nanquin, onde tinha sede o governo chinês, que decidiu resistir. Uma vez tomada Nanquim, o exército japonês entregou-se a um verdadeiro massacre. Os 200 mil chineses que na ocasião se encontravam na cidade foram executados em condições atrozes. As mulheres foram brutalmente violadas, os homens e crianças enterrados vivos ou torturados segundo directivas precisas. A cidade foi saqueada, e depois queimada de ponta a ponta.

O príncipe Asakasa, primeiro responsável por esta carnificina, nunca chegou a ser julgado após a guerra. No entante este crime é minimizado por alguns manuais escolares japoneses. O que deixa furiosos – com razão – os chineses e coreanos, como pôde ser visto em abril último, em Pequim, durante as grandes manifestações anti-japonesas. Contrariamente à Alemanha, o Japão nunca chegou a reconhecer de modo convincente os seus abomináveis crimes de guerra contra os civis chineses e coreanos.

Em toda parte, a fome dizimou as populações assediadas. Em Leningrado (hoje São Petersburgo), mais de 500 mil civis pereceram por privações, entre novembro de 1941 e janeiro de 1944. E houve também bombardeios intensivos às cidades. Os beligerantes abandonaram qualquer escrúpulo em relação às grandes aglomerações indefesas. Começando pelas forças de hitler, que, de 10 de setembro de 1940 até 15 de maio de 1941, multiplicaram as incursões aéreas contra as cidades inglesas (entre as quais, Coventry), provocando mais de 500 mil mortes civis. Como muitas outras cidades, Varsóvia foi inteiramente destruída de novembro a dezembro de 1944 pelas tropas alemãs em retirada. Os Aliados responderam em 13 de fevereiro de 1945, com a destruição de Dresden, gerando dezenas de milhares de vítimas civis, muitas delas refugiados. Logo, em 8 e 11 de agosto de 1945, as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki foram eliminadas do mapa pelos primeiros bombardeamentos atómicos da história.

Tradução: Tiago Soares e António Martins, Outras Palavras (continua abaixo)

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