quarta-feira, novembro 17, 2004

Fallujah

Na sua primeira demonstração de força após a reeleição, Bush arrasa Fallujah. Vitória militar que pode significar mais uma derrota política no Iraque.

Wilson Sobrinho

Segundo um correspondente da BBC, após três dias da maior investida militar do ano no Iraque, já é possível sentir o "cheiro dos cadáveres em decomposição" nas ruas de Fallujah.

Mas mesmo antes de contar os corpos, os problemas para a autoridade nacional provisória já começaram. O maior partido sunita do Iraque retirou-se do governo como protesto perante o ataque e "a injustiça causada às pessoas inocentes da cidade", disse um membro do partido. Já um grupo de influentes líderes sunitas abriu campanha pelo boicote às eleições de janeiro. O pleito "não pode ocorrer por cima dos corpos dos mortos em Fallujah", declarou Harith Dhari, membro do grupo de intelectuais.

Se os problemas se limitassem ao campo político seria fácil demais para a Casa Branca. O facto é que existem ainda incógnitas em relação à eficiência da tomada de Fallujah no que diz respeito ao seu objetivo primordial: aniquilar a resistência que vem fazendo da ocupação do Iraque a Disneylândia de terroristas e fanáticos. Não se sabe ainda se os tais "líderes da resistência" ficaram à espera da chegada das tropas ou se eles simplesmente deixaram lá um punhado de "soldados" para combater os invasores, enquanto fugiam para se reorganizar mais tarde noutro lugar.

Assim como os rebeldes não se entregaram com a prisão de Saddam no fim do ano passado, nem com a passagem do "poder" para os iraquianos a meados deste ano, é impossível dizer se, ao fim das operações, as forças de ocupação terão dias melhores no Iraque.

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