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sexta-feira, maio 14, 2010

«Libertem Saldanha Sanches!»

Em meados do 7º ano do liceu decidimos – o Monteiro e eu – dar um salto à Associação de Estudantes do Técnico onde funcionava então o turismo estudantil que proporcionava viagens a preços convidativos.

Alguém nos tinha dito que era um edifício atarracado que ficava logo à entrada, do lado esquerdo de quem entrava pela Alameda Afonso Henriques. Lá fomos. Nunca lá tinha posto os pés e o Monteiro, muito provavelmente, também não.

Entrámos. Em baixo era a cantina. Sentia-se logo pelo cheiro. Perguntámos onde ficava o turismo. Apontaram-nos para o andar de cima. Subimos. Então, no patamar entre o primeiro e o segundo lanço de escadas, um grande cartaz de papel de cenário, cobrindo toda a parede por debaixo da janela, reclamava a letras vermelhas garrafais: «Libertem Saldanha Sanches!». O nome não me dizia nada mas o seu conteúdo e a forma como era expresso intimidaram-me.

Não me lembro já do que fomos tratar ao turismo. Se calhar apenas recolher informação genérica. Na altura publicavam uns caderninhos com todos os voos programados para o verão, com horários de partida por destino e os preços. Se calhar limitámo-nos a trazer um desses livrinhos para sonharmos no café.

Então, ao descer, ao olhar de cima esse cartaz escrito a grandes letras vermelhas, fui tomado por um enorme deslumbramento. O de que, apesar da ditadura, da repressão em que vivíamos, tinha sido possível, naquele edifício, criar uma ilha de liberdade onde se pudera gritar aquela exigência.

Naquele «libertem Saldanha Sanches» não havia datas nem razões ou explicações. Apenas aquela exigência. Mas a sua universalidade era tão directa e absoluta que nada mais era necessário acrescentar.

terça-feira, junho 17, 2008

Caminhos da memória


Amigos, conhecidos, possíveis interessados,

Foi lançado esta noite um novo blogue.

Chama-se Caminhos da Memória e pretende dar voz a formas de lembrar, de evocar e de interpretar o passado, recorrendo a leituras contemporâneas da história e da memória.

http://caminhosdamemoria.wordpress.com

A Redacção é composta por: Diana Andringa, Irene Pimentel, Joana Lopes, Maria Manuela Cruzeiro, Miguel Cardina, Raimundo Narciso e Rui Bebiano.

Um abraço.

Joana Lopes