sexta-feira, outubro 27, 2006

Fórum Humanista Europeu - convite

Exm@s. Senhor@s



A associação "Acção Humanista – Cooperação e Desenvolvimento" é uma organização não-governamental, que se insere na corrente de opinião conhecida como Movimento Humanista.

No âmbito das suas actividades, esta associação assumiu a incumbência de organizar o 1º Fórum Humanista Europeu, que terá lugar nos próximos dias 3, 4 e 5 de Novembro, em Lisboa (Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa e Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa), com o apoio da respectiva Câmara Municipal.

O Fórum Humanista Europeu é um encontro aberto bienal do Novo Humanismo, no qual participam organizações e indivíduos afins para trocarem ideias e experiências com base em interesses comuns, nomeadamente nas áreas de Saúde, Educação, Direitos Humanos, Etnias e Culturas, Ciência e Tecnologia, Ecologia, Arte e Expressões Populares, Religiosidade, partidos políticos, movimentos alternativos e economias alternativas.

Para esta edição, contamos com a participação de cerca de um milhar de pessoas, principalmente oriundos de países europeus, mas também de países africanos, americanos e asiáticos, numa clara manifestação da força da diversidade humana.

Como não podia deixar de ser, queremos estender o convite para participar no Fórum Humanista Europeu a todas as pessoas e organizações portuguesas que colocam o ser humano como o seu valor e preocupação central.

Deste modo, vimos convidar a organização representada por V. Exas. a participar neste evento, quer tomando parte em alguma das mesas temáticas de intercâmbio, quer promovendo alguma iniciativa (conferência, workshop, debate, etc.), quer ainda instalando uma banca de divulgação no recinto do mesmo.

Além disso, queremos pedir a colaboração de V. Exas. para conseguir desenhar um círculo humano luminoso alusivo à paz, no Rossio, dia 4 de Novembro, às 21.30h, convocando todos os v/ associados para esse efeito.

Face ao exposto, sugerimos a V. Exas. que acedam ao sítio oficial do Fórum Humanista Europeu na Internet (www.europeanhumanistforum.org), onde poderão encontrar toda a informação necessária a este respeito e fazer a inscrição da respectiva organização. O valor da inscrição é de 35€ e a cedência de banca e sala para actividades é gratuita, mas limitada ao espaço existente.

O Fórum Humanista Europeu será certamente uma excelente oportunidade para Portugal e a cidade de Lisboa cumprirem a sua vocação de “ponte” entre continentes e culturas. Assim, esperamos poder contar com a presença e o contributo de V. Exas. neste evento tão auspicioso.

Com os melhores cumprimentos,
Luís Filipe Guerra

segunda-feira, outubro 23, 2006

O movimento associativo em França

De acordo com uma notícia publicada no nº 15 do boletim Infos de Culture et Liberté, saiu recentemente em França a 4ª edição do “La France associative en mouvement”, uma publicação do CERPHI – Centre d´Études et de Recherche sur la Philanthropie.

Nesta publicação é referido que 1.300 associações terão sido criadas por semana naquele país e que, do milhão de estruturas existentes, 155.000 dão trabalho a cerca de 1,8 milhões de pessoas, o que corresponde a um crescimento de 20% para o período entre 1999 e 2005. Durante este mesmo período, a massa salarial deste sector cresceu 35%, mais que a de todo o sector privado produtivo.

Uma leitura deste anuário está disponível na página do CERPHI.

sexta-feira, outubro 20, 2006

Montemuro

Deixo-vos três boas razões para dar um pulo a Montemuro...





quinta-feira, outubro 19, 2006

Kerbaj já pode dormir

Na edição de Setembro/Outubro da revista bimestral de jazz jazz.pt vinha uma notícia que quero partilhar. Passo a transcrever:

«Kerbaj já pode dormir

Durante todo um mês, o tempo que durou o bombardeamento israelita de Beirute, o trompetista e artista visual libanês Mazen Kerbaj ocupou as horas de insónia a desenhar e a escrever para o seu blog a propósito dos acontecimentos que afectavam a sua vida e a dos seus conterrâneos.

Não imaginava ele que o conteúdo de www.mazenkerblog.blogspot.com iria obter a repercussão internacional que conseguíu, tanto assim que até a CNN e a Al-Jazira o quiseram entrevistar (recusou ambos os pedidos, by the way).

Organizaram-se exposições um pouco por todo o mundo com o material que ía colocando online (em Portugal fê-lo o colectivo Soopa, do Porto, sob o mote “We Resist”) e de novo se discutiu sobre os porquês de a melhor arte resultar do sofrimento.

Alguma emoção causou o MP3 que Kerbaj colocou na Net – um duo entre o seu trompete e as bombas que íam sendo despejadas sobre a cidade, bom exemplo de como a música pode ser interventiva sem ser panfletária.

Com o cessar-fogo e a chegada das tropas da ONU, este músico editado pela portuguesa Creative Sources já pôde dormir descansado e até teve a possibilidade de sair do país para uma digressão pelo Norte da Europa.»

Efeitos colaterais da vida no campo

Apanhar com um raio em casa, ficar sem luz e (quando a luz voltou) ficar sem televisão. Um raio a cair muito perto é algo de impressionante e assustador. O que vemos não é um raio: é mais um clarão imenso a rasgar a escuridão da noite (tipo daqueles clarões que aparecem quando os ET's estão a sair lentamente dos seus engenhos voadores, mas sem o nevoeiro). Fiquei com a sala iluminada durante uns valentes segundos, nos quais me senti muito muito muito pequenininho...

Os prazeres da vida no campo no Outono

Andar pelos carvalhais a apanhar cogumelos, ficar um bocadinho encharcado, chegar a casa e ter a lareira acesa. Ter um gato grande perto da lareira é aconselhável mas não indispensável...

quarta-feira, outubro 18, 2006

Aldeias

Aqui há uns tempos participei nas I Jornadas Ibéricas de Recuperação de Aldeias Abandonadas. Quem organizou foi a Associação Aldeia que quer dizer: Acção, Liberdade, Desenvolvimento, Educação, Investigação, Ambiente. O facto de tudo se passar no Nordeste Transmontano, num local fabuloso (barragem do Azibo), fez com que ao fim de dia e meio os participantes se conhecessem como se tivessem estado juntos durante semanas. Neste caso, a descentralização é claramente uma vantagem, já que todos participaram activamente em todas as actividades, e acabamos por ter tido a oportunidade de falar com praticamente toda a gente, o que fez com que a troca de experiências fosse uma realidade. Algo de novo está a surgir em Portugal, e cada vez mais associações locais agem localmente, mudando o mundo um bocadinho para melhor, sem politiquices nem retóricas inuteis, trabalhando em projectos concretos que avançam na direcção certa. Definitivamente, estou mais disposto a participar nestes projectos, no mundo real, do que qualquer outra coisa em que se discuta os destinos do mundo. Enfim, escolhas. Se forem ao Azibo, poderão contemplar 5 espécies diferentes de Carvalhos num único local (se calhar isto não vos diz nada, mas a mim emociona-me)...




Baragem do Azibo

terça-feira, outubro 17, 2006

Ser ou não ser fórum social...

Bom dia. O texto abaixo resulta do nosso debate a nível nacional sobre a nossa participação no FSP 2006, foi amplamente discutido pelo movimento Panteras Rosa nos últimos dias, e está a ser neste momento divulgado publicamente. Pode ser lido, no contexto em que foi originalmente publicado, em http://panterasrosa.blogspot.com/2006/10/ser-ou-no-ser-frum-social-portugus.html

Encaminho para conhecimento e polémica.

Pelas Panteras Rosa - Frente de Combate à Lesbigaytransfobia

Sérgio Vitorino
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*SER OU NÃO SER FÓRUM SOCIAL PORTUGUÊS...*
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*...eis uma boa questão!*

Está disponível em http://www.panterasrosa.com/html/flyers_FSP.html a colecção de cartazes - aparentemente incómodos - que as Panteras Rosa espalharam pelo centro da cidade de Almada e pelos espaços do Fórum Social Português 2006, que se realizou este fim de semana.
Durante o dia de sábado, grupo de pessoas que justificavam abusivamente a sua acção em nome da "organização" (da qual faziam parte entidades nossas parceiras que condenaram o acto de censura), arrancaram metodicamente os mesmos cartazes tanto de espaços do FSP como nas ruas de Almada, sem por isso terem conseguido torná-los invisíveis ou menos notados.
O Movimento Democrático de Mulheres, o primeiro a deitar as mãos à parede, foi o único a assumir o que estava a fazer, mas nem por isso explicou a sua atitude quando confrontado - aparentemente, vaga formulação, os nossos cartazes eram "insultuosos" para as mulheres?! Registe-se, porém, com surpresa e ironia, que, tal como nós, o MDM não deixa por mãos alheias o seu rumo e também valoriza a acção directa como uma forma vantajosa de intervenção. A malta encontra-se na campanha pelo sim no referendo do aborto.

Ouvimos todo o tipo de argumentação da parte de outras pessoas com cartão ou conversa de "organização" mas não soubémos, na verdade, de nenhuma outra entidade que assumisse o acto. Foi-nos dito que estávamos a promover-nos "à boleia dos outros" porque não tinhamos "aproveitado a oportunidade de termos oficialmente uma banca no Fórum". Que as paredes de Almada não eram nossas - como era o dito, "paredes brancas, povo silencioso"? Que o nosso movimento não estava inscrito no Fórum - assim o decidimos, mas nem por isso deixámos de participar enquanto colectivo ou de ser co-promotores de uma das iniciativas auto-organizadas - como se um formalismo burocrata justificasse uma censura (se é pelo dinheiro, a malta paga), e como se não pudessemos estar inscritos individualmente e, no entanto, agir e questionar. Ou fazer da rua a nossa "banca".

Como se explica o impacto exagerado que estes cartazes e a nossa acção directa tiveram em tantos participantes deste fórum? Como justificam as Panteras Rosa o grau de questionamento e provocação - não é ela uma forma de comunicação? - destes materiais relativamente ao próprio evento e ao papel dos movimentos sociais?
É que nesta visão democrática, questionar o fórum é ser-lhe hostil, fugir ao esquema de estar calado perante uma conferência de oradores e praticar formas imaginativas de intervenção como a acção directa é proibido.

Como se explica que um fórum que nasceu como processo aberto ao conjunto dos movimentos sociais se torne num evento cheio de pesos formais e pareça ter uma direcção política que até assume que determinados movimentos não podem exercer no mesmo a sua liberdade de expressão? Como se explica a degradação de um evento que perdeu em 3 anos a maioria dos colectivos e movimentos que nele participavam (incluíndo a maioria dos colectivos LGBT, que desta vez se absteve de estar, com poucas excepções) , que perdeu a sua auto-sustentabilidade financeira e a sua transparência organizativa, e que chega a 2006 como um 'flop' pouco participado, colonizado pelo aparelhismo partidário e no qual apenas restam alguns movimentos mais empenhados que - como nós - ainda vêm interesse na rara mas limitada oportunidade de poderem encontrar-se para debater a sua intervenção e procurar pontos de convergência?

Culpa nossa, e de todos os movimentos que deixaram de se envolver na organização do Fórum porque se sentiam desgastados e deslocados perante plenários intermináveis de disputa partidária estéril numa verdadeira guerra de posições à volta de cada iniciativa? Culpa de quem abandonou o esforço prático e político de construcção do evento? Também, mas não fundamentalmente, e não apreciamos especialmente os actos de contrição nem eles são particularmente úteis uni-direccionalmente ou sem alternativas novas que os complementem.

Em 2003, o movimento LGBT participou em peso no primeiro Fórum Social Português, evento em que se quebraram muitas das barreiras que existiam entre as associações lgbt e os restantes movimentos sociais - sindicatos, ambientalistas, associações de imigrantes, culturais, de mulheres, de deficientes, e muitas outras - que passaram em muitos casos a considerar a problemática lgbt nas suas intervenções específicas, e a contar com o movimento lgbt como parceiro. Para muit@s activistas lgbt, o fórum foi também uma oportunidade de abertura e ligação a outras causas e lutas enriquecedoras da sua intervenção e alargadoras da nossa consciência política. 2003 foi uma oportunidade rara para entendermos como se interligam e reforçam mutuamente as várias problemáticas e opressões, e compreender a base comum e sistémica das mesmas.
O fórum foi muito importante para os vários movimentos que nele se cruzaram, gerador de dinâmicas novas, parte das quais sobrevivem hoje graças à iniciativa individual de activistas e colectivos, ou mesmo por afinidade natural entre causas e movimentos que se deram a conhecer mutuamente. O fórum foi um pequeno vislumbre da força acrescida que os movimentos poderiam ter - muito mais do que apesar de tudo já vão tendo - para a transformação social em Portugal, se funcionassem com um mínimo de articulação entre si.

Mas nada de ilusões: no quadro da fraqueza do associativismo nacional, as dinâmicas positivas do evento em 2003 - e a própria realização do fórum - só foram permitidas por um equilíbrio relativo entre correntes partidárias que ali estavam presentes (PCP, BE, renovadores...), evitando conflitos de maior e dando espaço aos movimentos sociais para debaterem uma agenda de lutas plural e sem hierarquias que deu origem a convergências inéditas, como o envolvimento generalizado dos movimentos nas grandes manifestações contra a guerra ou, no nosso caso, as participações variadas (nomeadamente da CGTP) na marcha do orgulho desse mesmo ano e o apoio público do conjunto das associações LGBT à greve geral convocada pela central sindical, baseado numa profunda reflexão sobre a relação entre as discriminações no mundo do trabalho e a degradação geral das condições laborais.

Se a dinâmica de 2003 foi positiva - e não teria sido possível sem envolvimento partidário - o facto de um processo destinado ao reforço e florescimento dos movimentos sociais ser assente num equilíbrio partidário era já de si mau sinal, como se veio a comprovar: a realização do fórum em
2004 foi impedida por negociação entre forças partidárias, sendo o processo interrompido contra a vontade da maioria dos movimentos (de forma que só agora se volta a realizar um fórum e houve entretanto dois anos de vazio, àparte um discreto mini-evento em Évora em 2005), e assim se impôs uma visão do fórum social não como um processo de interligação permanente entre os diferentes movimentos sociais, feito da multiplicidade das várias agendas, mas sim como um evento anual que só tem valor nos 3 dias em que ocorre e em que as agendas servem uma visão hierarquizada das lutas (é fácil imaginar em que grau fica a importância de lutas como a lgbt ou a das mulheres).

A acrescer à tentativa predatória do PCP sobre o Fórum - um processo que na realidade pareceu não ter desejado, a não ser na forma arrumadinha de evento, ritual ocasional - há ainda um paternalismo comum nas forças partidárias no sentido de pensar o movimento social em Portugal como um deserto tal, que de alguma forma estas terão que se lhe substituir e dar-lhe rumo. Um ciclo vicioso: os movimentos são frágeis, mas a sua menorização, não-discursiva mas prática - reforça essa mesma fragilidade. Não, os activistas não se esgotam nos partidos. Não, nem tod@s são potenciais aderentes dos partidos. Não, não falta muita gente interessante a fazer trabalho valioso por movimento social apesar do contexto amorfista.

No entanto, ao contrário de outros movimentos que partilham connosco um grande descontentamento com o rumo do FSP, não vemos o problema do Fórum como uma disputa "dos maus dos partidos contra os bons dos movimentos", uma análise infantil e pouco útil que apaga o activismo de muit@s militantes partidári@s nos movimentos, ou como situação que se resolva proibindo a presença formal dos partidos políticos neste processo. Os partidos são organizações complexas e até diversas, como os movimentos. Há que distinguir atitudes, e não partidos. Há que distinguir partidos e movimentos mas é quanto ao papel de uns e outros. E são os movimentos, na sua autonomia e independência, para lá, não das ideias próprias, mas da filiação partidária (ou inexistência dela) de quem os constrói, quem tem que assumir o papel de dinamização do processo do FSP, e portanto a decisão colectiva sobre o seu rumo, a direcção de um processo sem direcções. Ora aqui está a chave da questão. O movimento social aprender a respirar sem máquina, assumir que respira, descobrir que outros também respiram, e ser deixado respirar.

Como foi bem afirmado na sessão auto-organizada que ajudámos a conceber, a verdade é que os próprios movimentos sociais em Portugal, na sua fraqueza, têm conseguido impulsionar mudanças profundas na sociedade portuguesa, mas parecem ter medo de assumir a sua real importância ou de priorizar um processo político como o que potencialmente teria um Fórum Social Português vivo. Falta de instrumentos, ou de ambição, ou medo de crescer, ou incapacidade de ver que isso não se faz sozinho.

O problema está nos partidos políticos - sem esquecer que parte da vida dos movimentos sociais se deve precisamente à intervenção honesta e não-predatória de muitos activistas partidários de todas as correntes à esquerda -, mas está igualmente em como se faz movimento social: legalistas, institucionalizados, formalistas, dependentes, hierarquizados, aparelhistas, burocratizados, com a mania das grandezas, com protagonismos e interesses pessoais à mistura, falhos de politização, de enquadramento geral das próprias causas, carentes de ideologia política (não confundir com
partidária) coerente com as lutas que assumimos, elitistas, assim vamos sendo.
E dizemos "vamos", porque não nos excluímos destas contradições nem somos um movimento unânime com uma coesão tal que nos permita estar imunes a esta mentalidade e às dificuldades em ultrapassá-la. O medo de ousar é regra, tal como a incapacidade de conceber a transversalidade das transformações sociais necessárias ao sucesso das causas que os próprios movimentos defendem. Muita inconsequência, portanto, tal como falta de eficácia e de capacidade de envolvimento de massas, mesmo da parte de activistas e movimentos sociais que se dedicam com muito valor e bons resultados às várias lutas.

Ninguém está imune ao conformismo à portuguesa, mas todos podemos pensá-lo e tentar mudar as regras formais e informais estabelecidas. As Panteras Rosa, nas suas limitações, tentam criticar, criticar-se, e construir novas formas de fazer intervenção política e movimento social. Ora, um processo como o FSP só valerá a pena se fôr um espaço e um processo dos movimentos, menos formal e mais aberto, menos coloquial e mais subersivo, menos quadrado e mais aberto à imaginação. Se proporcionar novas redes de activismos, transversais às temáticas e aos movimentos, e novos pólos de consciencialização e intervenção social. Se lhe estiver atribuída pelo menos parte da ambição de transformar as relações de forças que estruturam a sociedade e vencer o clássico défice de participação cidadã em Portugal.
Para resistir eficazmente - e simultaneamente em cada uma das frentes - à lógica imparável da globalização capitalista que hoje reforça - sem contestação à altura ou criação de alternativas credíveis - o conjunto dos problemas mundiais que os movimentos sociais tentam enfrentar isoladamente na caixinha de cada temática.

Um debate que temos mantido com os nossos parceiros no interior do próprio movimento LGBT, afirmando que a reivindicação por direitos iguais é necessária mas insuficiente num contexto de recuo generalizado dos direitos sociais e da cidadania: as Panteras Rosa não lutam por integrar os homossexuais na sociedade que existe, porque ela é estruturalmente segregadora. Queremos sim abalar os fundamentos de uma sociedade intrinsecamente heterossexista. Destruir as bases da discriminação, e isso não se faz lutando isoladamente contra a discriminação d@s LGBT ou pelos seus direitos, sem olhar para opressões e problemáticas que a montante e jusante se interligam com as discriminações de género ou pela orientação sexual. No fundo, a generalidade das outras temáticas assumidas no FSP.

Às portas de uma reunião de balanço do FSP 2006 [25 de Novembro, 14,30h, sede da CGTP, Lisboa], as Panteras Rosa aguardam com expectativa - e muito respeito pelos movimentos que temos por parceiros e comparecerão- uma argumentação convincente no sentido da nossa presença - será bem-vinda, mesmo quando nos exprimimos livremente? - e consubstanciam o seu balanço do evento numa pilha de cartazes arrancados às mãos de quem tão democraticamente os tentou apagar do Fórum Social - continuará a valer a pena?

Questão tão dramática quanto deve ser alargada a uma reflexão necessária sobre o próprio movimento internacional por uma globalização alternativa, o surgimento dos próprios Fóruns, o movimento que eles geraram em todo o mundo, o seu nascimento em Porto Alegre, as referências fortes que se perderam até aos nossos dias (PT, Lula...), em que uma parte substancial desse movimento existente à volta dos Fóruns e do enorme capital de esperança que provocou, se rendeu ao pragmatismo dos poderes e se instalou objectivamento do outro lado das políticas económicas, sociais, da guerra e da paz.

Por cá, o FSP está refém do controlo partidário do PCP, está dependente de estruturas de movimentos sociais frágeis e pouco dinâmicas, e está também órfão das referências de luta contra a globalização capitalista que alimentaram os primeiros fóruns.

Contra uma visão infantilizada e paternalista dos movimentos sociais, e também por uma auto-reflexão dos movimentos sobre as suas próprias limitações políticas e práticas, as Panteras Rosa estão disponíveis para pensar e participar em todas as iniciativas inter-movimentos que construam o fórum social quotidianamente como processo permanente. E também as que pretendam devolver aos movimentos sociais as dinâmicas e objectivos originais do FSP, com evento ou sem evento, no evento ou noutros eventos.

Consideramos que estas dinâmicas dependem exclusivamente do movimento social. Não dependem de nenhuma estrutura ou acontecimento semi-anual (FSP ou outra). Não dependem de nenhuma iniciativa mais ou menos financeiramente auto-sustentável, mas apenas da vontade e da prática quotidiana de nos procurarmos e trabalharmos em conjunto. Vontade para a qual a "estrutura"
FSP está apenas como um dos espaços possíveis de exercício. Saiba a mesma estrutura continuar a sê-lo, porque outro objectivo não deveria ter, e sem ele perderá sentido. Saibamos nós, modestos activistas de modestos movimentos sociais, ultrapassarmo-nos.

Assim ruge a pantera sobre o fim de semana que passou. Desabe agora sobre o nosso rugido a vossa indignação. Ou não?

quinta-feira, outubro 12, 2006

Governo da Noruega anula dívida

NORUEGA ANULA LA DEUDA RECLAMADA A CINCO PAÍSES DEL SUR

Jubileo Sur/Américas celebra y resalta la importancia de la decisión unilateral e incondicional del gobierno noruego de dejar de cobrar las deudas que aún reclamaba a Ecuador, Perú, Jamaica, Egipto, y Sierra Leona, como consecuencia de lo que el anuncio oficial describe como "una política de desarrollo fallida". Los créditos habían sido otorgados a fines de los años 70 como parte de un esquema de garantías para incentivar la exportación de naves en un momento cuando los astilleros noruegos enfrentaban dificultades.

El hecho de que el gobierno de uno de los países llamados "acreedores", reconoce y se responsabiliza públicamente por el orígen fraudulento y corrupto de reclamos de deuda que viene cobrando desde hace muchos años, abre una nueva etapa en la lucha de todos los pueblos del Sur por liberarse de la dominación de la deuda.

Queremos reconocer por sobre todo, el compromiso y esfuerzo de los numerosos compañeros y compañeras de Noruega y de Ecuador, quienes con visión y persistencia han hecho posible esta decisión que cristaliza el reclamo de años de lucha de movimientos y campañas en todo el mundo por el reconocimiento de la ilegitimidad e ilegalidad de las deudas reclamadas al Sur y el repudio o anulación de las mismas. Culminando el trabajo de investigación y movilización de larga data, durante estos últimos meses el Ministro de Desarrollo Erik Solheim fue objeto de una intensa campaña de presión y apoyo que incluía una Carta abierta firmada por Adolfo Pérez Esquivel y seis otros Premio Nobel de la Paz.(...).

EL GRANO DE ARENA
Correo de información ATTAC
n° 365 - Lunes 9 de octubre de 2006

segunda-feira, outubro 09, 2006

Credibilidade da classe política e corrupção

Hoje deu-me para aqui. Mas calo-me logo que possa.

Desculpem estar a incomodar-vos, mas tenho que arejar as mensagens…


Credibilidade da classe política e corrupção

O PR, depois de acusado de se ter esquecido de integrar a corrupção no pacto de justiça que apadrinhou, vem aproveitar a onda da ética republicana para chamar a atenção da importância da luta contra a corrupção.

Pode ser por a minha irritabilidade já ter passado o prazo de validade e ter-se tornado crónica. Mas pode ser também por a hipocrisia dos nossos políticos não ter limites. Tudo me parece uma farsa. Senão vejamos:

a) A justiça não funciona e, alegadamente, espera-se que o novo procurador a ponha a funcionar? Com certeza que não: espera-se, isso sim, que não chateie os senhores deste país, organizados em Pacto secreto, mas democrático a seu ver.

b) Constou que o apito dourado não pode ter efeitos práticos porque os legisladores tropeçaram num óbice invisível, que ficou lá à espera de quem o descobrisse. Se fosse a primeira vez, agente encolhia os ombros e olhava de lado. Quando é coisa já vista, como foi no caso das facturas falsas ou dos fundos sociais europeus, quem me pode convencer que isso não é resultado de um processo prático intencional e manipulado?

c) Se fosse eu que tivesse a mania das conspirações estava descansado. Mas sendo o procurador cessante quem descreve a sua vida no cargo como um jogo de tiro ao alvo, como não admitir, ainda que apenas como hipótese, que a vida portuguesa é feita, sobretudo, de conspirações?

Estou farto de ouvir perguntas feitas ao contrário. Quando se pergunta porque é que os portugueses se afastam da política, porque não se pergunta, em vez disso, porque é que os partidos afastam os portugueses da política? A resposta é simples: como dá muito dinheiro ir para a política – e o próprio não chega para todos – há que fazer uma selecção: só são aceites na política os portugueses obedientes e bem comportados, que se orientam pelo cheiro do vil metal. É uma maneira como outra qualquer de fazer a coisa.

Agora é o PR que vem manifestar a sua vontade de ver a corrupção combatida? Como? Através da tomada de consciência dos políticos para deixarem de ser corruptos. É uma primeira solução avançada. E boa, como se percebe logo. A segunda é que caso isso se verifique não vir a acontecer, que é pouco natural, nesse caso então – prova irrefutável da determinação do PR – a polícia será chamada ao caso.

Não fosse o caso do anterior PR ter passado dois mandatos a falar para os peixinhos, podia ser credível esta iniciativa. Mas infelizmente para os portugueses, não é esse o caso. O que falta, então? Falta tudo: políticas sistemáticas de rigor, de avaliação e de formação dos funcionários e das instituições do Estado. A transparência deve ser pedra de toque de toda a hierarquia do Estado, a autonomia técnica garantida e valorizada, a responsabilidade a todos os níveis estimulada e agradecida. Os meios do Estado devem ser investidos segundo estes critérios, seja em tempos de vacas gordas ou vacas magras. As más consciências e as polícias não têm nada a ver com isso. A política sim, tem tudo a ver.

Com os melhores cumprimentos

António Pedro Dores

sexta-feira, outubro 06, 2006

Proposta de trabalho europeia sobre a tortura

Caros amigos,

Informo de uma intenção que me parece interessante. Talvez algum de vós possa dar uma mão.

"Se trata de lo siguiente: creemos que seria importante hacer un acto de dimensión europea contra a tortura y los apoyos de la UE a esa práctica, dentro y fuera de Europa. Dicho brevemente la cosa consistiría en un acto público combinado, a ser posible, con alguna gestión en el parlamento europeo. Seria interesante contar con la presencia de una o más personas bien conocidas (por poner algún ejemplo: Dario Fo, Günter Grass, John Pilger, John Berger, ...). Haríamos un manifiesto con versiones en varias lenguas y, con la ayuda de artistas (del espectáculo o otros) llamaríamos la atención y lo repartiríamos. Un posible escenario seria Bruselas.

Bien, esto es sólo el esbozo, habría que trabajar la idea
."

Com os melhores cumprimentos.

António Pedro Dores
Professor Auxiliar com Agregação

Departamento de Sociologia e Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES/ISCTE)

Telemóvel: +315 964764741
Telefone: +351 217903465
Correio Electrónico: antonio.dores@iscte.pt
Site Pessoal: http://iscte.pt/~apad
Site da ACED: http://www.sociofonia.net/aced

ISCTE
Edif. II, Gabinete D.325
Av.ª das Forças Armadas
1649-026 LISBOA
Portugal

quarta-feira, outubro 04, 2006

PROTESTO CÍVICO

Dia 5 de Outubro

Às 11H - frente a ex-sede da PIDE/DGS na Rua António Maria Cardoso, em Lisboa.


Seguido de desfile até ao Largo do Chiado, onde decorrerá a sessão pública.


Somos Todos Arguidos!

João Almeida e Duran Clemente vão ser julgados no próximo dia 11 de Dezembro. O Ministério Público acusa-os de serem "co-autores materiais, na forma consumada, de um crime de desobediência qualificada", por "terem juntado um grupo de cerca de trinta pessoas na Rua António Maria Cardoso, no nº 30/36 89 [em Lisboa] onde protestavam contra a construção de um condomínio nas antigas instalações da PIDE". Foi há um ano, no dia 5 de Outubro.

De facto, éramos 30 ou 40 a manifestar, espontaneamente, sem convocatórias oficiais, apenas no exercício nobre da cidadania, o nosso protesto por se estar a trair a memória da resistência à ditadura do Estado Novo, ao apagá-la de um dos lugares mais sinistros da repressão fascista.

O Movimento Cívico Não Apaguem a Memória! vem, por isso, expressar publicamente a sua mais profunda indignação por tal acusação, que não só carece de fundamento, já que se trata de um protesto de um grupo de cidadãos que, ao abrigo da sua mais elementar liberdade de deslocação, exerceu o seu direito de liberdade de expressão, mas que se revela, ainda, estranhamente discriminatória uma vez que todos os cidadãos presentes participaram do mesmo protesto e apenas dois foram acusados.

segunda-feira, setembro 25, 2006

R&L: Felgueiras-Fátima / ida-e-volta !

Vimos aqui informar que remetemos às seguintes entidades:

- Ministro da Administração Interna
- Ministro das Finanças
- Inspector Geral das Autarquias Locais
- Presidente da Comissão da Liberdade Religiosa
- Presidente do Tribunal de Contas
- Presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses

o ofício seguinte:
[ o processo pode ser visto na íntegra (com toda a documentação anexa) em:
http://www.laicidade.org/2006/09/21/109/ ]

Ex.mo Senhor,

Herdeiras, ainda, de um «Antigo Regime», assumidamente fundado na aliança do Trono com o Altar, e do período do «Estado Novo», que deixou perpetuar – e até favoreceu – idêntica cumplicidade, perduram, hoje ainda, em pleno século XXI e mais de trinta anos decorridos sobre o 25 de Abril e o estabelecimento do regime republicano, democrático e laico que presentemente vigora em Portugal, práticas graves de « caciquismo » local, assentes em idêntica e escandalosa – e, em nosso entender, claramente inconstitucional – promiscuidade entre política e religião.

Essas práticas implicam ainda, frequentemente, vultosas despesas para o erário público – para os orçamentos autárquicos, mais concretamente –, o que, em tempos de contenção, como aqueles que estamos agora a viver, ainda tornam mais chocante toda a situação.

Acresce ainda que tais desmandos a uma desejável vivência cívica republicana e laica – uma vivência em que a esfera do político e do religioso devem ser clara e saudavelmente separadas –, em vez de estarem a diminuir de expressão e de tenderem a desaparecer, antes parecem propender a multiplicar-se em diferentes iniciativas de forte vertente populista, promovidas, a pretextos vários, por um número também aparentemente crescente de autarquias das nossas cidades, vilas e aldeias.

De todas essas iniciativas, as mais correntes – e também as mais concorridas – serão, porventura, as grandes jornadas colectivas de expressão religiosa, de onde sobressaem, sem dúvida, as peregrinações a Fátima, excursões que envolvem milhares de pessoas, uma importante logística (dezenas de autocarros, etc.) e vultosos custos.

A situação ocorrida no passado dia 9 de Setembro e que resultou da iniciativa assumida da Câmara Municipal de Felgueiras e da sua Presidente, Dra. Fátima Felgueiras (ver cópias de circulares da autarquia e de panfleto em anexo), envolveu, ao que conseguimos apurar, cerca de 80 autocarros que transportaram aproximadamente 3500 munícipes, maioritariamente idosos (ver Jornal de Notícias de 14/09/2006).

Convictos de que tais eventos se não podem realizar nos termos em que aquele foi levado a cabo e de que, presentemente, é importante fazer alguma pedagogia relativamente a estes comportamentos, aqui anexamos, para os efeitos legais e políticos tidos por oportunos e ajustados, documentação suficiente para ilustrar cabalmente os factos recentemente ocorridos.

Sem outro assunto,
a bem da República,

Luis Manuel Mateus (presidente da direcção)

nota - problemas de acesso à internet atrasaram a distribuição desta mensagem

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REPÚBLICA e LAICIDADE - associação cívica
mensagem enviada por Luis M. Mateus
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domingo, setembro 24, 2006

ALTERNATIVAS A UMA EUROPA NEOLIBERAL

QUARTA-FEIRA | 27 de SETEMBRO | 21h | Mercado da Ribeira - Anfiteatro
Ribeirarte | Lisboa

Flyer em: www.portugal.attac.org/img/europa_attac.jpg - Divulga!

Debate com a presença de:
ANTÓNIO MEDEIROS FERREIRA
FLORIVAL LANÇA
ISABEL DO CARMO
PAULO FIDALGO

andré luz

Acessibilidades: metro: Cais do Sodré

quinta-feira, setembro 21, 2006

A ACED toma posição sobre a política das salas de chuto

Em Março de 2006 a ACED foi chamada a participar na discussão pública organizada no Parlamento sobre a política de prevenção contra a toxicodependência nas prisões.

Agora, um dos membros da ACED polemiza a respeito das movimentações para boicotar o acolhimento da medida emblemática por parte do governo. Ler tudo em www.sociofonia.net/aced. Ler artigo polémico a seguir:


Os pobres diabos, os escribas de serviço, os interesses obscuros...

Um recluso do Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira fez saber, refugiando-se sob a capa do anonimato, que intentou uma “providência cautelar” para tentar obstar à instalação de um plano de troca de seringas nas prisões portuguesas decorrente de uma decisão do governo. E logo Rui Jorge Cruz, advogado do recluso, aproveitou o ténue flop mediático para se pôr a jeito, debitando ao “Correio da Manhã” ser o seu cliente “um homem de convicções fortes”...

Segundo o causídico, “António” (nome fictício usado pelo “CM”) não concorda com a medida governamental, alegando ser esta “um atentado à saúde pública dentro das prisões”. Embalada pela verborreia, a própria jornalista (?!) do “CM”, Marta Martins Silva, especula - num estilo que já não se percebe ser o de uma notícia ou de um artigo de opinião da própria - que “incentivados pela ideia de António, outros reclusos ponderam também interpor providências cautelares, que impeçam a troca de seringas dentro das cadeias”.

Para que ninguém pense ser “António” um pobre diabo ao serviço de interesses obscuros, o advogado ainda declara mais adiante gostar o seu cliente de “guerras difíceis”, tendo tomado “esta decisão sozinho”. E, mais ainda, remata peremptório: “O meu cliente não está nem nunca esteve envolvido com drogas”... Pois claro, para que não fiquem dúvidas!

Pondo-se também a jeito – aproveitando a embalagem da jornalista (?!) que, curiosamente (revelando um discutível sentido ético da profissão), não se dignou ouvir ninguém que defenda a troca de seringas -, o novel presidente do sindicato dos guardas prisionais manifestou o seu apoio à providência cautelar, rematando apologético: “Os reclusos têm os seus fundamentos para estar contra a medida do governo, nós [os guardas prisionais] temos os nossos. E a segurança é a nossa preocupação. Não me surpreendem que estejam contra, porque tal como nós, os reclusos conhecem o meio prisional português”...

Não deixa de ser interessante a oportunidade da “notícia”. O recluso “que gosta de guerras difíceis” - mas de quem ninguém conhece uma única posição contra a violação dos direitos humanos nas prisões, nem nunca se manifestou contra as precárias condições de assistência médica – vem mesmo a calhar para as estratégias de manipulação e demagogia que procuram torpedear uma medida fundamental para suster a proliferação de doenças transmissíveis por via venosa. E, mais ainda, o recluso “que não está nem nunca esteve envolvido em drogas” dá mesmo jeito às sinistras figuras do negócio da droga que, obviamente, já perceberam que esta medida – e o controlo médico-sanitário que lhe estará inerente – poderá contribuir não só para a redução de riscos, mas também para a implementação de planos de desintoxicação e, futuramente, para a prossecução de políticas mais corajosas para o combate ao tráfico e a redução dos factores que geram criminalidade associada aos consumos. Ou seja, o combate ao negócio que medra nas prisões com a cumplicidade dos vários poderes instalados!

Quanto ao sindicato dos guardas, o “homem das convicções fortes” vem mesmo a calhar, ou já não tivesse o seu presidente, Jorge Alves, num invulgar exemplo de vidência sindical, especulado sobre a possibilidade de reclusos - que alegadamente estariam contra a medida do governo – destruirem máquinas de troca de seringas a instalar nas prisões. Mas, naturalmente, são só coincidências...

António Alte Pinho

Leceia, 2006-09-20

segunda-feira, setembro 18, 2006

Comida para todos, bombas para ninguém!

300 multinacionais reunidas em Lisboa são confrontadas por activistas

Comida para todos, bombas para ninguém!

A CoreNet Global é a principal associação profissional de imobiliário empresarial, ou seja, é responsável pela localização e construção das sedes, escritórios e outros espaços das grandes empresas mundiais. Entre 17 e 19 de Setembro reunem-se em Lisboa numa conferência que tem por objectivo analisar e promover as perspectivas imobiliárias de expansão europeia sobre o resto do mundo.

O GAIA associa muitas das multinacionais presentes nesta conferência a um conjunto de interesses que fomentam a guerra perpétua contra estados e povos em nome da luta contra o terrorismo.

Para marcar a oposição à instalação destas multinacionais e destes interesses em Portugal, o GAIA irá realizar acções de cariz criativo junto ao Hotel Meridien onde decorre a conferência. Serão também distribuídos alimentos gratuitamente aos cidadãos lisboetas, sob o lema “comida para todos, bombas para ninguém”.

O GAIA é uma organização não governamental do ambiente, inovadora, plural e não hierárquica. Tem uma forte componente activista, recorrendo a acções directas, criativas e não violentas e promovendo o trabalho a partir das bases. O GAIA aborda a problemática ecológica através de uma crítica ao modelo social e económico que explora e prejudica o planeta, a sociedade e as gerações futuras. Paralelamente, procuramos criar e construir alternativas positivas para um mundo ecologicamente sustentável e socialmente justo.

Sofia Andringa

segunda-feira, agosto 21, 2006

Recrutamento de voluntários para o projecto HUMANA ONLINE

Prazo de candidatura: 25 de Setembro 2006


Ex.mos/as Senhores/as

A HUMANA GLOBAL – Associação para a Promoção dos Direitos Humanos, da Cultura e do Desenvolvimento está neste momento a por de pé o projecto "HUMANA ONLINE", um jornal sobre DIREITOS HUMANOS, CULTURA E DESENVOLVIMENTO, unicamente online, com notícias, reportagens, fotografia, entrevista, etc, nas áreas citadas.

O recrutamento de voluntários seria para a tarefa de "jornalistas".
Recrutamento de voluntários para a escrita das notícias, reportagens, entrevistas e outros géneros jornalísticos.

Os voluntários irão passar por uma fase de formação e construção de equipa orientada pelo CENJOR – Centro Protocolar de Formação Profissional para Jornalistas que englobará os seguintes passos:

- Formação: Introdução ao Jornalismo - Técnicas Jornalísticas / CENJOR;
- Formação: Ateliê de Imprensa - Técnicas Jornalísticas - Reportagem e Entrevista / CENJOR;
- Formação: HUMANA ONLINE – Desenvolvimento do Projecto.

A página do JORNAL HUMANA ONLINE estará de pé já em Setembro para os testes iniciais. Esta fase inicial irá prolongar-se até final de Novembro, fim da formação (a fase de testes iniciais e início de introdução de notícias (e outros testes mais)). O lançamento oficial do JORNAL será realizado no DIA 10 DE DEZEMBRO, Domingo, DIA DOS DIREITOS HUMANOS, no CAFÉ COM ARTE.

A Edição do Jornal estará a cargo da MESTRE ANA ISABEL XAVIER, Investigadora e assistente doutoranda com atribuição de bolsa da Fundação para a Ciência e Tecnologia para o desenvolvimento de trabalhos e uma tese de doutoramento sobre o papel da União Europeia como "actor global" no sistema político internacional. A ANA XAVIER foi locutora de rádio e editora de política nacional e internacional na RUC – Rádio Universidade de Coimbra com a coordenação do programa "OLHAR EM VOLTA - QUINTO OLHAR" (2004-2005). Ideia original, coordenação geral e co-apresentadora do programa "O MUNDO AO CONTRÁRIO", a partir de Outubro de 2005.

Os interessados em fazerem parte deste projecto como voluntários, deverão enviar para o e-mail da HUMANA GLOBAL os seguintes elementos:

- ASSUNTO DA MENSAGEM: Candidatura a voluntário/a HUMANA ONLINE;
- Texto da mensagem: Carta de apresentação e motivação do candidato/a;
- ANEXO: Curriculum Vitae detalhado.

As candidaturas decorrem até ao dia 25 de Setembro de 2006.
Os candidatos seleccionados começam a formação dia 7 de Outubro de 2006.
Junta-te à equipa da HUMANA GLOBAL! Vem fazer parte de um projecto inovador!

O voluntariado é prestado a partir de casa, da faculdade, etc. Basta para tanto ter computador ligado à Internet!

Fazer parte deste projecto é fazer parte de um projecto completamente INOVADOR em Portugal que para além da valorização profissional e curricular trará uma mais valia para todos os utilizadores. Informar é um serviço público e necessário, especialmente quando se trata de DIREITOS HUMANOS.

Aguardamos a tua candidatura!

Com os melhores cumprimentos da toda a equipa HUMANA GLOBAL,

Anabela Moreira
Directora

sábado, agosto 19, 2006

Conferência Alemã de Economia Solidária

Berlim, 24 a 26 de Novembro de 2006

Subordinado ao tema «Como queremos produzir e viver ? A economia solidária num capitalismo global», vai-se realizar entre 24 e 26 de Novembro, na Universidade Técnica de Berlim, um Primeiro Encontro Nacional (com participação internacional).

O movimento de economia solidária cresceu a nível mundial. Mas é ainda pouco (re) conhecido na Alemanha, mesmo tendo em conta a existência de um sector emergente de actividades de economia solidária: antigas e novas formas cooperativas, organismos caritativos, empresas sociais e solidárias, empresas auto-geridas e alternativas, iniciativas colectivas de alojamento, sistemas de trocas locais, comércio justo, instituições financeiras solidárias, produção - consumo e outras iniciativas rurais, empresas de inserção e outras formas de iniciativas de economia solidária dirigidas ou conduzidas por desempregados, mulheres, minorias étnicas e outras pessoas desfavorecidas social ou economicamente.

Mesmo se considerarmos que o sector emprega cerca de 2 milhões de pessoas na Alemanha, não tem visibilidade por si próprio, já que está dividido em milhares de abordagens que se conhecem mal entre elas. O Encontro vai reunir os diversos actores para que troquem experiências e discutam os conceitos teóricos, as práticas inerentes e as estratégias. Para além disso, o Encontro vai estabelecer pontes entre iniciativas de cariz económico e actores politicamente mais orientados para os movimentos sociais. É chegado o momento de trabalhar em conjunto para uma economia diferente, com valores democráticos, sociais e ecológicos, a fim de produzir bens e serviços socialmente úteis e dirigidos ao bem comum, num ambiente de capacitação, de
paz e de justiça sociais. Para atingir este objectivo, o Encontro desenvolverá espaços de trocas de experiências, de discussão viva e de aprendizagem mútua, envolvendo experiências vindas de África, da Ásia, da América Latina e do Norte, da Europa do Leste e Ocidental.

O Programa está construído em torno de 9 Fóruns, com sessões plenárias e oficinas:

1. Boas práticas de economia solidária : espaço de apresentação e de trocas de experiências práticas;
2. A economia solidária na educação e na formação, na ciência e na pesquisa;
3. A economia solidária e o neo-liberalismo:
- Empregos precários, individualismo e declínio social;
- Privatização dos serviços públicos;
- Dualidade do conceito de entreajuda;
- Estratégias para um rendimento de base;
4. Perspectivas, oportunidades e constrangimentos da economia solidária no contexto da globalização;
5. Estilo de vida e economia solidária - a perspectiva individual;
6. A quem pertence o mundo ? - O papel da propriedade colectiva na economia solidária;
7. A economia solidária - um movimento mundial : experiências internacionais e ooperações;
8. Trabalhar de uma forma diferente - instrumentos práticos para as empresas de economia solidária;
9. Enquadramento político e estruturas de suporte necessárias para a economia solidária.

Nota: A expressão « economia solidária » é utilizada como sinónimo de expressões como economia social, economia comunitária, terceiro sector, economia popular, desenvolvimento centrado nas pessoas, etc.


Contacto: Dagmar Embshoff,
E-mail: info@solidarische-oekonomie.de,
Site: www.solidarische-oekonomie.de

segunda-feira, agosto 14, 2006

Fogos

Onde vivo, há quase uma semana que tudo arde. Hoje o céu esteve escuro todo o dia e o cheiro a fumo permanece em todo o lado. A ângustia das labaredas vistas ao longe (por vezes assustadoramente perto), o silêncio aflitivo da bixarada, os restos carbonizados de florestas ontemverdejantes, as noites interrompidas por sirenes de alarme, os helicópteros a encherem um dedal de água nas minihídricas e depois salpicarem o monstro com umas gotas insignificantes, as múltiplas frentes de fogo a descer a montanha, são sinais da catástrofe que se desenrola perante milhares de olhos impotentes. Tenho medo de voltar ao campo e ver a devastação causada por 6 dias de fogo. Ainda tenho na memória recente os lugares como eles eram antes de serem pasto para chamas...

segunda-feira, agosto 07, 2006

Voluntariado PBI - candidaturas ainda abertas!

Car@s amig@s,

Tal como divulgámos antes, as PBI – Brigadas Internacionais de Paz, estão a realizar este ano em Portugal 3 formações ("training weeks"), com o objectivo de encontrar e preparar voluntários para vários dos seus Projectos Internacionais.

A formação do Nepal já está a decorrer com sucesso em Lisboa, frequentada por vários voluntários internacionais. Mas para o sucesso das duas restantes formações precisamos de mais candidatos portugueses, por isso continuamos a procurar voluntários que se queiram candidatar a integrar os Projectos do México e da Indonésia.

Qualquer um dos Projectos pretende integrar vários voluntários portugueses, para o que fizeram um especial apelo às PBI Portugal para procurar mais candidatos.

Aproveitamos para felicitar os voluntários que já estão no processo de seleção, nomeadamente do Projecto Guatemala, cujo selecionados serão conhecidos em breve.
As candidaturas continuam abertas até o fim de Agosto, esperamos receber as vossas também!


Os requisitos básicos para os voluntários são:
- Mais de 25 anos de idade
- Experiência mínima de voluntariado e/ou associativismo
- Disponibilidade mínima de um ano no terreno
- Conhecimento da língua *
* No caso do Projecto da Indonésia há uma integração anterior em cursos da língua local


Locais e datas das formações:

PROJECTO INDONÉSIA
Local – Pousada Juventude de Almada
Data – 16 a 31 de Outubro
Contacto para informações / candidaturas: rjthompson95@yahoo.ca/brigadas.paz@gmail.com

PROJECTO MÉXICO
Local – Lisboa
Data – 19 a 26 de Novembro
Contacto para informações / candidaturas: pbisilvia@yahoo.es/brigadas.paz@gmail.com

Contamos com vocês!

David Ávila

domingo, agosto 06, 2006

Concentração de 9 de Agosto- retirar o campo de tiro de Monsanto

Caros Attacantes [e não só, acrescento eu, APP]:


A Attac Verde aderiu à Plataforma Por Monsanto.

A Plataforma por Monsanto é um movimento cívico que tem como objectivo a defesa do Parque Florestal de Mionsanto. Foi criada em Março de 2004, em cosequência da inteção do ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Pedro Santana Lopes em transferir a Feira Popular de Lisboa e o Hipódromo do Campo Grande para Monsanto. Este movimento é formado pela Associação de Amigos e Utilizadores de Monsanto; Associação de Moradores e Amigos da Freguesia de S. Francisco de Xavier;ATTAC Verde, Associação de Moradores da Flor da Serra e Bairro do Calhau, Associação de Moradores do Alto da Ajuda; a Fundação das Casas de Fronteira e Alorna; Quercus, Liga para a Protecção da Natureza;Associação Lisboa Verde, o CAAL- Clube de Actividades ao Ar Livre, a ASPEA- Associação Portuguesa de Educação Ambiental, e o Movimento Liberal Social.

Esta intenção não foi avante.

No entanto, temos o problema do Campo de Tiro.

O Campo de Tiro foi criado em 1962,sob a modalidade de contrato de concessão com o Clube de Tiro a Chumbo de Lisboa, renovável por um período de 10 anos. O Campo de Tiro tem provocado ao longo destes 40 anos a acumulação de partícilas de chumbo no solo.

O MAIS GRAVE ANIDA: O CAMPO DE TIRO FICA CONTÍGUO AO PARQUE ECOLÓGICO! As escolas organizam visitas ao parque ecológico e as crianças são conforntadas com o ruído e com o perigo de levarem com o chumbo . Já forma apresentadas queixas na PSP.

O contrato de Concessão termina em Fevereiro de 2007. Para rescidir o contrato de Concessão, a Câmara de Lisboa tem de dar o pré-aviso de rescisão, 6 meses antes do términus do contrato, ou seja, tem de tomar uma decisão até 13 de Agosto de 2006.

A Plataforma reunuiu-se com vereador do ambiente; Dr. António Proa, no passado dia 28 de Julho, para apresentar as suas preocupações relativas ao Parque de Monsanto. Também procurou informa-se junto do vereadoe se a Câmara tinha ou não tomado alguma decisão relativa à rescisão do contrato de Concessão com o Clube de Tiro a Chumbo.

O Vereador deu a informação de que a Câmara ainda não tomou qualquer decisão. A decisão carecia do parece dos técnicos da Câmara.

HÁ QUE AGIR CONTRA ESTE MARASMO!!!

No dia 9 de Agoisto, por ocasião da cessão de câmara privada, vai decorrer uma concentreção, junto aos Paços do Concelho da Câmara Municipal de Lisboa, às 9h30m.

Nessa concentração, vai-se e realizar uma recolha de assinatruras, para uma petição contra a presença do campo de tiro em Monsanto.

APAREÇAM!!!

Um Abraço:
Ana Sofia Cortes

terça-feira, agosto 01, 2006

Praxes Académicas - Comunicado do MELLE

A praxe académica é justificada por quem a pratica «por ser
tradição», uma tradição tão nobre como a escravatura, matar judeus
ou o bombardeamento nuclear. Na mente dos velhacos pode-se fazer
tudo em nome da tradição!

Na verdade a praxe em Portugal apenas é praticada há décadas na
Universidade de Coimbra, tendo sido interrompida na sequência da
Revolução de Maio de 68 e só então retomada nos anos 80 por
indivíduos matriculados em Universidades de todo o país. Foi o
desvanecer dos ideais de Abril e a consagração de uma ditadura
mascarada de democracia.

As torturas do passado, incluindo as da PIDE, durante o Estado Novo,
são continuadas nos dias de hoje, dentro das universidades, não
raras vezes com a cumplicidade suja das Reitorias.

Os individuos que estão ligados à praxe, os que se dizem "Doutores
ou Veteranos" são Doutores de coisa nenhuma. Na verdade muitos deles
estão há vários anos matriculados na Universidade, a desperdiçar
vagas e recursos, num sistema de acesso já de si corrupto e injusto.

Com cumplicidade institucional alguns estudantes universitários
cometem crimes no interior das escolas e permanecem incólumes.

Defendemos que as Universidades devem ser espaços abertos que
promovam a liberdade e que permitam o livre pensamento.

Não vamos permitir que se continue a ensinar e praticar actos de
xenofobia, actos de violência, a coerção, o uso abusivo e
indiscriminado de drogas, a humilhação, a afronta à dignidade, a
afronta aos direitos da mulher, à igualdade e à tolerancia pelas
crenças alheias.

Os Reitores das Universidades são responsáveis e devem ser
responsabilizados pela cooperação na prática de verdadeiros
atentados à democracia e à liberdade, quando ano após ano, os novos
alunos continuam a ser humilhados e abusados pelos seus colegas mais
velhos com ofensas, psicológias e corporais, por vezes de inspiração
fascista e nazi fazendo crer que estas estão de acordo com a
legislação em vigor.

Os Ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Ensino
Superior devem também ser responsabilizados, por compactuar com
estas práticas anticonstitucionais e que violam os mais básicos
direitos humanos.

Deve o Ministério da Educação em conjunto com o Ministério da
Ciência Tecnologia e Ensino Superior, com carácter de urgência,
realizar Acções de Formação de carácter pedagógico, de frequência
obrigatória por todos os funcionários das escolas e universidades
portuguesas, para que estes cumpram o dever cívico de identificar e
denunciar os abusos e contribuam para uma mais eficaz eliminação das
praxes.

Lisboa, 30 de Julho de 2006,
Comissão Nacional do Movimento Estudantil de Luta pela Liberdade na
Educação

sábado, julho 29, 2006

Médio-Oriente: carta de cidadãos do mundo

The latest chapter of the conflict between Israel and Palestine began when Israeli forces abducted two civilians, a doctor and his brother, from Gaza. An incident carcely reported anywhere, except in the Turkish press. The following day the Palestinians took an Israeli soldier prisoner - and proposed a negotiated exchange against prisoners taken by the Israelis - there are approximately 10,000 in Israeli jails.

That this "kidnapping" was considered an outrage, whereas the illegal military occupation of the West Bank and the systematic appropriation of its natural resources - most particularly that of water - by the Israeli Defence (!) Forces is considered a regrettable but realistic fact of life, is typical of the double standards repeatedly employed by the West in face of what has befallen the Palestinians, on the land alloted to them by international agreements, during the last seventy years.

Today outrage follows outrage; makeshift missiles cross sophisticated ones. The latter usually find their target situated where the disinherited and crowded poor live, waiting for what was once called Justice. Both categories of missile rip bodies apart horribly - who but field commanders can forget this for a moment?

Each provocation and counter-provocation is contested and preached over. But the subsequent arguments, accusations and vows, all serve as a distraction in order to divert world attention from a long-term military, economic and geographic practice whose political aim is nothing less than the liquidation of the Palestinian nation.

This has to be said loud and clear for the practice, only half declared and often covert, is advancing fast these days, and, in our opinion, it must be unceasingly and eternally recognised for what it is and resisted.

Tariq Ali
Russell Banks
John Berger
Noam Chomsky
Richard Falk
Eduardo Galeano
Charles Glass
Naomi Klein
W.J.T. Mitchell
Harold Pinter
Arundhati Roy
Jose Saramago
Giiuliana Sgrena
Gore Vidal
Howard Zinn

sábado, julho 22, 2006

Líbano e Palestina, fim aos bombardeamentos

Concentração frente à Embaixada de Israel.

Rua António Enes, 16 (ao Saldanha), em Lisboa.

Quarta-Feira, 26 de Julho, 18.30h.

A SITUAÇÃO NO MÉDIO ORIENTE

SESSÃO PÚBLICA DE INFORMAÇÃO

sobre

A SITUAÇÃO NO MÉDIO ORIENTE


Iniciativa da
Comissão Promotora do MPPM
(Movimento Português pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente)


Terça-feira, dia 25 de Julho, pelas 18h30

Sede da Sociedade da Língua Portuguesa,
Rua Mouzinho da Silveira, 23

(ao Marquês de Pombal, para quem sobe a Rua Alexandre Herculano, da Avenida da Liberdade para o Rato, é a segunda transversal à direita)

A Sessão contará com o testemunho da Delegada-Geral, Embaixadora, da OLP em Portugal.

segunda-feira, julho 17, 2006

Finalmente zapp

Uns mesinhos depois, tenho internet. Claro que não foi a PT a resolver o problema. Enfim, problemas existenciais de uma empresa com monópolio. Juntei-me aos zappers, e até agora estou satisfeito. A ver vamos de futuro...

segunda-feira, maio 22, 2006

Prioridades televisivas

Segundo um estudo feito, nos telejornais Portugueses a política nacional domina com 16% do tempo de emissão, seguida pelo desporto com 12% e com as notícias internacionais apenas com 6% e arte e cultura com menos de 1%. Agora que o campeonato acabou, estaria à espera de que a % dedicada ao desporto sofresse um ligeiro decréscimo... mas não, enquanto não começa o Europeu e o Mundial (e aí o desporto deve chegar aos 96%), podemos sempre acompanhar de perto o Futebol brasileiro e tal. É que se a % de desporto baixa, o estado de alienação total ligada ao futebol ainda pode sofrer umas beliscaduras; pelo sim, pelo não, mais vale não arriscar.

Intervalo

Pedimos desculpa por esta interrupção; a qualquer momento a PT irá por finalizar a ligação internet lá em casa. Afinal ainda só passaram pouco mais de 2 meses desde que pedimos uma linha...

sexta-feira, maio 12, 2006

O FSP 2006 já se vê

Informamos que o novo site do Fórum Social Português já está disponível no endereço habitual.

Parte da sua estrutura estará ainda em construção durante a próxima
semana, mas já é possível aceder a algumas das suas principais secções,
de onde destacamos as inscrições e gestão de acessos dos participantes
na actual lista do FSP.

Convidamos todos, também, a participarem no inquérito
intitulado "Consulta temática para o FSP 2006".

Obrigado!

O Grupo de Trabalho

terça-feira, maio 09, 2006

Presos mapuches em greve de fome

Ao Governo da República portuguesa

À Embaixada do Chile em Portugal

Aos Meios de Comunicação europeus

Às organizações políticas e sociais portuguesas


APELO À JUSTIÇA PARA OS PRISIONEIROS POLÍTICOS NO CHILE

O Partido Humanista exprime por meio desta carta a sua séria preocupação com a saúde de quatro líderes do povo Mapuche do Chile, que foram condenados a mais de dez anos de prisão e que se encontram na prisão de Temuco, no seu país.

Patricia Troncoso, Juan Marileo, Florencio Marileo e Juan Carlos Huenulao estão em greve de fome há 57 dias e a sua vida corre já sério risco.

Toda a informação que temos aponta no sentido de que os quatro membros da Comunidade Mapuche foram submetidos a um julgamento injusto e sem acesso a uma defesa válida: foram acusados por testemunhas com a cara tapada e tratados de acordo com a Lei Antiterrorista 18.314, que foi introduzida durante a ditadura militar de Pinochet e que continua em vigor. Foram condenados a 10 anos de prisão e a uma multa de 400 milhões de pesos, a pagar a uma companhia florestal que é uma das mais ricas do país.

Para nós, humanistas e cidadãos portugueses, lutadores contra qualquer forma de racismo, exploração e violação dos Direitos Humanos, é incompreensível que esse tema não seja tratado com urgência pelo governo chileno.

Além disso, denunciamos a repressão e violência utilizada pela polícia chilena contra os participantes numa manifestação pacífica para a libertação dos quatro líderes. Seis pessoas foram agredidas e detidas durante uma manifestação em Temuco; alguns dias depois, 15 líderes mapuches foram detidos em frente a La Moneda, Santiago.

Aparentemente, no Chile existem duas classes de cidadãos que são tratados de forma completamente diferente, o que tem que ser classificado como uma política racista da parte das autoridades chilenas.

Solicitamos ao governo chileno a libertação dos prisioneiros políticos do povo mapuche e que a situação dos mesmos seja clarificada urgentemente. Pedimos ao Governo português e a todas as forças democráticas em Portugal que pressionem o governo chileno em relação a este assunto tão importante.


Porto, 9 de Maio de 2006

Luís Filipe Guerra

quinta-feira, abril 06, 2006

Palestra sobre doenças crónicas

Tertúlia Mensal na Academia Sénior da Covilhã.

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Mais info:
academiaseniorcv@sapo.pt
Telefone: 275 336 788

quarta-feira, abril 05, 2006

Outras galáxias

Uma hora tem 3.600 segundos, o que concorre para um total de 86.400 segundos por dia. Na nossa galáxia há tantas estrelas quantos os segundos contidos em 3.000 anos. Quanto ao (in)número de galáxias que existem no Universo...

terça-feira, abril 04, 2006

Biodiversidade triturada em energia

A Conferência das Partes (COP ou MOP – Meeting of Parts) é o órgão supremo decisório no âmbito da Convenção sobre Diversidade Biológica - CDB. As reuniões da COP são realizadas cada dois anos: trata-se de reuniões alargadas que contam com a participação de delegações oficiais dos 188 membros da CDB (187 países e um bloco regional), observadores de países não-parte, representantes dos principais organismos internacionais (incluindo os órgãos das Nações Unidas), organizações académicas, ONGs, organizações empresariais, lideranças indígenas, imprensa e outros observadores. Cada reunião da COP dura duas semanas, incluindo duas sessões de trabalho paralelas com tradução simultânea para as seis línguas oficiais da ONU (inglês, francês, espanhol, árabe, russo e chinês). Acabou no domingo a 8ª COP, pela primeira vez reunida no Brasil.

Junto com a COP 8 terminou, também em Curitiba, um encontro informal entre representantes de ONGs, da sociedade civil, parlamentares e jornalistas: o Fórum Global da Sociedade Civil – Bem-Vindo ao Mundo Real. Um dos paineis incluídos neste Fórum tinha por título "Afogando a sociobiodiversidade na produção de energia: para quê? Para quem?". Destinado a questionar a pertinência de projectos hidro-eléctricos, o painel visava especialmente os megaprojetos de energia propostos para a Amazónia: 304 barragens, das quais 46 já foram construídas, estando as restantes 258 em projecto. Perder, vamos perder todos, nomeadamente na biodiversidade afogada. A quem se destina esta energia?
mpf

segunda-feira, abril 03, 2006

Conferência Mundial sobre Biodiversidade - um fracasso

A Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) foi aberta para assinaturas no Rio de Janeiro, em 1992. Agora, em 2006, 14 anos depois, a Oitava Conferência das Partes Signatárias da CDB (COP-8) está a acontecer em Curitibe, Brasil. Coincidência ou não, essa Conferência encerrará um ciclo dentro da Convenção: (...) o fim de uma era de esperanças na CDB como contraponto aos caminhos trilhados pelo império do mercado.
.
A Convenção possui três grandes objetivos: a conservação da biodiversidade; seu uso sustentável; e a repartição justa e eqüitativa dos benefícios advindos da utilização dos recursos genéticos. Existe, porém, um desequilíbrio entre esses objetivos. Enquanto a conservação da biodiversidade possui, dentro da CDB, muitos dispositivos de implementação, os outros dois objetivos ainda engatinham. Esses objetivos, e principalmente a repartição de benefícios, foram percebidos, quando do lançamento da Convenção, como promissores no sentido de fazer da CDB um instrumento mais amplo e, mais do que isso, impedir que os componentes da biodiversidade se tornassem simplesmente mercadorias, disponíveis para quem estivesse interessado em pagar. Essas expectativas, entretanto, não se confirmaram ao ponto de a própria Convenção ter feito uma autocrítica e, em 2002, formado um grupo de trabalho para fomentar sua implementação e reequilibrar os três objetivos. Esse grupo apresentou seus resultados agora em 2006, em terras brasileiras.
Mais aqui.

Um Lugar ao Sul

Se puderem, ouçam o programa de hoje do Lugar ao Sul: na Antena 1, depois das notícias da meia-noite. Depois venham aqui dizer se não foi lindo...

domingo, abril 02, 2006

Fórum Social Intermunicipal

A Folha, boletim de ligação e informação da ANIMAR, publicou na sua edição de Março de 2006 o artigo que se transcreve:

Fórum Social Intermunicipal
16 a 18 de Março – O I Fórum Social Intermunicipal, irá decorrer em Torres Vedras, sendo organizado pelas CM da Lourinhã e Torres Vedras, ADR, Agrupamento de Escolas de S. Gonçalo, Associação Juvenil Tá Mexer, Centro de Atendimento a Toxicodependentes de Torres Vedras, Centro Social Paroquial de Torres Vedras, Centro de Emprego de Torres Vedras, Instituto de Reinserção Social Lar de S. José e Santa Casa da Misericórdia de Torres Vedras.

Serão tratados os temas:
Políticas de Inclusão Social
dia 16Mesa de Debate – Políticas de Emprego, Educação e Formação; Oficinas – Educação e Formação de Jovens; Educação e Formação de Adultos; Respostas a grupos com necessidades específicas; Conferência – Políticas de Inclusão Social;
- dia 17Mesa de Debate – Políticas de Imigração e Minorias Étnicas; Oficinas – Imigração; Habitação Social; Consulta de adolescentes; Conferência – Políticas de Habitação;
Inovação e Responsabilidade Social das Organizações
- dia 18Mesa de Debate – Economia Social; Oficinas – Microcrédito; Ambiente; Cidades Saudáveis; Conferência – Desenvolvimento Social Local.

sexta-feira, março 31, 2006

GAIA celebra 10º aniversário

Em 21 de Março de 1996, o GAIA - Grupo de Acção e Intervenção Ambiental nascia por mão de um grupo de estudantes da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. O GAIA é uma organização não hierárquica de bases, plural e apartidária, que trabalha no sentido da construção de alternativas positivas para um mundo ecologicamente sustentável e socialmente justo, enquanto desenvolve uma crítica ao modelo social e económico que explora e prejudica o ambiente, a sociedade e as gerações futuras. Com uma forte componente activista, utiliza frequentemente acções criativas de cariz directo e não-violento como forma de sensibilizar e criar consciência sobre as raizes sociais dos problemas ambientais, tendo introduzido no movimento ambientalista português uma nova forma de abordar os problemas ambientais e sociais e de chamar a atenção para os mesmos. O GAIA é hoje uma das mais importantes organizações não-governamentais de ambiente do nosso país.

Para assinalar o seu 10º aniversário, o GAIA organizou um conjunto de iniciativas que culminam numa festa este Sábado, dia 1 de Abril, no Clube Recreativo da Mouraria (Travessa da Nazaré, 21-1, metro do Martim Moniz), em Lisboa.

A entrada é livre!
Vem comemorar connosco!

quinta-feira, março 30, 2006

quarta-feira, março 29, 2006

TGV

Na próxima vez que precisar de fazer a viagem entre o Porto e Vigo, pense bem no meio de transporte a utilizar. O comboio... ou a bicicleta? Um grupo de ciclistas profissionais galegos fez uma corrida contra o comboio, entre Vigo e o Porto, e a verdade é que só perderam o desafio por uma hora... Quando a composição chegou à estação de S. Bento, Óscar Pereiro, Marcos Serrano, Luis Fernández Oliveira, Gustavo Domínguez e Jacob Agra (motociclista que treina com os profissionais do pedal) já estavam em Esposende.

A ideia da corrida foi do jornal "A Voz da Galiza". Os desportistas aceitaram o desafio e, às 8.27 horas do passado dia 15, partiram em simultâneo com o comboio, no qual seguia um jornalista do diário espanhol. Alberto Magro chegou ao Porto três horas e oito minutos depois.
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Nessa altura, os ciclistas estavam apenas a 44 quilómetros da Invicta, onde chegariam à 13.00 horas. Contudo, os promotores da iniciativa descontaram meia hora a quem pedalou, tendo em conta os obstáculos encontrados pelo caminho. "A partir de Viana, o trânsito desordenado e um desvio por causa de obras obrigou a fazer 10 quilómetros suplementares", explicou o jornal, lembrando que, até ali, a vantagem do comboio sobre as bicicletas rondou os 20 quilómetros.
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Contas feitas, os ciclistas fizeram uma média de 40 quilómetros por hora. Pouco menos da que efectuou a locomotiva: 49,4 quilómetros por hora. No troço galego e na ligação até Viana do Castelo as muitas paragens e as "curvas incessantes" fizeram com que a viagem nos carris decorresse ao ritmo dos ciclistas.
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"Só a ritmo de bicicleta se compreende que o comboio demore 52 minutos para percorrer os 35 quilómetros entre Vigo e Tui, quando um automóvel leva apenas um quarto de hora", constataram os jornalistas; "A Voz da Galiza", lembrando que, apesar disso, o bilhete Porto/Vigo custa 14,40 euros, "o dobro do preço da portagem na autoestrada". Também por isso, registaram, o comboio não ultrapasse uma média de ocupação de 33%.

E, realizado o desafio, ficou a certeza de que, apesar dos desportistas não terem vencido o comboio, os grandes derrotados são mesmo "os passageiros que todos os dias usam aquela linha".
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Hugo Silva no Jornal de Notícias

segunda-feira, março 27, 2006

Mais robots

Isto de facto cada sociedade com a sua mania... Há dias escrevi aqui sobre os robot-soldados americanos, esta de hoje é uma notícia sobre o RI-MAN, o último numa série de protótipos criados no Japão para resolver um dos maiores problemas da sociedade japonesa: a Terceira Idade. Devido a uma reduzida natalidade combinada com uma longevidade incrivelmente elevada, estima-se que em 2020 um quarto da população do Japão terá mais que 65 anos! Infelizmente, e apesar da forte tradição nipónica de reverência pelos idosos aparentemente nada resiste à vida contemporânea, e também lá os velhos abandonados são mais que as mães. Este RI-MAN consegue percepcionar e seguir movimento, escutar e obedecer ordens; está ainda programado para detectar odores eventualmente relacionados com a saúde. Nada mau.


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A Ficção Científica há muito que explora estas ideias. Como em Roujin Z, de Katsuhiro Otomo, um filme de 1996. Este Japão animado, também ele mergulhado numa Terceira Idade crescente, procura resolver o problema dos cuidados aos idosos com a criação de uma cama-robot, o Projecto Z-001, desenvolvido na cidade de Roujin. Esta cama resolve todos os problemas de higiene e saúde de quem está deitado (depositado?) nela, entretém a pessoa (cliente? paciente?) com passatempos, internet, etc, interpreta os seus sinais vitais e providencia cuidados médicos imediatos ou chama o médico em caso de necessidade. O protótipo é testado com o velho Takazawa o qual, apesar de possuir família, vive só e sem cuidados. Depois há uma série de peripécias resultantes do facto de Takazawa não ter sido ouvido nem achado para testar o que fosse, e recusar ser tratado por uma máquina. A moral da história é sobre os perigos da automatização da sociedade, esquecendo que as pessoas são... pessoas.

mpf

quinta-feira, março 23, 2006

Encontro de Coros na Covilhã

A Academia Sénior da Covilhã organiza o

2º Encontro de Coros

25 de Março 2006, 16h00
Auditório das Sessões Solenes da
Universidade da Beira Interior, Covilhã.

Participantes:
Coro da Academia Sénior da Covilhã
Coro da Universidade da Beira Interior
Coro de Câmara Graduale de Música Sacra de Aveiro
Coro da Universidade Sénior Intergeracional da Amadora

Mais informação:
academiaseniorcv@sapo.pt
Telefone: 275336788

Descubra a orquídea que há em si...

À descoberta das orquídeas do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros
8 de Abril / 2006 (Sábado)

A Coop. “Terra Chã” convida-o à descoberta das orquídeas da Serra dos Candeeiros. Uma viagem onde irão admirar algumas das 27 orquídeas que vivem nestas Serras...
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Mais info

Energia

Pelo menos até aos anos 80, a contratação de trabalhadores para malhar o pão em Penha Garcia, essa bela terra, obrigava o patrão a providenciar, entre o almoço e o jantar, uma merenda de ovos fritos com mel.

quarta-feira, março 22, 2006

terça-feira, março 21, 2006

O caso Lafforgue

O francês Laurent Lafforgue é um dos maiores matemáticos da sua geração. Tem um curriculum científico esmagador: tem dezenas de artigos de referência nos temas mais profundos e abstractos da Matemática actual; resolveu um problema fundamental conhecido como conjectura de Langlands, em aberto desde os anos 60, trabalhando com objectos matemáticos com o exótico nome de Shtukas de Drinfeld. O mérito extraordinário do seu trabalho científico mereceu reconhecimento internacional, com as maiores distinções matemáticas. (...) Em suma, é um cientista de primeiríssimo plano em termos mundiais. E ainda não completou 40 anos.
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Em Novembro de 2005, Lafforgue foi protagonista involuntário de um verdadeiro escândalo nos meios da Educação em França. Esses acontecimentos foram quase simultâneos com as revoltas nos subúrbios de Paris. Enquanto estes últimos preencheram semanas de noticiários, o caso Lafforgue passava totalmente despercebido em Portugal. Curiosamente, o caso Lafforgue tem provavelmente muito mais relação com a realidade portuguesa de 2006 do que as revoltas suburbanas: é uma manifestação extrema de sintomas idênticos aos que experimentamos em Portugal, sendo uma situação paradigmática. É útil, portanto, pormenorizar a evolução do que se passou com Lafforgue.
Depois da sua eleição como membro da Academia das Ciências, Lafforgue começou a interessar-se cada vez mais pelas questões da Educação e pelo declínio acentuado dos padrões da educação escolar em França, nomeadamente em áreas científicas. Em conjunto com colegas Académicos de áreas da Matemática e da Física (R. Balian, J. M. Bismut, A. Connes, J. Demailly, P. Lelong e J. P. Serre) elabora em 2004 um importante documento sobre Os saberes fundamentais ao serviço do futuro científico e técnico.
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Na sequência do seu maior envolvimento em questões ligadas à Educação, Lafforgue é convidado em 2005 a integrar o Conselho Superior de Educação, cujo objectivo é tentar compreender as razões do estado catastrófico do sistema educativo francês e elaborar recomendações para medidas urgentes a tomar de forma a inverter o processo de degradação. O Conselho Superior de Educação, presidido por Bruno Racine, foi criado em 8 de Novembro de 2005 e reuniu pela primeira vez a 17 de Novembro de 2005.
No dia seguinte, 18 de Novembro, Racine exige a demissão de Laurent Lafforgue do Conselho Superior de Educação.
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A razão do pedido de demissão ainda é mais inquietante. A 16 de Novembro, véspera, portanto, da primeira reunião de trabalho, Lafforgue tinha escrito um longo e-mail confidencial aos membros do Conselho. Nesse e-mail concretizava, com linguagem por vezes violenta, o seu diagnóstico sobre as razões do estado catastrófico do sistema educativo francês. No dia seguinte à reunião, 18 de Novembro, Racine diz a Lafforgue que esse e-mail (que era um documento de trabalho confidencial) "se tinha difundido rapidamente fora do Conselho Superior de Educação e provocava já escândalo no Ministério da Educação Nacional". Não lhe resta assim outra solução que não pedir a demissão de Lafforgue. Por outras palavras: alguém, convenientemente sem cara, achou boa ideia realizar uma fuga de informação de um documento confidencial para fazer rolar a cabeça de um especialista particularmente brilhante e incómodo, com ideias que poderiam estar perigosamente certas e poderiam mesmo, desastre dos desastres, ter sucesso. Estratégia digna de uma purga estalinista. A única diferença é que os tempos são outros: Lafforgue recusou-se a fazer autocrítica e publicou todos os documentos, incluindo o e-mail que deveria ter permanecido confidencial, na sua página Web.
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É extraordinariamente instrutivo ler o documento de Lafforgue. A sua análise, embora sobre a catástrofe que reina no sistema educativo francês, transpõe-se praticamente ipsis verbis para o caso português. Chega a ser arrepiante a forma tão literal como a sua análise se adapta, o que evidencia estar-se perante um fenómeno global e não local. Em vez de extrair morais desta triste história, o autor destas linhas limitar-se-á, a partir daqui, a citar textualmente Lafforgue. O leitor é cordialmente convidado a extrair as suas conclusões. Lafforgue começa por afirmar que certos pontos da ordem de trabalhos o mergulham no desespero. De facto, "apelar aos especialistas da Educação nacional: Inspecções gerais e direcções da administração central, em particular direcção da avaliação e de prospectiva e direcção do ensino escolar" é exactamente como se formassem um "Conselho Superior para os Direitos do Homem" e se propusessem apelar aos Khmers vermelhos para constituir um grupo de especialistas para a promoção dos direitos humanos.
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Lafforgue explica-se: depois de um ano e meio a estudar profundamente o estado da Educação em França, chegou à conclusão que o sistema educativo público está em vias de destruição total. Esta destruição é resultado de todas as políticas e todas as reformas levadas a cabo desde o final dos anos 60. Estas políticas foram concebidas e impostas por todas as instâncias da Educação Nacional, de inspectores e administradores às comissões de programas, pedagogos e outros especialistas das chamadas "Ciências da Educação" (aspas de Lafforgue); em suma, a Nomenklatura da Educação Nacional.
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Estas políticas foram inspiradas por uma ideologia que consiste em passar a não valorizar o conhecimento, associada ao desejo de fazer a escola desempenhar outros papéis que não a instrução e transmissão do saber, à crença em teorias pedagógicas delirantes, ao desprezo das aprendizagens fundamentais, à recusa do ensino construído, explícito e progressivo, à doutrina do aluno "no centro do sistema" que "deve construir ele próprio os seus saberes".
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Lafforgue sugere em seguida mais de uma dezena de livros publicados em França nos últimos três anos que fornecem um corpus factual para as suas afirmações (aparentemente em França a reacção a estas doutrinas é bem mais enérgica do que entre nós). São, sobretudo, testemunhos de professores no terreno que presenciaram em primeira-mão a catastrófica degradação do sistema de ensino público francês, cujos títulos falam em "Traição às letras", "O horror pedagógico", "Os professores acusam", "Contra os gurus do pedagogicamente correcto", "Quem teve esta ideia louca de destruir a escola?” ou "A fábrica do cretino: a morte programada da escola”. Para que não houvesse interpretações simplistas de "reaccionarismo", Lafforgue explicita que o autor deste último livro, Jean-Paul Brigheli, é um professor de letras, de extrema-esquerda, que interpreta a destruição da escola como uma conspiração deliberada das classes dominantes ultraliberais.
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Analisando especificamente o estado catastrófico do ensino da língua francesa, Lafforgue fornece um relatório da Associação dos Professores de Letras com base no qual afirma que "os especialistas (ou pretensos especialistas) a quem foi confiada a redacção dos programas de francês são simplesmente loucos varridos (estou a pesar as palavras)". E fornece exemplos concretos, verdadeiramente alucinantes e inacreditáveis. Não se apercebendo as instâncias políticas da natureza delirante das propostas, nem dando crédito às reacções dos professores mais conscienciosos, Lafforgue conclui que as instâncias dirigentes do Ministério da Educação estão integralmente povoadas de irresponsáveis (ou criminosos, nos casos em que esta destruição da escola foi deliberada).
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Lafforgue reconhece que este movimento de degradação educativa é muito generalizado, fazendo-se sempre em nome do "progresso" e da "modernização". Existem, contudo, excepções: países que não se deixaram contaminar pela ideologia dominante, como Singapura. Aliás, é interessante constatar que os israelitas determinaram quais os melhores manuais escolares de Matemática no mundo de hoje, chegando à conclusão que eram os de Singapura; e traduziram estes manuais, disponibilizando-os a todas as escolas de Israel.
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Lafforgue recomenda páginas Web de instituições em quem confia na descrição dos problemas da Educação em Franca, como o GRIP (Groupe de Réflexion Interdisciplinaire sur les Programmes); Sauver Les Lettres (SLL); e a Association des Professeurs de Lettres (APL). Valem bem uma visita. Finalmente, recomenda a página pessoal de Michel Delord, "simples professor de matemática do secundário mas com um conhecimento impressionante da história do nosso sistema educativo". A página de Delord é, de facto, extraordinária e tem como dedicatória "Página dedicada a pais que se inquietaram por as suas crianças não saberem fazer uma divisão no Ensino Secundário e a quem foi respondido: "Os senhores são uns retrógrados".".
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Não há dúvidas de que o e-mail de Lafforgue era violento na linguagem, tornando-o numa personagem incómoda. Lafforgue tornou-se um cavalo a abater e a sua purga foi instantânea. Contudo, é impressionante a precisão com que ele concretiza a evolução e as razões da degradação catastrófica do sistema educativo francês. Em três palavras: Lafforgue tem razão.
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Mais arrepiante ainda é o exercício de transcrever as afirmações de Lafforgue para o caso português: pouco há a alterar. Na verdade, extrair as conclusões apropriadas do caso Lafforgue poderá ser essencial para a regeneração do sistema educativo português. Infelizmente, o desprezo a que o affaire Lafforgue foi votado pelos meios de comunicação portugueses não indica nada de bom. Quem não aprende com a História está condenado a repeti-la.
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Jorge Buescu aqui

(Publicado em Ingenium: Revista da Ordem dos Engenheiros, II Série, N.º 91, Janeiro/Fevereiro 2006)

Timor

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segunda-feira, março 20, 2006

Conferência com a professora Gisela Bock

CONFERÊNCIA COM A PROFESSORA GISELA BOCK

(Historiadora com numerosos livros e artigos sobre a História das Mulheres.
Professora na Universidade Livre de Berlim)

7 de Abril de 2006- 18,00 h
ICS - Instituto de Ciências Sociais (Auditório)
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
Lisboa

Tema da Conferência:
"Gender dimensions in transnacional history and the history of West European Colonialism"

sexta-feira, março 17, 2006

Feitos à imagem e semelhança...

Em 2004 o exército norte-americano anunciava o envio de soldados-robot para o Iraque no ano seguinte, mandando às urtigas a 1ª Lei da Robótica de Isaac Asimov: “um robot não pode/deve atacar seres humanos”. Estes robots ficção-científica-tornada-realidade respondem pelo nome de SWORDS (Special Weapons Observation Reconnaissance Detection Systems) e estão completamente armados e prontos a disparar. Terão mesmo entrado em acção? Será que já houve alguma baixa? Um robot abatido vale por quantos soldados de carne e osso? E por quantos civis? A propósito, as baixas de civis vão em 35mil: irão agora aumentar mais rapidamente com a entrada em acção dos robots-soldados?
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Porque é que não inventaram antes robots para substituir as meninas usadas para levantar a moral dos soldados?

mpf

quinta-feira, março 16, 2006

Disparidades

Por cá, as OPAS e contra-OPAS deixam os da bolsa aos saltos, andando uns quantos felizes com o rumo dos acontecimentos. Se todos os Portugueses fossem accionistas, já se tinha acabado a crise, mas a realidade não é essa. A Bolsa e as suas especulações afecta poucos de nós (não sei a percentagem, mas diria que a quantidade de Portugueses a beneficiar da euforia da bolsa deve ser ínfima). Quer dizer, pelo menos afecta 3000 almas: é que um dos bancos, para "estimular" os accionistas, prometeu que a primeira medida a tomar seria despedir 3000 trabalhadores.

Entretanto em França, centenas de milhar de estudantes saem para a rua, para evitar a lei do primeiro emprego: esta nova invenção permite às empresas despedir empregados sem justa causa, se estes tiverem menos de 26 anos. Ao trabalho precário e à MacDonaldização dos empregos junta-se agora o terrorismo de estado, que defende que os trabalhadores, por serem jovens, são um bem dispensável, com poucos ou nenhuns direitos direitos. Por este caminho, os dias da escravidão não estão longe.

Se calhar já não há classes; o que há é accionistas, massa laboral tratada como peões sacrificáveis no tabuleiro da Bolsa, jovens tratados como cidadãos de segunda, salários de miséria nas grandes superfícies, muito carro de luxo. E entretanto os que especulam na bolsa, continuam a encher os bolsos. A crise, essa, lá continua, indiferente à bolsa e aos seus malabarismos.