Que la pluma sea también una espada y que su filo corte el oscuro muro por el que habrá de colarse el mañana [Subcomandante Marcos]
terça-feira, agosto 01, 2006
Praxes Académicas - Comunicado do MELLE
tradição», uma tradição tão nobre como a escravatura, matar judeus
ou o bombardeamento nuclear. Na mente dos velhacos pode-se fazer
tudo em nome da tradição!
Na verdade a praxe em Portugal apenas é praticada há décadas na
Universidade de Coimbra, tendo sido interrompida na sequência da
Revolução de Maio de 68 e só então retomada nos anos 80 por
indivíduos matriculados em Universidades de todo o país. Foi o
desvanecer dos ideais de Abril e a consagração de uma ditadura
mascarada de democracia.
As torturas do passado, incluindo as da PIDE, durante o Estado Novo,
são continuadas nos dias de hoje, dentro das universidades, não
raras vezes com a cumplicidade suja das Reitorias.
Os individuos que estão ligados à praxe, os que se dizem "Doutores
ou Veteranos" são Doutores de coisa nenhuma. Na verdade muitos deles
estão há vários anos matriculados na Universidade, a desperdiçar
vagas e recursos, num sistema de acesso já de si corrupto e injusto.
Com cumplicidade institucional alguns estudantes universitários
cometem crimes no interior das escolas e permanecem incólumes.
Defendemos que as Universidades devem ser espaços abertos que
promovam a liberdade e que permitam o livre pensamento.
Não vamos permitir que se continue a ensinar e praticar actos de
xenofobia, actos de violência, a coerção, o uso abusivo e
indiscriminado de drogas, a humilhação, a afronta à dignidade, a
afronta aos direitos da mulher, à igualdade e à tolerancia pelas
crenças alheias.
Os Reitores das Universidades são responsáveis e devem ser
responsabilizados pela cooperação na prática de verdadeiros
atentados à democracia e à liberdade, quando ano após ano, os novos
alunos continuam a ser humilhados e abusados pelos seus colegas mais
velhos com ofensas, psicológias e corporais, por vezes de inspiração
fascista e nazi fazendo crer que estas estão de acordo com a
legislação em vigor.
Os Ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Ensino
Superior devem também ser responsabilizados, por compactuar com
estas práticas anticonstitucionais e que violam os mais básicos
direitos humanos.
Deve o Ministério da Educação em conjunto com o Ministério da
Ciência Tecnologia e Ensino Superior, com carácter de urgência,
realizar Acções de Formação de carácter pedagógico, de frequência
obrigatória por todos os funcionários das escolas e universidades
portuguesas, para que estes cumpram o dever cívico de identificar e
denunciar os abusos e contribuam para uma mais eficaz eliminação das
praxes.
Lisboa, 30 de Julho de 2006,
Comissão Nacional do Movimento Estudantil de Luta pela Liberdade na
Educação
sábado, julho 29, 2006
Médio-Oriente: carta de cidadãos do mundo
That this "kidnapping" was considered an outrage, whereas the illegal military occupation of the West Bank and the systematic appropriation of its natural resources - most particularly that of water - by the Israeli Defence (!) Forces is considered a regrettable but realistic fact of life, is typical of the double standards repeatedly employed by the West in face of what has befallen the Palestinians, on the land alloted to them by international agreements, during the last seventy years.
Today outrage follows outrage; makeshift missiles cross sophisticated ones. The latter usually find their target situated where the disinherited and crowded poor live, waiting for what was once called Justice. Both categories of missile rip bodies apart horribly - who but field commanders can forget this for a moment?
Each provocation and counter-provocation is contested and preached over. But the subsequent arguments, accusations and vows, all serve as a distraction in order to divert world attention from a long-term military, economic and geographic practice whose political aim is nothing less than the liquidation of the Palestinian nation.
This has to be said loud and clear for the practice, only half declared and often covert, is advancing fast these days, and, in our opinion, it must be unceasingly and eternally recognised for what it is and resisted.
Tariq Ali
Russell Banks
John Berger
Noam Chomsky
Richard Falk
Eduardo Galeano
Charles Glass
Naomi Klein
W.J.T. Mitchell
Harold Pinter
Arundhati Roy
Jose Saramago
Giiuliana Sgrena
Gore Vidal
Howard Zinn
sábado, julho 22, 2006
Líbano e Palestina, fim aos bombardeamentos
Rua António Enes, 16 (ao Saldanha), em Lisboa.
Quarta-Feira, 26 de Julho, 18.30h.
A SITUAÇÃO NO MÉDIO ORIENTE
sobre
A SITUAÇÃO NO MÉDIO ORIENTE
Iniciativa da
Comissão Promotora do MPPM
(Movimento Português pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente)
Terça-feira, dia 25 de Julho, pelas 18h30
Sede da Sociedade da Língua Portuguesa,
Rua Mouzinho da Silveira, 23
(ao Marquês de Pombal, para quem sobe a Rua Alexandre Herculano, da Avenida da Liberdade para o Rato, é a segunda transversal à direita)
A Sessão contará com o testemunho da Delegada-Geral, Embaixadora, da OLP em Portugal.
segunda-feira, julho 17, 2006
Finalmente zapp
quinta-feira, junho 01, 2006
segunda-feira, maio 22, 2006
Prioridades televisivas
Intervalo
sexta-feira, maio 12, 2006
O FSP 2006 já se vê
Parte da sua estrutura estará ainda em construção durante a próxima
semana, mas já é possível aceder a algumas das suas principais secções,
de onde destacamos as inscrições e gestão de acessos dos participantes
na actual lista do FSP.
Convidamos todos, também, a participarem no inquérito
intitulado "Consulta temática para o FSP 2006".
Obrigado!
O Grupo de Trabalho
terça-feira, maio 09, 2006
Presos mapuches em greve de fome
À Embaixada do Chile em Portugal
Aos Meios de Comunicação europeus
Às organizações políticas e sociais portuguesas
APELO À JUSTIÇA PARA OS PRISIONEIROS POLÍTICOS NO CHILE
O Partido Humanista exprime por meio desta carta a sua séria preocupação com a saúde de quatro líderes do povo Mapuche do Chile, que foram condenados a mais de dez anos de prisão e que se encontram na prisão de Temuco, no seu país.
Patricia Troncoso, Juan Marileo, Florencio Marileo e Juan Carlos Huenulao estão em greve de fome há 57 dias e a sua vida corre já sério risco.
Toda a informação que temos aponta no sentido de que os quatro membros da Comunidade Mapuche foram submetidos a um julgamento injusto e sem acesso a uma defesa válida: foram acusados por testemunhas com a cara tapada e tratados de acordo com a Lei Antiterrorista 18.314, que foi introduzida durante a ditadura militar de Pinochet e que continua em vigor. Foram condenados a 10 anos de prisão e a uma multa de 400 milhões de pesos, a pagar a uma companhia florestal que é uma das mais ricas do país.
Para nós, humanistas e cidadãos portugueses, lutadores contra qualquer forma de racismo, exploração e violação dos Direitos Humanos, é incompreensível que esse tema não seja tratado com urgência pelo governo chileno.
Além disso, denunciamos a repressão e violência utilizada pela polícia chilena contra os participantes numa manifestação pacífica para a libertação dos quatro líderes. Seis pessoas foram agredidas e detidas durante uma manifestação em Temuco; alguns dias depois, 15 líderes mapuches foram detidos em frente a La Moneda, Santiago.
Aparentemente, no Chile existem duas classes de cidadãos que são tratados de forma completamente diferente, o que tem que ser classificado como uma política racista da parte das autoridades chilenas.
Solicitamos ao governo chileno a libertação dos prisioneiros políticos do povo mapuche e que a situação dos mesmos seja clarificada urgentemente. Pedimos ao Governo português e a todas as forças democráticas em Portugal que pressionem o governo chileno em relação a este assunto tão importante.
Porto, 9 de Maio de 2006
Luís Filipe Guerra
quinta-feira, abril 06, 2006
Palestra sobre doenças crónicas

Mais info:
academiaseniorcv@sapo.pt
Telefone: 275 336 788
quarta-feira, abril 05, 2006
Outras galáxias
terça-feira, abril 04, 2006
Biodiversidade triturada em energia
Junto com a COP 8 terminou, também em Curitiba, um encontro informal entre representantes de ONGs, da sociedade civil, parlamentares e jornalistas: o Fórum Global da Sociedade Civil – Bem-Vindo ao Mundo Real. Um dos paineis incluídos neste Fórum tinha por título "Afogando a sociobiodiversidade na produção de energia: para quê? Para quem?". Destinado a questionar a pertinência de projectos hidro-eléctricos, o painel visava especialmente os megaprojetos de energia propostos para a Amazónia: 304 barragens, das quais 46 já foram construídas, estando as restantes 258 em projecto. Perder, vamos perder todos, nomeadamente na biodiversidade afogada. A quem se destina esta energia?
segunda-feira, abril 03, 2006
Conferência Mundial sobre Biodiversidade - um fracasso
Um Lugar ao Sul
domingo, abril 02, 2006
Fórum Social Intermunicipal
Fórum Social Intermunicipal
16 a 18 de Março – O I Fórum Social Intermunicipal, irá decorrer em Torres Vedras, sendo organizado pelas CM da Lourinhã e Torres Vedras, ADR, Agrupamento de Escolas de S. Gonçalo, Associação Juvenil Tá Mexer, Centro de Atendimento a Toxicodependentes de Torres Vedras, Centro Social Paroquial de Torres Vedras, Centro de Emprego de Torres Vedras, Instituto de Reinserção Social Lar de S. José e Santa Casa da Misericórdia de Torres Vedras.
Serão tratados os temas:
Políticas de Inclusão Social
– dia 16 – Mesa de Debate – Políticas de Emprego, Educação e Formação; Oficinas – Educação e Formação de Jovens; Educação e Formação de Adultos; Respostas a grupos com necessidades específicas; Conferência – Políticas de Inclusão Social;
- dia 17 – Mesa de Debate – Políticas de Imigração e Minorias Étnicas; Oficinas – Imigração; Habitação Social; Consulta de adolescentes; Conferência – Políticas de Habitação;
Inovação e Responsabilidade Social das Organizações
- dia 18 – Mesa de Debate – Economia Social; Oficinas – Microcrédito; Ambiente; Cidades Saudáveis; Conferência – Desenvolvimento Social Local.
sexta-feira, março 31, 2006
GAIA celebra 10º aniversário
Para assinalar o seu 10º aniversário, o GAIA organizou um conjunto de iniciativas que culminam numa festa este Sábado, dia 1 de Abril, no Clube Recreativo da Mouraria (Travessa da Nazaré, 21-1, metro do Martim Moniz), em Lisboa.
A entrada é livre!
Vem comemorar connosco!
quinta-feira, março 30, 2006
quarta-feira, março 29, 2006
TGV
A ideia da corrida foi do jornal "A Voz da Galiza". Os desportistas aceitaram o desafio e, às 8.27 horas do passado dia 15, partiram em simultâneo com o comboio, no qual seguia um jornalista do diário espanhol. Alberto Magro chegou ao Porto três horas e oito minutos depois.
"Só a ritmo de bicicleta se compreende que o comboio demore 52 minutos para percorrer os 35 quilómetros entre Vigo e Tui, quando um automóvel leva apenas um quarto de hora", constataram os jornalistas; "A Voz da Galiza", lembrando que, apesar disso, o bilhete Porto/Vigo custa 14,40 euros, "o dobro do preço da portagem na autoestrada". Também por isso, registaram, o comboio não ultrapasse uma média de ocupação de 33%.
E, realizado o desafio, ficou a certeza de que, apesar dos desportistas não terem vencido o comboio, os grandes derrotados são mesmo "os passageiros que todos os dias usam aquela linha".
segunda-feira, março 27, 2006
Mais robots
Isto de facto cada sociedade com a sua mania... Há dias escrevi aqui sobre os robot-soldados americanos, esta de hoje é uma notícia sobre o RI-MAN, o último numa série de protótipos criados no Japão para resolver um dos maiores problemas da sociedade japonesa: a Terceira Idade. Devido a uma reduzida natalidade combinada com uma longevidade incrivelmente elevada, estima-se que em 2020 um quarto da população do Japão terá mais que 65 anos! Infelizmente, e apesar da forte tradição nipónica de reverência pelos idosos aparentemente nada resiste à vida contemporânea, e também lá os velhos abandonados são mais que as mães. Este RI-MAN consegue percepcionar e seguir movimento, escutar e obedecer ordens; está ainda programado para detectar odores eventualmente relacionados com a saúde. Nada mau.

A Ficção Científica há muito que explora estas ideias. Como em Roujin Z, de Katsuhiro Otomo, um filme de 1996. Este Japão animado, também ele mergulhado numa Terceira Idade crescente, procura resolver o problema dos cuidados aos idosos com a criação de uma cama-robot, o Projecto Z-001, desenvolvido na cidade de Roujin. Esta cama resolve todos os problemas de higiene e saúde de quem está deitado (depositado?) nela, entretém a pessoa (cliente? paciente?) com passatempos, internet, etc, interpreta os seus sinais vitais e providencia cuidados médicos imediatos ou chama o médico em caso de necessidade. O protótipo é testado com o velho Takazawa o qual, apesar de possuir família, vive só e sem cuidados. Depois há uma série de peripécias resultantes do facto de Takazawa não ter sido ouvido nem achado para testar o que fosse, e recusar ser tratado por uma máquina. A moral da história é sobre os perigos da automatização da sociedade, esquecendo que as pessoas são... pessoas.
mpf
quinta-feira, março 23, 2006
Encontro de Coros na Covilhã
2º Encontro de Coros
25 de Março 2006, 16h00
Auditório das Sessões Solenes da
Universidade da Beira Interior, Covilhã.
Participantes:
Coro da Academia Sénior da Covilhã
Coro da Universidade da Beira Interior
Coro de Câmara Graduale de Música Sacra de Aveiro
Coro da Universidade Sénior Intergeracional da Amadora
Mais informação:
academiaseniorcv@sapo.pt
Telefone: 275336788
Descubra a orquídea que há em si...
À descoberta das orquídeas do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros
8 de Abril / 2006 (Sábado)
A Coop. “Terra Chã” convida-o à descoberta das orquídeas da Serra dos Candeeiros. Uma viagem onde irão admirar algumas das 27 orquídeas que vivem nestas Serras...
Energia
quarta-feira, março 22, 2006
terça-feira, março 21, 2006
O caso Lafforgue
Em Novembro de 2005, Lafforgue foi protagonista involuntário de um verdadeiro escândalo nos meios da Educação em França. Esses acontecimentos foram quase simultâneos com as revoltas nos subúrbios de Paris. Enquanto estes últimos preencheram semanas de noticiários, o caso Lafforgue passava totalmente despercebido em Portugal. Curiosamente, o caso Lafforgue tem provavelmente muito mais relação com a realidade portuguesa de 2006 do que as revoltas suburbanas: é uma manifestação extrema de sintomas idênticos aos que experimentamos em Portugal, sendo uma situação paradigmática. É útil, portanto, pormenorizar a evolução do que se passou com Lafforgue.
Depois da sua eleição como membro da Academia das Ciências, Lafforgue começou a interessar-se cada vez mais pelas questões da Educação e pelo declínio acentuado dos padrões da educação escolar em França, nomeadamente em áreas científicas. Em conjunto com colegas Académicos de áreas da Matemática e da Física (R. Balian, J. M. Bismut, A. Connes, J. Demailly, P. Lelong e J. P. Serre) elabora em 2004 um importante documento sobre Os saberes fundamentais ao serviço do futuro científico e técnico.
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Lafforgue sugere em seguida mais de uma dezena de livros publicados em França nos últimos três anos que fornecem um corpus factual para as suas afirmações (aparentemente em França a reacção a estas doutrinas é bem mais enérgica do que entre nós). São, sobretudo, testemunhos de professores no terreno que presenciaram em primeira-mão a catastrófica degradação do sistema de ensino público francês, cujos títulos falam em "Traição às letras", "O horror pedagógico", "Os professores acusam", "Contra os gurus do pedagogicamente correcto", "Quem teve esta ideia louca de destruir a escola?” ou "A fábrica do cretino: a morte programada da escola”. Para que não houvesse interpretações simplistas de "reaccionarismo", Lafforgue explicita que o autor deste último livro, Jean-Paul Brigheli, é um professor de letras, de extrema-esquerda, que interpreta a destruição da escola como uma conspiração deliberada das classes dominantes ultraliberais.
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(Publicado em Ingenium: Revista da Ordem dos Engenheiros, II Série, N.º 91, Janeiro/Fevereiro 2006)
segunda-feira, março 20, 2006
Conferência com a professora Gisela Bock
(Historiadora com numerosos livros e artigos sobre a História das Mulheres.
Professora na Universidade Livre de Berlim)
7 de Abril de 2006- 18,00 h
ICS - Instituto de Ciências Sociais (Auditório)
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
Lisboa
Tema da Conferência:
"Gender dimensions in transnacional history and the history of West European Colonialism"
sexta-feira, março 17, 2006
Feitos à imagem e semelhança...

Porque é que não inventaram antes robots para substituir as meninas usadas para levantar a moral dos soldados?
mpf
quinta-feira, março 16, 2006
Disparidades
Entretanto em França, centenas de milhar de estudantes saem para a rua, para evitar a lei do primeiro emprego: esta nova invenção permite às empresas despedir empregados sem justa causa, se estes tiverem menos de 26 anos. Ao trabalho precário e à MacDonaldização dos empregos junta-se agora o terrorismo de estado, que defende que os trabalhadores, por serem jovens, são um bem dispensável, com poucos ou nenhuns direitos direitos. Por este caminho, os dias da escravidão não estão longe.
Se calhar já não há classes; o que há é accionistas, massa laboral tratada como peões sacrificáveis no tabuleiro da Bolsa, jovens tratados como cidadãos de segunda, salários de miséria nas grandes superfícies, muito carro de luxo. E entretanto os que especulam na bolsa, continuam a encher os bolsos. A crise, essa, lá continua, indiferente à bolsa e aos seus malabarismos.
Outro Zimão
terça-feira, março 14, 2006
A Primavera

O Zimão (Gonepteryx rhamni) é uma das primeiras borboletas que pode ser vista na Primavera. A sua forma e coloração esverdeada permitem dissimular-se entre as folhas das árvores e assim escapar à voracidade dos passarocos que só pensam em caçá-los para encher o bandulho ou para alimentar os mais novos.
O Norte
Viana do Castelo é uma cidade clara. Não esconde nada. Não há uma Viana secreta. Não há outra Viana do lado de lá. Em Viana do Castelo está tudo à vista. A luz mostra tudo o que há para ver. É uma cidade verde-branca. Verde-rio e verde-mar, mas branca. Em Agosto até o verde mais escuro, que se vê nas árvores antigas do Monte de Santa Luzia, parece tornar-se branco ao olhar. Até o granito das casas. Mais verdades. No Norte a comida é melhor. O vinho é melhor. O serviço é melhor. Os preços são mais baixos. Não é difícil entrar ao calhas numa taberna, comer muito bem e pagar uma ninharia. Estas são as verdades do Norte de Portugal. Mas há uma verdade maior. É que só o Norte existe. O Sul não existe. As partes mais bonitas de Portugal, o Alentejo, os Açores, a Madeira, Lisboa, et caetera, existem sozinhas. O Sul é solto. Não se junta. Não se diz que se é do Sul como se diz que se é do Norte. No Norte dizem-se e orgulham-se de se dizer nortenhos. Quem é que se identifica como sulista? No Norte, as pessoas falam mais no Norte do que todos os portugueses juntos falam de Portugal inteiro.
Os nortenhos não falam do Norte como se o Norte fosse um segundo país. Não haja enganos. Não falam do Norte para separá-lo de Portugal. Falam do Norte apenas para separá-lo do resto de Portugal. Para um nortenho, há o Norte e há o Resto. É a soma de um e de outro que constitui Portugal. Mas o Norte é onde Portugal começa. Depois do Norte, Portugal limita-se a continuar, a correr por ali abaixo. Deus nos livre, mas se se perdesse o resto do país e só ficasse o Norte, Portugal continuaria a existir. Como país inteiro. Pátria mesmo, por muito pequenina. No Norte. Em contrapartida, sem o Norte, Portugal seria uma mera região da Europa. Mais ou menos peninsular, ou insular. É esta a verdade. Lisboa é bonita e estranha mas é apenas uma cidade. O Alentejo é especial mas ibérico, a Madeira é encantadora mas inglesa e os Açores são um caso à parte.
Em qualquer caso, os lisboetas não falam nem no Centro nem no Sul - falam em Lisboa. Os alentejanos nem sequer falam do Algarve - falam do Alentejo. As ilhas falam em si mesmas e naquela entidade incompreensível a que chamam, qual hipermercado de mil misturadas, Continente.
No Norte, Portugal tira de si a sua ideia e ganha corpo. Está muito estragado, mas é um estragado português, semi-arrependido, como quem não quer a coisa. O Norte cheira a dinheiro e a alecrim. O asseio não é asséptico - cheira a cunhas, a conhecimentos e a arranjinho. Tem esse
defeito e essa verdade. Em contrapartida, a conservação fantástica de (algum) Alentejo é impecável, porque os alentejanos são mais frios e conservadores (menos portugueses) nessas coisas.
O Norte é feminino. O Minho é uma menina. Tem a doçura agreste, a timidez insolente da mulher portuguesa. Como um brinco doirado que luz numa orelha pequenina, o Norte dá nas vistas sem se dar por isso.
As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos verdes-impossíveis, daqueles em que os versos, desde o dia em que nascem, se põem a escrever-se sozinhos. Têm o ar de quem pertence a si própria. Andam de mãos nas ancas. Olham de frente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam. Confiam, mas não dão confiança. Olho para as raparigas do meu país e acho-as bonitas e honradas, graciosas sem estarem para brincadeiras, bonitas sem serem belas, erguidas pelo nariz, seguras pelo queixo, aprumadas, mas sem vaidade. Acho-as verdadeiras. Acredito nelas. Gosto da vergonha delas, da maneira como coram quando se lhes fala e da maneira como podem puxar de um estalo ou de uma panela, quando se lhes falta ao respeito.
Gosto das pequeninas, com o cabelo puxado atrás das orelhas, e das velhas, de carrapito perfeito, que têm os olhos endurecidos de quem passou a vida a cuidar dos outros. Gosto dos brincos, dos sapatos, das saias.. Gosto das burguesas, vestidas à maneira, de braço enlaçado nos homens. Fazem-me todas medo, na maneira calada como conduzem as cerimónias e os maridos,
mas gosto delas. São mulheres que possuem; são mulheres que pertencem.
As mulheres do Norte deveriam mandar neste país. Têm o ar de que sabem o que estão a fazer. Em Viana, durante as festas, são as senhoras em toda a parte. Numa procissão, numa barraca de feira, numa taberna, são elas que decidem silenciosamente. Trabalham três vezes mais que os homens e não lhes dão importância especial. Só descomposturas, e mimos, e carinhos. O Norte é a nossa verdade. Ao princípio irritava-me que todos os nortenhos tivessem tanto orgulho no Norte, porque me parecia que o orgulho era aleatório. Gostavam do Norte só porque eram do Norte. Assim também eu. Ansiava por encontrar um nortenho que preferisse Coimbra ou o Algarve, da maneira que eu, lisboeta, prefiro o Norte. Afinal, Portugal é um caso muito sério e compete a cada português escolher, de cabeça fria e coração quente, os seus pedaços e pormenores.
Depois percebi. Os nortenhos, antes de nascer, já escolheram. Já nascem escolhidos. Não escolhem a terra onde nascem, seja Ponte de Lima ou Amarante, e apesar de as defenderem acerrimamente, põem acima dessas terras a terra maior que é o "O Norte". Defendem o "Norte" em Portugal como os Portugueses haviam de defender Portugal no mundo.
Este sacrifício colectivo, em que cada um adia a sua pertença particular - o nome da sua terrinha - para poder pertencer a uma terra maior, é comovente. No Porto, dizem que as pessoas de Viana são melhores do que as do Porto. Em Viana, dizem que as festas de Viana não são tão autênticas como as de Ponte de Lima.
Em Ponte de Lima dizem que a vila de Amarante ainda é mais bonita.. O Norte não tem nome próprio. Se o tem não o diz. Quem sabe se é mais Minho ou Trás-os-Montes, se é litoral ou interior, português ou galego? Parece vago. Mas não é. Basta olhar para aquelas caras e para aquelas casas, para as árvores, para os muros, ouvir aquelas vozes, sentir aquelas mãos em cima de nós, com a terra a tremer de tanto tambor e o céu em fogo, para adivinhar.
O nome do Norte é Portugal. Portugal, como nome de terra, como nome de nós todos, é um nome do Norte. Não é só o nome do Porto. É a maneira que têm de dizer "Portugal" e "Portugueses". No Norte dizem-no a toda a hora, com a maior das naturalidades. Sem complexos e sem patrioteirismos. Como se fosse só um nome. Como "Norte". Como se fosse assim que chamassem uns pelos outros. Porque é que não é assim que nos chamamos todos?
Miguel Esteves Cardoso
segunda-feira, março 13, 2006
O encantamento pela vida é eterno
Em 1956, Milton M. Levine construiu um brinquedo a que chamou Quinta das Formigas. Em miudo costumava entreter-se a seguir os carreiros das ditas, e achou que poderia fazer algum dinheiro a vender um brinquedo vivo: uma caixa com areia e uma mão-cheia de formigas; as paredes de vidro permitiriam seguir as formigas no seu dia-a-dia. A ideia foi um sucesso e dura há 50 anos, durante os quais foram vendidas mais de 20 milhões de quintas!

Hoje em dia estão disponíveis vários modelos (incluindo o original), alguns em módulos conectados por tubagens que permitem observar as formigas a viajar de um lado para outro. Aparentemente para as crianças já nascidas na Era-playstation continua a ser fascinante seguir uma população de formigas, vê-las escavar tuneis e mover montanhas, nascer e morrer (sim, ver morrer também é importante). Actualmente a areia foi substituida por gravilha vulcânica, mais limpa e leve, a qual facilita a circulação das formigas e a sua visualização. A Quinta é aconselhada para crianças a partir dos 6 anos, custa 9 euros e vem com um cupão que dá direito a uma encomenda de formigas por correio...
mpfsexta-feira, março 10, 2006
Universidade de Lisboa solidária com universidades iraquianas
quinta-feira, março 09, 2006
terça-feira, março 07, 2006
Crónica de uma morte anunciada
A lição do ano
segunda-feira, março 06, 2006
O serviço público da BBC
sexta-feira, março 03, 2006
Internet

A Alemanha(.de) tinha aproximadamente 15 milhões de utilizadores de Internet no início de 2000. O tamanho das letras é proporcional à quantidade de utilizadores.
Carros

Se alinhassemos todos os carros existentes um atrás do outro, podíamos dar 70 voltas à terra...
Promovendo a Cidadania I
4 de Março (Sábado)
13h30, Universidade de Évora, Colégio do Espírito Santo
Organização: Encontro Nacional de Estudantes de Informática
Oradores convidados:
- Dra. Anabela Pedroso (UMIC)
- Professora Graça Simões (UMIC)
- Professor António Pedro Dores (ISCTE)
Temas a abordar:
* Governo Electrónico
* Democracia Electrónica
* Competências para a Sociedade do Conhecimento
* Info-Inclusão: Das Cidades Digitais aos Espaços Internet
Promovendo a Cidadania II
21h30 Espaço CELEIROS, Évora
Organização: PedeXumbo, APORDOC, Cine-Clube de Évora
Filmes que serão exibidos:
*DROGAS EM LETRAS
realização colectiva NUCIVO!
(mini-dv, 23´, 2005)
*MICRO DOC´S KINGDOM
de Teresa Costa, Rui Monteiro, Carla Capeto, Marise Francisco, Paula Alves, Hitesh, Vvoitek Ziemelski, Tânia David
Vários olhares documentais sobre a cidade de Serpa, realizados pelos participantes da 1ªOficina do Olhar durante o Seminário Doc´s Kingdom 05
(mini-dv, 26´, 2005)
*A RODINHA DO PODER
NUCIVO
6’, 2005
Debate após os documentários, a que se seguirá um concerto pelos Lupanar.
sexta-feira, fevereiro 24, 2006
justiça

Recebi um email com o Despacho acima: supostamente a menina licenciada é filha do senhor ministro. O montante parece de facto astronómico para remunerar a edição de conteudos... Fui à procura do dito site, só encontrei isto. É uma boa e útil compilação de informação, embora para página oficial do Ministério da Justiça seja paupérrima - nem uma introduçãozita ao que é e se faz no ministério? Talvez devessem contratar alguém que se encarregasse... dos conteúdos? Daqui a um mês volto a ela, para tentar perceber algum sinal dos 5 x 3254 euros gastos até agora, talvez a lic. Isabel Costa ainda esteja a estudar a questão.
mpf






