quinta-feira, março 16, 2006

Outro Zimão

Zimão, O Africano é o título de um livro com data de 1800, supostamente traduzido (aparentemente esta parte também é ficção) por Weeden Butler (Ed. Vernor and Hood, Spa Fields, London). É a história de Zimão, filho de um príncipe do Benim. Zimão e outros concidadãos, entre os quais a mulher do dito, são convidados a visitar uma nau ancorada ao largo da Guiné. Porém, assim que entram no barco são feitos prisioneiros e agrilhoados no convés. Segue-se uma viagem de sofrimento, a venda dos escravos em Porto Bello, a separação dos esposos, uma insurreição liderada por Zimão, e o encontro casual com a esposa numa plantação cujo dono, branco, tratava bem (para a época...) os escravos, e que por isso é poupado à vingança de Zimão. O livro é sobre brancos, negros e negreiros, portanto. Tal como a Gonepteryx rhamni, Zimão foi o primeiro a revelar-se e a escapar à voracidade do seu tempo. Apesar da história ser ficção, aparentemente baseia-se em factos verídicos, como o atesta um apêndice ao livro que relata a apresentação destes factos numa sessão do Parlamento inglês em que se discutiu a escravatura...
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mpf

terça-feira, março 14, 2006

A Primavera

Está aí, sem respeitar o Calendário. Ele foi as borboletas, no Sábado passado, que teimaram em sair dos casulos, ele foi as Andorinhas que no Domingo esvoaçavam furiosamente a empaturrar-se com insectos, ele foi o Rouxinol e o Cuco que começaram a cantar, ele foi as Primaveras e as Acácias a florir, os Junquilhos (que florescem no Inverno) a começar a murchar, os Freixos a espevitarem as suas tenras folhas, o Tritão já nos preparos para o acasalamento, e sei lá mais o quê. Definitivamente, a Primavera não é quando um Homem quiser.


O Zimão (Gonepteryx rhamni) é uma das primeiras borboletas que pode ser vista na Primavera. A sua forma e coloração esverdeada permitem dissimular-se entre as folhas das árvores e assim escapar à voracidade dos passarocos que só pensam em caçá-los para encher o bandulho ou para alimentar os mais novos.

O Norte

Primeiro, as verdades. O Norte é mais Português que Portugal. As minhotas são as raparigas mais bonitas do País. O Minho é a nossa província mais estragada e continua a ser a mais bela. As festas da Nossa Senhora da Agonia são as maiores e mais impressionantes que já se viram.

Viana do Castelo é uma cidade clara. Não esconde nada. Não há uma Viana secreta. Não há outra Viana do lado de lá. Em Viana do Castelo está tudo à vista. A luz mostra tudo o que há para ver. É uma cidade verde-branca. Verde-rio e verde-mar, mas branca. Em Agosto até o verde mais escuro, que se vê nas árvores antigas do Monte de Santa Luzia, parece tornar-se branco ao olhar. Até o granito das casas. Mais verdades. No Norte a comida é melhor. O vinho é melhor. O serviço é melhor. Os preços são mais baixos. Não é difícil entrar ao calhas numa taberna, comer muito bem e pagar uma ninharia. Estas são as verdades do Norte de Portugal. Mas há uma verdade maior. É que só o Norte existe. O Sul não existe. As partes mais bonitas de Portugal, o Alentejo, os Açores, a Madeira, Lisboa, et caetera, existem sozinhas. O Sul é solto. Não se junta. Não se diz que se é do Sul como se diz que se é do Norte. No Norte dizem-se e orgulham-se de se dizer nortenhos. Quem é que se identifica como sulista? No Norte, as pessoas falam mais no Norte do que todos os portugueses juntos falam de Portugal inteiro.

Os nortenhos não falam do Norte como se o Norte fosse um segundo país. Não haja enganos. Não falam do Norte para separá-lo de Portugal. Falam do Norte apenas para separá-lo do resto de Portugal. Para um nortenho, há o Norte e há o Resto. É a soma de um e de outro que constitui Portugal. Mas o Norte é onde Portugal começa. Depois do Norte, Portugal limita-se a continuar, a correr por ali abaixo. Deus nos livre, mas se se perdesse o resto do país e só ficasse o Norte, Portugal continuaria a existir. Como país inteiro. Pátria mesmo, por muito pequenina. No Norte. Em contrapartida, sem o Norte, Portugal seria uma mera região da Europa. Mais ou menos peninsular, ou insular. É esta a verdade. Lisboa é bonita e estranha mas é apenas uma cidade. O Alentejo é especial mas ibérico, a Madeira é encantadora mas inglesa e os Açores são um caso à parte.

Em qualquer caso, os lisboetas não falam nem no Centro nem no Sul - falam em Lisboa. Os alentejanos nem sequer falam do Algarve - falam do Alentejo. As ilhas falam em si mesmas e naquela entidade incompreensível a que chamam, qual hipermercado de mil misturadas, Continente.

No Norte, Portugal tira de si a sua ideia e ganha corpo. Está muito estragado, mas é um estragado português, semi-arrependido, como quem não quer a coisa. O Norte cheira a dinheiro e a alecrim. O asseio não é asséptico - cheira a cunhas, a conhecimentos e a arranjinho. Tem esse
defeito e essa verdade. Em contrapartida, a conservação fantástica de (algum) Alentejo é impecável, porque os alentejanos são mais frios e conservadores (menos portugueses) nessas coisas.

O Norte é feminino. O Minho é uma menina. Tem a doçura agreste, a timidez insolente da mulher portuguesa. Como um brinco doirado que luz numa orelha pequenina, o Norte dá nas vistas sem se dar por isso.

As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos verdes-impossíveis, daqueles em que os versos, desde o dia em que nascem, se põem a escrever-se sozinhos. Têm o ar de quem pertence a si própria. Andam de mãos nas ancas. Olham de frente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam. Confiam, mas não dão confiança. Olho para as raparigas do meu país e acho-as bonitas e honradas, graciosas sem estarem para brincadeiras, bonitas sem serem belas, erguidas pelo nariz, seguras pelo queixo, aprumadas, mas sem vaidade. Acho-as verdadeiras. Acredito nelas. Gosto da vergonha delas, da maneira como coram quando se lhes fala e da maneira como podem puxar de um estalo ou de uma panela, quando se lhes falta ao respeito.

Gosto das pequeninas, com o cabelo puxado atrás das orelhas, e das velhas, de carrapito perfeito, que têm os olhos endurecidos de quem passou a vida a cuidar dos outros. Gosto dos brincos, dos sapatos, das saias.. Gosto das burguesas, vestidas à maneira, de braço enlaçado nos homens. Fazem-me todas medo, na maneira calada como conduzem as cerimónias e os maridos,
mas gosto delas. São mulheres que possuem; são mulheres que pertencem.

As mulheres do Norte deveriam mandar neste país. Têm o ar de que sabem o que estão a fazer. Em Viana, durante as festas, são as senhoras em toda a parte. Numa procissão, numa barraca de feira, numa taberna, são elas que decidem silenciosamente. Trabalham três vezes mais que os homens e não lhes dão importância especial. Só descomposturas, e mimos, e carinhos. O Norte é a nossa verdade. Ao princípio irritava-me que todos os nortenhos tivessem tanto orgulho no Norte, porque me parecia que o orgulho era aleatório. Gostavam do Norte só porque eram do Norte. Assim também eu. Ansiava por encontrar um nortenho que preferisse Coimbra ou o Algarve, da maneira que eu, lisboeta, prefiro o Norte. Afinal, Portugal é um caso muito sério e compete a cada português escolher, de cabeça fria e coração quente, os seus pedaços e pormenores.

Depois percebi. Os nortenhos, antes de nascer, já escolheram. Já nascem escolhidos. Não escolhem a terra onde nascem, seja Ponte de Lima ou Amarante, e apesar de as defenderem acerrimamente, põem acima dessas terras a terra maior que é o "O Norte". Defendem o "Norte" em Portugal como os Portugueses haviam de defender Portugal no mundo.

Este sacrifício colectivo, em que cada um adia a sua pertença particular - o nome da sua terrinha - para poder pertencer a uma terra maior, é comovente. No Porto, dizem que as pessoas de Viana são melhores do que as do Porto. Em Viana, dizem que as festas de Viana não são tão autênticas como as de Ponte de Lima.

Em Ponte de Lima dizem que a vila de Amarante ainda é mais bonita.. O Norte não tem nome próprio. Se o tem não o diz. Quem sabe se é mais Minho ou Trás-os-Montes, se é litoral ou interior, português ou galego? Parece vago. Mas não é. Basta olhar para aquelas caras e para aquelas casas, para as árvores, para os muros, ouvir aquelas vozes, sentir aquelas mãos em cima de nós, com a terra a tremer de tanto tambor e o céu em fogo, para adivinhar.

O nome do Norte é Portugal. Portugal, como nome de terra, como nome de nós todos, é um nome do Norte. Não é só o nome do Porto. É a maneira que têm de dizer "Portugal" e "Portugueses". No Norte dizem-no a toda a hora, com a maior das naturalidades. Sem complexos e sem patrioteirismos. Como se fosse só um nome. Como "Norte". Como se fosse assim que chamassem uns pelos outros. Porque é que não é assim que nos chamamos todos?

Miguel Esteves Cardoso

O coelhinho suicida III

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segunda-feira, março 13, 2006

O encantamento pela vida é eterno

Em 1956, Milton M. Levine construiu um brinquedo a que chamou Quinta das Formigas. Em miudo costumava entreter-se a seguir os carreiros das ditas, e achou que poderia fazer algum dinheiro a vender um brinquedo vivo: uma caixa com areia e uma mão-cheia de formigas; as paredes de vidro permitiriam seguir as formigas no seu dia-a-dia. A ideia foi um sucesso e dura há 50 anos, durante os quais foram vendidas mais de 20 milhões de quintas!

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Hoje em dia estão disponíveis vários modelos (incluindo o original), alguns em módulos conectados por tubagens que permitem observar as formigas a viajar de um lado para outro. Aparentemente para as crianças já nascidas na Era-playstation continua a ser fascinante seguir uma população de formigas, vê-las escavar tuneis e mover montanhas, nascer e morrer (sim, ver morrer também é importante). Actualmente a areia foi substituida por gravilha vulcânica, mais limpa e leve, a qual facilita a circulação das formigas e a sua visualização. A Quinta é aconselhada para crianças a partir dos 6 anos, custa 9 euros e vem com um cupão que dá direito a uma encomenda de formigas por correio...

mpf



sexta-feira, março 10, 2006

Universidade de Lisboa solidária com universidades iraquianas

O Reitor da Universidade de Lisboa, Professor Doutor José Barata-Moura, receberá oficialmente, na próxima segunda-feira ao fim da manhã, Abdul Jaber Al-Kubaysi, presidente da Aliança Patriótica Iraquiana e porta-voz político de toda a resistência iraquiana, que se encontra por alguns dias em Lisboa.
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Este gesto do Reitor da UL ocorre numa altura em que, por todo o mundo, existe uma campanha para "Salvar os Universitários Iraquianos", os quais vêm sendo, desde que começou a ocupação, vitímas de um plano sistemático de assassinatos selectivos. Conta-se já por centenas o número de professores e professoras, de todas as áreas do saber, assassinados friamente em casa ou à saída das faculdades. E conta-se aos milhares o número dos que, para salvar a vida, têm sido obrigados a fugir para outros países.
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Segundo vários observadores, jornalistas e organizações não-governamentais, esse plano visa decapitar a classe intelectual e científica iraquiana, que tão necessária será para a futura reconstrução do país. Os assassinos, agindo com evidente eficácia profissional, nunca foram perseguidos ou presos pelas autoridades ocupantes, antes são associados aos "esquadrões da morte" formados, treinados e pagos pelos EUA, e organicamente dependentes do Ministério do Interior do governo pró-ocupação de Bagdade.
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No espírito da campanha mundial referida, o Reitor da UL, além de manifestar a sua solidariedade com os seus pares iraquianos, procurará, através de Abdul Al-Kubaysi, estabelecer laços concretos e continuados de amizade e de intercâmbio com as faculdades iraquianas e respectivos corpos docentes.Al-Kubaysi, recentemente libertado pelos EUA depois de mais de um ano de prisão e de torturas, vai estar presente numa sessão pública, este sábado às 18h30, na Casa do Alentejo (Lisboa). Em nome de toda a resistência iraquiana, dará conta aos portugueses da evolução da situação no país e dos planos da resistência para a expulsão dos ocupantes e a reconstrução de um Iraque livre, unido, laico e democrático.
Mais aqui.

quinta-feira, março 09, 2006

terça-feira, março 07, 2006

Origens



A terra há mais de 4000 Milhões de Anos, ainda por arrefecer, e com os oceanos por formar.

Via láctea



A via láctea em todo o seu esplendor...

Fonte

Crónica de uma morte anunciada

Os asteróides que interceptam a órbita da Terra são seguidos pelos astrónomos e classificados de acordo com a possibilidade de virem a atingir o nosso planeta num futuro mais ou menos próximo. De vez em quando aparece nas notícias a menção de um asteróide "gigantesco" que se encaminha para a Terra e que poderá levar os seres humanos ao mesmo destino que os dinossauros. O último asteróide a aparecer nos jornais, no dia 2 de Março de 2006, foi o 2004 VD17, embora o tom geral tenha sido muito menos alarmista que o habitual.
Apesar de só agora ter aparecido nos orgãos de informação, o asteróide 2004 VD 17 foi descoberto pelo LINEAR a 7 de Novembro de 2004, tendo sido anunciado no dia seguinte. As primeiras estimativas da trajectória foram fornecidas a 9 de Novembro, e a 22 de Novembro foi classificado com o valor 1 na escala de Turim, o que significa que o objecto merece ser seguido. A escala de Turim é um esquema de classificação do nível de ameaça dos objectos próximos da Terra. Varia desde zero, significando nenhuma hipótese de colisão, até 10, indicando uma catástrofe global com perigo de extinção. O único outro objecto que actualmente apresenta um valor acima de zero na escala de Turim é o asteróide Apófis (2004 MN4), que tem uma hipótese em 6,000 de atingir a Terra em 2036, 2037, ou 2054.
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Não se trata de asteróides gigantescos, o Apófis não chega a 400 m de diâmetro e o 2004 VD 17 tem pouco mais de 500 m. Os efeitos de um impacto seriam devastadores à escala regional mas a humanidade não correria risco de extinção. A razão que levou o 2004 VD 17 a aparecer nos jornais é porque novos observações permitiram calcular a órbita do asteróide de forma mais exacta, e as probabilidades de colisão foram revistas em alta. Foi colocado como 2 na escala de Turim, com uma probabilidade de colisão com a Terra de uma hipótese em 1,400. A razão de não ter havido grandes acessos de histeria é porque a dar-se essa colisão será apenas em 2102. Muito provavelmente o asteróide acabará por passar a umas dezenas de milhar de km da Terra, Há no entanto um asteróide que tem uma grande probabilidade de realmente acertar no nosso planeta, o 1950 DA tem uma hipótese em 300 de atingir a Terra. A data? Bem, 16 de Março de 2880, qualquer coisa como daqui a 874 anos.
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Nova tentativa

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A lição do ano

É importante que existam associações profissionais que balizem os direitos e deveres de quem trabalha. Mas às tantas cansa ouvir certos representantes que apenas parecem querer aproveitar tempos de antena. Até aqui, todos os anos ouviamos o calvário dos concursos para professores: uma correria em prazos curtos para depois serem colocados - os que o eram, pois também havia o drama dos milhares que ficavam de fora - a milhas de distância de casa, sem certeza de que no ano seguinte ficariam na mesma escola. Agora a contratação passa a ser por três anos, e lá vem o representante dizer que os licenciados deste ano vão ficar sem hipóteses de concorrer... Mas que hipóteses tinham eles, se todos os outros lhes estão à frente e já muitos desses ficavam de fora? É pelo prazer de concorrer e ver que não se conseguiu?

O problema do desemprego é generalizado: a diferença é que os outros profissionais não têm concursos nacionais e abertura de milhares de vagas todos os anos. Milhares que não chegam para as encomendas, justamente porque de certo modo são fictícias para os que entram pela primeira vez. Mas será que transformar estes dramas pessoais numa catarse de nível nacional resolve alguma coisa? Pelo que percebi, continuará a haver contratações ad-hoc para tapar buracos (faltas do pessoal contratado), as migalhas a que normalmente tem direito quem começa. E os que vão conseguindo contrato todos os anos não estariam melhor tendo que concorrer apenas de quatro em quatro anos? Sim, porque ambicionar um contrato para a vida era uma utopia da geração que de facto o atingiu e que, infelizmente, na maioria dos casos serve apenas para provar que tão pouco é esse o caminho para uma sociedade melhor: são bem mais aplicados os que não têm emprego garantido...
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mpf

segunda-feira, março 06, 2006

O serviço público da BBC

Desde 1948 que a BBC convida anualmente alguém ilustre para efectuar uma série de palestras sobre um determinado tema. Este ano as Reith Lectures calharam ao maestro Daniel Barenboim, o qual decidiu falar sobre o poder da música na formação do indivíduo e na comunhão entre os povos. Sob o título global "In the Beginning was Sound", as emissões irão para o ar dentro de um mês...

sexta-feira, março 03, 2006

Internet



A Alemanha(.de) tinha aproximadamente 15 milhões de utilizadores de Internet no início de 2000. O tamanho das letras é proporcional à quantidade de utilizadores.

Carros



Se alinhassemos todos os carros existentes um atrás do outro, podíamos dar 70 voltas à terra...

Promovendo a Cidadania I

Debate sobre Cidadania
4 de Março (Sábado)
13h30, Universidade de Évora, Colégio do Espírito Santo
Organização: Encontro Nacional de Estudantes de Informática
Oradores convidados:
- Dra. Anabela Pedroso (UMIC)
- Professora Graça Simões (UMIC)
- Professor António Pedro Dores (ISCTE)

Temas a abordar:
* Governo Electrónico
* Democracia Electrónica
* Competências para a Sociedade do Conhecimento
* Info-Inclusão: Das Cidades Digitais aos Espaços Internet

Promovendo a Cidadania II

Combate de 4 de Março: Vídeo-Activismo / O Poder das Imagens na Mudança
21h30 Espaço CELEIROS, Évora
Organização: PedeXumbo, APORDOC, Cine-Clube de Évora

Filmes que serão exibidos:
*DROGAS EM LETRAS
realização colectiva NUCIVO!
(mini-dv, 23´, 2005)

*MICRO DOC´S KINGDOM
de Teresa Costa, Rui Monteiro, Carla Capeto, Marise Francisco, Paula Alves, Hitesh, Vvoitek Ziemelski, Tânia David
Vários olhares documentais sobre a cidade de Serpa, realizados pelos participantes da 1ªOficina do Olhar durante o Seminário Doc´s Kingdom 05
(mini-dv, 26´, 2005)

*A RODINHA DO PODER
NUCIVO
6’, 2005

Debate após os documentários, a que se seguirá um concerto pelos Lupanar.

O Alfaiate

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(boas) Ideias (solidárias)

O Turismo Sénior do Inatel, um caso de sucesso.

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

O coelhinho suicida I

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justiça


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Recebi um email com o Despacho acima: supostamente a menina licenciada é filha do senhor ministro. O montante parece de facto astronómico para remunerar a edição de conteudos... Fui à procura do dito site, só encontrei isto. É uma boa e útil compilação de informação, embora para página oficial do Ministério da Justiça seja paupérrima - nem uma introduçãozita ao que é e se faz no ministério? Talvez devessem contratar alguém que se encarregasse... dos conteúdos? Daqui a um mês volto a ela, para tentar perceber algum sinal dos 5 x 3254 euros gastos até agora, talvez a lic. Isabel Costa ainda esteja a estudar a questão.

mpf

Miudos que matam

Depois da notícia chovem as explicações: a culpa é da escola e o mundo está perdido. Eu tenho uma opinião muito negativa relativamente aos conteudos curriculares actuais e à ausência de critérios de exigência, mas acho que casos como este não têm nada a ver com a escola. Têm a ver com passados gigantescos de miudos sem idade para ter passado. Há dias ouvia uma rapariga de 21 anos, adoptada aos 9 por um casal de super pais; não sabe nada dos pais biológicos, e foi criada por uma ama que a partir dos 3 anos a mandava para a rua pedir - era onde ela se sentia bem, já que em casa apanhava grandes sovas da ama quase sempre embriagada. Eu admiro-me é que uma pessoa que passe por isto venha a ser um cidadão equilibrado, não o contrário.
E não, tão pouco acho que aquelas amas sejam uma invenção dos tempos modernos.
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mpf

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

sábado, fevereiro 18, 2006

Queridos Inimigos

Boletim da Latitude Zero

As relações entre as empresas e as Organizações Não Governamentais (ONG) são cada vez mais estreitas, mas continuam baseadas na desconfiança. Segundo o Centro de Estudos de Cooperação para o Desenvolvimento (CECOD), as empresas só dialogam com as ONG pelo receio do impacto negativo das denúncias das ONG e preferem fazê-lo fora do âmbito público, para evitar que as auditorias sociais das empresas passem a ser uma obrigação legal e não uma política voluntária. As ONG, por seu turno, tendem a aproximar-se das empresas por mera necessidade financeira e a adoptar posturas contraditórias, entre o diálogo e a denúncia. O resultado é que não ocorre um real compromisso de trabalho em conjunto.

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

A terra expectante


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à espera que chova...


Violência doméstica

Em Portugal morre, cada semana, uma mulher assassinada pelo homem com quem co-habita(va).

Serviço de Apoio a Vítimas de Violência Doméstica: 800 202 148

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Fotonovelas

Na revista de Domingo do Jornal de Notícias falavam das Fotonovelas, em como elas tiveram a sua década de ouro nos anos 50, antes do advento da televisão (que com as telenovelas destronaram completamente as fotonovelas). De repente, lembrei-me que quando era miudo houve umas férias em que eu e as minhas irmãs devorámos uma colecção destas revistas de uma vizinha lá da terra... e não sou assim tão velho! então qual seria o mistério para que no início dos anos 80 houvesse ainda adeptos desta literatura? então lembrei-me: é que lá na terra não havia ainda eletricidade, por isso não havia televisão, e consequentemente, não havia telenovelas (os putos todos iam em magotes ao único café com uma televisão a motor para ver o Sandokan). Daí o anocronismo. E acreditem que com 12 anos, uma vela potente e uma fotonovela, passei umas belíssimas noites de puro entretenimento.

Ontem, hoje, amanhã

Sarajevo, 1994 - nascer orfão

O Hospital Francês de Sarajevo tinha 13 andares. Todos os andares estavam destruídos por bombardeamentos assassinos. Fizeram tiro ao alvo ao edifício, mesmo sabendo que era um hospital. Porque prestava assistência a soldados feridos… naquele tempo, só funcionava no rés-do-chão e cave e, mesmo assim, com geradores e sem água canalizada. Os corredores transformados em enfermarias entupidas de gente deitada pelo chão e em algumas macas. Era um mar de corpos, uns vivos, outros mortos.

Fomos lá para filmar uma extracção de bala da perna de uma senhora, alvejada no dia anterior por um sniper. Esperávamos autorização para entrar no bloco quando ouvi, mesmo ao meu lado, um som estranho. Parecia uma coisa a despegar-se… olhei e vi uma mulher, ainda jovem, deitada na maca, de mãos crispadas agarradas ao rebordo da maca, olhos muito abertos virados para o tecto, de pernas abertas, destapada… e vi o miúdo a nascer. Sozinho. Tudo num estranho silêncio. A mãe de lábios cerrados, a criança a nascer num esforço solitário. Chamei uma enfermeira. A parturiente foi levada e o bebé acabou o esforço de nascer já assistido por outros seres humanos. Estava vivo mas teimou em não chorar. Quando tentaram pô-lo no peito da mãe, foi rejeitado, silenciosamente. Aquele bebé era resultado de violações repetidas sofridas pela mãe às mãos de soldados inimigos. Jamais seria aceite pela mulher que o pariu.

Carlos Narciso

domingo, fevereiro 12, 2006

tv

Visitar a minha Avó implica uma experiência que estranho: ter ao lado uma tv ligada, independentemente de se estar a ler, a fazer as palavras-cruzadas do jornal, a conversar, a olhar pela janela ou para aquela fotografia em cima da mesa. Às tantas apercebo-me de que vai ter início um concurso. O apresentador começa por perguntar aos concorrentes “que presentes trouxeram”. Uma concorrente trouxe uma garrafa de aguardente feita pelo sogro: o apresentador pega nela, retira a rolha e, boçal, leva-a à boca. A seguir é-lhe oferecida uma garrafa de licor do Norte; mais uma vez o apresentador a leva a boca antes de acautelar o público de que está conforme. A assistência no estúdio delira a cada graça - e não parecem figurantes, riem-se a sério. Há ainda uma senhora de Estremoz que se manifesta indignada por ter pedido transporte ao presidente da Câmara e este ter recusado. A concorrente do lado teve mais sorte, e oferece uns galhardetes da autarquia e um prato-relógio com o emblema de um clube de futebol. O apresentador não recebeu estes presentes com o mesmo agrado com que recebeu os anteriores, e rapidamente os despacha a uma assistente meia despida que sorri, sorri sempre. Quando deixei a Avó, o apresentador estava com um saco de plástico, provavelmente o das prendas - a minha confusão mental fez-me perder o fio à meada… - enfiado na cabeça.

mpf

sábado, fevereiro 11, 2006

Desconfiança Global

Boletim da Latitude Zero

As elites mundiais reuniram-se uma vez mais na exclusiva estância de esqui de Davos, Suíça, num quadro de desconfiança generalizada da opinião pública. Um estudo realizado em 20 países para o Fórum Económico Mundial revelou que a confiança nos governos, empresas e instituições globais caiu em 2005 para níveis mínimos desde 2001, quando se iniciou aquele inquérito. Apenas as Organizações Não Governamentais (ONG) resistem ao descrédito com um desgaste reduzido – à excepção do Brasil, Índia e Coreia do Sul, onde aquelas organizações perderam muita credibilidade em 2005.

Fórum Económico Mundial (inquérito)

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

O Direito na Intervenção Ambiental

1ª Sessão do Workshop O Direito na Intervenção Ambiental

18 de Fevereiro de 2006
das 10h às 12h e das 14h às 19h

Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
Auditório 2
Av Berna, Lisboa

Moderadora
Lia Vasconcelos (Investigadora)
Formadores
Aníbal Ramos (Insp. Amb.)
António Andrade Silva (Advogado)
Isabel Andrade (Jurista)
José Sá Fernandes (Advogado)
Maria Adília Lopes (Jurista)
Vanessa Cunha (Advogada)

Programa

10:00 Apresentação da 1ª sessão do workshop - comissão organizadora
10:15 Exibição de um filme temático (documentário)
11:30 Debate sobre o documentário

12:00 Almoço

14:00 Lia Vasconcelos - Introdução - Participação Pública
14:20 Maria Adília Lopes e António A. Silva – Que fazer perante situações que podem configurar um ilícito ambiental, urbanístico ou de violação do património cultural
- A participação/denúncia a serviços da administração pública;
- A reacção da administração pública perante a denúncia;
- Recurso a outras instâncias administrativas, no caso de omissão ou irregularidade da acção da administração pública: O recurso ao Provedor de Justiça;
- O recurso a instâncias judiciais.
15:00 1º Debate intercalar
15:20 Isabel Andrade e Vanessa Cunha – Direito de Participação
- Âmbito e natureza do direito de participação: Quem, quando e como pode ser efectivado;
- Casos específicos nos procedimentos de tomada de decisão pública
- Os planos de ordenamento;
- O procedimento para a classificação, inventariação, defesa e valorização do património cultural.
16:00 2º Debate intercalar
16:20 Aníbal Ramos – O papel da administração pública
- O crime ambiental;
- As contra-ordenações ambientais;
- O papel de fiscalizador: dificuldades actuais no processo de fixação de coima.
16:40 3º Debate intercalar
17:00 José Sá Fernandes – O poder de intervenção dos cidadãos
- A acção popular;
- Casos de estudo.
17:20 Intervalo – distribuição de Quadro Síntese

17:30 Debate final
19:00 Encerramento da 1ª sessão do workshop

Mais info aqui.

Contra a Directiva Bolkestein !

Nos próximos dias 14 e 15 de Fevereiro o Parlamento Europeu vai debater e votar a proposta de Directiva sobre o mercado interno de serviços, mais conhecida por Directiva Bolkestein (do nome do anterior Comissário, o holandês Frits Bolkestein, que a apresentou).

Conscientes do impacto que a sua aprovação terá na actividade económica e social na União Europeia, um conjunto de organizações – Água Pública, CIDAC, CNA e MUSP - associaram-se à CGTP-IN, numa iniciativa por esta promovida, para debater publicamente as suas implicações na nossa vida colectiva.

Esta discussão terá lugar no dia 11 de Fevereiro, pelas 14,30h, no Auditório daquela central sindical, sito na R. Vítor Córdon, n.º 1. Mais ...

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

O camarada Bill

Já vai com atraso, mas os afazeres são mais que muitos. Não percebi muito bem porque é que recebemos o patrão da Microsoft com honras de chefe de estado, quando ele não veio cá para lutar contra a malária ou acabar com a pobreza no mundo, mas sim para vender os seus produtos! Enquanto que no Brasil ou na vizinha Espanha (Junta de Extremadura) a administração central passou a aderir ao software livre, com uma diminuição assinalável dos custos, por cá os nossos governantes, jornalistas e demais personagens prestam vassalagem ao senhor Bill gates, que vai para casa feliz, com uma mala cheia de contratos. É que ele é como o outro: se não fosse para ganhar, ele não estava aqui...

Negócios Sujos

Boletim da Latitude Zero

O oleoduto Chade-Camarões é o mais importante projecto petrolífero em África. O Banco Mundial retirou o apoio financeiro ao Governo do Chade, após este ter revogado o acordo que reservava parte das receitas da venda do petróleo para fins sociais e para um fundo de garantia para o futuro. Num dos países mais pobres e corruptos do mundo, as petrolíferas que exploram este negócio também são responsáveis: o consórcio liderado pela Exxon Mobil incluiu no contrato com os governos locais – válido por 70 anos – uma cláusula que prevê compensações financeiras caso venha a ser aprovada legislação que obrigue as empresas a esforços adicionais em termos de garantias ambientais e sociais.

Véronique Smée - Novethic

É possível: uma economia sem petróleo

A Suécia (9 milhões de habitantes) planeia estar completamente independente do petróleo dentro de 15 anos: a aposta centra-se totalmente no desenvolvimento de energias renováveis e exclui a construção de mais centrais nucleares.

O conhecimento de que as reservas de petróleo são limitadas, que em breve começarão a escassear, e que a subida do preço do petróleo provoca recessões económicas a nível global, não é uma recente descoberta sueca: até os governantes portugueses sabem isto. Mas os suecos vão para além da teoria, promovendo uma Comissão de Energia que reune académicos, industriais, agricultores, funcionários públicos, cidadãos em geral, a qual reporta directamente ao Parlamento Sueco. O objectivo: criar a primeira economia do mundo livre de petróleo.
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A economia sueca foi especialmente abalada pela subida dos preços do petróleo nos anos 70. Abaladas, foram de facto todas as economias, mas só a sueca reagiu no sentido de inverter a repetição do fenómeno: hoje a dependência do petróleo na Suécia situa-se sobretudo ao nível dos transportes; a electricidade já tem origem hidroeléctrica ou nuclear, enquanto que o aquecimento (e as casas suecas, ao contrário das nossas, são realmente quentes todo o ano...) é feito a partir de energia geotérmica e combustão de resíduos.
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Entretanto em 1980 um referendo (sim, os suecos votam estas coisas...) decidiu acabar com a energia nuclear, pelo que os dois grandes objectivos energéticos do governo sueco são a independência a prazo do petróleo, mas também da energia nuclear. E a solução passa por explorar os recursos locais. Os incentivos à indústria são também essenciais: por exemplo, neste momento o governo sueco trabalha com empresas como a Saab e a Volvo no sentido de que estas desenvolvam carros e camiões que circulem a a etanol e outros biocombustíveis.
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A importância de uma estratégia nacional para a energia é fundamental. Não só ao “escolher” as principais fontes de energia nacional, como ao promover o investimento individual dos próprios cidadãos. E esta promoção pode ser feita pela negativa (por exemplo taxando mais aquilo que vai contra os desígnios nacionais), ou pela positiva (por exemplo comprando excedentes de energia a produtores individuais). Peguemos neste último exemplo: a energia produzida por painéis solares tem obviamente picos a meio do dia e quando o sol é mais intenso: nessa altura um indivíduo com um painél solar no telhado produz muito mais energia que a que precisa. Mas essa altura coincide também com um pico no consumo geral da sociedade: é o momento em que escritórios e fábricas laboram. A coisa parece ter uma solução óbvia: o cidadão vende o excesso para a rede nacional, e a rede nacional fica toda contente por ter acesso a energia renovável na qual não teve que investir. Na Califórnia, ao contractualizar a compra de energia à rede nacional o cidadão pode determinar que uma parte tenha origem renovável (o que obriga logicamente à existência de um mercado para energias renováveis).
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Em Portugal os cidadãos que investem em energias renováveis por sua conta e risco são ludribiados por governos que fogem a compromissos (Santana Lopes anulou o preço fixo de compra de energia por parte da EDP) e que claramente não possuem visão de futuro (para Sócrates os nós de captação de energia na rede nacional estarão saturados até daqui a não sei quantos anos! Isto é, telemóveis e microsoft precisam dum choque tecnológico em Portugal, mas aumentar os nós de captação é um problema tão complicado que só daqui a anos...
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Nós não temos que imitar a Suécia: a Islândia está a apostar na alimentação de carros e barcos com hidrogénio, e o Brazil apostou no alcool produzido a partir da cana do açúcar. O segredo está justamente em apostar nos recursos próprios em vez de comprar os dos outros. E nós temos sol a rodos, vento, marés que nunca acabam...
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mpf

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Oferta de estágios em Timor-Leste

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Temas

1. Estudo de Viabilidade do Aproveitamento dos Resíduos da Transformação do Café

2. Apoio à Constituição de uma Unidade para a Certificação Orgânica de Café

3. Efeito das épocas e métodos de enxertia na propagação vegetativa de citrinos, abacateiro e mangueira

Período de Recepção de Propostas: 01 de Maio de 2006

Início do Estágio em Timor Leste: 01 de Junho de 2006

Mais informações: Helena Caires (PADRL, Responsável da Componente III)

Tertúlia na Academia Sénior da Covilhã

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Calouste Gulbenkian

Calouste Gulbenkian deve ter sido uma pessoa muito interessante. Parece que uma das razões pelas quais terá ficado a viver em Portugal terá sido a de gostar muito do médico que o tratou de uma qualquer aflição, e a quem passou a pagar uma avença mensal. Regularmente... excepto quando ficava (ele, Calouste) doente: nessa altura interrompia os pagamentos até voltar a ficar bom!
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mpf

Casa Portuguesa: modelos globais para casas locais

A Casa Portuguesa propõe uma reflexão crítica sobre o espaço doméstico contemporâneo. Colocando em causa os modelos habitacionais correntes, o evento irá reunir um conjunto de doze propostas arquitectónicas cujo teor incidirá sobre a qualificação da experiência de habitar em toda a sua extensão.Procura-se que cada uma das doze Casas reflicta as alterações sociais, económicas e culturais observadas no país ao longo das últimas décadas, propondo formas e conceitos que garantam uma adequação aos usos e costumes de uma família portuguesa contemporânea. Nesse sentido, cada uma das propostas apresentadas deverá ela própria ser reflexo das mudanças na estrutura familiar, seus comportamentos sociais e culturais, seus hábitos e costumes; mas também, simultaneamente, uma abordagem a novas tecnologias construtivas, introduzindo temas como a reutilização e reciclagem de materiais, a sustentabilidade da construção ou à produção em série.
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Pretende-se demonstrar que a Casa não é apenas o suporte – é, simultaneamente, o reflexo – de modos e hábitos de vida; evidenciando que o lugar onde se habita nunca é neutral. Cada Casa enquanto espaço doméstico limita o quotidiano mas, simultaneamente, age sobre ele.A inauguração da exposição será apenas a primeira fase do projecto, dado que os protótipos das doze casas serão efectivamente construídos num bairro piloto no Município da Moita.
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A Casa Portuguesa é um projecto da Associação L’Atalante para a ExperimentaDesign05, sob o comissariado de Pedro Machado Costa e Carlos Sant’Ana, e conta com o apoio da Câmara Municipal da Moita e do Grupo Orcisa.

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Olhando o Sul

III FORUM INTERNACIONAL DEMOCRACIA Y COOPERACIÓN "MIRANDO AL SUR"

2, 3 e 4 de Fevereiro de 2006
Encuentro sobre Democracia - Cooperación Descentralizada
Ciudadanía e Interculturalidad - Sociedad Civil Organizada

no
Museo Extremeño e Iberoamericano de Arte Contemporáneo (MEIAC)
Badajoz.
Em Espanha, claro.

Forum Social Português

Ou Forum Social Português. A ideia pareceu internacionalmente interessante e chegada em boa hora: que falhou em Portugal? Porque é que a organização do primeiro FSP envolveu centenas de almas bem intencionadas que sucessivamente têm abandonado o processo? Porque se sentem mal dentro do FSP cidadãos que à partida já estão mais motivados para uma participação cívica que a média dos cidadãos? Como se pode esperar que os restantes venham a participar, a acreditar?
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Que soluções existem? Continuar a manter as aparências de um FSP completamente descredibilizado à face da opinião pública? Renovar o que existe? Iniciar um processo paralelo? Esquecer este e começar de novo, cono dizia a canção?... Como se faz para lidar com maiorias não-representativas? Como se dá força às minorias? Como se pode de facto valorizar a diversidade?
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Estas e outras questões se cruzarão amanhã, num debate sobre o FSP no Clube de Combate, em Évora; compareça quem for por bem!
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mpf

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Teresa e Helena

Não as conheço, mas tenho a maior admiração por elas. Independentemente de terem ou não razão, coragem têm-na toda. É só através de abanões que o sistema muda: oxalá houvesse muitos mais com a fibra destas duas.
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mpf

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Eficiência

Uma águia pesqueira é tão eficaz no que toca à pescaria que lhe bastam 10 minutos de labuta para satisfazer as suas necessidades diárias de alimento. Para além de ter uma inveja danada do malfadado bicho, uma questão existencial aflora os meus neurónios: o que será que a dita águia faz com o resto do seu tempo? alisa as penas? defende o território? anda á fisgada aos passeriformes só por desenfado? vai servir de mascote para o estádio da Luz? que passatempos terá uma águia para matar os tempos livres que obviamente lhe sobram? tudo questões que me atormentam numa altura em que nem com 16 horas de labuta diária consigo dar conta do recado.



Eu em 10 minutos consigo abrir uma lata de sardinhas e ainda consigo comê-las avidamente se forem devidamente empurradas por um pedaço de pão, mas acho que não é a mesma coisa que aflorar a superfície das águas com aquelas garras penetrantes e sacar de lá um peixe de quilo e meio e depois, saboreá-lo fresquíssimo, rasgando deliciosos filetes de sushi com o bico poderoso...

terça-feira, janeiro 31, 2006

Destruir um glaciar para explorar ouro!

No Chile vão destruir um glaciar para exploração de ouro!

Situemos o contexto:

O Chile é um país que possui grandes reservas de água doce, repartidas entre
rios, lagos e glaciares. Como todos sabemos, a água é um bem precioso, um
recurso natural que pode vir a tornar-se a causa de grandes guerras no
futuro. Na terceira maior região do país, existe um lugar chamado "Valle de
San Félix". Trata-se de um concelho onde o desemprego não existe, sendo
habitado por agricultores que produzem a segunda riqueza financeira mais
importante do país (como região). Esta localidade é irrigada por dois rios,
que têm por fonte os glaciares da cordilheira próxima. Eles oferecem a água
mais pura do Chile!

Os transtornos começaram quando se descobriu debaixo dos glaciares o
"Tesouro da América" que consiste em milhões de dólares em ouro, prata e
outros minerais. Para poder extrair estes metais, é necessário quebrar e
destruir os glaciares (feito nunca antes visto no mundo!), fazendo dois
buracos do tamanho de Chuquicamata (nota do tradutor: leia-se do tamanho de uma montanha inteira): um para extrair os minérios, outro para colocar os
resíduos (as industrias de minério não praticam reciclagem).

O nome deste projecto é "Pascua Lama". Ele será posto em acção por uma
empresa multinacional, da qual Bush pai é accionista... O governo chileno já
aprovou o projecto, fixando a data de início de trabalhos para o corrente
ano de 2006, unicamente porque os agricultores conseguiram adiá-lo até à
data. O que nos preocupa é que ao destruir o glaciar, destroem também o
precioso recurso de água doce, tendo repercussões nos dois rios que suportam
a região e contaminando toda a água da população nas redondezas. A partir de então, a água só poderá ser utilizada para regadio e tornar-se-á imprópria
para consumo humano e mesmo animal.

Para mais, até à última grama, o ouro irá para a reserva "Gringa". Há já
muito tempo que estas gentes lutam pela sua terra, que é a sua única fonte
de trabalho. Mas não tiveram o direito de se exprimir na televisão segundo
ordens do Ministério do Interior. A sua única esperança de travar o projecto
é de o dar a conhecer ao maior número de pessoas, do modo a apelar à justiça
internacional.

É necessário que todos saibam o que está em curso no Chile!

Para mudar o mundo... há que começar por si próprio.

Pedimos-lhe que faça circular esta campanha pelos seus amigos da seguinte
maneira: copie o texto desta página e envie num e-mail novo, adicionando a
sua assinatura, enviando-o depois à sua lista de contactos.

Importante: pedimos que 100ª pessoa a assinar a lista nos envie as 100
assinaturas no e-mail para: noapascualama@yahoo.ca, de onde serão
encaminhadas ao governo chileno.

Obrigado.

Elementos de informação:

Pascua-Lama é um projecto de extracção de ouro (e, secundariamente, de prata e cobre) gerado pela empresa canadense Barrick Gold. A mina a céu aberto será situada a cerca de 5000 metros de altitude, na fronteira entre o Chile e a Argentina (na cordilheira dos Andes) e a construção do estaleiro implicaria a deslocação de 3 glaciares. Os peritos afirmam ser impossível deslocar um glaciar sem o destruir. Não existe precedente no mundo de um plano de intervenção de protecção para glaciares (« plan de manejo de glaciares »). Este conceito utilizado pela empresa Barrick Gold não tem
qualquer rigor científico. A empresa Barrick propõe-se a utilizar um
processo à base de cianeto e ácido sulfúrico (lixiviação) para extrair o
ouro na mina a céu aberto, o que produziria uma elevado grau de contaminação com consequências graves e irreversíveis na qualidade da água, necessária à sobrevivência e ao trabalho agrícola das comunidades. Na região existem comunidades descendentes da cultura indígena diaguita, cujos direitos foram já violados pela venda ilegal das suas terras à empresa de minério (um processo judiciário sobre o assunto foi evantado em 2001), e que, por efeito da contaminação das águas, seria condenada à extinção.

Mais informação em: http://www.cs3r.org/show.php?id=522

http://en.wikipedia.org/wiki/Pascua_Lama


Pedimos ao governo chileno que não autorize a realização do projecto
Pascua-Lama, de modo a proteger:

- A integridade dos glaciares Toro I, Toro II e Esperanza;

- A pureza das águas que irrigam os vales de San Félix e El Transito;

- A qualidade da produção agrícola da região de Atacama;

- A qualidade de vida da comunidade diaguita e do todo da população da
região.

NOTA: retirado da lista FSPortugal

Morre-se muito no Iraque...

Um morto é um morto, seja civil ou soldado, inglês ou iraquiano: este post não é sobre almas, é mesmo sobre a crueza dos números ou o azar da morte. O número de fatalidades entre os soldados ingleses no Iraque acaba de atingir a centena. Contudo, destes apenas 77 morreram em combate: 33% das mortes ocorreram devido a acidente ou causas naturais...

Sim, também deve haver deputados muito bons

Mas estas são as razões apresentadas por Vasco Pulido Valente para em tempos ter desistido do seu lugar. A menos que acreditemos que houve uma conspiração para o levar a demitir-se, talvez não seja errado adivinhar que a maioria passará pela mesma experiência. E sim, VPV deveria ter pensado melhor antes de querer ser deputado, ou então esforçar-se por fazer qualquer coisinha... Mas a questão que me traz aqui não é essa, é a suspeita de que quem nos representa possa ser na realidade gente assim... Alguns deputados conseguirão encontrar uma saída e tornar-se produtivos, mas quantos se manterão assim, anos a fio, sem que ninguém lhes peça contas? Ou a taxa de demissões é elevada e sou eu que estou mal informada?
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Diz VPV:
A propósito, também estive no parlamento. Seis meses, com as férias de Natal pelo meio. Não fiz nada. O grande problema era arrumar o carro (não havia ainda uma garagem especial para os senhores deputados) e, a seguir, o almoço, sempre uma aventura naquela parte do mundo. De resto, corria tudo bem. Assinava o "livro", porque a Assembleia da República não confia nos representantes da nação e espera (compreensivelmente) que eles não ponham lá os pés. Só encontrei esta solicitude, aos treze anos, no Liceu Camões. Nessa altura, passava as tardes no cinema, angustiado pela "falta". Em S. Bento, não faltava ou, pelo menos, não faltava muito. Lia os jornais, os que tinha trazido e os do Pacheco Pereira. Nunca levei um livro por causa da televisão, que aparentemente embirra com deputados que lêem livros. Fora isso, conversava e passeava pelos corredores. Passos perdidos, de facto. De quando em quando recebia instruções para votar assim ou assado. Sem um comentário. A direcção da bancada é que sabe e manda. Às quatro e meia da tarde, no mictório nacional, imemorialmente entupido, a urina já chegava à porta (consta que neste capítulo as coisas melhoraram). Às cinco e meia, derreado, voltava para casa. Uma vez por semana, na minha comissão, a Defesa, ouvia um general indescrito repetir o comunicado da USIA sobre a Bósnia. Não se permitiam perguntas. No dia em que me demiti, um bando de jornalistas, de microfone espetado, exigiu explicações.

segunda-feira, janeiro 30, 2006

FSP: porque estão os cidadãos de fora?

Três anos depois do I Fórum Social Português está em marcha o processo de realização da sua segunda edição.

Se no balanço que então foi feito muitos se pronunciaram positivamente sobre o evento, o que resta hoje dele? Que mudanças ocorreram na nossa prática social resultado daquela iniciativa? Que solidariedades, que cumplicidades, nasceram daquela experiência colectiva e se materializaram e contribuíram para uma melhor compreensão do mundo, para uma maior autonomia social, para uma maior iniciativa cidadã?

O modo como está a decorrer o actual processo não é animador. O número de associações e cidadãos que o têm acompanhado é menor que o da Iniciativa Temática 2005 que, por sua vez, já foi bem menor que o do FSP 2003. E, causa e efeito desta realidade, o conteúdo das discussões preparatórias não se alterou, encontrando-nos hoje a repisar os conflitos que então se verificaram.

Há hoje mais respeito pelas agendas de cada associação participante ou permanece a tentação de impor as agendas ditas de "interesse nacional"? Há hoje mais espaço para o desenvolvimento da capacidade de intervenção das associações ou continua a existir a tentação para impor a hegemonia de modelos programáticos particulares?

Para debater estas e outras questões que atravessam o movimento social português o Clube de Combate, em colaboração com a AJP, o CIDAC e a Mó de Vida, organiza em Évora, no dia 4 de Fevereiro, pelas 21,30h, no Espaço Celeiros (junto ao Centro Comercial Eborim) o debate “FSP: porque estão os cidadãos de fora?”. Será também passado o filme de Caroline Poliquin “The Bottom Line: Privatizing the World” (O Bem Comum). A concluir actuará o quarteto de jazz de Paula Sousa.

sábado, janeiro 28, 2006

Frio

Agora diz-se Choque Térmico. A primeira vez, nem percebi de que raio falavam. Mas entrevistaram um profissional do Instituto de Meteorologia e tudo: "sim", dizia ele, "não é bem um caso excepcional, todos os anos passamos por um par de choques térmicos no Inverno". Hoje lá veio outra vez o choque térmico despejado sobre as notícias, desta vez com entrevista a um profissional da Saúde: "bom, convém continuar a comer e a beber, especialmente comidas quentes. E não vestir só uma peça de roupa".
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Não sei bem que pensar... Por acaso os senhores da comunicação social sentem necessidade de que alguém os avise de que no Inverno não devem deixar de comer? Vêem mesmo interesse em informar o povo de que se agasalhe? É verdade, até em Portugal se morre de frio, mas não é por as pessoas não saberem o que fazer, é porque as ruas dos sem-abrigo são mal calafetadas, é porque os velhotes não conseguem aquecer com cobertores puídos, e a miséria não lhes permite ter a braseira acesa 24 horas por dia. Não é por as pessoas serem parvas.
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mpf

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Má Sorte, Boa Morte

Eutanásia nasceu etimologicamente de eu, quem em grego significa boa, e de tanatos, que significa morte; hoje em dia a palavra é usada para designar o acto intencional pelo qual um médico ajuda alguém doente a morrer.

Na terça-feira morreu Ann Turner, uma médica inglesa a quem foi diagnosticada uma doença degenerativa: após muito sofrimento e enquanto ainda conseguia andar, viajou com a família para a Suiça, onde colocou fim à vida com assistência médica. Na Suiça, ajudar a morrer alguém que se encontra numa condição terminal e que em seu livre juízo pretende pôr fim à vida, é considerado um acto humanitário. Também a Holanda despenalizou a eutanásia para adultos em 2003. Sem irem tão longe legalmente (e poupando-se à confusão...), a Bélgica permite desde o ano passado a venda em farmácias de kits para praticar o suicídio assistido (estes kits só podem ser adquiridos por médicos), enquanto a França fecha os olhos a alguns casos. Mas na maioria da Europa, a eutanásia continua a ser crime. .
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A Federação de Associações pelo Direito a Morrer reune, desde 1980, associações (de 23 países) que promovem o direito do paciente à escolha no fim da vida (your life, your choice). O Testamento em Vida (Living Will) é um exemplo duma opção legal que em alguns países (incluindo Portugal) procura tornear a ilegalidade da eutanásia: este testamento determina antecipadamente o tipo de tratamento médico que uma pessoa quer (ou não...) receber, mesmo que na hora já não esteja capacitada para o declarar. Alguns médicos, contudo, reservam-se o direito de decidir sobre o destino dum paciente independentemente da sua opinião, mesmo que legalmente registada.

Em Inglaterra 82% das pessoas consideram inaceitável que alguém em estado terminal não possa pedir ajuda médica para morrer com dignidade, estando neste momento em discussão no parlamento inglês uma lei sobre a morte assistida. Em Junho de 2005 a British Medical Association, principal organização médica inglesa, retirou a sua - até aqui feroz - oposição à nova Lei, declarando neutralidade perante uma matéria sobre a qual considera dever ser a sociedade a decidir. Também o parlamento espanhol adiou pronunciar-se sobre uma proposta de lei semelhante em Junho de 2004, alegando que a questão não tinha sido bem debatida pela sociedade espanhola.

Nesta como em muitas outras questões que mexem com o resto do mundo, a sociedade portuguesa é omissa...
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mpf