terça-feira, maio 31, 2005

Contra tortura

A Associação Contra a Exclusão pelo Desenvolvimento (ACED, URL: http://www.sociofonia.net/aced) pretende assinalar o Dia Internacional Contra a Tortura, 26 de Junho, em Lisboa, propondo aos portugueses e às suas instituições que desenvolvam os esforços necessários para aprovar, ratificar e pôr em prática as orientações já aprovadas pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas para este início de século, no Protocolo Adicional à Convenção Contra a Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos e Degradantes, que Portugal ratificou (ver mais informações no site da ACED).
Quer isto dizer, trocados por miúdos, que se espera que, tão brevemente quanto possível, as práticas de prevenção da tortura adoptadas a nível internacional, de visitas e relatórios sobre as práticas de tortura nos estabelecimentos estatais, possam ser complementadas e aumentadas por instâncias nacionais apropriadas, portanto com carácter independente relativamente a correntes partidárias ou confessionais, bem como face a interesses empresariais no sector.
Cabe aos europeus, e também aos portugueses, realizar na prática a vontade declarada de respeito escrupuloso dos Direitos Humanos que gostamos de reclamar. Isso não se fará sem o cumprimento dos procedimentos legais internacionais. Mas, entretanto, havendo vontade política e moral, nada impedirá que os preceitos previstos no Protocolo Adicional não possam ser accionados de imediato, independentemente dos demorados protocolos da ONU.
Nada mais apropriado para assinalar o Dia Internacional Contra a Tortura (DICT) do que estimular a opinião pública portuguesa para que se pronuncie sobre o assunto. Por isso, nos dirigimos a si, convidando-o a estar presente, no sábado dia 25 de Junho de 2005, véspera do DICT às 10 horas da manhã, no Auditório C103 (1º Piso / Edifício II) ISCTE, Av. Forças Armadas Lisboa.

No programa, ainda em construção, estão previstas duas partes:
Debate sobre as estratégias de prevenção contra a tortura e a organização de um colectivo de associações e personalidades em torno de um programa de acção cívica nesse sentido, até às 12:30; Declaração pública comemorativa do DICT, às 13:00, com a convocação da comunicação social.

António Pedro Dores

Quando blogar pode ser assunto de tortura

Editor: Myself

A weblog on Iran, technology and pop culture, by Hossein Derakhshan
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A blogosfera iraniana, uma blogosfera onde se pode ser preso e torturado por blogar demais...

segunda-feira, maio 30, 2005

Bélgica: a água como direito humano

Indo de encontro a uma tendência que se começa a afirmar à escala mundial - se bem que ainda modestamente - o governo belga reconheceu o direito do acesso à agua como um direito humano a consagrar na Constituição do país. Mais.

A voz da Fátima e o Aborto

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Pelo andar da carruagem pode prever–se (talvez!) que, dentro de alguns anos, os muros mais altos que separam as direitas das esquerdas políticas acabarão por se consolidarem na sede do Parlamento Europeu. Se assim chegar a ser, e as esquerdas prosseguirem no seu programa de acabar com todo o sofrimento no mundo, e sobretudo o sofrimento que na sua visão, e também no seu ódio, tem origem em convicções religiosas, vamos ter em todos os países e classes sociais, abortos aos milhões, e casamentos de homossexuais aos milhares. Os contentores de resíduos hospitalares vão transbordar de crianças mortas, muitas delas completamente formadas – no Reino Unido o aborto é permitido até às 24 semanas – e nos países mais pobres, mesmo da Europa, corpos esquartejados de bebés vão aparecer em lixeiras de toda a espécie, ao olhar horrorizado ou faminto de pessoas e de animais. Estou a recordar imagens que têm aparecido publicamente, e serão mais numerosas, à maneira que o aborto deixar de ser considerado crime. Até porque haverá sempre mulheres que não têm meios, ou não têm cara, para pedir a um estabelecimento que lhes esquarteje em pedaços o filho das suas entranhas. O aborto clandestino sempre acontecerá, porque ainda acontece nos países que o despenalizaram.

Quanto aos estabelecimentos públicos, onde tudo teoricamente se faz de graça, mas onde as listas de espera continuam a ser regra, até em urgências mais urgentes que acabam na morgue, novas repugnâncias, novas concorrências se vão então perfilar, e novas cunhas em favor de quem mais padrinhos tiver. As listas de operandos tenderão a alargar–se, as reclamações também.
Se do aborto passarmos à união de homossexuais, que as mesmas esquerdas estão a legalizar como casamento, e que o mesmo Parlamento de Estrasburgo amanhã poderá vir a impor a toda a Europa, o panorama não vai ser mais confortável para a nossa imaginação. Atendendo à militância aguerrida com que também este tema vem sendo orquestrado em todo o espaço europeu, é previsível que dentro de pouco tempo tenhamos visitas de Estado ao mais alto nível, em que uma rainha, talvez sem herdeiros, dará o braço a outra senhora com estatuto de esposa, ambas de malinha na mão, e o Presidente barbudo de uma grande República se fará maritalmente acompanhar de um outro cavalheiro, que pode ser (sem ironia!) o presidente do Parlamento, um antigo fotógrafo de um grande magazine, ou até o único marechal da República.


Mas estes casos emblemáticos e possíveis começam a aparecer como problema sério de sobrevivência civilizacional do nosso continente. Precisamente pela frequência com que situações tão estéreis provocarão a revolta do cidadão comum, que tem direito a viver em ambientes onde possa colaborar para o futuro da humanidade.
As mulheres abortistas vão ter acesso aos hospitais onde já faltam camas e serviços para as parturientes, para os doentes das urgências, e para os que estão meses ou anos à espera de serem operados? Então, por mais fortes que sejam os sentimentos de solidariedade para com os dramas alheios, esta gente vai revoltar–se, numa revolta potenciada ao máximo pela visão do sangue e dos escombros de tantos corpos inocentes atirados para as lixeiras, ou macabramente transformados em cremes de amaciar a pele das próprias mães. E esse pesadelo abrirá feridas muito mais profundas e insuportáveis do que as fissuras abertas pelos dramas das mulheres pobres que morrem em abortos clandestinos.
Os dramas são de evitar, mas quando se pretende resolver os dramas de uns à custa dos dramas de outros, torna–se inevitável comparar–lhes as razões e a amplidão. Então, talvez já tarde, dar–nos–emos conta de que, não podendo evitar todos os sofrimentos, há que ter dó antes de mais dos inocentes assassinados sem chegarem ao menos a ver a luz do sol, e dos cidadãos dos dois sexos que se unem para dar à luz os filhos necessários à sobrevivência da humanidade.
Morrerá a Europa actual? É capaz de morrer. Mas, a julgar pelas palavras finais do Segredo de Fátima, há–de haver convertidos, e não só entre os imigrantes, atentos às feridas da alma europeia, hão–de colmatar as brechas e fazer a opção pela vida e pelo futuro. Não sem sofrimento. Mas só com o sofrimento necessário.

P. Luciano Guerra, no editorial da "Voz da Fátima" de 13 de Maio (tiragem: 118.000 exemplares)


O jornal chegou via Maria João. Para a coisa ter mais impacto, foi no dia 13 de Maio que saiu este editorial. Mistura de catolocismo profundo, anti-progressismo, homofobia, conservadorismo e muita mentira, para garantir que os peregrinos não se enganem na cruzinha quando houver um novo referendo. Pior que isto só a mentira propagada a partir do vaticano de que os preservativos já vêm furados de propósito para que as pessoas fiquem contaminadas com SIDA. Na América Latina, Filipinas e África esta mentira vingou, e a Igreja jura a pés juntos que é verdade.

O Negócio da Vida

Organizações não governamentais (ONG) brasileiras e internacionais emitiram um documento para pressionar o ministro brasileiro da saúde a cumprir esta promessa: emitir licenças para o fabrico de medicamentos contra o HIV, mesmo com a oposição das multinacionais que detêm as patentes. Só metade daqueles fármacos são produzidos localmente, apesar de os laboratórios públicos brasileiros terem capacidade para os fabricar na totalidade. 80% do orçamento do Programa Nacional de AIDS é gasto na importação de remédios patenteados. Empresas como a Merck, Abbott e Gilead não mostraram qualquer intenção de emitir licenças voluntárias.

Rede de Informações Para o Terceiro Sector - Boletim da Latitude Zero

sexta-feira, maio 27, 2005

Sexo

Nas Libelinhas, o acasalamento é muito curioso.

1º O macho (neste caso da espécie Pyrrhosoma nymphula) apanha uma fêmea pelo pescoço.

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2º A fêmea, reagindo ao estímulo (ou contorcendo-se de dôr), torce o corpo, até...

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3º ...chegar com a genitália ao ventre do macho, onde o esperma tinha sido previamente introduzido num orgão especial.

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Em seguida, o par ainda agarrado voa para a superficie da água, onde a fêmea deposita os ovos na vegetação flutuante.

As libelinhas por terem forma esguia, lembrando agulhas, estão reputadas de cozer os olhos dos incautos que adormecem junto aos rios. Dai a outra alcunha de tira-olhos.

E claro, a sua original postura de acasalamento garantiu-lhes um lugar no Kamasutra.

Ainda do Não em França

A poucos dias do referendo, o Não atingiu o seu máximo nas sondagens, com 55%. Eu por acaso até estou mais inclinado para o Sim (por razões muito egoistas relacionadas com a política ambiental da Europa, que sei ser muito mais séria que a nacional), mas compreendo perfeitamente a motivação profunda do Não, que confirmei com vários amigos Franceses; é que o que mais irrita muitos Franceses é que se faça um referendo onde a única resposta possível seja o Sim, já que o não implica o cataclismo, o fim das relações internacionais e uma grande falta de responsabilidade. É essa a principal motivação do Não: é todos anunciarem (o presidente da Comichão Europeia, o vice-presidente, o presidente de França, todos os dirigentes Europeus) que a única resposta possível é o sim. É isso que irrita as pessoas. Se assim fôr, por que raio andamos a brincar aos referendos? para poder legitimar nas bases o que foi decidido superiormente, nos gabinetes? É isso que irrita profundamente os Franceses: fazerem uma pergunta que só tem uma resposta aceitável, para a esmagadora maioria da classe política Europeia...

As contas

Pelos vistos, o tabaco vai aumentar 15% por ano. Tirando a questão ética da coisa (pelos vistos, este dinheiro tem o objectivo de avabar com o défice na saúde, não acabar com lo vício em Portugal - pelo contrário, pois espera-se que as receitas crescessem), os jornalistas fizeram as contas e concluiram que aumentaria 60% ao longo da legislatura (4 anos) - fonte TSF. Meus amigos, 15% de 100, são 15; mas no 2ª ano será 15% de (100 + 15 ) = 17,5; no 3º ano será 15% de (100 + 15 + 17,5) = 19,875 e no 4º ano será 15% de (100 + 15 + 17,5 + 19,875) = 22, 856. Ao fim de 4 anos, em vez de 100, o tabaco vai custar 175, 23 ou seja, mais 75% do que agora, ao contrário dos 60% das contas dos jornalistas. No entanto, o aumentio das receitas pode aumentar, mas não em 75% porque muita gente deixará de fumar; foi o que aconteceu em França e em Inglaterra (o tabcao em Inglaterra custa agora 5 libras). Ainda bem que deixei de fumar...

quinta-feira, maio 26, 2005

Tão Longe, Tão Perto

Depois de Serpa, Trancoso; de 25 a 29 de Maio. Não, não se trata de mais um festival de Verão, mas sim da VI ManiFesta – Assembleia do Desenvolvimento Local. Além de assembleia, este é ainda um evento cultural e comercial, mostrando todas as potencialidades de um Portugal que insiste em existir apesar das grandes cidades. Organizada pela ANIMAR e pela Raia Histórica, esta ManiFesta conta, além das bancas de artesanato, feira do livro e tasquinhas, também com vários momentos musicais e com intervenções sobre temas como o microcrédito, a luta contra a pobreza ou as energias alternativas.

ANIMAR - Raia Historica - Boletim da Latitude Zero

quarta-feira, maio 25, 2005

O prestígio da classe política

Como por vezes acontece, o povo tem razão. O desprestígio da classe política portuguesa é merecido, como ficou demonstrado à saciedade pelos episódios em volta das promessas eleitorais e o deficit público. Uns e outros, sabendo da situação, prometeram o que não tinham intenção de cumprir e livraram-se das promessas eleitorais uma vez eleitos.

É certo que o povo foi formado a desconfiar dos seus governantes. E concerteza não foi por acaso que se cunhou o verbo “governar-se”. Na senda da política de saque pentasecular, os nossos representantes mantêm-se impotentes face ao poder de quem se governa. Impotentes mas reverentes: jamais Cavaco Silva explicou ao povo o seu tabu, nem Guterres o seu pântano, Durão Barroso os acordos com o Presidente, nem este nos explicou porque é que o sistema judicial se mantém opaco e disfuncional. Os dinossauros acumulam poderes, ao mesmo tempo que a corrupção abafa qualquer iniciativa sem tutela, e ainda se queixam da falta de “espírito” empresarial! Os governantes também estão formados a desconfiar do povo, que sabem não lhes ter respeito, a não ser quando lhe fazem lembrar dos tempos sem democracia, sem votos.

A volatilidade deste relacionamento entre governantes e governados, expressa positivamente na fragilidade e perversão política dos movimentos associativos em Portugal (por contraste com todos os outros países da União), reflecte-se na instabilidade política, para cujo combate os votantes têm contribuído mais do que os eleitos. Manifestamente, a doença chegou ao tutano, melhor dito ao “tutu”. Como todos sabem, casa em que não há pão … vão ser precisos princípios democráticos de gestão das crises materiais e emocionais que estão a chegar. O governo já anunciou medidas para conter o deficit público. Os economistas instam-no a proceder a reformas estruturais, que têm sido evitadas faz bué anos. Mas os portugueses descrêem do que mais parece uma reposição de um mau filme português.

É hora de chamar à responsabilidade a classe política que nos trouxe a este beco. É que também há quem nunca tenha entrado para a política por causa do mau ambiente, da subserviência, dos monstros, dos pântanos, das tangas, de que é fundamentalmente feita a política portuguesa. Para ser completamente sincero, muitos dos assuntos em que acabei por mexer por via da actividade cívica muito limitada que tenho desenvolvido, fazem-me ter nojo crescente de algumas pessoas mas principalmente das práticas de arregimentação partidária em vigor neste país.

Será por razões de fanatismo partidário ou ideológico, por sectarismo, por compadrio militante, para camuflar as misérias do financiamento partidário, para explorar a economia paralela, por sentido de competição? Não sei, mas que é moda do jet set em Portugal ser-se reverente com os poderosos, amesquinhador com os outros e compassivo com os confrades, isso é.

Caros concidadãos,
Aprender a aprender não custa tanto dinheiro como tirar um certificado escolar. Mas ajuda muito a produzir as dinâmicas necessárias à recriação de Portugal como país estruturalmente europeu, que se sabe hoje, sem dúvidas, não saber ser, apesar de termos “estado na moda” da demagogia por diversas ocasiões. Aprender a democracia custa apenas a subscrição necessária para fazer um sócio de uma qualquer associação cívica e, mais difícil, a assunção de responsabilidades e protagonismos que se vieram a mostrar necessários, sem receios e com liberdade. É preciso reformar, sem pensões, esta classe política que tem monopolizado o poder em Portugal. Mas para isso é preciso que haja quem esteja disposto a dar o corpo ao manifesto, e uma democracia mais efectiva e não tão limitada como a que temos vivido.

António Pedro Dores
Sociólogo
2005-05-25

Ciência viva

Se alguma vez procuraram as respostas para estas perguntas:

Porque há vulcões?
De onde vem a água dos rios?
A Terra sempre existiu?
Como se geram os sismos?
Porque há montanhas e planícies?
Porque há oceanos?
Como se formou o nosso planeta?
Porque há mármores no Alentejo?

podem encontrá-las no novo Centro Ciência Viva para a divulgação da ciência e da tecnologia, em especial das Geociências, que abre as suas portas no Convento das Maltezas, em Estremoz. Na cerimónia de inauguração no dia 27 de Maio, sexta-feira, às 16horas estará presente o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, José Mariano Gago.

Neste Centro, subordinado ao tema Terra; um planeta dinâmico, cerca de 70 módulos científicos permitem ao visitante compreender a complexa relação entre os processos geológicos activos no nosso Planeta. Assistir a uma erupção num vulcão de 4 metros de altura e conduzir uma bicicleta solar são apenas alguns dos desafios que irá encontrar. E tudo isto na presença da única réplica de um esqueleto de um Tyrannosaurus rex existente em Portugal.

A exposição temporária Evolução: resposta a um planeta em mudança e um espaço de acesso à Internet completam a oferta deste espaço de divulgação científica.

O Centro Ciência Viva de Estremoz resulta de uma iniciativa conjunta da Ciência Viva, da Universidade de Évora e da Câmara Municipal de Estremoz, com o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

Endereço Web do Centro Ciência Viva de Estremoz


Mais Informações:

Centro Ciência Viva de Estremoz
268 33 42 85

Ciência Viva - Direcção
21 898 50 20

terça-feira, maio 24, 2005

Não?

O Não de França é sobretudo uma reacção automática e imediata ao ultimato que é este referendo. Reacção a esta coligação da boa consciência, da Europa divina, onde os partidários do sim nunca chegaram a pôr a hipótese de uma derrota. Não é por isso um Não à Europa; é antes un Não ao Sim.

Ninguém suporta a arrogância de uma vitória à priori. As cartas estão lançadas, e a única coisa que nos pedem é um consenso. (...) O Sim não é um sim à Europa, nem a Chirac ou à ordem Liberal. É um sim ao Sim, à ordem consensual.

(..) Este Não profundo não é o resultado de um trabalho "pelo não" ou de um pensamento crítico. É uma resposta em forma de desafio puro e simples a uma tentativa de hegemonia vinda de cima, e onde a vontade do povo é apenas um obstáculo a superar. (...) Não há muito tempo, na Guerra do Iraque, teve lugar uma coligação de todos os poderes contra a vontade expressa, massiça e espectacular da maioria dos povos. A Europa está a fazer exactamente o mesmo, desprezando totalmente a voz dos povos.

Este questão vai muito mais além que um referendo, já que é sintomática dos problemas da democracia representativa, na medida em que as instituições representativas não funcionam no sentido "democrático", dos cidadãos par o poder, mas exactamente ao contrário, do poder para a base, através da armadilha de uma consulta "popular".


Jean Baudrillard, Liberation, 17 de Maio (continua)

O défice e a tanga

O relatório do grupo de trabalho liderado pelo governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, dificilmente poderia ter sido divulgado em ocasião mais oportuna: a conquista do título de campeão nacional pelo Benfica, ao fim de onze anos. E o pacotão (mais um!) de medidas que o governo se prepara para divulgar apanha a nação benfiquista em plena euforia, a sonhar com a “dobradinha” anunciada para o Jamor, no próximo domingo. Não é ainda a retoma glosada por alguns humoristas, mas lá que dá jeito, dá… a menos que os “verdes” de Setúbal resolvam fazer Taça!

Encenações à parte, o défice público em 2005 ultrapassará 6% do PIB, rondando uns astronómicos de 10 mil milhões €, 80% acima do valor previsto em finais de 2004. No debate de ontem à noite, promovido pela televisão pública, Bagão Félix procurou justificar este desvio brutal com a queda de receitas previstas no Orçamento: os dividendos da GALP (548 milhões), a venda de património (500 milhões), a transferência do fundo de pensões da Caixa Geral de Depósitos para a Caixa Geral de Aposentações (422 milhões) e a venda de concessões (500 milhões), num total de 1970 milhões €. Mas os negócios da GALP e da venda de património foram "chumbados" pela própria Comissão Europeia e as verbas do fundo de pensões foram todas usadas para em 2004.

Mais do que sacudir a água do capote ou entrar num pingue-pongue de culpas entre PS, PSD e CDS, registe-se o consenso quase absoluto sobre as soluções a aplicar num painel onde estavam presentes, além de Bagão, os ex-ministros das Finanças Pina Moura e Eduardo Catroga: emagrecer o Estado e as suas funções sociais básicas – Saúde, Educação, segurança social; aumento do IVA e dos impostos indirectos, os mais cegos e injustos; continuação (pelo menos em termos reais) do congelamento salarial que dura há três anos na função pública e acaba por servir de referência ao patronato, quando o Código do Trabalho conduziu ao bloqueio da contratação colectiva.

Perante este consenso da ortodoxia neoliberal, até parece que a democracia se esgota no “bloco central” de interesses sentado à mesa do “Prós e Contras” – curiosamente, o mesmo bloco central sentado à mesa do orçamento há mais de 30 anos e responsável pelo caos a que chegámos. Assim como “há vida para além do défice”, há outras opiniões representadas no parlamento para além do “triângulo das Bermudas” PS-PSD-CDS, por onde se têm esfumado milhares de milhões de euros de fundos comunitários, em escândalos cuja ponta do iceberg só às vezes chega à opinião pública – como no recente caso Portucale, a que ouvi chamar com alguma graça “a vingança dos chaparros”. Pergunto-me como pode a televisão pública realizar um debate desta envergadura sem convidar Octávio Teixeira e Francisco Louçã, só para citar dois especialistas.

Para perceber como e porque aqui chegámos e avançar pistas para ultrapassar a crise das finanças públicas, é preciso pôr em causa o “discurso da tanga”, invertendo o rumo seguido nos últimos três anos e que mergulhou o país na maior recessão das últimas décadas. Em nome da obediência cega ao PEC que Romano Prodi classificou de “estúpido” e a França e a Alemanha mandaram às malvas, o governo de direita aumentou o IVA de 17% para 19%, apertou o cinto aos mais sacrificados e recorreu a receitas extraordinárias que, além de mistificarem o défice, se traduziram em negociatas como a da Falagueira (a favor do “amigo” Pereira Coutinho) e a entrega ao Citigroup das dívidas ao fisco e à segurança social. Fica a pergunta: se o governador do Banco de Portugal sempre avalizou todas e cada uma destas medidas, com os resultados que estão à vista e dispensam comentários, que espera o Dr. Vítor Constâncio para apresentar a sua demissão, se ninguém tiver a coragem de o demitir?

Amanhã Sócrates quebra um silêncio olímpico. E há um caminho alternativo ao neoliberalismo para combater o défice social acumulado e criar emprego. É possível reduzir muita despesa improdutiva, partindo para a elaboração de um orçamento de base zero, eliminando privilégios de clientelas de diversas cores: só em vencimentos de administradores empresas municipais que fazem exactamente o mesmo que compete às autarquias são várias centenas de milhões de euros por ano. Mas há que actuar sobretudo do lado da receita: acabar com o sigilo bancário que fomenta a fraude fiscal e pôr fim ao off-shore da Madeira, por onde a banca foge legalmente aos impostos e se lavam capitais das mais diversas proveniências…

Sócrates tem amanhã a primeira prova de fogo: veremos até que ponto será capaz de pôr o dedo na ferida ou se a “tanga” do défice continua.

Alberto Matos – Crónica semanal na Rádio Pax – 24/05/2005

segunda-feira, maio 23, 2005

Desenvolvimento Rural Sustentável

JORNADAS DE INTRODUÇÃO À COOPERAÇÃO INTERNACIONAL PARA O DESENVOLVIMENTO RURAL SUSTENTÁVEL
Local: Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real
Data: 4 e 5 de Junho de 2005


PROGRAMA Sábado, 4 de Junho

BLOCO 1: PRODUÇÃO AGRO-PECUÁRIA E GESTÃO DE RECURSOS NATURAIS

9:00 - Abertura
9:30 Modelos de producção agro-pecuária: Evolução Histórica e Repercussões. Os Novos Conceitos de Agroecologia, Desenvolvimento Rural Sustentável e Soberania Alimentar
Fernando Fernández, Veterinarios sin Fronteras – Palencia e Plataforma Rural
11:00 Um novo passo na Agro-Indústria: A Biotecnologia. Evolução e Ameaças
Maria João Pacheco, Plataforma Transgénicos Fora do Prato
12:00 O Papel das Camponesas no Desenvolvimento Rural Sustentável
Lidia Senra, Plataforma Rural y Sindicato Labrego Galego
13:00 –Perguntas / Debate
13:30- Almoço


BLOCO 2: PRESENTE E FUTURO DO MUNDO RURAL NA EUROPA

15:00 A PAC e o Desenvolvimento Rural na Europa, em particular em Portugal
Universidade de Tras-os-Montes e Alto Douro (UTAD) – orador por confirmar
15:45 Situação do Mundo Rural Português – Ameaças, Expectativas e Possibilidades
João Vieira, Confederação Nacional de Agricultura (CNA)16:30O papel do sector cooperativo agrícola em Portugal - a sua importância e papel no presente e no futuroDomingos Godinho, Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal (CONFAGRI)

17:15 – Intervalo

17:30 Repercussões da PAC nos Pequenos Agricultores Europeus
Lidia Senra, Plataforma Rural y Sindicato Labrego Galego
18:30 Repercussões da PAC nos Países em Desenvolvimento
Fernando Fernández, Veterinarios sin Fronteras – Palencia e Plataforma Rural
19:30 Perguntas / Debate

Domingo, 5 de Junho
BLOCO 3: MOVIMENTOS SOCIAIS E INICIATIVAS

9:00 Associativismo e Cooperativismo Agrícola em Portugal – Presente e Futuro
João Vieira, Confederação Nacional de Agricultura (CNA)
9:45 A Via Campesina em Portugal
João Vieira, Confederação Nacional de Agricultura (CNA)
10:15 As Organizações Não-Governamentais de Desenvolvimento (ONGD´s) em Portugal e na Europa
Pedro Krupenski, Plataforma Portuguesa de o­nGD´s

11:00 Intervalo

11:15 Os Veterinarios Sin Fronteras
Xulio Rodríguez,Veterinarios Sin Fronteras – Galicia
12:00 O Papel das Empresas na Educação para o Desenvolvimento Sustentável
João Carvalho, Delta-Cafés, Corporate Sustainable Development
12:45 – Perguntas / Debate

13:00 – Almoço

14:30 Meio Ambiente, luta contra a pobreza e cooperação para o desenvolvimento ¿Que se faz a partir de Espanha?
Ignacio Santos, IPADE – Instituto de Promoción y Apoyo al Desarrollo
15:30 Uma o­nG especializada em desenvolvimento sustentável. O caso de IPADE
Raquel Álvarez, IPADE – Instituto de Promoción y Apoyo al Desarrollo
16:30 Alguns projectos desenvolvidos pelos Veterinários Sin Fronteras
Xulio Rodríguez,Veterinarios Sin Fronteras – Galicia
17:30 - Perguntas / Debate
18:00 - Encerramento

Ainda do Volfrâmio

Figuras sociais novas, novas imagens e simbologias em que renasce súbita e fabulosa , a velha mira da riqueza fácil dos cartos, peludas, notas de quilo ou de conto que enchiam as carteiras e serviam para imediatisticamente aceder aos então sinais exteriores de riqueza - livros por grosso e lombada, canetas de tinta permanente para ostentar na lapela, gabardines para colocar no braço, colchões de suma-a-duas, melhores que os de suma-a-uma, andar a cavalo, nas deslocações aos prazeres e negócios citadinos, em carros e táxis alugados que começavam então a generalizar-se como meio de transporte público.

Novos ricos e excessos de todo o tipo no comércio do volfrâmio negócio da china, cujas somas fabulosas movimentadas terão permitido a uns poucos acumular fortunas escondidas, aos novos comerciantes remediar as suas vidas e melhorar a dos filhos, pela via dos estudos - uma nova geração, a dos "filhos do volfrãmio" - a muitos outros tendo deixado tão pobres como antes, assim justificando o velho aforismo de que água o deu água o levou. Nada deixando porém, como dantes:

"Já chamaram à nossa época, pelo muito que o fenómeno vincou o meio, época do volfrãmio. Quero crer que haja exagero de expoente. Entre nós, tal furunculose, com o dramático que comporta, deve antes representar uma das manifestações eruptivas da crise social que o mundo atravessa.Volfrâmio aqui, petróleo além, borracha acolá, há que integrá-los no substrato complexo e temeroso que engendrou a guerra."

Maria Otília Pereira Lage

A verdade é que em 1941, 1942 e 1943, à conta do volfrâmio, Portugal teve um saldo comercial positivo...

A batalha do volfrâmio I

Na "batalha do volfrâmio", época de contrabandos e candongas, essas imagens de "dedos recheados de anéis, fatos de senhor da cidade, contando aventuras de olhos esbugalhados" e de mineiros aburguesado derretendo os ganhos a comprar chita por seda, correm a par de outro mundo que o volfro não desnorteou, o de milhares de trabalhadores e mineiros, ex-lavradores e jornaleiros, morrendo novos com o mal do pó ou atabafados do tufo, estropiados nos desastres frequentes pela ânsia do ganho e míngua de cuidados, entalados entre pensões de miséria e negaças dos seguros, comendo na mina "pão e faca". Mundo pouco visível como outros, mobilizadores de tecnoculturas e terminologias importadas, as quais relevando de saberes técnicos e formalizados iriam ser reapropriados e objecto de misceginação com práticas e saberes leigos.

Maria Otília Pereira Lage (Nas memórias do Volfrâmio um sociolecto luso-galaico)

domingo, maio 22, 2005

A frase

Se em vez do Porto tivesse sido o Benfica a ser campeão (Taça UEFA, Campeões Europeu), Portugal já tinha saído da crise.

Carlos Magno, na Antena 1

Mais uma razão para o Benfica se sagrar hoje campeão: sairmos da crise. O desemprego vai diminuir, as empresas vão ser mais produtivas, a fuga aos impostos vai acabar. É o milagre do Futebol. Não são apenas 6 milhões, mas sim 10 milhões os Portugueses agradecidos. Ainda bem que anda por aí o Carlos Magno para nos abrir os olhinhos.

Estatísticas e futebol

Mesmo que a probabilidade do Porto vencer seja grande (digamos 70%) e a probabilidade do Benfica perder seja razoável (por exemplo 40%), a dupla condição necessária (Benfica perder e FCP ganhar)para que o Porto seja campeão implica que a sua probabilidade de renovar o título é de 28%. Se considerarmos igual probalidade para todos os resultados possíveis (FCP ganha - 33%; Benfica perde 33%), então o FCP será campeão com 11% de probabilidade. Que ganhe o melhor, nos tais últimos 10 minutos de que Couceiro falava (o gajo deve ter uns progamas estatísticos muito à frente, para fazer aquela previsão)...

Storewars

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Vejam a terrível luta entre a força negra dos produtos alimentares desta globalização e os rebeldes orgânicos. Brevemente, num supermercado perto de si...

sábado, maio 21, 2005

Estes romanos são loucos...

A febre das inaugurações no seu melhor:

Em Abraveses ficamos a saber por uma [placa comemorativa] que há uma estrada romana que foi "(…) inaugurada por Sua Excelência o Sr. Presidente da Câmara Municipal de Viseu, Dr. Fernando Ruas (...)". Desengane-se quem pensava que as estradas romanas tinham sido construídas pelos romanos.

Carlos Canhoto (Fonte)

Se o Santana Lopes sabe disto, vai já inaugurar o Mosteiro dos Jerónimos, a Sé de Lisboa e já agora, o Rio Tejo, cuja inauguração já está com uns milhõezinhos de anos de atraso...

Lisboa e o feminino

“As cidades e a questão de género”.
Lisboa e o feminino.

Normalmente as cidades são pensadas no masculino. Para os homens. “Para nós”. Partia-se do principio que as cidades tinham que estar preparadas para receber os homens que faziam o trabalho remunerado e ocupavam o espaço público.
Às mulheres era reservada a casa, o doméstico, e a função reprodutiva. Enfim tudo estava organizado para o pleno e bom desempenho dos papeis tradicionais.
A realidade actual mudou, e o papel das mulheres na sociedade e no âmbito da cidade está muito diversificado.
Esta diversificação de papeis, estas contradições mostram que os homens e mulheres na cidade já têm necessidades diferentes, que devem ser tomadas em conta quanto à planificação urbana e quanto ao ambiente circundante.
O exemplo mais gritante tem a ver com a segurança dos espaços onde as mulheres circulam. Alguns são claramente encorajadores de situações de violência contra as mulheres, e não lhes oferecem qualquer segurança. Elas sabem que nas cidades são as maiores vitimas de violência. Noutros casos os espaços urbanos, devido às múltiplas actividades que elas desenvolvem, estão de facto mais preparados para lhes restringir a liberdade de movimentos do que a mobilidade, limitando-as no usufruto de bens e serviços sociais, o que lhes limita a sua participação na vida pública.
A cidade de Lisboa também tem que começar a ser pensada para que às mulheres que nela circulam sejam dadas igualdade de oportunidades. As mulheres de Lisboa desempenham diferentes papeis no nosso espaço urbano. Para alem do trabalho no emprego, têm de cuidar da família, muitas vezes dependentes ou de familiares com deficiência.
Há que pensar nestas diferentes situações quando se pensa na organização dos transportes públicos, nos horários comerciais, na iluminação de espaços, nos tempos/locais lúdicos ou de lazer, nas barreiras que se criam.
Enfim há que levar a todo o lado as politicas de “mainstreaming” relativas às questões de género nas planificação das cidades, dos tempos e nas estratégias de carácter transversal.
A cidade de Barcelona está a levar a cabo estas politicas, tendo desenvolvido um decreto que melhora as áreas urbanas sem que se exclua ninguém.

António Serzedelo
Opus Gay

sexta-feira, maio 20, 2005

Shaima Rezayee

Shaima Rezayee era a única operadora de vídeo no Afganistão. Era, porque acaba de ser assassinada. Tinha 24 anos e era apresentadora de um programa de tv sobre música, versão afgã da MTV. O programa era altamente popular, e fez disparar os índices de audiência da TOLO TV, o canal em que trabalhava. A popularidade era também grande entre os conservadores, embora obviamente pela negativa: acusada de propagandear hábitos ocidentais, de usar o lenço na cabeça demasiado descaído... recebia inúmeras ameaças e a TOLO TV preferiu mesmo despedi-la. Mas Shaima tinha suportado 5 anos de Burkha, para ela ser ameaçada já fazia parte da vida. Mais do que o que fazia, converteu-se ela própria na ameaça. Mataram-na. Curiosamente, neste mundo de imagens não consegui encontrar uma única imagem dela na net. Uma imagem duma operadora de vídeo e apresentadora dum programa de tv. Com 24 anos.

mpf

quinta-feira, maio 19, 2005

O séc XXI em Angola


Minas: > 4000 acidentes, 700 mortos, 300 dos quais crianças

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quarta-feira, maio 18, 2005

O Triunfo da Tecnologia

A BBC organiza todos os anos (desde 1948) uma coisa que chama Reith Lectures, que são basicamente uma série de entrevistas a uma mesma personalidade, com diferentes aproximações a um mesmo tema. As RL deste ano são sobre O Triunfo da Tecnologia, e podem ser ouvidas na BBC4/online.

Simultaneamente com as RL deste ano, a BBC lançou uma votação sobre a inovação tecnológica mais significativa desde 1800. And the winner is... O vencedor foi claramente a Bicicleta!, com 59,4% dos votos. Por ser considerada uma invenção universal, isto é, usada por todo o mundo e por todas as classes sociais, barata, de fácil reparação, não-poluente, aliada a trabalho e a prazer, promotora de bem estar físico, etc.


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Em segundo lugar, com 7,8% dos votos, ficou o Transístor, pelas possibilidades imensas que permite em inovações a jusante: circuitos integrados de baixo custo, computadores pessoais, automatização de fábricas, instrumentos hospitalares, etc, etc. Entre as muitas outras escolhas esteve ainda o Telefone, invenção relativamente simples e universal que mudou completamente as comunicações no Planeta, e... a máquina de lavar, supostamente a invenção que mais contribuiu para a libertação da mulher...

terça-feira, maio 17, 2005

Dia Internacional de Luta contra a Homofobia

sem palavras

Rescaldos do Encontro de Évora

FSP (Resistências e alternativas) - 14 Maio 2005

Assisti apenas a duas das conferências da manhã, o que chegou para confirmar a inutilidade deste formato num Encontro que se pretende alternativo e pro-activo: os oradores eram gente conhecida que falou bem como já se ouviram antes sobre assuntos com os quais todos (os que participam nestas iniciativas) concordam.


As oficinas são potencialmente mais interessantes, mas eu não consegui mais que assistir a dois documentários promovidos pelo CIDAC. Um em parceria com a Solidariedade Emigrante, sobre Emigrantes, fabuloso: "Lisboetas", de Sérgio Trefaut. O outro, exibido em parceria com a ATTAC, foi uma surpresa: "The Take", um documentário canadiano de Avi Lewis e Naomi Klein sobre o renascimento alternativo da Argentina.


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Logo após ser eleito Presidente da Argentina, em 1989, Carlos Menem avança com extensas privatizações e a anexação do peso ao dólar americano. Como resultado, o desemprego triplicou, a dívida pública disparou, e a corrupção generalizou-se. Apesar destes sinais, o FMI (Fundo Monetário Internacional) continuou a emprestar milhões de dólares à Argentina até ao aparatoso colapso económico de 2001. Quem podia (e ainda não tinha saído, porque isto há sempre quem seja informado primeiro...) começou a sair do país com o dinheiro que restava, e Menem decide congelar as contas bancárias dos cidadãos. A multidão sai à rua, enfrentando a polícia de choque e os militares: duas dúzias de mortes entre os manifestantes. Aquele que até há poucos anos era o país mais próspero da América Latina, tem hoje mais de 50% da população abaixo do limite da pobreza.

O colapso financeiro, concomitante com a fuga da maioria dos patrões/proprietários, que levam com eles grande parte dos 10 anos de subsídios estatais emprestados pelo FMI, teve como consequência imediata o encerramento de fábricas, escolas, postos de saúde, etc. Foi esse o caso da Forja San Martin, nos arredores de Buenos Aires, que deixou 300 desempregados. Estes 300 trabalhadores resolveram ocupar a fábrica e retomar o trabalho, inspirados por uma ocupação similar duma Fábrica de Cerâmica (Zanon) na Patagónia. O filme "The Take" documenta justamente esta ocupação. Com as fábricas de volta à laboração, os antigos donos procuram recuperá-las, assistindo-se no documentário a muitas cenas de corrupção de agentes do Estado. Os ocupas levam o(s) caso(s) a tribunal, e gradualmente vão conseguindo expropriações a favor das comissões de trabalhadores. Estas expropriações baseiam-se no facto das fábricas terem sido construídas a partir de subsídios estatais e não de dinheiros privados dos proprietários.

Neste momento já existem na Argentina mais de três centenas de empresas, desde a produção de bens primários a escolas e serviços, geridas pelos próprios trabalhadores. Curiosamente, não existe um modelo único: na tal Zanon decidiram que todos os trabalhadores receberiam o mesmo salário, mas outras empresas optaram por manter a discriminação salarial.


Não penso que isto seja uma ameaça ao Capitalismo, antes uma maneira alternativa de o viver. Ou um capitalismo controlado que não favoreça parasitas. De qualquer modo, o que mais me impressionou neste filme, foi o demonstrar que (1) a mudança social é possível, e (2) que os partidos não são imprescindíveis para esta mudança. Aliás, só penso que os vários modelos de gestão adoptados foram diferentes, exactamente por nascerem da vontade dos próprios, e não impostos de fora, segundo um código de conduta comum. E os modelos responderam a uma necessidade concreta, sem terem que obedecer a agendas mais globais. Curiosamente, são entrevistados vários trabalhadores duma mesma Comissão acerca das eleições que se avizinhavam, e as intenções de voto abrangem todo o espectro de candidatos (mesmo Menem, o principal culpado da situação!).

À exibição do filme nos Encontros de Évora seguia-se um debate sobre a possibilidade de governação à esquerda. Na mesa, como habitual, representantes de partidos, cada um com o seu discursozinho preparado. Em vez de explorarem o filme, falaram como quem pede votem em mim. Não aprenderam nada! Não perceberam que a mudança como eles a pretendem: um sistema neo-liberal como o que temos, governado por mandantes de um partido de esquerda, não só é impossível, como nunca resultaria! Não percebem que a mudança tem que se operar por baixo, como a Argentina está a tentar. Uma vez mudada a base, qual o problema em estabelecer políticas nacionais mais justas, mais igualitárias?... Pedi à mesa que comentasse o ponto (2), mas eles tinham muitas outras coisas para dizer.

mpf


segunda-feira, maio 16, 2005

Boas intenções

Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável

É uma associação criada em Outubro de 2001 por iniciativa das empresas Sonae, Cimpor e Soporcel, associadas ao WBCSD – World Business Council for Sustainable Development. O objectivo principal do BCSD Portugal é promover a responsabilidade social e ambiental das empresas nacionais, numa lógica de desenvolvimento sustentável. Nesse sentido, desenvolve várias iniciativas desde encontros e seminários até publicações. Conta actualmente com 62 membros. Boletim da Latitude Zero

sábado, maio 14, 2005

Oficinas no FSP (Resistências e alternativas)

14.30 às 17 horas - Oficinas auto-organizadas pelas associações e movimentos sociais

Resistências e Alternativas no trabalho - CGTP
Aldeia Solar - Tamera
Homofobia à portuguesa e os meios para a esconjurar - Panteras Rosas
O que fazer com a Constituição Europeia? - ATTAC Portugal
Video como forma social política - Núcleo de Cinema e Vídeo da AEFLUL
As mulheres na resistência e pela alternativa ao neoliberalismo - MDM, AMI, CIL e CPPC
Dívida ecológica - Quem deve a quem? - Gaia
Direito à Habitação - Solidariedade Imigrante
Blogs: Uma outra comunicação é possível! - Grão de Areia
Ensino Superior e participação dos estudantes - Associação de Estudantes da Universidade de Évora
A justiça como recurso dos movimentos sociais em Portugal - Pro-Urbe (Cancelada pelos Organizadores)
Produções e construções alternativas ao capitalismo - Estudantes do CES
As cooperativas na economia social e comunidade - Fenacoop

Debate e Documentários:

“Lisboetas” de Serge Trefaut, com debate sobre Imigração - ATTAC Portugal e CIDAC
Agenda 21 - Federação das Colectividades de Lisboa Transgénicos no Prato - Plataforma Transgénicos Fora do Prato

17.30 às 20 horas - Oficinas auto-organizadas pelas associações e movimentos sociais

São os direitos sexuais, direitos humanos? - Não te Prives
Experiências vivas: as organizações falam das suas experiências - Associação Abril
Efeitos da guerra na população civil - AMI e CPPC
Dívida ecológica - Uma campanha que junta o Norte e o Sul, o Abiente e o Desenvolvimento - Gaia
Construir plataformas para a sustentabilidade! - CPADA, Quercus, LPN, Geota, LPDA, Amigos do Mar e ATTAC Verde
Carta Mundial das Mulheres para a Humanidade e a Campanha de 2005 da Marcha Mundial das Mulheres - Coordenação Portuguesa da Marcha Mundial das Mulheres
Consumo Público e Ético - Sensibilização das autoridades locais para o consumo responsável - CIDAC, Mó de Vida e AJP, com apoio da Coord. Portuguesa do Comércio Justo
Gays e lésbicas: casamentos porquê? - Ilga Portugal
Feminização da pobreza - Núcleo Distrital de Setúbal da Rede Europeia Anti-pobreza
Defesa dos animais - Gaia e LPDA
Situação do Ensino - SPGL, FERLAP, AEFLL
Orçamento participativo - Juventude Socialista
Pelo sim, pelo não, pela Constituição Europeia - Opus Gay
Esquerda e Globalização - Bloco de Esquerda

Debate e documentários:
“Entreatos” de João Salles, com debate sobre: é possível governar à esquerda? - ATTAC e CIDAC
Tabagismo - CPADA

A decorrer em Évora (Universidade) hoje dia 14 de Maio.

CACAU DEMASIADO AMARGO I



O cacau que nos adoça a boca tem o travo amargo da miséria e da injustiça. Empresas ricas pagam cada vez menos aos trabalhadores nos campos africanos de cacau, onde militam milhares de crianças. O compromisso da indústria para inverter a situação até Junho de 2005 não produziu resultados significativos.

Mais de 50% da produção de Cacau do mundo vem da Costa do Marfim. Um estudo recente promovido pela International Labor Rights Fund (ILRF), em parceria com os governos dos EUA e da Costa do Marfim, detectou que centenas de milhar de menores – 15.000 dos quais com menos de 12 anos - trabalhavam nos campos de cacau, em regime intensivo e expostos a condições de perigo imediato para a sua saúde e crescimento. Num contexto de extrema pobreza, o seu trabalho é vital para a subsistência familiar – terreno propício para as redes internacionais de tráfico de crianças.

Em muitos campos de cacau africanos, vive-se num regime próximo da escravatura. Trabalha-se apenas para comer, sob violência física e psicológica. Drissa, 19 anos, viajou 600 quilómetros desde o Mali até uma isolada plantação de cacau na Costa do Marfim. Ao chegar, o prometido salário transformou-se em escravatura. Durante anos, Drissa e outros jovens trabalharam de madrugada ao amanhecer e eram espancados se abrandavam o ritmo ou tentavam fugir. As refeições consistiam em água e banana - o que, aliado a maus tratos, levou à morte de muitos trabalhadores.

A denúncia deste tipo de situações forçou a Associação dos Produtores de Chocolate a criar em 2001 o Protocolo do Cacau, que previa condições de trabalho comuns a toda a indústria e um sistema voluntário de verificação, certificação e de publicitação até Junho de 2005. Entidades como a Organização Internacional do Trabalho e a Anti Slavery International dizem que nenhum destes objectivos foi atingido – e as condições de trabalho nas plantações de cacau costa marfinenses continuam essencialmente na mesma.

Dia Mundial do Comércio Justo.

CACAU DEMASIADO AMARGO II



Liberalização e Pobreza

A Costa do Marfim era, nos anos 60, um exemplo de vitalidade e desenvolvimento, baseado num sistema público bastante forte que permitia algum estabilidade e bem-estar aos produtores e trabalhadores agrícolas. As condições em que se comercializava o cacau - incluindo o preço do quilo - eram regulados por um organismo nacional (CAISTAB) que garantia alguma justiça, riqueza e dignidade aos produtores.

Nas décadas de 70 e 80, em troco de algum apoio financeiro, a Costa do Marfim cedeu à pressão do Banco Mundial e do FMI para desmantelar as instâncias públicas de regulação e liberalizar o mercado do cacau e do café (70% da economia nacional), deixando-os à mercê das leis da oferta e da procura. Em poucos anos, o preço do cacau pago aos produtores diminuiu para metade. A instabilidade crónica e a competição selvagem devastam agora o sector.

Entre 1988 e 1995, apesar de a produção e exportação de cacau na Costa Marfim ter aumentado quase para o dobro, o país mergulhou numa profunda crise económica, sendo que o produto interno bruto estagnou e a pobreza duplicou (em 1988 afectava 17% da população, em 1995, 37%). Os serviços de educação e saúde degradaram-se significativamente, a dívida pública aumentou em flecha e a guerrilha tornou-se uma constante (fonte: ILRF).

O comércio justo (CJ), através da Rede Europeia de Lojas do Mundo (NEWS) lança em 14 de Maio de 2005 uma campanha europeia, que até 2007 denunciará esta situação e apela à acção das populações e dos governantes europeus. Além disso, desenvolve um sistema comercial alternativo de diversos produtos - como o cacau - em que os produtores, organizados em cooperativas, têm condições de vida dignas e estáveis, acesso a saúde e educação – e não empregam crianças.

Colabore com este movimento: utilize produtos de comércio justo; divulgue-o em sua casa e no local de trabalho.

sexta-feira, maio 13, 2005

Amanhã, sábado

European Worldshops´ Campaign
STAND UP For tHEIR RIGHTS: Fair Trade Against Exploitative Child Labour

A AJP, o CIDAC e a Mó de Vida comemoram o Dia Mundial do Comércio Justo fora das respectivas associações e convidam a tod@s @s amig@s e companheir@s a participarem no Encontro "Resistências e Alternativas", iniciativa integrada no Fórum Social Português, a decorrer 14 de Maio de 2005 na Universidade de Évora.

Com o apoio da Coordenação Portuguesa do Comércio Justo será dinamizada a Oficina Temática Consumo Público/Consumo Ético que visa sensibilizar as Autoridades Locais para o Consumo Responsável; esta acção faz parte do lançamento da Campanha Internacional da Rede Europeia de Lojas do Mundo: STAND UP For tHEIR RIGHTS - Fair Trade Against Exploitative Child Labour.
Horário: 17.30 às 20.00 horas
Informações sobre as iniciativas em: http://www.resistenciasealternativas.org/

A Bruxa de Évora

Importantíssima carta: a Bruxa de Évora!

(...)Presente em todos os livros de bruxaria e temida por seu grande poder mágico(...)

"(...)quando os outros não sabem o que fazer, ela sabe e faz com a maior vontade e ódio, sedenta a completar seu objetivo. Mas ao invés de perseguir suas vitimas, ela prefere atraí-los, o que faz muito bem. É ela quem decide qual demônio será designado para cada missão e tem o poder de suspendê-los se não desempenharem bem sua função.
Há muitos demônios companheiros fieis da bruxa de Évora, os principais são: Abalan (príncipe dos infernos), Abigor (demônio de hierarquia superior), Abrahel (súcubo), Asmodeu (um dos chefes), Adramelech (grande chanceler do inferno), Hecate (deusa infernal), Lúcifer (o maioral), Marbas (presidente infernal), Rowe, (conde infernal), Satã (rei dos infernos) e inúmeros outros. Os gatos são acusados de demônios por serem considerados um animal mágico, parente da lua, pois o gato surge para a vida à noite; da magia de seus olhos é que surgiram as crenças nos seus poderes sobrenaturais, que transportam as almas dos mortos, encarnação do diabo o gato é um grande amigo das bruxas. A Bruxa Évora tinha um gato preto chamado Lusbel. Apesar de temida, as pessoas buscam os poderes dessa bruxa: seus feitiços, sortilégios, banhos, amarração, conjuros, etc..., com a finalidade de obter cura, proteção e sucesso no amor e na vida.

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A Bruxa de Évora era moura, criada na Ibéria, falava bem o árabe, o português e o latim. Foi criada por umas velha tia que lhe ensinou as artes mágicas, dando-lhe como talismãs sete moedas de ouro do califa Omir, uma pedra ágata com inscrições árabes e uma chapa de prata com o nome do profeta.

A bruxa árabe era chamada de Moura torta, usava trapos, mas em seu peito brilhava um amuleto de âmbar. Ela lia o Alcorão e escrevia, sabia matemática, e olhando o céu reconhecia as estrelas, lia a sorte nas areias, nas estrelas e fazia feitiços e curas. Conhecia a magia dos seus ancestrais muçulmanos, mas vivendo no século XIII, também sabia a dos celtas.

A bruxa voava montada em cães, lobos, camelos, carneiros e em vassouras, mas sempre era vista voando em seu bode preto. O bode sempre foi um animal de feiticeiros, talvez por ser muito sensual; sugere pactos com demônios, feiticeiras, seres parte homem e parte animal, força de grande magia. O bode da era pagã emprestou sua forma para o diabo. As bruxas foram sempre companheiras dos dragões, deram a eles muitos nomes: o terrível, o magnífico, o senhor do mundo, o guardião. (...) Talvez o Pinto da Costa queira comprar esta carta?...

Um pedaço de Natureza

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Boloria selene (acho eu)

A lagarta alimenta-se de violetas, que são muito frequentes junto às linhas de água. Vai dái, + água => + violetas => ++ lagarta farfalhuda => ++ borboletas esvoaçantes.

Esta foi vista ontem, ao fim do dia. O momento de comunhão com a Natureza (a Primavera faz de mim um místico) é para partilhar em especial com o meu irmão:
um grande abraço Pedro! é para ti este pedaço de harmonia.

Trabalho infantil

Trabalho Infantil - alguns indicadores
(Organização Internacional do Trabalho)

246 milhões de crianças entre os cinco e os 7 anos trabalham

Uma em cada sete é utilizada nas piores formas de trabalho infantil

111 milhões com menos de 15 anos desempenham tarefas perigosas

8.4 milhões trabalham sob regimes de escravatura, tráfico humano, dívida, trabalho forçado, conflito armado, prostituição, pornografia e outras actividades ilícitas

A remuneração de 70% das crianças que trabalham reverte para as suas famílias

As raparigas são as principais vítima de trabalho infantil doméstico

14 de Maio, dia do comércio justo

CACAU DEMASIADO AMARGO



Coimbra assinala o Dia Mundial do Comércio Justo participando numa campanha internacional contra a exploração do trabalho infantil nas plantações de cacau africanas. Na loja LatitudeZero (C.C. Avenida) decorrerá um abaixo-assinado e degustação de produtos com cacau.

Por todo o país, outras organizações de comércio justo assinalam a data e participam nesta campanha, que decorrerá até 2007. O objectivo principal é sensibilizar os consumidores e as autoridades locais em particular para uma dura realidade: o cacau que nos adoça a boca tem o travo amargo da miséria. Nesse sentido, a recolha de assinaturas será de seguida remetida ao presidente da Câmara Municipal de Coimbra para que a autarquia procure informar-se sobre as condições em que são produzidos os artigos que consome.

Empresas ricas pagam cada vez menos aos trabalhadores nos campos africanos de cacau, onde militam milhares de crianças. O compromisso da indústria para inverter a situação até Junho de 2005 não produziu resultados significativos. (Leia mais)

> Dia Mundial do Comércio Justo
> “Pelo Direito a Uma Infância”
> “Pelo Direito a Uma Infância” (Europa)
> Cacau: Relatório “A History of Exploitation”
> Cacau: Relatório “Impact on Child Labour in the Cocoa Industry”
> Comércio Justo


Contactos LatitudeZero/Planeta Sul:
mail@latitude0.net ; 917 960 114 (Vitor Simões)

É urgente defender as crianças

Muitas crianças, em Portugal, têm sido torturadas e assassinadas no seio da própria família. Nos últimos anos o número desses crimes tem aumentado e não é preciso ter muitos algarismos para ser um número demasiado grande.

Sabemos bem que na situação social de muitas famílias está a génese da maior parte destes casos, mas não podemos continuar a assistir de ânimo leve a um flagelo desta natureza e à inoperância dos serviços responsáveis pela protecção de menores, não queremos continuar a ouvir o discurso da falta de recursos e do bloqueio legislativo a cada caso de terror revelado.

Nem a lei nem a frieza da burocracia podem permitir que uma criança seja entregue a quem, familiar ou não, apresente características indicativas de poder vir a maltratá-la ou a fazê-la correr risco de vida. Se a lei não serve, mude-se a lei e eliminem-se os bloqueios burocráticos à sua regulamentação.

Salvar uma criança em risco exige actuação urgente e rápida, é incompatível com o tempo de relatórios e de despachos.

Nós cidadãos abaixo-assinados dirigimo-nos, por isso, ao Senhor Presidente da República, ao Senhor Primeiro Ministro, ao Conselho de Ministros e aos restantes órgãos de soberania portugueses no sentido de se promoverem, com a máxima urgência, as alterações legislativas e processuais que impeçam a continuação dos bárbaros assassinatos de crianças portuguesas a que temos vindo a assistir.

Assine a petição

quinta-feira, maio 12, 2005

Chove no Alentejo!

Fui à fonte beber água
Achei um raminho verde
Quem o perdeu tinha amores
Quem o achou tinha sede!

Dá-me uma gotinha de água
Dessa qu’eu ouço correr!
Entre pedras e pedrinhas
Alguma gota há-de haver!

Alguma gota há-de haver.
Quero molhar a garganta,
Quero cantar com’a rola
Com’a rola ninguém canta!

Daqui até à malhada
Lindos beijos lhe vou dando
Já cá levo a minha noiva
Já me posso ir andando

Dá-me uma gotinha de água
Dessa qu’eu ouço correr!

O Vaticano e a democracia

A maioria dos católicos dos Estados Unidos desejam uma reforma profunda da Igreja; numa sondagem recente 78% acha que o Papa deveria autorizar o uso de preservativos e 63% é favorável a que os sacerdotes possam contrair matrimónio.

Fonte

E isto na América de Bush; o Vaticano é uma instituição cegamente hierárquica, antidemocrática, onde o que pensam as "bases" não é tido nem achado para as posições tomadas pela Igreja Católica. É o ultra-conservadorismo desta Igreja que afasta os crentes, não qualquer tipo de "crise de valores" como gostavam de acreditar os seus mentores. Quando as principais directrizes do Vaticano vão contra a vontade da maioria dos fieis, é natural que muitos destes não se revejam nesta Igreja e acabem por se afastar.

No campo

Explorar pela primeira vez um trilho desconhecido; escutar o murmurar do rio a cada curva; admirar as obras de antanho, que represavam o rio e aproveitavam a água para noras e azenhas; descobrir libelinhas verdes e vermelhas; depois de uma pequena cascata, surpreender uma lontra que junto à margem mergulha e volta a mergulhar, entretida a desalojar um peixe das raízes de um amieiro, contente por o ter apanhado, inconsciente da minha presença. Quis ser transparente, e prolongar aquela cumplicidade por mais alguns segundos, surpreendido, eu também, pela incrível beleza da natureza selvagem. Às razões (mais do que muitas) racionais para a conservação dos rios, juntam-se agora razões emocionais: é que o bicho tem mesmo piada, assim ao vivo, a escassos metros da minha mão...

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Lontra no rio, com pouca luz e com uma máquina manhosa...

Mulheres, África e Ambiente

Em Março decorreu na África do Sul uma conferência subordinada ao tema “As Mulheres e o Ambiente”, no qual se focaram com particular atenção: exemplos de boas práticas, objectivos realistas para o futuro, o apoio internacional – e o papel das mulheres em todos estes aspectos. Uma das decisões tomadas nesta conferência foi o lançamento de uma campanha cujo objectivo é despertar e desenvolver uma consciência ambiental em mulheres jovens e de meios rurais.

Governo da África do Sul - Boletim da Latitude Zero

quarta-feira, maio 11, 2005

Espírito Santo

O BES afirma que o empreendimento da Herdade da Vargem está de acordo com a estratégia de desenvolvimento para o país, e que apesar de terem sido cortados 900 sobreiros, foram plantados 5000 (aqui fico sem perceber porque é que os cortaram; dá muito mais trabalho esperar que eles cresçam - mas lá está, os caminhos do Espírito Santo são por vezes insondáveis).
Para além deste caso, a PJ está a investigar mais três casos semelhantes, noutros pontos do país. Definitivamente, o Espírito Santo gostaria de estar em toda a parte, com hoteis, aldeamentos, centros hípicos, campos de golfe, condomínios privados, rampas de esqui, complexos de piscinas, SPAS, tudo a bem do "desenvolvimento do país" (vá lá, não disseram "desenvolvimento sustentável do país") - o diabo dos sobreiros é que atrapalham a sua obra!

Lezírias deste país

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Lezírias vistas do espaço

A companhia das Lezírias (incluindo a herdade da Vargem Fresca) constitui hoje uma barreira à expansão urbanística. Pode-se observar o limite da Companhia das lezírias como a zona mais verde que chega do norte à Península de Setúbal. Depois vemos a metrópole a expandir-se como uma ameba gigante, isolando a Arrábida e Sintra junto ao mar...

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A Península lá longe

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Já se vê o Tejo!

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A Arrábida e Sintra são as "ilhas verdes"; a CL trava o mar de betão numa linha geométrica

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A CL (mancha mais castanha correpondente ao montado) já começa a ficar rodeada por todos os lados, mantendo ainda a maior mancha de Montado de sobro do Mundo...

Ainda do caso Portucale

Notícia do Público de 9 de Março de 2005 (obtido via Vistas na Paisagem)

Três ministros do Governo que se despede na próxima semana deram luz verde, a quatro dias das eleições de 20 de Fevereiro, ao abate de mais de dois mil sobreiros para viabilizar um polémico empreendimento turístico em Benavente. Num diploma publicado ontem em Diário da República, os ministros da Agricultura, Costa Neves, do Ambiente, Nobre Guedes, e do Turismo, Telmo Correia, declaram a "imprescindível utilidade pública" de um projecto privado da empresa Portucale-Sociedade de Desenvolvimento Agro-Turístico - ligada ao grupo Espírito Santo -, que envolve moradias, hotéis, campo de golfe, centro hípico, uma barragem e um campo de tiro.

É a primeira vez que é directamente reconhecida a utilidade pública de um empreendimento turístico privado, com o objectivo de permitir o corte de sobreiros. Esta espécie de árvore é protegida por lei e só em situações excepcionais pode ser abatida - como a construção de estradas, barragens e outras infra-estruturas de evidente cunho público, desde que não haja alternativas de localização.

Na prática, o despacho ontem publicado vai permitir deitar abaixo 2605 sobreiros na herdade da Vargem Fresca, em Benavente, que já foi da Companhia das Lezírias - inicialmente accionista da Portucale, mas que depois deixou o projecto. Os terrenos ficaram então exclusivamente nas mãos de privados, num negócio investigado pela Inspecção-Geral de Finanças, que o considerou "desfavorável para os interesses e património da Companhia das Lezírias" [o metro quadrado foi vendido ao preço da uva mijona].

Há mais de dez anos que a Portucale esbarrava na lei de protecção dos sobreiros para avançar com o seu projecto. O pedido para este corte foi feito em 1997. Mas antes, em 1994, já a empresa solicitara autorização para abater quase 4000 sobreiros, para abrir espaço a dois campos de golfe. Inicialmente indeferido pelo então Instituto Florestal, o pedido foi depois aprovado pelo então ministro da Agricultura, Duarte Silva - actualmente presidente da Câmara da Figueira da Foz -, ao abrigo de uma alteração legislativa feita nos derradeiros dias do último Governo de Cavaco Silva, em 1995.
Poucos meses depois, com o Governo PS já empossado, esta autorização foi revogada pelo novo titular da pasta da Agricultura, Gomes da Silva, quando uma parte dos sobreiros já havia sido cortada.


De então para cá, a lei dos sobreiros foi alterada duas vezes. Na última revisão, efectuada em 2001, o Ministério da Agricultura chegou a sugerir que se permitisse o abate de árvores nos casos de empreendimentos de "relevante interesse para a economia nacional", que incidissem sobre um sector estratégico, que criassem empregos ou movimentassem investimentos "significativos". A proposta foi fortemente criticada por ambientalistas, que temiam uma brecha para o avanço de urbanizações em zonas de montado, especialmente na margem Sul do Tejo. O Governo acabou por recuar, mantendo apenas a figura dos "empreendimentos de imprescindível utilidade pública". (...)

O despacho ontem publicado argumenta que o projecto da Portucale "constitui um factor de desenvolvimento local e regional que pode permitir a criação de um considerável número de postos de trabalho numa zona em que a população, geralmente trabalhadora rural, enfrenta grandes dificuldades de obtenção de emprego".

Ricardo Garcia


Ou seja, primeiro, de uma forma desfavorável para os cofres do estado, a Herdade da Vargem Fresca passa para a mão de privados; segundo, estes privados, com amigos bem colocados no governo, tentam por duas vezes contornar a lei, para substituirem o montado por betão. Pela vontade do Espírito Santo (do grupo, não do outro), Lisboa Metrópole iria até Abrantes, Alcácer do Sal, Leiria, talvez até às Berlengas ...

terça-feira, maio 10, 2005

Nobre Guedes, o Ambientalista

A 28 de Novembro de 2003 escrevi:

"Entre os dedos que a Ministra se prepara para dar do nosso querido País (que os anéis já foram para o défice do ano passado) encontra-se a Companhia das Lezírias; sendo uma empresa lucrativa, a sua privatização anuncia algo de extremamente perverso: o sacrifício de 20 000 hectares de sítios ecologicamente fundamentais para Portugal (6500 hectares de montado - a maior mancha contínua de Portugal; a reserva natural do Estuário do Tejo) à especulação imobiliária; a acontecer, a venda desde "dedo" será criminosa, e este governo terá que prestar contas às gerações vindouras."

E a 28 de Fevereiro de 2004:

"Durão Barroso anunciou uma carrada de novas privatizações. Entre estas, é de salientar o anúncio da privatização da Companhia das Lezírias. O problema, é que a CL não dá prejuízo ao estado e tem um papel ecológico importantíssimo ao servir de tampão ao crescimento desenfreado do urbanismo na margem sul. (...)"

A 9 de Maio de 2004, Manuel Carvalho num editorial do Público disse:

"Manuela Ferreira Leite ao anunciar a reprivatização das Lezírias, mostra-se pronta a prescindir de uma pedra preciosa do património do Estado (..) porque, ao desviar para a esfera privada um património ambiental e agrícola de grande sensibilidade, o Governo abre portas à especulação imobiliária numa área que foi resistindo à expansão urbana descontrolada. (...) Desde que se iniciaram o estudos para uma eventual privatização das Lezírias, as dúvidas suplantaram as certezas e sobrou sempre bom senso para travar os apetites vorazes que as suas terras suscitaram aos construtores e promotores turísticos e imobiliários. Espera-se agora que o Governo encare melhor o problema e chegue às mesmas conclusões."

Entretanto Durão pirou-se e o Governo de Santana tomou conta do País. E sem voltarem a falar nisso, pela calada, 2 dias antes das eleições, Nobre Guedes, Telmo Correia e Costa Neves deram aval à construção imobiliária de 1534 fogos, com 2 campos de golfe e centro hípico e outros mimos em plena reserva cológica, numa herdade que já tinha feito parte da companhia das Lezírias. Para isso, seriam cortados mais de 2600 sobreiros (isto na maior mancha de montado de sobro da Europa), por considerar de "imprescindível utilidade pública" a construção no local de um projecto de desenvolvimento turístico. O dito projecto de desenvolvimento estava a cargo do Grupo Espírito Santo.

Hoje, Nobre Guedes (ex-ministro do ambiente) e três membros do grupo Espírito Santo foram constituidos arguidos por tráfico de influências e crime económico. E ainda diz o Sousa Tavares que os autarcas é que são corruptos. Cá para mim a percentagem de corruptos deve ser a mesma em todas as esferas de poder. Só o montante da corrupção é que varia, sendo proporcional ao poder que detêm.


Foto sacada ao Jumento

Conversa Capitalista

P – Pela experiência dos anos anteriores, qual a importância da Feira do Fumeiro no quadro do desenvolvimento económico do concelho?

R - (...) Em todo o caso, pelo que lhe disse, esse peso hoje em dia é insubstituível a ponto de podermos dizer com toda a propriedade que Vinhais é já a Capital do Fumeiro.

P – As Câmaras do Barroso não dizem o mesmo?

R – Penso que não. Se eles disserem que são a capital do presunto, vá que não vá, mas a capital do fumeiro é indiscutivelmente Vinhais, porque Vinhais é o único concelho que tem um património de saber e de experiência de mais de 20 anos a apostar na qualificação do fumeiro regional.

Fonte

Capitalismos II

Capitais desportivas

Águeda - Capital do Motocross
Aveiro - Capital do snooker
Cabo da Roca - Capital do bodyboard
Covilhã - Capital do Snowboard (mpf)
Felgueiras - Capital da Natação
Fronteira - Capital do TT
Guarda - Capital do Desporto
Horta - Capital do iatismo internacional
Leiria - Capital do atletismo
Linhares da Beira - Capital do Parapente
Loulé - Capital do Golfe
Maia - Capital do Desporto
Murça - Capital do Autocross
Pombal - Capital do minigolfe
Santarém - Capital do desporto equestre
São Torpes - Capital do surf

Olha que ser capital do minigolfe... deve ter sido durante um certo congresso de um certo partido onde um rapaz certinho foi eleito para a liderança.

Capitalismos I

Capitais gastronómicas

Alfândega da Fé - Capital da cereja
Almeirim - Capital da sopa de pedra
Armamar - Capital da maçã
Cartaxo - Capital do Vinho
Celorico da Beira - Capital do Queijo da Serra da Estrela
Favaios - Capital do Moscatel
Fundão – Capital da cereja
Gouveia - Capital da Gastronomia Serrana
Ílhavo - Capital do Bacalhau
Madalena do Mar - Capital da Banana
Miranda do Corvo - Capital da Chanfana
Mirandela - Capital da Alheira
Óbidos - Capital do Chocolate
Olhão - Capital do Marisco
Penacova - Capital da Lampreia
Peso da Régua - Capital da Região Demarcada do Douro
Ponte de Lima - Capital do Vinho Verde
Portimão - Capital da sardinha assada
Resende - Capital da Cereja
Sernancelhe - Capital da Castanha
Tomar - Capital da sopa
Valença do Douro - capital do vinho do Porto
Valpaços - Capital do Folar
Vila Nova de Foz Côa - Capital da Amendoeira
Vinhais - Capital do Fumeiro


A cereja tem três capitais, essa é que é essa. Ele há outras capitais menos disputadas, como a da Alheira, indiscutivelmente em Mirandela. Também havia duas pretenções a capital do queijo da Serra, mas eliminei Aguiar da Beira, por ter apenas uma referência. Podem acrescentar capitais à lista nos comentários.

A dívida que importa

Educação de qualidade para o Brasil inteiro custa menos que pagar a dívida externa. Juçara Vieira, do CNTE, cobra coragem do governo para fazer a escolha certa

Luís Brasilino, Correio da Cidadania

No final de abril, trabalhadores da educação que defendem a conversão da dívida externa em recursos para a escola pública reuniram-se com o ministro da Educação, Tarso Genro, para debater as políticas de financiamento do sector. Obtiveram do ministro o compromisso de criar uma agenda para analisar a proposta e agora querem o envolvimento de outros ministérios.

“Dependemos de uma decisão política do governo de encarar este debate”, afirma Juçara Dutra Vieira, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) que promove a campanha. Em entrevista ao Correio da Cidadania, ela diz que o actual momento favorece uma nova mobilização da sociedade questionando a dívida externa paga pelo Brasil.

Leia o artigo completo em Outras Palavras

Aprender com os Índios

Desde 1997 que, com o apoio da Fundação Florestas Tropicais da Noruega, têm vindo a ser desenvolvidos no Brasil projectos com os índios Krahô, Terena, Guarani, Wajãpi e Krikati. Segundo a organização Trabalho Indigenista, estas iniciativas levaram não só ao levantamento do conhecimento e das representações destes grupos indígenas sobre a diversidade biológica e ambiental das suas terras e da sua utilização, mas também à caracterização desses ambientes e dos seus elementos principais. Um dos objectivos é preservar a sustentabilidade das populações, mantendo uma relação equilibrada com os ambientes que integram.

Trabalho Indigenista - Boletim da Latitude Zero

segunda-feira, maio 09, 2005

Resistências e Alternativas

Encontro Resistências e Alternativas

Évora, 14 de Maio

Os movimentos sociais vão juntar-se em Évora para realizar um conjunto de iniciativas sob o tema: resistências e alternativas. Este encontro temático insere-se no processo do Fórum Social Português, que junta centenas de organizações e milhares de pessoas na busca de políticas contra as discriminações, contra a guerra e contra o neoliberalismo, na certeza de que
um outro mundo é possível.

Todas e todos que se reconhecem nestes princípios podem participar nesta iniciativa. Informa-se as organizações e pessoas interessadas de que podem construir a iniciativa organizando debates e iniciativas que mostrem as suas acções, divulguem as suas agendas e contribuam para a convergência na acção e o reforço dos movimentos sociais.

Na sequência do Fórum Social Mundial, que se realizou pela primeira vez, em 2001, na cidade brasileira de Porto Alegre, organizaram-se em todo o mundo encontros de movimentos sociais (continentais, temáticos e nacionais). Em 2003, realizou-se, em Lisboa, o primeiro Fórum Social Português, com a presença de milhares de pessoas e cerca de 200 organizações. Está agendado para 2006 o segundo Fórum Social Português.

O programa da iniciativa temática subordinada ao tema das resistências e alternativas que se realizará em Évora a 14 de Maio, constará de um grande debate conjunto pela manhã; à tarde realizar-se-ão um conjunto de iniciativas próprias dos diversos movimentos sociais seguido de um espaço e um momento de convívio e animação cultural.

http://www.resistenciasealternativas.org/

Sons da Natureza

O som surpreendente e ligeiramente assustador de um enxame de abelhas guiadas pela sua nova rainha, pocurando um poiso para se fixarem. Por instantes o dia ficou mais escuro por causa da nuvem compacta de abelhas em movimento.

Um picapau ao longe a esburacar uma velha árvore em busca de vermes suculentos.

Humanos movem a Terra

Segundo um estudo publicado na revista Geology, as actividades humanas são responsáveis por cerca de dez vezes mais deslocação de material na superfície terrestre do que todos os processos geológicos juntos. Por exemplo, a agricultura e as escavações têm maior impacto na paisagem do que rios e glaciares. Os continentes perdem por processo natural, em média, algumas – poucas – dezenas de metros de sedimento num milhão de anos, enquanto as actividades humanas originam, em média, a perda de 360 metros durante um milhão de anos.

Philip Ball - Nature - Boletim da Latitude Zero

domingo, maio 08, 2005

Manif contra a discriminação em Viseu

Dia 15 de Maio -15 horas
Concentração no Rossio de Viseu

Porque em pleno século XXI cidadãos são agredidos pelo simples facto de serem identificados como homossexuais.
Para erradicar a homofobia da sociedade portuguesa, para colocar um termo à discriminação. Antes que seja tarde!Solidariedade para com os homossexuais e demais cidadãos agredidos. Exigir a instauração de um inquérito independente à forma como as forças de segurança do distrito de Viseu lidaram com a actuação de milícias populares anti-homossexuais e a ineficiência perante as queixas de violência física e verbal de que foram vítimas. Exigir medidas do Governo Português para erradicar a homofobia da sociedade portuguesa e a discriminação.

Convocam: Amnistia Internacional; AJP; APAV; Clube Safo; Horus ; ILGA-Portugal; PortugalGay.PT; Não Te Prives; Olho Vivo; SOS Racismo; @t. ; Opus Gay; Panteras Rosa ;

II Guerra Mundial - A

Há 60 anos, a 8 de maio de 1945, com a derrota do Terceiro Reich, terminava a II Guerra Mundial na Europa.

Ignacio Ramonet, Le Monde Diplomatique

O custo em vidas humanas da II Guerra Mundial foi o mais elevado da História. Estima-se que a quantidade total de mortos ascenda aos 50 milhões. O balanço foi mais desfavorável na Europa que na Ásia, e muito mais no leste europeu que no oeste. O exército soviético – Exército Vermelho – perdeu sozinho uns 14 milhões de homens: 11 milhões nos campos de batalha (dos quais 2 milhões nas frentes do Extremo Oriente) e 3 milhões nos campos alemães de prisioneiros. Algumas grandes batalhas, como Stalingrado (setembro de 1942-fevereiro de 1943), o desembarque na Normandia (junho de 1944) ou a tomada de Berlin (20 de abril a 8 de maio de 1945) foram mais mortíferas que os piores enfrentamentos da I Guerra Mundial.

Entre os Aliados, o total de mortos em combate foi de 300 mil americanos, 250 mil britânicos e 200 mil franceses. O Japão perdeu um milhão e meio de combatentes. Mas uma das principais causas das perdas de vidas humanas foi o confronto no leste da Europa entra a Wehrmacht e o Exército Vermelho, que terminou com a morte de pelo menos 11 milhões de soldados de ambos os lados, e originou mais de 25 milhões de feridos.

Massacres, fome e governantes impunes

Pela primeira vez no curso de uma guerra, a quantidade de vítimas civis superou em muito a dos militares mortos em combate. Além disto, os civis foram frequentemente vítimas de atrocidades cometidas para aterrorizar o adversário. Desta maneira, na Ásia, o Japão, que havia invadido o norte da China em 1937 e ocupado Pequim, lançou seu exército sobre Nanquin, onde tinha sede o governo chinês, que decidiu resistir. Uma vez tomada Nanquim, o exército japonês entregou-se a um verdadeiro massacre. Os 200 mil chineses que na ocasião se encontravam na cidade foram executados em condições atrozes. As mulheres foram brutalmente violadas, os homens e crianças enterrados vivos ou torturados segundo directivas precisas. A cidade foi saqueada, e depois queimada de ponta a ponta.

O príncipe Asakasa, primeiro responsável por esta carnificina, nunca chegou a ser julgado após a guerra. No entante este crime é minimizado por alguns manuais escolares japoneses. O que deixa furiosos – com razão – os chineses e coreanos, como pôde ser visto em abril último, em Pequim, durante as grandes manifestações anti-japonesas. Contrariamente à Alemanha, o Japão nunca chegou a reconhecer de modo convincente os seus abomináveis crimes de guerra contra os civis chineses e coreanos.

Em toda parte, a fome dizimou as populações assediadas. Em Leningrado (hoje São Petersburgo), mais de 500 mil civis pereceram por privações, entre novembro de 1941 e janeiro de 1944. E houve também bombardeios intensivos às cidades. Os beligerantes abandonaram qualquer escrúpulo em relação às grandes aglomerações indefesas. Começando pelas forças de hitler, que, de 10 de setembro de 1940 até 15 de maio de 1941, multiplicaram as incursões aéreas contra as cidades inglesas (entre as quais, Coventry), provocando mais de 500 mil mortes civis. Como muitas outras cidades, Varsóvia foi inteiramente destruída de novembro a dezembro de 1944 pelas tropas alemãs em retirada. Os Aliados responderam em 13 de fevereiro de 1945, com a destruição de Dresden, gerando dezenas de milhares de vítimas civis, muitas delas refugiados. Logo, em 8 e 11 de agosto de 1945, as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki foram eliminadas do mapa pelos primeiros bombardeamentos atómicos da história.

Tradução: Tiago Soares e António Martins, Outras Palavras (continua abaixo)

II Guerra Mundial - B

Há 60 anos, a 8 de maio de 1945, com a derrota do Terceiro Reich, terminava a II Guerra Mundial na Europa.

Ignacio Ramonet, Le Monde Diplomatique


As lições para sempre...

Houve também êxodos ou marchas forçadas que produziram inumeráveis vítimas entre os prisioneiros de guerra, os deportados e as populações desterradas; apenas no ano de 1945, por exemplo, mais de dois milhões de alemães encontraram a morte enquanto fugiam a pé até o oeste, frente ao avanço das tropas soviéticas. E houve também, e sobretudo, o crime dos crimes, a exterminação sistemática por parte dos nazis, por razões de ódio anti-semita, de seis a doze milhões de judeus europeus.

Por suas dimensões apocalípticas, e pelos tornados de violência, de crueldade e de morte que desvastaram o mundo, a II Guerra Mundial mudou profundamente não apenas a geopolítica internacional, mas também, muito simplesmente, as mentalidades. Para as gerações que viveram essa guerra e sobreviveram às suas violências, nada poderia ser como antes. Durante este conflito o homem desceu a uma espécie de abismo do mal e, de alguma maneira, chegou a desumanizar-se. Muito particularmente em Auchwitz. Por isso era necessário proceder, uma vez terminada a guerra, a um regeneração, uma reconstrução do espírito humano. Uma re-humanização do homem. Tal como o conhecemos hoje, o mundo segue fortemente modelado pelo trauma causado por esta guerra. Algumas lições foram obtidas, duas especialmente:

– Em primeiro lugar, que é necessário evitar a qualquer preço um conflito da mesma natureza; o que levou a comunidade internacional a constituir, a partir de 1945, um instrumento inédito: a Organização das Nações Unidas (ONU), cujo primeiro objetivo segue sendo impedir guerras;

– Em segundo, que as teorias fascista e nacional-socialista, assim como o militarismo imperial japonês, seguem culpados de ter lançado o mundo ao abismo de uma guerra tão abominável; e que os regimes políticos baseados no anti-semitismo, no ódio racial ou na discriminação constituem perigos não só para seu próprio povo como, também, para toda a humanidade. Esta é a razão pela qual, muito naturalmente, a II Guerra Mundial foi seguida pelo nascimento de Israel e o grande despertar dos povos colonizados de África e Ásia.

e a presunção dos impostores

Mas os próprios vencedores perecem ter se esquecido das lições desta guerra. Assim, por exemplo, a Rússia do presidente Vladimir Putin desonra a si mesma com a repressão cega e o abuso da força na Tchetchênia. E nos Estados Unidos, a administração do presidente George W. Bush faz uso dos odiosos atentados do 11 de setembro como pretexto para questionar o Estado de direito. Washington restabeleceu o princípio da “guerra preventiva” para invadir o Iraque, criou “campos de detenção” para prisioneiros despojados de seus direitos e tolera a prática da trotura.

Estes gravíssimos desvios não impedirão, de qualquer maneira, que Putin e Bush ocupem, em 8 de maio, o primeiro lugar e o centro das cerimônias que recordam a derrota do Terceiro Reich. Poucos meios se atreverão a recordá-los de que estão usurpando essa posição, por haver traído os grandes ideais da vitória de 1945.

Tradução: Tiago Soares e Antonio Martins, Outras Palavras

Militares e Homosexuais

Diz a Constituição da República Portuguesa, no seu artigo 13º que «ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça... ou orientação sexual».

Mas o tenente-coronel na reserva Brandão Ferreira (BF), de acordo com o artigo de opinião publicado a 30 Abril, continua a pensar, infelizmente, que se encontra, ainda, no 24 de Abril de 1974. Nessa época ser do Quadro Permanente (QP) das Forças Armadas era só para homens, brancos, heterossexuais e, entre outras discriminações, os oficiais não se podiam casar com quem desejassem, mas somente com senhoras de «boas famílias» porque, segundo os guardiães da época, poderiam pôr em causa a instituição militar .

É pena que BF saiba tão bem o Regulamento de Disciplina Militar
(RDM) e desconheça tanto a Constituição da República Portuguesa que ele e todos os militares juraram «cumprir e fazer cumprir». Ou a moral que interpreta no RDM é só dirigida aos homossexuais ?

Não sei se BF sabe que nos encontramos na União Europeia, onde existem imensas directivas antidiscriminação, nomeadamente neste aspecto concreto da orientação sexual, e onde casos de discriminação, como os que pretende efectuar, seriam de certeza punidos .

Assim aconteceu na Inglaterra, que foi, em tempos, obrigada, pelas instâncias competentes europeias, a reintegrar nas suas Forças Armadas alguns militares (homens e mulheres) que se tinham declarado publicamente homossexuais. Não sei se tem conhecimento que em alguns países do Norte da Europa existem grupos organizados de militares homossexuais junto dos respectivos Estados-Maiores castrenses, e não creio que essas forças armadas apresentem sinais de decadência.

Mesmo assim não deve esquecer (talvez isto tenha passado a BF) que em Portugal as uniões de facto extensivas aos homossexuais são legais e, por isso, não se pode aceitar que a nível das FA haja portugueses de primeira e de segunda .

No seu artigo, BF não enumera nem um único motivo concreto que impeça o acesso de homens e mulheres homossexuais aos Quadros Permanentes das Forças Armadas. Fica-se na vaga acusação de que poderiam «minar o edifício militar» . Era esta a preocupação que muitos tinham e continuam a ter sobre a abertura da instituição militar às mulheres e a outras etnias . Só que isso já o autor do artigo não tem coragem para dizer .

De resto existem e sempre existiram, como é fácil de comprovar, homossexuais homens, e agora mulheres, nas FA, como em todos os grupos sociais, sem que isso tenha posto em causa a instituição militar .

OPUS GAY

sábado, maio 07, 2005

A Escola da Violência

Em pelo menos 60 países, bater em crianças com paus, cintos e outros instrumentos, assim como humilhá-las de outras formas é uma componente reconhecida do sistema de ensino. Em alguns desses estados, as crianças estão sujeitas à pena de morte. A UNESCO acaba de publicar um estudo em que denuncia essas situações e apresenta propostas para acabar com tais práticas de violência sobre as crianças, em particular nas escolas.

UNESCO - Boletim da Latitude Zero

sexta-feira, maio 06, 2005

Indigestões

Li no Público um artigo de três páginas sobre a gastronomia de Évora. O autor explica que foi convidado pelo senhor presidente da Câmara, e que os restaurantes (escolhidos pelo presidente) estavam avisados deste compadrio. Não sei como funciona isto: o presidente depois ainda paga ao jornal para a peça ser publicada? É só o autor que recebe pelo arranjinho? Pergunto eu que interesse tem tudo isto...

- É o presidente da Câmara a querer fazer publicidade a Évora? Mas quem é que em Portugal não sabe que se come bem em Évora?

- O Público a cumprir um dever de informação? Mas de que serve falar de restaurantes a três passos do centro da cidade, locais conhecidos que qualquer passeante pode indicar? Pagou para isto, senhor presidente?...

- É interesse do autor, gourmet com especial nariz (papilas!) para encontrar e certificar estes prazeres? Mas se ele não buscou, nem revelou nada que o comum mortal não soubesse! Por acaso em Évora até há sítios pouco conhecidos onde se come maravilhosamente... São estes que interessam aos turistas inteligentes, oh senhores!


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E para quê trazer mais turistas a Évora, se depois não há capacidade para os receber, senhor presidente? Eu sugeria, por exemplo, que em vez de convidar (com dinheiros públicos) este senhor ou a outra senhora (a D. Lili e a famosa moda eborense) a pretexto de técnicas publicitárias, assegurasse o posto de turismo aberto aos domingos e feriados. Quando chegam os tais turistas, tá a ver?... É realmente um vício inconveniente, este dos turistas insistirem em viajar nos domingos e feriados, mas eles são assim. E, enfim, se consegue encaixar os recibos dos restaurantes e dos hotéis, também pode com certeza encaixar um recibo verde dum part-timezito (até diminui a taxa de desemprego em Évora!). Também lhe ficaria bem incentivar regras de bom atendimento nos restaurantes, mas isso presumo que lhe retire alguns votos do establishment local... Mas é que estas coisas amiúde estragam o prazer duma boa refeição e, bem vê, um seu convidado num restaurante avisado nem se apercebe delas - acho extraordinário que na peça o autor refira como certificação de qualidade o bem que foi recebido nos restaurantes que frequentou como cliente habitual ou convidado especial... Nunca sei o que pensar: se este pessoal acha que os outros são parvos ou se, enfim, são mesmo eles que não se enxergam.

mpf

Coincidências

No 3:0 do Sporting ao Braga, o mesmo título aparecia em jornais diferentes: a Bola e o Record com Trinilla; O Jogo e o Correio da Manhã (acho) com gool gool Pini gool (ou uma tirada parecida). Ou anda por aí perdida muita falta de imaginação, ou então a mania de fazer graçolas com os nomes dos jogadores espartilhou a criatividade dos jornalistas desportivos.

PS - a derrota por 3:2 ontem foi bem mais interessante e frutífera...